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(2) 1. MÁRCIA BERBERT-FERREIRA. VARIÁVEIS PSICOSSOCIAIS DE MÃES PRIMÍPARAS E SUAS IMPLICAÇÕES NO DESENVOLVIMENTO DE SEUS FILHOS. Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Psicologia da Saúde da Diretoria de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Metodista de São Paulo, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutora em Psicologia da Saúde. Orientadora: Profa. Dra. Miria Benincasa. SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) 2019.
(3) 2. UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO. Reitor: Prof. Dr. Paulo Borges Campos Júnior Diretor de Graduação: Prof. Dr. Sérgio Marcus Nogueira Tavares Diretor de Pós-Graduação e Pesquisa: Profa. Dra. Adriana Barroso de Azevedo Coordenadora do Mestrado e Doutorado em Psicologia da Saúde: Profa. Dra. Maria do Carmo Fernandes Martins. B484v. Berbert-Ferreira, Márcia Variáveis psicossociais de mães primíparas e suas implicações no desenvolvimento de seus filhos / Márcia Berbert-Ferreira. -- 2019 119f.: fig.:tab.:graf.. Tese (Doutorado em Psicologia da Saúde) -- Universidade Metodista de São Paulo, São Paulo, SP, 2019. Orientadora: Profa. Dra. Miria Benincasa 1. Psicologia do desenvolvimento. 2. Variáveis Maternas. 3. Escala de Desenvolvimento Infantil Bayley. 4. Psicologia. 5. Autoestima. I. Benincasa, M. II. Universidade Metodista de São Paulo. III. Título. CDD 155.
(4) 3. A tese de doutoramento sob o título “Variáveis psicossocias de mães primíparas e suas implicações no desenvolvimento de seus filhos”, elaborada por Márcia BerbertFerreira foi apresentada no dia 08 de maio de 2019, perante banca examinadora composta pelos professores doutores Hilda Rosa Capelão Avoglia (UMESP), Manuel Morgado Rezende (UMESP) e Miria Benincasa (UMESP) como membros internos e Eda Marconi Custódio (Universidade de São Paulo) e Vivian Mara G. de Oliveira Azevedo (Universidade Federal de Uberlândia) como membros externos. Os suplentes convidados foram os professores doutores Alexandre Capellozza (UMESP) como membro interno e Helena Rinaldi Rosa (USP) como membro externo.. _________________________________________ Profa. Dra. Miria Benincasa Orientadora e Presidente da Banca Examinadora. ________________________________________ Profa. Dra. Maria do Carmo Fernandes Martins Coordenadora do Programa de Pós-Graduação Em Psicologia da Saúde. Programa: Pós-Graduação em Psicologia da Saúde Área de concentração: Psicologia da Saúde Nível: Doutorado Linha de pesquisa: Trabalho, Organizações e Saúde.
(5) 4. Dedico este trabalho aos meus pais Gerson Victal Ferreira e Margarida Berbert Ferreira (in memoriam). Aos meus irmãos: Arsênio Berbert Ferreira, Tânia Berbert Ferreira Lima, Moacyr Berbert Ferreira, Bilgai Berbert Ferreira, Franz Berbert Ferreira e Liz Berbert Ferreira (in memoriam). Ao meu esposo Fernando Albertino Albino e minhas filhas Paula Berbert Ferreira Albino e Laura Berbert Ferreira Albino, pela oportunidade de conviver com vocês que me mostram a necessidade de tentar constantemente ser melhor nas relações..
(6) 5. AGRADECIMENTOS. Agradeço a Deus, suporte Divino constante na caminhada. Aos meus pais, Gerson e Margarida, pelo carinho e pelo cuidado durante a infância, alicerce de toda uma vida. Ao meu esposo, Fernando, por permitir e ajudar-me a buscar meus sonhos, sendo muitos deles sonhados só por mim. Às minhas filhas, Paula e Laura, pela a renovação constante dos meus planos. Aos meus colegas de trabalho e de estudo, pelo constante incentivo e consolo durante os períodos de desafios. Aos meus alunos, pacientes e seus familiares, por trazer motivo diário para não desistir de dias tão cheios. Aos meus irmãos, Arsênio, Tânia, Moacyr, Bilgai, Franz e Liz por compartilharem comigo a definição de limites e me ajudarem a ter jogo de cintura. À Equipe do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, por me acolherem amorosamente na arrancada final de minha vida acadêmica. Aos alunos do curso de Medicina da UFU: Ana Júlia Rodrigues Oliveira, Ana Luiza Mendes Bonfim, Dayane Pereira Resende, Flávia Assis Fernandes, Giovana Guimarães Fatureto, Janaína Carla Oliveira, Mariana Gomes Zanata, Marina Hubaide Rosa, Nathália Paredes Rodrigues, Pedro Cerqueira, Rafaela Nogueira Araújo, Rebeca Raíssa Bezerra de Oliveira, Sara Silva de Brito, Viviane Pereira Bernardes e Vitor Diniz Borges, à residente de Pediatria Marília Cruvinel Assunção Silva e às psicólogas: Adriana Navarro, Dinamarques Paiva de Souza, Marisa Sueli Silva Duarte e Michele Tomaz pela colaboração na coleta de dados. À Maria Margarete Lemos pela ajuda no trabalho estatístico e Tânia Berbert Ferreira Lima (irmã imprescindível, ajuda de todo tempo) pela colaboração no trabalho gráfico da tese. Ao meu cunhado, Cirilo Antônio de Paula Lima, pelo apoio e esforço quando tinha certeza que o desafio do doutorado estava perdido.
(7) 6. RESUMO Apresenta um estudo que objetivou avaliar e descrever a correlação entre as variáveis psicossociais maternas: escolaridade, renda exclusiva, autoestima, percepção de satisfação com sua relação de casal e indícios de possível depressão pós-parto e o desenvolvimento de crianças nos seus primeiros 42 meses de vida. Para isso, selecionaram-se 82 mães primíparas e seus 82 filhos únicos, fora da escola, sob seus cuidados ou parentes de primeiro grau, sem vínculo financeiro, de famílias residentes em Uberlândia, Estado de Minas Gerais. Trata-se de estudo quantitativo, transversal, com amostra não probabilística, que utilizou como instrumento de avaliação das mães: um questionário sociodemográfico, com Escala de Autoestima de Rosenberg, Escala Fatorial de Satisfação de Relação de Casal e Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo. Para avaliar as crianças, de até 42 meses, as Escalas Bayley III foram utilizadas para quantificar as habilidades cognitiva, da linguagem, motora, socioemocional e do comportamento adaptativo. Para análise dos dados, utilizou-se o software BioEstat, versão 5.3, e o teste de correlação de Spearman, com significância de 5%, α ≤ 0,05. Os resultados mostraram que a renda materna exclusiva apresentou correlação positiva e estatisticamente significante com a habilidade cognitiva (rs=0,2339, p=0,0344), da linguagem expressiva (rs=0,3523, p=0,0012), motora fina (rs=0,2183; p=0,0487) e do comportamento adaptativo (rs=0,2731, p=0,0130). A escolaridade materna apresentou correlação positiva e estatisticamente significativa com as habilidades cognitiva (rs=0,2850, p=0,0094), motora fina (rs=0,3239, p=0,0030 ) e do comportamento adaptativo (rs=0,2236, p=0,0433). As variáveis autoestima e percepção materna de satisfação com seu relacionamento e casal. não. apresentaram. correlações. com. nenhuma. das. habilidades. do. desenvolvimento avaliadas pelas Escalas Bayley III; e os indícios de depressão pósparto apresentou correlação inversa e estatisticamente significante, apenas com a habilidade cognitiva das crianças avaliadas (rs=0,2550, p=0,0207). Os resultados desta pesquisa indicam a necessidade de inserção de novos atores sejam capazes de dar atenção integral a essas famílias e, maximizem as potencialidades dessas crianças, no sentido de promover a saúde e prevenir agravos.. Palavras-chave: Escolaridade Materna. Renda. Autoestima. Relacionamento Conjugal. Depressão Pós-Parto. Desenvolvimento Infantil. Bayley III..
