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BREASTFEEDING AND NUTRITIONAL DISORDERS IN INFANTS TREATED AT A REFERENCE CENTER FROM SANTARÉM-PA.

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ALEITAMENTO MATERNO E OS DESVIOS NUTRICIONAIS EM LACTENTES, ATENDIDOS EM UMA UNIDADE DE REFERÊNCIA DE SANTARÉM-PA

Raphael Primo Martins de Sousa1, José Pinto de Almeida Junior2, Leonardo Perez Carvalho Barbosa2, Renato Mauro Vieira Souza3 e Maria Goreth Silva Ferreira4.

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Acadêmico de Medicina, Universidade do Estado do Pará. Santarém, Pará, Brasil- [email protected]. 2Acadêmico de Medicina, Universidade do Estado do Pará. Santarém, Pará, Brasil.3 Médico Residente de Clínica Médica, Hospital Universitário João de Barros Barretos. Belém, Pará, Brasil. 4 Enfermeira Doutora, Universidade do Estado do Pará. Santarém, Pará, Brasil.

RESUMO- A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a amamentação seja exclusiva até o sexto mês de vida. Além disso, o aleitamento materno é ideal para o crescimento e desenvolvimento da criança. O objetivo deste artigo era verificar possível relação existente entre a amamentação durante os primeiros seis meses de vida, de modo exclusivo e não exclusivo, e desvios nutricionais - baixo peso e baixo comprimento- em lactentes atendidos numa Unidade de Referência no município de Santarém. Trata-se de um estudo quantitativo e transversal, em que a obtenção dos dados foi feita por questionários às mães de lactentes atendidos na Unidade de Referência em Saúde da Criança - Casa da Criança. Os resultados mostraram que apenas 40% das crianças faziam Aleitamento Materno Exclusivo (AME) e 26% não faziam uso do Aleitamento Materno. Quanto aos resultados socioeconômicos, 79% das mães praticantes do AME tinham idade maior de 21 anos e 64% viviam em união estável com companheiro, além da procedência ser predominantemente urbana com 93%. Ao relacionar peso e comprimento com aleitamento, foi perceptível a prevalência de crianças com distúrbios de peso e crescimento no grupo de crianças que não praticou AME, apresentando-se 24% com algum distúrbio de peso e 52% com problemas de crescimento, segundo padrão da OMS. Diante disso, constatou-se que o AME constitui a estratégia mais efetiva e barata para se realizar a profilaxia de distúrbios nutricionais relacionados ao baixo peso e baixa estatura. E esta prática torna-se indispensável quando se trata de um estrato social desfavorecido economicamente.

Palavras- chave: Pediatria, saúde da criança, peso, comprimento.

BREASTFEEDING AND NUTRITIONAL DISORDERS IN INFANTS TREATED AT A REFERENCE CENTER FROM SANTARÉM-PA.

ABSTRACT-The world health organization (WHO) recommends that the breastfeeding must be exclusive until the sixth months of the child’s life. Beyond that, the breastfeeding is imperative to the growth and development of the child. This article has got the main objective of to verify the connection between breastfeeding during the early six months of life- in an exclusive way or not, and the nutritional disorders, low weight and low length, in infants treated at a reference center of child’s health in Santarem city. This search is a transversal and quantitative study, all data has been obtained through questionnaires applied for the parents of children treated at the center of health children - Casa da Criança. The results showed which

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only 40% of children were exclusively breastfed and the 26% has never been breastfed. About the socioeconomic mother results, 79% of mothers who had breastfed exclusively are above 21 years old, 64% live in a stable relationship with partner and mostly 93% came from urban zone with 93%. About the association among weight, length and breastfeeding, it was realize that the group of children who were not breastfed exclusively, showed prevalence of weight and length disturbance, 24% of these showed weight disturbance and 52% showed growth disturbance according with WHO standardized graphics. Thus, this research found which the exclusive breastfeeding figured as the most effective and cheapest strategy to avoid nutritional disorders related to low weight and low length. And that habit is indispensable when it comes to a poor population.

Key words: Pediatry; child health, weight, length.

