• Nenhum resultado encontrado

O Comércio Electrónico no Contexto da Globalização

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2020

Share "O Comércio Electrónico no Contexto da Globalização"

Copied!
16
0
0

Texto

(1)

O Comércio Electrónico no contexto da Globalização

António Serrano

Universidade de Évora, Departamento de Gestão de Empresas, Évora, Portugal

[email protected] José Gaivéo

Instituto Politécnico de Setúbal, Escola Superior de Ciências Empresariais, Grupo de Informática, Setúbal, Portugal

[email protected]

Resumo

No presente artigo pretende-se apresentar em primeiro lugar, uma reflexão sobre a emergência do Comércio Electrónico como instrumento operacional da Globalização. Por outro lado, face aos impactos do fenómeno da Globalização nas organizações, importa equacionar o desafio do Comércio Electrónico e as alternativas existentes para a sua implementação. Trata-se de uma abordagem introdutória a um tema, mais vasto, objecto de investigação no âmbito da elaboração de uma dissertação de mestrado, na qual foram analisadas algumas empresas de grande dimensão em termos de práticas de Comércio Electrónico no contexto da Globalização.

Palavras chave: Comércio Electrónico, Globalização, Sistemas de Informação, Tecnologias de Informação, EDI, Internet

1 Introdução

Associado à emergência do que se convencionou chamar de Economia Digital (suportada em conceitos como Negócio e Comércio Electrónico, ou seja, em conceitos que se fundamentam na utilização das vias electrónicas para suportar economias, negócios e comércio) e ao desenvolvimento de um conjunto de tecnologias capazes de a suportar, surge o conceito de Globalização.

(2)

A Globalização ultrapassa os limites dos países fazendo tábua rasa de fronteiras físicas, modificando as relações entre as organizações, alterando os conceitos de emprego e segurança pessoal, afectando as relações entre os Estados, condicionando o desenvolvimento das sociedades, forçando alterações organizacionais profundas e radicais.

O Comércio Electrónico, ao permitir uma condução dos processos de negócio das organizações que aceitam os desafios colocados pela crescente Globalização, possibilita a optimização dos processos internos, melhora as relações com os parceiros de negócio e permite a obtenção de economias de escala, obrigando as organizações a ter em conta as oportunidades que apresenta perante mercados em constante mudança.

Utilizar o Comércio Electrónico em resposta aos desafios colocados pelo surgimento de novos mercados, impulsionados pela Economia Digital e pela Globalização, pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso. Neste sentido, as melhorias do desempenho organizacional possibilitadas pelo Comércio Electrónico não podem de modo algum ser descuradas por organizações que se pretendem competitivas em mercados tão agressivos quanto os actuais.

2 Os Sistemas e as Tecnologias de Informação como aceleradores da Globalização

No contexto da Globalização, que Sistemas de Informação suportados em que Tecnologias de Informação podem, ao ser utilizados pelas organizações na condução da sua entrada nos novos mercados, constituir-se como fontes de vantagens competitivas?

Para responder a esta questão procura-se entender em primeiro lugar a importância da Informação e da sua gestão no contexto apresentado e depois a forma como as Tecnologias de Informação e os Sistemas de Informação têm vindo a ganhar um espaço cada vez mais amplo, tornando-se assim essenciais ao desenvolvimento organizacional.

Que a Informação e a sua gestão são importantes para o desempenho das organizações parece ser um facto sem contestações. Segundo Carlos Zorrinho [Zorrinho 1991, 1993], a Informação é um factor crítico de sucesso para qualquer organização que pretenda competir em mercados turbulentos e altamente concorrenciais, onde a Gestão da Informação pode constituir um desafio para os seus gestores.

(3)

A definição de Informação é então feita segundo as perspectivas e os interesses específicos, de cada um dos seus potenciais utilizadores, o que origina que o entendimento da necessidade da sua gestão e relevância tem obrigatoriamente perspectivas e importâncias diferentes em cada caso concreto. Do mesmo modo, a utilização de Informação disponível e relevante, por parte das organizações, para criar Conhecimento capaz de se constituir como factor de aquisição de vantagens competitivas, face aos seus concorrentes, não oferece qualquer dúvida. A emergência das organizações baseadas em informação e o surgimento dos trabalhadores do conhecimento, tal como os define Peter Drucker [Drucker 1988], não faz mais do que reforçar a importância da Informação e do Conhecimento na Sociedade actual.

O problema acaba sempre por residir no modo como a Informação e o Conhecimento são utilizados em proveito das Pessoas, das Organizações e das Sociedades. Utilização essa que depende em grande parte da formação e competências dos recursos humanos de que as organizações dispõem e cujo desempenho afecta o desenvolvimento da própria sociedade onde se inserem.