(8) 7. ABSTRACT It presents a study that aimed to evaluate and describe the correlation between maternal psychosocial variables: schooling, exclusive income, self-esteem, perception of satisfaction with their relationship as a couple and signs of possible postpartum depression and the development of children in their first 42 months of life. For this purpose, 82 primiparous mothers and their 82 single offspring, under their care or of first-degree relatives, without financial ties, were selected from families living in Uberlândia, State of Minas Gerais. This is a quantitative, cross-sectional study with a non-probabilistic. sample,. which. used,. as. a. maternal. evaluation. tool:. a. sociodemographic questionnaire, Rosenberg Self-esteem Scale, Factorial Satisfaction Scale in Couple Relationship and Edinburgh Postpartum Depression Scale. To assess children up to 42 months, the Bayley III Scales were used to quantify cognitive, language, motor, socioemotional, and adaptive behavior skills. For data analysis, the software BioEstat, version 5.3, and the Spearman correlation test, with significance of 5%, α ≤ 0.05 were used. The results showed that exclusive maternal income had a positive and statistically significant correlation with cognitive ability (rs=0.2339, p=0.0344), expressive language (rs=0.3523, p=0.0012), fine motor (rs=0.2183, p=0.0487) and the adaptive behavior (rs=0.2731, p=0.0130). Maternal schooling presented a positive and statistically significant correlation with cognitive abilities (rs=0.2850, p=0.0094), fine motor (rs=0.3239, p=0.0030) and adaptive behavior (rs=0.2236, p=0.0433). Maternal schooling also presented statistically significant positive correlation with the child development in cognitive (rs=0.2850, p=0.0094), fine motor (rs=0.3239, p=0.0030) and adaptive behavior (rs=0.2236; p=0.0433) abilities. The variables self-esteem and maternal perception of satisfaction with their relationship and couple did not present correlations with any of the developmental abilities evaluated for Bayley III Scales; and the signs of postpartum depression presented an inverse and statistically significant correlation, only with the cognitive ability of the children evaluated (rs=-0.2550, p=0.0207). The results of this research indicate the need for new actors to be able to give full attention to these families and maximize the potential of these children in order to promote health and prevent injuries. Keywords:. Maternal Education.. Income.. Self-Esteem.. Postpartum Depression. Child Development. Bayley III.. Marital. Relationship..
(9) 8. RESUMEN Se apresenta un estudio que tuvo como objetivo evaluar y describir la correlación entre las variables psicosociales maternas: escolaridad, ingresos exclusivos, autoestima, percepción de satisfacción con la relación de pareja y evidencia de posible depresión posparto y el desarrollo de niños en sus primeros 42 meses de vida. Para esto, 82 madres primíparas fueron seleccionadas junto a su hijo único, fuera de la escuela, bajo su cuidado o familiares de primer grado, sin vínculos financieros, en familias que viven en Uberlândia, Estado de Minas Gerais. Se trata de un estudio cuantitativo, transversal, con una muestra no probabilística, que se utilizó como instrumento para evaluar a las madres: cuestionario sociodemográfico, con Escala de Autoestima de Rosenberg, Escala de Satisfacción Factorial en la Relación de Pareja y Escala de Depresión Posparto de Edimburgo. Para evaluar a los niños, hasta los 42 meses, se utilizaron las Escalas Bayley III para cuantificar las habilidades: cognitivas, del lenguaje, motora, socioemocional y de comportamiento adaptativo. Para el análisis de datos, se utilizaron el software BioEstat, versión 5.3, y la prueba de correlación de Spearman, con una significación del 5%, α ≤ 0.05. Los resultados mostraron que el ingreso exclusivo de la madre presentó una correlación positiva y estadísticamente significativa con la habilidad cognitiva (rs=0.2339, p=0.0344), del lenguaje expresivo (rs=0.3523, p=0.0012), la motora fina (rs=0.2183; p=0.0487) y del comportamiento adaptativo (rs=0.2731, p=0.0130). La escolaridad materna también presentó una correlación positiva estadísticamente significativa con el desarrollo del niño en las habilidades: cognitiva (rs=0.2850, p=0.0094), motora fina (rs=0.3239, p=0.0030) y comportamiento adaptativo (rs=0.2236, p=0.0433). Las variables autoestima y percepción materna de satisfacción con su relación de pareja no se correlacionaron con ninguna de las habilidades de desarrollo evaluadas por las Escalas Bayley III; y las evidencias de depresión posparto presentó una correlación inversa estadísticamente significativa, solo con la habilidad cognitiva de los niños evaluados (rs=-0.2550, p=0207). Los resultados de esta investigación indican la necesidad de inserción de nuevos actores para dar atención integral a esas familias y maximizar las potencialidades de estos niños para promover la salud y prevenir agravios. Palabras-clave: Escolaridad Materna. Renta. Autoestima. Relación de Pareja. Depresión Postparto. Desarrollo Infantil. Bayley III..
(10) 9. LISTA DE FIGURAS Figura 1. Caracterização da amostra segundo a idade das mães.................. 43. Figura 2. Caracterização da amostra segundo a cor da mãe.......................... 44. Figura 3. Caracterização da amostra segundo a escolaridade da mãe.......... 44. Figura 4. Caracterização da amostra segundo a renda materna exclusiva..... 45. Figura 5. Caracterização da amostra segundo a situação conjugal da mãe... 45. Figura 6. Caracterização da amostra segundo a frequência em curso para a preparação para o parto.................................................................... 46. Figura 7. Caracterização da amostra segundo o abortamento anterior........... 46. Figura 8. Caracterização da amostra segundo a presença de acompanhante durante o parto.................................................................................. 47. Figura 9. Caracterização da amostra segundo o tipo do parto........................ 47. Figura 10. Caracterização da amostra quanto à ajuda recebida nos cuidados com o bebê....................................................................................... 48. Figura 11. Caracterização da amostra segundo o sexo das crianças............... 48. Figura 12. Critério de avaliação do coeficiente de Spearman........................... 49. Figura 13. Respostas das mães aos questionários sobre autoestima, percepção de satisfação com sua relação de casal e indícios de possível DPP..................................................................................... 50. Figura 14. Avaliação da habilidade cognitiva das crianças............................... 52. Figura 15. Avaliação da habilidade da linguagem receptiva das crianças........ 52. Figura 16. Avaliação da habilidade da linguagem expressiva das crianças...... 53. Figura 17. Avaliação da habilidade motora grossa das crianças....................... 53. Figura 18. Avaliação da habilidade motora fina das crianças............................ 54. Figura 19. Avaliação da habilidade socioemocional das crianças..................... 55. Figura 20. Avaliação da habilidade do comportamento adaptativo das crianças............................................................................................. 55. Figura 21. Distribuição da amostra de crianças conforme a avaliação pela EDIB III.............................................................................................. 56. Figura 22. Correlações entre as habilidades infantis as variáveis psicossociais maternas..................................................................... 80.
