Hortic. bras., v. 30, n. 2, (Suplemento - CD Rom), julho 2012 S 5256

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Texto

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Desempenho de alface roxa cv. ‘Salad Bowl’ com aplicação do ácido

L-glutâmico, em cultivo orgânico

Marcelle Michelotti Bettoni¹, Eliseu Geraldo dos Santos Fabbrin², Mariane Daniele Sass², Suzane dos Santos², Aline Suzana Uber2, Átila Francisco Mógor³

¹Doutorando (a) em Agronomia- Produção Vegetal, Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo, Universidade Federal do Paraná; Curitiba-PR. E-mail: m2bettoni@gmail.com; eliseufabbrin@yahoo.com.br; jeolinik@yahoo.com.br; cinthia.roder@gmail.com

²Graduando (a) em Agronomia, Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo, Universidade Federal do Paraná; Curitiba-PR. E-mail: : aline_uber@hotmail.com; mariane_sass@hotmail.com; suzane.stos@gmail.com.

³Professor Adjunto, Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo, Universidade Federal do Paraná, , Rua dos Funcionários, 1540, 80035-050, Curitiba – PR. E-mail: atila.mogor@ufpr.br

RESUMO

Este trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho da alface mimosa roxa cv. ‘Salad Bowl’, em sistema orgânico, em função da aplicação do aminoácido L-glutâmico (AG-30®) via foliar. Os tratamentos foram dispostos em delineamento inteiramente casualizado com 4 repetições, e constaram de 3 tratamentos: testemunha (sem aplicação), e aplicação via foliar das dose 0,2 ml L-1 e 0,4 ml L-1 do produto AG-30® (ácido L-glutâmico 30%). As aplicações foram realizadas aos 7, 14, 21, 28 e 35 dias após o transplante (DAT), sendo avaliadas as seguintes características, aos 42 DAT: massa fresca média por planta (MFM), massa seca média por planta (MSM), diâmetro de cabeça médio (DCM) e produtividade média estimada (PME). O uso do aminoácido ácido L-glutâmico promoveu maiores massas frescas e secas e produtividade em alface mimosa roxa cv. ‘Salad Bowl’, em sistema orgânico.

PALAVRAS-CHAVE: Lactuca sativa L.; aminoácido, biofertilizante. ABSTRACT

Performace of purple mimosa lettuce cv. ‘Salad Bowl’ with foliar application of the L-glutamic acid, in organic system

This study aimed to evaluate the performance of purple mimosa lettuce ‘Salad Bowl’, in an organic system, depending on the foliar application of the amino acid L-glutamic acid. The treatments were arranged in completely randomized design with four replications, and consisted of three treatments: control (no application), and foliar application of 0.2 ml L-1 and 0.4 ml L-1 of product AG-30® (L-glutamic acid 30%). The applications were performed at 7, 14, 21, 28 and 35 days after transplanting (DAT), the characteristics were evaluated at 42 DAT: fresh weight per plant (MFM), dry mass per plant (MSM) head diameter medium (DCM) and estimated productivity (PME). The use of the amino acid L-glutamic amino acid produced greater fresh and dry weight and yield of purple mimosa lettuce ‘Salad Bowl’, in an organic system.

Keywords: Lactuca sativa L., aminoacid, biofertilizer.

A alface (Lactuca sativa) é a hortaliça folhosa de maior importância no Brasil, com área cultivada de aproximadamente 35 mil hectares. Seu cultivo é intensivo, caracterizado pelo cultivo em pequenas áreas e por produtores familiares, gerando cerca de cinco empregos diretos por hectare. Atualmente o mercado de sementes de alface é estimado em torno de US$ 2 milhões por ano (Costa & Sala, 2005), o que assegura à cultura expressiva importância econômica, sendo considerada como uma planta de propriedades tranquilizantes e que, devido ao fato de ser consumida in natura,

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(2010) mostram que a produção paranaense de alface foi de aproximadamente 75.299 toneladas, distribuídos 3.902 ha-¹.

