Número1
—
íO.'Ano Janeiro a Março—
1911BOLETIM
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PUBLICAÇÃOOFICIAL TRIMENSAL
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>^^COIMBRA
Imprensa daUniversidade1911
BIBLIOTECAS E ARQUIVOS NACIONAIS Publicaçõesofficiais
INVEMÁlllOS DA UIBLIOTECA NACIONAL DE LISBOA
ísecçàoI
—
HistóriaeGeogia6a.Série1.»(numeraçãopreta)
—
1.*parte.Lisboa, 1889.—
2.»parte.Lisboa, 1889.Série2.*(niinieraçâovermelha)
—
Lisboa, 1895.Série3.'(numeraçãoazul)
—
Lisboa,1897.SecçãoIII
—
SciênciaseArtes. Série1.»(numeraçãopreta)—
Coimbra, 1907.SecçàoIV
—
SciênciaBcivis e polítican.Série1'(numeraçãopreta)
—
Lisboa, 1897.Secçào
X —
FilologiaeBelas-Letras.Série1.»(numeraçãopreta)
—
Lisboa, 1890.Série2.^(numeraçãovermelha)
—
Lisboa, 1893.Série3.'(numeraçãoazul)
—
Lisboa, 1894.Secçào XIII
—
Manuscritos por JoséAntónioMoniz. Lisboa, 1896,—
Colecção Pombalina, por JoséAntónio Moniz. Lisboa, Í895, completo.Inventário doArquivodeMarinhaeUltramar, pelodr.Eduardode Cas- tro eAlmeida.
IlhasdaMadeiraePorto Santo, I-II
—
Coimbra,Imprensa daUniversi- dade, 1907-1909.Relatórioacercada Biblioteca Nacional de Lisboaemaisestabeleci- mentosanexos, dirigidoaoEx.™°Sr.MinistroeSecretáriodeEstadodos Negóciosdo Reino, no1.»de Janeirode1844 por José Feliciano de Cas- tilhoBanetoeNoronha. TomoI-Ofício
—
Tomos II,III eIV—
Apensos aoofício.Lisboa,Tipografia Lusitana, 1844.BibliotecaNacional de Lisboa. Exposição Antoniana, 1895. Lisboa, 1895.
BOLETIM
lUOTECIS
EARQUIVOS NACIONAIS
BOLETIM
PUBLICAÇÃO OFICIAL
DÉCIMO ANO
1911
Compostoeimjjresso NA IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COÍMBRA
1911
Número
i—
10.°Ano Janeiro a Março—
19HDAS
iiiiiLioínas iii^^'i\'ox ummi
PropriedadeeediçãodaSeciclaria Geral das Bibliotecas cArquivosNacionais. Lisboa DirectorGabrielPereira,Inspector das Bibliotecas eArquivosNa
ComposiçãoeImpressãonaImprensa daUniversidade.
LEI DE IMPRENSA CAPÍTULO
IExercício do direito de liberdade deimprensa
Artigo 1,"Regula-sepelasdisposições deste decretoo direito de expressão do pensamento pela imprensa, cujo exercício é livre,independente de caução, censura ou autorização prévia, entendendo-se por imprensa qualquerfornia de publicação grá- ficaeporimprensa periódicao\\periódicosquaisquer publicações que não tratem exclusivamente de assuntos scientíficos, literá- rios, artísticosou religiosos, cuja distribuição se faça
em
pe- ríodos determinados detempo ouem
séries de exemplares ou fascículos,§único,
O
que especialmente neste processosenão regular será resolvido pelas disposições gerais de direito e,em
espe- cial,pelasapplicaveisdo decreto de 14 de outubro do corrente anno.Ai't, 2.° Incorrerána penade demissãoe na de multa de 200f^000 a l:000f>000réis,ficando aindasujeitaa indemnização de perdas e damnos, se tiver logar, e que será liquidada
em
execução de sentençasenesta nãopuderserlogo determinada, aautoridade contraquem
o delegado doprocurador daRepú- blica, ou qualquerinteressado, provar que submetteu a cen- sura, ordenou ou autorizou a apreensão, apreendeu, ou por qualquerformaembaraçoua livre circulação de quaisquer pu-BOLETIMDAS BIBLIOTECAS
blicações,aindaqueparatantotivesseordemou autorização de superiorlegítimo.
