Curso de Medicina Veterinária
Revisão de Literatura
MORMO EM EQUINOS
GLANDERS IN HORSES
Kamila Jhoplin Machado Alves1, Diogo Ramos Leal2
1 Aluna do Curso de Medicina Veterinária 2 Professor do Curso de Medicina Veterinária
Resumo
O mormo é uma doença infecto-contagiosa causada pela bactéria Burkholderia mallei, acomete os equídeos, carnívoros, pequenos ruminantes e o homem. A alta densidade e a aglomeração dos animais favorecem a disseminação. Os portadores assintomáticos são mais importantes na transmissão da doença do que os animais doentes com sinais clínicos. A principal via de acesso ao organismo é pela orofecal. Os equídeos de qualquer idade são susceptíveis, porém, com maior incidência em animais idosos, debilitados e sujeitos a situações de estresse. Pode apresentar-se nas formas aguda ou crônica, a forma crônica mais comum em equinos,e a aguda, em muares e asininos. É caracterizada por três formas de manifestação clínica: a nasal, a pulmonar e a cutânea. Os sinais clínicos mais frequentes são febre, tosse e corrimento nasal purulento a sanguinolento, além de prostração, pústulas na mucosa que evoluem para úlceras, abscessos nos linfonodos e dispneia. O diagnóstico é realizado pelo teste de fixação de complemento, e desde 2014, o teste da maleína tem sido substituído pelo teste de Western Blotting (WB). Os animais positivos devem ser eutanasiados, pois o tratamento de animais é proibido pela legislação. Na ausência de tratamento e vacinas eficazes as recomendações e estratégias de profilaxia e controle estão descritas em legislação específica do programa Nacional de Sanidade de Equídeos do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. A revisão bibliográfica teve como objetivo abordar os principais aspectos clínicos, diagnósticos de controle dessa zoonose de grande importância em saúde pública.
Palavras-Chave: Equinos; mormo; Burkholderia mallei; zoonose. Abstract
The glanders is a infectious contagious disease caused by the Burkholderia Malleia bactery, that affects equids, carnivores, small rumnants as well as humans. The high density as well as the agglomeration of these animals favor the dissemination. The non-symptomatic animals are more important in the spreading process that those animals with clinical symptoms. The main way of access is through the oropharynx and the intestines. All equine ages are in risk however is more susceptible to elderly animals who have a debilitaded imune system and are more exposed to stress. İt can present itself in both acute and cronic forms, being the cronic form more common in equines and it is carecterized by three clinical manifestations: nasal, pulmonary and cuntaneous. The most frequent symptoms are fever, coughing, purulent and bloody nasal discharge, as well as prostration, pustules on the mucosa that evolve into ulcers, abscesses in the lymph nodes and dyspnoea. The diagnosis is given though the fixation of the compement and malleinization test and, since 2014 the mallein test has been replaced by the Western Blotting (WB). The animals must be euthanized as the legislation prohibits animals to get treatment. İn the absence of treatment and effective vaccines, the reccomendations and strategies of prevention and profilaxy are described by specific law in the National Equine Health Program of Agriculture, Livestock and Supply Ministry. The bibliographyc revision had as its goal to target the main clinical aspects, diagnosis and control of this zoonosis that has great impact in public health.
Keywords: Horses; glanders; Burkholderia mallei; zoonosis.
Contato: 1 - [email protected] ; 2 - [email protected].
Introdução
O Brasil possui o maior rebanho de equinos na América Latina e o terceiro mundial. Existem 8 milhões de equídeos (equinos, asininos e muares). Somente a criação de cavalos movimenta R$ 7,3
bilhões por ano. A maior população brasileira de equinos encontra-se na região Sudeste, seguida pelas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Norte
(MAPA, 2015a).
durante muito tempo, esses animais conquistam novas áreas, como para lazer, esportes e terapia. Contudo, a maior utilização desses animais são as atividades agropecuárias, nas quais aproximadamente cinco milhões de animais são utilizados principalmente para manejo de gado bovino (MAPA, 2015a). Porém, algumas doenças dessa espécie têm comportamento infecto-contagioso e zoonotico.
