PETRÓLEO. Prof. : Elda Thainara

Texto

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PETRÓLEO

Em períodos geológicos distantes, restos de animais e vegetais (plâcton) se depositaram no fundo de mares a lagos. Essa matéria orgânica, sob intensa sedimentação, calor e pressão, sofreu a ação de microorganismos, formando o petróleo.

Para que se forme uma jazida petrolífera economicamente explorável são necessários: existência de rocha-mãe, condições propícias à transformação química e bioquímica (temperatura e pressão), ocorrência de processos migratórios (presença de água), existência de rocha porosa e de estruturas acumuladoras (suaves dobramentos).

A importância do petróleo no século XX, como fonte de energia e matéria-prima, é inquestionável. A partir dele obtêm-se a gasolina, o óleo diesel, o gás de cozinha, sendo ainda indispensável na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas, fertilizantes, inseticidas, pesticidas e alguns tipos de medicamentos e produtos químicos.

Do ponto de vista econômico é o mais estratégico dos produtos no mundo, pois sem ele o mundo ficaria praticamente paralisado, tanto em termos de transporte, como de indústrias. Isso faz com que sua exploração seja regulada pelo Estado em praticamente todos os países, ou melhor, só possa ser realizada com autorização governamental (inclusive nos EUA). Essa regulamentação, no entanto, não impede que, na maior parte dos países, as empresas privadas participem do processo exploratório.

A importância do petróleo no contexto econômico mundial fez dele o responsável por uma série de conflitos internacionais.

Procurar e explorar petróleo é uma atividade que envolve bilhões de dólares, materiais especializados, tecnologia de ponta, e ainda assim é cercada de grandes possibilidades de fracasso. Tal complexidade explica parcialmente a dependência do mundo capitalista em relação às áreas produtoras de petróleo do Oriente Médio. Nessa região, principalmente no Golfo Pérsico, encontram-se as maiores reservas mundiais de petróleo e, o que é mais importante, de exploração relativamente fácil.

Tais condições determinaram que os custos de produção de um barril de petróleo nessa região fossem bem mais baixos que nas demais grandes áreas produtoras. Assim, os árabes venderam petróleo ao mundo a preços tão baixos que desestimularam qualquer política de expansão da produção. Mesmo as áreas sabidamente ricas em petróleo adotaram uma política de manutenção de reservas, desativando tradicionais áreas produtoras e aumentando sua dependência em relação ao Oriente Médio.

Foi nesse contexto que a organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP1 –, nos anos 70, elevou drasticamente os preços do barril de petróleo, num processo ainda não satisfatoriamente explicado, uma vez que envolveu vários interesses.

1 Os primeiros países membros da Opep foram: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela.

Posteriormente outros países integraram a Opep: Catar (1961); Indonésia (1962) - que suspendeu a sua adesão em janeiro de 2009, Líbia (1962), Emirados Árabes Unidos (1967), Argélia (1969), Nigéria (1971), Equador (1973) - que suspendeu a sua adesão de dezembro de 1992 a Outubro de 2007, Angola (2007) e

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A OPEP foi criada em 1960, visando a controlar o volume de produção, bem como os preços do petróleo dos países membros: Arábia Saudita, Argélia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria e Venezuela. Nos anos 70, esses países (que detêm cerca de 75% das reservas mundiais de petróleo) eram responsáveis por cerca de 55% da produção mundial de petróleo.

