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Os saberes docentes e a formação de professores para trabalhar a proposta de matthew lippman no ensino de filosofia no ensino fundamental / The teaching knowledge in the teacher training to work on matthew lippman in the teaching of philosophy in fundamen

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Os saberes docentes e a formação de professores para trabalhar a proposta de

matthew lippman no ensino de filosofia no ensino fundamental

The teaching knowledge in the teacher training to work on matthew lippman in

the teaching of philosophy in fundamental teaching

DOI:10.34117/bjdv6n11-498

Recebimento dos originais: 24/10/2020 Aceitação para publicação: 24/11/2020

Cristiane Alvares Costa

Mestra em Educação e Gestão do Ensino da Educação Básica (UFMA) Professora Pedagoga IES e graduanda em Filosofia (UEMA) - São Luís-Maranhão

E-mail: [email protected]

Caroliny Santos Lima

Mestra em Educação e Gestão do Ensino da Educação Básica (UFMA) Professora Pedagoga Universidade Federal do Maranhão

E-mail: [email protected]

George Ribeiro Costa Homem

Mestre em Educação e Gestão do Ensino da Educação Básica (UFMA) Professor de Filosofia IFMA Campus Alcântara-Maranhão

E-mail: [email protected]

Ginia Kenia Machado Maia

Mestranda em Educação e Gestão do Ensino da Educação Básica (UFMA)

Graduada em Filosofia Professora Sala de Recursos Rede Municipal de São Luís-Maranhão E-mail: [email protected]

Marcia Kallinka Rosa Araújo Chaves

Mestranda em Educação e Gestão do Ensino da Educação Básica (UFMA) Professora Pedagoga Rede Municipal de São Luís-Maranhão

E-mail: [email protected]

Profa. Dra. Rita de Cassia Oliveira

Professora Doutora, em Filosofia no Mestrado em Letras-PGLetras-UFMA, com linha de pesquisa em Hermenêutica e Literatura

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RESUMO

O presente estudo aborda aspectos que refletem a Filosofia para crianças e a relevância da proposta de Matthew Lippman para o desenvolvimento do pensar direcionado ao 6º ano do Ensino Fundamental, momento em que os alunos estão tendo seu contato inicial com a Filosofia, já que esta não é obrigatória nos anos iniciais. Faz-se necessário diante deste contexto, enfatizar os saberes docentes e a formação profissional necessárias ao trabalho com o Programa de Lippman. O objetivo deste trabalho é propor Formação Continuada evidenciando a reconstrução do saber escolar proporcionando o diálogo com as crianças, o pensar filosófico com vistas a uma “educação para o fazer pensar”. A proposta metodológica de Lippman, tem a perspectiva de formar estudantes que desenvolvam uma “educação para o pensar”, possui saberes específicos, uma formação permanente pautada no programa. Pretende-se ainda perceber quais os saberes norteiam os professores em relação a Filosofia e se conhecem a proposta de Matthew Lippman. Assim, precisa-se de educadores que estejam em contínua formação na tentativa de reconstrução do saber escolar no processo de filosofar, proporcionando aulas que viabilizem a prática de investigação filosófica articulada entre filosofia, educação e vida. Para este trabalho, primeiramente utiliza-se a metodologia qualitativa, por meio de estudos bibliográficos. Nesse caminho os aspectos considerados relevantes sobre a filosofia e a infância, destacando de forma breve algumas concepções, em seguida trata-se a proposta de Lippman de uma Filosofia para crianças. Na sequência, traz-se os saberes docentes norteadores da Filosofia e da proposta de Lippman. Destaca-se em seguida, o percurso metodológico da Formação Continuada a ser desenvolvida com Palestras e Oficinas, onde propõe-se o acompanhamento através do Edmodo ,uma Plataforma gratuita, um ambiente virtual de aprendizagem ,onde estarão inseridos arquivos para leituras, artigos, imagens do curso com as crianças em sala de aula, previamente autorizados e poderá ser criado também, neste contexto uma biblioteca digital para abrigar todos os arquivos da Formação Continuada, auxiliando desta forma, o acompanhamento continuo aos Cursistas. Dessa formam percebe-se a necessidade de uma formação continuada que favoreça o aprimoramento da prática educativa direcionada a Filosofia, no intuito de desenvolver um trabalho educativo com mais consistência teórica e metodológica, principalmente no que diz respeito a proposta de Matthew Lippman. Para esse estudo, utilizaremos a Lei de Diretrizes e Bases N. 9394\96(BRASIL,1996), os Parâmetros Curriculares Nacionais–PCNs (BRASIL,1998), assim como os autores Lippman (2001,1998), Chauí (1995), Kohan (1998), Deleuze e Guattari (1992), Tardiff (2002), Imbernón (2011), entre outros. O trabalho possibilita perceber que a formação continuada é um dos elementos primordiais para o desenvolvimento da proposta filosófica de ensino de Matthew Lippman para crianças, enfatizando os saberes que constituem a docência.