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, as evidências científicas favoráveis à prática do aleitamento materno exclusivo (AME) aumentaram consideravelmente. Como política global de saúde pública, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a amamentação seja exclusiva até o sexto mês de vida, quando os alimentos complementares são iniciados, devendo o aleitamento materno (AM) ser mantido beneficamente para mãe e filho até dois anos ou mais (OMS, 2003). Além disso, o aleitamento materno é ideal para o crescimento e desenvolvimento da criança. (OMS, 2002)

O leite materno contém os nutrientes adequados e essenciais para o crescimento e o desenvolvimento do recém nascido, sendo capaz de suprir sozinho as necessidades da criança nos primeiros seis meses de vida. Além disso, proporciona uma proteção importante contra infecções, pois vários tipos de anticorpos, leucócitos e outros agentes antinfecciosos são secretados em conjunto com os nutrientes (GUYTON et al., 2006).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2007), o aleitamento materno pode ainda ser classificado como: Aleitamento materno exclusivo, Aleitamento materno predominante e Aleitamento materno complementado. Cada uma com peculiaridades distintas na forma de alimentar a criança.

Os conhecimentos das últimas duas décadas evidenciam os agravos à saúde do lactente quando a amamentação não acontece; podem-se citar a enterocolite necrotizante, alergias e a pneumonia. Entre outras vantagens, o aleitamento proporciona proteção contra morbidades, como diarreia e papel protetor para o diabetes mellitus insulino dependente. Mostrou-se, também, que o uso do leite materno para recém-nascidos prematuros e de baixo peso leva a maiores índices de inteligência e acuidade visual. (LONGO et al., 2013)

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A etiopatogenia dos desvios alimentares está relacionada a diversos fatores como: o baixo nível de renda familiar, a inadequação dos serviços de atendimento à saúde, habitações insalubres, condições precárias de saneamento, hábitos alimentares inadequados, crenças sobre nutrição, baixo nível de escolaridades dos pais e não amamentação nos primeiros seis meses de vida. (KLIEGMAN et al., 2009)

No primeiro ano de vida, o crescimento é muito sensível à nutrição e outras influências do meio ambiente. Assim, a alimentação adequada é necessária não só para prover nutrientes e energia para o crescimento, mas, também, para o amadurecimento e manutenção das funções corpóreas, bem como a formação de reservas. A alimentação adequada do lactente constitui um elemento fundamental na prevenção de algumas doenças e determina, em parte, seu crescimento e desenvolvimento neuromotor (VICTORIA et al.,1987). Nesse período, também conhecido como fase de crescimento rápido, o peso e o comprimento são as variáveis mais importantes para se avaliar o estado nutricional de uma criança e, assim, monitorar seu crescimento (KLIEGMAN et al., 2009).

Os principais indicadores utilizados para monitorar o crescimento físico são os dados antropométricos, principalmente peso e comprimento. Em crianças, os gráficos para as avaliações antropométricas mais frequentemente utilizadas são o peso/idade e peso/comprimento, sob a forma de escore z. Esses índices são obtidos comparando-se as informações de peso, comprimento, idade e sexo com curvas de referência, como as sugeridas pela Organização Mundial da Saúde. (OMS, 2006)

Este artigo, baseada nos diversos dados que associam positivamente a amamentação exclusiva à prevenção de comuns distúrbios que acomete o público infantil, propõe-se a avaliar os efeitos benéficos da lactação em inibir o desenvolvimento da subnutrição e do baixo crescimento, utilizando como ferramenta a análise do período de aleitamento materno, bem como a classificação do tipo em uma das seguintes modalidades- aleitamento materno exclusivo, aleitamento materno predominante, aleitamento materno complementado e crianças sem aleitamento materno. Além disso, procura relacionar variáveis socioeconômicas das mães dos lactentes com a gênese do desmame precoce.

MÉTODO

Esta pesquisa trata-se de um estudo quantitativo observacional, descritivo de caráter transversal. A pesquisa, de perspectiva local, foi realizada nas instalações da Unidade de Referência em Saúde da Criança – “Casa da Criança”, em Santarém, município do oeste do Estado do Pará.

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A Unidade de Referência em Saúde da Criança – “Casa da criança” foi pioneira no desenvolvimento da Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), realizado em agosto do ano de 2012, que desenvolveu diversas atividades que mobilizaram a população para a importância da amamentação, entre elas, a arrecadação de vidros para armazenagem de leite, cadastramento de doadoras de leite e também capacitação dos profissionais para implementação da Rede Amamenta e Alimenta Brasil nas Unidades.