O Petróleo no Brasil

A história do petróleo no Brasil confunde-se com a da Petrobrás, a empresa que funcionou desde de a sua criação, em 1953, como a executora da política da União no setor petrolífero. Essa empresa foi criada no governo Getúlio Vargas, na forma de companhia mista, em que por lei, pelo menos 51% de suas ações deveriam pertencer ao Estado. Esse controle estatal da Petrobrás, define-se no contexto de uma conjuntura política marcada pelo nacionalismo da era Vargas. Nesse contexto, inseria-se a defesa da soberania nacional em relação à exploração do petróleo presente no subsolo brasileiro. Dessa forma, foi estabelecido – com a formação da Petrobrás – que a atividade petrolífera no país seria monopólio da União. No entanto, esse monopólio não resistiu às transformações de cunho neoliberal que atingiram o país nos anos 90, uma vez que passou a ser questionado por poderosas forças políticas e econômicas nacionais. Isso fez com que a continuidade ou não desse monopólio fosse colocada em votação no Congresso Nacional, em 1995.

Em novembro de 1995, o Congresso Nacional aprovou por votação em dois turnos, inicialmente na Câmara Federal e posteriormente no Senado, a emenda constitucional que quebrou o monopólio da Petrobrás, após 42 anos de vigência, transferindo-o para a União, que

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agora pode contratar empresas privadas ou estatais, nacionais ou estrangeiras, para explorar essas atividades.

A perda do monopólio não diminuiu a importância da Petrobrás no setor petrolífero nacional, pois ela continua a exercer suas atividades normalmente. Isso porque nenhuma empresa nacional ou internacional tem, pelo menos a curto prazo, condições de fazer frente ao seu poderio no setor. Por outro lado, a ação dessa empresa – a maior da América Latina – extrapola em muito os limites desse monopólio, uma vez que atua através de subsidiárias, nos setores de distribuição de derivados (Petrobrás Distribuidora), produção petroquímica (PETROQUISA), prospecção e exploração de petróleo no exterior (Braspetro) e inúmeras outras atividades.

As Reservas e Produção Brasileira

As reservas comprovadas de petróleo do Brasil estão estimadas em 14,246 bilhões de barris (2010). Esse valor será aumentado em vista da confirmação da quantidade existente nas reservas do Pré-sal. Todavia, mesmo a confirmação desses novos estoques, é fundamental lembrar que o Oriente Médio, cujas reservas são de 362 bilhões de barris, continuarão a concentrar a maior quantidade do óleo e manter sua importância geopolítica.

Em 2006, o Brasil tornou-se auto-suficiente em petróleo, produzindo mais que os 1,8 mil barris consumidos internamente por dia. Todavia, não significa que paramos de importá-lo, pois, o óleo que é extraído no território nacional não é o mais adequado às nossas refinarias. Ainda continuamos a manter as relações de importação x exportação. Em suma, a mencionada autosuficiência em petróleo deve ser entendida da seguinte forma: os lucros com as exportações superam os gastos com importações.

A maior parte da extração brasileira, 92,6% é feita nas bacias marítimas (plataforma continental), destacando-se entre as principais áreas produtoras, as bacias de Campos, no Rio de Janeiro, Santos e Espírito Santo (responsáveis por 88% das reservas provadas) e as bacias dos estados do Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia (Recôncavo Baiano), Ceará, Espírito Santo e Alagoas. Apenas 7,4% das reservas estão nas bacias terrestres.

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PRINCIPAIS ÁREAS DE PRODUÇÃO PETROLÍFERA NO BRASIL

Bacia de Campos

Na bacia de Campos, encontram-se, não só a maior produção brasileira, mas também as maiores reservas. A exploração do petróleo nessa área é muito complexa, envolvendo uma série de atividades e equipamentos, como plataformas fixas cravadas no solo oceânico e flutuantes, sofisticados sistemas de segurança, materiais especializados, tecnologia de ponta e, ainda, centros de pesquisa e alguns milhares de funcionários.

A Petrobrás dispõe hoje de avançada tecnologia, em sua maior parte desenvolvida no país, o que lhe permite fazer perfurações que passam de 3 km. No entanto, o problema da colocação das válvulas que controlam a saída do petróleo para a superfície, em águas profundas, tornou-se de difícil solução, uma vez que os mergulhadores não resistem à pressão de profundidades superiores a 450 metros. O campo de Albacora, por exemplo, rico em petróleo, tem uma profundidade que alcança 800 metros.