O mormo é uma doença altamente infecto-contagiosa que acomete o sistema respiratório de equídeos, sendo uma das doenças animais mais antigas, descrita por Aristóteles e Hipócrates nos séculos III e IV a.C (DITTMANN et. al., 2015).
O agente etiológico é a bactéria
Burkholderia mallei, que com o passar dos anos
recebeu várias denominações. Foi descrita pela primeira vez no Brasil em 1811, por animais infectados importados da Europa (DITTMANN et. al., 2015).
Trata-se de uma zoonose e para animais não existe tratamento e nem vacina eficaz. A doença faz parte da lista da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), e das doenças de notificação obrigatória ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com consequente interdição da propriedade, sacrifício e incineração dos animais positivos (DITTMANN et. al., 2015).
O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão de literatura, na qual serão abordados aspectos clínicos, epidemiológicos, diagnóstico e controle dessa enfermidade que acomete os Equinos no Brasil (OIE, 2015a).
Histórico
Os primeiros relatos históricos sobre mormo datam do século IV a.C. atribuídos a Aristóteles, que descreveu uma doença de curso fatal caso o pulmão do animal fosse afetado, chamada “melis” (WILKINSON, 1981). No Brasil, o mormo foi, provavelmente, introduzido no século XIX, no ano de 1811 na Ilha de Marajó, onde foi registrada a primeira ocorrência. A doença foi introduzida possivelmente por animais infectados procedentes de Portugal (ITO et al., 2008).
Um dos casos de relatos de foco de mormo no Brasil foi realizado em 1960, no município de Campo, estado do Rio de Janeiro (MOTA et al., 2000). Na mesma época foram registrados mais dois surtos, um no Rio de Janeiro, em 1967, e outro em Pernambuco, no município de São Lourenço da Mata, em 1968. Durante 30 anos não houve nenhuma notificação oficial de focos de Mormo, o que levou o Ministério da Agricultura a declarar que o Mormo estava extinto no país (ITO et al., 2008).
No entanto, casos continuaram ocorrendo
esporadicamente nas propriedades de cana-de-açúcar na Zona da Mata de Alagoas e Pernambuco. Após notificação feita em dezembro de 1999, foram realizados exames sorológicos de animais provenientes da Zona da Mata nordestina e foram detectados animais reagentes nos estados de Alagoas e Pernambuco, a doença também foi notificada nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão (KERBER, 2012; ITO et al., 2008).
O Mormo já foi notificado em diversos países, como Iraque, Egito, Itália, Índia, China, Rússia e em certas regiões da África (MOTA et al., 2000, OIE, 2015b). A última notificação de Mormo nos Estados Unidos ocorreu em 1942, em 1891 na Austrália e em 1928 na Inglaterra (OIE, 2015b). Em 2009, a doença foi notificada pela primeira vez no Distrito federal e desde então não foram mais registradas ocorrências de Mormo na região (BRASIL, 2010; MAPA, 2015b).
Agente etiológico
O agente causador do mormo é bactéria
Burkholderia mallei, bacilo gram-negativo, aeróbios estrito, anteriormente denominada
Pseudomons. (TRABULSI & ALTERTHUM, 2008).
Sem cápsula, imóvel e com 0,5μm de espessura, sua morfologia depende das condições de cultivo. Cresce bem em meios que contenham glicerol ou sangue, não produz hemólise no ágar sangue e as colônias apresentam aspecto mucoide brilhante (HIRSH & ZEE, 2003). É sensível a luz solar, calor e desinfetantes comuns, como iodo, cloreto de mercúrio em álcool, hipoclorito de sódio, e etanol. Dificilmente sobrevive em ambientes contaminados por mais de seis semanas (RADOSTITS et al., 2010).
A bactéria é destruída por aquecimento a uma temperatura de 55°C, durante 10 minutos, ou por radiação ultravioleta. Pode permanecer viável na água por pelo menos um mês, ambientes úmidos favorecem sua sobrevivência (ALMEIDA, 2012).