§ único.
Do
preceituadoneste artigoexceptuam-se apenas, quanto á apreensão, que será ordenada e realizada pela au- toridadejudicial, administrativaepolicial,oscasosprevistosnos artigos õ.° e 11." e§único.Art.3."
O
títulodequalquer publicaçãofazpartedesta,não podendo, sobpenadeperdas edamnos, fixadaem
acçãocom- mercial, adoptar-senenhum
que possa confundir-secom
algum dos legalmente apropriados.§ único.Prescrevepelolapso deseismesesacontardaúl- tima publicaçãoodireitoaotítulo dosperiódicos.
Art.4.°
A
imprensa periódicaterá ura editor, que deveser cidadão português no goso dos seus direitos civise políticos, livredeculpa,ehabilitadocom
oexamede instrucção primária dosegundograu ouocorrespondente pelalegislação anteriorá actualsobre ensino primário.§único.Ninguémpoderásersimultaneamenteeditordemais de
um
periódico.Art. 5."
Nenhum
periódico poderá publicar-sesem queno alto da primeira página eem
todos osseusnúmeros insira onome
do directorou redactorprincipal (devendo adoptar-se sóuma
destas denominações), odo editor, o doproprietário e a indicação da sede da administração doperiódico e a doestabe- lecimento onde forimpresso, sob pena de prisão correccional detrês atrinta dias emulta correspondente, imposta ao pro- prietário,aoeditor eaodono do estabelecimento.§único.
O
juiz,na sentença condemnatória, decretaráa sus- pensão doperiódico enquanto essasformalidades não se cum- prirem, eimporáàquellas entidadeseaodirectordoperiódico, solidariamente, amulta deõ^jiUOO réisporcadafalta, sempre- juízoda responsabilidadepelos abusos commettidos no númeroounúmerospublicados.
Art. 6.°Sob pena de
um
a trêsmeses de multa, agravada nocaso dereincidência eimposta aodono do estabelecimento ondeaimpressão se fizer, nenhuma publicação não periódica poderáser postaávenda, ou porqualquerformacircular, sem a indicação donome do dono daquelleestabelecimento e a donome
deum
editor.§único.Exceptuam-sedodisposto nesteartigo aslistas elei- toraes, biliíetes, convites, cartas circulares, avisos e papéis
EARQUIVOS NACIONAIS
Art. 7.° Incorreránapena doartigo242.° doCódigoPenal aquele que falsamenteíizerasindicações quesão exigidas nos artigos 5."e6/'
Art, 8.°
De
todasaspublicações periódicas seentregará ou remetterápeio correio, observando-seo disposto no artigo 1.°do decreto de12 denovembro de 1898,
um
exemplarao de- legado do procurador da República na comarca ou juízo de investigação criminal onde elastiverem a sede da sua admi- nistração, sobpena demuUa
de1?$Í000réis, que será imposta aoproprietário porcada transgressão,e,nafaltadele,ao dono do estabelecimentoque tiver feitoaimpressão,§ único.
Além
dos exemplares exigidos neste artigo, será também,sobigualpena, enviado peiamesma
formaum
exem- plar acadaum
dos Ministérios doInterior e daJustiça e a cadauma
das bibliotecas deLisboa, Porto eUniversidade de Coimbra.Art. 9,°
Das
publicações nãoperiódicas, salvo as indicadas no § único doartigo 6.",seráigualmente enviado, sobamesma
penaestabelecida no artigo anterior,um
exemplar a cadaum
dos referidosMinistériosebibliotecas.