(11) 10. LISTA DE TABELAS Tabela 1. Composição das condições afetivas e emocionais das mães....... 51. Tabela 2. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade cognitiva das crianças.................................................................................... 57. Tabela 3. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade da linguagem receptiva das crianças.................................................. 57. Tabela 4. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade da linguagem expressiva das crianças................................................ 58. Tabela 5. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade motora grossa das crianças........................................................................ 59. Tabela 6. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade motora fina das crianças............................................................................. 59. Tabela 7. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade socioemocional das crianças.......................................................... 60. Tabela 8. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade do comportamento adaptativo das crianças........................................ 61. Tabela 9. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade cognitiva das crianças.................................................................... 61. Tabela 10. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade da linguagem receptiva das crianças.................................................. 62. Tabela 11. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade da linguagem expressiva das crianças................................................ 63. Tabela 12. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade motora grossa das crianças........................................................................ 63. Tabela 13. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade motora fina das crianças............................................................................. 64. Tabela 14. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade socioemocional das crianças.......................................................... 65. Tabela 15. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade do comportamento adaptativo das crianças........................................ 65. Tabela 16. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade cognitiva das crianças.................................................................................... 66. Tabela 17. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade da linguagem receptiva das crianças.................................................. 67. Tabela 18. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade da linguagem expressiva das crianças................................................ 67. Tabela 19. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade motora grossa das crianças........................................................................ 68. Tabela 20. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade motora fina das crianças................................................................................... 69.
(12) 11. Tabela 21. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade socioemocional das crianças.......................................................... 69. Tabela 22. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade do comportamento adaptativo das crianças........................................ 70. Tabela 23. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal e a habilidade cognitiva das crianças.................. 71. Tabela 24. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal e a habilidade da linguagem receptiva das crianças........................................................................................... 71. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal com a habilidade da linguagem expressiva das crianças........................................................................................... 72. Tabela 26. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal e a habilidade motora grossa das crianças......... 73. Tabela 27. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal e a habilidade motora fina das crianças.............. 73. Tabela 28. Correlação entre a percepção materna de satisfação com seu relacionamento de casal e a habilidade socioemocional das crianças........................................................................................... 74. Correlação entre a percepção materna de satisfação com seu relacionamento de casal e a habilidade de comportamento adaptativo das crianças.................................................................. 75. Tabela 30. Correlação entre os indícios de possível DPP e a habilidade cognitiva das crianças.................................................................... 75. Tabela 31. Correlação entre os indícios de possível DPP e a habilidade da linguagem receptiva das crianças.................................................. 76. Tabela 32. Correlação entre os indícios de possível DPP e a habilidade da linguagem expressiva das crianças................................................ 77. Tabela 33. Correlação entre os indícios de possível DPP e a habilidade da linguagem expressiva das crianças................................................ 77. Tabela 34. Correlação entre os indícios de possível DPP e a habilidade motora fina das crianças................................................................. 78. Tabela 35. Correlação entre os indícios de possível DPP e a habilidade socioemocional das crianças.......................................................... 79. Tabela 36. Correlação entre os indícios de possível DPP e a habilidade do comportamento adaptativo das crianças........................................ 79. Tabela 25. Tabela 29.
(13) 12. LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS APA. Associação Psiquiátrica Americana. BB. Baby Blue. BITDEA. Brief Infant-Toddler Social and Emocional Assessment. CAAE. Certificado de Apresentação para Apreciação Ética. DNA. Ácido Desoxirribonucleico. DPP. Depressão Pós-Parto. DSM-5. Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais 5a edição. EDIB. Escalas de Desenvolvimento Infantil Bayley. EFS-RC. Escala Fatorial de Satisfação com Relação de Casal. EPDS. Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo. FAPESP. Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. HC. Hospital de Clínicas. HOME. Home Observation For Measurement of Environment Scale. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. OMS. Organização Mundial de Saúde. QI. Quociente de Inteligência. SES. Social Economic Status. SM. Salário Mínimo. TCLE. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. TMM5. Taxa de Mortalidade de Menores de 5 anos. UFU. Universidade Federal de Uberlândia. UNICEF. Fundo das Nações Unidas para a Infância. WASI. Escala de Inteligência de Wechsler Abreviada. WHO. World Health Organization.
(14) 13. LISTA DE SÍMBOLOS p. Nível descritivo ou probabilidade de significância. rs. rô de Spearman, coeficiente de correlação de Spearman. t. t de Student. α. Alfa = nível de significância especificado.
(15) 14. SUMÁRIO PRÓLOGO........................................................................................ 18. 1. INTRODUÇÃO.................................................................................. 22. 1.1. NÍVEL SOCIOECONÔMICO............................................................ 22. 1.2. AUTOESTIMA................................................................................... 25. 1.3. PERCEPÇÃO MATERNA DE SATISFAÇÃO COM A SUA RELAÇÃO DE CASAL...................................................................... 27. 1.4. DEPRESSÃO PÓS-PARTO............................................................. 28. 1.5. DESENVOLVIMENTO INFANTIL..................................................... 32. 2. OBJETIVOS...................................................................................... 34. 2.1. OBJETIVO GERAL........................................................................... 34. 2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS............................................................. 34. 3. MÉTODO........................................................................................... 35. 3.1. CONSIDERAÇÕES ÉTICAS............................................................. 35. 3.2. INSTRUMENTOS.............................................................................. 36. 3.2.1. Questionário sociodemográfico.................................................... 36. 3.2.2. Escala de autoestima de Rosenberg............................................. 36. 3.2.3. Escala Fatorial de Satisfação em Relacionamento de Casal...... 37. 3.2.4. Escala de DPP de Edimburgo........................................................ 37. 3.2.5. Escalas de Desenvolvimento Infantil Bayley III............................ 38. 3.3. LOCAL……………………………………………………………………. 40. 3.4. PROCEDIMENTOS PARA A COLETA DE DADOS......................... 41. 3.5. AMOSTRA......................................................................................... 42. 3.6. CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA............................................... 43. 3.6.1. Segundo o perfil das mães............................................................. 43. 3.6.2. Segundo a gravidez, o parto e o puerpério................................... 45. 3.6.3. Segundo as características das crianças..................................... 48. 3.7. PROCEDIMENTOS PARA A ANÁLISE DOS DADOS...................... 49. 4. RESULTADOS.................................................................................. 50. 4.1. ANÁLISE DESCRITIVA DAS VARIÁVEIS MATERNAS (GRUPO 1)....................................................................................................... 50. 4.2. ANÁLISE DESCRITIVA DAS HABILIDADES INFANTIS (GRUPO 2)....................................................................................................... 51. 4.2.1. Habilidade cognitiva....................................................................... 51. 4.2.2. Habilidade da linguagem receptiva............................................... 52.
