• Nenhum resultado encontrado

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil"

Copied!
95
0
0

Texto

(1)

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Rua Dr. Roberto Frias, s/n 4200-465 Porto PORTUGAL

VoIP/SIP: [email protected] ISN: 3599*654

MESTRADO EM ENGENHARIA

DE SEGURANÇA E HIGIENE

OCUPACIONAIS

Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

APLICAÇÃO DA METODOLOGIA INTEGRADA

DE AVALIAÇÃO DE RISCOS NO SETOR DA

CONSTRUÇÃO CIVIL

Andreia Sousa da Silva

Orientador: Professor Doutor João Manuel Abreu dos Santos Batista - FEUP Coorientador: Professora Doutora Joana Cristina Cardoso Guedes - FEUP Arguente: Professora Doutora Fernanda Ribeiro - UA

Presidente do Júri: Professor Doutor Carlos Ribeiro - FEUP

(2)
(3)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, pelo amor e incentivo constante. Às minhas sobrinhas pela dádiva de alegria e energia. Ao Diogo pela compreensão da minha ausência.

Ao professor João Batista pela disponibilidade e pela colaboração na elaboração desta dissertação. À professora Joana Guedes, pela dedicação dispensada, pela energia, pela busca incessante de conhecimento, por ter acreditado quando eu desacreditei.

Aos amigos gerados no MESHO, muito em especial, à Flávia, ao Frederico e à Ana pela partilha de conhecimento e pela boa disposição, sem vocês não teria sido igual.

Aos Técnicos de Segurança e Coordenadores de Segurança que colaboraram na aplicação do método e sem os quais esta dissertação não teria sido possível.

(4)
(5)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

RESUMO

A prevenção dos riscos deve assentar numa correta e permanente avaliação de riscos.

O setor da construção, sobre o qual este trabalho foi desenvolvido, continua a registar o maior número de acidentes mortais, destacando-se fortemente a necessidade de avaliar corretamente os riscos e atuar na sua eliminação ou minimização. Com este trabalho pretendeu-se adaptar o modelo base da Metodologia Integrada de Avaliação de Riscos (MIAR) ao setor em análise com vista à redução da subjetividade do avaliador.

Esta dissertação foi elaborada em seis etapas, tendo como guia de orientação o método de Delphi: i) adaptação da MIAR; ii) elaboração da matriz de avaliação de riscos com a identificação das subatividades e respetivos riscos, iii) seleção do painel de especialistas em segurança, iv) aplicação do método pelo painel, v) análise de resultados e vi) revisão da metodologia.

Na análise dos resultados recorreu-se à aplicação de testes de hipóteses e correlação. Os resultados interavaliadores, segundo a MIAR demonstram que em 66% da amostra a correlação é muito forte e 26% tem uma correlação forte.

Foram comparadas as avaliações de risco da MIAR com a avaliação de riscos efetuada em contexto real de trabalho, segundo o método William T. Fine, verificando-se que 5,9% da amostra tem uma relação muito forte e 47,1% uma correlação forte (segundo a correlação de pearson com p-value < 0,005). Verifica-se que com a aplicação da MIAR os valores de risco recaem sobre níveis de Médio e Alto, enquanto que com WTF recaem sobre os níveis inferiores, Baixo e Médio.

Conclui-se que a MIAR reduz a subjetividade do avaliador e quando comparada com o método William T. Fine adota critérios de valoração mais conservadores.

(6)
(7)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

ABSTRACT

Risk prevention should be based on the correct and ongoing assessment of risks.

The construction sector, on which this work was developed, continues to record the highest number of fatal accidents, highlighting the crucial need to correctly assess the risks and act towards their elimination or mitigation. This work aims to adapt the standard model of the Integrated Methodology for Risk Assessment (MIAR) to the sector in question with a view to reducing the subjectivity of the evaluator.

This dissertation was prepared in six stages, following the guidelines of the Delphi method: i) adaptation of the MIAR; ii) production of the risk assessment matrix, identifying the sub-activities and their risks; iii) selection of the panel of specialists on safety; iv) application of the method by the panel; v) analysis of the results; and vi) review of the methodology.

The analysis of the results was based on the application of hypothesis and correlation tests. Pursuant to the MIAR, the intra and inter-rater results demonstrate that in 66% of the sample the correlation is very strong and 26% show a strong correlation.

The risk assessments of the MIAR were compared with the risk assessment made in real work contexts, according to the William T. Fine (WTF) method. Here, it was found that 5,9% of the sample have a very strong relationship and 47,1% have a strong correlation (based on Pearson’s correlation coefficient with p-value < 0.005). It was observed that, by applying the MIAR, the risk values fall within the Medium and High levels, while the WTF method obtains lower values, Low and Medium.

It is concluded that the MIAR reduces the subjectivity of the evaluator, and when compared to the William T. Fine method endorses more conservative valuation criteria.

(8)
(9)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

INDICE

1 INTRODUÇÃO ... 3

1.1 Descrição geral da atividade de escavação subterrânea ... 4

1.2 Principais Riscos... 5

2 ESTADO DA ARTE ... 7

2.1 Panorama da avaliação de riscos ... 7

2.2 Enquadramento Legal e Normativo ... 9

2.3 Conhecimento Científico ... 10

2.4 Metodologias de avaliação de riscos ... 11

2.4.1 Análise de Modo de Falhas e Efeitos (FMEA) ... 14

2.4.2 Online Interactive Risk Assessment (OIRA) ... 14

2.4.3 Optimal Risk Assessment (ORA) ... 14

2.4.4 Quantitative Risk-Assessment (QRA) ... 14

2.4.5 Matriz simples - Binário ... 15

2.4.6 Método William T. Fine ... 15

2.4.7 Método Integrado de Avaliação de Riscos (MIAR) ... 15

2.5 Objetivo da Dissertação ... 19

3 MÉTODO E MATERIAIS ... 21

3.1 Método ... 21

3.1.1 Revisão bibliográfica ... 22

3.1.2 Descrição da atividade em estudo – caso prático ... 22

3.1.3 Adaptação da MIAR ... 26

3.1.4 Matriz de avaliação de riscos ... 30

3.1.5 Aplicação da metodologia ... 31

3.1.6 Análise de resultados ... 31

3.1.7 Revisão da metodologia ... 31

3.2 Materiais ... 33

4 ANÁLISE DE RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 37

4.1 Análise dos resultados iniciais ... 37

(10)

4.4 Análise dos dados inicias vs dados da revisão da MIAR ... 45

4.5 Análise comparativa entre a MIAR e o método William T. Fine ... 46

5 CONCLUSÕES E PERSPETIVAS FUTURAS ... 49

5.1 Perspetivas Futuras ... 49

(11)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 – Esquema da sequência de escavação com recurso a explosivos ... 4

Figura 2 – Análise, avaliação e gestão do risco ... 8

Figura 3 – Fluxograma do método de desenvolvimento do estudo ... 21

Figura 4 – Laser instalado no hasteal do túnel, para alinhamento do braço do Jumbo ... 22

Figura 5 – Apoio topográfico para a marcação da pega ... 22

Figura 6 – Fase de perfuração, com alguns dos furos já executados e outros em execução ... 23

Figura 7 – Fase de ligação dos ligadores e programação dos detonadores eletrónicos ... 23

Figura 8 – Ventilação da frente de trabalho após a detonação ... 24

Figura 9 – Carregamento do material escavado ... 25

Figura 10 – Saneamento da abóbada do túnel ... 25

Figura 11 – Projeção de betão com fibras metálicas ... 26

Figura 12 – Varões swellex, armazenados no solo ... 26

Figura 13 – Representação gráfica da dispersão dos resultados da valoração dos riscos ... 40

