Secupema, incluindo poças laterais, poças temporárias, ambientes inundados pela barragem e vegetação adjacente. A trilha estende-se da cultura de cana até a Barragem de Secupema;
x Trilhas C, D e E – Margem leste do riacho formado pela Barragem de Gurjaú e entorno da mata a oeste da Barragem de Gurjaú;
x Trilha F - Area de lavoura e cultivo de frutas nas proximidades da Trilha A;
x Trilha G - Trilha na Mata da Porteira Preta;
x Trilha H - Trilha na Mata do Sítio do Pica-Pau, passando pela Barragem de Secupema, dirigindo-se para oeste até a cultura de cana;
x Trilha I - Trilha na Mata do Bonde;
x Trilha J - Trilha na Mata do Enxofre (alcançada com auxílio de bote); x Trilha K - Arredores dos tanques de decantação e alojamento, junto à
sede da COMPESA.
Com vistas a complementar os dados gerados por procura ativa, registraram-se também os exemplares eventualmente capturados em 39 armadilhas tipo pitfall montadas pela Equipe de Répteis, sendo cada armadilha composta por quatro baldes (Heyer et al. 1994). Ao longo dos meses de Agosto a Abril, 30 armadilhas foram mantidas abertas na mata adjacente à trilha principal que conecta a Barragem de Gurjaú à Barragem de Secupema (Trilha I), sendo conferidas a cada três dias. Entre os meses de Novembro a Abril, nove armadilhas adicionais foram colocadas na Mata do Enxofre (Trilha J), seguindo-se a mesma metodologia.
PROCEDIMENTOS DE BUSCA ATIVA
permanência na trilha variou conforme o número de indivíduos presentes, oscilando entre duas e quatro horas. Saídas diurnas também oscilaram em duração, variando de meia hora a cinco horas.
Para cada saída de campo foi preenchida uma ficha (Anexo I), em que se anotaram dados a respeito da data de coleta, equipe de trabalho, horário de início dos trabalhos de campo, horário de término dos trabalhos de campo, temperatura, condições do tempo, espécies encontradas, número de indivíduos avistados para cada espécie, ambiente utilizado por cada espécie (mata, reservatório, poça temporária, água corrente, etc.), e micro-ambiente utilizado (folhas sobre poça, galhos de árvores, chão da mata, etc.).
Representantes adultos das espécies encontradas foram manualmente coletados e posteriormente sacrificados e preservados em meio líquido, de modo a constituirem testemunhos da identificação taxonômica. Girinos também foram coletados com auxílio de peneiras durante excursões diurnas, e mantidos em lotes individuais.
LEVANTAMENTO QUANTITATIVO
Com vistas a permitir uma comparação quantitativa a respeito da freqüência de encontro das diferentes espécies de anfíbios da Reserva de Gurjaú, compilaram-se todos os registros visuais efetuados nas trilhas A, B, C, D, E, e H, bem como nas áreas das trilhas G, I, e J onde a borda da mata se aproxima da água da barragem, totalizando 20 noites de observação. O levantamento quantitativo se restringiu às áreas acima mencionadas uma vez que as mesmas se assemelham quanto aos micro-ambientes que apresentam, sendo aparentemente ocupadas pelo mesmo conjunto de espécies. De modo a manter a amostragem uniforme, os dados compilados para fins de análise quantitativa foram coletados por dois componentes da equipe (G. Moura e M. Silva). Visando a uniformizar os dados, o número de indivíduos observados por espécie foi dividido pelo número total de homens-hora de amostragem efetuado na noite do registro. Para fins de comparação, os resultados foram plotados por espécie.
15% 46% 35% 4% Bufonidae Hylidae Leptodactylidae Ranidae PROCEDIMENTOS EM LABORATÓRIO
Os exemplares coletados para fins de identificação foram trasportados em sacos plásticos para o alojamento. Antes de serem sacrificados, os indivíduos foram fotografados e observados quanto à sua coloração em vida. Seguindo recomendações e metodologias discutidas na literatura (Heyer et al. 1994), os indivíduos foram anestesiados em solução de clorobutanona ou etanol e fixados em solução de formaldeído a 10%. Após uma semana de fixação, todas as carcaças foram transferidas para solução de etanol a 70%. Girinos coletados em estágios iniciais de desenvolvimento foram mantidos em aquários, para que se desenvolvessem, permitindo assim sua identificação. Girinos em estágios mais avançados tiveram seu padrão de colorido descrito e foram fixados e mantidos em solução de formaldeído a 5% (Heyer et al. 1994). Os exemplares coletados foram adicionados à Coleção Herpetológica do Laboratório de Vertebrados da Universidade Federal de Pernambuco.
Resultados
Componentes da Biodiversidade
Vinte e seis (26) espécies de anfíbios, todas pertencentes à Ordem Anura, foram registradas em Gurjaú. Quatro famílias encontram-se representadas na Reserva, a saber: Bufonidae (04 espécies), Hylidae (12 espécies), Leptodactylidae (09 espécies) e Ranidae (01 espécie) (Tabela I, Figura 4).
0 5 10 15 20 25 30 9A go. 11 A go. 31 A go. 8S et. 15 S et. 17 O ut. 19 O ut. 21 O ut. 3 N ov. 6D ez. 21 D ez. 16 J an. 19Ja n. 22 J an. 9Fe v. 23 F ev. 8 M ar. 30M ar. 20 A br. 27 A br.
enquanto seis táxons adicionais foram registrados entre Dezembro de 2002 e Abril de 2003 (Figura 5).
Figura 5 - Total acumulado do número de espécies de anfíbios registradas na Reserva de Gurjaú entre os meses de Agosto de 2002 e Abril de 2003.
Tabela 6 - Lista dos anfíbios anuros da Reserva de Gurjaú. Nomes populares, quando existentes, são fornecidos na coluna à direita.
ORDEM ANURA Família Bufonidae
Bufo crucifer Wied-Neuwied, 1821 “sapo cururu” Bufo granulosus Spix, 1824 “cururuzinho”
Bufo jimi Stevaux, 2002 “sapo cururu grande”, “sapo boi” Frostius pernambucensis (Bokermann, 1962)
Família Hylidae
Hyla albomarginata Spix, 1824 “perereca verde” Hyla atlantica Caramaschi and Velosa, 1996
Hyla branneri Cochran, 1948 “pererequinha amarela” Hyla decipiens Lutz, 1925
Hyla aff. nana Boulenger, 1889
Hyla raniceps (Cope, 1862) “rã”
Hyla semilineata Spix, 1824 “rã de listra” Phyllodytes luteolus (Wied-Neuwied, 1824) “sapinho amarelo” Phyllomedusa hypochondrialis (Daudin,
1800)
Scinax auratus (Wied-Neuwied, 1821) Scinax nebulosus (Spix, 1824)
Scinax x-signatus (Spix, 1824) “perereca de banheiro”, “raspa côco”
Adenomera cf. marmorata Steindachner, 1867
Eleutherodactylus sp. “sapinho da mata”
Leptodactylus labyrinthicus (Spix, 1824) “gia pimenta”, “rã pimenta”, “gia boi” Leptodactylus natalensis Lutz, 1930 “caçote marrom”, “caçote”
Leptodactylus ocellatus (Linnaeus, 1758) “rã manteiga” Leptodactylus troglodytes Lutz, 1926 “caçote da barreira”
Physalaemus cuvieri Fitzinger, 1826 “sapinho do oi”, “foi-não-foi” Proceratophrys boiei (Wied-Neuwied, 1824) “sapo boi”, “sapo de chifre” Pseudopaludicola sp.
Família Ranidae
Rana palmipes Spix, 1824 “caçote verde”, “caçote”
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL
Os anfíbios de Gurjaú diferiram no tocante à utilização do espaço físico da Reserva (Tabela 7).
Tabela 7 - Sítios de encontro das espécies de anuros da Reserva de Gurjau.
