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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 número3

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2003; 49(3): 225-43 241

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ANGIOENDO

ANGIOENDOTELIOMA

TELIOMA ENDOV

ENDOVASCULAR

ASCULAR COM

COM METÁST

METÁSTASES

ASES EM

EM CLITÓRIS

CLITÓRIS EE MAMA

MAMA

Caso Clínico: T.G.M., 67 anos, branca, casada, natural de São Paulo, deu entrada no Serviço de Oncologia Ginecológica do CRSM com queixa de nódulo e dor em região vulvar há seis meses; referia menarca aos 13 anos, menopausa aos 50 anos e três partos normais. Em relação aos antecedentes clínicos não ha-via nada digno de nota e, cirúrgico, referia a realização de biópsia de nódulo localizado no terço médio da coxa esquerda, há três anos, cujo anatomopatológico evidenciou angioen-dotelioma maligno, não tendo recebido qual-quer tratamento após o diagnóstico. Os exa-mes físico e ginecológico constataram a pre-sença de um tumor de 3 cm no clitóris (Fig. 2), múltiplos nódulos mamários bilateralmente (Fig. 3), linfadenomegalia inguinal esquerda e três lesões tumorais ulceradas de aproximada-mente 4 cm de diâmetro cada uma, em mem-bro inferior esquerdo (Fig. 1). Os exames complementares incluíram radiografia de tó-rax, que constatou múltiplas lesões paren-quimatosas pulmonares compatíveis com tu-mores metastáticos (Fig. 4), e mamografia, com múltiplos nódulos bilaterais (Fig. 5). As biópsias do tumor de clitóris e mama revela-ram o angioendotelioma vascular maligno. A paciente foi a óbito antes da tentativa de trata-mento quimioterápico, que tinha sido indicada por se tratar de doença sistêmica.

Comentário

O angioendotelioma endovascular malig-no é um tumor vascular raro, caracterizado por proliferação papilar das células endoteliais dentro do lúmen vascular e que pode envol-ver pele ou tecido celular subcutâneo. É de crescimento infiltrativo, com risco de metás-tases para os linfonodos regionais, e apresenta alta taxa de recorrência local após tratamento cirúrgico. O angionedotelioma endovascular maligno, também denominado tumor de Dabska, é um angiosarcoma de baixo grau de malignidade e foi descrito pela primeira vez em 1969. A literatura, até então, revelava se tratar de tumor com incidência rara, acome-tendo exclusivamente crianças e adolescentes e somente uma morte tinha sido descrita por esse tipo de tumor. O tratamento cirúrgico, exérese da lesão, é a conduta de escolha, pois apresenta elevada porcentagem de cura; apesar de incomuns, podem ocorrer tanto a

recorrência local como o aparecimento de novos tumores.

Este relato de caso, ao fornecer importan-tes informações, certamente contribuirá para o melhor entendimento da evolução natural da doença (quando não tratada) e de seu comportamento metastático, mesmo sendo

Fig. 1 – Lesões em coxa esquerda de três anos de evolução, sem qualquer tratamento

Fig. 2 – Lesão de 3 cm de diâmetro no clitóris

Fig. 3 – Presença de múltiplas lesões nodulares subcutâneas e

intraparenqui-matosas nas mamas ISRAEL NUNES ALECRIN, DANIELLA

MOREIRA, LUIZ FERNANDO RAMIREZ,

FÁBIO MARTINS LAGINHA, JOSÉ ANTÔNIO

MARQUES, JOSÉ MENDES ALDRIGHI

CENTRO DE REFERÊNCIA DA SAÚDE DA

MULHER (CRSM) - SÃO PAULO – SP

Fig. 4 – Presença de múltiplas lesões infiltrativas pulmonares intraparenquimatosas

Fig. 5 – Mamografia com formações nodulares bilaterais (A e B)

um sarcoma de baixo grau de malignidade. Deve ser ressaltado que até hoje não existe, na literatura científica veiculada pela internet, qualquer referência deste tumor em pacientes nesta faixa etária e com comprome-timento mamário e de genitais, daí conside-rarmos de interesse para o ginecologista.

Rev Assoc Med Bras 2003; 49(3): 225-43 241

Imagem

Fig. 1 – Lesões em coxa esquerda de três anos de evolução, sem qualquer tratamento

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