Figura 14 – Representação gráfica dos resultados por níveis de risco ... 40

Figura 15 – Representação gráfica da dispersão da valoração do risco sem o parâmetro “custo” 41 Figura 16 – Representação gráfica dos resultados, sem o parâmetro “custo”, por níveis de risco41 Figura 17 – Representação gráfica da dispersão dos resultados da valoração do risco ... 43

Figura 18 – Representação gráfica dos resultados por níveis de risco ... 43

Figura 19 – Análise gráfica da correlação interavaliadores segundo a MIAR ... 45

(12)
(13)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 – Principais riscos da atividade de escavação subterrânea com recurso a explosivos ... 5

Tabela 2 – Resumo da pesquisa, base dados vs palavra-chave ... 10

Tabela 3 - Principais vantagens e limitações dos métodos qualitativos, quantitativos e semiquantitativos ... 13

Tabela 4 – Metodologias de avaliação de riscos ... 13

Tabela 5 - Parâmetros de avaliação para os riscos de segurança e higiene ocupacionais ... 16

Tabela 6 - Parâmetros de avaliação de impactes ambientais ... 17

Tabela 7 – Índice de risco, pontuação ... 19

Tabela 8 – Parâmetros de avaliação dos riscos ocupacionais, fase de planeamento ... 27

Tabela 9 – Parâmetros de valoração do risco ... 29

Tabela 10 – Parâmetros de avaliação dos riscos ocupacionais na fase de execução da atividade 29 Tabela 11 – Modelo do Plano e Registo de Monitorização e Prevenção de Riscos ... 30

Tabela 12 – Matriz de avaliação de riscos (excerto do ficheiro original) ... 30

Tabela 13 – Parâmetro de “Priorização do risco” ... 32

Tabela 14 – Resumo dos testes de normalidade “Jarque Bera”, “p-valor” ... 37

Tabela 15 – Resumo do teste de variância segundo ANOVA para o parâmetro Gravidade ... 38

Tabela 16 – Resumo do teste de variância segundo ANOVA para o parâmetro Extensão ... 38

Tabela 17 – Resumo do teste de variância segundo ANOVA - Extensão - Perfuração ... 38

Tabela 18 – Resumo dos testes de variância segundo ANOVA, Extensão – Preparação de cargas explosivas ... 38

Tabela 19 – Resumo dos testes de variância segundo ANOVA, Extensão – Remoção de escombro ... 39

Tabela 20 – Resumo dos testes de variância segundo ANOVA, Extensão – Betão projetado ... 39

Tabela 21 – Resumo dos testes Kruskal – Wallis para o parâmetro “Extensão” ... 39

Tabela 22 – Resumo do teste de variância segundo ANOVA para o parâmetro Custo ... 40

Tabela 23 – Resumo dos testes de normalidade “Jarque Bera”, “p-valor” ... 42

Tabela 24 – Resumo dos testes de variância segundo ANOVA no parâmetro Extensão ... 42

Tabela 25 – Resumo dos testes de variância segundo ANOVA no parâmetro Priorização do custo ... 43

(14)

Tabela 27 – Análise do coeficiente de variação por parâmetro dos dados iniciais ... 45

Tabela 28 – Análise do coeficiente de variação por parâmetro dos dados de revisão ... 45

Tabela 29 – Matriz de correlação de cada avaliação MIAR vs WTF ... 47

(15)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

GLOSSÁRIO/SIGLAS/ABREVIATURAS

ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho CSO – Coordenação de segurança de obra

CSP – Coordenação de segurança em projeto CVD – Critério de valoração da deficiência

INSHT - Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo MIAR – Método integrado de avaliação de riscos

NP – Norma Portuguesa

OHSAS - Occupational Health and Safety Assessment Series

PRISMA - Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses PRMP – Plano e registo de monitorização e prevenção

RMP – Registo de monitorização e prevenção VR - Valoração do risco

(16)
(17)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

(18)
(19)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

1 INTRODUÇÃO

A construção é um setor singular face ao dinamismo das suas atividades, bem como, pela amplitude dos Inputs e Outputs que lhe estão associados. Nos últimos anos, o investimento na construção em Portugal tem vindo a sofrer um decréscimo, resultado da recessão económica nacional e internacional. Em 2011 o setor da construção representava 12,9% das empresas em Portugal com um efetivo de 11,9% pessoas, e em 2015, o setor compreendia 11,0% das empresas (44 mil empresas), representando 9,0 % do número de pessoas ao serviço e 6,0% do volume de negócios (Portugal, 2016).

O investimento diminuiu, mas a ocorrência de acidentes de trabalho mortais aumentou. Segundo dados da Eurostat (Eurostat, 2014), a construção continua a ser o setor líder na ocorrência de acidentes de trabalho mortais, e alcança também os lugares cimeiros em matéria de acidentes graves.

Segundo Cabrito (2002) o povo português continua a justificar os seus atos e maleitas do trabalho com o infortúnio, a falta de sorte e desígnios divinos. Esta forma de estar e pensar não abona a favor da prevenção no trabalho.

À cultura pouco preventiva aliam-se outros fatores potenciadores de falhas de segurança e saúde como: a desarticulação do planeamento da segurança vs processo construtivo, os curtos prazos de execução da obra, a simultaneidade de atividades no mesmo local, o faseamento construtivo com a intervenção de diferentes especialidades e intervenientes e um orçamento reduzido para a prevenção de riscos (Dias, et al., 1996).

Os trabalhos na construção, de acordo a legislação, são considerados de risco elevado, em que os trabalhadores estão frequentemente expostos a riscos especiais como: queda em altura, atropelamento, soterramento, acrescendo a estes ritmos de trabalho intensivos e exposição a condições climatéricas adversas. A prevenção dos riscos só é possível quando os perigos são identificados e prevenidos a montante da execução da obra, e só assim faz sentido falar em prevenção de riscos.

A avaliação de riscos, mais do que um requisito legal, previsto no artigo 5.º da Lei nº 3/2014 de 28 de Janeiro, “…constitui a base para uma gestão bem-sucedida da segurança e da saúde, sendo

um fator-chave para reduzir a ocorrência de acidentes de trabalho e doenças profissionais. Se for corretamente aplicada, poderá melhorar a segurança e a saúde no local de trabalho, bem como o desempenho da empresa em geral.” (ACT, 2017).

Segundo Areosa (2010) a análise dos riscos é um processo parcial e subjetivo, dado que os conhecimentos no momento da sua realização evoluem em função do tempo. Assim, não se poderá afirmar com precisão se uma análise de riscos é fiável o suficiente.

No setor da construção, a avaliação dos riscos tem início na fase de conceção do projeto onde se identificam os perigos e se colocam em prática os princípios gerais de prevenção preconizados no regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, e desenvolve-se na fase de

(20)

4 Introdução execução da obra com a avaliação de riscos adaptada ao processo construtivo e definição de medidas preventivas especificas, conforme preconizado no Decreto-lei n.º 273/2003 de 29 de Outubro.

Com este trabalho pretende-se aferir se o Método Integrado de Avaliação de Riscos (MIAR) é uma metodologia que reduz da subjetividade na avaliação de riscos. A análise será aplicada a um caso prático de escavação subterrânea.

1.1 Descrição geral da atividade de escavação subterrânea

A escavação subterrânea caracteriza-se por uma sequência de operações que visam a escavação com meios mecânicos e/ou explosivos, que respeita um faseamento construtivo cíclico, conforme Figura 1.

Figura 1 – Esquema da sequência de escavação com recurso a explosivos

A sequência de escavação com recurso a explosivos é composta pelas seguintes operações:  [1] Marcação da pega

 [2] Perfuração

 [3] Carregamento dos furos  [4] Detonação dos furos

 [5] Ventilação da zona escavada

 [6] Remoção de escombro para vazadouro  [7] Saneamento

(21)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

A escavação de um túnel, para fins rodoviários, hidráulicos, ou outro, pode ser realizada em seção total ou faseada e durante a sua execução é previsível o atravessamento de diversos tipos de zonamento geológico-geotécnico o que torna variável o avanço da pega de fogo e o revestimento primário do túnel.