Espécie Entorno da Represa Interior da Mata Adenomera cf. marmorata X X Bufo crucifer X X Bufo granulosus X X Bufo jmi X Eleutherodactylus sp. X X Frostius pernambucensis X Hyla atlantica X Hyla albomarginata X Hyla branneri X Hyla decipiens X
Hyla aff. nana X
Hyla raniceps X Hyla semilineata X X Leptodactylus labyrinthicus X X Leptodactlys natalensis X Leptodactylus ocellatus X Leptodactlus troglodytes X
Scinax nebulosus X
Scinax x-signatus X
A maioria das espécies (58% do total) foi encontrada nas proximidades da água represada pelas barragens da COMPESA. São elas: Bufo jimi, Frostius pernambucensis, Hyla atlantica, H. albomarginata (Figura 6), H. branneri, H. decipiens, H. aff. nana, H. raniceps, Leptodactylus natalensis, L. ocellatus, Phyllomedusa hypochondrialis, Pseudopaludicola sp., Scinax auratus, S. nebulosus e S. x-signatus. A existência de discos adesivos nos dedos das espécies pertencentes à família Hylidae (H. atlantica, H. albomarginata, H. branneri, H. decipiens, H. aff. nana, H. raniceps, P. hypochondrialis, S. auratus, S. nebulosus e S. x-signatus) permitem às mesmas ocupar a vegetação semi-aquática, arbustiva, ou arbórea junto à água. Já as espécies pertecentes às famílias Bufonidae e Leptodactylidae (como B. jimi, L. natalensis, L. ocellatus e Pseudopaludicola sp., por exemplo), desprovidas de discos adesivos, se restringem ao chão das trilhas, matas, e áreas alagadas no entorno da represa.
Figura 6 - Hyla albomarginata, Gurjau, janeiro de 2003.
Oito espécies (31% do total) foram registradas tanto nas imediações da represa, quanto no interior da mata. São elas: Adenomera cf. marmorata, Bufo crucifer, B. granulosus, Eleutherodactylus sp., Hyla semilineata, Leptodactlys labyrinthicus, Physalaemus cuvieri e Rana palmipes. Dentre essas, Eleutherodactylus sp. e H. semilineata são capazes de utilizar a vegetação
local como abrigo e área de vocalização. As demais se limitam a ocupar o chão da mata.
Três espécies – Leptodactylus troglodytes, Phylodytes luteolus e Proceratophrys boiei (Figura 7) – foram registradas exclusivamente em áreas de mata. Novamente se observaram diferenças no tocante ao micro-habitat utilizado pelas espécies: enquanto P. luteolus foi capaz de utilizar a vegetação local como sítio de abrigo, os leptodactylideos L. troglodytes e P. boiei se restringiram ao chão da mata, tendo sido capturados em armadilhas do tipo pitfall.
Figura 7 - Proceratophrys boiei (Fotografia de S.A. Roda).
SÍTIOS DE VOCALIZAÇÃO E SÍTIOS REPRODUTIVOS
Através da observação de desovas, girinos, e atividades de vocalização, foi possível registrar os ambientes utilizados para fins reprodutivos por 18 das 26 espécies locais (Tabela 8). Oito espécies – Hyla atlantica (Figura 7), H. albomarginata, H. semilineata, H. raniceps, Phyllomedusa hypochondrialis, Scinax auratus, S. nebulosus e S. x-signatus – vocalizaram sobre vegetação arbustiva ou arbórea próxima à represa. Três espécies – H. branneri, Hyla aff. nana (Figura 8) e Hyla decipiens – vocalizaram unicamente sobre as gramíneas parcialmente submersas pela água da represa e/ou sobre a
Figura 8 - Hyla atlântica Gurjaú, janeiro de 2003.
No tocante às espécies de chão, quatro espécies – Bufo jimi, Leptodactylus labyrinthicus, Pseudopaludicola sp. e Rana palmipes – utilizaram as margens da represa como sítio de vocalização. Pseudopaludicola sp. diferenciou-se das demais por vocalizar unicamente em áreas encharcadas e elameadas, geralmente por entre gramíneas parcialmente inundadas.
Figura 9 - Hyla aff. nana Gurjaú, janeiro de 2003.
Hyla semilineata e Rana palmipes foram capazes de utilizar, como sítio de desova, a água corrente por entre as rochas abaixo da Barragem de Gurjaú. Pseudopaludicola sp. e Scinax x-signatus também utilizaram este ambiente como sítio de vocalização.
Leptodactylus natalensis e Physalaemus cuvieri destacaram-se das demais espécies da Reserva por reproduzirem-se em poças temporárias, às vezes utilizando ambientes aquáticos de curta duração. Em várias ocasiões, indivíduos reprodutivamente ativos foram encontrados na água acumulada em depressões rasas formadas pelos pneus dos carros que circulavam nas trilhas A e B.
As atividades de vocalização de Eleutherodactylus sp. Diferenciaram-se das demais por ocorrerem na borda e no interior da mata, muitas vezes em locais afastados da água.
No tocante à utilização de diferentes tipos de corpos d’água como sítio de reprodução, observamos que o entorno da represa foi a área em que se registrou o maior número de espécies com atividade de vocalização, desovas e/ou girinos (14 táxons). Todavia, poças temporárias e áreas de gramíneas inundadas não diferiram muito quanto ao número de anfíbios aí registrados, tendo sido utilizadas por 11 e 10 espécies, respectivamente (Tabela 8).
Tabela 8 - Sítios de vocalização, desova, e/ou desenvolvimento de girinos pelas espécies de anuros da Reserva de Gurjau.
Espécie Represa Poças Temporárias Alagados Água Corrente Mata Bufo jmi X Eleutherodactylus sp. X Hyla albomarginata X X X Hyla atlantica X X X Hyla branneri X X X Hyla decipiens X X
Hyla aff. nana X
Hyla raniceps X Hyla semilineata X X X Leptodactylus labyrinthicus X X X Leptodactlys natalensis X Phyllomedusa hypochondrialis X X X Physalaemus cuvieri X Pseudopaludicola sp. X X X Rana palmipes X X X Scinax auratus X X X Scinax nebulosus X X X Scinax x-signatus X X
TOLERÂNCIA À AÇÃO HUMANA
As espécies de anuros da Reserva de Gurjaú diferiram no que diz respeito ao grau de tolerância a modificações ambientais causadas pelo Homem (Tabela 9). Indivíduos de Adenomera cf. marmorata, Bufo crucifer, B. jimi, Eleutherodactylus sp., Hyla semilineata, Phyllodytes luteolus, Rana palmipes e Scinax x-signatus foram registrados em locais onde a vegetação local encontra-se em contato com, ou é parcialmente substituída por, áreas de cultivo e lavoura. Representantes de Bufo granulous, B. jimi, Leptodactlylus labyrinthicus e S. x-signatus foram encontrados em imediações de construções humanas, tal como a sede da COMPESA. Nenhuma das demais 16 espécies (i.e., 62% do total) foi registrada em áreas intensamente modificadas por ação humana.
Tabela 9 - Ocorrência das espécies de anfíbios em ambientes modificados pelo Homem.
Espécies Áreas de Cultivo e Lavoura Imediações de Construções Adenomera cf. marmorata X - Bufo crucifer X - Bufo granulosus - X Bufo jmi X X Eleutherodactylus sp. X - Frostius pernambucensis - - Hyla atlantica - - Hyla albomarginata - - Hyla branneri - - Hyla decipiens - -
Hyla aff. nana - -
Hyla raniceps - - Hyla semilineata X - Leptodactylus labyrinthicus - X Leptodactlys natalensis - - Leptodactylus ocellatus - - Leptodactlus troglodytes - - Phyllodytes luteolus X - Phyllomedusa hypochondrialis - - Physalaemus cuvieri - - Proceratophrys boiei - - Pseudopaludicola sp. - - Rana palmipes X - Scinax auratus - - Scinax nebulosus - -
Scinax x-signatus X X DADOS QUANTITATIVOS
Dezoito espécies foram registradas visualmente durante os levantamentos quantitativos: Bufo crucifer, B. granulosus, B. jimi, Eleutherodactylus sp., Frostius pernambucensis, Hyla albomarginata, H. atlantica, H. branneri, H. raniceps, H. semilineata, Leptodactylus labyrinthicus, L. natalensis, L. ocellatus, Phyllomedusa hypochondrialis, Physalaemus cuvieri, Rana palmipes, Scinax auratus e S. x-signatus.
O número de indivíduos avistados variou entre táxons (Figura 9). Hyla semilineata e Rana palmipes foram as espécies registradas com mais freqüência, sendo encontradas em relativa abundância. Enquanto as observações de indivíduos de H. semilineata deram-se de forma homogênea ao longo dos trabalhos de campo, um maior número de indivíduos de R. palmipes foi registrado nos primeiros meses de amostragem do que nos meses seguintes.
