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Produção legislativa de janeiro a julho de 2009

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Reforma eleitoral

Câmara aprova

alterações na

lei eleitoral

A

participação do Congresso na es-tatística das leis no Brasil vem aumentando, apesar das constantes crises envolvendo a Câmara e o Senado nos últimos anos.

No período de janeiro a julho de 2009 foram transformados em lei 86 proposições, sendo 48 de iniciativa de parlamentares, 32 originárias do Poder Executivo, quatro do Poder Judici-ário, uma do Tribunal de Contas da União e uma do Ministério Público da União.

Do total de leis (86) de 2009, 42, quase 50%, foram aprovadas conclusivamente pelas comissões técnicas permanentes das duas Casas do Congresso, dispensada a manifestação do plenário.

No mesmo período, em 2008, foram transformadas em leis 107 proposições.

Congresso

Das 48 leis de iniciativa de parlamenta-res, 29 são de deputados e 19 de senadores.

Apesar da redução do número de lei, de 53 para 48, em relação ao mesmo perí-odo do ano anterior houve uma mudança qualitativa nas proposições de iniciativa de parlamentares, especialmente as de autoria de deputados.

Enquanto as leis de iniciativa de depu-tados cuidam, majoritariamente, de direitos de cidadania e proteção dos consumidores, contribuintes e usuários de bens e serviços públicos e privados, a quase totalidade das de iniciativa de senadores, 13 das 19, tratam de temas sem relevância, como datas comemo-rativas e homenagens.

Aliás, num balanço entre as duas Casas do Congresso nesse período, a Câmara se saiu melhor em todos os quesitos, desde a saída mais cedo da crise, passando pelas interpretações criativas do presidente Michel Temer (PMDB/ SP), que fez a Casa voltar a deliberar, até a qualidade das matérias transformadas em lei.

As interpretações criativas do presidente da Câmara se referem à permissão para apre-ciação de matérias em sessões extraordinárias, mesmo com a pauta bloqueada, e à proibição de emendas à medida provisória com tema alheio ao originalmente tratado nela.

Foram duas iniciativas que valorizam o Parlamento. De um lado, porque permite a deliberação em plenário, e, de outro, porque evita contrabando nas medidas provisórias do Poder Executivo, contribuindo para a moralização do Congresso.

exeCutivo

O Poder Executivo, autor de 32 das 86 proposições transformadas em norma legal entre janeiro e julho, produziu menos leis que no mesmo período de 2008, quando atingiu a quantidade de 47.

Das 32 leis de 2009, 16 são oriundas de medidas provisórias, dez de projeto de lei (PLN) apreciados pelo Congresso (Câmara e Senado, em sessão conjunta) e seis de projetos de lei ordinário, apreciados separadamente em cada Casa do Parlamento.

A participação do número de medidas provisórias na produção de leis de iniciativa do Poder Executivo sofreu grande redução, de 25 para 16, caindo uma média mensal no mesmo período de 2008 de 3,7 para 2,3.

Das 16 MPs transformadas em lei, 10 sofreram modificação no Congresso, en-quanto no mesmo período de 2008 apenas 13 das 25 editadas foram mudadas pelo Legislativo.

Os temas de maior incidência de leis de iniciativa do Poder Executivo foram, na ordem decrescente, orçamento, com 12 leis; tributos, com cinco; questões fundiá-rias, sistema financeiro, salário e energia, com duas cada, e vários outros temas com apenas uma lei.

outros poderes

As leis de iniciativa dos tribunais superiores, da Procuradoria-Geral da Re-pública (Ministério Público) e do Tribunal de Contas da União, como sempre, tratam de reestruturação de órgãos e/ou criação de cargos.

ConClusão

A crise trouxe alguns aspectos positivos: ampliou a participação dos parlamentares na produção legislativa, moderou o empre-go de medidas provisórias pelo presidente da República, melhorou a qualidade das leis de iniciativa dos deputados e levou à valo-rização do trabalho das comissões técnicas permanentes.