A perfuração dos furos que compõe a pega de fogo é realizada com recurso a equipamento automotor, jumbo. No final da perfuração de todos os furos procede-se ao carregamento dos mesmos com explosivos, em que esta atividade é executada por equipas especializadas cujos trabalhadores possuem cédula de operador de substâncias explosivas.

Após o desmonte com explosivos procede-se à ventilação da zona dos trabalhos e posteriormente à remoção do escombro. Assim que o escombro é removido dá-se início aos trabalhos de revestimento primário que garantem a segurança necessária para se efetuar mais um ciclo de operações.

1.2 Principais Riscos

Os trabalhos de escavação subterrânea com recurso a explosivos são considerados trabalhos de risco elevado e risco especial, segundo o artigo 79.º da Lei n.º 3/2014 e artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 273/2003, respetivamente.

Na Tabela 1, são elencados os principais riscos da atividade de escavação com recurso a explosivos tendo por base a informação proveniente da experiência adquirida por vários Técnicos de Segurança, dados do histórico de algumas empresas do setor e guias técnicos. (Couto, et al., 2016) (OSALAN, 2012) , (International Tunnelling and Underground Space Association - ITA, 2011).

Tabela 1 – Principais riscos da atividade de escavação subterrânea com recurso a explosivos

Risco / Amplitude do dano Potenciais causas de acidentes / doença profissional

Asfixia Ventilação deficiente da frente de trabalho, falta de catalisador nas máquinas (filtro dos gases de escape)

Atropelamento

Falta de delimitação / sinalização de caminhos de circulação para peões e equipamentos distintos, desrespeito dos caminhos de circulação, excesso de velocidade, deficiente manutenção de equipamentos, falta de limpeza de caminhos de circulação, inclinação dos acessos.

Capotamento Deficiente manutenção de equipamentos, falta de limpeza de caminhos de circulação, inclinação dos acessos

Cortes, pancadas Falta ou má utilização de equipamento de proteção individual

Eletrização

Falha na ligação à terra do quadro elétrico, falta/ falha do disjuntor diferencial de alta sensibilidade, cabos elétricos deteriorados, alimentação elétrica em contato com água

(22)

6 Introdução

Risco / Amplitude do dano Potenciais causas de acidentes / doença profissional

Esmagamento por ou entre objetos / equipamentos

Má utilização de equipamentos e meios auxiliares, desrespeito pelo raio de ação de equipamentos em laboração, desarticulação entre trabalhadores

Explosão intempestiva

Transporte de explosivos e acessórios de tiro no mesmo habitáculo (detonadores, ligadores e explosivos), falta de formação dos operadores de explosivos, utilização de telemóveis na proximidade da pega de fogo

Incêndio

Manutenção deficiente dos equipamentos, utilização de chamas vivas / produção de faíscas na proximidade de materiais inflamáveis, meios de combate a incêndio escassos / deficientes

Poeiras Falta de rega dos caminhos de circulação, humidificação da frente de escavação, falta ou má utilização de equipamento de proteção individual Projeção de fragmentos /

partículas

Violação das distâncias de segurança estabelecidas, falta ou má utilização de equipamento de proteção individual

Queda ao mesmo nível Circulação em terrenos irregulares, condições meteorológicas adversas, falta de limpeza, deficiente iluminação

Queda de objetos, material Utilização de acessórios de elevação inadequados e/ou em mau estado de conservação, pontos de amarração deficientes

Queda em altura (> 2 m) Má utilização de equipamentos e meios auxiliares, falta ou má utilização de equipamento de proteção individual anti-queda

Ruído Falta ou má utilização de equipamento de proteção individual, manutenção deficiente de equipamentos

Sobre esforços

Movimentação manual de cargas com peso> 25Kg, zonas de movimentação de cargas de acesso difícil (exemplo disso é a colocação dos varões de swellex na abóbada devido à inclinação dos furos)

(23)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

2 ESTADO DA ARTE

2.1 Panorama da avaliação de riscos

A análise de riscos constitui a primeira abordagem de um problema de segurança no trabalho (Miguel, 2014).

A avaliação de riscos é uma análise sistemática de todos os aspetos do trabalho, que identifica: aquilo que é suscetível de causar lesões ou danos, a possibilidade de os perigos serem eliminados e, se tal não for o caso, as medidas de prevenção ou proteção que existem, ou deveriam existir (OSHA, 2009).

A NP 4397:2008 define os seguintes conceitos de perigo e risco:

 Perigo – fonte, situação ou ato com potencial para o dano em termos de lesão ou afeção da saúde, ou uma combinação destas.

 Risco – combinação da probabilidade de ocorrência de um acontecimento ou de exposição (ões) perigosos e da gravidade de lesões ou afeções da saúde que possam ser causadas pelo acontecimento ou pela exposição (ões).

Existem várias técnicas de análise de risco e vários métodos de avaliação do risco, uns generalistas e outros mais específicos, a escolha de cada método deverá estar adequada à atividade em análise e em função das características que estão inerentes (Fesete, 2010)

A avaliação do risco, independentemente do método, segue um faseamento que se pode enumerar como:

 Identificação dos perigos e trabalhadores expostos ao risco;  Avaliação e hierarquização dos riscos;

 Definição das medidas de prevenção;  Implementação das medidas preventivas;  Acompanhamento e revisão, quando necessário.

Na Figura 2, é representado o modelo de faseamento da Gestão de Risco, versão adaptada (Roxo, 2003). Segundo este modelo, a avaliação de riscos pode-se dividir em duas fases: análise de risco (processo qualitativo) e avaliação do risco (processo quantitativo).

(24)

8 Objetivos e metodologia

Figura 2 – Análise, avaliação e gestão do risco

A análise do risco visa conhecer os fatores do sistema de trabalho Homem/Máquina/Ambiente (Miguel, 2014). A identificação dos perigos pretende conhecer as situações com potencial dano para o trabalhador, para tal é necessário um conhecimento aprofundado do projeto e processo construtivo com envolvimento da equipa técnica que o desenvolve, analisar a simultaneidade de atividades e condicionalismos locais, perceber o modo operando dos equipamentos e suas limitações, bem como, o modo de emprego de materiais e respetivas fichas de dados de segurança. A identificação dos trabalhadores reveste-se de grande importância pela visão do dano que pode assumir, sendo quantificado através do parâmetro Gravidade e pelo tempo de Exposição ao risco. A identificação deve ser, tanto quanto possível, ampla no sentido de abranger também os trabalhadores que não estando diretamente expostos ao risco se encontram na zona envolvente.

A terceira etapa da análise do risco consiste na sua hierarquização, assumida por muitos autores, como sendo o produto da Probabilidade pela Gravidade (Douglas, 1992). A probabilidade está, normalmente, associada ao histórico de ocorrências e a gravidade aliada ao dano humano e/ou material. A análise do risco visa definir uma escala de priorização de atuação para minimizar os riscos que não podem ser evitados e pode ser quantificada ou qualificada antes do planeamento das medidas de prevenção e após a sua definição.

A avaliação do risco é um processo de comparação entre o valor obtido na fase de análise de riscos e os resultados práticos da implementação das medidas de prevenção, tendo por base as referências estabelecidas como aceitáveis (Roxo, 2003). O risco é aceitável quando reduzido a um nível que se considera tolerável segundo os requisitos legais ou internos da organização, NP 4397:2008.

Identificação dos Perigos

Identifcação dos trabalhadores expostos

Estimativa do Risco Valoração do Risco Controlo do Risco A n á li se d o R is c o A v a li a ç ã o d o R is c o G e stã o d o R is c o

(25)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

A fase de controlo do risco surge quando o risco se considera como inaceitável, sendo necessário intervir corretivamente para a sua minimização, enquadra-se no contexto de uma melhoria contínua e de aperfeiçoamento da gestão do risco.