O cultivo de orgânicos tornou-se uma opção para áreas consideradas unidades de conservação ambiental, tornando essas áreas produtivas. Na região metropolitana de Curitiba (RMC), devido à existência dessas áreas de preservação, denominadas áreas de proteção ambiental (APA´s), o cultivo de orgânicos torna-se necessário, auxiliando no desenvolvimento da região e dando opção aos pequenos e médios produtores. A proximidade do mercado consumidor, associado com a qualidade dos produtos além da crescente preocupação com o meio ambiente, possibilita agregar maior valor comercial a estes produtos, fazendo assim, com que a RMC tenha um alto potencial de crescimento na produção, ocupando pequenas áreas e dando bom retorno financeiro aos produtores.

A produção orgânica busca maximizar os benefícios sociais e minimizar o uso de energia não renováveis, além da oferta de um produto com elevado valor nutricional que propicia ao consumidor e ao produtor saúde, onde ambos ficam isento do contato com agrotóxicos (Oltramari el

al., 2002). Nesse contexto o uso de biofertilizantes tem se tornado freqüente, dentre esses

compostos tem-se a utilização de aminoácidos. A ação destes compostos basea-se na ação sintetizadora dos aminoácidos pela plantas (Brandão, 2007; Caço 2008), sendo utilizados afim de suprir grande parte das necessidades estruturais, além de sínteses vitamínicas, de vários compostos como enzima, hormônio e clorofila, além de armazenamento e transporte de nitrogênio, efetuando assim uma ação direta para um maior desenvolvimento vegetal e com um gasto energético reduzido, além da redução da fitotoxicidade de alguns defensivos, maior tolerância ao stress hídrico e geadas, maior florescimento das plantas e aumenta a qualidade dos produtos colhidos.

Neste sentido, este experimento teve o objetivo de analisar o efeito da aplicação foliar do aminoácido L- Glutâmico (AG-30®) na produtividade da alface mimosa roxa em sistema orgânico. MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na área de Olericultura Orgânica, do Centro de Estações Experimentais do Canguiri, UFPR, na Região Metropolitana de Curitiba-PR, sob as coordenadas de 25º25' latitude sul e 49º08' longitude oeste com altitude de 920 metros.

A região pertence ao Primeiro Planalto do estado do Paraná, cujo clima, de acordo com a classificação de Köppen, é Cfb, com temperatura média mais fria inferior a 18ºC e do mês mais quente abaixo de 22ºC, e precipitação média anual entre 1400 a 1800 mm. O solo é classificado como Latossolo Vermelho-Amarelo Álico, de textura argilosa (Embrapa, 1999).

A análise do solo na área resultou nos seguintes valores médios na camada de 0-20 cm: pH (CaCl2)= 6,30; pH SMP= 6,60; Al+3= 0; H++Al+3= 3,20 cmolc dm-³; Ca2+= 13,0 cmolc dm-³; Mg2+=

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6,50 cmolc dm-³; K+= 0,87 cmolc dm-³; P= 73,20 mg dm-³; C= 39,7 g dm-³; V%= 86 e CTC= 23,57 cmolc dm-³.

Utilizou-se a alface do grupo mimosa, roxa, cv. Rubi (Isla), em um delineamento inteiramente casualizado, com três tratamentos e quatro repetições.

A semeadura foi realizada em bandejas de poliestireno expandido de 288 células, preenchidas com substrato Plantmax, no dia 21 de setembro de 2011, sendo mantidas em casa-de-vegetação, com microaspersão temporizada, até 30 dias após a semeadura (DAS), quando foram transplantadas. O preparo do solo ocorreu previamente, com a utilização de rotoencanteirador, e a fertilização foi realizada com 5 t ha-1 de composto orgânico, sendo posteriormente cobertos com mulching.

As plantas foram dispostas em espaçamento de 0,30 m entre plantas e 0,30 m entre linhas, em parcelas com 1,20m de largura e 1,5 m de comprimento, totalizando 16 plantas por parcela.

