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Análise das telecornunicações em Portugal

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T5/S3

A

Analise das

Telecornunica~oes

em Portugal:

Urn Modelo para a

Reestrutura~ao

do Sector

~

por

Maria Teresa Mendes Barbosa da Costa Salema

Dissertac;ao apresentada como requisito parcial

para a obtenc;ao do grau de

Mestre em Gestao de Empresas

pela

Faculdade de Economia

da

(2)

o

conteudo desta disserta<;ao reflecte as ideias do Autor e nao responsabiliza a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

(3)

Tudo muda, nada permanece.

(4)
(5)

Resumo

Na sociedade da infonna<;ao as telecomunica<;oes desempenham urn papel estrategico na distribui<;ao e difusao de infonna<;ao. As economias actuais dependem da comunica<;ao nipida para qualquer ponto do Mundo, factor critico de sucesso para 0 desenvolvimento. Se 0

crescimento econ6mico do seculo XX teve com origem 0 desenvolvimento das comunica<;oes e do transporte fisico de pessoas e mercadorias, a evolu<;ao do seculo XXI sera influenciada pela distribui<;ao e difusao da infonna<;ao, pelas telecomunica<;oes. Este sector pela sua fun<;ao estruturante nas economias tern sido denominado como a "infra-estrutura" das "infra­ estruturas" .

Tradicionalmente urn monop61io, as telecomunica<;oes vivem uma revolu<;ao rapida devido a quatro factores: a evolu<;ao da tecnologia, a crescente complexidade e a globaliza<;ao dos mercados, a nova regulamenta<;ao e liberaliza<;ao do mercado e a abertura do sector ao capital privado.

Tendo em conta a importiincia do sector no desenvolvimento e as mudan<;as que 0 atingem,

impoe-se como necessaria uma reestrutura<;ao do sector.

Pretende-se com a reestrutura<;ao do sector que este ofere<;a as comunica<;oes mais avan<;adas e competitivas, que pennitirao 0 desenvolvimento da economia e contribuirao para uma melhoria da qualidade de vida dos cidadaos.

Este trabalho pretende analisar 0 sector das telecomunica<;oes em Portugal no final de 1995 e propor algumas recomenda<;oes para a reestrutura<;ao do sector.

(6)
(7)

Agradecimentos

Gostaria de agradecer a urn conjunto de pessoas que contribuiram e tomaram possivel a elabora~ao deste trabalho:

• Ao Professor Antonio Nogueira Leite pela sua orienta~ao e disponibilidade; • Ao Professor Jose Neves Adelino pelo seu encorajamento;

• A todos os colegas do MBA pelos excelentes momentos de trabalho e boa disposi~ao; • A todos os colegas do sector das telecomunica~oes que contribuiram para uma visao

alargada deste mercado;

• A toda a minha familia pelo apoio e incentivo;

• E ainda, a todas as pessoas que me ajudaram ao longo destes anos e que nao e possivel enumerar neste texto.

(8)
(9)

,

Iodice

1.

Analise da

situa~ao

das

Telecomunica~oes

em Portugal

1

1.1 As telecomunica-:oes na Economia Portuguesa 1

1.2 A rede de telecomunica-:oes: os servi-:os e a tecnologia 2

1.2.1 A rede basica de telecomunica~oes 2

1.2.2 A rede fixa de telecomunica~oes complementares 6 1.2.3 A rede movel de telecomunica~oes complementares 7

1.2.4 Os servi~os de valor acrescentado 8

1.2.5 As redes de telecomunica~oes de difusao 9

1.3 Os operadores da rede 10

1.3.1 Os operadores da rede basica de telecomunica~oes 10 1.3.2 Os operadores da rede fixa de telecomunica~oes complementares 12 1.3.3 Os operadores da rede movel de telecomunica~oes complementares 13 1.3.4 Os operadores de servi~os de valor acrescentado 14

1.3.5 Os operadores das redes de teledifusao 14

1.4 Os clientes 15

1.4.1 Os clientes da rede basica de telecomunica~oes 15

1.4.2 Os clientes das redes complementares 16

1.5 Os fornecedores 17

1.6 Concorrencia 18

1.6.1 A concorrencia entre redes de telecomunica~oes 19

1.6.2 A concorrencia dentro da rede basica de telecomunica~oes 21

1.6.3 A concorrencia de redes altemativas 23

1.7 A regulamenta-:ao das telecomunica-:oes 24

1.7.1 0 regulador 24 1.7.2 A m issao do regulador 24 1.7.3 As fun~oes do regulador 24 1.7.4 A independencia do regulador 26 1.7.5 A legisla~ao nacional 27 1.7.6 A regulamenta~ao comunitaria 27

2. Tendencias e factores de

mudan~a

nas

Telecomunica~oes

31

2.1 A rede de telecomunica-:oes: a evolu-:ao tecnol6gica 32

(10)

2.3 A regulamenta~io 34

2.3.1 0 monopolio natural 34

2.3.2 0 fim do monopolio 38

2.3.3 A regulamentayao 39

2.4 Capital privado nos operadores de telecomunica~oes

40

2.4.1 Razoes da privatizayao dos operadores publicos 40

2.4.2 Modelos de privatizayao 42

2.4.3 0 modele de privatizayao dos operadores publicos 42

2.4.4 Novos operadores privados 44

3. Analise e tendencias das

Telecomunica~oes

na Europa

47

3.1 Estruturas dos operadores na Europa

47

3.2 A privatiza~io na Europa

49

3.3 A aplica~io da regulamenta~io europeia

49

3.4 A Iiberaliza~io na Europa 50

3.5 Os reguladores na Europa 51

3.6 Indicadores de mercado na Europa 54

4. A

globaliza~ao

das

telecomunica~oes

59

4.1 A globaliza~io dos clientes e dos fornecedores 60

4.1.1 A globalizayao dos c1ientes

60

4.1.2 A globalizayao dos fomecedores

60

4.2 A globaliza~io dos operadores de telecomunica~oes 61

4.2.1 Os operadores globais 61

4.2.2 A aquisiyao de operadores

62

4.3 As alian~as estrategicas 63

4.3.1 Os varios tipos de alianyas 63

4.3.2 A necessidade das alianyas estrategicas

64

4.3.3 Dificuldades enfrentadas pelas alianyas 65

4.4 Os parceiros para as telecomunica~oes portuguesas 65

4.4.1 A Portugal Telecom Intemacional 65

4.4.2 0 acordo com a Telebras e a Embratel

66

4.4.3 Os objectiv~s para a entrada em alianyas 66

(11)

5.

Modelo para a reestrutura~ao das Telecomunica~oes em Portugal

69

5.1 0 modelo actual

69

5.2 Metodologia para 0 estabelecimento de um modelo 72

5.2.1 Factores de mudan~a e necessidade de uma reestrutura~ao do sector 72 5.2.2 Metodologia para a reestrutura~ao do sector 72

5.3 Objectivo da reestrutura~ao do sector 73

5.3.1 A liberaliza~ao do mercado. 73

5.3.2 A privatiza~ao da Portugal Telecom 73

5.4 Requisitos para a reestrutura~ao do sector 74

5.4.1 Legisla~ao comunitaria 74 5.4.2 0 servi~o universal 75 5.4.3 0 rebalanceamento tarifario 75 5.5 0 modelo proposto

75

5.5.1 A regulamenta~ao 75 5.5.2 0 regulador 81 5.5.3 0 operador estabelecido 83

6.ANEXOS

85

(12)
(13)

1. Analise da

situa~ao

das

Telecomunica~oes

em

Portugal

Neste capitulo pretende-se analisar a situa<;ao do mercado das telecomunica<;oes em Portugal no final de 1995 (Figura 1). 0 estudo inicia-se com 0 enquadramento do sector na Economia Portuguesa. 0 mercado

e

descrito como base na oferta dos varios servi<;os pelos diferentes operadores. De seguida, analisam-se os clientes e fornecedores deste mercado. Segue-se uma analise dos diferentes tipos de concorrencia e do modo como actuam. Finalmente, descreve­ -se 0 factor do meio envolvente mais importante no sector: a regulamenta<;ao.

Fomecedores

Figura 1 - Analise do sector das te/ecomunica~jjes

1.1 As telecomunicaroes na Economia Portuguesa

A

semelhan<;a do que acontece a nivel mundial, 0 sector das telecomunica<;oes em Portugal tern vindo a assumir urn peso crescente na economia do pais. De acordo com 0 Instituto das Comunica<;oes de Portugal [1], os proveitos operacionais das empresas de telecomunica<;oesi representaram 2,7% do Produto Interno Bruto em 1990 e 2,9% em 1994.

(14)

Por outro lado, e resultante do grande esforc;o de modernizac;ao do sector, 0 valor dos

investimentos realizados pelas empresas do sector tern vindo a decrescer assumindo urn peso menor na Formac;ao Bruta de Capital FixOii : 4,3% em 1990 e 2,6% em 1994.

