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Análise de cargos de eventos de desporto

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Academic year: 2021

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ANÁLISE DE CARGOS DE EVENTOS DE DESPORTO

Dissertação elaborada com vista à obtenção do Grau de Mestre em Gestão do Desporto

Orientador: Professor Doutor Rui Jorge Bértolo Lara Madeira Claudino

Júri:

Presidente:

Professora Doutora Maria Margarida Ventura Mendes Mascarenhas Vogais:

Professora Doutora Ana Maria da Silva dos Santos

Professor Doutor Rui Jorge Bértolo Lara Madeira Claudino

Camila Dalprá Machado Ritter

2020

UNIVERSIDADE DE LISBOA

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Dedico este projeto a Deus, o Autor da minha História. E, a Lourenço Daniel Ritter, o meu parceiro de vida, por quem tenho a mais profunda admiração e respeito.

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a resposta certa dos lábios vem do Senhor – é que agradeço ao meu Bom Pastor, ao meu Deus, a quem tudo devo, e para quem seja dada toda a honra e glória. A Ele, o Mestre dos Mestres, que sonhou planos maravilhosos para a minha vida e que me proporcionou o desejo de igualmente sonhá-los e realizá-los. Obrigada Deus por me fazer o que sou, e por hoje chegar aonde estou.

Ao meu esposo, que com o seu caráter ilibado e o seu jeito todo especial de ser encanta a todos por onde passa. Obrigada por cuidar de mim em todos os aspectos da nossa vida e por me auxiliar em todas as discussões acadêmicas ao longo desses anos de formação. Eu te amo a cada dia mais.

Aos meus pais pela compreensão durante todo este período longe de casa. Aos meus irmãos, e aqueles que são casados, as suas esposas, pela ajuda na resolução de várias situações que a distância me impossibilitou de resolver.

Aos meus amigos que foram um suporte imprescindível neste momento longe de tudo e de todos. Com agradecimento especial a família Doblô que tanta falta me faz e á Karlla e Léia que sempre me lembram que tenho que voltar para casa; Ao Helton e sua família que estão sempre nos acolhendo e nos mostrando o verdadeiro significado da amizade e do amor. E a todos os outros que nos auxiliaram em algumas empreitadas, valeu a parceria.

Aos meus pequenos, Helena, Arthur e Isabel, que com as suas peripécias nas chamadas de vídeos, fazem os meus dias serem bem mais leves.

A minha tia Terezinha, que com sua presença aqui tornou tudo mais fácil, mais leve, mais bonito. E por sempre dizer: “você vai ver, vai dar tudo certo” e, também por fazer a maior pressão para eu terminar logo essa dissertação.

A todos os meus queridos, que aí do Brasil torceram por esta estada aqui em Portugal.

Com um carinho todo especial, deixo aqui registrado meu agradecimento a algumas pessoas que foram essenciais em todo o processo, desde o antes de chegar aqui, o chegar aqui e o permanecer aqui. Paulo e Cida, vocês têm uma parcela “mais que enorme” em tudo isso. Amo vocês. De igual forma, agradeço a Thaís e Alisson por toda a ajuda que nos deram quando aqui chegamos, vocês foram imprescindíveis neste processo, vocês são “top” demais.

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me presenteou e graças a Deus por isso.

E a todos os novos amigos que fiz por aqui, sejam eles “zucas” ou “tugas” e que com toda certeza sentirei falta quando voltar para casa. Há, espero a visita de vocês por lá.

Aos meus colegas de mestrado com quem compartilhei algumas experiências e com quem aprendi várias coisas, expresso o desejo de em breve nos encontrarmos pelos corredores dessa profissão, para juntos podermos relembrar e reviver momentos inesquecíveis. Em especial a minha mais nova amiga, Larissa, que carioca do jeito que é, invadiu e tomou conta do meu coração, me ensinou várias coisas e fez os dias por aqui serem muito alegres, divertidos e energizados. Bora voar, emanar energias para o universo e ressignificar o tempo, certo Lari? E, também a Rita Maurício que sempre me acolheu muito bem, sempre me auxiliou quando precisei e com quem pude aprender essa nova língua, o português de Portugal. Rita, te espero para juntas visitarmos a floresta.

Ao meu orientador, que foi escolhido antes mesmo do tema ser definido, essencialmente por seu caráter humano e sua atitude de se importar com as pessoas. E graças a Deus o tema coincidiu com a sua área de atuação. Rui, você foi sensacional.

A Universidade de Lisboa - Faculdade de Motricidade Humana, por abrir as portas e acolher a nós, estudantes estrangeiros. A todos os professores que de alguma forma contribuíram para que eu estivesse onde estou, o meu muito obrigado.

E a todos aqueles que, direta ou indiretamente, me auxiliaram na vida acadêmica e pessoal.

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"Não fui eu que ordenei a você? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”. Bíblia NVI- (Josué 1:9)

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realização de tarefas diárias que elas contribuem e conduzem a organização ao alcance de seus objetivos e metas. Um dos elementos que compõe a gestão de pessoas é análise de cargos, sendo essa a base para todas as demais tarefas do gerenciamento de pessoas. O objetivo desse estudo foi desenvolver um processo para estabelecer o perfil profissional dos cargos nos eventos esportivos, identificando os cargos existentes, aplicando um processo de análise de cargos e criando um modelo do perfil profissional dos cargos. Este estudo se caracteriza pela sua natureza mista, onde foi aplicado um questionário a 42 organizadores de eventos obtendo-se dados quantitativos e escolhido dois eventos que fizeram parte de um estudo de caso, em que foi realizada uma entrevista na qual se obteve dados qualitativos sobre os cargos. Para a análise dos dados foi utilizado o programa de análise de conteúdo MAXQDA v.2020. Os resultados demonstram o perfil profissional de três cargos presentes em eventos esportivos: gestor de eventos, diretor de atividades esportivas e gestor comercial como também apontam para o acúmulo de funções que geram indefinições de cargos nos eventos esportivos.

Palavras-Chave: Análise de Cargos; Cargos; Descrição de Cargos; Esporte; Eventos; Gestão; Ocupação; Perfil Profissional; Pessoas; Recursos Humanos.

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performance of daily tasks that they contribute and lead the organization towards achieving its objectives and goals. One of the elements that make up people management is job analysis, which is the basis for all other people management functions. The objective of this study was to develop a process to establish the professional profile of the positions in sporting events, identifying the existing positions, applying a process of job analysis and creating a model of the professional profile of the positions. This study is characterized by its mixed nature, in which a questionnaire was applied to 42 event organizers, obtaining quantitative data and choosing two events that were part of a case study, in which an interview was conducted in which qualitative data was obtained on the positions. For data analysis, the content analysis program MAXQDA v.2020 was used. The results demonstrate the professional profile of three positions present in sporting events: event manager, director of sporting activities and commercial manager, as well as pointing to the accumulation of functions that generate vague positions in sporting events.

Keywords: Job Analysis; Positions; Job Description; Sport; Events; Management; Occupation; Professional Profile; People; Human Resources.

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ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ... 18

CAPÍTULO 1 - COLOCAÇÃO DO PROBLEMA ... 19

1.1 OBJETIVOS ... 19

1.1.1 Objetivo Geral ... 19

1.1.2 Objetivos Específicos ... 19

1.2 JUSTIFICATIVA ... 20

CAPÍTULO 2 - REVISÃO DA LITERATURA ... 23

2.1 DA GENERALIDADE A PARTICULARIDADE DOS EVENTOS ... 23

2.1.1 Contextualização Histórica ... 23

2.1.2 Conceitos ... 25

2.1.3 Classificação e Tipologia dos Eventos ... 26

2.1.4 Impacto dos Eventos ... 30

2.1.5 Eventos Esportivos... 32

2.1.6 Agentes Envolvidos ... 33

2.2 GESTÃO DE EVENTOS ... 36

2.2.1 Modelos de Gestão ... 38

2.2.2 Planejamento e organização de eventos ... 44

2.3 GESTÃO DE PESSOAS ... 46

2.3.1 Análise de Cargos ... 50

2.3.1.1 Descrição de cargos... 57

2.3.1.2 Características de Alguns Cargos em Eventos Esportivos ... 61

CAPÍTULO 3 METODOLOGIA ... 73

3.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO ... 73

3.2 AMOSTRA ... 74

3.3 PROCEDIMENTOS ... 77

3.4 ASPECTOS ÉTICOS ... 78

3.5 INSTRUMENTO E COLETA DE DADOS ... 78

3.6 ANÁLISE DE DADOS ... 79

CAPÍTULO 4 - APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 81

4.1 IDENTIFICAÇÃO DOS CARGOS NOS EVENTOS ESPORTIVOS ... 81

4.2 ANÁLISE DE CARGOS ... 87

4.2.1 Análise do Cargo – Gestor de Evento Esportivo ... 88

4.2.2 Análise do Cargo – Diretor de Esportes... 93

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REFERÊNCIAS ... 111

ANEXOS ... 113

ANEXO 1 - ROTEIRO DA ENTREVISTA ... 113

ANEXO 2 - FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DO CARGO ... 115

ANEXO 3 - APRECIAÇÃO DO ROTEIRO DE ENTREVISTA E DA FICHA DO CARGO ... 116

ANEXO 4 – PARECER (VALIDAÇÃO) DOS ESPECIALISTAS SOBRE O ROTEIRO DE ENTREVISTA E A FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DO CARGO ... 117