Esperemos que o Senado, quando a crise cessar, siga o exemplo da Câmara relativamente à qualidade das leis de sua iniciativa e também em relação à proibição de contrabandos nas medidas provisórias.

Antônio Augusto de Queiroz, jornalista, analista político e diretor de Documentação do Diap

Produção legislativa

de janeiro a julho de 2009

Jornada

Artigos reforçam

tese das 40 horas

semanais

Convenção 158

Mensagem presidencial

será examinada pela

Comissão de Trabalho

(2)

Publicação do DIAP Departamento Intersindical de

Assessoria Parlamentar

BOLETIM DO DIAP Ano XVI - NO 229 - Julho de 2009

Publicação mensal do DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar SBS - Edifício Seguradoras - Salas 301/7

70093-900 - Brasília-DF

Fones: (61) 3225-9704/9744 Fax: (61) 3225-9150

Supervisão

Ulisses Riedel de Resende

Edição

Viviane Ponte Sena

Redação

Alysson Alves, André dos Santos, Antônio Augusto de Queiroz, Marcos Verlaine e Viviane Ponte Sena

Página: www.diap.org.br Endereço eletrônico: [email protected]

Diagramação

Fernanda Medeiros

Fone: (61) 3321-8200 Impressão: Stephanie Gráfica e Editora

CONSELhO DIRETOR DO DIAP Presidente: Celso Napolitano

(SINPRO/SP e FEPESP)

Vice-Presidentes:

José Gabriel Teixeira dos Santos (CNTI) Aramis Marques da Cruz (SINDICATO NACIONAL DOS MOEDEIROS)

João Batista da Silveira (SAAE/MG) Jacy Afonso de Melo (SEEBB/DF)

Lúcio Flávio Costa (FEBRAD)

Superintendente:

Epaminondas Lino de Jesus (SINDAF/DF)

Suplente: Carlos Lacerda (CNTM) Secretário: Wanderlino Teixeira de Carvalho

(FNE)

Suplente: Ricardo Nerbas (SINTEC/SP) Tesoureiro: Izac Antonio de Oliveira (FITEE)

Suplente: Wellington Teixeira Gomes

(FITEE)

Conselho Fiscal

Efetivos: Jânio Pereira Barbosa (SENGE/DF)

Itamar Revoredo Knurte (Sind. Adm. de Santos/SP) José Aquiles de Almeida (CNTEEC)

Suplentes: José Edmilson Maciel (CSPB)

José Caetano Rodrigues (CNTS) Francílio Pinto Paes Leme (SINPRO/RJ)

N

a semana que antecedeu o recesso parlamentar, o Con-gresso concluiu a votação do Orçamento para 2010. A novida-de, do ponto de vista dos trabalha-dores, foi a aprovação do novo valor do salário mínimo de R$ 507, que vai vigorar a partir de janeiro.

Com isso, os cerca de 18,3 milhões de aposentados que

recebem atualmente o piso do INSS, de R$ 465, deverão ganhar um reajuste de 8,9% em janeiro de 2010 e passar a receber R$ 507 de benefício.

Recebem salário mínimo no País cerca de 44 milhões de bra-sileiros, entre ativos, aposenta-dos e pensionistas. Toaposenta-dos serão beneficiádos com o reajuste

Congresso aprova

orçamento, com Mínimo de

R$ 507, a partir de janeiro

Com o objetivo de produzir e difundir conhecimento sobre negociação coletiva e subsidiar as direções sindicais e os tra-balhadores nesses processos, o Dieese criou a Rede de Apoio à Negociação ou RAN.

Acessível pela internet, a Rede está disponível às enti-dades sindicais associadas ao Dieese e possibilita conhecer em tempo real as negociações praticadas, os principais te-mas tratados e os resultados alcançados.

Essas informações são re-gistradas por técnicos do Dieese e dirigentes sindicais a cada atividade realizada durante o processo de nego-ciação de diversas categorias profissionais.

São rodadas de negociação, elaboração da pauta de reivin-dicações, preparação da mesa, reuniões internas, assembléias e fechamento do acordo

cole-tivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho, entre outras.