CAPÍTULO
II Dosabusosesua responsabilidadeArt. 10," Consideram-se abusos de liberdade deimprensa unicamente osciimesprevistosnos artigos137.", 109.°, 160.°, 181,°, 182.°, 407.°, 410.°, 411.° eparágrapho, 412,°, 414.° a 420 inclusive e 483,° do Código Penal, quando comettidos pelaimprensa, e
também
como taissãoconsideradosos escritos publicadospelaimprensa que contenham injúria, difamação ou ameaçacontraoPresidentedo GovernoProvisório oudaRepú- blicanoexercício das suas funcções oufora dele.§único. Oscrimesprevistosnos artigos 159.°, 160.°, 181.°
e182.° docitado código consistemapenasnapublicação de es- crito
em
quehtijainjúria,difamação ouameaça contra as pes- soasaíindicadas.Art. 11.°
E
proibido, sob pena de prisão eorrecional de trêsa trinta dias e multa correspondente, afixar ou expor nas paredes, ouem
outros logares públicos, cartazes, anúncios, avisos eem
geral quaisquer impressos que contenham alguma40 BOLlíTIMDASlílMLIOTKCAS
decadaclasse, e omíinero dos produtos assim obtidosfornece o número de unidadespelo qual adespesatotal deveser divi- dida.
O
quocientedáoexcessoda unidadedadespesa.Cadapaís declarará, nomomento dasua adesão,
em
qual das sobreditasclassespede parasercolocado.A
AdministraçãoSiiíssaprepara oorçamento da repartição e fiscaliza asdespesas, faz os adeantamentos necessáriose es- tabelecea conta anual que será comunicadaa todas as outras Administrações.Art.24.°
A
presente Convenção pode ser submetida a re- visõescom
ofim de nelaseintroduzirem melhoramentosde na- tureza a aperfeiçoarosistemada União.As
questões dessa natureza, assim comoaquelas que inte- ressam, sob outros pontos devista, odesenvolvimentoda União, são tratadas nas Conferências que terãologar sucessivamente nos países da União, entre osdelegados dos ditos países.A
Administração dopais
em
que devatersedeuma
Conferência prepara, com o concurso da Repartição Internacional, os tra- balhos dela.O
diretor da repartição assisteás sessões das con- ferências e toma partenas discussões, semvoto deliberativo.Nenhuma
mudançana presenteConvençãoéválidaparaaUnião senãomediante oassentimento unTinime dospaíses que acom- põem.Art. 25.° Osestados estranhosá União equeassegurama protecçãolegai dos direitos que constituemobjetoda presente Convençãopodem aderiraela a seu pedido. Esta adesão será ratificadaporescritoaoGovernoda ConfederaçãoSuíssa, epor estea todos os outros.
Elaimplicará, de pleno direito, a adesão atodas asclau- sulas e aadmissão a todasasvantagensestipuladasna presente Convenção.Nãoobstante,a cessãopoderá conter a indicação das disposições da Convenção de 9 de setembro de 1886 ou do ActoAdicional de4demaio de1896 queosEstadosjulguem necessáriossubstituirprovisoriamente,pelomenos,ásdisposições correspondentes da presente Convenção.
Art. 56.° OsPaíses contratantesteem sempreo direito de aderir á presenteConvenção pelas suascolónias ou possessões estranjeiras.Podem,paraesse efeito,quer fazer
uma
declaração geral pelaqual todas as suascolónias ou possessões sãocom- preendidas na adesão, quernomearexpressamente aquelas que nelasãocompreendidas, querlimitar- se a indicar aquelasque delasão excluídas.EARQUIVOS NACIONAIS 41
Esta declaração será notilicadaporescrito aoGoverno da Confederação Suíssa epor aquele atodososoutros.
Art. 21."^
A
presente Convenção substituirá, nas relações entreosEstadoscontratantes, a Convenção deBernede 9 de setembro de 1886, compreendido nela o artigo adicional e o protocolo de encerramento domesmo
dia,assim como o acto adicional ea declaraçãointerpretativa de4 de maio de J896.Osactos convencionais acimacitados ficarão
em
vigor nas re- laçÔiscom
os Estados que não ratificarem a presente Con- venção.OsEstadossignatários da presente Convençãopoderão, no
momento
detroca deratificaçÔis, declarar que, a respeito de taloutalponto, ficam aindaligados pelas disposições dasCon- vençõesásquais subscreveramanteriormente.Art. 28.°
A
presente Convenção será ratificada, eassuas ratificações serão trocadasem
Berlim omais tardarem
1 de julho de 1910.CadaParte contratante remeterá,portrocadasratificações,
um
só documento que será deposto, com o dos outros países, no arquivo do Governo da Confederação Suíssa. Cada Parte receberáem
trocaum
exemplar do processo verbal detroca dasratificaçÔis,assinadopelosPlenipotenciáriosque nele tiverem tomadoparte.Art. 29.°
A
presente Convenção será posta eravigor três meses depois da troca das ratificações, eassimficaráduranteum
tempoindeterminado, atéaexpiração deum
ano, apartir dodiaem
queasua denúncia tiver sidofeita.Esta denúncia será dirigida aoGoverno da Confederação Suíssa. Ela só produziráefeitono queserefereaopaísque a tiverrealizado, ficando aConvenção executóriapara osoutros paísesda União.