Esta pesquisa teve como espaço amostral as crianças de 6 a 24 meses atendidas na Unidade de Referência em Saúde da Criança, na qual foram feitas medidas antropométricas (peso e estatura), utilizando-se como ferramentas a balança e o estadiômetro da unidade. A triagem das crianças foi feita de acordo com a classificação e os parâmetros das curvas de peso/idade (P/I) e comprimento/idade (C/I) disponibilizados pela OMS (2006).

Além disso, foi aplicado um questionário para os responsáveis que aceitaram participar e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), com perguntas sobre o tempo de amamentação da criança, o tipo de aleitamento materno o qual a criança teve acesso, se houve uso de fórmulas ou outros tipos de leite, se a criança fez uso do colostro, como se deu o processo de desmame, e por fim, as características socioeconômicas maternas, dentre as quais, idade, estado civil, escolaridade, procedência, renda familiar e se possuía algum tipo de auxilio financeiro do governo.

Na classificação quanto às categorias de Aleitamento, houve a divisão entre as 3 categorias de Aleitamento proposta pela OMS (2007), acrescida de mais uma, a categoria Sem Aleitamento, propostas pelos pesquisadores e embasada por outros autores como Longo et al.(2013).

Aleitamento Materno Exclusivo - quando a criança recebe somente leite materno, direto da mama ou ordenhado.

Aleitamento materno predominante – quando a criança recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água, sucos de frutas e fluidos rituais.

Aleitamento materno complementado – quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semissólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo.

Sem Aleitamento - Quando a criança não fez uso de leite materno durante os 06 primeiros meses de vida da criança.

Após a coleta de dados, estes, foram tabulados pelo software Microsoft Office Excel e Biostat, que foram de fundamental importância para se alcançar os resultados do projeto.

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O projeto de pesquisa foi submetido à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da Universidade do Estado do Pará, campus XII. Para tal, foram obedecidas às normas éticas definidas pela Declaração de Helsinque, Código de Nuremberg e Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CSN). A execução da pesquisa só ocorreu após a devida aprovação pelo CEP.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nos meses de Março e Abril de 2014 foram coletados dados referentes a 35 pais ou responsáveis sobre o perfil de aleitamento que os lactentes entre 06 e 24 meses tiveram durante os primeiros 06 meses de vida, além da avaliação de medidas antropométricas das crianças, como peso e comprimento.

Com relação à classificação do Aleitamento, a maior prevalência foi de Aleitamento Materno Exclusivo (AME) com 40%, como mostra a figura 01. Estes foram seguidos por 26% da categoria Sem Aleitamento Materno (SAM) - que são os que não fizeram uso de leite materno durante os seis primeiros meses de vida.

Os resultados do Ministério da Saúde (2009) mostraram que a prevalência do AME em menores de 06 meses foi de 41,0% no conjunto das capitais brasileiras e DF. O comportamento desse indicador foi bastante heterogêneo, variando de 27,1% em Cuiabá/MT a 56,1% em Belém/PA. Além disso, observou-se que houve melhora significativa da situação do aleitamento materno no período analisado, persistindo diferenças entre as regiões e capitais analisadas. Reitera-se que, embora os resultados apresentem-se animadores, ainda há um longo caminho a se trilhar para que se cumpram as metas propostas pela OMS e MS referentes ao aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida.

A situação do AME na Unidade de Referência em Saúde da Criança (“Casa da Criança”) em Santarém mostrou um índice superior em relação a todas as outras categorias de aleitamento. A unidade possui dados similares à média brasileira, mas abaixo dos índices constatados pela capital Belém, que é o melhor indicador entre as cidades do Brasil.

Essa igualdade em relação à média brasileira traduz os recentes esforços da equipe técnica da Unidade quanto ao estímulo do AME, em que se preocupam fidedignamente à conscientização das parturientes quanto à importância do Aleitamento Materno. Contudo, a prevalência de AME da unidade ainda é considerada aquém dos parâmetros preconizados pela OMS, que apontam um bom indicador a partir de uma prevalência de 50%.

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Ao compararmos a situação do AME na Unidade de Santarém (figura 01), podemos verificar que há resultados superiores aos dados encontrados em Araçatuba-SP (SALIBA et al., 2008) e em Florianópolis-SC , João Pessoa-PB (KITOKO et al., 2000). No entanto, esses resultados ainda mostram-se um pouco abaixo dos dados encontrados em Joinville-SC. (FRANCO et al. 2008).