Os tratamentos foram constituídos pela aplicação via foliar de ácido L- glutâmico (AG-30®, contendo 30% de ácido L-glutâmico), nas doses: 0,2 ml L-1 e 0,4 ml L-1, além da testemunha, sem aplicação.

Aos 7 dias após o transplante, iniciou-se a aplicação dos tratamentos utilizando um pulverizador pressurizado com CO2, com pressão constante (45 lib pol-²), com intervalos regulares de 7 dias (7, 14, 21, 28 e 35 DAT), até a colheita.

Aos 42 dias após o transplante, 4 plantas centrais por parcela foram coletadas para a avaliação da massa fresca média por planta (MFM), massa seca média por planta (MSM), diâmetro de cabeça médio (DCM) e produtividade média estimada (PME).

Para a MFM as plantas foram acondicionadas em sacos de papel e secas em estufas de circulação forçada de ar a 65ºC ± 5ºC, até atingirem peso constante.

Testou-se a homogeneidade das variâncias pelo teste de Barttlet, e quando significativa, prosseguiu-se com a ANOVA prosseguiu-seguida pelo teste de Tukey ao nível de 5%. Os dados foram processados no software estatístico Assistat 7.5.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As medias das características avaliadas encontram-se na Tabela 1.

A MFM de alfaces tratadas com 0,4 ml L-¹ de biofertilizante foi a maior (251,01 g), quando comparada a dose 0,2 ml L-¹ de biofertilizante (211,62 g) e a testemunha (157,52 g), resultados estes, superiores aos encontrados por Monteiro et al. (2008), ao comparar diferentes cultivares de alface em cultivo orgânico, que constatou uma massa fresca na alface mimosa roxa de 143,45 g. O mesmo comportamento pode ser observado no PME, demonstrando a importância da aplicação exógena de aminoácidos para um aumento de produtividade em plantas de alface. Tais resultados

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corroboram com Olinick et al. (2011), que observou maior massa fresca de mudas de repolho tratadas com a dose 0,4 ml L-¹ de biofertilizante . Tosta et al. (2009) observou uma produtividade média na cultivar roxa 4 estações de 20,47 t ha-1, sendo inferior as encontradas na mimosa roxa tratada com as doses 0,2 e 0,4 ml L-¹ de biofertilizante com produtividades de 23,5 e 27,9 t ha-1, respectivamente

A MSM não apresentou diferença entre os tratamentos, apenas em valores absolutos, sendo as plantas tratadas com o aminoácido L-glutâmico as que apresentaram as maiores médias, situando-se entre 10,23 e 10,24 g planta-¹, Roel et al. (2007) avaliaram a aplicação de um biofertilizante preparado a base de melaço, vinagre e microorganismos eficazes em alface crespa cv. Verônica na dosagem de 1% e encontraram MSM de 9,53g inferior ao valor encontrado neste trabalho. Sabe-se que os aminoácidos possuem acelerada translocação nas plantas (Rhodes & Handa, 1993), este fato promove rápida metabolização e aumento da atividade enzimática com reflexos no metabolismo do N e superior acúmulo de fotoassimilados.

O DMC também sofreu efeito da aplicação do aminoácido L-glutâmico, sendo maior que a

testemunha em ambas doses, sem diferença entre elas. Mógor et al. (2008) também constatou maior desenvolvimento inicial de plantas de feijão, usando o ácido L-glutâmico, indicando maior divisão e alongamento celular, o que pode explicar o maior diâmetro médio das cabeças de alface.

A aplicação via foliar do aminoácido L-glutâmico, interfere na síntese do glutamato, aumentando o aproveitamento do N (King et al., 1993), o que explica o aumento da produtividade na cultura da alface tratada com o aminoácido L-glutâmico.

AGRADECIMENTO

Os autores agradecem a Capes e a empresa Microquímica. REFERÊNCIAS

ANDRADE JÚNIOR AS, KLA AE. 1997. Manejo da irrigação da cultura da alface (Lactuca sativa L.) através do tanque classe A. Scientia Agrícola. Piracicaba, v. 54, n. 1-2.