Bufo jimi, Eleutherodactylus sp. e Leptodactylus labyrinthicus apresentaram razoável número de registros visuais, sendo encontrados na maioria dos meses. Uma das noites de levantamento (7 de Dezembro) apresentou condições apropriadas à reprodução de B. jimi, acarretando em um grande número de encontros de indivíduos da espécie, todos em atividade reprodutiva. Bufo crucifer, Hyla albomarginata, H. atlantica, H. branneri, Leptodactylus natalensis e Physalaemus cuvieri foram avistados em menores números, porém ao menos em três ocasiões. Bufo granulosus, Frostius pernambucensis, Hyla raniceps, Leptodactylus ocellatus, Phyllomedusa hypochondrialis, Scinax auratus e S. x-signatus apresentaram as mais reduzidas taxas de encontros visuais, sendo avistadas uma ou duas vezes dentre as 20 noites de amostragem.
Bufo crucifer 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 Set . 2 No v. 25 N ov. 6D ez. 7D ez. 21 D ez. 2Fev . 9 F ev. 16 F ev. 23 Fev . 8Ma r. 23 Ma r. 30 Ma r. 13 A br. 20 A br. 26 A br. Bufo granulosus 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 Ago. 11 Ago. 07S et. 07S et. 15 S et. 2N ov. 25N ov. 6 D ez. 7 D ez. 21 Dez . 2 F ev. 9Fe v. 16Fe v. 23 F ev. 8M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 A br. 20A br. 26A br. Frostius pernambucensis 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2 No v. 25 Nov . 6 D ez. 7 D ez. 21 D ez. 2 F ev. 9Fe v. 16 F ev. 23 F ev. 8 M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 A br. 20 A br. 26 A br. Hyla albomarginata 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2 No v. 25 N ov. 6D ez. 7 De z. 21 D ez. 2Fe v. 9Fe v. 16 F ev. 23 F ev. 8Ma r. 23 Ma r. 30 M ar. 13 A br. 20 A br. 26 A br. Hyla branneri 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2 No v. 25 Nov . 6 D ez. 7 D ez. 21 D ez. 2 F ev. 9Fe v. 16 F ev. 23 F ev. 8 M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 A br. 20 A br. 26 A br. Hyla atlantica 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2 N ov. 25 N ov. 6 D ez. 7 D ez. 21 D ez. 2 F ev. 9 F ev. 16 Fe v. 23 F ev. 8 M ar. 23 Mar. 30 Ma r. 13 A br. 20 A br. 26 A br. Hyla raniceps 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2 No v. 25N ov. 6 D ez. 7 D ez. 21 D ez. 2 F ev. 9Fe v. 16 F ev. 23Fe v. 8 M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 A br. 20 A br. 26 A br. Hyla semilineata 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2No v. 25 Nov . 6D ez. 7D ez. 21 D ez. 2Fev . 9 F ev. 16 F ev. 23 F ev. 8 M ar. 23 Ma r. 30 Ma r. 13 A br. 20 A br. 26 A br. Bufo jimi 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10A go. 11A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2 N ov. 25 N ov. 6 D ez. 7 D ez. 21D ez. 2 F ev. 9 F ev. 16 Fe v. 23 F ev. 8M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 A br. 20 Ab r. 26 A br. Eleutherodactylus sp. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2No v. 25 Nov . 6 De z. 7De z. 21 D ez. 2Fev . 9Fe v. 16 Fe v. 23 F ev. 8 M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 A br. 20 A br. 26 A br.
Figura 9 - Número de indivíduos avistados por horas.homem de amostragem para cada espécie de anfíbio em trilhas da Reserva de Gurjaú (detalhes em Metodologia).
AMOSTRAGEM EM PITFALL
Um pequeno número de indivíduos foi capturado em armadilhas do tipo pitfall (Tabela10). Leptodactylus labyrinthicus 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 Ag o. 11 Ag o. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2 N ov. 25 N ov. 6 D ez. 7 D ez. 21 D ez. 2Fe v. 9Fe v. 16 F ev. 23 F ev. 8M ar. 23M ar. 30M ar. 13 Abr . 20 Abr . 26 Ab r. Leptodactylus natalensis 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 Ago. 11 Ago . 07 Set . 07 Set . 15 Set . 2N ov. 25 N ov. 6 D ez. 7 D ez. 21 Dez . 2Fev . 9Fev . 16 Fev . 23 Fev . 8 Ma r. 23 Mar . 30 M ar. 13 A br. 20 A br. 26 Abr . Leptodactylus ocellatus 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 Ago. 11 Ago. 07 Se t. 07 S et. 15 S et. 2 N ov. 25N ov. 6 De z. 7 De z. 21 D ez. 2 F ev. 9Fev . 16Fe v. 23Fe v. 8Ma r. 23 M ar. 30 M ar. 13A br. 20A br. 26A br. Phyllomedusa hypochondrialis 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 Ago . 07 Set . 07 Set. 15 Set. 2N ov. 25 N ov. 6 D ez. 7 D ez. 21 D ez. 2Fev . 9Fev . 16 Fev. 23 Fev. 8M ar. 23 Mar . 30 M ar. 13 A br. 20 Abr. 26 Abr . Physalaemus cuvieri 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 Ago. 11 Ago . 07 Set . 07 S et. 15 S et. 2N ov. 25 N ov. 6 D ez. 7D ez. 21 De z. 2 F ev. 9 F ev. 16 F ev. 23 Fev. 8M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 A br. 20 A br. 26 A br. Rana palmipes 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 Set . 2N ov. 25 N ov. 6 D ez. 7D ez. 21 D ez. 2Fev . 9Fev . 16 Fev. 23 F ev. 8M ar. 23 Mar . 30 Ma r. 13 A br. 20 A br. 26 Abr . Scinax x-signatus 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 Ago. 11 A go. 07 S et. 07 Set . 15 Set . 2 N ov. 25 N ov. 6 De z. 7 De z. 21 Dez.2 Fev . 9 Fe v. 16 Fev. 23 Fev. 8 M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 Abr . 20 A br. 26 A br. Scinax auratus 0 1 2 3 4 5 6 7 8 10 A go. 11 A go. 07 S et. 07 S et. 15 S et. 2N ov. 25 N ov. 6 D ez. 7 D ez. 21 D ez. 2Fe v. 9Fe v. 16Fe v. 23 F ev. 8 M ar. 23 M ar. 30 M ar. 13 A br. 20Ab r. 26 A br.
Tabela 10 - Número de indivíduos capturados em 30 armadilhas na Trilha I (Agosto de 2002 a Abril de 2003) e em 9 armadilhas na Trilha J (Novembro de 2002 a Abril de 2003).
Espécie Número de Indivíduos Trilha I Número de Indivíduos Trilha J Adenomera cf. marmorata 3 - Bufo crucifer 5 - Bufo granulosus 1 - Bufo jmi - - Eleutherodactylus sp. 3 - Frostius pernambucensis - - Hyla atlantica - - Hyla albomarginata - - Hyla branneri - - Hyla decipiens - -
Hyla aff. nana - -
Hyla raniceps - - Hyla semilineata 3 1 Leptodactylus labyrinthicus - - Leptodactlys natalensis - - Leptodactylus ocellatus - - Leptodactlus troglodytes 3 - Phyllodytes luteolus - - Phyllomedusa hypochondrialis - - Physalaemus cuvieri 5 - Proceratophrys boiei - 5 Pseudopaludicola sp. - - Rana palmipes 1 - Scinax auratus - - Scinax nebulosus - - Scinax x-signatus - -
Dentre as 26 espécies registradas na Reserva, apenas nove (35% do número total) foram capturadas em pitfall. São elas: Adenomera cf. marmorata, Bufo crucifer, B. granulosus, Eleutherodactylus sp., Hyla semilineata, Leptodactylus troglodytes, Physalaemus cuvieri, Proceratophrys boiei e Rana palmipes. O número de indivíduos coletados oscilou ligeiramente entre as espécies, pertencendo todos à mesma ordem de grandeza e variando entre 1 e 6.
DISCUSSÃO
A Classe Amphibia é composta por três ordens: Anura (incluindo os sapos, rãs e pererecas), Caudata (salamandras) e Gymnophiona (cecílias) (Stebbins e Cohen 1997). Os levantamentos da Reserva de Gurjaú registraram apenas a ocorrência de anuros. Tal ausência de representantes das ordens Caudata e Gymnophiona não surpreende. No que se refere à Ordem Caudata, apenas uma espécie ocorre no Brasil. Trata-se de Bolitoglossa altamazonica (Cope), cuja distribuição no território nacional é restrita à Amazônia (Frost 2002). No que se refere à Ordem Gymnophiona, o número de representantes no país também é baixo quando comparado ao número de anuros (Duellman 1999). Adicionalmente, o hábito fossorial das cecílias torna sua amostragem difícil. A maior parte dos registros para este grupo é feita graças a encontros casuais, geralmente após fortes chuvas (Heyer et al. 1994). Dado que os trabalhos de levantamento biológico em Gurjaú foram executados em meses de pouca pluviosidade, não é de se estranhar a ausência de representantes dessa Ordem nas amostragens.