Desse modo, perante a relevância assumida pelos referidos recursos, devemos ter em atenção que a sua baixa formação em Sistemas e Tecnologias de Informação se tem constituído como um importante condicionador das organizações portuguesas, que fazem a sua aposta no Comércio Electrónico como uma necessidade para a sua sobrevivência. Até porque, muitas das desigualdades sociais são precisamente provocadas por falta de competências em termos de Sistemas e Tecnologias de Informação e por dificuldades no acesso às novas tecnologias, configurando uma situação com tendências claras de agravamento perante a velocidade a que ocorrem as mudanças na Sociedade.

A questão da formação nas novas tecnologias merece atenções especiais, notando Luis Amaral [Amaral 2000] que “cada vez mais pessoas vão ser formadas em coisas muito específicas e têm de ser excelentes em muito pouca coisa”, afirmando ainda que “o analfabetismo na utilização de meios da sociedade da informação será mais segregador e marginalizante nos próximos 20 anos, como o foi não saber ler e escrever”.

Desta forma, quando se encara a importância da Informação e a emergência de uma sociedade que a tem por base, torna-se fácil constatar até que ponto é importante que as organizações disponham de tecnologias, assim como de Recursos Humanos, capazes de as utilizarem para que, fazendo uso

(4)

dos dados disponíveis, possam obter informação capaz de servir os propósitos da organização a que pertencem, possibilitando desse modo a melhoria do seu desempenho no mercado global.

Mas os problemas inerentes à formação não se ficam por aqui. O seu sucesso depende da existência de um empenhamento das próprias pessoas no seu desenvolvimento, pois de outra forma fica comprometida qualquer iniciativa nesse sentido. No entanto, torna-se necessário que exista segurança nos respectivos empregos por forma a que aqueles possam investir tempo e energia no seu desenvolvimento pessoal, procurando simultaneamente suprir as necessidades das organizações a que pertencem [Ghoshal et al. 1999].

De modo similar à baixa formação em Tecnologias de Informação, também os custos de acesso a essas tecnologias e os preços proibitivos dos diversos sistemas de comunicação, se têm constituído como desincentivadores de um desenvolvimento tecnológico mais amplo. Os elevados custos afectam não só as organizações mas também os particulares, obstando assim a uma evolução gradual no acompanhamento das novas tecnologias como potenciadoras do desenvolvimento pessoal, social e organizacional.

Para Michael Earl e David Feeny [Earl e Feeny 2000], a infinidade de novas tecnologias que as organizações têm ao seu dispor, torna claro o papel das Tecnologias de Informação na infra-estrutura de suporte à estratégia de negócio, assumindo-se muitas vezes como a ‘chave’ para a sua sobrevivência.

A importância das tecnologias de Informação no desempenho organizacional encontra eco em Henrique Marcelino [Marcelino 1994], para quem a compreensão do papel da Informação e a utilização eficaz das Tecnologias de Informação é fundamental no funcionamento interno das organizações e na concretização dos seus objectivos e negócios.

O problema, neste contexto, reside simplesmente na forma como todos aqueles factores são colocados ao serviço das organizações que neles apostam como impulsionadores do desenvolvimento dos seus negócios no âmbito do Comércio Electrónico.

Os Sistemas e as Tecnologias de Informação, perante o aparecimento de novos mercados, o crescimento exponencial da Internet ou a emergência de uma Economia Digital podem ser considerados como potenciadores da inovação e da mudança organizacional, assumindo um papel fulcral no desempenho e competitividade das organizações, em resposta aos desafios que se lhes colocam quando apostam no Comércio Electrónico como a base de condução dos seus negócios.

(5)

Pelo que, dispor de Sistemas de Informação de Potencial Estratégico, tal como definidos por António Serrano [Serrano 1997], pode permitir que qualquer organização, perante a necessidade de aceitar as novas tecnologias como essenciais à sua sobrevivência, proceda à reestruturação dos seus processos internos e os enquadre em novos modelos de negócio capazes de possibilitar a utilização do Comércio Electrónico como condutor da sua estratégia nos novos mercados.

Deve então ter-se em conta a importância da Informação e a necessidade da sua Gestão, no sentido de produzir Conhecimento, por forma a suportar Sistemas de Informação de Potencial Estratégico, capazes de desempenhar um papel fundamental nas organizações que apostam no Comércio Electrónico como solução para competir nos mercados abertos pela emergência da Economia Digital.

Em face da actual turbulência, contingência e agressividade dos mercados, torna-se claro que as organizações que pretendem competir neles, necessitam de Tecnologias de Informação capazes de suportar com sucesso os seus processos de negócio. Neste sentido, perante a crescente globalização dos mercados, uma adequada escolha dos Sistemas e das Tecnologias de Informação capazes de suportar os novos modelos de negócio, pode fazer a diferença nos novos mercados.