(16) 15. 4.2.3. Habilidade da linguagem expressiva............................................ 52. 4.2.4. Habilidade motora grossa.............................................................. 53. 4.2.5. Habilidade motora fina.................................................................... 54. 4.2.6. Habilidade socioemocional............................................................ 54. 4.2.7. Habilidade do comportamento adaptativo.................................... 55. 4.3. CORRELAÇÕES ENTRE AS VARIÁVEIS PSICOSSOCIAIS MATERNAS (GRUPO 1) E O DESENVOLVIMENTO INFANTIL (GRUPO 2)........................................................................................ 56. 4.3.1. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade cognitiva das crianças.................................................................... 56. 4.3.2. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade da linguagem receptiva das crianças................................................. 57. 4.3.3. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade da linguagem expressiva das crianças.............................................. 57. 4.3.4. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade motora grossa das crianças........................................................................ 58. 4.3.5. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade motora fina das crianças............................................................................. 59. 4.3.6. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade socioemocional das crianças........................................................ 60. 4.3.7. Correlação entre a escolaridade materna e a habilidade do comportamento adaptativo das crianças..................................... 60. 4.3.8. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade cognitiva das crianças.................................................................... 61. 4.3.9. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade da linguagem receptiva das crianças................................................. 62. 4.3.10. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade da linguagem expressiva das crianças.............................................. 62. 4.3.11. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade motora grossa das crianças.......................................................... 63. 4.2.12. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade motora fina das crianças................................................................ 64. 4.3.13. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade socioemocional das crianças........................................................ 64. 4.3.14. Correlação entre a renda materna exclusiva e a habilidade do comportamento adaptativo das crianças..................................... 65. 4.3.15. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade cognitiva das crianças.................................................................... 66. 4.3.16. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade da linguagem receptiva....................................................................... 66.
(17) 16. 4.3.17. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade da linguagem expressiva das crianças....... ....................................... 67. 4.3.18. Correlação entre a autoestima materna e habilidade motora grossa das crianças........................................................................ 68. 4.3.19. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade motora fina das crianças............................................................................. 68. 4.3.20. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade socioemocional das crianças........................................................ 69. 4.3.21. Correlação entre a autoestima materna e a habilidade do comportamento adaptativo das crianças..................................... 69. 4.3.22. Correlação entre a autoestima materna e de satisfação com sua relação de casal e a habilidade cognitiva das crianças....... 70. 4.3.23. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal e a habilidade da linguagem receptiva das crianças............................................................................................ 71. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal e a habilidade da linguagem expressiva das crianças............................................................................................ 72. 4.3.25. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal e a habilidade motora grossa das crianças..... 72. 4.3.26. Correlação entre a percepção materna de satisfação com sua relação de casal e a habilidade motora fina das crianças.......... 73. 4.3.27. Correlação entre a percepção materna de satisfação com seu relacionamento de casal e a habilidade socioemocional das crianças............................................................................................ 74. Correlação entre a percepção materna de satisfação com seu relacionamento de casal e a habilidade no comportamento adaptativo das crianças................................................................. 74. 4.3.29. Correlação entre os indícios de possível DPP e a habilidade cognitiva das crianças.................................................................... 75. 4.3.30. Correlação entre indícios de possível DPP e a habilidade da linguagem receptiva das crianças................................................. 76. 4.3.31. Correlação entre indícios de possível DPP e a habilidade da linguagem expressiva das crianças.............................................. 76. 4.3.32. Correlação entre indícios de possível DPP e a habilidade motora grossa das crianças.......................................................... 77. 4.3.33. Correlação entre indícios de possível DPP e a habilidade motora fina das crianças................................................................ 77. 4.3.34. Correlação entre indícios de possível DPP e a habilidade socioemocional das crianças........................................................ 78. 4.3.35. Correlação entre indícios de possível DPP e a habilidade do comportamento adaptativo das crianças..................................... 79. 4.3.24. 4.3.28.
(18) 17. 5. DISCUSSÃO...................................................................................... 81. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................. REFERÊNCIAS.................................................................................. 87. APÊNDICES....................................................................................... 98. APÊNDICE A - Declaração de Instituição Coparticipante.................. 98. APÊNDICE B - Carta Convite 1.......................................................... 99. APÊNDICE C - Carta Convite 2......................................................... 101. APÊNDICE D - Carta Convite 3.......................................................... 102. APÊNDICE E - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido........... 103. ANEXOS............................................................................................. 104. ANEXO A - Comitê de Ética CAAE.................................................... 104. ANEXO B - Questionário sociodemográfico........................................ 109. ANEXO C - Escala de Autoestima de Rosemberg.............................. 117. ANEXO D - Escala Fatorial da Satisfação em Relacionamento de Casal.................................................................................................. ANEXO E - Escala de DPP de Edimburgo......................................... 118 119. 89.
(19) 18. PRÓLOGO A vivência da maternidade é, ao mesmo tempo, uma experiência fantástica e assustadora. O fato de poder conceber, de dar à luz, traz prazer e uma série de incertezas e angústia. A percepção de si mesma, do próprio corpo, de sua posição na relação do casal, na família estendida e no grupo social se transforma em um turbilhão de sentimentos novos, até então desconhecidos. Tudo se transforma como num passe de mágica, em um momento único que é o parto. Os conhecimentos anteriores, as certezas, tudo é testado, e nem sempre se vivencia aquilo que foi programado. Por mais que a mulher tenha se preparado para o parto, puerpério e os cuidados com o filho, sempre haverá uma surpresa, algum evento inesperado. O convívio com a sua família de origem, a sua primeira escola, e os cursos que eventualmente possa ter frequentado, com certeza lhe darão suporte nessa nova fase da vida. Mas, a travessia pelo parto, suas dores durante e depois do período expulsivo ou pela cesárea, as dificuldades com a apojadura do leite, as rachaduras tão dolorosas dos mamilos, a dificuldade de entender as reações do seu tão esperado bebê, tornaa a mais forte das mulheres, sedenta de ajuda e colo. Ajuda esta que nem sempre é oferecida da forma esperada e/ou adequada. O pai, antes objeto de desejo, suporte, carinho e atenção pode agora ser visto como responsável por toda aquela situação que lhe é imposta. E, por possuir toda uma história de vida anterior, com valores, expectativas, ações e reações próprias e aceitas por sua família de origem, às vezes é visto até como um estranho no novo cenário que se apresenta. Ele próprio se sente perdido na nova organização familiar. Antes o tempo e as prioridades se restringiam ao casal. Agora, ... as mamadas, as trocas de fraldas, a enorme quantidade de roupas para lavar, as visitas, ... mudam o foco de ambos. A presença de uma pessoa da família ou de um profissional experiente nessa hora pode ser fator de ajuda ou ainda de maior desestabilização. Muitas vezes a experiência também é nova para outra mulher que se torna avó e se dispõe a ajudar. Os conflitos podem se somar e atingir um montante insuportável. Para tornar mais suave os novos desafios que surgem seria desejável o preparo de toda a rede familiar..