No tocante aos anuros registrados em Gurjaú, nota-se a grande representatividade das Famílias Hylidae e Leptodactylidae – as quais corresponderam, respectivamente, a 46% e 35% das espécies amostradas (Figura 4). Uma vez que essas constituem as famílias mais ricas em espécies na região Neotropical (Duellman e Trueb 1994), não causa surpresa que o mesmo padrão seja observado a nível local.
No que se refere a questões taxonômicas, 21 anfíbios anuros de Gurjaú puderam ser identificados ao nível de espécie. Todavia, somente através de uma ampla revisão das espécies brasileiras dos gêneros Adenomera, Eleutherodactylus e Pseudopaludicola, incluindo exemplares provenientes de outras regiões do país, será possível esclarecer a taxonomia dos exemplares
descrita. De modo a confirmar a sua identificação, será necessário coletar uma série maior de exemplares em Gurjaú, comparando-a a espécimes de H. nana obtidos em diversas áreas do país e fora dele. Atualmente, H. nana é tida como espécie amplamente distribuída na América do Sul, existindo registros do Nordeste do Brasil ao Paraguai, incluindo o norte da Argentina, leste da Bolívia, Uruguai e Bacia do Prata (Frost 2002). É provável que uma revisão desses exemplares revele que os mesmos representem um conjunto de espécies distintas, fazendo de H. nana um complexo de espécies.
A anurofauna de Gurjaú contém elementos e representantes de diversos ecossistemas brasileiros. Onze espécies encontradas em Gurjaú (ou seja, 42% do total) são endêmicas da Mata Atlântica. Trata-se de Adenomera cf. marmorata, Bufo crucifer, Eleutherodactylus sp, Frostius pernambucensis, Hyla atlantica, H. branneri, H. decipiens, H. semilineata, Phyllodytes luteolus, Proceratophrys boiei e Scinax auratus. Cinco táxons ocorrem na Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga: Bufo jimi, Leptodactylus labyrinthicus, L. natalensis, L. troglodytes e Physalaemus cuvieri. Cinco espécies são encontradas na Mata Atlântica, Amazônia/Guianas, Cerrado e Caatinga: Bufo granulosus, Hyla raniceps, Leptodactylus ocellatus, Phyllomedusa hypochondrialis e Scinax x-signatus. Três espécies ocorrem na Mata Atlântica e Amazônia - Hyla albomarginata, Scinax nebulosus e Rana palmipes (Duellman 1999). Nenhuma das espécies registradas até o momento encontra-se na Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, recentemente atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente e disponível em seu website, http://www.meioambiente.gov.br /port/sbf/index.cfm. A ocorrência de Frostius pernambucensis na Reserva de Gurjaú merece destaque. Trata-se de uma espécie endêmica da Mata Atlântica Nordestina, cuja distribuição conhecida limitava-se, até o momento, ao Horto Florestal Dois Irmãos (PE) e à Reserva de Murici (AL) (Bokermann 1962, Peixoto e Freire 1998). O registro de F. pernambucensis em Gurjaú amplia sua área de ocorrência dentro do Estado de Pernambuco, e faz da Reserva área prioritária para conservação da espécie.
À excessão de Hyla aff. nana, todas as demais espécies de anuros encontradas em Gurjaú (Tabela 6) possuem registro de ocorrência em Pernambuco. Compilações recentes indicam que 65 espécies de anfíbios anuros encontram-se registradas para o Estado (dos Santos e Carnaval 2002, O. L. Peixoto, comunicação pessoal). A anurofauna representada na Reserva de Gurjaú inclui 40% desse número. Táxons habitat-específicos, avistados em outras áreas de mata do Estado, não foram, até o momento, registrados em Gurjaú. É o caso, por exemplo, de Hylomantis granulosa (Cruz), espécie endêmica de Pernambuco e listada pelo Ministério do Meio Ambiente como criticamente em perigo, e Scinax gr. catharinae, registrada em Jaqueira. Fato semelhante ocorre com alguns táxons que utilizam bromeliáceas como abrigo ou sítio de reprodução, tal como Gastrotheca fissipes (Boulenger), registrada no Horto Dois Irmãos, Caetés e Jaqueira, e Scinax pachycrus (Miranda-Ribeiro), encontrada em Tapacurá, Jaqueira, Brejo dos Cavalos, e na Reserva Biológica de Serra Negra. Também não foram registradas em Gurjaú algumas espécies tolerantes a ambientes de borda de mata e áreas abertas, normalmente encontradas em diversas altitudes no Estado de Pernambuco. É o caso, por exemplo, de Hyla crepitans Neuwied, H. elegans Wied-Neuwied, H. minuta Peters e Scinax eurydice (Bokermann) (dos Santos e Carnaval 2002).
A ausência de tais registros pode se dever ao fato da anurofauna de Gurjaú ainda estar subestimada. Apesar da curva de acumulação de espécies ter alcançado um platô, estabilizando-se ao fim dos trabalhos de campo (Figura 4), é importante ter em mente que o período do ano em que o presente levantamento foi efetuado não constitui o mais apropriado para amostragens de anfíbios. Anfíbios são facilmente observados durante sua época de reprodução, a qual, no Nordeste do Brasil, está intimamente relacionada ao período de
registrados até o momento. Futuros trabalhos de campo na Reserva deverão contribuir com novos registros para a localidade.
A ausência de determinadas espécies na Reserva pode estar também associada às características topográficas locais. Por estar localizada em área de mata de baixada e próxima ao mar, é natural que a anurofauna de Gurjaú apresente diferenças em relação às observadas nos brejos, florestas de altitude, e/ou áreas de caatinga do Estado de Pernambuco.
Observações sobre os ambientes ocupados pelas diferentes espécies de anfíbios em Gurjaú mostraram que as mesmas são capazes de partilhar os sítios de abrigo e reprodução existente na Reserva através da utilização diferenciada dos vários micro-habitats disponíveis (Tabelas 3 e 4). O estabelecimento de mecanismos de partilha de recursos entre espécies de anfíbios – através de diferenças temporais e espaciais no que se refere aos seus sítios de reprodução e vocalização, por exemplo – é um tema amplamente reconhecido na literatura (Duellman e Trueb 1994, Heyer et al. 1994). Todavia, uma vez que a maioria das espécies de Gurjaú depende de corpos d’água para se reproduzir, é importante ressaltar que a manutenção de poças permanentes, poças temporárias, alagados e riachos na mata é crucial à permanência das populações locais.
Quatro espécies registradas na Reserva são reconhecidamente restritas a ambientes florestados. Trata-se de Adenomera cf. marmorata, Eleutherodactylus sp., Frostius pernambucensis e Proceratophrys boiei. Adenomera marmorata e espécies do gênero Eleutherodactylus depositam seus ovos no chão úmido da mata ao invés de utilizarem o meio aquático como sítio de desova – e conseqüentemente dependem da existência de florestas úmidas (Lutz 1949, Heyer 1973). De modo a garantir a manutenção dessas populações em Gurjaú, é imprescindível proteger os remanescentes de Mata Atlântica incluída na área da Reserva, se possível reflorestando as áreas antropicamente impactadas que hoje existem na propriedade e conectando os fragmentos de mata ainda existentes. A baixa taxa de captura de indivíduos de P. boiei em armadilhas (Tabela 10) pode ser interpretada como um alerta para o perigo de extinção de algumas populações locais. Ademais, as observações
de campo sugerem que apenas uma pequena parte do conjunto das espécies locais é capaz de ocupar as áreas da Reserva mais intensamente alteradas pelo Homem, tais como zonas de cultivo, lavoura, e habitações.
Duas espécies registradas em Gurjaú são reconhecidamente associadas à bromélias, utilizando-as como sítio de abrigo e/ou reprodução. Trata-se de Phyllodytes luteolus e Frostius pernambucensis (Peixoto 1995, Peixoto e Freire 1998). Uma vez que bromeliáceas consistem em grande foco de atenção por sua exploração comercial e uso ornamental, é importante que se estabeleça um mecanismo de fiscalização sobre a retirada dessas plantas na área da Reserva.
