Rosemeiry Melo Carvalho
Doutora em Economia pelo CAEN/UFC
Professora do Departamento de Economia Agrícola da UFC CPF: 384.651.323-72 Caixa Postal: 6.017 Fortaleza-CE .CEP: 60.451-970 Fone: (85) 4008.9717 Fax: (85) 4008.9716 [email protected]
Willy Farias Albuquerque
Mestrando em Economia Rural pela UFC Departamento de Economia Agrícola da UFC
CPF: 525.308.763-04 Caixa Postal: 6.017 Fortaleza-CE .CEP: 60.451-970 Fone: (85) 4008.9717 Fax: (85) 4008.9716 [email protected]
Grupo de pesquisa: comércio internacional.
EFICIÊNCIA E PRODUTIVIDADE DA AGRICULTURA NOS PAÍSES PARTICIPANTES DO PROCESSO DE FORMAÇÃO DA ALCA
RESUMO: O presente estudo pretende comparar evolução da eficiência técnica e da
produtividade total da agricultura nos países participantes do processo de formação da Alca. Os escores de eficiência e as funções distâncias necessárias para compor o Índice de Malmquist de Produtividade Total dos Fatores foram obtidos com base na metodologia Data
Enveloped Analysis (DEA), utilizando dados da FAO. Com base nos resultados obtidos
pode-se concluir que ocorreu uma elevação tanto da eficiência técnica quanto da produtividade total dos fatores ao longo do tempo, notadamente para o Brasil, indicando que este apresenta condições de competir com os demais países do bloco.
Palavras-chave: Eficiência, Produtividade Total dos Fatores, ALCA.
1- INTRODUÇÃO
Nos últimos anos o processo de liberalização do comércio internacional tem se intensificado no mundo inteiro. Normalmente, esse aumento no fluxo de bens entre diferentes países está associado ao aumento de bem-estar das economias. Assim, desde o período pós-guerra, tem-se procurado reduzir as barreiras tarifárias e não-tarifárias à circulação internacional de mercadorias, capitais, serviços e mão-de-obra.
Para David & Nonnenberg (1997), uma das principais vantagens de um processo de integração comercial está nos incentivos trazidos pela à especialização da produção, permitindo que cada uma das economias aumente a produção de um determinado grupo de produtos competitivos e reduza a produção de outros. Assim sendo, haverá criação de vantagens comparativas e aumento da produção em determinados setores e conseqüentemente, uma redução da produção nos setores que perdem competitividade.
O processo de liberalização comercial também pode assumir o caráter de integração regional, com a eliminação de barreiras entre um determinado grupo de países. Nesse contexto, desde 1994 vêm sendo desenvolvidas negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), visando expandir os acordos Nafta e Mercosul para os 34 países do continente americano, exceto Cuba.
No entanto, a teoria do comércio internacional sugere que a formação de uma área de livre comércio tem efeitos positivos sobre o bem-estar da população se o volume total de comércio crescer em todos os países do bloco, isto é, se a criação de comércio exceder o desvio de comércio para os países não-membros. Viner (1950), baseado nos conceitos de criação e desvio de comércio, afirma que os processos regionais de integração comercial podem ter efeitos ambíguos, ou seja, se por um lado existem efeitos positivos sobre o bem-estar, também podem ocorrer efeitos negativos, sendo impossível determinar a priori o resultado líquido.
A criação do comércio acarreta numa elevação do bem-estar, pois corresponde ao resultado líquido da transferência de um produtor menos eficiente (doméstico) para um produtor mais eficiente, em virtude da eliminação das barreiras ao comércio. Por outro lado, o desvio de comércio resulta da substituição de fornecedores mais eficientes que não fazem parte do bloco por fornecedores menos eficientes que fazem parte do mesmo, o que conduz a
uma redução do bem estar. Isso ocorre porque a eliminação das barreiras reduz o preço final dos bens produzidos nos países membros do bloco em relação aos demais.
Considerando as discrepâncias do nível de desenvolvimento entre os países da união, Singer (1995) enfatiza que as regiões mais ricas podem se beneficiar mais do processo de integração devido a maior disponibilidade de infra-estrutura, acesso a serviços especializados, proximidade dos maiores mercados, maior desenvolvimento do mercado financeiro e maior capacitação administrativa e institucional, pois essas condições favorecem a obtenção de processos produtivos mais eficientes. Adicionalmente, a existência de acentuados diferenciais de produtividade entre os países fará com que aqueles com menores níveis de produtividade sejam negativamente mais afetados pelo processo de integração, reduzindo o nível de atividade e emprego. Dessa forma, a criação de vantagens comparativas, resultante do processo de integração, ampliaria as desigualdades entre os países membros.