Palavras – Chave: Docência, Formação, Mattew Lippman, Saberes. ABSTRACT

The present study deals with aspects that reflect the Philosophy for children and the relevance of the proposal of Matthew Lippman for the development of the thinking directed to the 6th year of Elementary School, when the students are having their initial contact with the Philosophy, since this one does not is mandatory in the early years. It is necessary in this context to emphasize the teaching skills and professional training required to work with the Lippman Program. The objective of this work is to propose Continuous Formation evidencing the reconstruction of scholastic knowledge by providing dialogue with the children, philosophical thinking with a view to an "education to make you think" Lippman's methodological proposal has the perspective of forming students who develop a "Education for thinking", has specific knowledge, ongoing training based on the program. It is also intended to understand which knowledge guides the teachers in relation to Philosophy and if they know the proposal of Matthew Lippman. Thus, educators are needed who are in continuous formation in the attempt of reconstruction of the scholastic knowledge in the process of philosophizing, providing classes that enable the practice of philosophical research articulated between philosophy, education and life. For this work, the qualitative methodology is first used, through bibliographic studies. In this

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way the aspects considered relevant on philosophy and childhood, highlighting in a brief way some conceptions, next is the proposal of Lippman of a Philosophy for children. In the sequence, there is the teaching knowledge guiding the Philosophy and Lippman's proposal. Next, the methodological course of Continuing Education to be developed with Lectures and Workshops, where it is proposed to follow through Edmodo, a free Platform, a virtual learning environment, where will be inserted files for readings, articles, images of the course with the children in the classroom, previously authorized, and in this context a digital library can be created to house all the archives of Continuing Education, helping in this way the continuous monitoring of the Cursistas. A continuous formation that favors the improvement of the educational practice directed to the Philosophy, in order to develop an educational work with more theoretical and methodological consistency, especially with regard to the proposal of Matthew Lippman. For this study, we will use the Law of Guidelines and Bases No. 9394 \ 96, the National Curricular Parameters - PCNs, as well as the authors Lippman, Tardiff, Imbernon, Deleuze and Guattari, among others. The work makes it possible to realize that continuing education is one of the fundamental elements for the development of Matthew Lippman's philosophical teaching proposal for children, emphasizing the knowledge that constitutes teaching. Keywords: Teaching. Formation. Mattew Lippman. You know

Keywords: Teaching, Formation, Mattew Lippman, You know.

1 INTRODUÇÃO

Para debruçarmos sobre a temática da proposta de Matthew Lippman, intitulada como Filosofia para crianças, e os saberes da docência para trabalhar a proposta, convém primeiramente discorrer sobre o que se entende sobre criança e a sua infância para posteriormente justificarmos a necessidade de formação continuada que seja especifica para proposta de Lippman para a educação, em respeito às suas especificidades.