No que se refere às freqüências de encontro de anuros em Gurjaú (Figura 9), o fato de algumas espécies terem sido registradas uma única vez não deve ser visto como alarmante. Em verdade, é extremamente difícil avaliar o tamanho de uma população de anfíbios sem se amostrar uma imensa quantidade de dias. Como exemplo, podemos citar o caso das espécies com reprodução explosiva, cujos machos e fêmeas vêm à água para se reproduzir durante poucas noites ao ano, escondendo-se sob folhas, em troncos de árvores, ou permanecendo enterrados pelo restante do tempo (Duellman e Trueb 1994). Todavia, foi surpreendente, em Gurjaú, a baixa taxa de encontros de espécimens de Hyla raniceps, espécie geralmente abundante em ambientes de borda de mata e áreas abertas no Nordeste do Brasil (dos Santos e Carnaval 2002, Frost 2002). Resultados obtidos com armadilhas do tipo pitfall (Tabela 10) foram consistentes com as informações geradas por busca ativa. Representantes das famílias Bufonidae, Hylidae, Leptodactylidae e Ranidae foram registrados através da técnica. É interessante observar que uma espécie da família Hylidae (a saber, Hyla semilineata) tenha sido amostrada nos pitfalls. Representantes dessa família possuem discos adesivos nas pontas dos dedos dos pés e das
CONCLUSÕES
Dado o presente estado de conservação da Floresta Atlântica Nordestina, é essencial o estabelecimento de reservas e áreas de proteção ambiental que efetivamente protejam e restaurem o ambiente natural outrora presente nesta região. Neste contexto, a Reserva de Gurjaú tem condições de exercer um importante papel na conservação dos recursos florestais brasileiros. Com vistas à manutenção das populações naturais ainda existentes na Reserva, é imprescindível que se restaurem os ambientes florestados aí existentes. Futuramente, é desejável que se promovam corredores de mata para comunicação entre a Reserva e outros remanescentes da Zona da Mata Sul de Pernambuco. Vinte e seis espécies de anfíbios anuros foram registradas na área da Reserva, das quais onze são endêmicas da Mata Atlântica. A ocorrência de Frostius pernambucensis faz de Gurjáu a terceira área para a qual essa espécie, endêmica da Mata Atlântica Nordestina, é conhecida. No que se refere especificamente à comunidade de anfíbios de Gurjaú, é importante não somente preservar e conectar os remanescentes de mata ainda existentes na área da Reserva, mas também garantir a manutenção de diferentes sistemas de água doce como forma de se maximizar a gama de sítios reprodutivos disponíveis às espécies. Adicionalmente, a fiscalização sobre retirada de bromélias é crucial para manutenção de algumas populações locais.
AGRADECIMENTOS
Dr. Sergio P. C. Silva, Dr. Oswaldo L. Peixoto, Dr. Ulisses Caramaschi, Dr. José Pombal Jr. e Ednilza M. Santos permitiram o acesso às coleções herpetológicas ZUFRJ, EI-UFRRJ, MNRJ, e Coleção Herpetológica-UFPE para fins de comparação de material, auxiliando na identificação de alguns exemplares. Joca e Bibiu auxiliaram nos trabalhos de campo.
ANEXO I
Resultado dos levantamentos da anurofauna de Gurjaú obtidos via busca ativa
Data 10 Ago. 11 Ago. 30 Ago. 31 Ago. 07 Set 08 Set 14 Set 15 Set 17 Out. 17 Out. 18 Out. 18 Out. 19 Out. 19Out. 19 Out. 19 Out. 20 Out. 20 Out.
Trilha * A B C D E F G H A C H I K J J A G C Horário N N N N N N N N N N D N D N N N D N Homens.hora 6 4 4 4 4 4 4 4 9,5 0,5 2 6 0,5 1,5 6 3,5 4,5 6 Adenomera cf. marmorata 1 Bufo crucifer 1 2 Bufo granulosus 2 Bufo jimi 1 2 Eleutherodactylus sp. 1 2 2 2 5 1 2 Frostius pernambucensis Hyla atlantica 1 2 1 Hyla albomarginata 2 1 2 1 2 Hyla branneri 1 4 3 4 Hyla decipiens Hyla raniceps Hyla aff. nana
Hyla semilineata 4 10 20 13 4 3 2 2 12 3 4 2 1 Leptodactylus labyrinthicus 1 3 2 1 Leptodactylus natalensis 3 3 Leptodactylus ocellatus 1 1 Phyllodytes luteolus Phyllomedusa hypochondrialis 1 Physalaemus cuvieri 1 2 1 Pseudopaludicola sp. 5 7 Rana palmipes 7 28 1 3 3 3 6 1 4 1 1 3 Scinax auratus 2 1 1 Scinax nebulosus 4 3 1 1 Scinax x-signatus 1
Data 21 Out. 21 Out. 2 Nov. 3 Nov. 25 Nov. 6 Dez. 7 Dez. 21 Dez.22 Dez. 16 Jan. 16 Jan. 17 Jan. 18 Jan. 18 Jan. 18. Jan.18 Jan. 18 Jan. 19 Jan.
Trilha * G G A, B, I C G H J C, D, E C C A H, B,A J J A C H,B,A C
Horário N N N N N N N N D N N N n N N N D D Homens.hora 2 4 6.5 6 6 5.5 8 8.5 4 4 1.5 4 1 7 1 3 4.5 2 Adenomera cf. marmorata 2 1 1 Bufo crucifer 1 Bufo granulosus 1 1 Bufo jimi 1 1 1 30 2 11 1 Eleutherodactylus sp. 4 2 2 1 2 1 1 1 Frostius pernambucensis Hyla atlantica 2 2 Hyla albomarginata 1 1 1 Hyla branneri 1 1 4 1 Hyla decipiens 1 Hyla raniceps 1
Hyla aff. nana 4 3
Hyla semilineata 6 2 8 4 2 2 7 8 6 girinos 1 girinos
Leptodactylus labyrinthicus 1 2 1 1 1 Leptodactylus natalensis 2 Leptodactylus ocellatus 1 Phyllodytes luteolus 1 Phyllomedusa hypochondrialis 1 1 Physalaemus cuvieri 1 Pseudopaludicola sp. 20 7
Rana palmipes 5 1 1 1 3 1 girinos 4 1 1 2 girinos
4.2.2 Levantamento de Répteis Introdução
Dentre as 50.300 espécies de vertebrados, existem no mundo 7866 espécies de répteis assim distribuídas: 4470 lacertílios (57%), 2920 serpentes (37%), 292 quelônios (4%), 156 anfisbenídeos (2%), 23 crocodilianos (0,3%) e 2 tuataras (0,025%) (Uetz 2000).
De todos os representantes vertebrados da fauna brasileira, o répteis são os menos estudados, principalmente no litoral da região Nordeste (Morais e Morais 1987; Borges 1991). Os poucos trabalhos existentes consideram, basicamente, descrições de espécies e algumas poucas informações de sua biologia, havendo por isso muita carência de dados para realização de estudos mais aprofundados.
Em Pernambuco, o conhecimento desse grupo animal está restrito a poucas informações sobre algumas espécies de diferentes regiões do estado, principalmente, da caatinga (Ramos 1941; Cordeiro e Hoge 1973; Vanzolini et al. 1980; Morais e Morais 1987; Silva 2001). Nas décadas passadas, muitos trabalhos demográficos foram realizados com répteis, embora quase que sua
Data 19 Jan. 19 Jan. 20 Jan. 20 Jan.21 Jan. 2 Fev. 9 Fev. 9 Fev. 16 Fev. 23 Fev. 8 Mar. 23 Mar. 30 Mar. 30 Mar. 13 Abr. 20 Abr. 26 Abr. 27 Abr.
Trilha * I A G G F A G G A,B C,D J A G G J B, I D,E C
Horário N N N N D Homens.hora 1 3 2 4 3 4 2 2 9 9 10.5 4 2 3 6 6 6 4 Adenomera cf. marmorata 1 1 Bufo crucifer 1 1 Bufo granulosus 1 Bufo jimi 1 1 1 2 1 1 1 Eleutherodactylus sp. 1 2 1 1 1 Frostius pernambucensis 1 Hyla atlantica 1 1 3 1 Hyla albomarginata 1 Hyla branneri 3 1 Hyla decipiens 1 Hyla raniceps 1
Hyla aff. nana
Hyla semilineata 1 1 girinos 1 3 8 2 1 5 4 2 5 6
Leptodactylus labyrinthicus 1 3 2 2 1 1 1 Leptodactylus natalensis 2 Leptodactylus ocellatus 1 Phyllodytes luteolus Phyllomedusa hypochondrialis 1 Physalaemus cuvieri Pseudopaludicola sp. Rana palmipes 1 1 14 5 2 5 1 3 7 1 6 10 1 4 Scinax auratus 2 1 Scinax nebulosus 2 Scinax x-signatus 2 2
totalidade realizada na América do Norte e África (Pianka 1967; Pianka 1973; Huey e Pianka 1977).