(20) 19. O conhecimento das mudanças que ocorrem nesta fase do ciclo vital da família e suas consequências na rotina doméstica, entre outras, são de fundamental importância para um diagnóstico preciso, e uma proposta terapêutica adequada, afim de que seja apresentada uma solução favorável para o novo quadro que a família vivencia. Dessa forma a atuação do profissional poderia se tornar eficaz. Sem ter tido o preparo acadêmico para enfrentar toda esta ebulição de sentimentos, em geral, é o pediatra o primeiro profissional a ser procurado. Seu campo de atuação é a criança. Seus estudos se focam no conhecimento das áreas do crescimento e desenvolvimento normais e atípicos, diagnóstico e tratamento de doenças próprias dessa faixa etária, uso de vacinas, dietas, medidas de prevenção de doenças e promoção de saúde da criança. Este profissional é preparado, e, se sente à vontade e seguro nesta área. Mas, e sobre a mãe? O binômio mãe-filho lhe é apresentado durante a sua preparação profissional de forma restrita. Sua formação envolve conhecimentos sobre a importância do aleitamento materno e suas dificuldades, mas não sobre questões maternas propriamente ditas. Quem lida com as crianças sabe da importância da figura da mãe, do pai e da família nessa história. Conhecer o que acontece com esta mãe no início de sua experiência da maternidade e saber orientá-la quanto ao que normalmente acontece nessa fase e como superar as dificuldades encontradas pode fazer uma grande diferença. O que acontece com ela repercute em seu filho. Sabe-se que os cuidados de saneamento básico, moradia adequada, amamentação, dieta sequencial equilibrada, prevenção de doenças por vacinas e estilo de vida saudável, enfim, todos os dados propostos pela Puericultura são imprescindíveis na consulta médica da criança saudável. Mas, e as questões emocionais? Como mudança da autoimagem, de seu papel familiar e social, as questões de relacionamento conjugal e os pensamentos depressivos tão frequentes vivenciados pelas mães nessa fase? Eles poderiam influenciar o desenvolvimento do concepto? A influência da prematuridade, anóxia neonatal, doenças congênitas, malformações embriológicas e outros fatores biológicos sobre o desenvolvimento infantil tem sido amplamente investigada e publicada, mas como os aspectos psicossociais maternos poderiam interferir no desenvolvimento nos primeiros anos de.
(21) 20. vida da criança ainda não estão totalmente estabelecidos e não fazem parte do universo do médico até o momento. A relação entre os quadros de depressão materna, assim como da escolaridade dos pais no desenvolvimento infantil já está bem consolidada na literatura, mas pouco se lê sobre a correlação entre a renda materna exclusiva, autoestima e a percepção materna sobre seu relacionamento de casal e o desenvolvimento de seus filhos. Antes as crianças permaneciam no domicílio sob cuidados maternos, em contato com outras crianças da família ou de amigos e/ou vizinhos. Os quintais eram grandes e as crianças podiam brincar livremente nas ruas, geralmente acompanhadas de longe por suas mães ou irmãos mais velhos. Com a redução do número de filhos, a diminuição dos espaços urbanos e o crescimento da violência surgiu uma nova realidade. As crianças passam a ser cuidadas em escolas ou creches. Essa situação tem gerado um sentimento angustiante nas mães que se sentem culpadas por considerar que estão abandonando seus filhos. Este sentimento negativo cresce ainda mais quando estas mães não vivenciam a imposição financeira que as obrigue, necessariamente, sair para o mercado de trabalho. A demanda do atendimento pediátrico em no Brasil mudou muito desde a década de 80 quando teve início minhas atividades profissionais. A melhoria do saneamento básico e a ampliação do calendário vacinal, tornaram as doenças de caráter infectocontagioso nos consultórios e no pronto-socorro, uma situação de quase excepcionalidade. Os pacientes da enfermaria pediátrica, geralmente, são internados para tratar as complicações de doenças de base, como doenças genéticas, malformações congênitas, prematuridade, anóxia neonatal ou neoplasias. As mães que frequentam o consultório pediátrico não trazem muito mais dúvidas quanto à importância do aleitamento materno, da dieta sequencial saudável ou do esquema vacinal. Esse tipo de informação já faz parte do seu dia a dia e existem outros profissionais que se preparam para atender essas demandas. O que tem afligido essas mães com um nível socioeconômico e educacional mais elevado são as dúvidas quanto ao desenvolvimento dos seus filhos, a importância de estímulos no ambiente doméstico, os benefícios e/ou prejuízos de tirar a criança do domicílio e matriculá-la numa escolinha; os riscos e benefícios da escola tempo integral ou parcial, a idade adequada para iniciar atividades físicas, quais atividades procurar, a influência da leitura e dos móveis do quarto e da casa, da postura dos pais frente às.
(22) 21. situações de conflito, enfim, os questionamentos trazidos são muito mais de ordem psicossocial do que realmente médicas. Da mesma forma, as demandas do atendimento em pronto-socorro na área de Pediatria também têm apresentado grandes mudanças. Os casos de violência doméstica, abusos físicos e psicológicos, tanto na escola quanto na própria residência têm aumentado exponencialmente. Além dessas dúvidas, as mães que frequentam os consultórios pediátricos, frequentemente, questionam se a opção de manter seus filhos em casa sob os cuidados maternos ou de familiares exerceria uma influência positiva ou negativa sobre o desenvolvimento de suas crianças. Esse novo cenário gerou em mim a necessidade de buscar conhecimentos na área de Psicologia que me instrumentalizasse para enfrentar esta nova demanda e orientar melhor os alunos do curso de Medicina e os residentes de Pediatria nessas questões. Este estudo procura substanciar cientificamente a influência da escolaridade materna, da renda materna exclusiva, da autoestima e da percepção materna de satisfação com sua relação de casal e dos indícios de possível DPP sobre o desenvolvimento de crianças primogênitas e filhas únicas, de zero a 42 meses avaliadas pelas Escalas Bayley III, cujas famílias fizeram opção de mantê-las fora das creches..
(23) 22. 1 INTRODUÇÃO. Este trabalho está dividido em introdução, metodologia, resultados, discussão e considerações finais. Na introdução os temas abordados e sustentados pela literatura atual referem-se ao desenvolvimento infantil e às variáveis maternas que possivelmente o influenciam, especificamente: nível socioeconômico (renda exclusiva e escolaridade), autoestima e percepção materna de satisfação com sua relação de casal e indícios de possível Depressão Pós-Parto (DPP). Depois dos objetivos, apresenta-se a metodologia, onde são esclarecidas as escolhas metodológicas e o delineamento deste estudo, bem como os procedimentos éticos, de coleta e de análise dos dados. Os resultados estão apresentados em forma de figuras e tabelas e são divididos em três partes: a primeira descrevendo os resultados das variáveis maternas; a segunda refere-se ao desenvolvimento das crianças avaliadas e a terceira são as correlações entre estes dois grupos. A discussão foi realizada no capítulo seguinte aos resultados e iniciou-se pelos achados mais relevantes deste estudo e, posteriormente, abordando outros estatisticamente menos impactantes. O último capítulo são as considerações finais, onde a autora resgata os objetivos deste estudo, informa suas limitações e sugere novas pesquisas.. 1.1 NÍVEL SOCIOECONÔMICO A repercussão do nível socioeconômico no desenvolvimento infantil é amplamente conhecido (Bradley & Corwyn, 2002). A renda familiar, um dos itens importantes na avaliação do desenvolvimento socioeconômico, Social Economic Status (SES), que influencia diretamente a qualidade de moradia e nutrição e o acesso à saúde e equipamentos sociais das crianças e de seus familiares (Hoff, 2003). Paiva,. Lima,. Lima. e. Eickmann. (2010). utilizaram. as. Escalas. de. Desenvolvimento Infantil Bayley (EDIB) para avaliar o desenvolvimento de 136 crianças, entre nove e 12 meses de vida, na cidade de Recife (PE) e, verificar o efeito da pobreza sobre o mesmo, descrevem que 20% destas crianças se encontravam no percentil inferior do nível socioeconômico e apresentavam índices mais elevados de suspeita de atraso na comunicação receptiva. O desemprego materno e paterno influenciaram negativamente a comunicação receptiva e cognição, respectivamente..