O facto de o ambiente competitivo ter sofrido profundas e rápidas mudanças traduz, no entendimento de Gary Hamel [Hamel 1998], “a necessidade das organizações procederem a redefinições da sua estratégia” tendo em atenção essas novas situações, onde “a estratégia assume importância relevante no contexto organizacional”.

Pode pois assumir-se o papel a desempenhar pelas constantes inovações tecnológicas como de vital importância para as organizações que, aceitando a globalização dos mercados como uma oportunidade a não descurar, procuram utilizar as potencialidades apresentadas pelas novas tecnologias no sentido da optimização dos seus ciclos de negócio, do aumento da sua base de clientes e da redução dos seus custos operacionais.

O papel que a organização desempenha na inovação deve depender da sua acção como instituição social e económica, na qual os indivíduos podem comportar-se e agir de acordo com as suas necessidades e objectivos pessoais, perante a sociedade onde se inserem [Ghoshal et al. 1999]. Reduzir os custos organizacionais, assumir a inovação como factor competitivo, responder com rapidez e eficácia aos pedidos dos clientes, proporcionar produtos e serviços capazes de ser entendidos como potencialmente vantajosos, constituem alguns dos requisitos a que as

(6)

organizações devem responder, quando decidem fazer dos desafios da Globalização, da Economia Digital, do Comércio Electrónico e dos novos mercados, os seus principais objectivos.

3 Impactos da Globalização nas Organizações

Globalização, palavra cuja actualidade é cada vez maior, surge como uma linha divisória entre duas realidades complementares. Num lado os países subdesenvolvidos para os quais a globalização surge como a entrada de grandes organizações capazes de dominar toda a sua economia e conduzir a um maior desemprego e consequente aumento da pobreza, estando no outro lado os países para quem os novos conceitos tecnológicos e comerciais surgem como a evolução natural do seu desenvolvimento na busca de novos e melhores mercados.

Segundo Vicente Ferreira [Ferreira 1998] a Globalização é “um processo novo, diferente da internacionalização e da mundialização” que procura novos caminhos e equilíbrios de poder num mundo que considera “cada vez mais complexo”. E como processo novo que é, apresenta constantemente novos desafios derivados essencialmente dos desenvolvimentos tecnológicos, notando-se em especial nas novas hipóteses de negócio que apresenta.

Para Ernâni Lopes [Lopes 1999] a globalização dos mercados, como é hoje entendida, “é um processo simultaneamente antigo e novo”. Antigo por o entender iniciado pelo que considera ser uma ruptura desencadeada “pelos Descobrimentos e a subsequente expansão europeia”, Novo por ser o “resultado da revolução informática nas telecomunicações”.

Mas independentemente do conceito de Globalização e da relevância que assume actualmente, colocar-se-á sempre a questão de saber como afecta as organizações e de que forma se fazem sentir nestas os seus impactos. Os impactos da Globalização nas organizações (e também nas pessoas e nas sociedades) fazem-se sentir em diversos níveis:

! Na estrutura interna, forçando a mudanças estruturais profundas e radicais, alterando as formas e vias de comunicação interna, forçando a recolocação dos recursos humanos, modificando (ou reduzindo mesmo) os níveis de gestão;

! Nos processos de negócio, obrigando à optimização do relacionamento com os clientes, procurando responder rápida e objectivamente às suas necessidades e promovendo a sua maior aproximação à organização;

(7)

! No modelo de negócio, assumindo as mudanças necessárias e adequadas aos novos mercados, utilizando as novas tecnologias para implementação de soluções de Comércio Electrónico;

! Na missão, focalizando-a na emergente Economia Digital e nas possibilidades que abre; ! Nos objectivos, redefinindo-os constantemente, por forma a acompanhar as constantes

mudanças operadas nos mercados cada vez mais turbulentos e contingênciais;

! Nos recursos humanos, forçando a existência de maiores competência para acompanhamento e prossecução dos objectivos da organização, obrigando em simultâneo à melhoria do sistema de comunicação interno de forma a possibilitar a partilha do conhecimento no seu seio;

! No relacionamento com outras organizações, nomeadamente na implementação conjunta de soluções de Comércio Electrónico e no estabelecimento de redes empresariais que permitam uma melhor partilha de informação e a aquisição de economias de escala; ! Na sociedade, promovendo o aumento da integração das organizações, através da

colaboração na resolução de problemas ambientais e na melhoria do nível de vida das pessoas.