2.2 Enquadramento Legal e Normativo

A avaliação de riscos é um requisito legal preconizado no Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho, artigo 5.º, ponto 3, da Lei n.º 3/2014 de 28 de janeiro, que refere “A prevenção dos riscos profissionais deve assentar numa correta e permanente avaliação de

riscos …”.

O Contrato Coletivo de Trabalho aplicável à construção civil, Publicado no Boletim do Trabalho e Emprego nº 30 de 15 de agosto de 2016, refere que o empregador tem de organizar os serviços de segurança e saúde no trabalho e através destes deve tomar as medidas necessárias para a prevenção dos riscos, nomeadamente a “Identificação, avaliação e controlo, com o consequente

registo, dos riscos para a segurança e saúde nos locais de trabalho incluindo dos riscos resultantes da exposição a agentes químicos, físicos e biológicos.”,

refere ainda que:

“Os trabalhos têm de decorrer em condições de segurança adequadas, devendo as situações de

risco ser avaliadas, durante as fases de projeto e planeamento, tendo em vista a integração de medidas de prevenção, por forma a otimizar os índices de segurança nas fases de execução e exploração.”;

Os riscos remanescentes das medidas implementadas de acordo com o número anterior, devem ser avaliados e consequentemente adotadas as medidas adequadas para prevenir tais riscos.”.

Nas atividades desenvolvidas em estaleiros temporários ou móveis, prevê o Decreto-Lei n.º 273/2003, que “A entidade executante deve: a) Avaliar os riscos associados à execução da obra

e definir as medidas de prevenção adequadas…”. Este diploma define a estrutura do Plano de

Segurança e Saúde da empreitada, cujo desenvolvimento deve conter, entre outros elementos, a

“Avaliação e hierarquização dos riscos reportados ao processo construtivo, abordado operação a operação de acordo com o cronograma, com a previsão dos riscos correspondentes a cada uma por referência à sua origem, e das adequadas técnicas de prevenção que devem ser objeto de representação gráfica sempre que se afigure necessário.”

No âmbito normativo destacam-se os seguintes referenciais:

 NP ISO 31000: 2012 – Gestão do risco – princípios e linhas de orientação;  OHSAS 18001:2007 – Sistemas da segurança e saúde no trabalho – requisitos.  NP 4397:2008 - Sistemas de gestão da segurança e saúde do trabalho – requisitos.

(26)

10 Objetivos e metodologia Em suma, os requisitos legais e normativos definem que os riscos devem ser hierarquizados, o que pressupõe a utilização de uma escala quantitativa com vista à priorização do risco, quanto ao controlo dos riscos refere-se a necessidade de os identificar e registar, estando implícito a necessidade de gerar uma evidência do plano de medidas e inspeção às condições do trabalho.

2.3 Conhecimento Científico

A revisão bibliográfica foi realizada com base na metodologia PRISMA Statement (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), (Moher D, 2009). Esta metodologia define um conjunto de parâmetros a respeitar para realizar as revisões sistemáticas e meta-análises. A pesquisa bibliográfica foi realizada com o objetivo de identificar metodologias de avaliação de riscos aplicadas ao setor da construção, com vista à apreensão de conhecimento que potencie a adequabilidade do método de avaliação de riscos desenvolvido por (Antunes, et al., 2010) “Metodologia Integrada de Avaliação de Ricos – MIAR” à construção.

O processo de pesquisa realizou-se em três bases de dados online: SCOPUS, SCIENCE DIRECT e ACADEMIC SEARCH COMPLET. A pesquisa nas bases de dados foram realizadas com três conjuntos de palavras: i) “risk evaluation” and “safety” and “construction”; ii) “risk assessment" and “safety” and “construction”; iii) "hazard identification" and “safety” and “construction”. Os artigos encontrados, 1.549, foram registados numa base de dados, e sobre esta foram utilizados critérios de exclusão, com uma sequência definida, sendo eles: a data, o tipo de artigo, a língua, os artigos repetidos. No critério data foram aceites os artigos desde 2012 até ao momento, no tipo de artigo selecionaram-se os artigos científicos e revisões bibliográficas, quanto à língua foram aceites apenas os artigos escritos em Inglês. Após esta seleção verificaram-se os artigos que estavam fora de tema, que correspondem a artigos que embora contendo as palavras-chaves, o resumo não corresponde ao tema em análise. Aplicaram-se também critérios de inclusão e exclusão, e no final obtiveram-se alguns artigos incluídos na síntese quantitativa.

Tabela 2 – Resumo da pesquisa, base dados vs palavra-chave

Base de dados / n.º artigos selecionados

Scopus Science Direct Academic

Search Complet P a la v ra s cha v e

risk evaluation AND safety AND construction 127 449 76

risk assessment AND safety AND construction 270 358 97

hazard identification AND safety AND construction 28 139 5

(27)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

A pesquisa bibliográfica permitiu a identificação de diferentes metodologias de avaliação de riscos, algumas das quais se descrevem no ponto seguinte.

2.4 Metodologias de avaliação de riscos

Não existem regras fixas sobre como a avaliação de riscos deve ser efetuada, mas a Comissão Europeia (Europeia, 1996) propõe dois princípios a considerar numa avaliação:

 Estruturar a operação, de modo a que sejam abordados todos os perigos e riscos relevantes;  Identificar o risco, de modo a equacionar se o mesmo pode ser eliminado.

Segundo esta organização, independentemente da metodologia que se visa implementar, existe um conjunto de critérios a integrar, nomeadamente:

 Observação do meio circundantes do local de trabalho;  Identificação de atividades realizadas no local de trabalho;  Consideração dos trabalhos realizados no local de trabalho;  Observação de trabalhos em progresso;

 Consideração de padrões de trabalho;

 Consideração de fatores externos que podem afetar o local de trabalho;

 Revisão de fatores psicológicos, sociais e físicos que podem contribuir para a ocorrência de stress no trabalho.

Existem diversas metodologias de avaliações de riscos, Khan (2015) identificou mais de 150 métodos e Tixier (2002) registou 62, cuja aplicabilidade pode variar em função da complexidade do método e do setor em análise.

Tixier (2002) e Romero (2004) dividem as valorações de riscos em dois grupos: quantitativos e qualitativos.

As metodologias quantitativas baseiam-se na frequência da ocorrência e gravidade de forma quantificada, que se traduzem em resultados concretos (Cabral, et al., 2007).

Os métodos quantitativos propõe-se obter uma estimativa numérica da magnitude do risco, em que a frequência utiliza técnicas sofisticadas de cálculo, bases de dados ou exames laboratoriais. Para quantificar a gravidade recorre-se a modelos matemáticos de consequências para simular o campo de ação de uma agente e sua capacidade agressiva (Roxo, 2003).

Segundo Romero (2004) estes métodos são complexos e requerem a adequação de recursos humanos e materiais, sendo mais profícuos em situações de risco elevado como é o caso da indústria química ou nuclear.

(28)

12 Objetivos e metodologia As metodologias qualitativas consistem em análises sistemáticas dos postos de trabalho com vista à identificação de situações com potencial perigosidade e à forma de prevenir a sua ocorrência (Cabral, et al., 2007).

É um método de aplicação simples, não carece de uma identificação exata das consequências ou valores concretos, contudo isso confere-lhes alguma subjetiva, estando fortemente dependentes dos conhecimentos e assertividade dos avaliadores.

É um método sustentado por gráficos e digramas de fluxo com representação de resultados não numéricos (Khan, et al., 2015).