Retletindo urn aumento da produtividade e uma contenc;ao de custos, sobretudo do operador da rede basica, 0 numero de empregados no sector tern vindo a decrescer: 23563 pessoas em

1990 e 21512 em 1994.

A distribuic;ao dos servic;os mostra uma clara domimlncia dos servic;os tradicionais da rede fixa. Estes servic;os representavam, em 1994, 97% do mercado das telecomunicac;oes enquanto que os novos servic;os de comunicac;ao de dados e moveis tinham uma fracc;ao de 1 % e 2%, respectivamente [2].

1.2 A rede de telecomunicar;oes: os servir;os e a tecnologia

A regulamentac;ao no sector das telecomunicac;oes tern urn papel determinante no funcionamento do mercado ja que estabelece e define todo 0 ambiente da concorrencia bern como muitas das regras do mercado. Devido a esta importancia da regulamentac;ao neste sector, optou-se por descrever a rede de telecomunicac;oes e os seus servic;os com base na legislac;ao portuguesa. Partindo do conceito legal e recorrendo a simples noc;oes tecnologicas descrevem-se as varias redes, seus servic;os e tecnologia. Contudo, nem sempre esta legislac;ao

e

suficiente para a descric;ao e para a classificac;ao da rede de telecomunicac;oes e dos seus servic;os ja que a evoluc;ao tecnologica que bra as separac;oes entre as diferentes redes que a legislac;ao c1assificou.

1.2.1 A rede basica de

telecomunica~oes

A Lei de Bases das Telecomunicac;oes [3], estabelece as principais definic;oes e principios do sector em Portugal. De acordo com este documento legislativb, a rede basica de telecomunicac;oes (ver Figura 2)

e

composta:

• pelo "sistema fixo de acesso de assinante"; • pela "rede de transmissao";

• pelos "nos de concentrac;ao, comutac;ao ou processamento essencialmente destinados

a

prestac;ao de servic;os fundamentais de telecomunicac;oes".

(15)

Sistema fixo de acesso de assinante: "0 conjunto dos meios de transmissao localizados entre urn ponto fixo, ao nivel da ligaC(ao fisica ao equipamento terminal de assinante, e outro ponto, situado ao nivel da ligaC(ao fisica no primeiro no de concentraC(ao, comutaC(ao ou processamento". Este sistema e, pois, 0 que permite a IigaC(ao do utilizador

a

rede de telecomunicaC(oes e por este motivo e tambem denominado como rede fixa de acesso localiii • A designaC(ao de lacete de assinante e tambem usada.

A rede fixa de acesso local e usualmente constituida por urn par de fios de cobre podendo a transmissao dos sinais ser feita de modo analogico ou digital. Em locais mais remotos, onde possa ser dificil a colocaC(ao de infra-estruturas, e possivel recorrer a sistemas de radio ou de satelite para estabelecer a IigaC(ao entre 0 assinante e a rede. Existem varias redes de uso privado via sate lite em Portugal recorrendo a sistemas VSA T (Very Small Terminal). A

legislaC(ao nacional, contudo, nao os inclui.

Rede de transmissao: "0 conjunto de meios fisicos ou radioelectricos que estabelecem as ligaC(oes para transporte de informaC(ao entre os nos de concentraC(ao, comutaC(ao ou processamento". A rede de transmissao e os seus nos sao, pois, responsaveis pelo transporte do trafego e por este motivo esta rede e tambem conhecida por rede de transitoiv•

A rede de transito e constituida por um conjunto vasto de meios que podem incluir cabos coaxiais, cabos de fibra optica, feixes hertzianos, feixes de infra-vermelhos e satelites podendo a transmissao ser feita de modo analogico ou digital.

Em Junho de 1995, a rede nacional continental e europeia era constituida sobretudo por cabos de fibra 6ptica (58%) e por feixes hertzianos (40%) [2]. As ligaC(oes as Regioes Aut6nomas e as intercontinentais sao feitas recorrendo a cabos submarinos, em cabo coaxial ou de fibra optica, e a satelites.

Nos de concentra~ao, comuta~ao ou processamento: "os dispositivos ou sistemas que encaminham ou processam a informaC(ao com origem ou destino no sistema de acesso do assinante". Este n6s incluem as centrais de comutaC(ao, anal6gicas ou digitais, os pontos de concentraC(ao e os sistemas de multiplexagem.

Servi~os fundamentais de telecomunica~oes: "compreendem 0 serviC(o fixo de telefone e telex, bem como 0 serviC(o comutado de transmissao de dados".

Os serviC(os fundamentais podem ser definidos da seguinte forma [4]:

(16)

Servi~o fixo de telefone ou telefonia vocal: "a oferta do transporte endere9ado da voz, em tempo real, com origem e com destino nos pontos terminais da rede basica de teiecomunica90es, permitindo a qualquer utente utilizar 0 equipamento ligado ao seu ponto terminal para comunicar com outro ponto terminal".

Servi~o fixo de telex: "a oferta do transporte endere9ado de mensagens telex, com origem e com destino nos pontos terminais da rede basica de telecomunica90es, ( ...), permitindo a qualquer utente utilizar 0 equipamento ligado ao seu ponto terminal para comunicar com outro ponto terminal".

Servi~o fixo de comuta~ao de dados: "a oferta do transporte endere9ado de dados com origem e com destino no sistema fixo de acesso de assinante, permitindo a qualquer utente utilizar 0 equipamento ligado ao seu ponto terminal para comunicar com outro ponto terminal" .

Equipamento terminal No de concentraQiio

N6decomu~

...

...

Rede acesso local Rede de transito

Figura 2 • Uma rede bdsica de telecomunicar;oes

A evolu9iio do numero total de linhas em Portugal desde 1990 a 1995 esta registada no Gnifico 1.

(17)

Ii) <1> 10 ::5 §, (5 1990 1991 1992 1993 1994 1995 4,00 en 'iii 3,50 Co 3,64 '0 C 3,00 'C Co en 2,50 0 0 '2 2,00 :E! <1> 1,50 $ en 1,00

.s

en 0 0,50 Co <1> "C 0,00 «i

I-Grafteo 1 - Evolu9iio do numero total de linhas em Portugal (1990-1995), Fonte: ICP, PT.

A

medida que a procura desacelera, a taxa de crescimento do parque telef6nico diminui (Gnifico 2). 14%~--~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~-c~~~ 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% 1991 1992 1993 1994 1995

Grafteo 2 Evolw;iio da taxa de erescimento do parque telef6nieo em Portugal (1991-1995), Fonte: ICP, PT, A densidade do parque telefonico, medida como 0 nicio entre 0 numero total de linhas por 100 habitantes, foi de 37 linhas / 100 habitantes em 1995, aproximando-se da media comunitaria (Gnifico 3).

(18)

1/1 S c 40 B 35

:.a

co .r: 30 C) C)

-.... 25 0 20 1/1 'c(,,) 15 -0

....

CD 10 a; l- S 1/1 0

....

1/1 0 Il. 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995

Grajieo 3 - Evolufiio da densidade do parque telef6nieo em Portugal (1990-1995). Fonte: Iep. PT.

A digitaliza9ao da rede de comuta9ao local foi de 70% em 1995 prevendo-se que atinja 97% em 1997. A taxa de digitaliza9ao e de 100% na rede interurbana e 89% na rede intemacional [5].

No final de 1995, aRDIS (Rede Digital Integrada de Servi90s) tinha 7101 acessos basicos (64 kbitls) e 790 acessos primarios (2 Mbitls). 0 parque de postos publicos atingia os 33 100.

1.2.2 A rede fixa de telecomunica~oes complementares

A rede de telecomunica90es complementares e constituida pelas infra-estruturas complementares [6], i.e., as infra-estruturas de telecomunica90es de uso publico que nao integram a rede basica descrita no ponto anterior. Os servi90s de telecomunica90es complementares dividem-se em fixos ou moveis dependendo do modo como e feito 0 acesso do assinante e da natureza dos terminais.

No caso dos servi90s fixos, 0 acesso do assinante e feito atraves do sistema de acesso fixo de assinante da rede basica de telecomunica90es.

E

ainda possivel considerar as redes em que 0 acesso e feito atraves de sistemas de propaga9ao radioelectrica (via satelite ou radio) para terminais fixos.

Nos servi90s moveis, descritos no ponto seguinte, 0 acesso e feito atraves de sistemas de propaga9ao radioeIectrica devido

a

mobilidade dos terminais.

Entre os servi90s de telecomunica90es complementares fixos conta-se 0 correio electronico, a transferencia electronica de dados (EDI - Electronic Data Interchange), a transmissao de dados e os sistemas de videotexto.