Não restam dúvidas que os desafios colocados pela Globalização, pela emergência da Economia Digital e pelo surgimento do Comércio Electrónico exigem, das organizações, respostas rápidas e concisas. A necessidade dessas respostas é clara, quando se está em presença de mercados cuja velocidade de mudança é cada vez maior. A grande ligação existente entre estas mudanças e o desenvolvimento das Tecnologias de Informação torna-se um factor contingencial que condiciona o desenvolvimento de qualquer mercado.

Para Kenneth e Jane Laudon [Laudon e Laudon 2000], a Globalização trouxe uma substancial “redução da margem de manobra de muitas organizações e sectores de actividade” que se vêm assim a competir “em mercados para os quais as suas estruturas se revelam ineficazes e desajustadas”.

Existe então uma necessidade clara de, face a esses impactos, proceder a alterações e mudanças que permitam às organizações ultrapassar os hiatos criados pelo desenvolvimento tecnológico e pela crescente globalização, que esse desenvolvimento possibilitou.

(8)

Constata-se então facilmente que a globalização dos mercados afecta as organizações em qualquer das suas vertentes interna e externa, afecta as pessoas nas empresas e na sociedade, afecta tudo e todos, variando apenas o grau da sua influência sobre eles, uma vez que o desenvolvimento das sociedades, das empresas e das pessoas também varia, constituindo-se a Globalização como um dos factores capazes de influenciar mudanças profundas no actual ambiente de negócio [Haag et al. 1994].

E sendo assim, importa encarar os problemas trazidos pela Globalização como um verdadeiro desafio que se coloca em qualquer sociedade como um todo indivisível, ou seja, torna-se obrigatório procurar uma resposta capaz de resolver os problemas sociais, económicos e pessoais que comporta a aceitação desses desafios.

Apostar na inovação, na criatividade e na diferenciação não é mais do que a lógica necessária às organizações que procuram o sucesso quando competem nos actuais mercados. Assim como também é lógica e natural a aposta que se faz (ou pelo menos que se deve fazer) na formação dos recursos humanos como forma de aquisição de competências distintivas perante os concorrentes. Pode no entanto notar-se que quando se fala em mercados globais se considera simplesmente uma mesma organização, que produz um mesmo produto, acerca do qual faz a mesma divulgação, visando o mesmo tipo de consumidor, fazendo-o em qualquer parte do mundo. Este facto, que se apresenta frequentemente como indutor de problemas sociais, nem sempre se traduz em resultados idênticos, porque a aplicação de um mesmo modelo em diferentes locais coloca a necessidade de proceder a alguns ajustes pontuais e específicos.

O problema social originado pela introdução de novas tecnologias nas organizações e nas sociedades não pode de modo algum ser descurado. A sua influência reflecte-se no relacionamento interpessoal e na maior ou menor aceitação das novas tecnologias como ferramenta essencial ao seu próprio desenvolvimento quer em termos organizacionais quer em termos estritamente pessoais e de integração na própria sociedade que se assume cada vez mais como um sociedade baseada na Informação e no Conhecimento.

Para Anthony Giddens [Giddens 2000], deve ser feita uma distinção entre globalização vista em termos gerais e a globalização económica (aquela que, segundo afirma, as grandes organizações conseguem controlar) pois entende-a como a responsável pelas desigualdades entre países e entre pessoas.

(9)

A Globalização e o Comércio Electrónico afectam também a Sociedade como um todo. Modificam o relacionamento interpessoal, o relacionamento entre as pessoas e as organizações e o relacionamento interorganizacional. A Globalização surge frequentemente associada às desigualdades sociais, agravando-se a situação quando se tornam necessárias competências para a utilização das Tecnologias de Informação, quer no ambiente organizacional quer no ambiente familiar.

“A globalização é política, tecnológica e cultural, além de económica” é o entendimento de Anthony Giddens [Giddens 2000], que chama a atenção para o facto de a globalização não ser um processo simples mas sim “uma rede complexa de processos”, fazendo aliás notar que nem todos os seus efeitos são benéficos, considerando ainda que “a globalização é um fenómeno cada vez mais descentralizado” que ninguém controla directamente.

Perante a emergência de novas tecnologias e a influência que têm tido nos mercados, constata-se facilmente que a solução não se resume ao local físico onde a organização se posiciona, mas sim à transformação dos seus processos e modelos de negócio, tornando-os inovadores, flexíveis e competitivos, por forma a permitir que a organização possa assumir o seu posicionamento no mercado global.