Fontes de infecção e transmissão
A infeção pode ocorrer principalmente por meio da ingestão de alimentos e água contaminados. As vias de acesso ao organismo são, possivelmente a orofaringe ou o intestino, onde as bactérias penetram a mucosa e se disseminam através dos vasos linfáticos para os linfonodos regionais, posteriormente para a corrente sanguínea e órgãos, particularmente os pulmões (MCGAVIN, 2013). A propagação do microrganismo no ambiente pode acontecer pelos alimentos (forragens e melaço), água, fômites, cochos e bebedouros. Ocasionalmente a forma cutânea da infecção ocorre do contato direto com ferimentos ou por utensílios usados na monta do
animal (RADOSTITS et al., 2010).
Todos os equídeos de qualquer idade são susceptíveis a enfermidade, porém, são acometidos principalmente os animais idosos, debilitados e submetidos a estresse. Animais de carga ou tração, por estarem sujeitos à nutrição inadequada, trabalhos excessivos e habitarem em locais com condições sanitárias inadequadas, são mais suscetíveis à enfermidade (MOTA et al., 2000).
A alta densidade e a aglomeração dos animais favorecem a disseminação, e os portadores assintomáticos são os mais importantes na transmissão da doença do que os animais doentes (RADOSTITS et al., 2010).
Sintomatologia e Patologia
Os sinais clínicos são caracterizados normalmente por hipertermia (39,8°C até 40,5°C), descarga nasal mucopurulenta, ocasionalmente acompanhado de sangue em ambas as narinas (Figura 1) (MOTA et al., 2000). No septo nasal são encontradas ulceras, erosões e congestão (OIE, 2013). Em quadros crônicos, as úlceras resultam em cicatrizes irregulares e deprimidas na mucosa nasal, com aspecto de estrelas, podendo levar à destruição do septo nasal. É observado dispneia, respiração ruidosa, estertores pulmonares, inapetência e emagrecimento progressivo
(SANTOS et al., 2001).
Figura 1- Descarga nasal mucopurulenta, acompanhado de sangue (MAPA, 2015b).
Pode apresentar-se nas formas aguda ou crônica, a forma crônica é a mais comum em equinos,e a aguda, em muares e asininos.
São descritas três formas clínicas: nasal, pulmonar e cutânea. Na forma nasal os animais podem apresentar inicialmente uma descarga nasal serosa, unilateral, que pode evoluir para purulenta de coloração amarelada a purulento hemorrágico, podendo tornar-se bilateral. Pode ocorrer a perfusão nasal, e os nódulos linfáticos submaxilares podem tornar-se aumentados, endurecidos e podem fistular. As úlceras nasais ao
cicatrizarem adquirem formato de estrelas (SANTOS et al., 2001).
A forma pulmonar caracteriza-se por pneumonia lobar com formação de abcessos ou nódulos pulmonares. Algumas infecções são inaparente, outras variam de dispneia à doença respiratória grave, incluindo episódios febris, tosse, dispneia. As descargas dos abcessos pulmonares podem disseminar a infecção para o trato respiratório superior. Podem ocorrer diarreia e poliúria (SANTOS et al., 2001).
A forma cutânea é caracterizada pela formação de abcessos ou nódulos cutâneos (Figura 2), que podem fistular e liberar exsudato purulento de coloração amarela. Os linfonodos e os vasos linfáticos que os unem aumentam e dão um aspecto de rosário. Edema e ulcerações, principalmente nas articulações dos membros posteriores podem ser observados, além de
orquite (SANTOS et al.,
2001).
Figura 2- Abcesso cutâneo (MAPA, 2015b).