Corden (1995), analisando as prováveis conseqüências da criação de uma zona de livre comércio entre os países latino-americanos e os Estados Unidos, verificou-se que o efeito mais importante para um país em desenvolvimento é a abertura recíproca do mercado norte-americano para os países da região. Esse efeito deve ser avaliado não apenas em função das atuais barreiras impostas pelos Estados Unidos, mas também pelas barreiras futuras que poderiam ocorrer caso um acordo desse tipo não fosse firmado.
Em relação aos possíveis impactos da Alca sobre a economia brasileira, Valverde e Teixeira (1997), verificaram que essa integração teria efeitos positivos sobre todos os indicadores econômicos. Carvalho e Parente (1999), utilizando um modelo de equilíbrio parcial, encontraram que o aumento das importações brasileiras seria consideravelmente superior aos aumentos das exportações. Porém, sua principal conclusão foi que, devido a elevada competitividade dos EUA no mercado internacional, e sua participação poderia reduzir os ganhos dos demais parceiros.
Considerando que a eficiência e a produtividade dos diversos setores produtivos em cada país podem ter importante influência sobre os resultados obtidos a partir do processo de integração, onde pode haver ganhadores e perdedores, este artigo pretende utilizar o método de programação linear conhecido na literatura econômica como “Data Envelopment Analysis
(DEA)” para analisar os diferenciais de eficiência e produtividade do setor agrícola dos países
envolvidos no processo de formação da Alca para o período entre 1980 a 2002.
Dada a importância desse setor para a economia brasileira, pretende-se, especificamente, comparar a evolução da eficiência, variações tecnológicas e variações na produtividade total dos fatores da agricultura do Brasil com os demais países envolvidos nesse processo.
O artigo foi dividido da seguinte maneira: na seção 2 são abordados alguns aspectos do processo de formação da Alca e suas repercussões sobre o setor agrícola. A seção 3 mostra de forma detalhada a metodologia utilizada para estimar a fronteira de produção agrícola, a partir das quais foram calculadas as funções distâncias necessárias para calcular os escores de eficiência e construir o índice produtividade total de Malmquist. Nas seções 4 e 5 são discutidos os resultados da análise e apresentadas as principais conclusões.
2- O PROCESSO DE FORMAÇÃO DA ALCA E SUAS REPERCUSSÕES SOBRE O SETOR AGRÍCOLA
O comércio internacional de produtos agrícolas, em especial entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, é marcado por distorções associadas à proteção tarifária e ao pagamento de subsídios aos agricultores nos países industrializados, causando distorções no comércio mundial e reduzindo os ganhos de bem-estar que a livre competição entre os mercados poderia promover.
Visando reduzir essas distorções, em dezembro de 1994, os governos de 34 países iniciaram um processo de negociação para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), o qual constituiria um compromisso único que levaria em conta as diferenças entre os níveis de desenvolvimento e tamanho das economias envolvidas, visando facilitar a plena participação de todos os países, na concepção de um objetivo comum que consiste em promover, de forma gradual e progressiva, a eliminação de barreiras sobre o comércio e facilitar o fluxo de investimentos na região, mas mantendo independentes suas políticas comerciais em relação a terceiros países1.
Entre participantes do processo de formação da Alca, 32 são países em desenvolvimento e apenas 2 são desenvolvidos, o Canadá e os Estados Unidos. Outro aspecto a ser considerado é que atualmente todos esses países, exceto o Panamá, participam de outros acordos sub-regionais: Nafta (Canadá, Estados Unidos, México), Caricon (Belize, Antigua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Dominica, Grenada, Haiti, Jamaica, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago, Guiana, Suriname), MCCA (Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, República Dominicana, Chile), Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai) e CAN (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela)2.
As discussões da Alca desenvolvem-se em nove grupos de negociações: acesso a mercados; agricultura; serviços; investimentos; compras governamentais; solução de controvérsias; direitos de propriedade intelectual; subsídios; antidumping e medidas compensatórias; e, políticas de concorrência. O grande número de países e temas envolvidos, além das diferenças entre os principais objetivos de cada país no âmbito das negociações, constitui um importante obstáculo à conclusão do processo de negociação.
A exemplo disto tem-se que, enquanto os Estados Unidos querem um cronograma de liberalização mais abrangente e rápido, o Brasil e demais países latino-americanos defendem que esse processo deve ocorrer de forma mais lenta para permitir os ajustamentos necessários em cada economia. Em relação às áreas de interesse, os Estados Unidos e Canadá concentram-se em serviços, investimentos e propriedade intelectual, enquanto os países latino-americanos buscam reduções de barreiras não-tarifárias dos produtos agrícolas naqueles mercados.
A redução de subsídios e a eliminação de tarifas para os produtos agrícolas são os pontos mais críticos nesse processo, principalmente para os países agro-exportadores. Os
1
A formação da Alca envolve países da Amériaca do Norte (Canadá e Estados Unidos), Caribe (Antigua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Dominica, Grenada, Haiti, Jamaica, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago), América central (Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá) e América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela).