O facto de o tecido empresarial europeu ser constituído maioritariamente por PME’s, tem levado a que a Comunidade Europeia dedique atenção especial ao desenvolvimento do Comércio Electrónico e das Tecnologias de Informação dentro do seu espaço de actuação. No entender de Erkki Liikanen1 [Liikanen 2000], “a globalização da actividade económica tem um impacte duplo nas PME”. Por um lado “significa novas possibilidades de expansão e crescimento” mas pelo outro “constitui um processo de contracção que arrasta desafios e ameaças de concorrência”. Algumas PME adaptar-se-ão às novas realidades e desafios enquanto outras, a maioria, terão grandes dificuldades pois não existe uma receita para o sucesso imediato. A caracterização de uma organização bem sucedida nos novos mercados, independentemente da sua dimensão, é feita pela “identificação correcta das oportunidades de mercado” assim como pela sua “capacidade de se organizar rapidamente de forma a responder-lhes”.

Mas as Tecnologias de Informação trazem, segundo Michael Earl e David Feeny [Earl e Feeny 2000], amplas questões à estratégia de negócio. Questões essas que passam por identificar “a

1

(10)

oportunidade de Comércio Electrónico para o negócio da organização e como ela se pode adaptar à sua utilização”, além de saber que “mudanças organizacionais e novas tecnologias serão necessárias a uma eficaz gestão do Conhecimento”.

Fazer face a muitas das dificuldades sentidas na entrada em mercados globais e na implementação de soluções de Comércio Electrónico, leva a que muitas das PME participem no estabelecimento de redes empresariais que permitam a partilha de informação de negócio, que aumentem a velocidade de concretização das transacções e que reduzam os ciclos de negócio, posicionando-se então como potenciadoras de desenvolvimento de economias de escala, ao colocar ao serviço dos parceiros o que constituem as competências centrais de cada uma.

Para Fernando Ilharco [Ilharco 1998b], uma das consequências das novas tecnologias surge então como “a afirmação dos impérios da manipulação do complexo dados-informação-conhecimento2: coligações de entidades organizadas em rede, focadas em projectos e globalmente conduzidas pelo lucro”.

A relevância destes factores é reforçada pela atenção que lhe é dedicada pela Cimeira de Lisboa3, no reforço das iniciativas tendentes ao desenvolvimento tecnológico, a uma utilização mais alargada da Internet, ao crescimento das transacções do Comércio Electrónico e a uma maior ligação dos Governos com os cidadãos.

Mas nem tudo se passa como no espaço da Comunidade Europeia, pois a globalização dos mercados não é aceite por um grande número de países e organizações não governamentais, que se recusam terminantemente a entender as vantagens que daí possam advir, bastando para isso atentar nas manifestações ocorridas em Seattle no ano passado, a quando da realização da conferência da OMC4, manifestações essas que se transferiram no presente ano para Washington onde se realizou a reunião do FMI e do Banco Mundial. Da parte dos manifestantes existia o receio de que a globalização dos mercados pudesse contribuir para o aumento da pobreza global.

Um outro olhar pode ser dado a atitudes concretas e objectivas por parte das organizações, que, perante a necessidade de competir globalmente e não dispondo do conjunto de requisitos considerados suficientes, procuraram a realização de associações, sobre diversas formas, segundo

2 Definido a Informação como interpretação de Dados e o Conhecimento como a agregação de Informação. 3 Conselho Europeu Especial realizado em 23 e 24 de Março de 2000

4

(11)

interesses comuns e que encontraram assim soluções capazes de aumentar a sua competitividade quando alargam os seus mercados alvos.

No entanto, a utilização crescente das Tecnologias de Informação para ligação dos diversos parceiros pode ser encarada numa outra perspectiva, como a apresentada por Fernando Ilharco [Ilharco 1998a], onde chama a atenção para o facto de a existência de uma rede global de informação estar a permitir contornar o que considera “dois do mais importantes pilares dos Estados modernos: saber onde estão os cidadãos e taxá-los por aquilo que fazem.”, notando a relativização do Estado quando, à margem da sua influência, “as empresas globais, as organizações não governamentais, as regiões, as cidades, os indivíduos, estão a ligar-se directamente à economia global”.

4 O desafio do Comércio Electrónico

Para Peter Drucker [Drucker 1999], “o Comércio Electrónico está a criar uma nova e distinta explosão, modificando rapidamente a Economia, a Sociedade e a política”, fazendo ainda notar que, com o Comércio Electrónico, o conceito de distância foi eliminado, existindo, segundo afirma, apenas uma Economia e um Mercado. Isto tem como consequência a necessidade de todas as organizações se tornarem globalmente competitivas, independentemente da sua actividade ou do sector onde se inserem.

Neste contexto de globalização, o Comércio Electrónico assume, na actualidade, uma importância tal que o governo da mais poderosa economia mundial, os EUA, apoia um conjunto de iniciativas para proceder à sua divulgação e implementação5.