Art. 30." OsEstados que introduzirem na sualegislação a duraçãoda proteção de cincoentaanos, previstapeloartigo 7.°, alínea 1.^da presenteConvenção,fá-lohão conhecer aoGoverno da Confederação Suíssa por
uma
notificação escrita, que será comunicadaimediatamente poresseGoverno atodos osoutros Estados da União.Seráidêntico oprocedimento dos Estados querenunciarem ásreservasfeitaspor ôles,
em
virtude dosartigos 20.", 26.° e 27.°.Em
fc de que, osPlenipotenciários respectivos assinaram apresenteConvençãoelheapuseram osseussinetes.Feito
em
Berlim,em
treze denovembrode milnovecentos42 BOLETIMDAS BIBLIOTECAS
eoito
num
só exemplar que será deposto nos arquivosdoGo- verno da Confederação Suíssa e cujas cópias, certificadas con- formes, serão enviadas porvia diplomática aos países contra- tantes.Seguem
asassinaturasdosplenipotenciários.{Diário doGovernon.° 67,de 23 demarçode1911).
EARQUIVOS NACIONAIS 43
O PATACO
Apontamentos para a sua
históriaDissertai^ãodaCadeira deNumisiiisVticaiioanolectivode 1910-1911 porMauuelReisdeSanchesFerreira
A
Moeda, que entreospovoscultosrepresentaum
dos meios demaior alcance para desinvolvereperpetuarassuas recíprocas relaçõessociais,constituindoatravésdas idades, pelas suas par- ticularidades intrinsecas,um
testemunho vivo e perdurável do grau dacivilizaçãode determinadas nacionalidades, decerto que intimasafinidades terácom
astradiçõespopularesde cada época, que se exteriorizamem
contos, canções, adágios, enfim,em
todo esse conjunto de variadas expressões linguísticas que o povo frequentemente usa quandoseentrega a comentáriose a críticas,bem
caraterísticaspelagraça quedistilam, pela agu- deza subtil, ainda querude na forma, que delastransparece, pelaprofundeza do conceitomascaradopor aparente superficia- lidadequedelas resalta.E,semoedas houve que por qualquer motivosevincularam noespiritodopovo
com
maisinsistência,então,necessariamente, seriam aquelas com que elemais de pertolidava,em
vistada maior circulação resultante da sua pequena valia monetária;nestecaso, estão,naturalmente, indicadasasmoedasde bronze ede cobre, ou doutro metal desomenosimportância, escolhido para base dostrocos.
Ora, foiisto quesucedeu
em
Portugal na primeirametade do século XIX comopataco, moeda de bronze, que acima de todasteve ocondão de atrairas atenções do vulgo, e de talmodo
setornar popularíssima, quenem
somente comodinheiro seconsiderou, porqueoseu emprego chegou até aos jogos de44 BOLlíTIMDAS BIBLIOTECAS
recreio(1), e a servir de projéctil era recitas do teatro de S. Carlos, aopretenderem os espectadores mostrar oseudes- agrado a entidadespolíticas (2)ouartísticas (3)
!
Seriaassaz curiosoeimportantetratar,pormenorizadamente,
num
estudoespecial, davoga queeleteveno nosso país, isto é, organizar comoque o^^nfolk-lore, permita-se-meotermo, poisqueopatacofoicantadoeexalçadoem
coplas, quadras(4) e fados, emotejado pelos nossoshumoristas nos setentaanos da sua agitada vida, de fiel companheiro do povo, que nele, muitasvezes, recebeuapaga das suas extenuantes eímprobas tarefas diárias.Depois, ainda a este estudo se poderiam acrescentar para íicar perfeito, algumas palavras acerca do seu predomínio no
mesmo
sentidoem
outrospaíses,porquenãofoiunicamente aqui que êle se evidenciou, mas também,com
vários valores,em
grande parte da Europa, comobein oatesta a existênciaem
certaslínguas românicas do velho dictado
—
isto não valeum
pataco(õ)...
