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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Registro: ACÓRDÃO

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Registro: 2013.0000035698 ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 9062582-39.2007.8.26.0000, da Comarca de São Paulo, em que são apelantes HASTIFORME PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA, SONIA APARECIDA DOS SANTOS VIVAQUA, RONALDO VIVAQUA e PAULO ANTONIO PINTO COUTO, é apelado OS MESMOS.

ACORDAM, em 11ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de

Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores GILBERTO DOS SANTOS (Presidente sem voto), MARINO NETO E MOURA RIBEIRO.

São Paulo, 31 de janeiro de 2013.

GIL COELHO RELATOR Assinatura Eletrônica

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Apelação n.º 9062582-39.2007.8.26.0000 (7.157.528-5) Comarca de São Paulo 36ª Vara Cível

Apelantes e apelados: Hastiforme Projetos e Construções Ltda., Ronaldo dos Santos Vivaqua, Sonia Aparecida dos Santos Vivaqua e Paulo Antonio Pinto Couto.

Voto n.º 17.738

Contrato de empreitada Indenizatória Descumprimento de obrigações por parte dos empreiteiros Procedência, em parte Artigo 252 do Regimento Interno do TJSP Sentença ratificada Art. 624 do Código Civil Recursos não providos.

Pretensão indenizatória julgada procedente, em parte, adotado o relatório da r. sentença. Embargos de declaração rejeitados.

Em apelação, os réus falaram de decadência, prescrição e de ausência de condições da ação. Afirmaram que não existe participação da Hastiforme na contratação e que esta empresa é pessoa distinta da de Ronaldo. Aduziram que o prazo não foi cumprido não por sua culpa, mas, sim, porque o autor impediu a continuidade do serviço. Alegaram que não ocorreu o fato de ter Ronaldo procurado o autor para pedir mais tempo e dinheiro e que a notificação entranhada nos autos nada comprova. Asseveraram que o serviço não foi terminado porque foi retido o pagamento de R$6.000,00. Acrescentaram que o preço global contratado apresentava-se apertado. Falaram das cláusulas contratuais. Afirmaram, também, que as plantas não foram entregues porque não houve o pagamento integral, e que não ocorreram erros ou falhas técnicas de execução. Disseram que as obras nunca foram refeitas por imperícia, mas a pedido do autor; que o autor não comprou os materiais para a construção da churrasqueira; que o serviço de marcenaria não foi previsto no contrato; que realizaram os serviços de raspagem de tacos e de aplicação de cascolac; que são credores de R$6.000,00; que não deve prevalecer a multa; que os vazamentos são

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decorrentes de desgaste natural. Requereram a reforma da r. sentença.

O autor apresentou recurso adesivo. Afirmou que, relativamente aos serviços não executados, o valor fixado para indenização, de R$4.571,97, é injusto, na medida em que foi reconhecido pelo perito que ele, autor, terá que desembolsar R$9.521,22 para concluir os serviços não executados pelos réus. Aduziu que, quanto aos serviços executados com defeito, deve prevalecer o valor efetivamente gasto para a reforma do telhado, ou seja, R$6.900,00. Acrescentou que os réus devem ser condenados ao pagamento de perdas e danos e de indenização por dano moral. Pediu o provimento do recurso.

O autor ofereceu resposta.

Eis o relatório.

Conforme a r. sentença de fls. 536/544, a ação foi julgada procedente, em parte, para condenação solidária dos réus a pagar ao autor indenização por dano material no valor de R$20.468,44, mais multa de R$6.000,00. Consta da sua fundamentação:

“O perito judicial, em detido laudo, após vistorias no imóvel, entrevistas com as partes e análise de documentos, descreveu e analisou cada um dos problemas e a situação encontrada na vistoria, de forma detalhada e minuciosa, no tocante a parte hidráulica, elétrica, telhado, pisos de tacos de madeira, pintura, material básico, churrasqueira, outros serviços, reforma dos armários, esquadrias, infiltrações e vazamentos, plantas de construção civil, hidráulica e aprovações, encarregado e engenheiro responsável, atraso na obra, serviços extras feitos pela ré. Agrupou os problemas detectados em cinco grupos: serviços não executados, serviços executados com defeito, serviços extras, material básico e atraso e gerenciamento da obra, identificando cada um dos problemas. Quanto aos serviços contratados e não executados, apontou o perito a drenagem, churrasqueira, pia da cozinha, instalação de gás, ponto de água quente na pia, instalação elétrica, raspagem, calafetação e aplicação de “cascolac” ou similar, pintura interna, forro de gesso, forro de madeira do escritório, reforma dos armários de piso da escada, esquadrias e projetos civil (arquitetura), elétrica, hidráulica e aprovações (fls. 383/384). Descreveu também os defeitos ocorridos na

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execução dos serviços de telhado, pintura externa, piso da área do box, umidade do forro da lavanderia, umidade do escritório, umidade na parede interna do terraço e mancha em piso de mármore do terraço, além de abordar os serviços extras, tais como a execução do piso de tacos de madeira, demolição e construção de muro e construção do sótão (fls. 384/385). Há de se ressaltar que o perito judicial detectou que o atraso nas obras se deu em virtude de falhas técnico-organizacionais relativas ao planejamento e gerenciamento da obra, de responsabilidade da construtora, asseverando que os serviços extras executados pela ré não têm magnitude ou complexidade suficientes para justificar o atraso ocorrido. Em depoimento pessoal, o réu Ronaldo dos Santos Vivaqua admitiu ser o diretor de obra da empresa Hastiforme, que seria de propriedade de sua irmã e mãe, e ter realizado as reformas no imóvel do autor. Disse que os pagamentos realizados pelo autor foram feitos à Hastiforme por meio de cheques nominais a sua pessoa e que além dos serviços constantes do contrato foram executados outros para os quais não realizaram contrato. Teria faltado cerca de R$ 8.000,00 a R$10.000,00 do valor contrato, sendo que os serviços excedentes foram tratados verbalmente com o autor. A testemunha Odacyr admitiu ter participado da reunião com o perito judicial na qualidade de supervisor das obras da Hastiforme, relatando que as obras eram executadas nos termos que o réu Ronaldo passava e às vezes não era do agrado do autor, tendo permanecido na propriedade do autor um compressor, andaime e algumas ferramentas de mãos que não foram devolvidos. Foi firme em dizer que não tem formação universitária e executa os serviços exatamente nos temos que são mandados, tendo uma responsabilidade limitada, visto que a partir daí a responsabilidade seria do réu Ronaldo e do autor. Como se depreende dos autos, a prova oral não foi apta a afastar os achados periciais, nada havendo nos autos que infirme o laudo pericial, sendo de rigor o reconhecimento da responsabilidade dos réus, como empresa empreiteira, arquiteto e engenheiro responsáveis pelos projetos, nos termos do artigo 624 do Código Civil, estando presentes os elementos essenciais na etiologia da responsabilidade civil: dano, culpa e nexo de causalidade. Todavia, não há como se acolher o pedido de ressarcimento do autor dos materiais que teriam sido furtados, uma vez que não há prova da materialidade e autoria do crime apontado. Os prejuízos apurados pelo vistor foram de R$26.468,44. Deduzindo-se R$6.000,00 do pagamento que ficaram retidos pelo autor, concluiu-se que o valor a ser ressarcido pelos réus é de R$ 20.468,44, na data do laudo (14 de outubro de 2005). Ocorre que face ao grande atraso ocorrido nas obras para o qual o autor não deu causa, sujeitam-se os réus ao pagamento da multa de 20% (vinte por cento) do valor dos serviços, prevista na Cláusula 4.3 do contrato de empreitada global (fls. 13), equivalente a R$ 6.000,00 (seis mil reais). Não há que se falar em lucros cessantes, referentes aos aluguéis do apartamento que poderia ter locado e que deixou de auferir durante o período em que a casa permaneceu em obras, ou seja, de setembro de 2001 a julho de 2002, totalizando 23 meses, bem como no valor do condomínio e IPTU, cujo ônus teria sido passado ao inquilino. Com efeito, trata-se de lucros apenas hipotéticos, já que o tal apartamento não era fonte

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de renda da família, mas sim morada do autor e os pretensos aluguéis poderiam ter inexistido por falta de procura no mercado, ou seja, por fatos alheios à inexecução da obra no prazo de noventa dias contratado. Há de se ter em mente que os lucros (cessantes) indenizáveis limitam-se aos que têm como verdadeira e comprovada causa a inexecução da obrigação, o que não se vislumbra na espécie.”