Segundo Aries (1981), estamos vivendo um momento histórico caracterizado por transformações, seja na ordem tecnológica – científicas e/ou ético-sociais, e a forma de ver a infância perpassa por essas mudanças. Contudo, a fase da infância passou despercebida por muito tempo pela sociedade e pelas próprias famílias. A educação na infância demorou a ser reconhecida como válida e a própria criança nesse contexto postergou a ser vista enquanto sujeito social, legitimando-a como competente e sujeito de direitos.

A ideia de infância apareceu a partir das fortes mudanças sociais, culturais e políticas que a sociedade foi passando e pelo papel social que a criança foi conquistando ao longo dos séculos. Neste sentido, Zabalza (1998, p. 20) aborda essa questão, enfatizando que se está diante da "infância recuperada". Do exposto, ainda o citado autor assinala sobre a compreensão de criança: “visão de criança reprimida, adulto em miniatura, criança-aluno, criança-filho renasce uma criança verdadeira e visível, exigindo viver como criança e, para ser reconhecida e vista como sujeito que também constrói história” (ZABALZA, 1998, p. 20).

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Compreende-se que a criança é um ser com potencial de pensar e agir conforme a cultura que está inserida. Nessa perspectiva o autor Matthew Lippman enfatizou que a Filosofia não poderia estar distanciada da criança. Ele advogou que as crianças podem fazer investigações e que por meio da Filosofia elas podem desenvolver a inteligência emocional, cognitiva e social. Dessa forma, acreditamos que a proposta filosófica de ensino para crianças de Matthew Lippman poderá permitir aos professores incentivarem o exercício do pensar por meio da Filosofia.

No entanto, para que essas potencialidades nas crianças sejam despertadas, é fundamental investir na formação do professor, a qual deve estar articulada com os princípios que compõem a proposta de uma filosofia para crianças, pensado por Matthew Lippman, pois entendemos que os professores são os primeiros atuantes da criticidade, são transformadores, criativos, capazes de compreender a educação como um instrumento de construção do pensamento crítico e lutam para a construção de uma escola de qualidade para todos os alunos.

Em relação aos saberes docentes, Tardif (2002) lança a existência de quatro tipos distintas de saberes na atividade docente que são: os saberes da formação profissional (das ciências da educação e da ideologia pedagógica); os saberes disciplinares; os saberes curriculares e, por fim, os saberes experienciais.

Nesse sentindo, concorda-se com Imbernón (2011) quando se refere a formação permanente: “tem o papel de descobrir a teoria para ordená-la, fundamentá-la, revisá-la e combatê-la se for preciso”.

Assim, a proposta metodológica de Matthew Lippman sobre ensino de Filosofia para crianças, na perspectiva de formar um estudante que desenvolva uma “educação para o pensar”, possui saberes específicos e portanto, precisa de uma formação permanente pautada no programa. Mas para esse primeiro momento, de forma especifica o objetivo pretendido é de perceber quais os saberes norteiam os professores em relação a Filosofia e se conhecem a proposta de Matthew Lippman.

Para as fontes bibliográficas, usaremos de fontes, tais como: livros, artigos, revistas, websites etc. Empírica porque realizamos um estudo in lócus numa escola pública municipal objetivando propor a experiência do programa de Matthew Lippman.

1. Nesse sentido, apresentamos alguns aspectos considerados relevantes sobre a filosofia e a infância, destacando de forma breve algumas concepções, em seguida assinalamos sobre proposta de Matthew Lippman de uma Filosofia para crianças. Na sequência, é trazido os saberes docentes norteadores da Filosofia e da proposta de Lippman. Destaca-se em seguida as considerações finais, no intuito de encontrar alternativas para melhor desenvolver a temática em discussão.