(19)

E.

de referir que esta c1assifica9ao dos servi90s complementares e particular e (mica ao nosso pais. De facto, a Comunidade Europeia e os restantes paises europeus nao estabelecem estas diferen9as entre este tipo de servi90s e os de valor acrescentado (adiante descritos, 1.2.4). Esta particularidade deve-se, provavelmente, ao facto da Lei de Bases nacional ser anterior it legisla9ao comunitaria.

Em Portugal, as redes de transmissao de dados utilizam, sobretudo, a comuta9ao de pacotes com 0 protocolo X.25 dispondo tambem de acesso emframe relay.

1.2.3 A rede movel de

telecomunica~oes

complementares

A rede movel de telecomunica90es complementares e aquela em que 0 acesso do assinante e feito atraves de sistemas de propaga9ao radioelectricaV devido it natureza movel dos terminais. Entre os servi90s de telecomunica90es complementares moveis encontram-se: • Servi90 move I terrestre, tam bern conhecido como telemovel;

• Servi90 de chamadas de pessoas, vulgarmente denominado bip, telebip ou paging;

• Servi90 movel com recursos partilhados, tam bern chamado servi90 de comunica90es moveis ou truncking;

• Servi90 move I maritimo; • Servi90 move I aeronautico.

o

servi~o movel terrestre, de acordo com [7], "permite 0 estabelecimento de comunica90es endere9adas e bidireccionais entre equipamentos terminais de indole nao fixa (move is) e essencialmente destinados a utiliza9ao terrestre ou entre estes e terminais fixos".

A rede de aces so local que possibilita a liga9ao do terminal movel it rede de transito pode ter urn modo de transmissao analogico ou digital. 0 sistema analogico usado em Portugal e 0 C450 Siemens, contudo 0 sistema, mais difundido, e 0 digital conhecido como GSM 900

(Groupe Special Mobile ou Global System Mobile) que opera na banda dos 900 MHz. Esta

prevista a introdu9ao da nova tecnologia digital DCS 1800 na banda dos 1800 MHz.

o

servi~o de chamada de pessoas, de acordo com [8], "permite 0 estabelecimento de comunica90es nao vocais de baixo debito, endere9adas e unidireccionais para equipamentos terminais apropriados de indole nao fixa". 0 sistema usado em Portugal permite velocidades entre os 512 e os 1200 bps.

(20)

o

servi~o move} com recursos partilhados, de acordo [9], "perrnite 0 estabelecimento de comunica90es, endere9adas ou nao, bidireccionais, entre utilizadores de grupos fechados, atraves de equipamentos terrninais de indole nao fixa". Semelhante ao servi90 movel terrestre distingue-se deste ultimo porque a comunica9ao e feita dentro de urn grupo fechado de utilizadores. Para comunicar, urn utilizador utiliza urn dos canais de comunica9ao que e distribuido automaticamente e partilhado no tempo entre todos os utilizadores. Em Portugal, o protocolo utilizado e 0 MPT 1327.

o

servi~o movel maritimo possibilita a comunica9ao a partir das embarca90es maritimas. 0 servi90 pode ser prestado recorrendo

a

transmissao via radio ou

a

transmissao por satelite. A comunica9ao via radio e feita utilizando sistemas de Onda Media (300 a 3000 kHz), de Onda Curta (3 a 30 MHz) e em VHF (30 a 300 MHz) oferecendo servi90s de telefonia, telex e telegrafia. A comunica9ao via satelite e feita recorrendo a uma organiza9ao internacional gestora de sistemas de satelites, a INMARSA T, dispondo de servi90s telefonicos, telex e dados de baixa velocidade.

o

servi~o movel aeronautico perrnite a comunica9ao movel celular a partir de avioes com base em esta90es de radio terrestres. Em Portugal, a Marconi participa num projecto denominado TFTS (Terrestrial Flight Telephone Service) que preve a oferta deste servi90 numa rede europeia.

1.2.4 Os

senri~os

de valor acrescentado

Os servi90s de valor acrescentado, de acordo com [3], "sao aqueles que tendo como unico suporte os servi90s fundamentais ou complementares, nao exigem infra-estruturas de telecomunica90es proprias e sao diferenciaveis em rela9ao aos proprios servi90s que lhe servem de suporte".

Os servi90s de valor acrescentado podem ser classificados, de acordo com a sua natureza em: servi90s de natureza inforrnativa ou utilitaria e servi90s de caracter recreativo ou comercial. Entre os primeiros incluem-se servi90s de inforrna9ao sobre servi90s publicos, de noticias e de inforrna9ao especializada. Os segundos incluem compras por telefone, concursos e passatempos, astrologia, forums tematicos ou genericos e sondagens. A videoconferencia e tam bern considerada urn servi90 de valor acrescentado.

(21)

1.2.5 As redes de telecomunica~oes de difusao

As redes basica e complementares, descritas anteriormente, sao classificadas de acordo com a legislayao em telecomunicayoes publicas, devido it natureza dos utilizadores, e de uso publico ja que implicam 0 endereyamento da comunicayao. A mesma legislayao define

tambem as telecomunicayoes de difusao como telecomunicayoes publicas. As telecomunicayoes de difusao, designadas tam bern como teledifusao, sao aquelas em que a comunicayao e unidireccional e simultanea para varios pontos, nao exigindo endereyamento previo.

As redes de radiodifusao sonora e televisiva sao, por este motivo, classificadas como redes de telecomunicayoes de difusao, ou simplesmente de teledifusao.

Do ponto de vista tecnologico, estas redes podem ser classificadas: • Redes terrestres ou hertzianas.

o

regime de actividade de radiodifusao televisiva (ou radiotelevisao) esta regulamentado na denominada Lei de Televisao [10].

A rede terrestre portuguesa era constituida em 1995 por 77 emissores e 254 retransmissores na banda VHF (30 a 300 MHz) e UHF (300 a 3000 MHz) que difundia 6 canais com uma cobertura de 85 a 980/0, incluindo a Madeira e os Ayores [2].

• Redes por cabo.

Embora previstas desde a publicayao da Lei de Bases em 1985, so em 1991 foi estabelecido 0 regime de acesso e do exercicio de actividade destes operadores [11]. Cabe ao Governo, sob proposta do ICP, a autorizayao da actividade destes operadores. As licenyas sao concedidas por zonas geograficas que poderao corresponder a urn ou mais municipios. Os operadores deverao usar as infra-estruturas dos operadores basicos embora possam utilizar os seus proprios meios em caso de insuficiencia de capacidade.

E

de referir que, de acordo com a legislayao actual, os operadores de redes de televisao por cabo sao meros distribuidores de sinal alheios ao conteudo da programayao emitida devendo a mesma ser transmitida de "forma simultanea e integral". Tal significa que estas empresas nao podem ter emissoes proprias, inserir publicidade propria, etc. Espera-se, contudo, que futura legislayao comunitaria possa alterar esta situayao. A legislayao obriga ainda os operadores a distribuir os canais de televisao pUblicos.

(22)

A rede de televisao por cabo, em implementa~ao por dois operadores, tern uma distribui~ao em fibra 6ptica ou cabo ate ao repartidores a partir dos quais a difusao e feita em cabo coaxial.

• Redes via satelite.

Nao prevista explicitamente na legisla~ao portuguesa com diplomas especificas, estas redes estao ja liberalizadas no espa~o comunitario desde 1995 [12]. A directiva liberaliza todas as comunica~5es via satelite prevendo a possibilidade de instala~ao de esta~5es emissoras em qualquer ponto do espa~o comunitario.

A rede via sate lite difunde os canais nacionais para os A~ores e para a Madeira e 0 canal internacional da RTP. Alem destes canais nacionais, varios satelites de difusao directa tern cobertura em Portugal (Astra, Eutelsat, Intelsat, Hispasat, Panamsat) distribuindo canais de televisao.

1.3 Os operadores da rede

1.3.1 Os operadores da rede basica de

telecomunica~oes

Ao Estado Portugues compete assegurar a existencia e disponibilidade de urn servi~o publico de telecomunica~5es, podendo este ser explorado directamente ou atraves do estabelecimento de contratos de concessao com pessoas colectivas de direito privado ou publico.

o

Estado Portugues concessionou a gestao, a opera~ao e a manuten~ao da rede basica de telecomunica~5es it Portugal Telecom (PT).