Marhavilas (2011) identificou um conjunto de técnicas que estão na base da avaliação qualitativa:  Listas de verificação;

 Análises “What if”;  Auditorias de segurança;  Análise de tarefas;

 Técnica “Sequentially Timed Event Plotting (STEP)”  Hazop.

É um método utilizado para avaliar situações simples em que os perigos são facilmente observáveis, não carece de uma identificação exata das consequências.

Um terceiro grupo de valoração dos riscos, métodos semi-quantitativos, é identificado por Khan, (2015) e Marhavilas (2011). Estes são utilizados quando a avaliação qualitativa não é suficiente e a complexidade da avaliação qualitativa é desmesurada. Neste método a magnitude do risco resulta do produto da frequência pela gravidade podendo-se incrementar o fator Extensão sempre a dimensão do impacto é superior a uma pessoa. Estes parâmetros apresentam uma relação ordinal entre os vários níveis.

As avaliações semiquantitativas são ferramentas habitualmente utilizadas para dar cumprimento aos requisitos legais, uma vez que são métodos de aplicação mais simples, tendo a devida atenção à lacuna existente na validação dos resultados das suas aplicações. Carvalho (2011) é da opinião que se deve comparar resultados de diferentes métodos de avaliação de risco com o intuito de garantir a fiabilidade das mesmas.

(29)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

Tabela 3 - Principais vantagens e limitações dos métodos qualitativos, quantitativos e semiquantitativos

Fonte: Adaptado de Carvalho, (2013)

Método Vantagens Limitações

Qualitativo

Métodos simples, que não requerem quantificação;

Não requerem identificação exata das consequências;

Tornam exequível o envolvimento dos diferentes elementos da organização.

São subjetivos por natureza;

Dependem muito da experiência dos avaliadores;

Não permitem efetuar análises Custo/Benefício.

Quantitativo

Apresentam resultados concretos (mensuráveis);

Permitem a análise do efeito da implementação de medidas de controlo de risco;

Possibilitam a análise Custo/Benefício; Assumem linguagem objetiva (facilitando a sensibilização da administração).

Apresentam complexidade e morosidade de cálculos;

Necessitam de metodologias estruturadas necessitam de dispor de base de dados experimentais ou históricos de adequada fiabilidade e representatividade;

São bastante onerosos requerem recursos humanos experientes e com formação adequada;

Requerem elevada quantidade e tipo de informação;

Revelam dificuldade na valoração quantitativa do peso da falha humana (erro de decisão, de comunicação, entre outros).

Semi-quantitativo

Métodos relativamente simples;

Identificam as prioridades de intervenção através da identificação dos principais riscos;

Sensibilizam os diferentes elementos da organização.

Apresentam subjetividade associada aos descritores utilizados nas escalas de avaliação;

São fortemente dependentes da experiência dos avaliadores.

Após a breve explicação dos três grupos de valoração dos riscos, na Tabela 4 elencam-se alguns dos métodos de avaliação de riscos utilizados.

Tabela 4 – Metodologias de avaliação de riscos

Métodos qualitativos Métodos quantitativos Métodos semi-quantitativos

Análise de Modo de Falhas e Efeitos Optimal Risk Assessment Matriz simples - Binário

Online Interactive Risk Assessment Hazop William T. Fine

(30)

14 Objetivos e metodologia

2.4.1 Análise de Modo de Falhas e Efeitos (FMEA)

Este método analisa de forma indutiva e em geral equipamentos, como é o caso de válvulas de controlo, bombas hidráulicas, etc., é muito aplicado na indústria nuclear com o objetivo de determinar as consequências dos diferentes modos possíveis de falhas.

É um método eficiente em indústria, que requer a um conhecimento aprofundado sobre as componentes do equipamento, mas não tem em consideração combinações de falhas que podem originar acidentes graves (Romero, 2004).

2.4.2 Online Interactive Risk Assessment (OIRA)

Para ajudar as micro e pequenas empresas a Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (EU-OSHA), criou um instrumento interativo OIRA para avaliação de riscos, que é uma aplicação gratuita da Web e de utilização simples. Este método baseia-se num questionário sobre as condições do trabalho tendo por base requisitos legais (EU-OSHA).

Os questionários são adaptados em função do setor de análise e são atualizadas em função das alterações legais.

O plano de ação/relatório resultante do inquérito não trata aprofundadamente as irregularidades e medidas de prevenção ao nível do sistema de gestão da segurança. No caso do setor da construção em Portugal, ainda não está disponível uma avaliação de acordo com a legislação nacional.

2.4.3 Optimal Risk Assessment (ORA)

A metodologia ORA envolve quatro etapas principais: 1) identificação de perigo, 2) avaliação de risco, 3) análise de consequências e 4) estimativa de risco. Cada passo usa técnicas e ferramentas únicas, é um método utilizado na análise de risco no setor químico (Khan, et al., 2015).

2.4.4 Quantitative Risk-Assessment (QRA)

O método QRA é um software desenvolvido para a avaliação da segurança externa das instalações industriais com risco de explosão. A ferramenta é uma combinação de sub modelos, em que o risco individual é definido como a probabilidade da exposição ser letal para uma pessoa não protegida na proximidade da fonte perigosa. O risco social é avaliado pelo tamanho da instalação industrial e das propriedades construtivas. Os cenários de explosão relevantes são determinados, em conjunto

(31)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

com a sua frequência de ocorrência. A ferramenta QRA permite definir quatro tipos de objetos: as pessoas desprotegidas, carros, casas nacionais e de edifícios, cada um com seu próprio nível de proteção contra os diferentes efeitos da explosão (Marhavilas, et al., 2011).

2.4.5 Matriz simples - Binário

O INSHT (Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo) propõe a adoção da metodologia de matriz simplificada através de dois parâmetros: Severidade e Probabilidade (INSHT), que se subdividem em três níveis cada e cujo produto pode variar entre cinco valorações: i) risco trivial, ii) risco tolerável, iii) risco moderado, iv) risco importante e v) risco intolerável. Este método é simples e rápido de aplicar, contudo, o parâmetro “probabilidade” não é claramente definido podendo originar várias interpretações em função da experiência do avaliador.

Segundo Aquilles (2014) uma das limitações deste método é não contemplar a exposição do trabalhador ao risco.

2.4.6 Método William T. Fine

O método William T. Fine, surge como um modelo de avaliação matemático constituído por três parâmetros: Consequência, Exposição e Probabilidade. Cada parâmetro encontra-se subdividido em cinco ou seis níveis, sendo o produto deste passível de cinco resultados: i) risco aceitável, ii) risco possível, iii) risco notável, iv) risco alto, v) risco muito alto.

Este método tem uma utilização setorial muito abrangente e na área da construção civil, em Portugal, é frequentemente utilizado. O parâmetro “Consequência” associado ao fator monetário acarreta alguma dificuldade de decisão, pelo desconhecimento mensurável do possível acidente / incidente, o que pode ser ainda mais gravoso no caso de avaliadores pouco experientes. Relativamente à “Frequência” é bastante detalhado, enquanto que os extremos da escala da “Probabilidade” são subjetivos, como exemplo ”Is the most likely and expected result if the

hazard-event takes place.” estando implícito o fator histórico associado à ocorrência (Sousa,

2015).

2.4.7 Método Integrado de Avaliação de Riscos (MIAR)

A MIAR tem por base a abordagem por processos NP EN ISO 9001:2000 e visa integrar os impactes ambientais e ocupacionais. A sua aplicabilidade foi pensada, sobretudo, para as pequenas e médias empresas por forma a permitir uma rápida identificação de impactes ambientais e riscos ocupacionais de forma associada.

(32)

16 Objetivos e metodologia Este método assenta em cinco parâmetros:

1. gravidade do aspeto; 2. extensão do impacte;

3. exposição / frequência de ocorrência do aspeto; 4. desempenho dos sistemas de prevenção e controlo;

5. custos e complexidade técnica das medidas de prevenção / correção do aspeto.