Tendo tido o seu desenvolvimento mais forte neste país, o conceito de Comércio Electrónico encontra entendimentos diferentes em função do contexto onde se insere, não existindo assim uma definição que encontre concordância absoluta por parte dos diversos intervenientes.

Convém notar que, quando se fala em Comércio Electrónico, está-se certamente a falar de conceitos estritamente conectados a novos modelos de negócio, que se baseiam na utilização de meios electrónicos, possibilitados pelo desenvolvimento tecnológico, para a realização de transacções de negócio entre os diversos parceiros envolvidos.

5 Veja-se a este propósito os dois relatórios (1998 e 1999) sobre o Comércio Electrónico Global em

(12)

Pressupõe-se então que a intervenção humana no processo de negócio se encontra reduzida ao mínimo indispensável, procurando-se que todo ele seja realizado exclusivamente pela aplicação das tecnologias aos processos de negócio das diversas organizações [MSI 1998].

As referidas transacções electrónicas são assim efectuadas entre as aplicações e sistemas das diversas organizações intervenientes, fazendo uso de vias de comunicação permitidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação. Mas isso só será possível procedendo-se à conversão dos diversos formatos utilizados por forma a permitir a troca de documentos por via electrónica entre as referidas aplicações e sistemas.

Faz-se então notar a necessidade de olhar para as Tecnologias de Informação, em termos de Comércio Electrónico, segundo duas vertentes distintas: uma interna (processos de negócio e operações internas) e outra externa (suporte das organizações na sua actuação nos mercados onde se inserem) [Haag et al. 1994].

A relevância que a Internet e todas as ferramentas que a suportam, têm no contexto do desenvolvimento do Negócio/Comércio Electrónico é evidente, bastando para isso notar as referências que constantemente lhe são feitas, assim como o crescente número de utilizadores. O facto do acesso à Internet registar números crescente é sintoma claro da sua aceitação em termos globais como ferramenta privilegiada de acesso à Informação.

Continuam no entanto na ordem do dia os habituais problemas de segurança de que a Internet continua a padecer. A facilidade com que se registam ataques sérios aos sistemas informáticos que suportam a Internet, os elevados prejuízos que são infligidos e a possibilidade de seguir os hábitos de consumos dos seus diversos utilizadores não contribui de modo algum para estabilizar e sua utilização como ferramenta credível de Comércio Electrónico.

Por outro lado, o grande crescimento que se tem registado na utilização da Internet para a realização de Comércio Electrónico, especialmente na Europa, traz para a luz do dia problemas de privacidade, protecção de dados pessoais e disponibilização de acessos [APDC 1999], forçando a necessidade de encontrar soluções credíveis que permitam um maior desenvolvimento da sua utilização.

A grande vantagem apresentada pela Internet reside no elevado número de consumidores e organizações que consegue ligar, tornando-se assim uma ferramenta privilegiada de realização de Comércio Electrónico, que não esgotou ainda todo o seu potencial de desenvolvimento.

(13)

Mas nem só da Internet vive o Comércio Electrónico pois existem outras soluções capazes de o suportar, como é o caso do Electronic Data Interchange (EDI) que desde a década de 70 tem servido de suporte privilegiado na realização de transacções via electrónica entre os diversos parceiros de negócio. Soluções estas que, para Matthew Symonds [Symonds 1999], ganharam relevo na optimização das cadeias de fornecedores das indústrias automóvel e alimentar, permitindo, segundo C. Cashmore [Cashmore 1991], redução de custos, eliminação ou redução de erros de reprocessamento e poupança de tempo.

O EDI, desenvolvido inicialmente nos EUA e posteriormente difundido por muitos outros países, é um conjunto de normas que definem as regras que permitem suportar a troca de documentos electrónicos, segundo formatos rígidos e previamente acordados, entre os diversos parceiros.

As referidas regras, referenciadas muitas vezes como software EDI, suportam-se num conjunto de protocolos standard que foram definidos em função de sectores de actividade específicos e segundo interesses muito próprios. Esta situação traduziu-se, muitas vezes, em problemas de compatibilidade, entre aplicações instaladas, quando se pretendia o estabelecimento de um sistema de comunicações de negócio mais alargado.

Face à crescente proliferação de protocolos, uma iniciativa da Nações Unidas permitiu a definição de um protocolo, referenciado como UN/EDIFACT (United Nations/Electronic Data Interchange

For Administration, Commerce and Transport), que se constitui como um standard internacional

capaz de, abrangendo os mais diversos sectores, controlar a troca de documentos por via electrónica entre parceiros.