A PT foi criada em 1994 como resultado da fusao de tres empresas detidas a 100% pela Estado Portugues [13]:

• os Telefones de Lisboa e Porto, TLP, empresa que detinha 0 monop6lio das comunica~5es

em Lisboa e no Porto;

• a Telecom Portugal, TP, empresa respons8.vel pelas restantes comunica~5es nacionais;

(23)

o

contrato de concessao da PT [14], estabelecido por urn periodo de 30 anos, com renovayoes por periodos adicionais de 15 anos, preve 0 regime de exclusivo para 0

estabelecimento, gestao e explorayao das infra-estruturas da rede basica necessarias it

prestayao dos serviyos fixo de telefone e de telex, de circuitos alugados e telegrafico, no territ6rio nacional e assegurando as ligayoes intemacionais. Tal regime monopolista po de, contudo, ser alterado com a liberalizayao do sector a nivel comunitario. A PT pode sub­ concessionar estes serviyos a outro operador, mediante autorizayao do Govemo.

Os preyos dos serviyos prestados em exclusivo sao estabelecidos numa Convenyao de Preyos que vigora por periodos de 3 anos onde se estabelecem as variayoes de preyOS, bern como indicadores da qualidade do serviyo prestado e grau de desenvolvimento da rede. A actual convenyao foi estabelecida para 0 periodo de 1995 a 1997.

A prestayao do serviyo universal esta prevista na concessao para os serviyos fixo de telefonia, telex, telegrafia e transmissao de dados. Esta igualmente previsto que aquando da liberalizayao destes serviyos, aPT possa ser recompensada por esta obrigayao.

Como contrapartida desta concessao, a PT tera de pagar ao Estado uma renda anual correspondente a 1% da receita bruta de explorayao dos serviyos concessionados. 0 incumprimento das obrigayoes do contrato de concessao pode ser penalizada com multas. Aquando da privatizayao da Portugal Telecom realizada em lunho de 1995, a CPRM, Companhia Portuguesa Radio Marconi, foi integrado no grupo PTvi • Esta empresa foi fundada em 1922 pela sua congenere norte-americana, Marconi's Wireless and Telegraph Company, Ldt, tendo recebido do Estado Portugues a concessao das ligayoes intercontinentais, it Madeira e aos Ayores.

o

Estado Portugues detinha, it data da privatizayao da PT, cerca de 51 % do capital da CPRM que se encontrava transaccionado na Boisa Portuguesa. Os restantes accionistas incluiam 0

Grupo Espirito Santo (cerca de 10%), investidores institucionais nacionais e estrangeiros (cerca 350/0) e pequenos accionistas (cerca de 4%).

(24)

Durante 0 processo de privatiza9ao, em lunho de 95, 0 Estado transferiu as suas aC90es para aPT e os accionistas da Marconi puderam adquirir aC90es da PT usando em troca as aC90es que detinham da Marconi. Neste processo de transferencia de capitais e troca de aC90es, aPT conseguiu urn controlo de cerca de 96,5% das aC90es da Marconi. Ap6s 0 lan9amento de uma Oferta Publica de Aquisi9ao obrigat6ria sobre 0 restante capital, a PT ficou com 0 controlo total da Marconi.

o

Estado cessou 0 contrato de concessao da Marconi em Outubro de 95. Preve-se a assinatura de urn contrato de sub-concessao, entre a PT e Marconi, ficando esta com a responsabilidade do tnifego intemacional.

1.3.2 Os operadores da rede fixa de

telecomunica~oes

complementares

Os servi90s de telecomunica90es complementares fixos (STCF) estao abertos a concorrencia desde 1990 e podem ser oferecidos por operadores devidamente licenciados pelo Instituto de Comunica90es de Portugal nao existindo qualquer restri9ao ao numero de operadores. Os operadores do servi90 basico tam bern podem oferecer estes servi90s desde que devidamente licenciados.

No final de 1995 estavam licenciados os seguintes operadores:

• Telepac, Servi90s de Telecomunica90es SA, cujo capital e detido pela PT (1000/0). Detem licen9a operar servi90s de transmissao de dados com comuta9ao.

• Comnexo, Redes de Comunica9ao SA, cujo capital e detido pelo grupo Com pta (890/0). Detem tres licen9as para operar servi90s de transmissao de dados com ou sem comuta9ao, de correio electr6nico e de transferencia electr6nica de dados. Possui acordos com a British Telecom para acesso as suas redes.

• AT&T Portugal Comunica90es SA. Detem licen9a para operar servi90s de transmissao de dados com ou sem comuta9ao.

• SIBS, Sociedade Interbancaria de Servi90s SA. Detem duas licen9as para operar servi90s de transmissao de dados com ou sem comuta9ao e de transferencia electr6nica de dados. • TSVA, Telecomunica90es de Valor Acrescentado SA. Detem licen9a para operar servi90s

de transmissao de dados, com ou sem comuta9ao.

• France Telecom. Detem tres licen9as para operar servi90s de transmissao de dados com ou sem comuta9ao, de correio electr6nico e de transferencia electr6nica de dados.

(25)

• Compensa. Empresa detida a 100% pela IBM Portuguesa. Detem licen9as para operar servi90s de transmissao de dados com ou sem comuta9ao.

• Sprint. Detem licen9as para operar servi90s de transmissao de dados com ou sem comuta9ao.

A maior rede de comunica9ao de dados a nivel mundial, a Internet, distribui os seus acessos atraves dos fornecedores de servi90s. Em Portugal, 0 maior fornecedor e a Telepac existindo varios outros pequenos fornecedores.

1.3.3 Os operadores da rede movel de

telecomunica~oes

complementares

Tal como os STCF, os servi90s de telecomunica90es complementares m6veis (STCM) encontram-se abertos

a

concorrencia desde 1991. As licen9as para estes servi90s foram obtidas atraves de concursos publicos realizados pelo Instituto das Comunica90es de Portugal. Ao contnirio dos STCF, 0 numero de operadores no mercado esta condicionada

a

existencia de frequencias disponiveis.

• Servi~o movel terrestre

- TELECEL, Telecomunica90es Pessoais, S.A. cujo capital e detido pelo Espirito Santo Irmaos SGPS (37,5%), pela Amorim Investimentos e Participa90es (37,50/0), pela AirTouch International (23%) e pela Eurofon of Portugal (2%).

- TMN, Telecomunica90es M6veis Nacionais S.A. cujo capital

e

detido pela PT (100%). • Servi~o de chamada de pessoas

- CONTACTEL, Chamada de pessoas Lda., cujo capital e detido pelo Grupo PT (51%), pela Telefonica International Holding B.V. (15%), pela Prom industria, Sociedade Portuguesa de Capital de Risco (150/0), pela Matrix Telecommunications Limited (10%) e pelo BPI, Banco Portugues de Investimento SA.

- TLM-Telemensagem, Chamada de pessoas Lda., cujo capital e detido a 100% pela Portugal Telecom.

- TELECHAMADA, Chamada de pessoas S.A., cujo capital e detido a 1000/0 pela Telecel.

- FINACOM, Servi90 de chamadas S.A.., cujo capital

e

detido pela Finacom Telecomunica90es (80%), pela Compagnie General des Eaux (18%) e pela Hutchinson (20/0).

(26)

o

Grupo PT detem participa<;ao em duas empresas concorrentes, situa<;ao herdada a quando da integra<;ao da Marconi no Grupo. Esta situa<;ao nao e permitida pela lei e como tal, 0 Grupo PT sera for<;ado a vender uma das suas participa<;oes, provavelmente a Contactel.

• Servi~o movel com recursos partilhados

- Radiomovel, Telecomunica<;oes S.A., cujo capital e detido pela Financom Telecomunica<;oes (40%), pela Telemensagem (35%) e pela Protocall Venture (25%).

- REPART, Sistemas de Comunica<;oes de Recursos Partilhados S.A., cujo capital e detido pela Reditus (22%), pela NSC, Novos Servi<;os de Comunica<;oes (58%), pela Crocker Delaforce (10%) e pela CR&D, Consultores de Gestao (10%).

1.3.4 Os operadores de

servi~os

de valor acrescentado

Estes servi<;os encontram-se abertos

a

concorrencia e a sua oferta esta sujeita a uma autoriza<;ao previa pelo Instituto de Comunica<;oes de Portugal. Em 1994 encontravam-se licenciados 22 operadores para prestar este tipo de servi<;os, dedicando-se a maioria destes a servi<;os de valor acrescentado baseados no servi<;o telefonico fixo.

1.3.5 Os operadores das redes de teledifusio

• Redes Terrestres

Com 0 aparecimento das televisoes privadas em Portugal, SIC, Sociedade Independente

de Comunica<;ao e TVI, Televisao Independente, tornou-se necessario a separa<;ao das fun<;oes de transporte do sinal de televisao e da opera<;ao do canal. Por este motivo, foi criada a Teledifusora de Portugal, TDP, com a responsabilidade de operar e gerir a rede de transporte terrestre de televisao. Os canais de televisao privados puderam optar entre usar os meios da TDP ou construir uma rede propria. A SIC escolheu a prime ira hipotese enquanto a TVI optou pela segunda.

Para distribuir os seus sinais, qualquer dos operadores po de usar os seus proprios meios (TVI) ou recorrer aos operadores basicos (SIC).