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2 A FILOSOFIA E A INFÂNCIA: REVISITANDO ALGUMAS CONCEPÇÕES

Em relação a infância, sabe-se que ela foi e é construída socialmente e culturalmente. Segundo Canavieira e Caldeiron (2011), a concepção atual de infância é consequência de uma construção gradual das sociedades moderna e contemporânea, e não é considerada um fenômeno natural. Assim: “a infância enquanto fase da vida, mas que sempre varia de acordo com o espaço-tempo, e assim formam as características dessa faixa etária, marcas coletivas das culturas infantis” (SARMENTO apud CANAVIEIRA & CALDEIRON, 2011, p. 7)

Em relação a filosofia, Deleuze e Guattari (1992, p. 10) consideram que um conceito de filosofia só pode ser formulado entre amigos da sabedoria, destacam que: “a filosofia não é uma simples arte de formar, de inventar, ou de fabricar conceitos, pois os conceitos não são necessariamente formas, achados ou produtos.”

Assim, a Filosofia não possui uma definição, mas várias. Chauí (1995, p. 18), cita algumas definições de Filosofia de grandes estudiosos, para Platão é um saber que deve ser usado para o “benefício de todos”. Para Descartes, “é um estudo da sabedoria”, para Kant a Filosofia “é o conhecimento que a razão adquire de si mesma”, e que assume o escopo de trazer felicidade. Já para Marx, “é o caminho para conhecer o mundo e transformá-lo”. Merleau-Ponty, apontou que “a Filosofia é um ver e despertar para ver e mudar o mundo”.

Vislumbra-se com a Filosofia, pois é um saber útil que coaduna com todos os saberes que o ser humano necessita. E por determos esse entendimento que defende-se a necessidade da Filosofia para crianças, no sentindo de que a mesma é uma opção educacional essencial para os tempos modernos, proporcionando as crianças (re) descobrir a relevância dos saberes direcionados a elas.

Para Matthew Lippman, autor que defende a Filosofia para Crianças, ele diz: “que as crianças pensam de forma tão natural quanto falam ou respiram – disso eu não tinha dúvida. Mas como ajudá-las a pensar bem?” (LIPMAN, 2001, p. 5). Na proposta de Lippman a filosofia seria o espaço ideal para ajudar as crianças a pensar, e as salas de aula, o espaço ideal para as investigações e dialógicos necessários para um ambiente educacional que visa formar para o pensar.

No início do terceiro milênio, significativas transformações acontecem no cenário brasileiro, foram mudanças econômicas, políticas e culturais acontecidas na sociedade capitalista nos últimos quarenta anos do século XX e que modificaram profundamente o dinamismo social, no que concerne à educação uma nova realidade se institui para o século XXI. “O conhecimento como elemento fundamental da produção e do acúmulo de vantagens diferenciais em um cenário capitalista de competição globalizada” (OLIVEIRA, 2009, p. 239).

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Essas transformações passaram a ser trabalhadas mais detalhadamente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB 9.394/96. Nela tem-se as diretrizes para todos os níveis da educação visando às transformações significativas que o mundo está vivenciando.

Em relação ao ensino de Filosofia, a Lei no 9.394/96 prescreve no seu art. 36 da Lei no 9.394, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino médio (BRASIL, 1996).

Contudo foi tardiamente que a Filosofia de fato ganhou espaço no cenário educacional. Somente com o Parecer CNE/CEB nº 38/2006, aprovado em 7 de julho de 2006 que houve a inclusão obrigatória das disciplinas de Filosofia e Sociologia no currículo do Ensino Médio (BRASIL, 2006).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) colocam a Filosofia como ferramenta primordial para o processo de aprimoramento do educando e sua formação cidadã, e não deve ser trabalhado simplesmente como tema transversal, mas como eixo principal do conteúdo programático (BRASIL, 1998). Assim, a filosofia visa apresentar uma visão globalizante, interdisciplinar e mesmo transdisciplinar, auxiliando o educando a lançar outro olhar sobre o mundo e a transformar a experiência vivida numa experiência compreendida.

No que diz respeito a Filosofia para crianças, esse foi outro movimento tardio no Brasil. O programa de Filosofia para Crianças de Matthew Lippman foi concebido ao final da década de 60, no contexto dos Estados Unidos, foi gestado visando uma proposta de “Educação para o Pensar”, pensado para desenvolver, as habilidades cognitivas, esclarecer conceitos filosóficos, como verdade, tempo, justiça, a usar o processo de investigação e diálogo, objetivando a construção de significados sociais, morais e culturais (SOUZA, 2013).