BRANDÃO RP. 2007. Importância dos Aminoácidos na agricultura sustentável. Informativo BioSoja, São Joaquim da Barra, inf.5, p.6-8. Disponível em:< http://www.biosoja.com.br/ Acesso em: 28 março de 2012.

COSTA CP da, SALA FC. 2005. A evolução da alfacicultura brasileira. Horticultura Brasileira, Brasília, DF, v. 23, n. 1, jan./mar.

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KING BJ, SIDDIGI MY, RUTH TJ, WARNER RL, GLASSET ADM. 1993. Feedback regulation of nitrate influx in barley roots by nitrate, nitrite, and ammonium. Plant Physiology, v.102, p.1279-1286.

MÓGOR AF, ONO EO, DOMINGOS JR, MÓGOR G. 2008. Aplicação foliar de extrato de alga, ácido L-glutâmico e cálcio em feijoeiro. Scientia Agrária, v. 9, p. 431-437.

MONTEIRO LA, MARQUES GN, LOUZADA RS, SCHÖFFEL ER, MENDEZ MEG, COGO CM. 2008. Avaliação do crescimento de três cultivares de alface sob cultivo orgânico em ambiente protegido. In: XVII CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, Pelotas, 2008.

Anais...Universidade Federal de Pelotas.

OLINIK JR, MÓGOR AF, RÖDER C, FABBRIN EGS, BETTONI MM, POLETTO, MR. 2011. Desenvolvimento de mudas de repolho em função da aplicação foliar de ácido L-glutâmico a 30%. Horticultura Brasileira 29: S4256-S4260

OLTRAMARI AC, ZOLDAN P, ALTMANN R. 2002. Agricultura Orgânica em Santa Catarina. Disponível em: <http://cepa.epagri.sc.gov.br/Publicacoes/organicos.pdf>. Acesso em: 27 de março 2012.

RHODES AS, HANDA S. 1989. Amino acid metabolism in relation to osmotic adjustment in plant cell. In: Cherry, J.H. (ed), Environmental stress in plants, p. 41-62.

ROEL AR, LEONEL LAK, FAVARO SP, ZATARDIM M, MOMESSO CMV. 2007. Avaliação de fertilizantes orgânicos na produção de alface em Campo Grande, MS. Scientia Agrária, Curitiba, v.8, n.3, p. 325-329.

SEAB – Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. 2012. Disponível em: http://www.agricultura.pr.gov.br/.

TOSTA M da S, BORGES F da SP, REIS LL dos, TOSTA J da S, TOSTA P de AF. 2009. Avaliação de quatro variedades de alface para cultivo de outono em Cassilândia-MS. ACSA - Agropecuária Científica no Semi-Árido, v. 5, p. 30-35.

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Tabela 1. Massa fresca média por planta (MFM), massa seca média por planta (MSM), diâmetro de cabeça médio (DCM) e produtividade média estimada (PME) de alface mimosa roxa ‘Salad Bowl’ em função da aplicação do aminoácido L-glutâmico, avaliadas aos 42 dias após o transplante (DAT). [Mean fresh mass for plant (MFM), mean dry mass for plant (MSM) of purple mimosa lettuce ‘Salad Bowl’ in function of application of the amino acid L-glutâmico] Curitiba, 2012.

Doses de AG-30® MFM MSM DCM PME

g planta-¹ Cm t ha-¹ 0,0 ml L-¹ 157,52 c 7,49 ns 20,25 b 17,502 c 0,2 ml L-¹ 211,62 b 10,23 22,25 a 23,513 b 0,4 ml L-¹ 251,01 a 10,84 22,58 a 27,890 a CV% 1,32 17,13 3,14 1,32 DMS 6,84 4,08 1,71 0,76

Médias seguidas da mesma letra minúscula não diferem estatisticamente pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade.ns não significativo.

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Referências

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