À necropsia, são observados, na superfície corporal: abcessos subcutâneos, cujo conteúdo é purulento, amarelo viscoso; aumento de volume e abscedação dos linfonodos; vasos linfáticos superficiais mais espessos e ulcerações cutâneas, principalmente nos membros. Já no trato respiratório superior, observar-se pequenos nódulos amarelados, múltiplos ou solitários; ulcerações, solitárias ou confluentes, extensas áreas de inflamação proliferativa, necrose e hemorragia na mucosa do septo nasal e nas conchas, além de cicatrizes "estrelares" na mucosa nasal ou nasofaringe. No trato respiratório inferior e na cavidade torácica, são visualizadas áreas de inflamação proliferativa. Pode ser encontrada pleurite fibrinosa, com aderências entre os folhetos da pleura; espessamento da pleura visceral, pneumonia lobar, abcessos isolados ou confluentes, dando um aspecto de caverna, pequenos nódulos avermelhados, cuja área central é acinzentada e, naqueles animais cujo curso é crônico, áreas de calcificação pulmonar (SANTOS et al., 2001).
ulcerações na mucosa do ceco. No fígado e baço podem ser vistos abcessos e nódulos de aspecto lardáceo de tamanhos variados ou granulomas específicos (Figura 3). Nos testículos podem ocorrer lesões abcedativas (SANTOS et al., 2001).
Figura 3- Granuloma focal (MAPA, 2015b).
Ao exame histológico, na mucosa das fossas nasais, observa-se infiltrado rico em polimorfonucleares, destruição do epitélio e das glândulas, trombose vascular e presença de inúmeros grumos de bactérias gram positivas e negativas, além da presença de tecido de granulação de permeio a um infiltrado rico em macrófagos, linfócitos, plasmócitos e células gigantes. Nos pulmões, observam-se a formação de piogranulomas, com uma área central de necrose, debris celulares e polimorfonucleares. Nos linfonodos adjacentes às lesões, podem ser encontrados piogranulomas semelhantes àqueles observados nos pulmões (SOUZA, 2012).
Diagnostico
O diagnóstico do mormo consiste na associação dos aspectos clinico-epidemiológicos e anato-histopatológico (MOTA et al., 2000). O MAPA recomenda como teste oficial para diagnostico do mormo a realização dos teste de fixação de complemento (FC) (BRASIL, 2004). Desde 2014 o teste da maleína tem sido substituído pelo teste de Western Blotting (WB) (BRASIl, 2015b; JÚNIOR, 2015).
A FC deve ser realizada por um laboratório credenciado pelo MAPA e acreditado pelo IMETRO. É um teste sorológico que se baseia na detecção dos anticorpos contra B. Mallei de 4 a 12 semanas após a infecção. O resultado negativo da prova de FC tem validade de 60 dias, o resultado positivo é encaminhado a Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SFA) da Unidade Federativa. O médico veterinário requisitante poderá colher amostra para a realização de um novo teste (DITTMANN et. al., 2015). E existem outros resultados anticomplementares, inconclusivo e positivo.
O teste Western Blotting (WB) é uma
técnica amplamente utilizada para detecção e análise das proteínas. O método é baseado na construção de um complexo anticorpo-proteína através da ligação de anticorpos específicos em proteínas imobilizadas sobre uma membrana e a detecção de anticorpo ligado é realizada por diferentes métodos (DITTMANN et. al., 2015). A técnica de WB para detecção de Mormo em soro de equídeos é um método é altamente viável, barato e com alta sensibilidade e especificidade (ELSCHNER et al., 2011). De acordo com Falcão et al. (2013), o teste WB é capaz de detectar animais sem sintomatologia clínica e animais infectados na fase crônica da doença. Atualmente, o teste WB é utilizado no Brasil como teste complementar para animais positivos no teste de FC, desde 2014, a critério do Departamento de Sanidade Animal (DSA/MAPA), no entanto, o uso do teste da Maleína ainda é indicado na legislação vigente no país. O laboratório que é credenciado para fazer esses exames só laboratório oficial (LANAGROS).
Tratamento
O tratamento para o mormo é proibido, devido à possibilidade dos animais que foram infectados e tratados se tornarem portadores crônicos e ser uma fonte de infeção para os animais sadios.
A eutanásia dos animais positivos é prevista em lei, já que não existe vacina e nem tratamento adequado para a prevenção do mormo (DITTMANN et. al., 2015). As medidas de controle e erradicação serão abordadas em tópico próprio a seguir.