2
Nafta: Acordo de Livre Comércio da América do Norte; Caricom: Comunidade do Caribe; MCCA: Mercado Comum Centro Americano; Mercosul: Mercado Comum do Sul; CAN: Comunidade Andina
países exportadores, como o Brasil, defendem que as regras de liberalização aplicáveis a produtos industrializados e serviços sejam estendidas à agricultura, enquanto os Estados Unidos, um dos maiores produtores agrícolas, matem intensa proteção a seus produtores.
Deve-se ressaltar, que a intervenção internacional em mercados de commodities agrícolas tem se mostrado prejudicial à participação e ao desempenho de países competitivos no cenário mundial. Desse modo, na perspectiva de que se estabeleça uma concorrência onde seja estimulada a eficiência e a produtividade dos países que apresentam maior potencial competitivo, constitui um dos principais argumentos a favor da criação de áreas de livre comércio e a eliminação de políticas comerciais distorcidas.
3. METODOLOGIA
3.1. Data Envelopment Analysis (DEA)
As fronteiras de produção podem ser obtidas utilizando-se diferentes metodologias, sendo as mais utilizadas a Data Envelopment Analysis (DEA) e a Fronteira Estocástica. A metodologia DEA, proposta inicialmente por Charnes, Cooper e Rhodes (1978), constrói fronteiras não-paramétrica utilizando uma seqüência de soluções de problemas de programação linear.
As principais vantagens da utilização deste método referem-se principalmente às possibilidades de se obter relações entre múltiplos produtos e múltiplos insumos; à sua capacidade de identificar fontes e quantidades de ineficiência em cada insumo e cada produto; e, indicar os pontos que servem como referencial de eficiência técnica para cada atividade (Cooper, Seiford & Tone, 2002).
Dadas as vantagens associadas ao método não paramétrico de estimação de fronteira o presente estudo utiliza o modelo DEA para estimar a fronteira de produção agrícola dos países da América do Sul. A idéia do modelo é determinar os “pesos” νi e que maximizam a razão entre o produto potencial (
r u 0 10 1y ... usys u + + ) e o insumo potencial (ν1x10 + ...+νmxmo) onde e representam, respectivamente, o i-ésimo produto do j-ésimo país e o k-ésimo insumo do j-ésimo país, supondo-se que existam m insumos e s produtos para um grupo de j países.
ij
y xkj
Considerando os dados de N firmas em um particular período de tempo, a medida de eficiência é obtida resolvendo um problema de programação linear a partir do qual obtêm-se os “pesos” dos insumos (νi) (i=1,...m) e dos produtos ( ) (r= 1,...,s). Assim o problema de programação linear para a i-ésima firma em um modelo DEA orientado pelo o insumo será:
r u ⎟⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ + + + + + + mi m i i si s i i u x x x y u y u y u ν ν ν ν ... ... max 2 2 1 1 2 2 1 1 , sujeito a: 1 ... ... 2 2 1 1 2 2 1 1 ≤ + + + + + + mj m j j sj s j j x x x y u y u y u ν ν ν , j=1,2,...N (1) 0 ,..., , 2 1 ν νm ≥ ν 0 ,..., , 2 1 u us ≥ u
As restrições significam que a razão entre o produto potencial e insumo potencial não pode exceder a unidade para cada país e que a soma dos “pesos” dos insumos e produtos é não negativa. Para evitar que a formulação acima apresente infinitas soluções impõe-se a seguinte restrição: ν1x1i+...+νmxmi =1. Assim sendo, o problema (1) pode ser reescrito na forma: Max μ,υ(μ1y1i + ...+μsysi) sujeito a: 1 ... 1 1xi + +υmxmi = υ (μ1y1j + ...+μsysj)-(υ1x1j +...+υmxmj)≤0, j=1,2,...N (2) 0 ,..., , 2 1 υ υm ≥ υ 0 ,..., , 2 1 μ μs ≥ μ
A mudança de e u ν para μ e υ indica que os problemas de programação linear (1) e (2) são diferentes. Em função da dualidade em programação linear, o problema (2) também pode ser escrito como:
θ λ θ , min sujeito a: −yi+Yλ≥0 θxi −Xλ≥0 (3) λ≥0
Onde θ é um escalar e λum vetor de constantes de dimensão Nx1.
A ineficiência da i-ésima firma é determinada pelo valor de θ , o qual assume valores menores ou iguais a unidade. Seθ =1 a firma é plenamente eficiente e portanto está sobre a fronteira.
Essencialmente, o problema da i-ésima firma é determinar a máxima contração radial do vetor insumo xi, de modo que permaneça no conjunto de produção factível. A borda inferior desse conjunto é uma isoquanta determinada pelos pontos observados de todas as firmas da amostra.