É importante observar que os dados relacionados têm valor indicativo e não podem ser ex-trapolados para o universo das negociações coletivas.

O segundo número do Boletim RAN de 2009 traz as informações sobre negociações coletivas registra-das na Rede de Apoio à Negociação (RAN) no período de abril a junho.

Foram 61 registros referentes a 51 unidades de negociação.

Destas, 26 foram finalizadas e 24 ainda estão em andamento. Um dos registros refere-se à negociação de programa de Participação nos Resultados.

Quanto à data-base, um dos acordos fechados foi relativo a janeiro, três a março, três a abril, dezessete a maio, um a junho e um a agosto.

Dieese cria Rede

(3)

N

a impossibilidade de o Con-gresso discutir e aprovar uma reforma política e eleitoral es-truturante, com financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais e voto em lista bloqueada e pré-ordenada, por exemplo, o Legislativo resolveu regulamentar algumas medidas que na prática já são adotadas nas campanhas eleitorais.

É o caso do uso da internet, que pelo projeto aprovado na Câmara poderá ser usada para arrecadar recursos de cam-panhas e divulgar candidaturas.

E ainda o incentivo da participação das mulheres na política, que a nova norma incentiva.

A fidelidade partidária foi mantida no texto da proposição que ainda terá de ser examinada pelo Senado.

O projeto de lei da reforma eleitoral, que muda regras da atual legislação e incorpora resoluções recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi aprovado pelo plenário da Câmara no dia 8 de julho.

Uma das principais novidades é a liberação do uso da internet nas campa-nhas, seja para a propaganda de candi-datos e partidos ou para a arrecadação de recursos, inclusive por meio de cartão de crédito.

Aprovado na forma de substitutivo do deputado Flávio Dino (PCdoB/MA), o PL 5.498/09 também obriga o eleitor a apresentar um documento com a sua fotografia no momento do voto, com o objetivo de coibir fraudes.

"Os fraudadores agora terão, no mínimo, o trabalho de trocar a foto", afirmou Dino.

Segundo o texto, o eleitor não poderá levar para dentro da cabine de votação telefone celular, máquinas fotográficas ou filmadoras.

O projeto facilita iniciativas de apoio a campanhas, como por exemplo a ces-são de uma casa para o funcionamento de um comitê de candidato: o texto li-mita em R$ 50 mil o valor, calculável em dinheiro, da doação relativa ao uso de bens móveis ou imóveis de pessoa física para um candidato ou partido.

O limite atual é de 10% dos rendi-mentos brutos ganhos no ano anterior ao das eleições.

Fidelidade partidária A desfiliação partidária sem justa causa continua valendo para as eleições do próximo ano e o parlamentar que trocar de partido corre o risco de perder o mandato.

A matéria, de interesse de muitos parlamentares, não foi apreciada no conjunto de alterações da legislação eleitoral, aprovadas na Câmara dos Deputados com o PL 5.498/09.

A perda do mandato para quem trocar de partido político, sem justa causa foi instituída por uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendendo a uma determinação do Su-premo Tribunal Federal (STF).

No âmbito da Câmara dos Deputa-dos existem várias propostas de emenda à Constituição (PEC) estabelecendo um prazo para migração partidária sem prejuízos para o político.

grupo de trabalho A autoria do projeto é atribuída ao deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN), primeiro dos líderes que assinou o texto elaborado por um gru-po de trabalho criado em junho pelo presidente Michel Temer (PMDB/ SP), cujo coordenador foi o deputado Flávio Dino.

Temer disse que a aprovação do projeto foi "um sucesso absoluto" e cum-primentou os líderes por terem sido per-sistentes na votação. "A Câmara merece, mais uma vez, aplausos", afirmou.

partiCipação Feminina Quanto à garantia de mecanismos para estimular a participação feminina na política, houve ganhos e perdas em relação ao texto original do projeto: o substitutivo aprovado diminuiu de 10% para 5% a quantidade mínima dos recursos do fundo partidário que o partido deve usar para criar e manter programas destinados a promover a participação das mulheres na política partidária.