Figura 1. Distribuição percentual da classificação dos tipos de Aleitamento Materno realizado nos 06 primeiros meses de idade da criança.

FONTE: Banco de dados da pesquisa

Dessa forma, pode se afirmar que os dados obtidos na Unidade de Referência em Santarém são bastante animadores, justificando e valorizando a recente e ainda incipiente estratégia municipal pró amamentação. Além disso, a educação em saúde feita durante o pré-natal é uma importante ferramenta de auxílio de promoção ao Aleitamento Materno Exclusivo durante os seis primeiros meses de vida. E estratégias de intervenção, como discussões em grupo abordando os mitos, inibições e demonstrações práticas, além de palestras sobre as vantagens da amamentação, com a participação de pessoas do convívio social da mulher, tais como os pais, avós e amigas íntimas, são métodos úteis e eficazes que devem ser implementados. Outras alternativas viáveis são a formação de grupos de apoio entre as mães, visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários e a educação comunitária durante a gestação (SALIBA et al., 2008).

A recomendação da OMS (2007) de que o leite materno deva ser o único alimento oferecido as crianças menores de 06 meses assinala ainda a necessidade de evitar a introdução

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de chás, sucos e soluções adocicadas – Aleitamento Materno Predominante (AMP)- e a introdução de alimentos sólidos, semissólidos e outros tipos de Leite – Aleitamento Materno Complementado (AMC).

Os níveis das prevalências em diferentes categorias de alimentação infantil (AMP e AMC) e o tempo em que cada modalidade de amamentação é introduzida não são satisfatórios. Vários fatores podem estar favorecendo a inadequação de práticas de alimentação dentre os quais pode se pensar no nível de organização dos serviços de saúde, nas crenças e mitos acerca da eficiência do leite materno como fonte única de nutrição, além de influência de familiares no uso de outras fontes complementares de alimentação do lactente (KITOKO et al., 2000).

Outro dado que preocupa, são crianças que não fizeram uso de leite materno durante os primeiros seis meses, referente à categoria Sem Aleitamento Materno (SAM). A prevalência na unidade foi bem maior do que os encontrados pela PNDS (2006) e pelas estimativas feitas para a cidade de Belém (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009). Entretanto, mostrou dados semelhantes à pesquisa realizada por Longo et al. (2005), realizada em várias cidades brasileiras.

Segundo Saliba et al. (2008) a alta prevalência de crianças SAM, pode se oriunda do desconhecimento das mães, das dificuldades relacionadas à prática de amamentar que não foram solucionadas durante o pré-natal ou ainda, dos problemas que impossibilitem a criança de amamentar. Ressalta-se ainda, que por se tratar de uma unidade de referência, a clientela da unidade é variada e atende crianças com diversas comorbidades, as quais poderiam influenciar na não adesão à prática do aleitamento. Contudo, por se tratar de um estudo transversal, é dispensável a discussão dessa hipótese.

Em relação as características socioeconômicas das mães dos lactentes, observada na tabela 01, os dois grupos comparados apresentaram características opostas, dentre elas destaca-se a idade e o estado civil: 79% das mães praticantes do AME têm idade maior de 21 anos e 64% vivem em união estável com companheiro ou são casadas, enquanto que dentre o grupo não praticante do AME, as mães são majoritariamente menores de 21 anos (72%) e o percentual em união conjugal regride para 56%. Quanto à escolaridade materna, mostrou-se prevalente as mães que tiveram Ensino Médio completo ou incompleto nos dois grupos, com 71% nas praticantes do AME e 61% no outro grupo.

Tabela 1. Características socioeconômicas das mães dos lactentes

Características socioeconômicas Aleitamento Materno Exclusivo

Sem Aleitamento Materno Exclusivo

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26 IDADE Até 21 anos 21% 72% Maiores de 21 anos 79% 28% ESTADO CILVIL Casada/Mora com o companheiro 64% 56% Solteira 36% 44% PROCEDÊNCIA Zona Urbana 93% 83% Zona Rural 7% 17% ESCOLARIDADE Ensino Fundamental (completo

ou incompleto)

21% 33%

Ensino Médio (Completo ou Incompleto)

71% 61%

Ensino Superior (completo ou incompleto) 7% 6% TRABALHA Sim 43% 33% Não 57% 67% RENDA FAMILIAR