Em 1986, a Petrobrás conseguiu vencer o obstáculo, expandindo para leste as possibilidades da bacia de Campos. Cravou em rochas oceânicas, a 800 metros de profundidade, uma torre de aço de 400 metros, o que possibilitou que as válvulas fossem instaladas a 400 metros, profundidade acessível aos mergulhadores.

Mas, de fato, o grande marco atual na com relação ao petróleo no Brasil é a descoberta, em 2006, da chamada camada Pré-sal (que é uma grande área com diversos poços, alguns com presença confirmada de petróleo e outros ainda não - veja as figuras abaixo). Em meio a

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conjecturas e pensamentos ufanistas, a novidade foi divulgada como uma pedra de salvação e alavanca de desenvolvimento. Contudo, ainda hoje, há muitas dúvidas e inseguranças quanto às reservas totais e à viabilidade da exploração.

Além disso, os aspectos legais da exploração, bem como o destino dos royalties do petróleo ainda não foram firmemente estabelecidos, permanecendo um debate acirrado sobre quais unidades da federação devem receber os recursos bem como sobre quais programas e metas do governo serão favorecidos por esses valores.

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É importante lembrar que em 2009 começou a exploração de um desses poços do Pré-sal (em Tupi). No ano seguinte (2010) efetivamente deu-se o advento da exploração comercial da reserva.

Em meio à especulação e à disputas políticas e econômicas, o Pré-sal continua a ser um assunto de interesse para o povo brasileiro, sobretudo pela quantidade de questões políticas que conflitam, muitas vezes, com questões sociais e técnicas.

Petróleo na Amazônia

Há muitos anos se fala das possibilidades de se encontrar petróleo na bacia sedimentar amazônica, mas isso nunca tinha sido efetivamente comprovado. Em 1987, a Petrobrás concluiu os trabalhos de prospecção e perfuração em Urucu, no Amazonas, descobrindo aí petróleo. O petróleo encontrado nos três poços perfurados é do tipo leve, com 80% de possibilidade de aproveitamento em derivados claros, como a gasolina, óleo diesel, nafta etc.

A área de ocorrência na Amazônia, um lugar denominado Urucu, situa-se entre os rios Juruá e Purus, no estado do Amazonas. Nos dias atuais, o processo de prospecção na área encontra-se relativamente estagnado, fato decorrente dos baixos preços do petróleo no mercado internacional.

REFINARIAS DE PETRÓLEO BRASILEIRAS

Em 1997, a Petrobrás importou, em média, cerca de 600 mil barris de petróleo por dia, o que correspondeu a aproximadamente 45% do consumo nacional. Entre os nossos fornecedores de petróleo, destacaram-se durante muito tempo os países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait. Atualmente, a situação se modificou, pois a Argentina vem ganhando terreno e, já em 1996, passou à condição de principal fornecedor desse produto ao Brasil.

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O Brasil apresenta o maior parque de refino da América Latina, sendo praticamente autossuficiente no setor. Com exceção da refinaria Ipiranga – RS, que é uma empresa particular, as demais são controladas pela Petrobrás.

O maior número de refinarias concentra-se no Sudeste, por ser a região mais industrializada e urbanizada e, consequentemente, a de maior consumo de derivados, no país.

O PROÁLCOOL – PROGRAMA NACIONAL DO ÁLCOOL

O PROÁLCOOL foi estabelecido em 1975 como uma tentativa brasileira de desenvolver fontes alternativas de energia que substituíssem o petróleo, pelo menos parcialmente. Desde 1973 cogitava-se, em nível internacional, uma “crise do petróleo”, após esse produto ter sofrido um acentuado aumento em seus preços. E, como o petróleo passou a ter um peso cada vez maior no total de nossas importações, foi necessário buscar novas formas de energia que o substituíssem. E a alternativa escolhida pelo governo brasileiro foi, principalmente, o álcool de cana (o etanol ou álcool etílico).