A contração radial do vetor insumo, xi, produz um ponto projetado, (Xλ,Yλ), na superfície dessa tecnologia. Esse ponto projetado representa uma combinação linear dos pontos observados. As restrições impostas ao problema (3) asseguram que este ponto não fique fora do conjunto factível de produção.
A eficiência das unidades produtivas representa uma das questões mais importantes da análise econômica.As medidas de eficiência de Farrell (1957) obtidas a partir da estimação de fronteiras de produção estimadas com base no método DEA podem assumir orientação pelo produto ou pelo insumo. O método DEA orientado pelo produto define a fronteira buscando o máximo incremento proporcional do produto, mantendo fixo o nível de insumos. Considerando-se a orientação pelo insumo, a fronteira é definida com base na máxima
redução proporcional possível no nível de utilização dos insumos, de forma a manter constante o nível de produto.
Considerando uma firma que utiliza uma dada quantidade de insumo (x) para produzir uma dada quantidade de produto ( ), a ineficiência técnica da firma, representada pela distância entre a firma e a fronteira de produção, pode ser interpretada de duas maneiras: (1) se assumirmos orientação pelo insumo, a distância entre firma e a fronteira de produção representa a percentagem pela qual a quantidade de todos os insumos devem ser reduzidos para que a unidade produtiva seja plenamente eficiente. (2) Adotando a hipótese de orientação pelo produto, a distância entre firma e a fronteira de produção determina quanto o produto pode ser expandido sem alterar a quantidade utilizada de insumos. No entanto, estas duas medidas determinam o mesmo valor quando as tecnologias apresentam retornos constantes de escala (RCS), mas apresenta escores diferentes quando se assumem tecnologias com retornos variáveis de escala (RVS) (Färe e Lovell, 1978).
y
A suposição de retornos constantes de escala é apropriada apenas quando todas as firmas estão operando em sua escala ótima. No entanto, se esta situação não ocorre deve-se considerar o modelo DEA com retornos variáveis de escala. A diferença entre os escores de eficiência técnica obtida sob as suposições de retornos constantes e variáveis de escala determina a ineficiência de escala3.
A Figura 1 ilustra a ineficiência de escala. Para a firma representada pelo ponto P, considerando retornos constantes de escala (RCS), a ineficiência técnica com orientação pelo insumo é dada pela distância PPc. Enquanto que, sob retornos variáveis de escala (RVS), a ineficiência técnica é PPv. A diferença entre essas duas medidas de eficiência técnica (ET), (Pc - Pv), representa a ineficiência de escala, a qual pode ser interpretada como a razão entre o produto médio de uma firma operando nos pontos Pv e um ponto de escala tecnicamente ótima (ponto R).
Figura 1- Cálculo das Economias de Escala Fronteira RCS y x
•
R•
P•
Pc•
Pv A3
Sob retornos constantes de escala os valores escores de eficiência técnica obtidos independem se o DEA é orientado pelo insumo ou produto . Por outro lado se considerarmos retornos variáveis esses valores podem ser diferentes.
3.2 Índice Malmquist de Produtividade Total dos Fatores (TFP)
O índice de Malmquist, formulado por Malmquist (1953), considera o conceito de
função distância para medir as variações na produtividade total dos fatores entre dois períodos
de tempo. As funções distância podem ser especificadas em relação conjunto de insumos ou produtos4.
Representando por L( ) o conjunto de todos os vetores de insumos,y x, que podem produzir o vetor de produtos, , e por P(y x) o conjunto de todos os produtos que podem ser produzidos a partir de um dado vetor de insumos, uma função distância orientada pelo insumo, di(x,y)=sup{ρ:(x/ρ)∈L(y)}, caracteriza a tecnologia de produção através da contração proporcional mínima do vetor de insumos, dado um vetor de produtos. A função distância orientada pelo produto, do(x,y)=min{δ:(y/δ)∈P(x)}, determina a expansão proporcional máxima do vetor produto, dado o vetor insumo5.
No presente estudo assumiu-se orientação pelo insumo, visto que é razoável supor que algumas firmas, ou melhor, países podem ter restrições sobre a expansão do produto. Desse modo, o índice de Malmquist pode ser representado por6:
2 1 ) , ( ) , ( ) , ( ) , ( ) , , , ( ⎥ ⎦ ⎤ ⎢ ⎣ ⎡ = s s t i t t t i s s s i t t s i t t s s i x y d x y d x x y d x y d x y x y m (4)
A notação representa a distância entre a observação do período t e a fronteira de produção insumo-orientada do período s. Para evitar a necessidade de escolher arbitrariamente entre as tecnologias dos períodos s ou t, o índice Malmquist é definido como a média geométrica entre dois índices de Produtividade Total dos Fatores (PTF), o primeiro avaliado em relação a tecnologia do período s e o segundo em relação a tecnologia do período t. Um valor de m ) y , (x dsi t t
i maior que 1 indica um crescimento na produtividade total dos fatores entre os períodos s e t, enquanto que um valor menor que 1 indica um declínio da PTF .