E

neste ponto que se funde 0 servi<;o

telefonico com a televisao ja que ambos podem usar a mesma rede. Certamente por este motivo, aquando da cria<;ao da PT, a TDP foi integrada neste operador. Actualmente, aPT as segura a distribui<;ao terrestre de televisao.

(27)

Tres grupos encontram-se ja licenciados: a TV Cabo Portugal, a TVTEL, e a Multicanal. Estes grupos operam, geralmente, em holding gerando pequenas empresas que operam as redes a nivel local.

A TV Cabo e detida a 100% pela PT e detem 9 licen9as para operar zonas do Pais. Opera atraves de empresas regionais: TV Cabo Lisboa, TV Cabo Porto, TV Cabo Tejo, TV Cabo Douro, TV Cabo Sado, TV Cabo Mondego e TV Cabo Guadiana e ainda na Cabo TV A90reana e Cabo TV Madeirense.

A TVTEL opera a partir de empresas regionais em Aveiro, Leiria, Braga, Guimaraes, Santo Tirso e Vila Nova de Famalicao em conjunto com a Philips, a Intercabo e a Partex. Detem uma licen9a para operar em Braga atraves da BRAGA TEL, Companhia de TV por Cabo de Braga, S.A .. Tern projectos para 0 desenvolvimento nas areas metropolitanas de Lisboa e Porto e preve a expansao a Coimbra, Santarem, Viseu e Viana do Castelo.

A Multicanal e uma joint-venture da Lusomundo e da United International Holdings. Ira operar a partir da Multicanal Capital que cobre Lisboa, Loures, Amadora e Vila Franca de Xira; da Multicanal Norte que operara no Porto, Matosinhos, Valongo, Gondomar, Gaia e Maia; da Multicanal SuI que ira actuar em Almada, Barreiro, Moita, Montijo e Seixal e da Multicanal Atlantico que se ira estabelecer em Cascais, Sintra e Oeiras.

1.4 Os clientes

1.4.1 Os clientes da rede basica de telecomunica~oes

No final de 1995, a PT detinha urn parque de 3,6 milhoes de linhas repartidas por clientes residenciais (770/0), profissionais (22%) e postos publicos (1 %).

As receitas do servi90 telef6nico foram de 327 milhoes de contos repartidos em tnifego nacional, 237,529 milhoes de contos (73%), e internacional, 89,479 milhoes de contos (270/0).

o

trafego nacional reparte-se em local e regional (40%) e interurbano (60%). 0 trafego europeu provem na sua maioria (57% do trafego total internacional de saida e 570/0 do de entrada) de alguns paises: Fran9a, Espanha, Reino Unido e Alemanha. 0 trafego intercontinental reparte-se principalmente pelos EUA, Brasil, Angola e Canada.

Do total das receitas do servi90 telef6nico nacional em 1995, cerca de 65,9% provinha do trafego e 34,1% das taxas fixas [15].

(28)

1.4.2 Os clientes das redes complementares

De acordo com 0 ICP, 0 servi90 cornutado de transrnissao de dados tinha 10 569 pontos terminais de rede em 1992 e 12 837 em 1994. Porern, e de referir que estes dados se referern sornente ao operador Telepac estirnando-se que os restantes operadores atinjarn urn nurnero significativo de clientes a partir de 1995.

Acornpanhando a tendencia rnundial, tam bern em Portugal 0 nurnero de ades5es

a

Internet tern sido rnuito grande. Estirna-se em 30 000 0 nurnero total de clientes em Portugal no final de 1995.

Os clientes dos servi90s rn6veis terrestres cresceram exponencialmente desde 1990 e atingiram os 341 000 em 1995 (Gnlfico 4). Considerando 0 nurnero total de clientes (das redes digital e anaI6gica), estirna-se que os dois concorrentes detem a rnesrna quota de rnercado (50%). ~ 350000 I I 00 i i 1/1 300000 i 250000 I

.s

c:: .!!! 200000 13 CD "C 150000 0 I

...

CD E 100000 ':::::lI Z I I 50000 0 1992 1993 1994 1995

Grafteo 4 -Evolur;tio do Servir;o Movel Terrestre (1990-95). Fonte: Iep, TMN, Teleeel.

o

Servi90 de chamada de pessoas tinha 4248 clientes em 1990 e 135 000 em 1995 (Gnlfico 5).

(29)

140000 120000 (I) 100000 S c .!!! 80000 U c» "C 0

...

60000 c»

e

'::S 40000 Z 20000 0 1991 1992 1993 1994 1995

Grafico 5 -Evoluqiio do Serviqo de Chamada de Pessoas (/990-95). Fonte: ICP, Imprensa, Estimativas

Dada a sua recente entrada no mercado, e 0 segmento de mercado a que dirige, 0 servi~o movel terrestre com recursos partilhados ainda nao atingiu urn numero significativo de clientes.

1.5 Osfornecedores

Os principais fomecedores deste sector, empresas de hardware e software para sistemas de telecomunica~oes, sao os grandes grupos mundiais da industria electronica e informatica.

Os operadores publicos representam a maior fatia das suas encomendas (57% em 1990 no mercado mundial de acordo com [16]), devido ao seu grande volume, mas as empresas em geral e 0 grande publico tern registado acrescimos no consumo.

Em Portugal, os fomecedores assumem tres tipos de fun~oes:

• Fabricantes

Ao nivel da equipamentos de comuta~ao destacam-se a Alcatel (57% do mercado), a Siemens (43% do mercado) tendo as vendas totalizado 15 milhoes de contos em 1995. A Sistel fabrica centrais rurais [2].

Relativamente aos sistemas de transmissao, refere-se a Alcatel, a Efacec e a Sistel. As vendas totais deste tipo de equipamento, incluindo fabrica~ao e importa~ao, atingiram os

(30)

A CEL-CAT, a Cabelte, a F.Cunha Barros, a Alcobre, a Cabos de Avila e a Solidal sao os principais fabricantes de cabos telef6nicos (incluindo fibra 6ptica). A produ9aO de cabos atingiu os 23 milhoes de contos em 1994 [2].

A fabrica9ao de equipamento terminal tern pouca expressao.

• Comerciantes

Em Portugal, estas empresas actuam directamente ou atraves de representa90es. Destacam-se no mercado nacional: a Alcatel, a Siemens, a Ericsson, a Philips, a AEG, a Control Data, a IBM, a HP, a ICL, a Infonet, a Nokia, a Northern Telecom, a Olivetti e ainda a Compta, a Emptel, a Iristel, a Sistel, a Efacec, a EID, a Elotecnico, a Decada, a Datec, a Motorola, a Ensitel, a Omnitecnica, a Ondex, a Beltr6nica, a Pinto Basto, a Rima, a Nortel, etc.

• Instaladores

Alem dos fabricantes e comerciantes, destacam-se no mercado nacional varias empresas instaladoras como a CME, a MARPE, a PTC, a Sirti, a STE, a Televario, a Telcabo e a Visabeira [2].

De acordo com a ANIMEE , em 1994, a produ9ao de equipamento atingiu os 39 milhoes de contos, a exporta9ao

10

milhoes e a importa9ao 48,5 milhoes de contos.

A nivel mundial, em 1990, 0 mercado mundial de equipamentos de telecomunica90es era de 110 000 milhoes de ECU [16]. Os dez maiores fabricantes de equipamentos de telecomunica90es foram: AT&T, Alcatel, Siemens, Ericsson, NEC, Northern Telecom, Motorola, GTE, Bosch e Fujitsu.

1.6 Concorrencia

Pretende-se neste ponto estudar a concorrencia na oferta dos servi90s fundamentais, nomeadamente no servi90 telef6nico. Apesar destes servi90s serem os unicos a operar em regime de monop6lio, existem alternativas para 0 cliente. Algumas destas alternativas nao sao legalmente possiveis em Portugal mas constituem solu90es importantes noutros paises. Outras alternativas em bora nao estejam disponiveis comercialmente sao apostas com urn grande potencial a curto prrazo.

(31)

• concorrencia entre redes de telecomunica.;oes: entre a rede movel e a rede fixa, entre a rede com acesso local fixo e a com acesso local via radio ou via sate lite, e finalmente entre a rede de televisao por cabo e a rede fixa;

• concorrencia dentro das redes de telecomunica.;oes: recorrendo a rede basica actual e possivel oferecer servi~os alternativos ao servi~o publico atraves de servi~os de call back, revenda de capacidade, etc.;

• concorrencia de redes alternativas ("nlo basicas) de telecomunica.;oes: inurn eras empresas distribuidoras de electricidade, de agua, de gas, de televisao terrestre e empresas de transportes ferreos possuem redes onde e possivel a distribui~ao de servi~os de telecomunica~oes.