Casos de mormo em humanos são raros, porém o tratamento é feito com uso intensivo de antibióticos. A sulfadiazina experimentalmente mostrou-se eficaz no tratamento de animais e seres humanos (ALMEIDA, 2012).
Controle e erradicação
As medidas para controle e erradicação do Mormo no Brasil estão descritas na Instrução Normativa nº 24/2004 e estão baseadas no controle do trânsito e participação de eventos em estados onde houve a ocorrência da doença, por meio da exigência da guia de trânsito animal (GTA) e de exame negativo de Fixação de Complemento para Mormo. Abaixo estão descritas as principais medidas constantes na referida Instrução Normativa (BRASIL, 2004).
O controle do Mormo deve ser feito com a verificação da presença de mais animais infectados pelo agente etiológico do Mormo (Burkholderia mallei) no estabelecimento onde foi notificado e comprovado o foco do Mormo, pelo serviço veterinário oficial (BRASIL, 2004).
Para o diagnóstico sorológico do Mormo é utilizada a prova de Fixação de Complemento, realizada em laboratório oficial ou credenciado. O resultado negativo da prova de FC terá validade de 60 (sessenta). A coleta de material para exame de Mormo, para qualquer fim, será realizada por médico veterinário oficial ou cadastrado (BRASIL, 2004).
Os resultados positivos deverão ser encaminhados imediatamente ao Serviço de Saúde Animal (SSA) da Superintendência Federal de Agricultura Pecuária e Abastecimento (SFA) da Unidade da Federação onde se encontra o animal reagente.Juntamente com os negativos da mesma propriedade. O resultado Negativo deverá ser encaminhado ao médico veterinário requisitante ou ao proprietário do animal. A amostra para exame de Mormo, proveniente de qualquer Unidade da Federação, deverá estar acompanhada de formulário próprio de requisição e resultado aprovado por esta Instrução Normativa pela IN 05 de abril de 2004 (BRASIL, 2004).
Os animais reagentes à prova de FC poderão ser submetidos a teste complementar de diagnóstico, WB, conforme consta na legislação vigente, nas seguintes condições: animais reagentes ao teste de FC e que não apresentem sintomas clínicos da doença; animais não reagentes no teste de FC e que apresentem sintomas clínicos da doença; em outros casos em que o Departamento de Saúde Animal (DSA) julgar necessário (BRASIL, 2004).
Não é utilizado o teste complementar, nas seguintes condições: animais reagentes ao teste de FC e que apresentam sintomas clínicos da doença, neste caso, a prova de FC será considerada conclusiva; Animais de propriedade reincidente, que será imediatamente submetida a Regime de Saneamento, neste caso, a prova de FC será considerada conclusiva.
Apesar das instruções normativas vigentes, o teste de Westwer Blotting tem sido utilizado, a critério do Departamento de Saúde Animal (DSA), como teste complementar ao teste de FC, substituindo o teste da maleína (BRASIL, 2015b; JÚNIOR, 2015).
Para a erradicação, a propriedade que apresente um ou mais animais com diagnóstico positivo conclusivo será considerada foco da doença e imediatamente interditada e submetida a regime de saneamento. Os animais positivos serão sacrificados imediatamente, não cabendo indenização, procedendo-se, em seguida, a incineração ou enterro dos cadáveres no próprio local, a desinfecção das instalações e fômites, sob supervisão do serviço veterinário oficial. Todos os equídeos da propriedade serão submetidos aos testes de diagnóstico para o Mormo (BRASIL, 2004).
O sacrifício dos equídeos positivos será realizado por profissional do serviço veterinário oficial e na presença de testemunhas idôneas. A interdição da propriedade somente será suspensa pelo serviço veterinário oficial após o sacrifício dos animais positivos e a realização de dois exames de FC sucessivos de todo plantel se tiver um negativo, com intervalos de 45 a 90 dias, com resultados negativos no teste de diagnóstico.