Porém, não é aesteestudo que nosvamos dedicar, por- quanto opresente opúsculo tem, simplesmente, como intuito, passar pormero emodesto aditamento ágrandeobra de Tei- xeiraAragãona partereferente á citadamoeda,
em
consequência deste autorser,neste ponto,um
tanto ou quantodeficiente.(1)Nestapartemuitoemvoga,lembrando-nos, poracaso,quenaBeira- Baixa se emprega numadiversão chamadaofito, espécie de jogo de malha.Também,no Norte, outro jogoha, chamado,gira-pataco. (Nota do sr.dr.Leite de Vasconcelos).
(2)História de Portvgal de Pinheiro Chagas,vol.9,pag.526.
(3) Facto conhecido por tradiçãoequemais deumavez sucedeu.
(4)Paraexemplo, citamos a seguinte quadra,quenosfoidadapelo sr.dr.Leitede Vasconcelos:
Tenhovintee trêsamores, Comtigosão vinteequatro
:
Em
chegandoaos vinteecinco, Vendo-ostodosp'rumpataco.(5) Cela ne vaut pas un patard,se dizemFranca amiudadameute, como naItálianonvalereunapatacca.
Í5AUQtíIVOSNACIONAIS 45
O «Pataco'
—
Resenhahistóricadas suas origens nocampodaNumismáticaedaFilologia—
Seudesinvolvimento posteriorSobre a verdadeira proveniência do vocábulo Pataco, pou- quíssimosepodedizer,
em
virtudedasobscuridadeseincertezas dos seusprincípios,segando referemLittré(1)e outros autores acreditados (2), apesar de algunspretenderem que a palavra venhado árabe, baseando-se nonome
que nesta língua tinham ascolunarias(3),e, ainda outros, como Duchat, querer ver o respectivo étimo no termo latino Peter (4), por o pataco de Flandres ternuma
dasfaces aimagem
deS,Pedro, e o de Avinháoaschaves domesmo em
forma de colar.Embora
isto não passe decoiijeturas áluz do critério das ciências histórico-íilológicas, é notório que já no baixo latim senosdeparamostermos—
Pataquus, PatarusePatardus[b), aquecorresponde,
em
valão, Patâr, Pataúr,em
francês,Pa- tard(6),e,em
provençal, Patac, designando porestenome
na região da língua à'oc, desdeoséculoXiv,uma moeda
equiva- lente a dois dinheiros,sendo, pois,em
conclusão, avelhaAqui- tania, ao que parece, ologar donde procedeuesta divisãope- cuniária.Prou, competentena matéria, assevera queacunhagemdestes seprolongoupeloséculo xv(7).
Seguidamente, naregénoia do duque deBorgonha, Filipe oBom, deu-seoapelido dePatarda
uma
moeda de pratala- vradaem
Flandres, Brabante, Liège, Norte daFrançaePaíses- Baixosem
que correu pordoisgros (8)flamengos(V)).(1)Vide, Dic.dalig.francesa daqueleautor.
(2)Vide, entreoutros, GonçalvesViana, Apostilas^ vol. IIe Dic.
francês de Darmestetter.
(3)Vide, Gravideenciclop.française.
(4) Vide, Dic. franc. de Larousse.
(5) VideDuCange,Glossário.
(6)Videasobrasacimamencionadas.
(7)Videasmesmasobras.
(8)Moeda divisionária, chamada na Alemanhagroschen, subdivisão dothaler.
(9) VideGrandeEnciclop. française.