2.1 A PROPOSTA DE MATTHEW LIPPMAN DE UMA FILOSOFIA PARA CRIANÇAS

2. A proposta de Lippman circunda essencialmente no material didático elaborado para “desenvolver o pensar”, para isso Matthew Lippman e seus colaboradores desenvolveram as Novelas Filosóficas que são narrativas que apresentam temas e problemas filosóficos através das falas e tramas vividos pelas personagens numa Comunidade de Investigação e os Livros do Professor que contêm planos de discussão e exercícios sobre conceitos filosóficos para auxiliar a mediação do diálogo na comunidade de investigação e desenvolver as habilidades de pensamento (SOUZA, 2013).

3. Por isso propõe a filosofia para crianças que parte do ensino da lógica formal por meio de novelas (pequenas histórias envolvendo problemas do dia a dia). Essas novelas filosóficas buscam desenvolver na criança o pensamento crítico. Fazendo com que a criança aprenda a comprovar seus argumentos (SOUZA, 2013).

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4. A proposta da Filosofia para Crianças é um programa pedagógico que aponta a necessidade do desenvolvimento das capacidades de raciocínio e do pensamento em geral. Esta atividade do pensar é realizada por meio da criação de um diálogo, promovendo o pensamento de investigação na sala de aula. As crianças são encorajadas a falar e a ouvir umas às outras e discutir as ideias filosóficas com a orientação de um facilitador (professor), segundo o qual o ensino é resultado de um processo de investigação do qual o professor, despido de sua infalibilidade, participa apenas como orientador ou facilitador (SOUZA, 2013).

Os educadores assumem papel fundamental na proposta de Lippman, e demonstram interesse pelo ensino da Filosofia. Assim destaca:

Alguns educadores veem hoje a filosofia para crianças prefigurando uma reavaliação radical da educação e estão ansiosos em relacionar as características da filosofia da escola primária que o processo educacional como um todo, segundo eles, deve exibir. Essa é, sem dúvida, uma abordagem atraente, mas deve ser acompanhada por uma análise de princípios (LIPMAN, 1990, p. 34).

Nesse sentindo, a filosofia na perspectiva de Lippman se converte em uma comunidade de investigação, onde estudantes e professores possam dialogar como pessoas e membros da mesma comunidade; possam ler juntos, apoderar-se das ideias conjuntamente, levantar hipóteses sobre as ideias dos outros; possam pensar independentemente, possam procurar razões para seus pontos de vista, explorar suas pressuposições; e “trazer para suas vidas uma nova percepção de o que é descobrir, inventar, interpretar e criticar”. (LIPMAN, 1990, p. 61).

Com base nessa ideia, o ato de realizar filosofia para as crianças, trata-se de possibilitar, mediante o diálogo com as crianças, o pensar filosófico, assim como Lippman, acreditamos que a Filosofia pode ser usada com crianças para realização de uma educação para o fazer pensar.

Do educador, é exigido um constante processo de aperfeiçoamento e investigação. Dessa forma, ele precisa passar por contínua formação, na tentativa de reconstrução do seu saber escolar para atender às demandas dos avanços científicos e tecnológicos impostos pela contemporaneidade.

Observa-se que muitos docentes no seu fazer pedagógico com crianças não as incentivam a dialogarem, não as ajudam a superarem suas dificuldades em assimilar determinado conteúdo e de auxiliá-las em desenvolver um pensamento crítico.

Destarte:

Para desenvolver a ideia de Filosofia para Crianças, Lippman criou o que chama de Pedagogia da Comunidade de Investigação. Nesta perspectiva, a sala de aula tradicional deve se transformar numa Comunidade de Investigação com a participação ativa de crianças e professores no diálogo sobre os problemas em questão, ou seja, conceitos de fundo de nossa existência, aqueles que são centrais, comuns e controversos. O diálogo filosófico é a pedagogia do pensar bem, ou seja, um pensar crítico, criativo, ético e político. É nessa prática de filosofia

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que as crianças formam as atitudes democráticas, tornando-se cidadãos críticos, reflexivos e participantes do processo deliberativo (SOUZA, 2013, p. 14).