1.6.1 A concorrencia entre redes de

telecomunica~oes

1.6.1.1

Movei versusjIXo

Todos os servi~os rnoveis (telemovel, bip, truncking) ofere cern aos seus clientes uma altemativa ao servi~o fixo.

Inicialmente os servi~os moveis foram oferecidos as empresas mas 0 decrescirno brutal do custo dos terminais (0 pre~o de urn telemovel em 1994 e urn quarto do pre~o de 1991) tern atraido os clientes residenciais. Assiste-se hoje a uma verdadeira guerra de marketing entre os operadores do servi~o movel no sentido de conquistar estes novos clientes atraves: do lan~arnento de campanhas para a banaliza~ao do servi~o (com situa~oes familiares de utiliza~ao do servi~o), da introdu~ao de pacotes tarifarios inovadores (com descontos de quantidade, tarifas fora das horas de pico, etc.) e do lan~amento frequente de ~ovos servi~os associados (correio de voz, fax, etc.). Por outro lado, os clientes veem 0 telemovel como urn instrurnento de cornunica~ao adequado aos seus estilos de vida. Por estas razoes tern-se assistido a urna explosao de crescimento dos servi~os moveis. 0 crescimento do movel celular em Portugal em 1993 foi de 1720/0 , em 1994 de 71 % e em 1995 de 96%. 0 paging atingiu taxas de crescimento de 100% em 1993, de 52% em 1994 e de 51% em 1995.

Estes servi~os podern ser considerados, contudo, como complementares ao servi~o fixo no sentido em que os clientes nao deixam de possuir urn telefone em casa quando adquirem urn telernovel. Pon!m, 0 efeito de substitui~ao esta sempre presente sobretudo nos casos onde a

rede fixa nao oferece urna altemativa (pouca qualidade ou inacessibilidade) ou quando os pre~os das chamadas interurbanas decrescern aproximando-se dos das redes moveis.

(32)

1.6.1.2 Via satelite versus via terrestre

As comunicay6es pessoais sao tambem posslveis recorrendo a sistemas alternativos de comunicay6es como as redes de sate lites. 0 desenvolvimento da tecnologia das comunicay6es por satelite possibilita uma reduyao dos terminais (de antenas com alguns metros para terminais de bolso) e 0 alargamento da area em que e possivel a comunicayao. Ate meados de 1994, mais de vinte sistemas de satelites dedicados a comunicay6es m6veis foram propostos [17]. Entre os sistemas dedicados a comunicay6es mundiais destacam-se seis sistemas: Ellipso, Odyssey, Globalstar, Iridium, Inmarsat P e Aries. Estes sistemas baseiam-se numa constelayao de seis a quarenta e oito satelites de baixa e media altitude (1500 a 10000 km) em orbitas inclinadasvii•

Estes novos sistemas vao oferecer uma alternativa ao serviyo fixo no final do seculo possibilitando a comunicayao entre dois quaisquer pontos m6veis do mundo.

1.6.1.3 0 acesso local: com ou semfios

o

acesso local do assinante po de ser feito recorrendo a comunicayoes via radio substituindo deste modo os tradicionais fios de cobre. Devido

a

falta de seguranya da transmissao, estes sistemas tern sido pouco usados na rede de acesso local sendo somente utilizados em zonas de acesso remoto ou isoladas.

A Telecom Finland [18], operador de longa distancia finlandes, ira utilizar esta tecnologia para efectuar 0 acesso local e poder desta forma competir com os operadores locais. Segundo afirmam responsaveis da empresa, nao e economicamente viavel a construyao de uma nova rede local com fios de cobre. Por este motivo, a Telecom Finland estabeleceu urn acordo com a Northern Telecom e a Ionica (operador de telecomunicay6es publicas licenciado no Reino Unido) que propos urn sistema sem fios de acesso local baseado num sistema proprietario de transmissao via radio. Uma experiencia pHoto do sistema foi calendarizada para 0 final de

1994 e as primeiras instalayoes para 1995.

1.6.1.4 A rede de televisiio por cabo

A rede de televisao por cabo foi inicialmente concebida e usada para a distribuiyao e difusao de programas de televisao. Porem, a evoluyao da tecnologia possibilita a oferta de outros serviyos nomeadamente 0 telefone permitindo 0 acesso local ao cliente.

vii Os satelites de comunica~oes actuais sao geoestacionarios girando em 6rbitas equatoriais a 36000 km de

(33)

Contudo, a envolvente legislativa proibe em muitos casos, como em Portugal, que 0 operador de televisao por cabo possa oferecer servi90s fundamentais. 0 caso do Reino Unido e uma excep9ao na Europa. Desde 1991 foi possivel os operadores de cabo oferecerem servi90s de telefone nas suas redes e contavam ja com 375 000 assinantes em Abril de 1994 (em media, 150 000 assinantes por ano). Este numero contrasta com 0 numero de assinantes de televisao por cabo: 780000 ao tim de 11 anos, i.e., em media, 71000 assinantes por ano, e mostra bern

o sucesso dos operadores de televisao a vender telefone [19].

A questao da oferta de servi90s basicos pelos operadores de cabo tern sido amplamente discutida e a Comunidade Europeia prepara-se para legislar sobre 0 assunto.

1.6.2 A concorrencia dentro da rede basica de

telecomunica~oes

1.6.2.1 Revendedores de capacidade

Sempre que existem ineticiencias ao nivel da oferta ou margens muito elevadas, surge espa90 no mercado para 0 aparecimento de intermediarios, os revendedores de capacidade. Estas empresas alugam aos operadores circuitos privados que depois vendem a terceiros; constituindo autenticos "retalhistas", comprando a grosso e vendendo a retalho.

Estas empresas actuam quer a nivel nacional quer a nivel intemacional. A opera9ao e oferta destas empresas nos circuitos intemacionais constitui uma seria amea9a ao trafego dos operadores tradicionais, com elevadas tarifas baseadas nas taxas de contabiliza9ao. Certamente, por este motivo, a revenda de capacidade e proibida em Portugal e noutros paises europeus. Todavia, esta actividade e permitida nos mercados mais liberalizados tais como: 0 Reino Unido, Suecia, Australia e Canada [19].

1.6.2.2

Servifos call back

Estes servi90s exploram as diferen9as entre tarifas entre do is paises ja que permitem reverter o sentido da chamada. Por este motivo, urn grande numero destas empresas encontram-se nos Estados Unidos da America [20].

(34)

As empresas que ofere cern este tipo de servi90 fornecem ao utilizador urn c6digo de acesso (urn numero de telefone ligado ao equipamento de call back). Quando urn cliente pretende realizar urn telefonema, marca 0 referido numero, espera uma sinaliza9ao sonora do equipamento e desliga 0 telefone. Alguns segundos mais tarde, 0 equipamento devolve-Ihe a chamada e 0 cliente tern nesse instante acesso a linha a partir do local onde esta instalado 0 equipamento. Alternativamente, em vez do c6digo de acesso, a liga9ao pode ser estabelecida atraves de uma linha verde (linha gratis para 0 chamador).

Em Portugal a ATC, American Telephone Company, representada pela EGAL, e a DIT, Directdial International Communications, representada pela The News, come9aram a oferecer estes servi90s. Contudo, no final de 1995, 0 ICP ilegalizou este servi90 ja que considera que 0 call back integra a n09ao de servi90 telef6nico publico, sendo este servi90 reservado as entidades tituladas por contrato de concessao.

1.6.2.3 Operadores de servi,os complementares e de valor acrescentado

Uma das formas de competir nos mercados em que a revenda simples de capacidade esta proibida e atraves dos servi90s de valor acrescentado (em Portugal, atraves dos operadores de servi90s complementares). Estes operadores alugam capacidade aos operadores publicos de telecomunica90es e revendem-na acrescentando algum beneficio ou valor para 0 cliente. Estes operadores ofere cern Servi90S de correio electr6nico, acesso a bases de dados, servi90s de EDI (Electronic Data Interchange), etc.

A Internet, uma rede de comunica9ao de dados global, oferece ja aos seus utilizadores alternativas as redes tradicionais. De facto, recorrendo a Internet e possivel enviar urn fax internacional pelo pre90 da utiliza9ao da rede (Le., comunica90es locais). Por exemplo, para enviar urn fax de Portugal para os EUA, basta aceder a urn servidor deste servi90, escrever 0 texto a enviar bern como os dados de encaminhamento do fax. 0 fax sera encaminhado atraves da Internet ate urn fornecedor nos EU A que estabelecera uma chamada local para 0 seu envio. 0 que se passa por urn envio de urn fax, e tambem possivel para voz e video existindo ja varias aplica90es na Internet.