ANEXO 5 – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ... 118

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SPORTACCORD) ... 62 Tabela 2. Descrição do Cargo de Gestor de Eventos ou Similar (ISCO 08 – ESCO - CBO) 64 Tabela 3. Descrição do Cargo Diretor de Atividades Esportivas ou Similar (SportAccord - Poit - EMBOK) ... 65 Tabela 4. Descrição do Cargo de Diretor de Atividades Esportivas ou Similar (ISCO 08 – ESCO - CBO) ... 67 Tabela 5. Descrição do Cargo de Gestor Comercial ou Similar (Poit - EMBOK) ... 69 Tabela 6. Descrição do Cargo de Gestor Comercial ou Similar (ISCO 08 – ESCO - CBO .... 71 Tabela 7. Outros Cargos Encontrados em Eventos Esportivos ... 72 Tabela 8. Características do Evento 1 ... 75 Tabela 9. Características do Evento 2 ... 76 Tabela 10. Características dos Eventos – Codificação:

Modalidade/Abrangência/Duração/Frequência do Evento. ... 81 Tabela 11. Existência dos Cargos na Organização – Codificação: Sei Dizer/Não Sei Dizer 84 Tabela 12. Cargos Analisados – Codificação: Nome do Cargo. ... 87 Tabela 13. Dados de Identificação do Cargo de Gestor de Eventos Esportivos – Codificação: Identificação do Cargo. ... 88 Tabela 14. Codificação das Tarefas do Cargo de Gestor de Evento Esportivo – Codificação: Gestor do Evento. ... 89 Tabela 15. Formação do Gestor de Eventos Esportivos – Codificação:

GEE/Especificação/Formação. ... 90 Tabela 16. Experiências do Gestor de Eventos Esportivos – Codificação:

GEE/Especificação/Experiências. ... 90 Tabela 17. Especificações do Gestor de Eventos Esportivos – Detalhes – Codificação: GEE/Especificação/Detalhes ... 91 Tabela 18. Ficha de Identificação do Cargo – Gestor de Eventos Esportivos ... 92 Tabela 19. Dados de Identificação do Cargo de Diretor de Esportes – Codificação:

Identificação do Cargo. ... 94 Tabela 20. Codificação das Tarefas do Cargo de Diretor de Esportes – Codificação: Diretor de Esportes. ... 94 Tabela 21. Formação do Diretor de Esportes – Codificação: DE/Especificação/Formação. . 94 Tabela 22. Experiências do Diretor de Esportes– Codificação:

DE/Especificação/Experiências. ... 95 Tabela 23. Especificações Diretor de Esportes – Detalhes – Codificação:

DE/Especificação/Detalhes... 95 Tabela 24. Ficha de Identificação do Cargo – Diretor de Esportes ... 96 Tabela 25. Dados de Identificação do Cargo de Gestor Comercial – Codificação:

Identificação do Cargo. ... 98 Tabela 26. Codificação das Tarefas do Cargo de Gestor Comercial – Codificação: Gestor Comercial. ... 98 Tabela 27. Formação do Gestor Comercial – Codificação: GC/Especificação/Formação. .... 99 Tabela 28. Experiências do Gestor Comercial -– Codificação:

GC/Especificação/Experiências. ... 99 Tabela 29. Especificações Gestor Comercial – Detalhes -– Codificação:

GC/Especificação/Detalhes. ... 99 Tabela 30. Ficha de Identificação do Cargo – Gestor Comercial ... 100

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Desvio de Função/Diretor de Esportes. ... 102 Tabela 33. Tarefas do Gestor Comercial Exercidas por Outros Cargos – Codificação: Desvio de Função/Gestor Comercial. ... 102 Tabela 34. Possíveis Tarefas do Gestor Financeiro Exercidas por Outros Cargos –

Codificação: Desvio de Função/Gestor Financeiro. ... 102 Tabela 35. Possíveis Tarefas do Gestor de Informática Exercidas por Outros Cargos – Codificação: Desvio de Função/Gestor de Informática. ... 103 Tabela 36. Possíveis Tarefas do Gestor de Marketing Exercidas por Outros Cargos –

Codificação: Desvio de Função/Gestor de Marketing... 103 Tabela 37. Possíveis Tarefas do Gestor Administrativo Exercidas por Outros Cargos – Codificação: Desvio de Função/Gestor Administrativo... 103

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Figura 2. Modelo de Gestão ... 38

Figura 3. Relação Entre as Áreas de Conhecimento e os Processos de Gerenciamento ... 39

Figura 4. Processos, Fases, Valores e Domínios do EMBOK ... 41

Figura 5. Desenhos da Organização ... 47

Figura 6. Práticas de Gerenciamento de Recursos Humanos ... 49

Figura 7. Relação da Análise de Cargos com as Demais Tarefas da Gestão de Pessoas ... 51

Figura 8. Processo de Análise de Cargos ... 55

Figura 9. Gestor de Evento ou Similar (adaptado de ILO) ... 63

Figura 10. Gestor de Evento ou Similar (adaptado de MTE) ... 63

Figura 11. Diretor de Atividades Esportivas ou Similar (adaptado de ILO) ... 66

Figura 12. Diretor de Atividades Esportivas ou Similar (adaptado de ESCO) ... 66

Figura 13. Diretor de Atividades Esportivas ou Similar (adaptado de MTE) ... 66

Figura 14. Diretor Comercial ou Similar (adaptado de ILO) ... 70

Figura 15. Diretor Comercial ou Similar (adaptado de ESCO) ... 70

Figura 16. Diretor Comercial ou Similar (adaptado de MTE) ... 70

Figura 17. Modalidades Esportivas nos Eventos ... 82

Figura 18. Abrangência do Evento ... 83

Figura 19. Duração do Evento... 83

Figura 20. Frequência do Evento ... 84

Figura 21. Motivos Para Não Conseguir Definir Cargos ... 85

Figura 22. Cargos Existentes Nos Eventos Esportivos ... 85

Figura 23. Forma de Ocupação dos Cargos ... 86

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INTRODUÇÃO

No decorrer da história foram registrados inúmeros eventos, dentre eles os eventos esportivos. Acredita-se, segundo Poit (2013), que a manifestação do ser humano através de eventos é uma necessidade histórica. O homem, desde os primórdios, já apresentava essa necessidade de relacionamento com as pessoas, o compartilhar emoções, o viver em grupos, o comemorar vitórias e homenagear feitos memoráveis. E é desta necessidade implícita ao homem que se pode atrelar a origem e existência de eventos.

Quanto aos eventos de caráter esportivo, estes possivelmente estão associados à própria origem dos esportes. A análise, contextualização e entendimento do fenômeno esportivo têm diversificações devido à dificuldade em afirmar a origem pontual do esporte. Segundo Stigger (2005), duas linhas de pensamento - continuidade e descontinuidade- tentam definir a origem desse fenômeno. A linha da continuidade perpassa pelo esporte ligado à prática de jogos primitivos em diversas culturas dado registros que referem à prática deste por povos da antiguidade, desta forma, o esporte em sua essência sempre existiu em todas as culturas sendo adaptado aos diferentes contextos. Em contrapartida, a linha da descontinuidade trata da origem espaço temporal do esporte, ligado à história das sociedades modernas, onde a sua criação está diretamente relacionada com a industrialização, urbanização e desenvolvimento da ciência.