Até 1 Salário mínimo 43% 50%

De 1 a 2 salários mínimos 29% 33%

De 2 a 3 salários mínimos 29% 17%

AUXÍLIO DO GOVERNO

Sim 36% 39%

Não 64% 61%

FONTE: Banco de dados da pesquisa

A presente pesquisa apresenta a maternidade na adolescência como importante fator de risco para o desmame precoce. Gigante et al. (2000) acreditam que a falta de confiança das mães adolescentes em si mesma, o egocentrismo e os problemas com a autoimagem inerentes a idade, aliados a perda do apoio dos familiares mais próximos constituem prováveis causas para esse fenômeno, o qual foi igualmente observado nas pesquisas desses autores. Constatou-se ainda uma possível associação positiva entre a união estável das mães e o prolongamento do aleitamento materno, visto que embora as nutrizes de ambos os grupos tenham apresentado prevalentemente uma situação conjugal estável, percebeu-se a preponderância desse fenômeno dentre as praticantes do AME.

Constatou-se ainda uma possível associação positiva entre a união estável das mães e o prolongamento do aleitamento materno, visto que embora as nutrizes de ambos os grupos tenham apresentado prevalentemente uma situação conjugal estável, percebeu-se a preponderância desse fenômeno dentre as praticantes do AME. Esta pesquisa apoia os

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resultados de Marques et al. (2008), que atribui essa circunstância ao possível apoio social, econômico e emocional do companheiro.

Verificou-se também um alto percentual de mães adolescentes quando se considera toda a população estudada, fato que acarreta em, dentre outras questões, evasão escolar precoce. Essa circunstancia foi notadamente refletida nos resultados dessa pesquisa, os quais contatam- em semelhança aos resultados de Marques et al. (2008), baixa prevalência de mães com curso superior completo ou incompleto além dos ainda baixos percentuais de mães com ensino médio completo (embora maiores que o ensino superior, ainda apresentam-se insatisfatórios).

Vasconcelos et al. (2006) e Silveira et al. (2006) destacam ainda que o trabalho fora de casa é mais um fator de risco para o desmame precoce, na medida em que ressaltam que, a despeito da iniciativa de aleitar exclusivamente nos primeiros meses, a parada precoce ou inicio da pratica complementada aos 4 e 6 meses ocorrem em decorrência do fim da licença a maternidade e reinicio das atividades no trabalho; Viana et al. (2007) sugerem que a licença a maternidade seja estendida e que o os direitos de amamentar durante o expediente sejam postos em prática, para que essa interrupção no aleitamento não aconteça.

As crianças foram submetidas à análise de peso e estatura. A partir disso, foi possível relacionar a distribuição percentual do tipo de aleitamento materno com as variáveis peso e comprimento, seguindo as curvas de crescimento preconizados pela OMS (2006) e adotadas pelo Ministério da Saúde. Tais curvas relacionam Peso/Idade e Comprimento/Idade de crianças entre 0 a 24 meses e ajudam a inferir a situação nutricional e do crescimento dos lactentes.

Com relação ao Peso, a figura 02 mostra o seguinte cenário: dentre as crianças que fizeram uso exclusivamente de leite materno (AME), a maior prevalência foi de infantes que apresentaram peso normal – eutróficos- com 86% do total de crianças pesadas, como mostra o FIGURA 2. Dos 14% restantes, 7% apresentaram peso baixo para a idade (entre ≥ -3 e < -2 escore Z) e 7% apresentaram peso muito baixo para a idade (abaixo de -3 escore Z). Já a figura 03 mostra a distribuição percentual do peso de crianças que não fizeram AME. Nesta situação, a prevalência também foi de eutróficos com 76% dos entrevistados, porém, com uma porcentagem 10% inferior se comparadas com as crianças que fizeram uso de AME.

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Figura 2. Distribuição percentual do peso de crianças que fizeram AME. FONTE: Banco de dados da pesquisa

Figura 3. Distribuição percentual do peso de crianças que não fizeram AME FONTE: Banco de dados da pesquisa

Em relação ao comprimento, as crianças que fizeram AME têm suas características estaturais apresentadas na figura 04, com os seguintes resultados: 7% de crianças classificadas com comprimento muito baixo para a idade e 14% delas com comprimento baixo, totalizando 21% de crianças com distúrbio de crescimento neste grupo. No grupo dos “sem aleitamento materno exclusivo”, apresentados na figura 05, observa-se que 14% das crianças estão com comprimento muito baixo para a idade e 38% com comprimento baixo, o que perfaz 52% de portadores de distúrbio estatural.