(24) 23. Não ter celular, refletindo baixo nível socioeconômico, esteve associado ao pior desempenho na área cognitiva e motora grossa. E, uma maior frequência de suspeita de atraso na habilidade da linguagem receptiva foi encontrada entre os meninos. Mattos, Cavalcante e Costa (2016) pontuaram a associação entre os fatores do ambiente familiar e o desenvolvimento neuropsicomotor de 319 crianças, entre 36 e 48 meses de idade, por meio do teste de triagem de Denver II na cidade de Belém (PA), e concluíram que existe uma correlação significativa entre o escore de suspeita de atraso com a escolaridade e as ocupações paternas com a gravidez não planejada. Jacobsen, Moraes, Wagner e Trentini (2013) verificaram se a escolaridade dos pais e a renda familiar de 418 crianças de escolas públicas de Porto Alegre (RS), entre seis e 12 anos, seriam preditores de inteligência. Para isso, utilizaram duas medidas de inteligência: a Escala de Inteligência de Wechsler Abreviada (WASI) e o Teste Matrizes Progressivas Coloridas de Raven. Como resultados encontraram correlações entre a escolaridade dos pais e a renda familiar com o quociente de inteligência (QI) das crianças. A escolaridade dos pais também apresentou associação entre o Raciocínio Matricial e o Vocabulário de WASI. No subteste de Raciocínio Matricial a variável positiva mais explicativa é a escolaridade do pai. No Vocabulário de WASI a escolaridade da mãe é a melhor preditora. As condições socioeconômicas da família, por meio das condições ambientais oferecidas aos filhos, parecem, segundo estes autores, exercer um papel relevante no desenvolvimento de inteligências dessas crianças, em especial nas medidas verbais. Uma renda familiar garantindo moradia e nutrição adequadas, assim como maior escolaridade parental, acesso à saúde e redes de apoio social, as reações dos pais e crianças frente às diferentes situações estressantes são fatores que interferem de forma positiva ou negativa no desenvolvimento infantil (Jacobsen et al., 2013). Em uma família onde as condições de moradia, de alimentação, de acesso à saúde suplementar e de lazer, financiadas apenas pelo salário do pai, a influência da renda materna exclusiva necessita, ainda, de melhores esclarecimentos. O nível educacional dos pais, particularmente o das mães, exerce uma relação inversa na fecundidade da família, na taxa de mortalidade infantil e aumenta a expectativa de vida dos filhos (Brasil, 2000). Mães com escolaridade mais elevada conversam mais com seus filhos e usam um vocabulário mais rico, e tendem a ler mais para eles, criando um ambiente domiciliar intelectualmente mais estimulante, influenciando. positivamente o. desenvolvimento. intelectual dessas crianças,.
(25) 24. principalmente na área de comunicação (Ardila, Rosselli, Matute, & Guajardo, 2005; Jacobsen et al., 2013). O conhecimento materno sobre saúde é um dos fatores que influenciam positivamente a Taxa de Mortalidade de Menores de 5 anos (TMM5), um dos indicadores adotados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), para a classificação do desenvolvimento dos diversos países do mundo (Fundo das Nações Unidas para a Infância, 2001). Ozkan, Senel, Asrlan e Karacan (2012) avaliaram o desenvolvimento de 692 crianças, entre três meses a cinco anos de idade, utilizando a escala de Triagem de Denver II, no Dr. Sami Ulus Children’s Health and Diseases Training and Research Hospital e concluíram que os fatores de risco socioeconômico, como a baixa escolaridade dos pais, a baixa renda familiar e existência de mais de três crianças na família, são tão importantes quanto os biológicos (baixo peso ao nascer, prematuridade e idade materna menor que 20 anos quando do nascimento da criança), no retardo do desenvolvimento na primeiríssima infância. Escarce, Camargos, Souza, Mourão e Lemos (2012) verificaram a influência do nível de escolaridade no desenvolvimento da linguagem de crianças de dois a 24 meses em um estudo transversal, em Belo Horizonte (MG), e, avaliaram 351 crianças e concluíram que não houve diferença significativa entre a escolaridade materna e o desenvolvimento da linguagem destas, ressaltando que esse achado possa ser decorrente do fato de que as mães desta amostra tinham escolaridade semelhante. Lamy Filho, Medeiros, Lamy e Moreira (2011) utilizaram os dados do inventário Home Observation For Measurement of Environment Scale (HOME) das famílias de 172 crianças residentes na periferia de São Luiz para correlacionar com os da avaliação do desenvolvimento destas pela aplicação do teste Gessel. Neste estudo a baixa renda e escolaridade dos pais, o número de residentes no domicílio, o número de filhos menores de cinco anos e o baixo número de cômodos na residência foram considerados como fatores de risco para o estímulo domiciliar que, por sua vez, se associou a uma maior suspeita de atraso no desenvolvimento infantil dessas crianças. Outro estudo, realizado nas áreas centrais e periféricas de Salvador (BA), com 350 crianças entre 17 e 42 meses, utilizando um questionário socioeconômico e o inventário HOME para avaliar a qualidade de estímulo no ambiente familiar e as EDIB para quantificar o desenvolvimento dessas crianças (Andrade et al., 2005).
(26) 25. encontraram uma associação positiva e estatisticamente significante entre a qualidade do estímulo do ambiente doméstico e o desempenho cognitivo dessas crianças. Nesta amostra as crianças que ocuparam as primeiras ordens de nascimento e convivem com reduzido número de crianças menores de cinco anos são as que usufruíram de melhor qualidade de estímulo no ambiente doméstico, cujas mães possuíam maior escolaridade, trabalhavam fora e conviviam com seus companheiros. Hill,. Waldfogel,. Brooks-Gunn. e. Han. (2005). demonstraram. que. o. desenvolvimento cognitivo de filhos de mães que trabalham em tempo integral durante o primeiro ano de vida de seus filhos é influenciado negativamente quando comparado ao desenvolvimento de filhos de mães que saíram para o mercado de trabalho após o primeiro ano de vida. Neste estudo não foram observadas a influência da renda familiar, da renda materna exclusiva, ou a permanência das crianças no domicílio ou em creches. O impacto negativo da pobreza sobre o desenvolvimento infantil tem sido pauta para elaboração de programas oficiais com o objetivo de melhorar o índice de desenvolvimento humano (Organização das Nações Unidas, 2019).. 1.2 AUTOESTIMA Autoestima foi um termo introduzido em Psicologia por William James em 1885, sendo hoje um dos conceitos mais utilizados nesta área, embora ainda não exista consenso sobre o mesmo na literatura. Refere-se à percepção subjetiva que o indivíduo tem de si mesmo e pode ser compreendida como a somatória entre o conceito que se tem de si mesmo – autoimagem, e o valor que se recebe do meio. Coopersmith (1967) enfatizou que as atitudes dos pais em relação a seus filhos, como aceitação das particularidades de cada criança, a colocação de limites claros e justos nas relações, sem uso de violência física ou psíquica, uma expectativa positiva e uma própria autoestima saudável são fatores importantes na construção de uma autoestima elevada da criança (Baumrind, 1967). Para entender melhor o desenvolvimento da autoestima, Coopersmith (1967) estudou a influência da classe social, da condição socioeconômica demográfica familiar, do grau de instrução parental e a permanência ou ausência materna no domicílio, chegando à conclusão que não há correlação significativa entre autoestima e esses fatores, mas sim entre a qualidade que as crianças percebem entre seu.