46 bolktímdás bibliotecas
Também,
nasmesmas
regiões sefabricaram duplos patacos—
patagons—
,valendooescudo francês de60soldos,domesmo
pesoemetal queosprimeiros,masdebordosirregulares, fra- cionadospor sua vezem
meios e quartos de patacào.Com
o tempoeste dinheirodesvalorizou-se, de maneira que noséculo xviiinãopassavaaíduma
pobremoeda
deconta.Motivadopor circurnstâncias económicas
bem
como linguis- ticasegeográticas, vamoslogo encontrar, ou ulteriormente,em
outrasnações, tal expressãoligadaa certaspeças monetárias, e é destemodo
que naItália, Pataccn^ Patacco ePataccone compreendeuuma
moeda de prata genovêsa de 5,05 francos, muiusadanaedademoderna (1).Era Espanha, temosPatacaouPatacoePatacon quesão, por exemplo, com JoanaaLoucae Carlosi, as Colunarias(2),
com
Filipe iv, osEeaes deoito e quatroe, mais longe (1686), as3[arias(o),unseoutroscunhadosem
diversossítiosdoreino, conformeousoestabelecido, tendo por fundamentoa prata.Desde o início divulgaram-se estas moedas espanholas
em
Portugal, onde foram causa da publicação de diversas cartas régias, ora contrárias, ora favoráveis á sua expansão, atentas razõesdeordemeconómicae financeií-a,ou.antes, propriamente cambiais.Consoante o uso costumado, serviram deauxiliar, pelare- fun diçãodo seumetal, na cunhagemde numerárionacional.
Aqui, á semelhançado que aconteceu
com
outras moedas cujosnomes entraramno nosso idioma,acompanhando-asou não, surgiuprimeiramenteoPatacão, velha moedade cobre dedez réis,coeva deD.Joãoiii, eoutradetrêsréis,deD.Sebastião, domesmo modo
conhecida, para, após dois séculos e tanto,em
1811, mediante préviosensaios, odecretode 29de outubro de egual ano, autorizar, «considerando a precária situação da Fazenda Publica», o lavramentoduma
moeda de bronze que veiua ser ofamosoPataco do qualsecunhoulogonoprincípio, quantia superioraseiscontosderéis(4).Acidentada foia suavida, e sedefensores acérrimos teve
(1) VideDizionariodelialinguaitaliana^ediçãodeTurim.
(2)Nomevulgar porqueeramconhecidas aspiastras,pelosdesec dumadasfaces.
(3)Pornumdos ladostergravadaaimagem da Virgem.
(4)Video2.°vol.da Descrição geral das moedas^etc.,deAragão.
EARQUIVOS NACIONAIS 47
noscírculos oficiaes, comoAntónio das Neves, da
mesma
sorte conheceu adversários implacáveis,como Mousinhod'AIbuquerque, oqual,no seu cirgo de provedorda Casa da Moeda, insisten- temente pedia a atenção doGoverno paraocômputo exagerado das emissõesrespectivas, que não traduziam ura benefícionem
paraopúblico,nem
paraotesouro, tantomaisque facilmente êlespodiamser falsiticados, o que defactopor vezes ocorreu, a ponto de na própria sobreditaCasaserimpossível destrinçar osverdadeiros dosfalsos.Nào
obstante amá
vontade nascente contraestaespécie pe- cuniária, ininterruptae desordenadamente se prosegiiiunacu-nhagem
de centenas de patacos, sem ao menososfazer mais perfeitos,mais graciosos emaisleves, modificando-seapenas os cunhos, quandoaum
imperante sucedia outro notrono.Mas, consistiam asvariedades simplesmente
em
diferenças decunhos?Não; porque, saindoometalque ministravaamatériaprima directamente da refundição de velhos e diversissimos objectos de armaria,tais comocanhões, peçassoltas e inúteis de espin- gardas,e doutrosutensílios de bronze, divergindoamuitosres- peitos a liga deemissãopara emissão, e
mesmo em
cadauma
delas, imaginar-sehaquantos espécimes discordantes erapeso, modelo e cunho apareceriam, depois de gastos e deformados pelo uso quotidiano, ao publicar-se a lei de 24 de Abril de 1835que proibiu o lançamento no mercado de novas moedas de quarentaréis(1).
Contudoêles ficaramcorrendoaté que, mercê dos aconte- cimentos políticos da época, era1847 aJunta Revolucionária do Porto lançouraao daquele recurso pecuniário como medida de momento, fazendo fabricar nas oficinas de João Batista Moreira,instaladas noextintoconvento de Monchique (2), réis 8:849^790 detal dinheiro(3).