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Figura 4. Distribuição percentual do comprimento de crianças que fizeram AME. FONTE: Banco de dados da pesquisa

A avaliação do peso e comprimento das crianças e sua relação com o aleitamento materno tem relação positiva com distúrbios estatuponderais nas crianças sem aleitamento materno exclusivo, o que demonstra a relação favorável entre o uso do leite materno como fonte única de nutrição nos seis primeiros meses de vida e o bom desenvolvimento da criança entre 6 e 24 meses, associação esta, evidenciada pelo menor percentual desse desvio nas crianças que realizaram o AME.

As constatações desse estudo apresentam concordância com as de Marques et al. (2004), em sua pesquisa realizada com crianças matriculadas no PROAME da Unidade de Referência Especializada Materno-Infantil e Adolescente, em Belém-PA. Os autores afirmam de maneira similar a esta pesquisa, a indubitável relação entre a prática do AME e o adequado desenvolvimento estatuponderal.

Estes resultados são embasados pelas constatações divulgadas pelo Ministério da Saúde (2009) que afirmam que o leite materno é importante para prevenção das doenças que acarretam distúrbios nutricionais e para que a criança cresça forte e saudável, afirma ainda a importância de se fazer um aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses de vida, fato que contribui para a diminuição de desvios nutricionais.

O crescimento é muito sensível à nutrição e outras influências do meio ambiente. Assim, a alimentação adequada é necessária não só para prover nutrientes e energia para o crescimento, mas, também, para o amadurecimento e manutenção das funções corpóreas, bem como a formação de reservas. A alimentação adequada do lactente constitui um elemento fundamental na prevenção de algumas doenças e determina, em parte, seu crescimento e desenvolvimento neuromotor (KLIEGMAN et al., 2009; OMS, 2003).

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Kliegman et al. (2009) e Jones et al. (2003) ressaltam, a menor ocorrência de morte entre as crianças amamentadas devido a presença de inúmeros elementos presentes no leite que protegem contra infecções e doenças carenciais. Salientaram ainda que algumas variáveis culturais, como hábitos alimentares inadequados, crenças sobre nutrição e não amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida podem acarretar em distúrbios nutricionais.

CONCLUSÕES

Diante dos dados revelados por este estudo, pode-se afirmar que as campanhas realizadas na Unidade, em favor do aleitamento materno exclusivo durante os 06 primeiros meses de vida, têm ganhado força e se tornado cada vez mais eficiente. Isto tem proporcionado mudanças nos hábitos relacionados à amamentação, além de estimular as mulheres a uma maior adesão à essa prática, apesar dos diversos fatores de risco que ainda interferem de maneira intensa na duração e na modalidade de aleitamento.

O Aleitamento Materno Exclusivo constitui a estratégia mais efetiva e barata para se realizar a profilaxia dos distúrbios nutricionais relacionados ao baixo peso e baixa estatura. E esta prática torna-se indispensável quando se trata de um estrato social desfavorecido economicamente. Desta maneira, sugere-se que ocorra uma continuidade nas campanhas e projetos de incentivo à prática do AME, além da implementação de novas estratégias em outras unidades básicas do município, para a promoção do aleitamento de forma correta, deixando as mães seguras e confiantes para que elas possam prover a nutrição adequada em todos os aspectos (duração, quantidade, livre demanda) ao lactente.

Esta pesquisa aponta também, a maternidade na adolescência e a ausência de companheiro em união estável, como os principais fatores de risco para o desmame precoce. De posse desse dado, propõe-se que se estimule a prática do planejamento familiar na tentativa de aumentar o percentual de mulheres em união estável e estrutura familiar sólida, além de reduzir o número de gravidezes na adolescência.

As informações devem estar disponíveis pelas mais diversas vias, para que todos, inclusive os que residem em área rural, tenham acesso. A captação ativa de grávidas por agentes comunitários pra início precoce do pré-natal, elaboração de palestras ressaltando as vantagens de se amamentar, esclarecendo-se as dúvidas, elucidando mitos e amainando-se os medos e inibições, além da elaboração de cadernetas contendo as informações necessárias para que a mãe estabeleça vínculo afetivo com o bebê e exerça uma boa pega, constituem elementos estratégicos essenciais para a firmação de uma lactância bem sucedida.

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Referências

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