No Brasil, são poucos os estudos que enfocam os répteis em áreas de grande empreendimento e que supostamente sofrem forte influência da ação antrópica. Apenas recentemente tenta-se fazer tais estudos, entretanto, quase todos realizados nas regiões central e sudeste (Pinto 1999; Sluys 2000).
A tentativa de monitorar populações oferece a oportunidade de estimar seus tamanhos e a distribuição de seus representantes no ambiente. Com essas informações pode-se, com maior precisão, fazer afirmações quanto ao seu nível atual de conservação.
O presente estudo tem como objetivo disponibilizar uma listagem das espécies de répteis encontradas na Reserva Ecológica de Gurjaú, determinar os níveis de conservação e oferecer informações que subsidiem um plano de manejo sustentável considerando as atividades realizadas na estação de tratamento de água e as populações humanas residentes na área.
METODOLOGIA Área de Estudo
A área de estudo está contida na Reserva Ecológica de Gurjaú, município do Cabo de Santo Agostinho (34o 56’ 30’’ W; 8o 21’ 30’’ S). A temperatura e a pluviosidade para o município apresentam valores anuais médios, respectivamente, de 25o C e 180 mm, enquanto a altitude varia de 30 a 50 m. A reserva possui 600 ha, divididos em 15 matas, além de três rios e três represas utilizadas no abastecimento de grande parte do Recife. Foram escolhidos os maiores fragmentos de Mata para o estudo: Mata Secupema e Mata Cuxio, cujas dimensões são, aproximada e respectivamente, 1,0 km x 0,8 km e 0,8 km x 0,6 km.
interceptação e queda (pit-fall) segundo a técnica de Gibbons e Semlitsch (1981) e captura por terceiros.
A técnica de procura ativa consistiu na realização de caminhadas lentas, em diferentes horários, desde o amanhecer até à noite, em abrigos que os lagartos e serpentes poderiam usar como refúgio. A procura de quelônios foi realizada, durante o período diurno, em trilhas e poças temporárias. A procura de crocodilianos foi realizada com embarcação, à noite, com a utilização de lanternas e laços de captura apropriados.
Foram instaladas 40 armadilhas de interceptação e queda, formadas por quatro recipientes (canos de PVC) com 0,4 m de profundidade por 0,25 m de largura, enterrados até a borda do solo e interligados por cercas-guia (drift-fences) de lona plástica de 5 m de comprimento por 0,4 m de altura, formando um “Y” (Figuras 10 e 11).
Figura 10: Esquema gráfico da armadilha de interceptação e queda. As letras A, B, C e M representam os recipientes enterrados até a margem superior do solo.
B
A
C
M Lona plástica com 5 m de comprimento
0,4 m
0,25 m m
Figura 11 - Armadilha de interceptação e queda utilizada no levantamento dos répteis da Reserva Ecológica de Gurjaú, no período de agosto de 2002 a maio de 2003. (Foto: Maria Eduarda Larrázabal, 2002).
As armadilhas foram instaladas a cada 25 m, ao longo de um transecto de 775m na Mata Secupema (30 armadilhas) e em um transecto de 250 m na Mata Cuxio (10 armadilhas) (Figura 11).
Figura 12 - Área de instalação das armadilhas de queda para levantamento dos répteis da Reserva Ecológica de Gurjaú. (Fonte: FIDEM, 1987).
Embora a captura por terceiros não tenha sido incentivada, alguns exemplares mortos foram obtidos por doação da comunidade local. Esse material foi preservado em formol 10% até o momento da identificação e tombado na Coleção Didática de Répteis da Universidade Federal de Pernambuco.
A maioria dos répteis foi capturada, identificada e devolvida ao mesmo local da captura. Alguns animais foram levados ao Laboratório de Animais Peçonhentos e Toxinas da UFPE para identificação ao nível de espécie, sendo posteriormente soltos no mesmo ponto de captura. Alguns lagartos foram fotografados e as fotos enviadas para o Dr. Miguel Trefault Rodrigues, Diretor do Museu de Zoologia da USP, que gentilmente procedeu à identificação.
ESFORÇO DE CAPTURA
A equipe empreendeu, aproximadamente, 175 horas para instalação das armadilhas e 240 horas para coleta dos animais. A instalação das armadilhas foi realizada utilizando períodos contínuos de quatro dias ao mês, com exceção do mês de agosto de 2002 quando foram utilizados oito dias. A verificação das armadilhas e a procura ativa dos répteis foram realizadas a cada três dias no período de setembro de 2002 a maio de 2003.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram capturados e avistados um total de 246 espécimes de répteis (220 capturas e 26 avistamentos), sendo a maioria da subordem Sauria (181 spp., 175 capturas e 6 avistamentos), seguido de Serpentes (42 spp., 40 capturas e 2 avistamentos), Crocodylia (14 spp., 5 capturas e 9 avistamentos) e Quelonia (10 spp., 2 capturas e 8 avistamentos) (Figura 13).
Serpentes 17,0% Quelônios 4,0% Crocodilianos 5,7% Lagartos 73,3%
2003, enquanto os lagartos foram mais abundantes exatamente no período complementar a estes meses: novembro de 2002 a abril de 2003. Os quelônios foram avistados durante todo período de estudo e os crocodilianos a partir de outubro de 2003 (Figura14).
Figura 14 - Distribuição mensal de capturas e/ou avistamentos dos grupos de répteis na Reserva de Gurjaú, de Agosto de 2002 a Maio de 2003. As barras representam o número de animais coletados e avistados.
Dentre os répteis capturados e avistados, os lacertílios foram os mais abundantes. A espécies Kentropyx calcarata (Figura 15) foi capturada 60 vezes nas armadilhas de interceptação e queda durante o período de estudo, seguida de Anotosaura sp n. (39) e Mabuya heathi (22), porém a maioria dos animais apresentou um número reduzido de capturas e avistamentos (Figura 16).
0 5 1 0 1 5 2 0 2 5 3 0 3 5 4 0 ago /02 set/ 02 out /02 nov /02 dez /02 jan /03 fev /03 mar/ 03 abr/ 03 mai /03 L a g a r t o s S e r p e n t e s C r o c o d il ia n o s Q u e l ô n i o s
Figura 15 - Kentropyx calcarata (calango) capturado na Mata do Secupema, na Reserva de Gurjaú (Fotografia Maria Eduarda Larrázabal, 2002).
Figura 16 - Número de capturas e avistamentos das espécies de répteis mais abundantes da Reserva de Gurjaú, durante o período de agosto de 2002 a maio de 2003.
0 10 20 30 40 50 60 K. calc arat a An atos aura sp M. n igr opu ncta ta C. lat irosst is E. c atena tus S. to rqua tus A. pun ctat us P.ge offr anus Typh ops sp. T. te guix im A.ame iva G. d arw iini E. c enc hria I. cen choa O. t rigem inus A. punctatus P.geoffranus Typhops sp. Lagartos Quelônios Serpentes
encontro dessa serpente foi fortemente relacionado com o aumento da pluviosidade. Esse comportamento também foi encontrado na distribuição relativa de serpentes da Amazônia.
Figura 17 - Typhops sp1 capturada na Mata do Sucupema, na Reserva de Gurjaú (Fotografia Maria Eduarda Larrázabal, 2002).
A única espécie de quelônio identificada na Reserva de Gurjaú, Phrynops geoffroanus, pertence à família Chelidae (Figura 18, Tabela 11). Essa espécie já havia sido descrita para o estado de Pernambuco, sendo também encontrada na caatinga (Vanzolini et al 1980; Rodrigues 2000).
Figura 18 - Vista dorsal (A) e ventral (B) de Phrynops geoffroanus (cágado de barbicha) capturado na Mata do Secupema, na Reserva de Gurjaú. (Foto: Cláudio Cazal, 2003).
Figura 19 - Representatividade das famílias de Lagartos na Reserva de Gurjaú, durante o período de agosto de 2002 a maio de 2003.