Entretanto, foi incluída no texto pu-nição para o partido que não cumprir

Se esse percentual não for respei-tado, no ano seguinte deverão ser acrescentados a ele mais 2,5% dos recursos do fundo.

Na propaganda fora de ano elei-toral entre as 19h30 e as 22 horas no rádio e na TV, pelo menos 10% do tempo terá de ser usado para pro-mover e difundir a participação das mulheres. A versão original do texto fixava esse índice em 20%.

Outro avanço para estimular a atuação feminina na política parti-dária é a determinação mais explícita de que ao menos 30% dos candidatos sejam mulheres.

Coligações

Um destaque do PMDB aprovado pelo plenário retirou do texto a neces-sidade de verticalização das coligações regionais e nacionais para que um par-tido político use, no horário eleitoral gratuito de campanhas regionais, a imagem e a voz de candidato ou mi-litante de outro partido a ele coligado apenas em nível nacional.

A verticalização não é mais obriga-tória nas eleições brasileiras depois de uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso em 2006. Ela impunha, aos partidos que se coligassem, a ob-servância da mesma aliança em níveis regionais e nacional.

registro

O projeto cria a possibilidade de um candidato concorrer mesmo que seu registro esteja sub judice, ou seja, sem decisão final favorável do TSE.

Ele poderá fazer a campanha nor-malmente enquanto estiver nessa con-dição, inclusive no rádio e na TV.

Caso a decisão não tenha saído até a eleição, seu nome também deverá aparecer na urna eletrônica, mas os votos recebidos por ele só serão va-lidados se o pedido de registro for aceito definitivamente.

Um destaque do DEM assegurou também ao candidato a possibilidade de ter seu registro validado depois do prazo final se ele conseguir reverter, em juízo, a condição de inelegibilidade constatada no momento do registro pelo

Câmara aprova projeto;

texto vai ao Senado

(4)

redução da jornada

É hora de relançar a

campanha pelas 40 horas

Umberto Martins*

Ocorreu em meados do ano passado, na cidade de São Paulo, a última reunião do comando da campanha dos sindicatos pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários.

Estiveram presentes represen-tantes de todas as centrais sindi-cais, assessorados pelos técnicos do Dieese, e eu participei pela CTB, ao lado do secretário adjun-to de Relações Internacionais da Central, João Batista Lemos.

Discutimos na ocasião a opor-tunidade de relançar a campanha pelas 40 horas semanais.

O ambiente era então domi-nado por um excesso de euforia em relação ao comportamento da economia nacional, que afi-nal experimentou no primeiro semestre de 2008 o auge de um promissor ciclo de expansão, frustrado meses depois.

Julgava-se, então, que a crise não aportaria nesses trópicos.

Alimentava-se também a ideia de que o crescimento da eco-nomia nacional jogava água no moinho dos trabalhadores, ao passo que um cenário de estag-nação ou recessão forçaria a clas-se trabalhadora e o movimento sindical à defensiva e prejudica-ria a campanha.

A vida, sempre mais sábia

que a imaginação humana, está mostrando que as coisas não são bem assim.

a Crise

Sem pedir licença ao Gover-no ou ao movimento sindical, a recessão global (exportada pelos EUA) resolveu nos visitar no úl-timo trimestre de 2008. Chegou com força, derrubando o PIB, expandindo o desemprego e atropelando a agenda sindical.

A campanha pela redução do tempo de trabalho foi deixada em ‘banho maria'.

Contrariando os prognósticos, a luta pela redução da jornada não arrefeceu e, a bem da ver-dade, ganhou novo e inusitado impulso com a crise.

Isto ocorreu fundamental-mente porque o movimento sindical não ficou inerte e teve a sabedoria de levantar a bandei-ra das 40 hobandei-ras Já em resposta ao desemprego, que avançou com velocidade insuspeita nos últimos meses do ano passado, desacelerando posteriormente.

vitória históriCa Como resultado da pressão unificada dos sindicalistas, que lideraram diversas manifesta-ções em defesa do emprego, dos salários e dos direitos sociais ao longo deste ano (cabendo desta-car o Dia Nacional de Luta em 30 de março e o 1º de Maio), a classe trabalhadora obteve uma vitória

histórica no Congresso Nacional dia 30 de junho.