(35)

1~6.2.4 Integra~iio

vertical: grupos jechados de utilizadores

A Comunidade Europeia introduziu 0 conceito de grupo fechado de utilizadores (closed user

group) como um conjunto de empresas com interesses empresariais similares. Em alguns

paises europeus (Alemanha, Fran~a, Reino Unido, Suecia, Dinamarca e Finlandia) e possivel a revenda de capacidade intemacional desde que os utilizadores perten~am ao mesmo grupo fechado de utilizadores [19].

Este mesmo conceito foi usado por um grupo de dezoito grandes empresas europeias (incluindo a ABB, ABN Amro, ICI, Philips, Rank Xerox e Shell) que formaram a Associa~ao Europeia de Utilizadores de Redes Privadas Virtuais com 0 objectiv~ de criar uma Rede Privada Virtuatiii pan-europeia competitiva ao nivel dos custos. Em Abril de 1994, a associa~ao lan~ou um concurso para 0 fomecimento de uma Rede Privada Virtual para servi~os vocais que foi ganho por um consorcio entre a Unisourse, British Telecom e AT&T. Estima-se que 0 volume anual de despesas de telecomunica~5es deste grupo de utilizadores seja superior a um biliao de libras esterlinas e a poupan~a da ordem dos 20% [19].

1.6.3 A concorrencia de redes altemativas

1.6.3.1 Redesjirreas, de electricidade, de ligua, de gas, de estradas e de televisiio

Redes de distribui~ad tais como a de electricidade, a de agua, a de gas ou a de televisao e as redes ferreas ou as de estradas podem ser modificadas de modo a possibilitarem a oferta de servi~os telef6nicos.

Em Portugal a TVI, que inicialmente possuia uma rede propria para distribui~ao de televisao, constitui uma empresa para a gestao aut6noma da sua rede , a RETI, e estuda neste momenta a possibilidade de oferecer servi~os de telecomunica~5es. A legisla~ao portuguesa actual nao o permite mas os ventos europeus da liberaliza~ao anunciam a queda destas barreiras legais.

(36)

1.7 A

regulamenta~iio

das

telecomunica~{jes 1.7.1 0 regulador

Em Portugal a regulamentayao das telecomunicayoes cabe ao Ministerio do Equipamento Social (0 anterior Ministerio das Obras Publicas, Transportes e Comunicayoes). Para auxiliar o Ministerio nesta tarefa, foi criado em 1981 0 Instituto de Comunicayoes de Portugal (ICP)

[21] embora so em 1989 tenha entrado em funcionamento efectivo [22].

E

urn instituto publico dotado com autonomia administrativa, financeira e patrimonio proprio pertencendo a tutela do MES.

1.7.2 A missao do regulador

A missao do regulador deve ser clara para todos as entidades do mercado e os seus objectivos devem ser definidos e mensuniveis. So com a clareza do que se pretende atingir e quando e possivel trayar estrategias que podem ser avaliadas e corrigidas.

Quer a missao, quer os objectiv~s a atingir devem constar dos estatutos do regulador de modo a que estes sejam evidentes para todas as entidades do mercado.

o

decreto-Iei que criou 0 ICP [22] esclarece que este "tern por finalidade 0 apoio ao Governo na coordenayao, tutela e planeamento do sector das comunicayoes ( ... ) bern como a representayao desse sector e a gestao do espectro radioelectrico". Dentro das sua competencias, 0 ICP devera "colaborar activamente na definiyao das medidas de politica das comunicayoes em Portugal".

1.7.3 As fun~oes do regulador

As funyoes do regulador repartem-se entre 0 ICP e 0 MES e sao as seguintes [23]:

• Regula~ao das entradas de novos operadores

Cabe ao ICP licenciar os novos operadores. No caso dos serviyos de valor acrescentado 0 processo resume-se a urn mere registo do operador. Os serviyos complementares fixos sao sujeitos a urn licenciamento previo e 0 ICP impos requisitos financeiros as empresas concorrentes que tern side alvo de criticas pela Comissao Europeia porque restringem 0

livre acesso ao mercado. No caso dos serviyos m6veis, as licenyas foram atribuidas atraves de urn concurso publico.

(37)

As condi90es de opera9ao sao tambem estabelecidas pelo

rcp,

e no caso dos operadores complementares, exige-se a utiliza9ao da rede basica para a interliga9ao. Este ponto tern sido objecto de debate, nomeadamente pela Telecel, que se queixa das condi90es de ~nterliga9aoix.

• Regula~ao dos pre~os ao consumidor

Ate 1992, a regula9ao dos pre90s era feita pelo Governo servindo como instrumento da politica macroeconomica. A partir desta dataX, 0 pre90 dos servi90s basicos e estabelecido atraves de uma Conven9ao trianual entre os operadores, a Direc9ao Geral de Concorrencia e Pre90s, direc9ao dependente do Ministerio do Comercio e Turismo, e 0 ICP [24]. Todavia, os pre90s acordados pela Conven9ao estao sujeitos a autoriza9ao governamental.

E

de referir que so 0 pre90 dos servi90s basicos e regulamentado; nos servi90s liberalizados 0 pre90 e livre e estabelecido pelo mercado.

• Regula~ao dos pre~os de interliga~ao

A defini9ao dos pre90s de interliga9ao e fundamental para 0 desenvolvimento de urn mercado liberalizado. A interliga9ao dos novos operadores

a

rede basica bern como as condi90es para 0 fazer sao elementos essenciais para 0 estabelecimento do negocio e da estrutura competitiva dos novos operadores. Em Portugal, estes acordos sao estabelecidos entre os operadores da rede basica e os novos concorrentes e tern sido alvo de criticas por parte destes ultimos. A Telecel tern argumentado contra os altos pre90s a pagar pela utiliza9ao da infra-estrutura basica. Segundo esta empresa, os custos de interliga9ao representaram 37% das despesas em 1994 enquanto que em outros mercados liberalizados estes custos se situam entre os 10 e os 20%.

o

estabelecimento destes acordos e uma tarefa dificil e os novos operadores enfrentam varias dificuldades [19]:

- assimetria das posi90es negociais do operador estabelecido e do novo operador; - sigilo sobre os acordos previamente estabelecidos;

- dificuldade de estabelecer urn plano de negocio sem conhecer estes custos.

(38)

Estas dificuldade podem ser obviadas se os acordos forem publicos ou se forem estabelecidos apriori (antes da entrada no mercado).

• Gestio do sistema de numeraf;io e a garantia de igualdade de acesso

No caso de existirem varios operadores do servil;o telef6nico ha que garantir que todos tern as mesmas condi«;oes de igualdade de acesso ao cliente final. Esta questao foi implementada nos EVA e de modo parcial no Reino Vnido, Suecia e Finlandia. Nestes paises, 0 cliente pode optar entre os varios operadores atraves da selec«;ao de urn indicativo distinto que encaminha 0 trafego para a rede de cada operador.

Esta questao esta intimamente ligada aos sistemas de numera«;ao. 0 desenvolvimento e a estrutura dos sistemas de numera«;ao influencia 0 mercado e 0 desenvolvimento da concorrencia. 0 novo operador necessita de novos numeros para os seus assinantes e tern de convencer os seus clientes a mudar de numero. Ha, pois, que gerir 0 sistema de numera«;ao e evoluir no sentido do estabelecimento de urn numero universal [19].

Em Portugal estas questoes ainda nao sao importantes porque nao existe concorrencia no acesso local.

• Gestio do espectro radioelectrico

o

ICP e responsavel pela gestao do espectro radioelectrico. • A normalizaf;io e homologaf;io de terminais

o

ICP e responsavel pela normaliza«;ao e homologa«;ao dos equipamentos terminais. • Representaf;io do pais em organismos internacionais

o

ICP e responsavel pela representa«;ao portuguesa em alguns organismos intemacionais.

1.7.4 A independencia do regulador

o

regulador de urn mercado deve ser uma autoridade independente e aut6noma quer dos operadores do mercado quer do poder politico.

A independencia do operador estabelecido garante aos novos operadores igualdade de tratamento. A independencia do poder politico garante uma continuidade de estrategia sem que esta possa estar sujeita a mudanyas de curto prazo resultantes de poHticas govemamentais.

(39)

Ainda que quase sempre 0 regulador seja dependente de urn organismo governamental, este organismo deve ser distinto do que tutela 0 operador estabelecido. Isto porque "nao se pode ser arbitro e jogador ao mesmo tempo".

No caso portugues a independencia do poder politico e muito limitada ja que 0 ICP depende do MES.

E

ao MES que cabe a nomea~ao e demissao do Conselho de Administra~ao do

rcp

que tern urn mandato de tres anos (inferior ao do Govemo). Por outr~ lado cabe a este mesmo ministerio a tutela das empresas publicas do sector (i.e., da PT).

Embora 0 ICP seja independente dos operadores publicos, 0 facto de muitos dos seus funcionarios terem vindo destes operadores pod era comprometer esta independencia.