E é nesse processo de industrialização e desenvolvimento da ciência que encontramos o termo “indústria do esporte”, definido como um mercado onde os produtos oferecidos aos consumidores se relacionam ao esporte, ao fitness, a recreação e ao lazer. Podendo ainda incluir atividades, serviços, bens, pessoas, lugares ou ideias (Pitts & Stotlar, 2002). Nessa lógica mercadológica do esporte, o produto vendido (evento, competição) deve seguir pela mesma linha de qualquer outra relação comercial, onde a oferta de qualidade e excelência do produto deve ser levada em conta. Obviamente, o fator intangível do esporte (emoção, paixão, prazer) torna este produto algo ainda mais complexo de ser oferecido.

Para a realização de um evento esportivo, Poit (2013) apresenta uma sequência lógica com cinco fases fundamentais de execução: ideia – projeto do evento – planejamento e organização – realização – pós evento. Ainda afirma que

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após a concepção da ideia, será necessário um estudo de viabilidade do evento, e dentre as muitas questões que podem servir de guia para verificar essa viabilidade, ele apresenta os recursos humanos na questão “contamos com a necessária mão de obra?”. Na fase do projeto do evento, além de serem definidos os objetivos do evento, será o momento onde ocorrerá uma articulação entre profissionais com diferentes formações e habilidades; na terceira fase, organização e planejamento, encontra-se dentre muitos aspectos, a distribuição dos recursos humanos em comissões, ou seja, é onde ocorre a distribuição dos cargos e tarefas.

Quanto aos aspectos básicos para o sucesso do evento, observa-se dentre vários, os recursos humanos necessários, onde aqui destaca-se o sentido de ter pessoas competentes e tecnicamente preparadas para o exercício da função que realizarão. E no que refere-se aos fatores que afetam negativamente a organização e o desenvolvimento de um evento, aparece dentre tantos itens, o emprego errado de auxiliares, ou seja, em um evento é essencial que o indivíduo esteja realmente fazendo aquilo para o qual ele está preparado (Poit, 2013) ou aquilo que o cargo exige que seja feito.

Portanto, podemos afirmar que para conseguir chegar a um grau de excelência em um evento esportivo, é necessário levar em consideração algumas questões que permeiam o universo dos eventos desta natureza, dentre elas, os recursos humanos que fazem parte de uma organização promotora de um evento. Segundo Dessler (2013), uma organização consiste em pessoas com funções formalmente designadas que trabalham juntas para atingir os objetivos da organização. Os conhecimentos, habilidades e experiências dessas pessoas são consideradas o ativo mais valioso de uma organização pois essas pessoas contribuem, de forma individual ou coletiva para a concretização dos objetivos da entidade (Armstrong, 2006).

Desta forma, podemos considerar que o evento esportivo é uma atividade que necessita de profissionais capacitados em todos os setores, desde o gerenciamento até a execução das tarefas. Para uma melhor compreensão de quais os cargos e profissionais que são essenciais para o bom desempenho de um evento esportivo, é necessário a realização de uma análise dos cargos que estão presentes neste tipo de evento.

A análise de cargos é uma forma sistemática de coletar, reunir e analisar informações detalhadas sobre o conteúdo, contexto e requisitos humanos

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necessários, e tem por objetivo principal o entendimento do que é feito em uma determinada tarefa e quais os recursos necessários para a sua perfeita execução (Mathis & Jackson, 2007). E ela torna-se importante à medida que fornece informações pertinentes para um planejamento eficaz do setor de RH (Taylor, Doherty, & McGraw, 2008), como por exemplo as questões de recrutamento, seleção, avaliação de desempenho, plano de salários, ações disciplinares, liderança, motivação, formação, treinamento e minimização de riscos.

Para obter as informações necessárias e pertinentes de um determinado cargo, faz-se necessário, segundo Snell e Bohlander (2011), seguir um processo de análise de cargos que se inicia pela identificação das fontes de dados, seguido do método de recolha de dados; posteriormente os dados do cargo, que darão origem a descrição e especificação dos cargos e estes por sua vez apontarão para as demais tarefas dos recursos humanos. Este processo tende a ser geral e abstrato e é possível ser aplicado em todas as organizações que queiram fazer a análise e descrição dos cargos, incluindo aqui as organizações esportivas bem como associado a elas, os eventos esportivos.

Tendo em vista que os eventos se tornaram uma importante atividade econômica, esportiva e social, Poit (2013) afirma que este necessita ter uma atenção especial no que se refere a pensarmos nos eventos esportivos como um negócio que necessita de tratamento profissional. Assim sendo, será tratado neste estudo, um processo de análise e a descrição de cargos presentes nos eventos esportivos, dada a percebida importância dos recursos humanos para o sucesso de qualquer organização.

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ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

Este estudo está organizado em seis blocos, nomeadamente: Introdução, Colocação do Problema, Revisão de Literatura, Metodologia, Apresentação e Discussão dos Resultados e Conclusão. Precedendo a introdução, encontram-se a dedicatória, agradecimentos, epígrafe, resumo e palavras-chave, abstract e índices (geral, figuras, tabelas). E após a conclusão, segue as referências e os anexos.

Na introdução é tratado de forma geral o tema dos eventos, apontando para os eventos de natureza esportiva, os recursos humanos envolvidos e análise de cargos. Posteriormente, no capítulo da colocação do problema aborda-se a questão problema que será a base para todos os assuntos tratados neste estudo. Ainda, define-se os objetivos geral e específicos a serem alcançados nesta pesquisa bem como a justificativa para a sua realização. Na revisão de literatura é realizado o enquadramento teórico, onde são contemplados os temas referentes a eventos, partindo para a especificação dos eventos esportivos (conceitos, contextualizações, tipologia, impacto e agentes envolvidos); seguido da temática gestão de eventos onde se apresenta os modelos de gestão bem como os apontamentos para o planejamento e a organização de eventos; e da gestão de pessoas que engloba a sua contextualização e importância e as questões referentes a análise de cargos.

No capítulo denominado Metodologia, são apresentadas todos os aspectos metodológicos relacionados com a pesquisa, ou seja, é realizada a caracterização do estudo, referida a população e amostra, os procedimentos para aplicação da pesquisa, apresentada as questões éticas, o instrumento de pesquisa e a coleta de dados bem com a forma como os dados foram tratados e analisados.

Seguidamente, o capítulo de apresentação e discussão dos resultados, onde são detalhadas as informações obtidas por meio desta pesquisa e a discussão desses resultados face a outros estudos ou aplicabilidade nos eventos esportivos. Por fim, são tratadas as conclusões deste estudo onde são apresentados os dados mais importantes que foram obtidos, bem como as limitações e aplicabilidade deste estudo em outros eventos de natureza esportiva. Ainda é apresentado algumas sugestões de pesquisas futuras que possam cobrir as lacunas encontradas nesta pesquisa.

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CAPÍTULO 1 - COLOCAÇÃO DO PROBLEMA

A necessidade dos recursos humanos para a realização de um evento de natureza esportiva nos faz refletir sobre como os indivíduos são colocados frente aos diversos cargos existentes, ou seja, quem são eles e de que forma são encontrados, recrutados, selecionados, treinados e avaliados. Entretanto, para que todos estes procedimentos e tantos outros possam ser executados com precisão e qualidade, faz-se necessário um entendimento dos cargos que estão prefaz-sentes nesfaz-ses eventos e que serão ocupados por essas pessoas.

Segundo Dessler (2013), é o processo de análise de cargos que fornecerá as informações necessárias para o gerenciamento do setor de recursos humanos. Ou seja, tudo que se refere aos indivíduos que estarão frente aos cargos perpassa primeiramente pela exigência do próprio cargo.

Neste sentido, este estudo busca analisar e descrever os cargos organizacionais/administrativos que estão presentes em eventos esportivos, propondo um processo de análise de cargos que facilite a execução desta tarefa ao ser reaplicada em eventos esportivos sejam eles semelhantes ou distintos. Em síntese, que processo pode ser utilizado para definir os cargos em eventos esportivos.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo Geral

• Desenvolver um processo para estabelecer o perfil profissional dos cargos nos eventos esportivos.