Naquele dia uma comissão especial da Câmara Federal apro-vou por unanimidade o parecer do deputado Vicentinho (PT/SP) favorável à PEC dos senadores Inácio Arruda (PCdoB/SP) e Paulo Paim (PT/RS) que institui a redução constitucional da jor-nada para 40 horas semanais e eleva o adicional de horas extras para 75%.

Foi uma grande notícia para a sociedade brasileira e um dia histórico para o sindicalismo, apesar do fato ser solenemente ignorado e sonegado pela mídia capitalista, que não prima pelo respeito à verdade e ao povo trabalhador.

A "Folha" fez um editorial contra, destilando o ódio vene-noso do grande capital contra a decisão dos parlamentares.

unidade

A vitória deve ser atribuída em primeiro lugar à unidade alcançada pelas centrais, mas é também um sinal do tempo.

Em outras circunstâncias his-tóricas, num momento de crise a proposta dificilmente seria apreciada pelo Congresso e, se fosse, o resultado provavelmente seria outro.

Vivemos um novo cenário po-lítico na América Latina, no qual

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cresce o protagonismo da classe trabalhadora e do sindicalismo.

Ademais, o presidente Lula, que ingressou na política através do movimento sindical, já mani-festou publicamente seu apoio à redução da jornada de trabalho sem redução de salários.

agenda do trabalho A unidade é que possibilitou a ampliação da influência e do protagonismo do movimento sindical.

No dia 21 de maio, represen-tantes das centrais estiveram reunidos com o presidente da Câmara Federal, Michel Temer, e outros parlamentares para definir uma "agenda positiva do trabalho" na Casa, com destaque para a redução da jornada.

Embora seja um fenômeno eminentemente econômico, a re-dução da jornada é uma questão polêmica, que se decide no cam-po da cam-política e demanda luta.

Por isto, não é de estranhar que, mesmo num ambiente de crise econômica, o tema ganhe força, já que a situação política é bem mais favorável do que no passado.

surpresa

A unanimidade a favor da demanda dos sindicalistas na comissão especial que exami-nou a proposta foi uma grata surpresa para os trabalhadores e trabalhadoras que lotaram o auditório Nereu Ramos, onde a comissão especial se reuniu, mas não esperavam tanto.

O fato demonstrou que é significativa a força desta ban-deira histórica da classe

traba-lhadora, assim como o respeito gozado pelos sindicalistas no Congresso Nacional pelos sin-dicalistas e a sensibilidade dos parlamentares à pressão da classe trabalhadora.

O bom senso indica que a redução da jornada é a melhor resposta ao avanço extraordiná-rio da produtividade social do trabalho, que sem tal medida se traduz, no capitalismo, em demissões e desemprego em massa.

reação do Capital É também verdade que o patronato negligenciou a bata-lha na comissão especial. Isto não significa que está dispos-to a aceitar passivamente as 40 horas semanais. Entidades representativas do capital já estão reagindo.

A CNI (Confederação Na-cional da Indústria) elaborou

uma cartilha francamente hostil à PEC dos senadores Arruda e Paim.

O principal argumento dos sindicatos é de que a redução da jornada vai gerar novos postos de trabalho. Os patrões contes-tam esta perspectiva, argumen-tando que a medida vai provocar mais demissões.

Todavia, a posição dos capita-listas soa falsa quando se obser-va que o próprio presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), Paulo Skaf, pro-pôs a redução da jornada com redução de salários (o que os trabalhadores não aceitam) para combater o desemprego.

A preocupação do capital não é com o nível de emprego, é ex-clusivamente com a defesa das (altas) margens de lucro, que se nutre do trabalho não remune-rado dos assalariados.

O movimento sindical ainda não ganhou a guerra.

A batalha final se dará no plenário do Congresso (Câmara e Senado) e será mais difícil, pois emenda constitucional requer quórum qualificado e a correlação de forças no parla-mento não favorece os interes-ses da classe trabalhadora.