Estes parâmetros são subdivididos, conforme se identifica na Tabela 5 e Tabela 6.

Tabela 5 - Parâmetros de avaliação para os riscos de segurança e higiene ocupacionais Fonte: Antunes, (2010)

Parâmetros de avaliação

Tipo de

aspecto Descrição Valor

1. Gravidade do Aspeto - G

Todos os aspectos

- Substâncias explosivas, oxidantes, muito Tóxicas (T+), Cancerígenas e com efeitos na reprodução.

- Substâncias associadas às frases de risco: R1 a R9, R14, R16, R18, R19, R26 a R28, R32, R33, R39, R45 a R49, R60 a R64, R26/27, R26/28, R26/27/28, R27/28, R39/26, R37/27, R39/28, R39/26/27, R39/26/28, R39/27/28, R39/26/27/28. - Excede em mais de 250% o valor limite aplicável / valores de referência. - Aspectos que podem causar morte ou lesão com incapacidade permanente absoluta.

10

- Substâncias Extremamente inflamáveis, Tóxicas (T), sensibilizantes e corrosivas. - Substâncias com identificação de risco: R12, R15, R23, R24, R25, R29, R31, R34, R35, R40, R41, R42, R43, R14/15, R15/29, R23/24, R23/25, R23/24/25, R24/25, R39/23, R39/24, R39/25, R39/23/24, R39/23/25, R39/24/25, R39/23/24/25, R42/43, R48/23, R48/24, R48/25, R48/23/24, R48/23/25, R48/24/25, R48/23/24/25. - Entre 151% e 250% do valor limite aplicável / valores de referência.

- Aspectos que podem causar lesões graves, com incapacidade temporária absoluta ou permanente parcial, mas de pequena percentagem;

5

- Substâncias facilmente inflamáveis e Nocivas (Xn). - Substâncias com identificação de risco R11, R17, R20, R21, R22, R65, R20/21, R20/22, R20/21/22, R21/22, R48/20, R48/21, R48/22, R48/20/21, R48/20/22, R48/21/22, R48/20/21/22, R68/20, R68/21, R68/22, R68/20/21, R68/20/22, R68/21/22, R68/20/21/22. - Entre 101% e 150% do valor limite aplicável / valores de referência.

- Aspectos causadores de lesões menores com incapacidade temporária parcial mas de baixa gravidade;

3

- Substâncias inflamáveis. - Substâncias Irritantes (Xi) ou produtos sem identificação de risco mas com limites aplicáveis (entre 51 % até 100% do valor limite aplicável). - Substâncias com identificação de risco R10, R36, R37, R38, R66 a R68, R36/37, R36/37/38, R37/38. - Aspectos que podem causar lesões pequenas sem qualquer tipo de incapacidade;

2 - Substâncias que não apresentam perigosidade. - Até 50% do valor limite aplicável / valores de referência. - Aspectos que não causam lesões. 1

2. Extensão do Impacte - E Aplicável a todos os aspectos

Aspecto cuja extensão atinge mais do que 80% dos trabalhadores afectos a esse processo. 4 Aspecto cuja extensão atinge entre 51 a 80% dos trabalhadores afectos a esse processo. 3 Aspecto cuja extensão atinge entre 11 a 50% dos trabalhadores afectos a esse processo. 2 Aspecto cuja extensão atinge até 10 % dos trabalhadores afectos a esse processo. 1

(33)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

Parâmetros de avaliação

Tipo de

aspecto Descrição Valor

3. Exposição/ frequência de ocorrência do aspeto - EF Aplicável a todos os aspectos

Ocorrência contínua ou c/ periodicidade alta, correspondente às condições normais de

operação (N). 3

Ocorrência periódica – operação de arranque, paragem, ou condições de operação

anormais (P). 2

Ocorrência reduzida – correspondente a situações de emergência, acidentais ou pontuais

(A). 1 4. Desempenho dos sistemas de prevenção e controlo - PC Aplicável a todos os aspectos

Não existe um sistema de Prevenção e Controlo implementado. 5 Existe um sistema de controlo implementado mas sem evidências da sua adequada

funcionalidade. 4

Não existe um sistema de prevenção mas sim um sistema de controlo implementado que

é funcional. 3

Existe um sistema de Prevenção e Controlo implementado mas não existem evidências objectivas da sua adequada funcionalidade. 2 Há um sistema de Prevenção e Controlo implementado e evidências da sua adequada

funcionalidade. 1 5. Custos e complexidade técnica de prevenção e correção dos aspecto - C Aplicável a todos os aspectos

Metodologia de prevenção/correcção com custo e complexidade técnica reduzidas. 3 Metodologia de prevenção/correcção com custo e complexidade técnica médias. 2 Metodologia de prevenção/correcção com custo e complexidade técnicas elevadas. 1

Tabela 6 - Parâmetros de avaliação de impactes ambientais Fonte: Antunes, (2010)

Parâmetros

de avaliação Tipo de aspecto Descrição Valor

1. Gravidade do Aspeto / Quantificação do aspecto - G

Uso de recursos naturais e energéticos.

- Resíduos.

- Uso de Substâncias. - Efluentes líquidos sem limites legais.

- Aspectos que afectem o conforto humano, a morfologia e a paisagem, instalações e propriedades

Muito elevado (com base em valores de referência para a actividade). 5 Elevado (com base em valores de referência para a actividade). 3 Médio (com base em valores de referência para a actividade). 2 Reduzido (com base em valores de referência para a actividade). 1

- Emissões atmosféricas. - Efluentes líquidos.

Excede em mais de 250% o valor limite aplicável. 10 Entre 151% e 250% do valor limite aplicável. 5 Entre 101% e 150% do valor limite aplicável 3 Entre 51% e 100% do valor limite aplicável. 2 Até 50% do valor limite aplicável. 1

- Ruído ambiente

Excede em mais de 250% o Lden e do Ln. 10 Entre 151% e 250% do Lden e do Ln. 5

Entre 101% e 150% do Lden 3

Entre 51% a 100% do Lden e do Ln. 2

(34)

18 Objetivos e metodologia

Parâmetros de

avaliação Tipo de aspecto Descrição Valor

2.Perigosidade do aspecto (a considerar nos casos em que a avaliação da quantificação é realizada de forma individual) - G - Uso de substâncias - Resíduos

- Substâncias explosivas e oxidantes. Substâncias muito Tóxicas (T+), Cancerígenas e com efeitos na reprodução. - Substâncias associadas às frases de risco: R1 a R9, R14, R16, R18, R19, R26 a R28, R32, R33, R39, R45 a R49, R50, R59, R60 a R64, R26/27, R26/28, R26/27/28, R27/28, R39/26, R37/27, R39/28, R39/26/27, R39/26/28, R39/27/28, R39/26/27/28, R50/53.

- Resíduos perigosos não valorizados.

5

- Substâncias Extremamente inflamáveis. Substâncias Tóxicas (T), sensibilizantes e corrosivas.

- Substâncias com identificação de risco: R12, R15, R23, R24, R25, R29, R31, R34, R35, R40, R41, R42, R43, R51, R54 a R57, R14/15, R15/29, R23/24, R23/25, R23/24/25, R24/25, R39/23, R39/24, R39/25, R39/23/24, R39/23/25, R39/24/25, R39/23/24/25, R42/43, R48/23, R48/24, R48/25, R48/23/24, R48/23/25, R48/24/25, R48/23/24/25, R51/53. - Resíduos perigosos valorizados.

4

- Substâncias facilmente inflamáveis. Substâncias Nocivas (Xn); - Substâncias com identificação de risco: R11, R17, R20, R21, R22, R52, R65, R20/21, R20/22, R20/21/22, R21/22, R48/20, R48/21, R48/22, R48/20/21, R48/20/22, R48/21/22, R48/20/21/22, R68/20, R68/21, R68/22, R68/20/21, R68/20/22, R68/21/22, R68/20/21/22, R52/53. - Resíduos não perigosos mas não valorizados.