5. Nessa perspectiva, a proposta de Lippman visa propiciar as crianças a possibilidade de demonstrarem seus pensar, propiciando um ambiente onde elas possam demonstrar suas ideias e (re) redescobrir novas ideias.

6. À luz do exposto, nossa pesquisa buscará investigar a proposta metodológica da Filosofia para Crianças de Matthew Lippman. A investigação será realizada em uma dada escola pública estadual ou municipal.

Acrescenta-se que em São Luís não há um currículo escolar para a disciplina Filosofia, colocando-a como obrigatória no Ensino Fundamental, apenas como tema transversal. Neste sentido, a pesquisa busca construir uma proposta de filosofia para crianças a luz de Matthew Lippman para a escola que será o local de estudo.

7. Fazer filosofia com crianças é o desafio da proposta de Lippman e posteriormente implantá-la no universo escoimplantá-lar. Kohan (1998, p. 9) ressalta que Matthew Lippman, numa proposta pioneira, “lançou a ideia de que as crianças podem e merecem ter acesso à Filosofia. Não apenas lançou uma ideia, mas criou uma instituição e desenvolveu materiais e metodologia para que esta ideia fosse uma realidade”

2.2 OS SABERES DA DOCÊNCIA NA FILOSOFIA PARA CRIANÇAS

Sabe-se que o educador hoje, para estar á frente das necessidades e avanços do nosso tempo, se faz necessário um constante processo de aperfeiçoamento e investigações, dessa forma, precisa-se de um educador que esteja em continua formação, na tentativa de reconstrução do seu saber escolar.

Assim, busca-se o desenvolvimento de um profissional da educação com uma formação sólida, que é a exigida pelos avanços do mundo contemporâneo, possibilitando-os apreender habilidades básicas para aprender a situar-se no mundo moderno.

Para que esse desenvolvimento se dê, fala-se hoje de formação continuada, que é uma formação que deve estar articulada aos novos princípios propostos hoje a educação brasileira, que é o de formar profissionais mais participativos, que trabalhem em coletividade, que rompam com as concepções conservadoras, que sejam mais críticos, transformadores e criativos, que valorizem a educação como um instrumento à construção da cidadania e que lutem para a construção de uma escola de qualidade para todos os alunos.

Por formação continuada cita Nascimento (apud Candau 1996), compreende-se toda e qualquer forma de atividade de formação do professor atuante nos estabelecimentos de ensino. Assim, por

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formação em serviço, entende-se que são as atividades de formação continuada que se realizam no próprio local de trabalho dos professores.

Tendo como objetivo desta Formação a perspectiva de uma educação de qualidade, no intuito de melhor contribuir para a formação dos profissionais da educação no Município de São Luís do Maranhão. Propondo o melhor desenvolvimento do professor, com base em uma formação centrada na escola e nas práticas destes profissionais.

Nesse sentido, [...]; uma perspectiva de formação orientada pela compreensão de que o professor deve ser capaz de tomar decisões, confrontando suas ações cotidianas com as produções teóricas; seja capaz, ainda, de rever suas práticas e as teorias que as informam, abandonado a perspectiva baseada na racionalidade técnica, que considera o professor mero executor de decisões alheias. [...]; que um processo de formação assim compreendido deve permitir ao professor desenvolver a habilidade de pesquisar sua própria prática e discuti-la com seus pares, de modo a transformar a escola num espaço de formação continua. (FILHO, ALVES, apud BARBOSA, 2003, p.288)

Segundo os pressupostos desses autores a formação continuada é entendida como um processo de aperfeiçoamento e desenvolvimento, que deve levar o professor a entender a sua importância no espaço escolar.