É hora de intensificar a mo-bilização e programar o relan-çamento da campanha pelas 40 horas Já. Mais do que uma oportunidade do momento histórico, a campanha nacional é uma necessidade indeclinável e inadiável. (*) Jornalista e editor do Portal CTB

O bom senso

indica que a

redução da

jornada é a melhor

resposta ao avanço

extraordinário

da produtividade

social do trabalho,

que sem tal

medida se traduz,

no capitalismo,

em demissões e

desemprego em

massa

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Paulo Pereira da Silva*

A

proposta pela redução da jornada de trabalho, sem re-dução salarial, e pelo aumento das horas extras de 50% para 75%, aprovada em junho por comissão especial da Câmara dos Deputados, trará muitos benefícios para a socie-dade brasileira.

Essa mudança na legislação é ex-tremamente necessária e interessa aos trabalhadores - e à sociedade em geral - porque gera empregos e melhora a qualidade de vida.

Com a redução da jornada para 40 horas semanais, todos ganham.

A redução, por exemplo, vai gerar mais empregos, importante medida neste momento de incer-tezas econômicas.

Segundo o Dieese, a implemen-tação da medida tem o potencial de criar, em uma primeira etapa, cerca de 2 milhões de novos postos de trabalho.

Há ainda as vantagens sociais, já que o trabalhador terá mais tempo para a família, o lazer e sua própria qualificação ou requalifi-cação profissional.

A medida também vai contribuir para a diminuição dos problemas de saúde e acidentes de trabalho, resul-tado de jornadas exaustivas.

Mas isso só acontecerá se limitar-mos o uso da hora extra trabalhada, motivo pelo qual incluímos no texto, aprovado por unanimidade, o au-mento do valor adicional pago sobre a hora extra de 50% para 75%.

O encarecimento do valor da hora extra é um mecanismo que vai fazer com que as contratações sejam estimuladas. Não podemos

nos calar diante da falácia empre-sarial de que a medida irá encarecer a produção nacional.

Ainda de acordo com dados do Dieese, a produtividade das empre-sas, de 2000 até agora, cresceu 27%, e seu custo poderá aumentar apenas 1,99% com a implantação da jornada de 40 horas.

Como a produtividade nas empre-sas tem crescido constantemente, em menos de seis meses o aumento de custo seria compensado.

Os números revelam um brutal aumento dos ganhos de produti-vidade nos últimos anos. E esses ganhos, fruto das inovações tec-nológicas e organizacionais, não podem ficar só com o capital.

Eles também são resultado de muita dedicação e do árduo trabalho da classe trabalhadora e, portanto, devem ser estendidos a todos.

Vale destacar que, com o tempo livre oriundo da jornada menor, o trabalhador poderá usá-lo para a ele-vação do nível educacional.

E todos sabemos: trabalhador mais bem qualificado resulta em melhoria na produtividade e no aumento da competitividade das indústrias.

Outro argumento empresarial con-tra a redução é que o aumento do custo da mão de obra diminuiria a compe-titividade das empresas, o que levaria ao fechamento de muitas daquelas voltadas para a exportação - e mesmo das que têm de competir internamente com produtos importados.

Dados do Departamento do Trabalho dos EUA não confirmam o argumento. Segundo esse órgão, o custo horário da mão de obra na indústria brasileira é 6,7 vezes menor que o da americana, 5,3

ve-zes menor que o da francesa e 2,7 vezes menor que o da coreana.

Como podemos perceber, há mar-gem para a redução da jornada sem perda de competitividade.

A redução da jornada é uma luta histórica, e todas as modifica-ções ao longo dos anos ocorreram devido à mobilização dos traba-lhadores brasileiros.

A intensa luta levou, na década de 1930, à primeira lei nacional sobre jornada de trabalho, que a limitava a 48 horas semanais.

No início dos anos 1980, também como resultado da movimentação sindical, diversas categorias conquis-taram jornadas que variavam entre 40 e 44 horas por semana, fortalecendo as lutas dos trabalhadores e sensibilizan-do o País para que fosse garantisensibilizan-do um teto de 44 horas semanais, previsto na Constituição de 1988.