3

- Substâncias inflamáveis. Substâncias Irritantes (Xi). - Substâncias com identificação de risco: R10, R36,R37,R38,R53,R58,R66 a R68,R36/37, R36/37/38,R37/38. - Resíduos não perigosos valorizados.

2 - Substâncias que não apresentam perigosidade.

- Subprodutos vendável ou com aproveitamento interno. 1

- Uso de recursos naturais e energéticos

Recursos escassos e não renováveis/combustíveis com taxas de emissões de CO2 > 75 Kg/GJ (CO2). 5 Recursos escassos e não renováveis / combustíveis com taxas de emissão 65<CO2<75 Kg/GJ (CO2) 3 Recursos não renováveis / combustíveis com taxas de emissão de

CO2 < 65 Kg/GJ (CO2) 2

Recursos Renováveis 1

3. Extensão do Impacte - E

Aplicável a todos os aspectos

Aspecto que pode causar impactes com dispersão geográfica extensa

e de carácter irreversível. 4

Aspecto que pode causar impactes com dispersão geográfica local e

de carácter irreversível. 3

Aspecto que pode causar impactes com dispersão geográfica extensa com possibilidade de reversibilidade dos seus efeitos. 2 Aspecto que pode causar impactes com dispersão geográfica local e com possibilidade de reversibilidade dos seus efeitos. 1

4. Exposição/ frequência de ocorrência do aspeto - EF

Aplicável a todos os aspectos

Ocorrência contínua ou com periodicidade elevada, correspondente às condições normais de operação (N). 3 Ocorrência descontínua – operação de arranque, paragem ou condições de operação anormais (P). 2 Ocorrência reduzida – correspondente a situações de emergência,

acidentais ou pontuais (A). 1

5.

Desempenho dos

sistemas de

prevenção e

controlo - PC

Aplicável a todos os aspectos

Não existe um sistema de Prevenção e Controlo implementado. 5 Existe um sistema de controlo implementado mas sem evidências da

sua adequada funcionalidade. 4

Não existe um sistema de prevenção mas sim um sistema de controlo

implementado que é funcional. 3

Existe um sistema de Prevenção e Controlo implementado mas não existem evidências objectivas da sua adequada funcionalidade. 2 Há um sistema de Prevenção e Controlo implementado e evidências

(35)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

Parâmetros de

avaliação Tipo de aspecto Descrição Valor

6. Custos e complexidade técnica de prevenção e correção dos aspecto - C

Aplicável a todos os aspectos

Metodologia de prevenção/correcção com custo e complexidade

técnica reduzidas. 3

Metodologia de prevenção/correcção com custo e complexidade

técnica médias. 2

Metodologia de prevenção/correcção com custo e complexidade

técnicas elevadas. 1

O índice de risco é obtido pelo produto dos cinco parâmetros, IR= G x E x EF x PC x C e divide-se em quatro níveis, Tabela 7.

Índice do risco (IR) Pontuação

Baixo ≤ 90

Médio 910-250

Elevado 251 - 500

Muito Elevado 501 - 1800

Tabela 7 – Índice de risco, pontuação

A MIAR foi implementada e analisada por diferentes autores em diferentes setores de atividade, destacando-se:

Sousa (2015) refere que os parâmetros concretos de: frequência, exposição e extensão do impacte, permitem reduzir a subjetividade do avaliador.

De acordo com Botelho (2015) a exclusão do parâmetro “Custo” na MIAR permite resultados mais adequados ao setor de tratamento de resíduos, isto quando comparado com o método de avaliação de riscos William T. Fine.

Segundo Guimarães (2016), a MIAR, dada a flexibilidade de adaptação dos parâmetros ao contexto do setor em análise, quando comparada com outros métodos de avaliação de riscos, diminui a subjetividade. Ressalta também, que esta metodologia carece de mais avaliações e com amostras de maior dimensão.

2.5 Objetivo da Dissertação

A avaliação de riscos, no setor da construção, é realizada de forma permanente tendo em conta a dinâmica das atividades preconizadas no plano de trabalhos, o que por diversas vezes obriga à coexistência de diferentes técnicos da segurança para assegurar a Gestão do Risco (Figura 2). Face ao exposto anteriormente, e tendo por base que a subjetividade da avaliação dos riscos recai sobre dois eixos: o fator humano (técnico avaliador) e o método de avaliação, e sabendo que o primeiro não conseguimos controlar, coloca-se a questão:

(36)

20 Objetivos e metodologia “É possível adaptar a Metodologia Integrada de Avaliação de Riscos ao setor da construção com vista à redução da subjetividade, garantindo a fiabilidade e reprodutibilidade do método?”

No sentido de responder ao objetivo geral de adaptar a MIAR à construção apresentam-se uma série de objetivos específicos:

 Identificar os perigos / possíveis danos passiveis de estarem presentes nas atividades: perfuração, preparação de cargas explosivas, carregamento, ligação dos detonadores, remoção de escombro e aplicação de betão projetado.

 Perceber se o nível de risco obtido entre os avaliadores é idêntico;

 Perceber se o nível de risco obtido com a MIAR quando comparado com o método de William T. Fine é equivalente.

(37)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção civil

3 MÉTODO E MATERIAIS

3.1 Método

A metodologia integrada de avaliação de riscos (MIAR) foi desenvolvida por Antunes (2010) e adota os princípios da “Abordagem por processos” estabelecida na NP EN ISO 9001:2000. Desde então, a MIAR tem sido aplicada em diferentes atividades, desde a indústria química, extrativa passando pela atividade de tratamento de resíduos industriais, entre outras.

A metodologia de desenvolvimento do estudo foi desenhada para responder de forma estruturada a cada objetivo específico e atingir o objetivo geral.

Figura 3 – Fluxograma do método de desenvolvimento do estudo

Este estudo foi desenvolvido segundo uma organização composta por cinco etapas principais, conforme representado na Figura 3. As duas primeiras etapas são de investigação e adaptação do método de avaliação de riscos. As etapas três a cinco constituem um ciclo de repetição com vista à obtenção de consenso no resultado das avaliações.

Cada uma das etapas é desenvolvida nos parágrafos seguintes.

Revisão bibliográfica Adaptação da MIAR Aplicação da metodologia Análise de resultados R e v is ã o d a m e to d o lo g ia Validação Comentários Seleção de especialistas Matriz de avaliação

(38)

22 Métodos e materiais

3.1.1 Revisão bibliográfica

A revisão bibliográfica foi realizada segundo o método PRISMA, conforme já descrito no ponto 2.2.

3.1.2 Descrição da atividade em estudo – caso prático

A descrição sucinta das diversas operações de escavação subterrânea a seguir apresentadas, assim como as fotos, reportam ao caso prático da “Empreitada para a conceção / construção do novo túnel norte de Águas Santas no sublanço Águas Santas / Ermesinde, da A4 – Autoestrada Porto / Amarante”. Pretende-se desta forma transmitir uma visão geral das operações que constituem a sequência de escavação.

Marcação da pega de fogo

A marcação da pega de fogo é realizada com apoio de uma equipa de topografia e com recurso a um laser instalado no hasteal do túnel.

A equipa de topografia marca cerca de 12 furos, que servirão de guiamento ao Jumbo, os restantes furos são marcados pelo laser que dará o alinhamento ao braço de perfuração do jumbo, sendo o desenho geral da pega de fogo programado no computador do equipamento. Desta forma consegue-se uma maior rapidez na marcação e sem a exposição de trabalhadores ao risco de queda em altura.