1.1.2 Objetivos Específicos

• Identificar os cargos organizacionais/administrativos de eventos esportivos; • Aplicar um processo de análise de cargos que remeta para a descrição e especificação do cargo.

• Criar um modelo do perfil profissional dos cargos organizacionais / administrativos dos eventos esportivos.

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1.2 JUSTIFICATIVA

O estudo dos eventos esportivos pode ser considerado multidisciplinar pois envolve vários setores da sociedade. São encontrados estudos em diferentes áreas com diferentes abordagens e perspectivas, seja na área da educação física e gestão do esporte, como também nas áreas da administração, marketing, política, saúde, economia, sociologia, entre outras. Os eventos esportivos podem acarretar, em curto e/ou longo prazo, tanto efeitos positivos (planejados) quanto negativos para a localidade onde este é realizado, e por vezes esses resultados estão associados ao planejamento estratégico da organização (Taks, Chalip, & Green, 2015). Neste sentido, a gestão de recursos humanos como parte do planejamento estratégico do evento pode ser uma das garantias de se obter estes resultados positivos (Dessler, 2013).

Existem na literatura alguns guias que podem ser utilizados para a gestão e organização de eventos, como por exemplo, o “PMBOK” que é descrito como um conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos (metodologias, políticas, procedimentos, regras, ferramentas, técnicas e fases do ciclo de vida do projeto) e que inclui os eventos como sendo um projeto a ser executado (PMI, 2017). Neste guia está incluso informações sobre o gerenciamento de recursos humanos, entretanto não há informações sobre os cargos a serem ocupados pelas pessoas em diferentes tipos de eventos ou projetos. Outro guia encontrado é o “EMBOK”, descrito como um conhecimento global sobre gerenciamento de eventos, e aponta para as fases, processos, valores essenciais e domínios do gerenciamento de evento. Dos domínios destacados pelo EMBOK, encontram-se o domínio administrativo, onde são abordadas as questões referentes aos recursos humanos, incluindo a descrição de cargos como um ponto do planejamento (Silvers, 2016). Ainda, a “SportAccord” que é uma organização onde estão reunidas as federações internacionais dos esportes, as associações internacionais de jogos esportivos e organizadores de jogos, os quais criaram um guia de organização de eventos esportivos onde, além de todas as questões que devem ser consideradas no planejamento e execução de um evento, ainda descreve brevemente alguns dos cargos encontrados nos grandes eventos esportivos (SportAccord, 2017).

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Apesar de todos estes guias apontarem para a necessidade dos recursos humanos nos eventos esportivos, nenhum deles aponta diretamente para a análise e descrição de cargos esportivos de forma detalhada, principalmente no que se refere a eventos esportivos de pequeno e médio porte.

Ainda se encontra registros oficiais, tanto a nível nacional quanto internacional, das ocupações/profissões existentes nos países. Denominadamente, a ISCO-08 que é a classificação internacional das ocupações, a ESCO que se refere as ocupações a nível europeu e a CBO que abrange as ocupações no Brasil. Entretanto, pouco se discute nestes documentos os cargos presentes em eventos, principalmente em se tratando de eventos esportivos.

Considerando as informações acima mencionadas, percebe-se a necessidade de compreender os cargos que estão envolvidos nos eventos esportivos, a fim de que as informações detalhadas destes cargos possam auxiliar os organizadores desses eventos nos diferentes processos que envolvem a gestão de recursos humanos antes durante e após a realização do evento. Para tal, buscar-se-á desenvolver um processo de análise de cargos que possa ser aplicado em quaisquer eventos esportivos de natureza semelhante ao deste estudo.

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CAPÍTULO 2 - REVISÃO DA LITERATURA

Para dar aporte teórico à problemática investigada serão abordados nesta revisão os tópicos: Da Generalidade a Particularidade dos Eventos; Gestão de Eventos; Gestão de Pessoas. Através desses tópicos será possível entender o estado da arte desta temática, onde se destacam conceitos, procedimentos, resultados, discussões e conclusões oriundas de outros pesquisadores em pesquisas prévias.

2.1 DA GENERALIDADE A PARTICULARIDADE DOS EVENTOS

Para uma melhor compreensão dos recursos humanos nos eventos esportivos e mais especificamente, a análise e descrição de cargos presentes nesses eventos, faz-se necessário compreender o universo teórico que engloba a temática dos eventos. Para isso, serão abordados a contextualização dos eventos de forma geral e especificamente o contexto dos eventos esportivos bem como as questões de conceitos, tipologias, impactos e agentes envolvidos.

2.1.1 Contextualização Histórica

Sabe-se que os eventos fazem parte da sociedade desde os primórdios da civilização e desde então vem marcando a vida das pessoas, seja na forma de eventos naturais ou organizados, nas esferas pública ou privada, relacionados com o lazer ou com o trabalho, com a vida pessoal ou coletiva (Vieira, 2015). São observados, todos os dias, a ocorrência de eventos com os mais variados objetivos e finalidades, formais ou informais, sejam eles de natureza empresarial, religiosa, esportiva, cultural, social, política, entre outros. Para Poit (2013), o simples fato de, há milhões de anos atrás, um grupo de homens primitivos se reunirem para comemorar uma caçada pode ser considerado um evento e possivelmente um dos mais antigos eventos da história humana. Sendo assim, os eventos perpassaram por toda a evolução humana e foram adquirindo características econômicas, sociais e políticas das sociedades de cada época (Matias, 2013).

Um dos maiores eventos esportivos da atualidade, os Jogos Olímpicos, tem sua origem atribuída aos tempos antigos, relativamente a Grécia Antiga em 776 a.c. Neste período os Jogos eram disputados pelas pessoas como celebração religiosa em homenagem a deuses gregos, e em cada edição destes Jogos, chamados de

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Jogos Pan-Helênicos, um deus era homenageado (Miah & García, 2012). Com o passar dos anos, os Jogos foram perdendo a sua essência e, quando em 393 d.C., o imperador romano proibiu todos os ritos pagãos, os Jogos não puderam mais ser realizados. Séculos mais tarde, em 1894, Pierre de Coubertin, juntamente com outros entusiastas do esporte e alguns representantes de países fundaram o então Comitê Olímpico Internacional, com a finalidade, dois anos mais tarde em 1896, de realizarem os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna (Girginov & Parry, 2005). Esta primeira edição ocorreu na cidade de Atenas com duzentos atletas representando 14 países em nove modalidades disputadas. Com o passar dos tempos, o número de participantes dos Jogos Olímpicos aumentou consideravelmente e este evento tornou-se um evento milionário (Matias, 2013), entrando para a categoria de megaevento esportivo (Vieira, 2015), atingindo na edição de 2016, a marca de 11303 atletas representando 206 países em 39 modalidades esportivas.

Outros eventos ligados aos tempos antigos são citados por Matias (2013): Em 500 a.c. aparecem os registros das primeiras festas saturnálias que deram origem ao que hoje intitula-se de carnaval; em 377 a.c. surgem os primeiros eventos denominados de congressos; É no período da idade média que os eventos de característica religiosa e comercial ganham força sendo realizados inúmeros concílios, peças teatrais e feiras comerciais; Na revolução industrial que gerou grandes mudanças na sociedade, seja a nível econômico, de comunicação ou de transporte, os eventos também foram influenciados e modificados, e é neste período que surgem os eventos científicos e técnicos.

Voltando aos eventos de natureza esportiva, outro megaevento com grande repercussão no mundo é a Copa do Mundo de Futebol. A sua primeira edição ocorreu em 1930 no Uruguai com a participação de 13 países. Este número aumentou nas edições seguintes e atualmente são aceitas 32 nações para a disputa, sendo que há previsão de aumentar para 48 países na edição de 2026. Na edição de 2018, na Rússia, que foi transmitida ao vivo para todos os territórios do mundo, a Fifa afirma que mais da metade da população mundial (3.572 bilhões de pessoas) com mais de quatro anos de idade assistiram parte da cobertura oficial deste evento.

Para além dos eventos acima citados pode-se dizer que, os eventos de forma geral são utilizados como ferramentas para os mais variados setores da sociedade. Os governantes das nações fazem uso dos eventos (apoiando ou promovendo) para

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as mais diversas finalidades, como por exemplo a criação de marketing de destino ou como parte de seus planos estratégicos de desenvolvimento; empresas utilizam dos eventos como elementos-chave nas suas estratégias de promoção e marketing; grupos e entidades sociais, movidos pelos seus interesses e paixões criam eventos sobre inúmeras temáticas e objetivos (Bowdin, Allen, O’Toole, Harris, & McDonnell, 2006). Em suma, pode-se dizer que os eventos ocupam uma grande parcela da vida das pessoas e da sociedade.