A r. sentença não merece reparo.

Com base no princípio da economia processual e para se evitar repetições desnecessárias, aplica-se o art. 252 do Regimento Interno do E. TJSP, que autoriza o relator limitar-se a ratificar os fundamentos da r. decisão recorrida, quando, suficientemente motivada, houver de mante-la. Confira-se, a respeito, trecho relevante do v. Acórdão proferido no REsp 592092/AL, relatado pela Ministra ELIANA CALMON, 2ª Turma do E. STJ, j. em 26/10/2004: “Não incorre em omissão o acórdão que adota os fundamentos da sentença como razão de decidir.” No mesmo sentido: REsp 265534/DF, Rel. Min. FERNANDO GONÇALVES, 4ª Turma, j. em 20/11/2003).

As teses de decadência, prescrição e ausência de condições da ação foram rechaçadas por meio da r. decisão interlocutória de fls. 334/335, com interposição de agravo de instrumento pelos réus, não conhecido (fls. 77/79 dos autos apensados). Preclusas, não podem ser revolvidas em sede recursal.

Frise-se que, a rigor, a apelação dos réus nem sequer mereceria juízo de cognição. Não houve contrariedade específica aos termos da r. sentença, em descumprimento ao art. art. 514, II, do CPC. Reiterar as teses de decadência, prescrição e de carência de ação, assim como foram expostas na contestação, depois de afastadas por meio da r. decisão saneadora, ocorrida a preclusão, não importa em impugnação à r. sentença. Repetir todos os tópicos da contestação, sem qualquer correlação ou oposição aos fundamentos adotados na r. sentença, não significa

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contrariedade específica para fins recursais.

A propósito: “O CPC (arts. 514 e 515 impõe às partes a observância da forma segundo a qual deve se revestir o recurso apelatório. Não é suficiente mera menção a qualquer peça anterior à sentença (petição inicial, contestação ou arrazoados), à guisa de fundamentos com os quais se almeja a reforma do decisório monocrático. À luz do ordenamento jurídico processual, tal atitude traduz-se em comodismo inaceitável, devendo ser afastado. O apelante deve atacar, especificamente, os fundamentos da sentença que deseja rebater, mesmo que, no decorrer das razões, utilize-se, também, de argumentos já delineados em outras peças anteriores. No entanto, só os já desvendados anteriormente não são por demais suficientes, sendo necessário o ataque específico à sentença. Procedendo dessa forma, o que o apelante submete ao julgamento do Tribunal é a própria petição inicial, desvirtuando a competência recursal originária do Tribunal. (STJ-1ª T., REsp 359.080, Min. José Delgado, j. 11.12.01, DJU 4.3.02).” No mesmo sentido, não conhecendo de apelação que, “limitando-se a reproduzir ipsis litteris a petição inicial, não faz qualquer menção ao decidido na sentença, abstendo-se de impugnar o fundamento que embasou a improcedência do pedido. STJ-1ª T., REsp 553.242, Min. Luiz Fux, j. 9.12.03, DJU 9.2.04. Ainda: RT 834/248, Bol. AASP 2.578).” (Nota 10 ao art. 514, II, do CPC, p. 625. Código de Processo Civil e legislação processual em vigor / Theotonio Negrão, José Roberto F. Gouvêa e Luis Guilherme A. Bondioli; com a colaboração de João Francisco Naves da Fonseca 42ª ed.

São Paulo : Saraiva, 2010).

Para a fixação do valor indenizatório de R$20.468,44, foi levado em consideração o laudo pericial, sobre o qual o autor apresentou manifestação concordante (fls. 458/459). Não pode o autor, agora, insurgir-se quanto a esta parte da r. insurgir-sentença, ocorrida a preclusão consumativa.

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recursos.

Gil Coelho Relator.

Referências

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