Figura 4 – Laser instalado no hasteal do túnel, para alinhamento do braço do Jumbo

(Fonte: Autor)

Figura 5 – Apoio topográfico para a marcação da pega (Fonte: Autor)

(39)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

Perfuração

Na perfuração da pega de fogo utiliza-se um Jumbo de dois ou três braços, dependendo das características geológico-geotécnicas, estes equipamentos funcionam com sistema duplo de energia, ou seja, movem-se a combustível e durante a furação utilizam energia elétrica, evitando a poluição do ar interior por dióxido de carbono.

Figura 6 – Fase de perfuração, com alguns dos furos já executados e outros em execução (Fonte: Autor)

Carregamento dos furos

No carregamento dos furos com explosivo foram utilizadas emulsões do tipo Gemulit e cordão detonante no contorno da abóbada. Relativamente aos detonadores, optou-se por uma solução mista, composta por detonadores não elétricos e detonadores eletrónicos, com o objetivo de dar cumprimento ao valor limite de vibrações estabelecido na NP 2074:2015.

Para o carregamento dos furos foi selecionada uma empresa especializada, em que todos os operadores detinham cédula de operador de substâncias explosivas.

(40)

24 Métodos e materiais

Detonação da pega de fogo

Para dar início à detonação estabeleceu-se um conjunto de premissas a verificar previamente, nomeadamente: carregamento de todos os furos; ligação e programação dos detonadores; inexistência de trabalhadores no interior do túnel; corte temporário da circulação ferroviária na linha de Ermesinde – S. Gemil; corte temporário da circulação rodoviária na A4 e ruas municipais adjacentes, colocação de telas de proteção na boca do túnel e garantia de que todos os trabalhadores se encontravam a uma distância de segurança de, pelo menos, 100m em relação à frente da pega de fogo. A detonação é iniciada por um explosor.

Ventilação da frente de trabalho

Após a detonação procede-se à ventilação da frente de trabalho para garantir a remoção dos fumos e gases, para isso é utilizado um ventilador posicionado no exterior do túnel que insufla ar através de uma conduta fixa na abóbada.

O tempo de ventilação varia em função da secção do túnel, da temperatura atmosférica exterior e da distância da frente de obra à boca do túnel.

Figura 8 – Ventilação da frente de trabalho após a detonação (Fonte: Autor)

Remoção de escombro para vazadouro

A remoção do escombro realiza-se com recurso a meios mecânicos, pá carregadora e giratória, em que a giratória empilha o material para que a pá carregadora o recolha e transporte para os camiões. Este material é encaminhado para vazadouro.

(41)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

Figura 9 – Carregamento do material escavado (Fonte: Autor)

Saneamento

A operação de saneamento consiste na remoção dos blocos instáveis e regularização da frente de escavação, com recurso a meios mecânicos. Esta atividade é realizada sob orientação do encarregado e com topográfico para aferir a relação entre a escavação teórica e a real.

Figura 10 – Saneamento da abóbada do túnel (Fonte: Autor)

Suporte primário

O suporte primário visa garantir a estabilidade do maciço após a escavação e até se efetuar o suporte definitivo. O tipo de suporte primário varia em função das características geológico-geotécnicas podendo ser constituído por: projeção de betão com fibras metálicas, aplicação de varões swellex e colocação de cambotas.

(42)

26 Métodos e materiais

Figura 11 – Projeção de betão com fibras metálicas (Fonte: Autor)

Figura 12 – Varões swellex, armazenados no solo (Fonte: Autor)

3.1.3 Adaptação da MIAR

Com base nos requisitos legais do setor da construção, revisão bibliográfica, características do setor e conhecimento do método construtivo, procedeu-se à alteração da metodologia base, nomeadamente, os níveis de valoração dos parâmetros e amplitude de valoração.

A MIAR caracteriza-se por cinco parâmetros: 1. Gravidade do aspeto;

2. Extensão do impacte;

3. Exposição / frequência de ocorrência do aspeto;

4. Custos e complexidade técnica de prevenção / correção do aspeto; 5. Desempenho dos sistemas de prevenção e controlo.

A metodologia foi estudada para ser aplicada em duas fases distintas:

Fase 1 - Planeamento da segurança para a atividade a desenvolver

Esta fase visa a caracterização das subatividades, com conhecimento sobre o processo construtivo, os meios humanos, materiais e equipamentos afetos. Com base neste conhecimento identificaram-se os perigos e avaliaram-se as situações de risco.

Esta constitui a avaliação e hierarquização dos riscos na fase de desenvolvimento do procedimento específico de segurança, que antecede o início dos trabalhos. Pode-se dizer que, a avaliação de riscos em fase de planeamento, constitui um momento de avaliação da possibilidade de vários cenários ocorrerem, tratando-se de uma antevisão da articulação entre o desenvolvimento dos trabalhos e as medidas de prevenção dos riscos. Constitui uma fase de maior subjetividade dado que permite ao avaliador aqui refletir a sua experiência, nomeadamente, sobre situações que convergiram em dano pessoal.

(43)

Aplicação da metodologia integrada de avaliação de riscos no setor da construção

Parâmetros avaliados: Gravidade do aspeto, extensão do impacte, exposição/ frequência de ocorrência, custos e complexidade técnica de prevenção.

Fase 2 – Execução da atividade

Durante a execução da atividade e de acordo com a legislação em vigor o serviço de segurança deve inspecionar as condições em que decorrem os trabalhos e registar o controlo efetuado. Estes requisitos visam a necessidade de se gerar uma evidência do controlo efetuado e das medidas de correção propostas, quando aplicável.

Parâmetro avaliado: Desempenho dos sistemas de prevenção e controlo.

Tabela 8 – Parâmetros de avaliação dos riscos ocupacionais, fase de planeamento

Parâmetro de

avaliação Descrição Valor

Gravidade do aspeto [G]

Pode causar a morte. 5

Pode causar incapacidade permanente absoluta (IPA) para o trabalho. 4 Pode causar lesões graves, com incapacidade temporária absoluta (ITA). 3 Pode causar lesões menores com incapacidade temporária parcial (ITP). 2 Podem causar lesões menores sem qualquer tipo de incapacidade. 1

Extensão do impacte [E]

Aspeto cuja extensão atinge ≥ 10 trabalhadores. 5

Aspeto cuja extensão atinge 7 a 9 trabalhadores. 4

Aspeto cuja extensão atinge 4 a 6 trabalhadores. 3

Aspeto cuja extensão atinge 2 a 3 trabalhadores. 2

Aspeto cuja extensão atinge 1 trabalhador. 1

Exposição/ Frequência de ocorrência do aspeto [EF]

Ocorrência contínua - periodicidade: diária (> 4h). 5

Ocorrência frequente - periodicidade: meio-dia. 4

Ocorrência periódica - periodicidade:> 2 x semana. 3

Ocorrência reduzida – periodicidade 1 a 2 x semana. 2

Ocorrência esporádica – periodicidade mensal. 1

Custos e complexidade técnica [C]

A atividade é caminho critico do plano de trabalhos e/ou o risco tem potencial

para originar morte. 5

A atividade é caminho crítico do plano de trabalhos e o risco tem potencial

para originar IPA para o trabalho. 4

A atividade é caminho crítico do plano de trabalhos e decorrem atividades em

simultâneo com potencial para originar ITP ou ITA. 3

A atividade é caminho crítico do plano de trabalhos e o risco pode causar lesões

menores ou tem potencial para originar ITP ou ITA. 2

Imagem

Figura 1 – Esquema da sequência de escavação com recurso a explosivos
Tabela 5 - Parâmetros de avaliação para os riscos de segurança e higiene ocupacionais  Fonte: Antunes, (2010)
Figura 3 – Fluxograma do método de desenvolvimento do estudo
Figura 6 – Fase de perfuração, com alguns dos furos já executados e outros em execução (Fonte: Autor)
+7

Referências

Documentos relacionados