As pessoas assistem ou participam de eventos esperando obter algum tipo de retorno (Poit, 2013), e, segundo Vieira (2015) todos os eventos, de fato, produzem algum efeito nos participantes, principalmente durante a sua realização. Tendo isto em conta, faz-se necessário que os eventos sejam planejados e executados de forma estruturada a fim de se alcançar bons resultados que infiram positivamente na qualidade do evento, e assim, em edições futuras deste evento, a chance das pessoas retornarem ou outras virem a participar podem ser aumentadas.

2.1.2 Conceitos

Ao se analisar a etimologia da palavra evento, esta originou-se do latim eventus que significa um acontecimento. É definida no dicionário da língua portuguesa1 como um acontecimento, ocorrência ou fenômeno, seja cultural, social, artístico ou natural, que pode ser observado cientificamente, podendo ainda ser um fato inesperado ou um fenômeno probabilístico. E no dicionário da língua inglesa2 é definido como algo que acontece, especialmente algo que seja importante, ou ainda uma ocasião pública ou social planejada.

Para compreender o termo de forma mais ampla e aprofundada, serão apresentados a seguir, diversos conceitos de evento de acordo com diferentes pesquisadores da área.

Para Poit (2013), um evento é um acontecimento planejado com antecedência e que apresenta objetivos bem definidos, sendo que um destes objetivos é a interação

1 Dicionário Aulete Digital. Lexicon Editora Digital. Por Caldas Aulete. Disponível em: http://www.aulete.com.br/evento - acesso em 10 de fevereiro de 2020.

2 Dicionário Oxford Learner's. Oxford University Press. Disponível em:

https://www.oxfordlearnersdictionaries.com/definition/english/event?q=event – acesso em 10 de fevereiro de 2020.

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entre todos os envolvidos, seja os participantes, o público em geral, as personalidades ou as entidades. Ainda, pode ser um conjunto de ações profissionais com prévio planejamento e que apresenta uma sequência lógica de execução. Na mesma linha de pensamento, Matias (2013) descreve como um conjunto de atividades ou ação profissional que tem por objetivo atingir o público-alvo através de medidas concretas e resultados planejados. Envolve pesquisa, planejamento, coordenação, controle e implementação de um projeto.

Segundo Vieira (2015), os eventos podem ser tanto acontecimentos complexos e de difícil organização, como é o caso dos Jogos Olímpicos, quanto acontecimentos simples e de fácil organização como por exemplo uma reunião de uma empresa, e ainda, para que a realização destes eventos tenha sucesso é necessário o empenho dos gestores envolvidos. O autor descreve os eventos como:

Acontecimentos efémeros promovidos por qualquer tipo de empresa, organismos ou instituições, organizados para comemorar uma data, para divertimento dos participantes ou por qualquer outra razão relacionada com a sua vida, a vida das empresas, a vida das cidades ou a vida de uma comunidade local, regional ou nacional. (Vieira, 2015, p.18).

Os eventos são destacados por vezes, como opostos ao trabalho cotidiano, sendo assim considerados acontecimentos especiais, e consequentemente são denominados como eventos especiais. Para Bowdin et al. (2006), a terminologia eventos especiais foi criada para descrever apresentações, rituais ou celebrações específicas que são criadas e planejadas de forma consciente com a finalidade de atingir metas e objetivos sociais, culturais ou corporativos, ou ainda para marcar ocasiões especiais. São alguns exemplos de eventos especiais os jogos esportivos, as celebrações, os eventos cívicos, os lançamentos de produtos ou promoções comerciais. Corroborando com esta definição, Shone e Parry (2010) definem eventos especiais como situações decorrentes de ocasiões não rotineiras e que possuem objetivos de lazer, culturais, pessoais e organizacionais com o intuito de informação, celebração, divertimento e experiências para os participantes.

2.1.3 Classificação e Tipologia dos Eventos

A compreensão do tipo de evento e de suas características torna-se importante a medida que fornece informações úteis e pertinentes que podem ser utilizadas ao longo do processo de organização e planejamento do evento, uma vez que, quando se sabe as características de determinado tipo de evento se pode utilizar de

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ferramentas mais adequadas para a execução das tarefas a serem realizadas (Vieira, 2015).

Entretanto, embora existam diferentes classificações e tipos de eventos, percebe-se que todos apresentam características em comum, podendo ser destacadas, conforme Vieira (2015):

• São acontecimentos passageiros, transitórios e com duração limitada. Ou seja, tem começo meio e fim pré determinados;

• São acontecimentos complexos. Complexidade esta que pode ser resultado da natureza ou da dimensão do evento;

• São acontecimentos importantes dado aos efeitos que causam nos participantes ou na localidade onde ocorre;

• São acontecimentos intangíveis, não podendo ser experimentados com antecedência;

• São acontecimentos únicos, ou seja, não podem ser reproduzidos na sua totalidade.

O processo de classificação dos eventos ocorre de acordo com diferentes perspectivas a depender da forma de analisar o evento. Para Matias (2013), os eventos podem ser classificados quanto ao público que atingem, podendo ser eventos fechados que ocorrem com algumas limitações e com um público alvo definido que é convidado a participar ou abertos que são aqueles onde qualquer pessoa pode participar, mediante inscrição gratuita ou não; quanto as áreas de interesse, podendo ser artístico, científico, cultural, cívico, esportivo, folclórico, lazer, promocional, religioso e turístico; quanto ao número de participantes, sendo considerados eventos pequenos aqueles que atingem no máximo a marca de 150 participantes, eventos médios aqueles que tem entre 150 e 500 participantes, eventos grandes aqueles que tem acima de 500 participantes e os megaeventos que são aqueles que tem mais de 5 mil participantes.

Essas e outras diferentes classificações podem ser observadas em Vieira (2015). Para o autor, os eventos podem ser classificados quanto a natureza, conteúdo e objetivos: empresariais, associativos, comerciais, religiosos, de animação e lazer, cívicos, culturais, comemorativos e sociais, estando os eventos esportivos dentro da categoria de animação e lazer; quanto a motivação dos participantes: aqui torna-se

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relevante o fato de que os eventos são realizados para as pessoas e que elas optam por participar esperando obter algum retorno (satisfação cultural, espiritual, emocional, profissional) sendo assim, podem ser classificados como lazer e ocupação de tempos livres, econômica, cultural, política, religiosa, social; quanto a duração do evento: curta duração, que compreende um período de quatro horas até uma semana; média duração, que ocorre entre o período de uma semana até três meses; e longa duração que são aqueles que tem duração mínima de três meses até um ano; quanto a dimensão: eventos locais que dizem respeito somente a localidade onde ele ocorre e os efeitos do evento são sentidos apenas nesta própria localidade; eventos-marca que são aqueles que ocorrem com periodicidade e sempre no mesmo local, entretanto tem alcance mundial, como é o caso por exemplo do carnaval no Rio de Janeiro ou da Oktoberfest em Munique; megaeventos que tem dimensão mundial, anos de preparação e efeitos para além do término do evento; quanto a periodicidade e frequência de realização: únicos que são realizados apenas uma vez; esporádicos que se realizam mais vezes, porém sem periodicidade; e periódicos que são aqueles que se realizam com intervalos de tempo definidos.

Para Poit (2013), os eventos podem ser classificados com base em três critérios. Quanto a categoria, podendo ser institucional ou promocional; quanto a área de interesse, sendo esportivo, cultural, social, empresarial, educacional, turístico, entre outros; ou quanto ao tipo, podendo ser congressos, convenções, palestras, feiras, conferências, teleconferências, leilões, entre outros. E para Shone e Parry (2010), os quais apresentam a terminologia de eventos especiais, estes podem ser classificados em eventos de lazer (lazer, esporte e recreação), eventos culturais (arte, folclore, religiosos), eventos organizacionais (comercial, político, beneficentes, vendas), eventos pessoais (casamentos, aniversários). Enquanto que para Getz (2008), os eventos podem ser classificados como cultural, destacando aqui as celebrações, festivais, comemorações e eventos religiosos; política e estado que são os acontecimentos e ocasiões de ordem governamental; artes e entretenimento como as cerimônias e concertos; negócios e comércio destacando aqui os encontros, convenções e feiras; educacional e científico como as conferências e seminários; competições esportivas abrangendo as amadoras e profissionais; recreação que são os jogos e esportes para divertimento; e privados como casamentos, festas e outros eventos sociais.