Esse é um direito dos profissionais de educação que está garantido em lei, como consta na LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), no Art.63 que trata dos Institutos Superiores e das suas obrigações, no inciso III, na qual garante aos professores o direito de participarem de programas de educação continuada. E no Art. 67, na qual trata das obrigações dos sistemas de ensino perante os profissionais de educação, no inciso II, que obriga os sistemas de ensino a assegurar aos professores o aperfeiçoamento profissional e continuado.

Dessa forma, ver-se a relevância que é dada à formação continuada dos profissionais em atuação dos sistemas de ensino. Sobre essa temática, considera Torre (apud Torre e Barrios, 2002), a formação continuada garante o desenvolvimento profissional do docente, dessa forma, formar não é simplesmente a aquisição de novos conhecimentos e novas habilidades, e sim ajudar ao professor a tomar consciência das próprias atuações e como melhora-las.

E ainda, como complementa Fernández (apud Torre e Barrios, 2002, p. 37), “A formação deixa de ser um processo de ensinar como ensinar para passar ao autodescobrimento pessoal, a tomar consciência de si mesmo”.

Desse modo, ressalta-se a importância de que os sistemas de ensino possam proporcionar esse tipo de formação continuada para os seus professores, entendendo que o professor tem um papel determinante no processo de ensino aprendizagem dos educandos. Assim, capacitando os professores para serem profissionais críticos e reflexivos.

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3 PERCURSO METODOLÓGICO

A referida proposta se realizará em três etapas, num período de três meses com encontros de quinze em quinze dias, totalizando carga horária de 100hs com acompanhamento constante com os Cursistas através do Edmodo, uma plataforma gratuita, um ambiente virtual de aprendizagem , onde estarão inseridos arquivos para leituras, artigos, imagens do curso com as crianças em sala de aula, previamente autorizados e poderá ser criado também, neste contexto uma biblioteca digital para abrigar todos os arquivos da Formação Continuada, auxiliando desta forma, o acompanhamento continuo aos Cursistas durante a Formação. Será desenvolvida nas seguintes perspectivas:

Na primeira etapa, far-se-á revisão de leituras de suporte teórico e metodológico como: legislação educacional; elaboração e aplicação de instrumentos de coleta de dados como: entrevistas e questionários para professores da escola, para assim sabermos das reais dificuldades da equipe; organização e análise de dados coletados na pesquisa: análise e interpretação das entrevistas.

Na segunda etapa far-se-á construção da Formação continuada por meios de Oficinas e Palestras com os professores do 6º ano do ensino fundamental para favorecer as crianças a possibilidade de demonstrarem seu pensar, propiciando um ambiente onde elas possam demonstrar suas ideias e (re) redescobrir novas ideias.

E por fim a terceira e última etapa far-se-á acompanhamento das propostas desenvolvidas em sala de aula pelos Cursistas, assim como os resultados finais com os alinhamentos necessários.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Propõem-se a Formação Continuada para trabalhar a Filosofia no sexto ano do Ensino Fundamental, contribuindo assim direcionar os trabalhos pedagógicos com vistas a uma educação filosófica pautada na experiência do filosofar, despertando e valorizando a cultura do filosofar na escola, fundamentadas em: pratica do filosofar; na educação do pensamento e das emoções; da educação ética e cidadã e por fim na metodologia.

A Formação Continuada tem entre outras finalidades, propor novas metodologias e colocar os profissionais a par das discussões teóricas atuais, com a intenção de contribuir para as mudanças que se fazem necessárias para a melhoria da ação pedagógica na escola e consequentemente da educação. Assim, entende-se que é de grande importância nos apropriarmos de referências dos que já estudaram e vivenciaram a formação continuada, para que possamos discutir e aplicar esses conhecimentos teóricos, pois a formação continuada dos profissionais de educação é compreendida como um processo de construção e reconstrução do saber docente, assim, não é simplesmente o como fazer.

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REFERÊNCIAS

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TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.

Referências

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