O álcool é empregado em veículos automotores, tanto misturado com gasolina para motores comuns, quanto na forma hidratada para os veículos fabricados especialmente para usarem álcool.

Todas a metas estabelecidas foram cumpridas e até extrapoladas. Para se ter uma ideia, em 1985, no auge do PROÁLCOOL, cerca de 91% dos veículos produzidos no país eram a álcool. Esse sucesso foi resultado da aliança entre o setor usineiro, interessado em ampliar os seus limites de produção e mercado, e o setor governamental, que fornecia subsídios à produção. No caso do governo, o interesse de expandir a produção e o consumo dessa fonte alternativa era consequência do seu desejo de tentar minimizar os efeitos desastrosos dos choques causados pelo petróleo na economia do país.

Isso fez com que se direcionasse investimentos de grande vulto para os setores produtivos ligados à produção do álcool no país. Calcula-se que esses investimentos, na forma de crédito ou de subsídios, tenha superado a casa dos 10 bilhões de dólares.

Todo esse esforço, no entanto, começou a cair por terra a partir de 1986, com o declínio dos preços internacionais do petróleo. Esse declínio, inclusive, fez com que vários aspectos do PROÁLCOOL fossem questionados, especialmente os seguintes:

• A expansão da cultura da cana ter ocorrido, por vezes, em detrimento dos espaços agrícolas anteriormente ocupados por culturas de gêneros alimentícios;

• O fato de o álcool não substituir o petróleo, mas apenas a gasolina, o que torna a produção do álcool dependente dos seus derivados, uma vez que o caminhão que transporta a cana, bem como o que distribuí o álcool, são movidos a diesel; • O fato de gerar excedentes de gasolina de difícil comercialização, uma vez que no

mercado internacional os baixos preços desse derivado eram incompatíveis com os altos custos da Petrobrás.

• Custo demasiadamente alto, uma vez que um barril de álcool em 1996 custava 34 dólares, enquanto o de gasolina custava 19 dólares.

Em 1997 o governou soltou uma resolução que suspender os subsídios direcionados ao setor, ameaçando a sobrevivência de muitas usinas em funcionamento no país. Essa medida

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sinalizou aos produtores de álcool que o programa, que mobilizou o país de 1975 a 1985, estava com os seus dias contados.

Após uma série de reveses durante a década de 1990, chegou ao Brasil no ano de 2003 a tecnologia flex (carros bicombustíveis) que deu novo impulso à produção de álcool combustível, evitando os antigos transtornos que os proprietários de carros movidos a etanol bem conheciam. Atualmente, constantes oscilações no preço do álcool, fruto, em grande parte, do oligopólio no setor sucroaçucaleiro, tem dificultado o uso desse combustível nos veículos automotores, tornando, em muitos casos, vantajoso abastecer o automóvel com gasolina.

Diversas críticas ao uso da cana-de-açúcar como matéria-prima para a geração de combustível são feitas ao Brasil (pois somos pioneiros nessa tecnologia). Dentre essas destacamos a que afirma que a utilização do solo para a cultura da cana ocupa áreas que poderiam ser utilizadas para culturas com destino alimentar e, também, a que entende que não se deve utilizar um alimento (no caso a cana) como base para combustível. Muitos desses críticos se esquecem de lembrar que os EUA produzem etanol de milho, um componente mais presente na dieta humana e animal que a cana. Rebatendo os adversários, a cultura da cana-de-açúcar tem crescido muito no Brasil e expandido para o Centro-oeste.

Por fim, deve-se dizer que grande parte dos trabalhadores dos canavais e de outras etapas da cadeia produtiva do álcool tem condições precárias de trabalho, sendo em muitos casos sujeitados a regimes de semiescravidão ou mesmo escravidão. Além disso, os incentivos à produção de álcool no Brasil favorecem especialmente latifundiários e proprietários de usinas.

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Referências

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