Os lagartos foram distribuídos em 15 espécies e sete famílias, que não variaram significativamente em representatividade: Polychrotidae (03 sp.), Gekkonidae (03 sp), Teiidae (03 sp), Tropiduridae (2 sp.), Scincidae (02 sp) e Gymnophaltidae (01 sp) (Figura 19, Tabela I.). Esse resultado apresenta certa discrepância com o padrão esperado (em que as famílias Teiidae, Iguanidae e Gekkonidae, seriam as mais abundantes em termos de espécies capturadas). As serpentes representaram o maior número de espécies encontradas (25 espécies), distribuídas em apenas quatro famílias, apresentando significativa representatividade na família Colubridae (18 sp), e menor número de espécies nas famílias Boidae (03 sp), Viperidae (02 sp) e Typhlopidae (02 sp) (Figura 20, Tabela 11). Esse resultado está compatível com o esperado, uma vez que a família Colubridae compreende 63% das espécies de serpentes conhecidas (Uetz 2000). P o l y c h r o t i d a e 1 4 % G e k k o n i d a e 2 2 % S c i n c i d a e 1 4 % T r o p i d u r i d a e 1 4 % G y m n o p h t a l m i d a e 7 % I g u a n i d a e 7 % T e i i d a e 2 2 %
Figura 20 - Representatividade das famílias de Serpentes na Reserva de Gurjaú, durante o período de agosto de 2002 a maio de 2003.
Apenas uma espécie de crocodiliano, pertencente à família Alligatoridae foi registrada na Reserva de Gurjaú (Figura 21, Tabela 11).
Figura 21. Caiman latirostris (jacaré-do-papo-amarelo) capturado na Barragem, na Reserva de Gurjaú. (Fotografia Cláudio Cazal, 2002).
B o i d a e 1 2 % T y p h l o p i d a e 8 % V i p e r i d a e 8 % C o l u b r i d a e 7 2 %
Tabela 11 - Lista de espécies identificadas na Reserva de Gurjaú
Classificação Nomenclatura científica – Espécie Nome popular
ORDEM TESTUDINATA SUBORDEM PLEUDIRA
FAMÍLIA CHELIDAE 1 Phrynops geoffroanus Schweigger,
1812
Cágado de barbicha ORDEM SQUAMATA
SUBORDEM SAURIA FAMÍLIA IGUANIDAE
2 Iguana iguana Linnaeus, 1748 Camaleão FAMÍLIA
TROPIDURIDAE
3 Strobilurus torquatus Wiegmann,
1834
Lagartixa
4 Tropidurus hispidus Spix 1825 Lagartixa FAMÍLIA
POLYCHROTIDAE 5 Anolis punctatus Daudin, 1802 Papa-vento
6 Enyalius catenatus Wied 1821 Papa-vento
7 Polychrus acutirostris Spix, 1825 Camaleão
FAMÍLIA GEKKONIDAE 8 Coleodactylus meridionalis
Boulenger 1888
9 Gymnodactylus darwinii Gray 1845
10 Hemidactylus mabouia Moreau de Jones 1818
Víbora
FAMÍLIA TEIIDAE 11 Ameiva ameiva Linnaeus, 1758 Calango
12 Kentropyx calcarata Spix, 1825 Calango
13 Tupinambis teguixim Linnaeus, 1758 Teju FAMÍLIA
GYMNOPHTALMIDAE 14 Anotosaura spn.
FAMÍLIA SCINCIDAE 15 Mabuya macrorhyncha Hoge, 1946
Tabela 11 - Continuação da lista de espécies identificadas na Reserva de Gurjaú.
Classificação Nomenclatura científica - Espécie Nome popular
SUBORDEM SERPENTES FAMÍLIA TYPHLOPIDAE 17 18 Typhlops sp1 Typhlops sp2 Cobra –cega Cobra –cega
FAMÍLIA BOIDAE 19 Boa constrictor Linnaeus, 1758 Jibóia
20 Corallus hortulanus Linnaeus, 1758
21 Epicrates cenchria Linnaeus, 1758 Cobra siri-de-fogo FAMÍLIA
COLUBRIDAE 22 Apostolepis sp.Cope 1862
23 Atractus potschi Fernandes 1995
24 Clelia clelia Daudin, 1803 Mussurana 25 Clelia plumbea Wield, 1820
26 Dendrophidion dendrophis Schlegel,
1837
27 Drymarchon corais Boie 1827
28 Helicops leopardinus Schlegel, 1837 Cobra-d’água 29 Imantodes cenchoa Linnaeus, 1758
30 Leptodeira annulata Linnaeus, 1758 Dormideira 31 Liophis cobellus Linnaeus 1758 Jararaquinha 32 Oxybelys aeneus Wagler, 1824 Cobra-cipó 33 Oxyrhopus trigeminus Duméril, Bibron e
Duméril, 1854
Falsa-coral 34 Oxyrhopus petola Linnaeus, 1758 Falsa-coral 35 Philodryas olfersii Lichternstein, 1823 Cobra-verde 36 Pseudoboa nigra Duméril, Bibron e
Duméril, 1854
Mussurana 37 Siphlophis compressus Daudin 1803
38 Spilotes pullatus Linnaeus, 1748 Caninana
39 Linnaeus, 1748
FAMÍLIA VIPERIDAE 40 Bothrops sp. Jararaca
41 Crotalus durissus cascavella Wagler,
1824 Cascavel ORDEM CROCODYLIA FAMÍLIA ALLIGATORIDAE
42 Caiman latirostris Daudin 1802 Jacaré-do-papo-amarelo
Vinte espécies de serpentes foram identificadas através da captura dos animais e duas através de avistamento (Spilottes pulatus e Drymarchon corais). A última foi avistada junto da lona de uma das armadilhas na Mata deSecupema o que permitiu a estimativa de seu comprimento (2,6m), apresentando cor negra uniforme e comportamento agressivo característico dessa espécie, ao avistar a equipe (levantou a região anterior do corpo, inflando a região gular avermelhada) (Coborn 1991; Wolfgang Wüster, comunicação pessoal).
A maioria das espécies de serpentes encontradas na reserva de Gurjaú foi encontrada em ambientes alterados como Liophis cobella (Martins 1994) ou tolerantes a ambientes abertos (campos ou caatinga) e fechados (matas) tais como Boa constrictor, Clélia clelia, Corallus hortulanus, Crotalus durisus cascavella, Epicrates cenchria, Dendrophidion dendrophis, Helicops leopardinus, Leptodeira annulata, Oxybelis aeneus,Oxyrhopus trigeminus, Philodryas olfersii, Psedoboa nigra, Spilotes pullatus e Crotalus durissus cascavella (Vanzolini 1948; Cordeiro e Hoge 1973; Rodrigues 1986; Nascimento et al 1987; Cunha e Nascimento 1993; Martins 1994; Rodrigues 2000; Marques 2001; Silva 2001; Pinho 2002). O que sugere que as Matas estudadas na Reserva de Gurjaú, escolhidas por estarem em melhor estado de conservação, apresentam áreas abertas, que possibilitam a presença de animais não exclusivos às regiões de Mata Atlântica.
Da mesma forma, algumas espécies de lagartos estão relacionadas a áreas mais ensolaradas, sendo facilmente encontradas tanto em borda quanto no interior das matas, estando associadas a grandes clareiras no interior destas (Pough et al 1998; Zug et al 2001). Na reserva de Gurjaú foram relatados Ameiva ameiva, Kentropyx calcarata, Tropidurus hispidus, Tupinambis teguixin e Mabuya heathi, espécies que apresentam pouca exigência quanto ao nível de preservação de áreas florestais. A espécie Strobilurus torquatus destaca-se por
puncatatus, Enyalius catenatus e Polychrus acutirostris apresentaram baixo nível de captura, provavelmente devido à natureza arborícola dessas espécies (Zamprogno et al 2001).
Com relação à distribuição geográfica, apenas duas espécies de serpentes são exclusivas de Mata Atlântica (Clelia plumbea e Siphophis compressus) (Nascimento et al 1987; Marques 2001), cinco espécies são encontradas na Mata Atlântica e na Amazônia (Atractus potschi, Dendrophidion dendrophis, Imantodes cenchoa, Liophis cobellus e Oxyrhopus petolaI) (Cordeiro e Hoge 1973; Vanzolini 1986; Nascimento et al 1987; Nascimento e Lima Verde 1989; Cunha e Nascimento 1993; Martins 1994; Marques 2001), quatro espécies são encontradas na caatinga e Mata Atlântica (Corallus hortulanus, Helicops leopardinus, Pseudoboa nigra e Crotalus durissus cascavella) (Cordeiro e Hoge 1973; Rodrigues 2000; Silva 2001; Pinho 2002) e oito espécies são encontradas na caatinga, Amazônia e Mata Atlântica (Boa constrictor, Epicrates cenchria, Clelia clelia, Leptodeira annulata, Oxybelys aeneus, Oxyrhopus trigeminus, Philodryas olfersii e Spilotes pullatus) (Vanzolini 1948; Cordeiro e Hoge 1973; Vanzolini 1986; Nascimento et al 1987; Nascimento e Lima Verde 1989; Cunha e Nascimento 1993; Martins 1994; Rodrigues 2000; Silva 2001; Marques 2001).