Em conjunto com o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB/SP), elaborei um requerimento nesta se-mana, já assinado por nove líderes partidários, pedindo ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/ SP), urgência na tramitação da ma-téria na Casa.

As Centrais Sindicais, na chamada unidade de ação, também estão cons-truindo agenda visando esclarecer e sensibilizar os congressistas e a socie-dade sobre os benefícios da medida. A redução da jornada é um im-portante mecanismo para repartir os ganhos de produtividade acumulados pelo capital nos últimos anos e dis-tribuir renda, buscando a construção de uma sociedade mais justa, com emprego e renda para todos.

(*) Presidente da Força Sindical e deputado federal pelo PDT/SP

Jornada menor, vida melhor

artigo

(7)

André Santos

N

este primeiro semestre, muito se falou sobre a importância da aprova-ção pela Câmara dos Deputados da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da demissão imotivada. O tema, contudo, não avançou e continua parado na Comissão de Trabalho da Casa.

O ritmo no próximo semestre no Congresso Nacional deve ser mais acelerado pelo fato de 2010 ser ano eleitoral, o que diminui a atividade parlamentar e a pro-dução legislativa.

Assim, é preciso intensificar a ação do movimento sindical na Co-missão de Trabalho, a fim de fazer avançar a matéria no colegiado.

históriCo

Depois de rejeitada na Co-missão de Relações Exteriores da Câmara, por alguns dias pairou a dúvida sobre o arqui-vamento da proposta. A men-sagem não seria arquivada, como defendeu o DIAP, mes-mo com o pedido do relator da matéria naquele colegiado, deputado Júlio Delgado (PSB/ MG). Ele apresentou recurso solicitando o arquivamento da proposta pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

O pedido do parlamentar, en-tretanto, foi indeferido.

A matéria agora tramita na Comissão de Trabalho da Câ-mara e aguarda distribuição. Apesar das pressões do movi-mento sindical, o presidente do colegiado, deputado Sabino Castelo Branco (PTB/AM), dei-xou a escolha do relator para o próximo semestre. O atraso na distribuição da proposta a um relator neste colegiado compro-mete sua aprovação.

A estratégia para alcançar êxito nesta reivindicação é a indicação de um relator que seja

comprometido com a luta da classe trabalhadora.

O presidente da Comissão de Trabalho cogitou a possibilidade de relatar a matéria. Apesar de o colegiado ter uma composição que tem favorecido, na maioria dos casos, aos trabalhadores, não se pode vacilar com a ofen-siva dos patrões que querem rejeitar a mensagem.

Pesquisas recentes mostram que a rotatividade nos postos de trabalho contribui para a pre-carização e para a redução dos salários dos trabalhadores. Com a necessidade de o empregador ter que justificar a demissão, a rotatividade no local de trabalho pode diminuir.

Portanto, no segundo semes-tre de atividades legislativas, as entidades sindicais têm que ocupar o Congresso Nacional com esta bandeira que trará benefícios a todos os trabalha-dores. Para os empresários, isso não significa gastos muito menos trava a empresa no que diz respeito às demissões. A Convenção 158 deixa brechas para que o empregador possa demitir em caso de necessidade, porém ele terá que justificar ao trabalhador o motivo da dispen-sa. O trabalhador está apenas exigindo respeito.

Convenção 158: a

estratégia é aprovar

demissão imotivada

O presidente da

Comissão de

Trabalho cogitou

a possibilidade de

relatar a matéria.

Apesar de o

colegiado ter uma

composição que

tem favorecido, na

maioria dos casos,

aos trabalhadores,

não se pode vacilar

com a ofensiva dos

patrões que querem

rejeitar a

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pauta trabalhista

O

s temas elencados acima são prioritários na agenda dos trabalhadores porque em 2010 haverá eleições e nada garante ao movimento sindical que se não tiverem desfecho positivo ainda este ano será possível em qualquer cenário manter a agenda em curso num rumo adequado para os trabalhadores.

salário mínimo

Caso o projeto de lei do aumen-to real do salário mínimo não seja transformado em lei, não existe nenhuma garantia que o Governo Federal terá condições de continuar, por meio de medida provisória, com a política de valorização do mínimo. A Câmara precisa votar a emenda do senador Paulo Paim (PT/RS) ao PL 1/07 o mais rápido possível, sob pena de colocar em risco o ganho real para o piso nacional.