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Ao adentrar na tipologia dos eventos, Poit (2013) apresenta vários tipos de eventos: assembleia, aula magna, bienal, brainstorming, briefing, brunch, ciclo, coffee break, colóquio, conclave, conferência, congresso, convenção, debate, encontro, exposição, feira, fórum, garden-party, happening, happy hour, jornada, mesa redonda, meeting, mostra, oficina, painel, palestra, pavilhão, plenária, reunião, roda de negócios, salão, semana, seminário, show casing, simpósio, summit, teleconferência ou videoconferência, workshop e dentro da classificação esportiva, encontra-se os campeonatos, torneios, olimpíadas, taça ou copa, festival, gincana e desafios. Além destes, Matias (2013) ainda apresenta concílio, concurso, coquetel, desfile, entrevista coletiva, megaevento, roadshow, visita on open day, e outros eventos como inaugurações, shows, lançamentos, sorteios, leilões, comícios e jantares.

Silvers (2016) apresenta dez grupos de eventos que são compostos por inúmeros tipos de eventos. São eles: os eventos de turismo, de negócios e eventos corporativos; de causas específicas e de captação de recursos; as exposições e feiras; entretenimento e eventos de lazer; festivais; eventos cívicos e governamentais; eventos de marketing; reuniões e conferências; eventos sociais; eventos esportivos. Nesta categoria dos eventos esportivos são exemplificados os campeonatos, maratona, Jogos Olímpicos, torneios, regatas, cerimônias de abertura e encerramento, esporte escolar e jogos de futebol.

Nos eventos esportivos, por vezes, observa-se referências a pequenos e grandes eventos. Neste sentido, é necessário compreender essas duas diferentes terminologias. Geralmente aos grandes eventos está associada a nomenclatura de megaevento, que para Müller (2015) pode ser entendido como um evento que tem elevado custo, de abrangência internacional, com expressivo tamanho e que tem a capacidade de transmitir mensagens promocionais para bilhões de pessoas através dos meios de comunicação. Ainda, é um evento de curta duração que resulta em consequências de longa duração para as cidades anfitriãs, e está associado a criação de infraestrutura e comodidades específicas para o evento, sendo assim, planejado com muita antecedência (Matias, 2013). Em contrapartida, os pequenos eventos são comunitários, atingem um público alvo específico (local ou regional), e ainda podem atrair a mídia local (Lima, Maia, Lobosco, & Moraes, 2016).

Ainda, podem ser observados, de acordo com Sarmento, Pinto, Silva e Pedroso (2011), quatro níveis de eventos esportivos. Os megaeventos que são eventos

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internacionais e com duração de mais de oito dias; os grandes eventos que também são internacionais e tem participação de inúmeros atletas e espectadores; os pequenos eventos, de abrangência nacional ou por vezes internacional, mas que tem duração limitada e pequena participação de atletas e espectadores; e ainda os micro eventos que são aqueles de menor relevância competitiva.

2.1.4 Impacto dos Eventos

Percebe-se que há uma grande variedade de eventos na sociedade e que estes, de acordo com a sua complexidade e com os seus objetivos e finalidades, apresentam relevância em diferentes áreas, seja social, econômica, religiosa, cultural, política, tecnológica ou esportiva.

Os impactos que os eventos proporcionam podem ser tanto positivos quanto negativos. E é aos resultados que está associada a terminologia legado (Taks et al., 2015), que pode ser definida como todas as estruturas, tanto negativas quanto positivas, sejam elas planejadas ou não, tangíveis ou intangíveis, que são criadas, independentemente do tempo de produção e do espaço, para um evento esportivo e que permanecem após o término do mesmo (Preuss, 2007).

Bowdin et al. (2006), apresentam alguns exemplos de impacto positivo ou negativo que os eventos podem propiciar a comunidade: na esfera social e cultural os impactos positivos podem estar relacionados com a experiência de entretenimento compartilhada, com o aumento do sentimento de orgulho da comunidade, com a revitalização de tradições, maior participação da comunidade e novas perspectivas culturais, enquanto que os impactos negativos podem estar associados a alienação da comunidade, mau comportamento ou perda da comodidade; na esfera físico/ambiental são apresentadas de forma positiva as questões de legados de infraestrutura, transporte e comunicação aprimorados, transformação e renovação urbana, aumento da conscientização ambiental, e as questões negativas estão associadas a danos ambientais, poluição, tráfego congestionado e perturbações por ruídos; a nível político, são apresentadas positivamente a coesão social, promoção de investimentos, desenvolvimento de habilidades administrativas, prestígio, e negativamente estão associadas as questões de má alocação dos fundos, falta de responsabilidade, perda da propriedade e controle da comunidade; na esfera do turismo e da economia os autores apresentam como impactos positivos a promoção

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do destino, o aumento das visitas turísticas, receita tributária, oportunidade de negócios, atividade comercial e criação de empregos, enquanto que nos impactos negativo são apresentadas a resistência comunitária para o turismo, a perda de autenticidade, exploração, inflação e perda financeira.

De forma semelhante, no estudo de Lima et al. (2016), é apresentado um quadro com os impactos positivos e negativos afirmados por diferentes pesquisadores da área. Dos impactos econômicos positivos são citadas o crescimento do consumo, a geração de emprego e consequente oferta de trabalho e a melhoria do padrão de vida da população da cidade anfitriã. Como impactos negativos na esfera econômica são apresentadas as questões de aumento dos preços, especulação imobiliária e estimativa inadequada dos custos do evento. Para a categoria do Turismo e do Comércio, os impactos positivos apresentados são em torno do aumento do número de turistas, divulgação da região para possíveis investimentos, construção de novos hotéis, melhoria da infraestrutura e do transporte, criação de novos produtos e serviços, surgimento de novas empresas. De forma negativa, os impactos nessa esfera são relacionados com aumento do tráfego, falta de locais para estacionamento, falta de infraestrutura para atender o fluxo de pessoas, falta de recursos humanos capacitados para atender a necessidade do evento e aumento dos custos de mão de obra. E por fim, os autores apresentam a categoria poder público e demais instâncias da sociedade, apontando como impactos positivos a geração de impostos, de empregos e de empresas, aumento do investimento na região, a possibilidade de novas instituições de ensino, criação de empresas de base tecnológica e criação e melhoria de serviços públicos. De impactos negativos neste setor, são apresentadas as questões referentes aos gastos com infraestrutura, aumento do fluxo de pessoas, aumento do número de ocorrências policiais, falta de mão de obra qualificada e aumento do número de ocorrências médicas.

Estes impactos podem ser observados em todos os tipos de eventos, entretanto a magnitude do impacto será diferente em cada uma das esferas consoante o tamanho e as características de cada evento. Portanto, é necessário, na fase de planejamento, uma compreensão detalhada do evento a ser realizado e da localidade onde este será inserido, a fim de controlar os diferentes tipos e intensidades de impactos que cada categoria de evento pode proporcionar minimizando riscos e criando resultados positivos.

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Quando se trata de magnitude dos eventos esportivos, especificamente pequenos e grandes eventos, pode-se observar algumas diferenças nos impactos que cada um deles acarreta. Matheson (2006) aponta que os eventos de menor escala geralmente tendem a fazer uso das instalações disponíveis na região, não há aglomerações de pessoas, são menos usados como justificativa de gastos púbicos, demandam baixo investimento em segurança, não interferem nos preços de produtos e hospedagem, não causam interferências na vida dos cidadãos da cidade anfitriã e são mais propensos a gerar benefícios líquidos positivos. Enquanto que os eventos grandes geralmente necessitam de infraestrutura apropriada, sendo necessário a construção de espaços para a prática esportiva (que nem sempre serão usados a posteriori) bem como construções/reformas a nível da rede de transportes e hospedagem; o número de pessoas nestes eventos é muito grande, causando perturbações para os cidadãos locais devido ao grande volume de circulação e o aumento dos preços, e ainda carecem de um sistema de segurança apropriado; ainda, são os megaeventos os utilizados pelos governantes para justificar gastos públicos.