O trânsito interestadual de equídeos procedentes de Unidades da Federação onde foi confirmada a presença do agente causador do Mormo deverá observar os seguintes requisitos sanitários: apresentar comprovante de exame negativo de Mormo, dentro do prazo de validade e ausência de sinais clínicos de Mormo. GTA, atestado negativo de AIE e Influenza equina (BRASIL, 2004).
Zoonose
O mormo é transmissível aos humanos, a transmissão é feita por meio de contato com tecidos ou fluidos corporais dos equídeos contaminados. A bactéria entra no organismo através de cortes ou lesões na pele e através de mucosas, como nasal e ocular (ALMEIDA, 2012).
As pessoas mais susceptíveis são os veterinários e os cuidadores de cavalos, e a forma mais comum dessa transmissão através dos animais portadores do Mormo, foi por meio de aerossóis ou partículas aéreas contaminadas (BRASIL, 2004).
A sintomatologia é composta por febre, calafrios, sudorese, dores musculares, dor no peito, dor de cabeça, corrimento nasal e sensibilidade à luz. Caso não tratada adequadamente, a doença pode ser fatal e levar a óbito dentro de 7 a 10 dias (ALMEIDA, 2012).
Situação atual do mormo no Brasil
Em 2013 foram registrados 189 casos, e 202 no ano 2014 (Mapa, 2015b). Segundo a OIE (2015b), o número relatado dessa enfermidade no Brasil de janeiro a junho de 2015, totalizaram 75 casos, nos seguintes estados: Bahia (um caso), Ceará (seis casos), Espirito Santo (seis casos), Goiás (seis casos), Mato Grosso (nove casos), Mato Grosso Sul (seis casos), Minas Gerais (sete casos), Paraíba (dois casos), Pernambuco (quatro casos), Piauí (um caso), Pará (três casos), Rio de janeiro (um caso), Rio Grande do Norte (sete casos), Rio Grande do Sul (um caso), Rondônia (dois casos), Santa Catarina (seis casos), São Paulo (sete casos).
De acordo com dados do MAPA (2015b), até agosto de 2015 foram registrados 266 casos, nos seguintes estados: Bahia (um caso), Ceará
(oito casos), Espirito Santo (vinte e quatro casos), Goiás (oito casos), Mato Grosso (cinquenta e cinco casos), Mato Grosso Sul (sete casos), Minas Gerais (dezessete casos), Paraíba (dois casos), Pernambuco (sessenta e seis casos), Piauí (um caso), Pará (quatro casos), Rio de janeiro (dois caso), Rio Grande do Norte (dois casos), Rio Grande do Sul (um caso), Rondônia (dois casos), Santa Catarina (dezoito casos), São Paulo (quarenta e sete casos) e Tocantins (um caso).
Conclusão
O Mormo é uma doença infecto-contagiosa grave que acomete os equídeos, carnívoros, pequenos ruminantes e o homem. É uma zoonose de curso fatal, e está na lista de doenças da Organização Mundial de Saúde Animal, como uma doença de importância para saúde pública, devido ao seu alto potencial de infecção. O diagnóstico antecipado é uma das mais importantes e difíceis tarefas que enfrentam os médicos veterinários no trabalho sanitário, e é realizado por meio de provas sorológicas.
A epidemiologia está relacionada, entre outros fatores, com o manejo, ingestão de
alimentos ou água contaminados. A sintomatologia na sua fase final da doença inclui broncopneumonia e morte por anóxia.
A profilaxia e controle têm como principal ferramenta a interdição de propriedades com focos comprovados da doença após notificação ao Serviço Veterinário Oficial e fazer a eutanásia dos animais positivos aos testes utilizados.
Agradecimentos
Primeiramente, agradeço a Deus por ter me dado sabedoria para conclusão desse trabalho. À minha mãe, que sempre esteve ao meu lado me apoiando nos momentos mais difíceis. Ao professor Diogo, meu orientador, que me auxiliou da melhor forma possível. Ao fiscal Ézio, do MAPA, que me auxiliou durante o meu trabalho. Às minhas amigas Fernanda e Anne por me ajudarem nesse processo.
“Com a força que Cristo me dá posso enfrentar qualquer situação. Filipenses 4;13
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