Porem, a nivel financeiro, este organismo e independente quer dos operadores quer do govemo. As suas receitas proveem da gestao do espectro electrico. Esta situa~ao e particularmente inedita a nivel europeu onde a tal gestao nao pertence ao regulador ou quando e da sua responsabilidade nao 0 sao as receitas [23].

1.7.5 A legisla~io nacional

o

quadro regulamentar nacional encontra-se sintetizado na Tabela I em anexo.

1.7.6 A regulamenta~io comunitaria

A realiza~ao de urn mercado tinico estabelecido num ambito do Tratado de Roma significa que os fomecedores de servi~os e equipamentos de telecomunica~oes devem beneficiar da livre circula~ao de mercadorias e da liberdade de presta~ao de servi~os dentro do espa~o comunitarioxi .

Consciente da importancia da realiza~ao do mercado tinico nas telecomunica~oes e do papel fundamental deste sector para 0 desenvolvimento econ6mico europeu, a Comunidade

Europeia aprovou, em 1987, uma resolu~ao, conhecida como "Livro Verde" [25], on de tra~ou os objectiv~s de uma politica integrada para 0 desenvolvimento de urn mercado comum de telecomunica~oes. Em 1988, a Comunidade publicou uma resolu~ao sobre a aplica~ao do Livro Verde sobre 0 desenvolvimento do mercado comurn dos servi~os e

equipamentos de telecomunica~oes [26].

Nestes documentos, a Comissao define os seus objectivos:

(40)

• "Promover a criac;:ao de servic;:os" que "permitam aos utilizadores europeus beneficiar de uma vasta gama de servic;:os melhores e de menores prec;:os";

• Aplicac;:ao das regras pertinentes do Tratado, nomeadamente as leis de concornencia;

• Estabelecimento de medidas adequadas no dominio da normalizac;:ao;

• Separac;:ao das func;:5es reguladora e operadora em cada pais.

A partir destes documentos, foram estabelecidas varias directivas, das quais se destacam as mais importantes e suas implicac;:oes na Tabela II em anexo.

o

acompanhamento da situac;:ao do sector foi feita em dois relatorios em 1992 [27] e 1993 [28]. Neste ultimo relatorio, estabelecem-se os factores essenciais para 0 desenvolvimento do

futuro ambiente de regulamentac;:ao:

• Consolidac;:ao do actual ambiente de regulamentac;:ao;

• Definic;:ao comum dos principios do servic;:o universal;

• Desenvolvimento de urn enquadramento para os acordos de interconexao;

• Definic;:ao dos principios para as taxas de acesso;

• Independencia das organizac;:5es de telecomunicac;:oes;

• Garantia da coesao regional e social;

• Preparac;:ao do ambiente para as redes transeuropeias;

• Elaborac;:ao de uma abordagem equilibrada da oferta de infra-estruturas

• Desenvolvimento de urn equilibrio entre os reguladores nacionais e comunitario

Outras directivas especificas e recomendac;:5es foram tambem publicadas, nomeadamente as que aplicam 0 principio da Oferta de Rede Aberta (ORA) a servic;:os especificos:

• 92/44/CEE: directiva do Conselho relativa a aplicac;:ao da ORA as linhas alugadas;

• 92/382/CEE: recomendac;:ao ao Conselho relativa a oferta harmonizada de urn conjunto minimo de servic;:os de transmissao de dados por comutac;:ao de pacotes e de acordo com os principios da ORA;

(41)

• 92/C8/0 1: resolu9ao sabre a desenvolvimento do mercado para equipamentos e servi90s de comunica90es via satelite.

Em 1993, e ap6s uma revisao sabre a sector, a Conselho de Ministros atraves de uma resolm;ao [29] deu a conhecer as objectivos da politica de telecomunica90es da Comunidade de longo prazo:

• A liberaliza9ao de todos as servi90s de telefonia mantendo-se a servi90 universal;

• Assegurar a equilibria entre a liberaliza<;ao e harmoniza9ao num mercado em muta<;ao;

• 0 exame, antes da liberaliza<;ao, do progresso nos ajustamentos estruturais, nomeadamente nas tarifas, naqueles paises que experimentem dificuldades especificas, de modo a ter em conta a situa<;ao das regi5es perifericas com redes de menores dimensao, inc1uindo a fixa9ao de periodos de transi<;ao adicionais, quando tal se justifique;

• Trabalhar para a defini<;ao de uma politica futura para as infra-estruturas de telecomunica90es.

A liberaliza<;ao dos servi<;os vocais esta prevista para 1 de Janeiro de 1998. Aos Estados com redes de menor desenvolvimento (Espanha, Irlanda, Grecia e Portugal) podera concedido urn periodo adicional de 5 anos para que se procedam aos necessarias ajustamentos estruturais (nomeadamente nas tarifasfii. Este periodo e opcional e a Espanha ja afirmou que nao ira

usar este prolongamento.

No inicio de 1995xiii, foi publicado a denominado "Livro Verde" sabre a liberaliza<;ao das infra-estruturas de telecomunica<;oes e das redes de televisao par cabo [30].

xii As linhas gerais do calendario da liberaliza~a.o em Portugal s6 foram estabelecidas em 1996.

(42)
(43)

2. Tendencias

e

facto res

de

mudan~a

nas

Telecomunica~oes

A mudan<;a e a revolu<;ao a que se assiste no sector das telecomunica<;oes deve-se a quatro factores (Figura 3).

• A tecnologia: a sua evolu<;ao permite solu<;oes mais competitivas e a introdu<;ao de novos servi<;os.

• A complexidade e a globaliza<;ao dos mercados: os clientes procuram e exigem inova<;ao, melhoramentos e uma oferta mais competitiva, integrada e global dos servi<;os de telecomunica<;oes.

• A regulamenta<;ao: 0 fim do monop6lio e a abertura do mercado it concorrencia exigem novas regras.

• A abertura do sector ao capital privado: a privatiza<;ao dos operadores publicos e os novos operadores privados trazem uma mudan<;a no estilo de gestao e imprimem uma nova dinamica ao mercado.

Procura Tecnologia

ealtera9ilo padr~es consumo e convergencia tecnologias eglobaliza9ilo mercados ~:fornecedores, ~:clientes

U

operadores, oulros Telecomunica<;oes Regulamentat30 Privatizat30 e Iiberaliza9ilo Aliente: Estado ~:reguJador

(44)

2. 1

A rede de

te/ecomunica~6es:

a

evo/u~ao

tecno/6gica

A evoluc;ao da tecnologia no sector tern trazido soluc;oes mais eficientes e novas possibilidades e facilidades na rede de telecomunicac;oes, das quais se destacam:

• a digitalizac;ao da transmissao, atraves da introduc;ao de novos metodos de codificac;ao de linha e multiplexagem, permite urn aumento da capacidade de oferta e da eficit~ncia

possibilitando a introduc;ao de servic;os de banda larga na rede existente;

• a digitalizac;ao da comutac;ao, nomeadamente com a tecnologia A TM (Assynchronous Transfer Mode), possibilita urn aumento da rapidez e debito da rede e permite a

introduc;ao de largura de banda a pedido (bandwidth on demand);

• a inteligencia da rede introduz uma melhor gestao e controlo da mesma e possibilita a oferta de servic;os flexiveis e personalizados;

• a compressao da informac;ao possibilita uma economia de recursos para 0 seu

armazenamento e trans porte;

• 0 aumento da capacidade de armazenamento e da rapidez processamento de informac;ao

tomam possivel a gestao de grandes volumes de informac;ao.

Por outro lado, surgem meios de comunicac;ao (e.g., fibras opticas) que possibilitam 0

aumento da capacidade de oferta e a reduc;ao de custos. Ao mesmo tempo, estes novos meios ofere cern uma altemativa de concorrencia

a

rede fixa (e.g., rede de acesso local via radio) e alteram 0 conceito de rede fixa e movel.

A

medida que tecnologia evolui permitindo uma capacidade de transporte de informac;ao, os conteudos da informac;ao tambem se expandem e alteram. No infcio do seculo a rede so transportava a voz. Com a expansao das tecnologias de informac;ao tomou-se necessario transportar tambem dados. Era a fusao da informatica e das telecomunicac;oes. A recente evoluc;ao tecnologica possibilita 0 transporte de imagem e mais do que isso servic;os interactivos.

E

a era do multi-meios (voz, dados e imagem) ou do multimedia interactivo com a convergencia das tecnologias da informac;ao, telecomunicac;oes e audiovisual.

Imagem

Figura  1 - Analise do sector das  te/ecomunica~jjes
Figura 2 • Uma  rede bdsica de  telecomunicar;oes
Figura  3 - Factores de  mudam;a no sector das  Telecomunicar;oes
Figura 4 - A interdependencia entre a tecnologia e  0  mercado
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Referências

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