2.1.5 Eventos Esportivos

Nos eventos de natureza esportiva a principal temática envolvida refere-se a prática de esportes e a participação dos indivíduos pode ocorrer de forma ativa, onde estes mesmos realizarão a prática esportiva, ou passiva, onde os indivíduos serão espectadores de um evento. Sendo o esporte o produto principal dos eventos desta natureza, algumas características peculiares associadas ao esporte fazem com que os eventos esportivos se distingam, em certa medida, dos demais tipos de eventos.

Ressalta-se aqui, segundo Vieira (2015), algumas características peculiares a este tipo de evento: geram fortes emoções clubísticas e patrióticas tanto nos jogadores quanto nos espectadores; eventos de natureza esportiva são transmitidos por canais televisivos especialistas e por vezes são acompanhados por milhões de pessoas em todo o mundo; e por conseguinte, os direitos televisivos constituem boa parte das receitas da economia do esporte; muitos destes eventos são fortemente patrocinados; e alguns destes eventos necessitam de uma infraestrutura dispendiosa, podendo levar anos para a sua construção.

O esporte tem a capacidade de gerar paixões irracionais e apegos emocionais (Taylor et al., 2008), fazendo por vezes que as pessoas acompanhem por exemplo,

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um clube esportivo mesmo que este não tenha resultados expressivos nas competições que participa ou ainda que pessoas coloquem a dispor das organizações, o seu tempo e mão de obra, de forma gratuita, a fim de fazer e ver o evento acontecer, como é o caso dos voluntários em grandes e pequenos eventos esportivos, ou ainda as paixões que surgem pelos atletas, tornando-os ídolos e exemplos a ser seguido. Ainda, são presenciadas no esporte as características de interação social, apelo estético, entretenimento e fidelidade por parte dos fãs (Smith & Stewart, 2010).

Quanto as organizações que lidam com o esporte, Taylor et al. (2008) apontam para pequenos clubes de administração local e que não tem um quadro de funcionários remunerados; as organizações de médio porte que contam com a presença de funcionários remunerados, entretanto ainda permanecendo os sem remuneração; e as empresas multinacionais que tem uma grande força de trabalho global.

As organizações esportivas podem ser classificadas, de acordo com Hoye, Smith, Nicholson e Stewart (2015) em três diferentes setores. O setor público, que compreende os governos tanto a nível local quanto regional, estadual, nacional e ainda as agências especializadas; o setor sem fins lucrativos que são formados pelos clubes comunitários, associações e organizações esportivas internacionais; o setor das organizações esportivas profissionais ou comerciais, incluindo as ligas e suas equipes, os fabricantes de equipamentos esportivos, as empresas de mídia, os grandes operadores de estádios e os gerentes de eventos. São de responsabilidade das organizações internacionais sem fins lucrativos a regulação e gerenciamento dos códigos esportivos (Hoye et al., 2015).

2.1.6 Agentes Envolvidos

Entender o contexto que o evento ocorre é de suma importância pois pode ser determinante para o sucesso ou insucesso do evento. Muitas são as partes interessadas ou afetadas pela execução do evento, os chamados Stakeholders, e o gestor do evento precisa compreender cada um desses perfis, a fim de realizar o evento de forma a atingir positivamente a todos os envolvidos.

Neste sentido, Bowdin et al. (2006) apresentam alguns Stakeholders presentes nos eventos bem como a interação de cada um deles com o próprio evento. São eles:

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• Participantes e espectadores: Os participantes, espectadores e visitantes do evento participam esperando obter algum retorno ou entretenimento, e cabe ao gestor do evento estar atento as necessidades de cada um deles. Por vezes essas necessidades durante o evento estão relacionadas com questões físicas, de conforto, segurança e proteção. Além disso, o gestor do evento deve estar atento a uma das grandes particularidades dos eventos de natureza esportiva, a emoção, e criar estratégias para alcançar essa característica junto ao público, tornando o evento mágico, significativo e memorável.

• Organização anfitriã: A organização do evento pode ser realizada por organizações de diferentes tipos e com propósitos diferentes: O setor governamental que realiza eventos com ênfase nos objetivos sociais, culturais, turísticos e econômicos, ou ainda como parte de prestação de serviço à sociedade. Geralmente os eventos promovidos por entidades governamentais são gratuitos e de ampla acessibilidade; o setor corporativo que realiza eventos geralmente relacionados com a promoção de bens e serviços, lançamento de produtos, melhoria da imagem da empresa. Por vezes estes eventos são destinados a um público específico, com entrada gratuita ou não; o setor comunitário que estão associados os clubes, associações e comitês, e é aqui que geralmente os recursos humanos em sistema de voluntariado se faz mais presente. E é neste tipo de organização anfitriã que por vezes se encontram os eventos de natureza esportiva.

• Comunidade anfitriã: está relacionada com o local geográfico onde o evento ocorrerá ou com uma comunidade de interesse da qual serão extraídos os participantes e espectadores. Pode incluir residentes, comerciantes, autoridades públicas, transporte, polícia e bombeiros. Aqui, na realização dos eventos deve-se considerar a singularidade da comunidade local e seus interesses e preocupações específicas.

• Meios de comunicação: A existência dos eventos na mídia é quase tão poderosa quanto o próprio evento na realidade, e a maneira como os espectadores vivem o evento está sendo fortemente influenciada pelos meios de comunicação. A mídia pode-se tornar tanto parceira do evento quanto produtora do evento, e cabe ao gestor do evento considerar as necessidades dos diferentes grupos de mídia.

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• Patrocinadores: O patrocínio é visto como uma parte importante do mix de marketing. E os eventos são vistos pelas empresas como propriedades desejáveis, capazes de aumentar o reconhecimento da marca, impulsionar as vendas e construir relacionamentos entre parceiros e clientes, portanto é necessário que os organizadores de eventos compreendam o real objetivo dos patrocinadores a fim de propor a eles os benefícios desejados.

• Equipe de trabalho: Independentemente do tamanho do evento, a equipe é a imagem do próprio evento, portanto é necessário que ela incorpore a visão e a filosofia do evento para que este possa ser realmente eficaz. Essa equipe de trabalho compreende todos os envolvidos em alguma tarefa no evento desde os principais gerentes até os profissionais de limpeza das instalações, e o papel de cada um para o sucesso ou fracasso do evento é relevante.

De forma semelhante, o guia PMBOK também apresenta as principais partes interessadas em projeto (vale ressaltar aqui que o gerenciamento do evento, principalmente os de maior dimensão, podem ser planejados em forma de gerenciamento de projetos (Shone & Parry, 2010)), afirmando que estas podem ser tanto internas quantos externas. Das partes interessadas internas são apontados os patrocinadores, gerentes de recursos, escritório de gerenciamento de projetos, comitê diretivo, gerente do programa, gerente de outros projetos, e membros de equipe. Enquanto externamente são vistos os usuários finais, clientes, fornecedores, acionistas, agências reguladoras e concorrentes. Independentemente de as partes interessadas serem internas ou externas, o fato é que ambas são afetadas ou podem afetar uma decisão, atividade ou resultado de um projeto, podem estar envolvidas de forma ativa ou passiva, e ainda, podem ter impacto positivo ou negativo ou serem impactadas positivamente ou negativamente pelo projeto (PMI, 2017).

A nível organizacional, Chiavenato (2014) apresenta os principais Stakeholders envolvidos, bem como destaca as principais contribuições destes para a organização e quais os retornos que eles esperam receber, conforme pode ser visualizado na figura abaixo:

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Portanto, para que uma organização promotora de eventos possa ter eficácia no seu evento, os gestores devem se preocupar com as necessidades específicas de cada agente envolvido a fim de verificar de que forma podem obter benefícios destes indivíduos bem como atender a necessidade de todos da melhor forma possível.

2.2 GESTÃO DE EVENTOS

A compreensão dos impactos que os eventos acarretam a sociedade bem como de todos os agentes envolvidos nos fazem refletir sobre a importância da sua execução bem sucedida. Para tal, faz-se necessário entender todos os processos que envolvem o evento, desde a sua fase inicial até a sua fase final e posterior avaliação.