A utilização do EDI primeiro e da Internet depois traduziu-se, segundo o entendimento de Kenneth e Jane Laudon [Laudon e Laudon 2000], numa revolução, ao possibilitar “a substituição do trabalho baseado em Informação suportada em papel, pelo trabalho baseado em fluxos de Informação suportados em meios electrónicos”.

Assume-se então que o EDI e a Internet devem ser apenas entendidos como o que na realidade são, ou seja, como ferramentas capazes de, perante necessidades das organizações que competem nos actuais mercados, suportar o desenvolvimento de soluções de Comércio Electrónico.

As maiores apostas em soluções de Comércio Electrónico centram-se na Internet e no EDI. A Internet tem a preferência em termos de soluções de Comércio Electrónico entre Empresas e

(14)

Consumidores 6 (B2C – Business-To-Consumer) devido principalmente aos seus baixos custos e à facilidade de estabelecimento de ligações. O EDI é o preferido em termos de soluções de Comércio Electrónico entre Empresas (B2B – Business-To-Business) devido essencialmente à sua segurança e à fiabilidade das transacções efectuadas, porque, as transacções através da Internet continuam a ser muito lentas (tendo em conta que as médias e grandes organizações necessitam de um uso intensivo dos sistemas de Comércio Electrónico implementados) e inseguras. Independentemente do crescente recurso a soluções B2B baseadas na Internet, não fica invalidado de qualquer forma o facto de as grandes organizações preferirem soluções de Comércio Electrónico fiáveis e eficientes, situação que, mesmo com as melhorias verificadas em termos de Internet, continua a ser perfeitamente coberta pelo EDI.

Os elevados investimentos efectuados pelas grandes organizações em soluções de Comércio Electrónico baseadas em EDI condiciona, também, a opção entre EDI e o Comércio Electrónico suportado através da Internet, pois não é possível abandonar todo o investimento entretanto feito só para enveredar pela Internet, pelo que a solução passará por encontrar e utilizar soluções que optimizem o melhor de cada uma destas duas ferramentas [Radosevich 1997].

Desta forma, ganha uma relevância especial a implementação do EDI como plataforma de utilização simultânea das VAN e da Internet, por forma a potenciar as máximas vantagens em termos de Comércio Electrónico, quer no relacionamento com os clientes quer com os fornecedores, integrando assim numa única rede todos os sistemas [Haapanieni e Hofland 1996]. O Comércio Electrónico, ao permitir uma maior partilha da Informação e do Conhecimento, ao possibilitar um melhor desempenho das organizações nos novos mercados, posiciona-se claramente como um Sistema de Informação de Potencial Estratégico, ao permitir a sua utilização para aquisição de vantagens competitivas por parte das organizações que nele apostam.

A importância das Tecnologias de Informação, da Economia Digital e do Comércio Electrónico é assumida indubitavelmente pelos diversos intervenientes. Pelo Estado no seu papel de legislador (factura electrónica, assinatura digital, divulgação e disponibilização de acesso às novas tecnologias) e de impulsionador de desenvolvimento (MSI7, INCE8), pelas organizações no seu papel interveniente nos mercados (inovação, desenvolvimento tecnológico), pelos empresários no

6

De acordo com as conclusões de um estudo efectuado no âmbito da dissertação de mestrado apresentada por José Gaivéo: “Comércio Electrónico – O EDI como alternativa.”

(15)

seu papel de investidores (criação de novas organizações, abertura de capitais de risco), pelas pessoas no seu papel de utilizadores da Informação e detentores do Conhecimento (formação e aquisição de novas competências) e pela própria Sociedade como um todo na sua função de garantia de um desenvolvimento equilibrado.

5 Conclusões

Da matéria abordada neste artigo conclui-se acerca de inevitabilidade do Comércio Electrónico, como instrumento privilegiado para o incremento da competitividade num contexto de globalização. Por outro lado, verifica-se que o Comércio Electrónico, apesar de estar na ordem do dia a adesão à Internet, não elimina o recurso ao EDI como ferramenta facilitadora deste novo canal de comercialização. Constata-se, até, que em muitos casos continua a justificar-se esta opção, quer por questões de segurança quer por motivos relacionados com a recuperação do investimento entretanto já efectuado.

Conclui-se também que, do mesmo modo que o Comércio Electrónico se tornou imprescindível para o desempenho das organizações, a forma como a Globalização e as Tecnologias de Informação afectam as Pessoas, as Organizações e as Sociedades, traduz uma realidade à qual não se pode fugir.

Referências

Amaral, Luis, Entrevista de José Carlos Lima, Seminário “Novas Profissões na Sociedade de Informação”, organizado pelo Departamento de Sistemas de Informação da Universidade do Minho, Expresso Emprego, 8 de Abril de 2000, p.18.