Embora não tenham sido registrados endemismos dentre as 25 espécies de serpentes amostradas em Gurjaú, sete representam novas descrições para o estado de Pernambuco (Corallus hortulannus, Atractus potschi, Clelia plumbea, Dendrophidion dendrophis, Drymarchon corais, Imantodes cenchoa e Oxyrhopus petola).
Portanto, dentre as 57 espécies de serpentes registradas para o Estado de Pernambuco, incluindo-se as sete espécies identificadas nesse estudo, a fauna herpetológica da Reserva de Gurjaú inclui 43,86% do total de espécies do estado de Pernambuco (Cordeiro e Hoge, 1973; Silva 2001; Pinto 2002).
Dentre as 15 espécies de lagartos capturadas em Gurjaú, quatro espécies (Enyalius catenatus, Gymnodactylus darwinii, Strobilurus torquatus e Anotosaura sp.n.) são endêmicas de Mata Atlântica, apresentando raríssimos relatos em outros ambientes. Anotosaura sp. n. é uma espécie ainda não
descrita, capturada apenas na Paraíba, portanto, constitui o primeiro relato para Pernambuco (Rodrigues 1990).
As demais espécies são também encontradas em outros biomas: cinco espécies são encontradas na caatinga, cerrado, Amazônia e Mata Atlântica (Ameiva ameiva, Hemidactylus mabouia, Mabuya heathi, Mabuya macrorhyncha, Tropidurus hispidus) (Vanzolini 1972, 1974, 1976, Vanzolini et al 1980, Rodrigues 1987, 1990 e 2000), duas espécies em caatinga, Amazônia e Mata Atlântica (Iguana iguana, Tupinambis teguixin) (Cunha 1961; Vanzolini 1972, 1974, 1976; Vanzolini et al 1980; Cunha 1981; Rodrigues 1987, 1990; Silva Jr e Site Jr 1995; Rodrigues 2000), uma espécie em caatinga, cerrado e Mata Atlântica (Polychrus acutirostris) (Vanzolini 1972, 1974, 1976, Vanzolini et al 1980, Rodrigues 1987, 1990; Vitt 1991, Araujo e Colli 1998; Rodrigues 2000) e uma espécie em caatinga e Mata Atlântica (Coleodactylus meridionalis) (Vanzolini 1972, 1974, 1976; Vanzolini et al 1980; Rodrigues 1987, 1990 e 2000).
Embora tenhamos que considerar o vício de amostragem devido ao uso de armadilhas de interceptação e queda, a grande maioria das serpentes identificadas foi terrícola e fossorial (22 espécies terrícolas e fossoriais e três arborícolas e subarborícolas), o que indica que um percentual alto da ofiofauna tem condições mínimas de nicho estrutural para resistir a perturbações na floresta (Vanzolini 1986). As armadilhas utilizadas oferecem grande sucesso de captura para quase todos os tipos de lagartos encontrados na reserva, com exceção dos grandes lagartos (Tupinambis teguixin) e aqueles com hábitos extremamente arborícolas (Iguana iguana, Anoles puincatatus e Polychrus acutirostris) ou fortemente associados a outros habitats/microhabitats.
A curva de espécies, representando o total acumulado de táxons durante o período de estudo, sugere que não tenha sido alcançado o plateau de
0 5 10 15 20 25
AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI
Serpentes Lagartos
Quelônios Crocodilianos
Figura 22 - Curva de acumulação de espécies de serpentes e lagartos na Reserva de Gurjaú, com base em resultados de busca ativa, captura em armadilhas de interceptação e queda e captura por terceiros, entre os meses de agosto de 2002 e maio de 2003.
CONCLUSÕES
Os resultados obtidos sugerem que os fragmentos avaliados na Reserva de Gurjaú apresentam relevante diversidade de répteis principalmente de serpentes e lagartos, que apresentam oito novos registros para o estado de Pernambuco, quatro espécies endêmicas e uma rara. Por outro lado, os mesmos fragmentos estão submetidos a forte impacto pela ação antrópica. Esta pode ser comprovada pela presença de várias espécies adaptáveis a ambientes degradados, pelo pequeno número de animais registrados de cada espécie, bem como pela constante destruição de armadilhas durante o estudo e pela presença de trilhas, armadilhas de caçadores e cães domésticos no interior das matas examinadas.
Cabe ressaltar que se faz necessário um trabalho intenso de educação ambiental, uma vez que as serpentes são consideradas animais perigosos e por isso são sacrificadas indiscriminadamente pela população humana local, apesar de apenas duas espécies dentre as 22 registradas oferecerem risco.
Além dessa atividade predatória, os lagartos Iguana iguana e Tupinambis teguixin, o quelônio Phrynops geoffroanus e o crocodiliano Caiman latirostris são espécies de potencial sinergético, sendo consumidas de forma não sustentável pela população humana local.
Diante do exposto, sugere-se que há forte necessidade de execução de medidas mitigadoras dos impactos ambientais para manutenção e recuperação da importante fauna herpetológica evidenciada na Reserva.
Deve-se lembrar que quanto maior a área protegida, tanto maior será a diversidade e a resistência dos animais ao desgaste causado pela proximidade e inserção das populações humanas (Vanzolini 1986). Com certeza, medidas que visem reconstituir os fragmentos originais trarão grandes benefícios para fauna de répteis, tão significante e ainda tão pouco conhecida, da Reserva Ecológica de Gurjaú.
4.2.3 Levantamento de Aves Introdução
A Mata Atlântica é considerada o bioma de maior diversidade biológica do planeta, no entanto, é pouco conservada. Segundo Almeida (2000), baseado nos níveis atuais de degradação, esta floresta encontra-se com a biodiversidade comprometida, onde muitas espécies já foram extintas, sem mesmo serem descritas. A Floresta Atlântica colabora de forma expressiva para que o Brasil seja considerado o país da megabiodiversidade, possuindo um alto nível de endemismo em todos os grupos taxonômicos, incluindo aves, primatas, borboletas e plantas (Aleixo 1997, Silva e Tabarelli 2000). É considerada, pela UNESCO, Reserva da Biosfera, sendo uma das três maiores prioridades de conservação do mundo (Consórcio Mata Atlântica UNICAMP, 1992; Meyrs et al. 2000)
Segundo Sick (1997), o Brasil possui 1677 espécies de aves, entre residentes e visitantes, das quais 212 são endêmicas e de distribuição restrita nos limites da Mata Atlântica. As observações realizadas sobre aves em Pernambuco ocorreram principalmente na mata Atlântica (Forbes 1881, Pinto 1940, Berla 1946, Coelho 1979, Azevedo Júnior 1990 e Azevedo Júnior et al. 1998, Telino Júnior et al. 2000).
Segundo Roda (2002), foram registradas 498 espécies de aves para Pernambuco, das quais 46 estão listadas como ameaçadas (IBAMA 2003). A avifauna pode funcionar como bioindicadora das condições ambientais constituindo um dos grupos que melhor responde a impactos causados ao meio ambiente, uma vez que desaparecem rapidamente quando este é alterado, atingindo níveis insuportáveis (Regalado e Silva 1997).
O levantamento avifaunístico contribui não só para a caracterização de um ambiente, como também para um melhor conhecimento da distribuição geográfica das espécies, além de funcionar como subsídios para trabalhos de monitoramento e manejo (Almeida 2000, Regalado et al. 2000). Dessa forma, fornece dados relevantes para a conservação da diversidade biológica, extremamente ameaçada no Brasil.
A conservação consiste em uma premissa básica para a manutenção da biodiversidade. Dentre os diversos fatores que acarretam na perda da diversidade biológica, destaca-se a redução das áreas naturais e a caça de comercialização, sobretudo nas proximidades dos centros urbanos (Azevedo Júnior et al. 1998).
Desta forma, pretende-se com este estudo conhecer a composição avifaunística da Reserva Ecológica de Gurjaú, bem como fornecer subsídios para projetos conservacionistas, principalmente no que tange ao manejo sustentado da Unidade.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de Estudo
Inserida em uma única propriedade, pertencente à Companhia Pernambucana de Abastecimento de Água (COMPESA), onde existe uma Estação de