Uma maneira equivalente de escrever esse índice de produtividade é:
2 1 ) , ( ) , ( ) , ( ) , ( ) , ( ) , ( ) , , , ( ⎥ ⎦ ⎤ ⎢ ⎣ ⎡ = s s t i s s s i t t t i t t s i s s s i t t t i t t s s i x y d x y d x x y d x y d x y d x y d x y x y m (5) 4
As funções distância podem descrever tecnologias de produção multi-produtos ou multi-insumos sem precisarmos especificar uma função objetivo.
5
As propriedades dos conjuntos L(y), P(x), e das funções distâncias estão sumarizadas em Coelli, Rao e Battese (1997)
6
Esses dois índices (período s e t) serão equivalentes somente se a tecnologia é Hicks neutra em relação ao produto. Isto é, se as funções distância do produto podem ser representadas como , para todo t. y) (x, A(t)d y) (x, dti = i
Onde a taxa fora dos colchetes mede a variação na eficiência técnica insumo-orientada de Farrell7 entre os períodos s e t. A parte restante do índice da equação (5) é uma medida de variação tecnológica. Assim os dois termos da equação (5) podem ser interpretados como:
) , ( ) , ( s s s i t t t i x y d x y d Eficiência na Variação = (6) e 2 / 1 ) , ( ) , ( ) , ( ) , ( ⎥ ⎦ ⎤ ⎢ ⎣ ⎡ = s s t i s s s i t t t i t t s i x y d x y d x x y d x y d a Tecnológic Variação (7)
Os índices de produtividade total dos fatores (PTF) também podem ser determinados através da utilização de números índices tais como Tornqvist/Fischer. A principal vantagem em se utilizar o índice de Tonqvist é que este pode ser calculado apenas a partir dois pontos de dados no tempo. O cálculo da produtividade a partir da estimação de fronteiras exige que uma dada amostra de firmas seja observada em cada período de tempo. No entanto, se dispomos de um painel de dados, a estimação de uma fronteira fornece muitas informações com base em um conjunto mínimo de suposições. As principais vantagens da estimação de funções de fronteira em relação aos números índices são: (a) a estimação de fronteiras não requer informações de preços; (b) não impõe a suposição de que todas as firmas devam ser plenamente eficientes; (c) não precisam assumir uma função objetivo comportamental tal como minimização do custo ou maximização das receitas; e, (d) permite que a PTF seja decomposta em variação na eficiência e variação tecnológica.
3.3 Métodos DEA-semelhante e Eficiência de Escala
No presente estudo utilizou-se o método de programação linear DEA-semelhante para se estimar as funções distâncias necessárias para o cálculo do índice Malmquist de produtividade total dos fatores.
Para calcular o índice Malmquist-PTF é importante que se imponha retornos constantes de escala, caso contrário as medidas resultantes podem não refletir adequadamente os ganhos ou perdas resultantes do efeito escala.
Para medir a mudança na produtividade total dos fatores entre dois períodos de tempo deve-se estimar 4 funções distância para cada firma da amostra. Isso requer que sejam resolvidos 4 problemas de programação linear (PL) dados por:
7
= −1 t t t i(y ,x )] d [ minθ,λθ st 0 0 X x 0 Y y t it it t it ≥ λ ≥ λ − θ ≥ λ + − (8) = −1 t t s i(y ,x )] d [ minθ,λθ st 0 0 X x 0 Y y s is is s is ≥ λ ≥ λ − θ ≥ λ + − (9) = −1 s s t i(y ,x )] d [ minθ,λθ st 0 0 X x 0 Y y t is is t is ≥ λ ≥ λ − θ ≥ λ + − (10) = −1 t t s i(y ,x )] d [ minθ,λθ st 0 0 X x 0 Y y s it it s it ≥ λ ≥ λ − θ ≥ λ + − (11)
A razão 1/θ= representa o escore de eficiência técnica (ET) da i-ésima firma o qual varia entre zero e um.
1
)] , ( [di y x −
3.4. Fonte dos dados e definição das variáveis
As informações utilizadas na presente análise foram retiradas do banco de dados do sistema AGROSTAT da Divisão de Estatísticas da FAO, referentes aos países que participam do processo de formação da Alca, para o período compreendido entre os anos de 1980 a 2002. Devido à ausência de informações relevantes, foram excluídos quatro países do Caribe (Antigua e Barbuda, Dominica, Grenada, São Cristóvão e Névis). Desse modo, utilizou-se um painel de dados com 690 observações.