APDC (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações), “9º Congresso das Comunicações – Os desafios do milénio”, 1999, http://www.apdc.pt/actividades (4 de Dezembro de 1999).

Cashmore, Carol, with Lyall, Richard, Business Information: Systems and Strategies, Prentice-Hall, 1991.

Drucker, Peter F., “The Coming of the New Organization”, Harvard Business Review, Jan.-Feb. 1988, pp.45-53.

Drucker, Peter F., “Beyond the Information Revolution”, The Athlantic Monthly, 284, 4 (1999), pp.47-57.

8

(16)

Earl, Michael e Feeny, David, “How To Be a CEO for the Information Age”, Sloan Management

Review, Winter 2000, pp.11-23.

Ferreira, José Vicente, “Quo Vadis Globalização?”, Dirigir, Nov.-Dez. 1998, pp.3-14. Giddens, Anthony, O mundo na era da globalização, Editorial Presença, 2000.

Ghoshal, Sumantra, Bartlett, Christopher A. e Moran, Peter, “A New Manifesto for Management”,

Sloan Management Review, Spring 1999, pp.9-20.

Haag, Stephen, Cummings, Maeve e Dawkins, James, Information Systems Concepts for

Management, 5th Edition, Management Series, McGraw-Hill, 1994.

Haapanieni, Peter, Hofland, Peter, “Internet + VANs = A Serious EDI Platform”, Byte, September 1996, http://www.byte.com/art/9609/sec17/art1.htm (27 de Julho de 1999).

Hamel, Gary, “Strategy Innovation and the Quest for Value”, Sloan Management Review, Winter 1998, pp.7-14.

Ilharco, Fernando, “A Fragmentação do Estado ”, in Vertigem – Tendências para o Século XXI, Edições Centro Atlântico, 1998.

Ilharco, Fernando, “Estratificação Social Global”, in Vertigem – Tendências para o Século XXI, Edições Centro Atlântico, 1998.

Laudon, Kenneth C, e Laudon, Jane, Management Information Systems: Organization an

Technology in the Networked Enterprise, 6th Edition, Prentice-Hall, 2000.

Liikanen, Erkki, “Passar o exame da internacionalização”, DN Empresas, Março de 2000, pp.16-17. Lopes, Ernâni Rodrigues, “Os cinco desafios de Portugal para o século XXI”, Executive Digest, 62,

(1999), pp.185-192.

Marcelino, Henrique, “Potencialidades e limites das Tecnologias de Informação” in Dossier:

Gestão da Informação, Pequena e Média Empresa, 12, (1994), IAPMEI, pp.53-61.

MSI (Missão para a Sociedade de Informação), “Iniciativa Nacional para o Comércio Electrónico”, Ministério da Ciência e Tecnologia, 1998, http://www.missao-si.mct.pt (30 de Setembro de 1999).

Radosevich, Lynda, “The Once and Future EDI”, CIO, January 1997, http://www.cio.com/ archive/ec_future_edi_content.html (18 de Julho de 1999).

Serrano, António, “Sistemas de Informação de Potencial Estratégico – Modelo Referencial para Exploração em PME”, Dissertação de Doutoramento, Universidade de Évora, 1997.

Symonds, Matthew, “Business and the Internet”, Survey, The Economist, 26 June 1999. Zorrinho, José Carlos, Gestão da Informação, Editorial Presença, 1991.

Zorrinho, José Carlos, “Novos Desafios e Oportunidades” in Sistemas de Informação nas

Referências

Documentos relacionados

O presente trabalho foi realizado em duas regiões da bacia do Rio Cubango, Cusseque e Caiúndo, no âmbito do projeto TFO (The Future Okavango 2010-2015, TFO 2010) e

patula inibe a multiplicação do DENV-3 nas células, (Figura 4), além disso, nas análises microscópicas não foi observado efeito citotóxico do extrato sobre as

Como parte de uma composição musi- cal integral, o recorte pode ser feito de modo a ser reconheci- do como parte da composição (por exemplo, quando a trilha apresenta um intérprete

the human rights legislated at an international level in the Brazilian national legal system and in others. Furthermore, considering the damaging events already

Acrescenta que “a ‘fonte do direito’ é o próprio direito em sua passagem de um estado de fluidez e invisibilidade subterrânea ao estado de segurança e clareza” (Montoro, 2016,

O objetivo do presente trabalho foi entender quais os benefícios alcançados por meio da parceria entre a COPASUL, uma empresa com esforços direcionados à comercialização

Inicialmente, até que as ações estejam bem delineadas, a proposta é de que seja realizada apenas uma reunião geral (Ensino Fundamental e Educação Infantil)

As amostras foram encaminhadas ao Laboratório da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa para Contagem Bacteriana Total (CBT), Contagem de