O presidente da República, apesar de o Congresso não ter aprovado o projeto, editou MPs nos anos de 2008 e 2009 assegurando reajuste e au-mento real com base nos parâmetros fixados na política de recuperação do piso salarial do País.

Para os próximos dois anos, entretanto, o Governo Federal terá dificuldades, sem uma lei em vigor sobre o tema, de continuar, por meio de MP, com a política de valorização do salário mínimo, por dois relevantes motivos.

O primeiro motivo, em relação a 2010, é de natureza política. O aumen-to real do salário mínimo para o ano em que haverá eleição geral,

respeita-da as diretrizes do projeto, deverá ser fixado com base no PIB de dois anos anteriores, portanto, de 2008, o maior PIB dos últimos 20 anos, e o deste ano, que será anunciado no final de 2009, um ano de inflação baixa e PIB muito baixo ou até negativo.

O segundo motivo, este relativo a 2011, seria de natureza político-eleito-ral. Teria o presidente da República, nos últimos dias de seu mandato, condições políticas de editar uma MP concedendo aumento real para o salá-rio mínimo, cuja vigência coincidiria com a posse de seu sucessor?

Fator previdenCiário O tema está sob impasse na Câmara. O Governo não aceita simplesmente extinguir o fator. Os trabalhadores apóiam o projeto do senador Paulo Paim, que quer acabar com o fator. O relator, deputado Pepe Vargas (PT/RS) apresentou uma solu-ção que não contempla os trabalhadores, o fator 85/95. Desse modo, é preciso urgentemente construir uma proposta negociada, a fim de contemplar uma al-ternativa capaz de amenizar os prejuízos dos assalariados que se aposentam.

sustentação FinanCeira dos sindiCatos

A contribuição negocial volta à agenda política. A Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) do DEM, que questiona o repassa às centrais de recursos da contribuição sindical acendeu a luz amarela. Com início da discussão pelo Supremo, cuja votação parcial está em três votos contra o repasse e dois a favor, impõe ao mo-vimento sindical construir alternativas

para o caso de o STF acatar a ação do Democratas. Desse modo, o Ministério do Trabalho tende a acelerar a elabora-ção, com as centrais, de proposta que resolva finalmente este impasse sobre a sustentação financeira das entidades sindicais de trabalhadores.

Há ainda o projeto de lei (PLS 248/06) do senador Paulo Paim, que regulamenta a taxa assistencial, cobra-da em razão cobra-das negociações coletivas de trabalho. Parcela expressiva do movimento sindical quer resolver este imbróglio, com objetivo de superar o impasse que envolve a cobrança pelos sindicatos e a postura do Ministério Público do Trabalho, que a considera ilegal, sobretudo para os trabalhado-res não sindicalizados.

terCeirização

Este também é um tema caro ao movimento sindical, pois a tercei-rização nos moldes em que vem sendo praticada no País significa relações precárias de trabalho, sa-lários aviltados e impossibilidade de aposentadoria.

Desse modo, as centrais de-fendem o arquivamento do PL 4.302/98, do ex-presidente FHC, por meio da Mensagem Presiden-cial 393/03, enviada por Lula ao Congresso, bem como a rejeição do PL 4.330/04, do deputado Sandro Mabel (PR/GO), e, em seguida, a construção negociada pelo Gover-no, empresários e trabalhadores de uma proposta que regulamente essa modalidade de trabalho em condições mais humanas e sem des-vantagens para os trabalhadores.

Projetos podem avançar

no segundo semestre

Salário mínimo, fator previdenciário, sustentação dos sindicatos e terceirização precisam ter desfecho

positivo ainda este ano e devem ser tratados como prioritários na agenda dos trabalhadores

Referências

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