As variáveis utilizadas na análise foram:
(a) Índice de Produção Agrícola: nível relativo de volume agregado de produção agrícola para cada ano em comparação com o período base 1989-91. Baseia-se nos valores das diferentes commodities agrícolas produzidas após a dedução das quantidades utilizadas como semente e alimentação8.
(b) População agrícola: definida como todas as pessoas ativamente engajadas na agricultura, em 1000 habitantes.
(c) Terra arável: refere-se à área destinada aos cultivos permanentes e temporários, movimentação de culturas e pastagens. Essa variável não inclui as áreas agrícolas potencialmente cultiváveis, em 1000 hectares.
(d) Número de tratores em uso: dados referentes ao total de tratores de roda e esteira (excluindo tratores de jardim) utilizados na agricultura, em unidades.
(e) Área irrigada: considera as áreas com equipamentos para providenciar água para os cultivos, em 1000 hectares.
(f) Consumo de Fertilizantes: refere-se à utilização de fertilizantes utilizados na agricultura, em toneladas métricas.
(g)
4- RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nesta seção, inicialmente discute-se os resultados dos escores de eficiência técnica e eficiência de escala obtidos com base na estimação da fronteira de produção. A seguir, faz-se uma análise comparativa da evolução da PTF nos diferentes continentes ao longo do período entre 1980 e 2002.
4.1. Eficiência Técnica e Escala de Produção
Os dados apresentados na Tabela 1 mostram os valores médios da eficiência técnica sob retornos constantes de escala (ETRCE), eficiência técnica sob retornos variáveis de escala
(ETRVE), e a eficiência de escala (ES). As médias calculadas para cada continente referem-se
ao período total, 1980-2002, o qual foi dividido em três subperíodos. O primeiro corresponde a 1980 a 1990, o segundo de 1990 a 2000 e o terceiro, de 2000 a 2002.
Os escores de eficiência técnica representam a distância entre o nível de produção agrícola de cada país e o nível máximo que poderia ser obtido, o qual é representado pela fronteira de produção estimada para o conjunto de países que fazem parte do processo de negociação da Alca. Os valores estimados representam a percentagem pela qual a quantidade de todos os insumos deve ser reduzida para que cada um deles se torne plenamente eficiente.
8
Calculado pela fórmula de Laspeyres. A quantidade produzida de cada commodity é ponderada pelo seu preço médio internacional entre 1989-91 e somado para cada ano. Para obter o índice, o valor total agregado para cada ano é dividido pela média agregada do período base 1989-91.
A diferença entre os escores de eficiência técnica sob retornos constantes e variáveis de escala indica a existência de ineficiências de escala, ou seja, quanto cada país deverá expandir sua produção para atingir uma escala ótima.
TABELA 1- ALCA: valores médios da eficiência técnica e eficiência de escala, 1980-2002.
Continentes Eficiência Técnica
(RCS) Eficiência Técnica (RVS) Eficiência de Escala América do Norte 1980-2002 0,746 0,925 0,807 1980-1990 0,684 0,873 0,784 1990-2000 0,786 0,962 0,817 2000-2002 0,873 0,999 0,873 Caribe 1980-2002 0,823 0,946 0,870 1980-1990 0,776 0,915 0,849 1990-2000 0,848 0,971 0,874 2000-2002 0,927 0,989 0,937 América Central 1980-2002 0,721 0,956 0,755 1980-1990 0,662 0,947 0,699 1990-2000 0,751 0,964 0,779 2000-2002 0,873 0,966 0,904 América do Sul 1980-2002 0,790 0,975 0,810 1980-1990 0,741 0,960 0,772 1990-2000 0,818 0,989 0,828 2000-2002 0,881 0,986 0,893
Fonte: dados da pesquisa
Considerando a suposição de retornos variáveis de escala verifica-se que no período entre 1980 e 2002 os países da América do Sul apresentaram maiores níveis de eficiência técnica (97,5%), seguidos da América Central (95,6%), Caribe (94,6%) e América do Norte (92,5%). Entre os países sul-americanos, o Brasil apresentou-se o mais elevado nível de eficiência, sendo plenamente eficiente. A seguir, tem-se o Equador, Paraguai, Colômbia, Suriname e Venezuela com, aproximadamente, 99,0%.
No entanto, nos últimos anos da série analisada, 2000 a 2002, houve uma completa alteração no rank de eficiência, onde os países da América do Norte e do Caribe atingiram os mais elevados níveis de eficiência, 99,9% e 98,9%, respectivamente, superando a América do Sul (98,6%) e América Central (96,6%).
A Figura 1 apresenta a evolução da eficiência técnica média para os quatro continentes analisados. Verifica-se que entre 1980 e 2002 todos os continentes tornaram-se mais eficientes. Porém, os maiores ganhos ocorreram nos países da América do Norte que em 1980 apresentaram uma eficiência técnica de 82,6%, passando para 99,8% em 2002, superando a América do Sul, que era o mais eficiente em 1980 (93,8%) (Figura1).