Neste sentido, passamos a denominar esse processo como gestão do evento, que para Silvers (2016) é o processo pelo qual um evento é planejado, organizado e produzido, destacando alguns elementos como a definição, aquisição, alocação, direção, controle, análise de tempo, finanças, recursos humanos, produtos, serviços, avaliação e outros recursos que serão utilizados para atingir os objetivos propostos. Em síntese, podemos afirmar que a gestão de eventos engloba todos os

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procedimentos relacionados com o evento, desde o nascimento da ideia até a avaliação dos resultados obtidos com a execução do próprio evento.

E é aqui, no gerenciamento de eventos que surge a figura do gestor do evento, que tem por papel supervisionar e organizar todos estes elementos presentes nos eventos, incluindo a pesquisa, planejamento, organização, implementação, controle, avaliação, atividades e produção (Silvers, 2016).

Como elencado por Shone e Parry (2010) existem muitas relações e semelhanças entre o processo de gerenciamento de um projeto e o processo de gerenciamento de um evento, tornando a aplicação das técnicas de gerenciamento de projetos nos eventos um caminho para garantir o sucesso do evento. Em síntese, o evento pode ter a conotação de projeto e ser realizado como tal, e de igual forma a gestão de eventos, aqui também aparece a figura do gestor, sendo neste caso o gestor de projeto.

Um projeto pode ser descrito como um esforço realizado para criar um produto, um serviço ou um resultado único e são realizados para cumprir objetivos através da produção de entregas que podem ser tangíveis ou intangíveis. Ainda, os projetos são empreendimentos temporários, ou seja, tem início e fim determinados, podendo seus resultados existirem após o término do projeto; os projetos tendem a impulsionar mudanças nas organizações e permitem a criação de valor de negócio, que são os benefícios acarretados para as partes interessadas, seja eles tangíveis como, por exemplo, uma instalação ou intangíveis como um reconhecimento de marca (PMI, 2017).

O gestor de projeto tem a função de liderar uma equipe de projeto no alcance dos objetivos propostos e o seu papel pode variar de acordo com o tipo de organização (PMI, 2017). Além disso, outras tarefas e papéis são atribuídas ao gestor de projeto, tais como: comunicação entre os membros da equipe, patrocinadores ou outros agentes envolvidos; definição de tarefas e prazos; desenvolvimento de conceito do evento; realização do gerenciamento de riscos; uso de controles, indicadores e relatórios financeiros; desenvolvimento de planos de compras e gerenciamento de contratos; produção de relatórios de progresso incluindo avaliação e encerramento do projeto; e ter conhecimento do evento como um todo (Bowdin et al., 2006).

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Para Mintzberg (2009), o gestor é o responsável por uma organização ou por uma de suas unidades, sendo que para ele não existe uma melhor maneira de gerir pois tudo dependente do contexto. Sendo assim, ele desenvolveu um modelo de gestão, representado na figura 2, que é independente das características da organização ou do cargo ocupado por ele. Neste modelo, que reconhece que a função gerencial é multifacetada e com níveis de trabalho, o gestor é colocado no centro da organização onde interage com os demais agentes envolvidos na organização ou fora dela, sejam os funcionários, setores, parceiros ou clientes. Ainda, a função do gestor ocorre em três planos distintos: das informações (comunicação e controle), das pessoas (liderança interna e conexões externas) e da ação (execução e negociação). Entretanto, o gestor deve atuar nos três planos de forma simultânea a fim de alcançar um equilíbrio essencial na organização.

Figura 2. Modelo de Gestão (Mintzberg, 2009, p.48) 2.2.1 Modelos de Gestão

Para auxiliar no processo de gestão de eventos, alguns pesquisadores e entidades desenvolveram modelos de gestão, modelos estes que podem ser utilizados na gestão de eventos, seja eles esportivos ou não. A seguir estão descritos e caracterizados alguns destes modelos.

Primeiramente no âmbito da gestão de projetos nos deparamos com o Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos – PMBOK – proposto pelo Instituto de

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Gerenciamento de Projetos (PMI) desde o ano de 1996 e atualmente se encontra na sexta edição lançada em 2017. O conhecimento e as práticas descritas no guia são aplicáveis a maioria dos projetos e existe um acordo geral de que a aplicação do conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas podem proporcionar maiores possibilidades de se obter sucesso com os resultados esperados de um determinado projeto (PMI, 2017).

O PMBOK é composto por um conjunto de componentes que se inter-relacionam durante o gerenciamento do projeto. Estes componentes estão divididos entre áreas de conhecimento e grupos de processos de gerenciamentos. As relações entres esses componentes podem ser visualizadas na figura 3.

Figura 3. Relação Entre as Áreas de Conhecimento e os Processos de Gerenciamento (PMI 2017, p.25)

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As áreas de conhecimento correspondem ao gerenciamento de: integração do projeto que inclui os processos e atividades necessárias para identificar, combinar, unificar e coordenar os vários processos e atividades do gerenciamento; escopo do projeto que assegura que o projeto contemple tudo aquilo que for necessário para o sucesso do projeto; cronograma que lida com a duração das atividades propostas; custos que contempla toda a área financeira do projeto; qualidade que trata das políticas de qualidade para atender as expectativas das partes interessadas; recursos humanos que inclui todos os processos que envolvem as pessoas necessárias para a execução bem sucedida do projeto; comunicação que assegura que todas as informações referente ao projeto sejam geridas de forma apropriada; riscos que lida com todos os elementos do gerenciamento de riscos; aquisições que trata das questões de compras de produtos ou serviços associadas ao projeto; partes interessadas que inclui as estratégias de identificação e gerenciamento dos agentes envolvidos no projeto.

O PMBOK aponta para inúmeros processos de gerenciamento que são utilizados para atingir os objetivos específicos de um determinado projeto, e os agrupa em cinco grandes grupos, são eles:

• Grupo de Processos de Iniciação: são os processos que envolvem a definição de um novo projeto ou de uma nova fase de um projeto já em andamento. • Grupo de Processos de Planejamento: são os processos necessários para

estabelecer o projeto e seus objetivos, bem como a definição dos passos necessários para atingir os objetivos propostos.

• Grupo de Processos de Execução: refere-se à execução dos planos do projeto e a coordenação dos recursos necessários para a sua realização.

• Grupo de Monitoramento e Controle: são os processos de monitoramento das atividades, a fim de se realizar o que foi proposto ou alterar algum planejamento em virtude de alguma necessidade existente.

• Grupo de Processos de Encerramento: aqui estão tratadas as questões de finalização do projeto.

No âmbito dos eventos, Silvers (2016) apresenta o modelo de gerenciamento específico para os eventos de forma geral, entretanto este pode ser aplicado aos eventos esportivos: O Guia de Conhecimento em Gerenciamento de Eventos – EMBOK.

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O EMBOK é composto por uma variedade de elementos que contribuem para o gerenciamento de um evento. Estes elementos estão distribuídos em quatro facetas: Fases, Processos, Valores e Domínios de Conhecimento.

• Fases: aqui estão incluídas a iniciação, planejamento, implementação, evento e encerramento, ou seja, ilustra a natureza sequencial da gestão de um evento. • Processos: baseia-se nos processos de trabalho e aqui estão incluídos a

avaliação, seleção, acompanhamento, comunicação e documentação.

• Valores: todos os valores aqui apresentados são igualmente fundamentais para a gestão do evento, e devem estar presentes na tomada de decisão de todos os elementos, fases e processos do evento, na tentativa de garantir que tais decisões promovam os resultados positivos. Os valores essenciais são: criatividade, pensamento estratégico, melhoria contínua, ética e integração. • Domínios de Conhecimento: representam as categorias adequadas para a

estrutura organizacional bem como as tarefas dentro do processo de gestão ou ainda o escopo das responsabilidades atribuídas aos organizadores do evento. São cinco os domínios observados: administração, design, marketing, operações e riscos. E ainda, nestes domínios são encontrados algumas classes e elementos.

Imagem

Figura 1. Principais Stakeholders da Organização (Chiavenato, 2014, p.9)
Figura 2. Modelo de Gestão (Mintzberg, 2009, p.48)
Figura 7. Relação da Análise de Cargos com as  Demais Tarefas da Gestão de Pessoas (Cascio, 1998, p.135)
Figura 8. Processo de Análise de Cargos (Snell e Bohlander, 2011, p.148)
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