(27) 26. relacionamento com os adultos, os quais têm papel importante em suas vidas (Janeiro, 2008). Durante a gestação a mulher passa por mudanças físicas e psicológicas em um curto espaço de tempo que poderá afetar de forma positiva ou negativa a sua autoestima, já que ocorre uma mudança rápida do seu corpo, o que poderá também gerar conflitos emocionais. Alguns estudos apontaram que durante a gravidez a preocupação e insatisfação com o corpo e ganho de peso se mantém estável ou até diminui (Clark & Ogden, 1999; Davies & Wardle, 1994; Skouteris, Carr, Wertheim, Paxton, & Duncombe, 2005) e outros relataram que estes sentimentos se mantém estáveis durante todo o processo gravídico (Earle, 2003; Johnson, Burrows, & Williamson, 2004). Meireles, Neves, Carvalho e Ferreira (2015) em uma revisão de literatura avaliando a satisfação corporal em gestantes, concluíram que não existe concordância quanto à influência que a gestação exerce na autoimagem da mulher, embora as pesquisas apontem para relações entre a imagem corporal negativa com depressão, autoestima, atitude alimentar e ganho de peso inadequados durante o período gestacional. Sánchez (2011), numa tentativa de melhorar a recuperação nutricional de crianças entre zero e três anos de idade na Guatemala, implantou um programa de educação em saúde objetivando trabalhar com as mães a sua autoestima, a higiene pessoal, familiar e dos alimentos; o equilíbrio emocional, a assertividade, a alimentação no primeiro ano de vida, a importância de uma boa relação familiar e o conhecimento sobre desnutrição e infecções. Ao final de dois anos de acompanhamento do ganho de peso e altura dessas crianças, foi detectado que o reforço positivo da autoestima materna foi o fator determinante nessa recuperação, e que secundariamente, ainda se observou uma melhoria nas condições de higiene dessas famílias, uma vez que as crianças e suas mães passaram a se apresentar com roupas mais limpas e cabelos melhor penteados para as avaliações subsequentes. Nas mulheres a autoestima vinculada à maternidade pode ser considerada como um aspecto específico e diferenciado, que é estudado por diferentes autores, mas que ainda necessita ser melhor esclarecida..
(28) 27. 1.3 PERCEPÇÃO MATERNA DE SATISFAÇÃO COM SUA RELAÇÃO DE CASAL A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a necessidade do bemestar físico, mental e social e a ausência de enfermidades para considerar o indivíduo saudável (World Health Organization, 2017). Nesse sentido, a satisfação conjugal pode ser entendida como uma variável para saúde, na medida em que é um componente do bem-estar psíquico de casais. O casamento já foi relacionado à menor incidência de diversas doenças, tanto crônicas quanto agudas (Chandran, Tharyan, Muliyil, & Abrahan, 2002; Goodwin, Hunt, Key, & Samet, 1987). Em contrapartida, casamentos conturbados são associados aos altos níveis de estresse, o que torna, nessa situação, pessoas solteiras mais felizes (Glenn & Weaver, 1981). Ainda, segundo Bookwala, Sobin e Zdaniuk. (2005),. os. comportamentos. matrimoniais. negativos. contribuem. significativamente para os sintomas físicos e problemas crônicos de saúde. Portanto, o relacionamento conjugal pode influenciar tanto positivamente quanto negativamente a saúde individual (Chandra, Szklo, Goldberg, & Tonascia, 1983). Em adição, também já foi evidenciada a correlação entre a qualidade do relacionamento marital e a expressão de genes que influenciam a saúde física. South e Krueger (2013) apontaram que pode haver tanto uma supressão quanto um aumento do efeito dessas influências genéticas na saúde física e que indivíduos que são mais vulneráveis geneticamente aos efeitos prejudiciais de ambientes estressantes, como um casamento conflituoso, também se beneficiariam mais de ambientes favoráveis, como um casamento harmonioso. Além disso, casamentos de alta qualidade, por si só, podem constituir um fator protetor contra os problemas de saúde. Benetti (2006) postulou em sua revisão bibliográfica que existe uma associação entre o conflito conjugal e a presença de adversidade do contexto familiar com o desenvolvimento psicológico das crianças e dos adolescentes. Semelhantemente, Boas, Dessen e Melchiori (2010) também relataram que os conflitos conjugais têm sido amplamente investigados, especialmente por seu impacto no desenvolvimento dos filhos..
(29) 28. 1.4 DEPRESSÃO PÓS-PARTO Um levantamento da OMS realizado em 2017 indicou que o número de pessoas com sintomas indicativos de depressão soma mais de 322 milhões em todo o mundo, o que representa cerca de 5% da população mundial. Nesse levantamento, a OMS indica que o Brasil é o país mais afetado pelo transtorno dentre os países em desenvolvimento (WHO, 2017). Ao considerar a sua prevalência na população feminina, pode-se destacar o período pós-parto como um momento de fragilidade psíquica para as puérperas. Essas mulheres experimentam novos sentimentos, responsabilidades e mudanças hormonais e de constituição física, compondo vulnerabilidade para os ditos Transtornos Mentais Pós-Natais que se enquadram entre os Transtornos de Humor do Tipo Depressivo (American Psychiatric Association, 2014). Estas desordens variam entre três entidades nosológicas, sendo a menos grave o Baby Blues (BB), seguido da DPP e, por fim, a Psicose Pós-Natal. O BB sendo um transtorno psicológico não patológico, tem caráter transitório, mimetizando a sintomatologia da DPP e sendo autolimitado a duas semanas de duração. Tanto o BB quanto a DPP apresentam a sintomatologia clássica de um quadro depressivo maior, com alterações de humor (tristeza, crises de choro ou risos, anedonia, baixa autoestima), sintomas somáticos (insônia ou hipersonia, fadiga, inapetência ou compulsão alimentar), sinais motores (inibição ou agitação), comportamentos sociais (apatia, isolamento), aspectos cognitivos (ideação de culpa e suicídio), ansiedade (psíquica, fóbica, somática) e irritabilidade (hostilidade, autoagressão), resultando em risco aumentado para infanticídio e suicídio (Rai, Pathak, & Sharma, 2015). As principais diferenças entre o BB e a DPP seriam a incidência e duração. O BB inicia em até dez dias após o parto e se encerra em até duas semanas, acometendo entre 40 a 80% das puérperas (Rai et al., 2015). Já a DPP é caracterizada por seu início em até quatro semanas após o parto segundo o Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-5) (APA, 2014). Há divergências entre especialistas que sugerem que o conceito deveria ser ampliado para três meses pósnatais (Wisner, Chambers, & Sit, 2006). Independentemente dessa discordância sobre seu início, considera-se como período de duração da DPP até um ano após o parto, podendo delongar-se de acordo com a gravidade do caso..