Os valores da eficiência de escala mostram que entre 1980 e 2002 os países do caribe foram os mais eficientes. Em 1980 a nível de eficiência era de 91,5% passando para 91,8% em 2002, indicando que com um incremento de 8,2% na escala de produção esses países poderiam reduzir seus custos e, conseqüentemente, tornarem-se mais competitivos no mercado mundial.
0,800 0,850 0,900 0,950 1,000 1,050 1980 1985 1990 1995 2000 anos E fic iêni a T éc ni c a ( R V S ) América do Norte América Central Caribe América do Sul
Figura 1- ALCA: evolução da eficiência técnica média por continentes, 1980-2002.
Comparando o Brasil com os países da América do Norte e do Caribe, que apresentaram entre 2000 e 2002, os mais elevados níveis de eficiência técnica (99,9%) e de escala (93,7%), respectivamente, verifica-se que o Brasil apresentou-se o mesmo nível de eficiência técnica média dos países norte-americanos e uma escala de produção mais eficiente que os países do Caribe. No entanto, um acréscimo de 5,1% na escala de produção poderia tornar o Brasil plenamente eficiente.
TABELA 2- Brasil: valores médios da eficiência técnica e eficiência de escala,1980-2002.
Anos Eficiência Técnica
(RCS) Eficiência Técnica (RVS) Eficiência de Escala 1980-2002 0,885 1,000 0,885 1980-1990 0,880 1,000 0,880 1990-2000 0,869 1,000 0,870 2000-2002 0,947 0,999 0,949
Fonte: dados da pesquisa
Os dados da Tabela 3 mostram que o valor da produção agrícola brasileira cresceu aproximadamente 84% entre 1980 e 2002, superando a América do Norte (34,76%) e Caribe (20,53%). Em relação à utilização dos insumos, na América do Norte, Caribe e Brasil o consumo de fertilizantes e a área irrigada apresentaram acentuado acréscimo. Na América do Norte (30,67%) e no Brasil (54,22%) a mão-de-obra empregada no setor também apresentou expressivo crescimento. Enquanto que, no Brasil (39,69%) e no Caribe (11,52%) o número de tratores cresceu acentuadamente
TABELA 3 – ALCA: taxa de crescimento total e anual da produção e dos insumos utilizados na agricultura, 1980 a 2002.
Anos Produção Agrícola
Terra Arável Número de Tratores Área Irrigada Fertilizantes Mão-de-Obra América do Norte Total 34,76 -1,02 -4,51 31,94 13,69 30,67 1980-2002 1,58 -0,05 -0,21 1,45 0,62 1,39 1980-1990 2,32 0,08 -0,57 2,00 -0,08 1,66 1990-2000 2,56 -0,17 0,25 1,21 0,66 1,28 2000-20002 -3,05 0,02 -0,20 0,50 -0,57 0,99 Caribe Total 20,53 8,71 11,52 25,80 373,06 -4,10 1980-2002 0,93 0,40 0,52 1,17 16,96 -0,19 1980-1990 1,25 0,40 1,37 1,70 3,46 0,43 1990-2000 -0,11 0,43 -0,25 0,80 35,73 -0,88 2000-20002 1,29 0,32 0,00 0,00 98,96 -0,87 Brasil Total 83,69 16,24 39,69 126,16 92,17 54,22 1980-2002 3,80 0,74 1,80 5,73 4,19 2,46 1980-1990 3,09 0,75 2,83 7,24 -0,48 3,22 1990-2000 3,25 0,80 1,17 5,49 6,90 2,02 2000-20002 5,14 0,36 0,00 1,96 9,45 1,52
Fonte: dados da pesquisa
Com base nos valores médios das variações da eficiência técnica, considerando o período como um todo, verifica-se que apenas a América do Norte apresentou perdas de eficiência. Por outro lado, para esse conjunto de países os ganhos de eficiência ocorreram apenas entre os anos de 1990 e 2000 (Tabela 4)
Nesse período, os maiores aumentos de eficiência ocorreram na América Central (4,1%), a seguir aparecem a América do Norte (3,7%), América do Sul (3,0%) e Caribe (2,9%). O Brasil ficou abaixo da média dos países do Caribe, com um ganho de eficiência de 1,4% (Tabela 5).
Analisando a variação tecnológica percebe-se os maiores ganhos tecnológicos ocorreram entre os anos de 2000 e 2002, exceto para os países do Caribe. Na América do Central o nível tecnológico do setor agrícola cresceu 4,2%. O segundo melhor resultado pode ser atribuído aos países da América do Sul (3,9%), a seguir tem-se a América do Norte com 2,6%. No Brasil, o aumento do nível tecnológico da agricultura nesse período foi de 2,6%, equiparando-se ao resultado médio obtido pelos países da América do Norte.
Em relação à produtividade total dos fatores (PTF), considerando o período como um todo, apenas os países do Caribe apresentaram incrementos da produtividade. Excetuando-se a América do Norte, nos demais continentes, e particularmente no Brasil, as reduções na PTF deveram-se principalmente às involuções tecnológicas, ou seja, ocorreu uma contração na fronteira de produção agrícola. Na América do Norte essas reduções ocorreram devido aos efeitos conjuntos das perdas de eficiência e tecnológicas.
Entre os anos de 2000 e 2002, ocorreram ganhos médios de produtividade apenas nos países da América Central (2,8%) e América do Sul (0,8%). Os aumento da produtividade da agricultura brasileira superou a média dos países sul-americanos, 3,2%. Esse ganho de produtividade deveu-se tanto a melhorias da eficiência da produção (0,5%) quanto às melhorias do nível tecnológico.
TABELA 4 - Alca: valores médios das variações na eficiência técnica, tecnológicas e na produtividade total dos fatores, 1980-2002.
Continentes Variação da Eficiência Técnica
Variação Tecnológica
Variação da Produtividade Total dos
Fatores América do Norte 1980-2002 0,999 0,993 0,991 1980-1990 0,983 1,004 0,987 1990-2000 1,037 0,972 1,007 2000-2002 0,939 1,026 0,964 Caribe 1980-2002 1,005 0,997 1,002 1980-1990 0,991 1,012 1,003 1990-2000 1,029 0,990 1,018 2000-2002 0,997 0,985 0,982 América Central 1980-2002 1,008 0,990 0,997 1980-1990 0,989 1,005 0,994 1990-2000 1,041 0,968 1,008 2000-2002 0,986 1,042 1,028 América do Sul 1980-2002 1,004 0,986 0,990 1980-1990 0,984 0,997 0,981 1990-2000 1,030 0,964 0,993 2000-2002 0,971 1,039 1,008
Fonte: dados da pesquisa
TABELA 05 – Brasil: Valores médios das variações na eficiência técnica, tecnológica e na produtividade total dos fatores, 1980 – 2002.
Anos Variação da Eficiência Técnica
Variação Tecnológica
Variação da Produtividade Total dos
Fatores Brasil 1980-2002 1,000 0,986 0,985 1980-1990 0,974 0,991 0,965 1990-2000 1,014 0,968 0,982 2000-2002 1,005 1,026 1,032
Fonte: Dados da Pesquisa
5. CONCLUSÕES
O principal incentivo para a consolidação Alca é a perspectiva de que os seus membros possam aumentar seu nível de renda e bem-estar a partir dos ganhos de escala, seja pelo aumento do nível de produção, seja pelo maior grau de especialização dos países em produtos nos quais estes possuam maiores vantagens comparativas.
A eficiência e a produtividade dos diversos setores produtivos têm importantes reflexos sobre a competitividade dos países comercialmente integrados, de modo que, os países mais eficientes e mais produtivos poderão obter maiores benefícios com a formação da Alca.
Dada a importância do setor agrícola para o Brasil, a fim de que se possa identificar as possibilidades de perdas ou ganhos, procurou-se analisar a evolução da sua eficiência técnica,
eficiência de escala e a variação da produtividade total dos fatores e compará-las aos resultados obtidos para os demais países participantes desse processo de integração.
Com base nos resultados obtidos pode-se verificar que, sob a suposição de retornos variáveis de escala, no período entre 2000 e 2002, a agricultura brasileira apresentou um elevado nível de eficiência técnica (99,9%), igualando-se a média dos países desenvolvidos, Canadá e Estados Unidos, e superou a média dos países do Caribe (98,9%), da América do Sul (98,6%) e da América Central (90,4%). Em relação à escala de produção, o Brasil apresentou uma eficiência de 94,9% nesse mesmo período, superior a média de todos os continentes.
Enquanto, os países da América do Norte e do Caribe apresentaram perdas de produtividade entre os anos de 2000 e 2002, a produtividade da agricultura brasileira cresceu 3,2%, maior, portanto que para os países da América Central (2,8%) e da América do Sul (0,8%). O crescimento da produtividade da agricultura brasileira pode ser atribuído aos ganhos de eficiência (0,5%) e, principalmente, ao aumento do nível tecnológico desse setor (2,6%).
Portanto, considerando-se que a eficiência e a produtividade dos países são importantes fatores para a determinação da competitividade e, portanto, para o resultado líquido obtido com o processo de integração, pode-se concluir que o setor agrícola brasileiro poderá obter ganhos com a formação da Alca. No entanto, faz ainda necessário que a escala de produção seja ajustada, de modo que sejam eliminadas as ineficiências. Assim, esse setor poderá operar com custos mais baixos e permitirá que as commodities tornem-se mais competitivas no mercado internacional, gerando maiores níveis de renda e bem-estar para a economia nacional.
6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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