(30) 29. Puérperas acometidas pelo BB apresentaram sintomas em alto padrão de intensidade e são mais susceptíveis a desenvolverem a DPP, bem caracterizada no terceiro mês pós-parto (Petrozzi & Gagliardi, 2013). A etiologia da DPP ainda é incerta. Há de se considerar os aspectos hormonais, mudanças no aspecto físico e situação social da mulher ao pretender-se analisar sua propensão a desenvolver tal transtorno. Em particular, foi demonstrado que eventos estressantes ou traumáticos são importantes fatores para o aumento de risco de a mulher desenvolver a DPP (O’Hara & Swain, 1996), destacando-se a importância do suporte social para a puérpera, como medida protetiva. Tanto no Brasil quanto no cenário mundial, a DPP tem se destacado como questão de saúde pública. Estudos epidemiológicos longitudinais demonstraram que as taxas de prevalência da DPP de mulheres em seu primeiro ano pós-parto variam de acordo com as amostras, o período em que foram entrevistadas e a metodologia de avaliação e pesquisa (Dennis & Hodnett, 2007). As taxas de prevalência da DPP durante o 1º ano pós-parto são menores nos países desenvolvidos quando comparado aos dados encontrados nos países em desenvolvimento (Norhayati, Hazlina, Asrenee, & Emilin, 2015). No Brasil, um levantamento realizado nas regiões sul e sudeste do país revelou a taxa de prevalência da DPP entre 7,8% e 39,4% (Lobato, Moraes, & Reichnhein, 2011). Devido à alta incidência, gravidade e impacto negativo da DPP não somente sobre a mulher, mas também para seu neonato e todo seu círculo social, é importante que esse transtorno não seja negligenciado pela comunidade, tampouco subdiagnosticado pelos profissionais de saúde (Rodrigues & Alfaia, 2016). As características socioculturais do Brasil dificultam a percepção da doença pelas mães e seus familiares, pela tendência de minimizar os sintomas depressivos ou até mesmo negá-los. Isso acontece porque a sociedade, em geral, associa a maternidade a um momento de alegria e celebração, tornando inaceitável para a mãe os sentimentos opostos a essa expectativa idealizada (Campos & Rodrigues, 2015). Ressalta-se que, nestes casos, quanto mais tardiamente diagnosticada e tratada, maior a possibilidade do quadro se agravar e se desdobrar em transtornos secundários. Santos e Serralha (2015) fizeram uma revisão da literatura nacional sobre a repercussão da depressão puerperal no desenvolvimento emocional, social, comportamental e cognitivo do bebê. Nesta revisão encontraram-se dados em que a.
(31) 30. DPP é um fator de risco para o desenvolvimento infantil, pois os bebês que vivem em tal contexto apresentam apego inseguro, menos exploração do ambiente, sono irregular, baixa autoestima, ansiedade e maior probabilidade de desenvolverem depressão na vida adulta. Teixeira (2007) em seu estudo sobre a depressão materna descreveu que a mesma tem repercussões na interação mãe-bebê, assim como na interação com o pai, ou mesmo em quem exerce essa função. Porém, o contato com o pai ou outro adulto não deprimido da família torna o impacto da depressão materna minimizado sobre a criança, sendo que o papel protetor exercido pelo pai ou pela rede familiar e social de apoio contribuem para que a mãe deprimida exerça sua maternagem mais adequadamente. Brum e Schermann (2006) confirmaram os achados de Teixeira (2007) e acrescentaram em sua revisão de literatura que depressão materna afeta o desenvolvimento infantil, com manifestações de desordens comportamentais, afetivas, cognitivas e sociais, bem como alterações da atividade cerebral. Os estudos empíricos de Ramos e Furtado (2007) compararam o perfil de interação mãe-bebê entre 22 mães deprimidas e não deprimidas, e concluíram que não ocorreu diferença significativa quanto à comunicação pré-natal e expectativas sobre o bebê, mas que a depressão puerperal possivelmente concentre seus efeitos prejudiciais sobre a interação mãe-bebê no período pós-parto Behrendt, Scharke, Herpertz-Dahlmann, Konrad e Firk (2019) realizaram um estudo longitudinal para examinar os determinantes maternos no desenvolvimento socioemocional precoce de crianças em uma amostra de 61 mães de primeira viagem, concluindo a importância de fatores emocionais maternos no desenvolvimento de seus filhos. Nesse estudo os autores avaliaram a dificuldade de controle de emoções, os sintomas de depressão e o vínculo mãe-bebê de mães com filhos entre seis e oito meses, e, posteriormente, avaliaram o desenvolvimento psicoemocional de suas crianças ao final do primeiro ano de vida. Todas essas mães eram alemãs, tinham entre 22 e 39 anos, 57,4% delas tinham completado pelo menos pós-graduação, 6,1% apresentavam quadro clínico compatível com diagnóstico de depressão e 21,2% sintomas clínicos clássicos de depressão leve moderada pontuado pelo inventário de depressão de Beck II. Ao final os autores concluíram que os sintomas depressivos maternos. impactaram. o. desenvolvimento. socioemocional. de. seus. filhos.
(32) 31. documentados por meio da versão alemã do Brief Infant-Toddler Soccial and Emocional Assessment (BITDEA). Servilha e Bussab (2015) fizeram uma pesquisa para verificar a influência de DPP no desenvolvimento da linguagem de crianças de 36 meses por meio da análise de filmagens de brincadeiras livres da mãe com seu filho. Nesse estudo foi observado que crianças filhas de mães depressivas apresentaram um desempenho abaixo do esperado para a idade e que as crianças filhas de mães sem DPP usavam mais gestos durante a interação, no que se concluiu que a DPP influencia de forma direta na interação mãe-filho e no desenvolvimento da linguagem infantil. Silva, Araújo, Moura, Carvalho e Caetano (2010) realizaram um estudo qualitativo de caráter exploratório no município de Quixadá (CE) para conhecer a interação de puérperas que apresentaram DPP com seus filhos e compreender a percepção de familiares sobre a doença. Para tal, selecionaram quatro puérperas com DPP e, após visitas domiciliares e entrevistas, constataram que estas mulheres sentiam-se frustradas e inseguras quanto ao exercício da maternidade, com choro e nervosismo frequentes, e, que seus familiares desconheciam os problemas de DPP. Ao final, sugeriram a importância do diagnóstico e acompanhamento destes quadros pela equipe de Enfermagem ainda durante o pré-natal, para orientar a família dessas gestantes e minimizar o efeito da DPP no desenvolvimento e seus filhos. Freitas, Scarabel e Duque (2012) analisaram a influência da depressão puerperal na psique do bebê segundo o referencial teórico da Psicologia Analítica de Jung. Segundo as mesmas, a DPP pode ser explicada pela constituição de um complexo materno negativo na psique da mãe, necessitando do reconhecimento e do encaminhamento da mulher para o tratamento adequado o quanto antes, para que suas crianças tenham um melhor desenvolvimento socioemocional garantido. Alguns estudos sobre a prevalência da DPP têm demonstrado sua relação com fatores psicológicos, sociais e demográficos. Há indícios de que a baixa renda, a baixa escolaridade, o pouco prestígio ocupacional, a menor faixa etária, o estado civil de solteira e a multiparidade são fatores preditivos para a DPP (Segre, O’Hara, Arndt, & Stuart, 2007; Brito, Alves, Ludermir, & Araújo, 2015). Esse estudo teve resultados compatíveis com outros, realizados na Índia (Chandran et al., 2002), e no Brasil (Moraes et al., 2006). Na realidade é difícil saber se a vulnerabilidade socioeconômica dessas mulheres seria realmente um fator de risco para a incidência da DPP ou se atuaria.
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