Sufocada arebelião,esses patacos, que pêlo decreto de IG de Maio de 1847 (4) tinham sido considerados ilegais, foram reconhecidoscomo bons, casopossuíssem
numa
das faces oca- rimbo do Governo Civil do Porto, ao qual para esse efeito(1) VideDescriçãogeral, etc,de Aragão.
(2) VideEnciclop.portuguesa.
(3)Videomesmo.
(4) Vide, a obra citada deAragãoeoDic. enciclop.português.
E ARQUIVOS NACIONAIS 77
Comecei por apagar <fOStraços das
más
administraçõesan- teriores» e, interpretando o intuito pedagógico e a orientação laicadodecreto, modifiqueioaspecto conventual daBiblioteca.Nos seus escuros corredores, naúnicasala que poderia servir paraas crianças,acumulavam-seretratosdefrades,
em
adoração anteimagensreligiosas eoutros emblemas do culto,mantendo no públicoa falsanoção de que tinhamsido osconventosofoco da cultura mental.Ao
grande grupode fradespresidiaa estátuadeuma
rainha, erradamenteconsideradacomofundadora daBiblioteca,fixando ainda, sob a República, a lenda de que a monarquiaque, se- gundo otexto expresso dodecreto, embrutecera o povo, hou- veraalgum diafomentadoa instrução.Portodaa parte destruíraoGovernoProvisório aobra de adulação monárquica, de entenebrecimento monástico, de orgulho das castas aristocráticas.
Fora banida a família real,abolidaa Companhia de Jesus, expulso oparasitismo fradesco;mudadoo
nome
aosliceus, aos hospitais, aos dispensárioseástermas. Suprimiram- decretos a coroa dos botões dasfardas, substituíramopunção da coroa;
aboliram ojuramento, o ensino da religião, aEra deCristo e aCapelada Universidade.
A
Bibliotecaeradef;itouma
capela, aquenem
faltavauma
confraria,aIrmandadedoSenhorJesusdo Penedo,e
um
quási sacerdote,um
1.° conservador que escreveu a apologia da Missa.Entrereposteirosnegros,bancos negros decoro, a irtamo-
bíliadas igrejas, imagensreligiosas, azulejos
com
scenas cul- tuais, ainda possuía obusto do i-ei expulso, de seupai edos seus parentes, o retratodo papa, tudo quanto serviradesce- nárioás lisonjas dos frequentesbeijamão quealideraD. Ma- nuel.Paraque enfim aqui entrasseoar ealuz,mandeitirar os reposteiros negros eassanefasnegras. Para que as crianças pudessem concorrerá leitura,semque continuasseapesarsobre anovageração o olharsombrio dofrade, aface torturadadas imagens, e a falsa grandeza dos reis, transferipara o
Museu
78 BOLETIM DAS BIBLIOTECAS
de Belas Artes, desde28 demarço, oque consta da seguinte relação
:
Estátuas, Bustos,MedalhSese Quadros
:
Imagensreligiosas 18
Beatos í)
Papas 3
Imperadores 2
Reis 16
Príncipes 5
Rainhas 5
Princezas 1
Infantas 1
Cardeais 4
Patriarcas 2
Frades, Freiras, PadreseJesuítas 162
Total 225
Eram
asimagensreligiosas:
Virgens, NossaSenhora, Jesus e Maria, Nossa Senhorao MeninoeS.JoãoBatista,Cristo, S. Egísio, S.Jacob,S.Tiago Maior, S. Sebastião, S.
Hugo
da Cartuxa, S. Agato, S. An- telrao, S.Gelásio, S.Simão, S.Matias.Mandei-os trasladar com o cuidado com que se praticam necessáriosactosadministrativos, depoisdepreenchidas todasas formalidades burocráticas, despachos ministeriais, autorizações dos Inspectores, etc.; entreguei-os
em
troca de reciboe, diri- gindo pessoalmente otrabalho de remoção, conseguievitar os desacatos, previstos ante o estado do espíritopúblico, que se derampor diversasvezes, principalmentena igreja dasFran- cesinhas, noleilãodas suas imagens.Em
vez dos reis,dosjesuítas edosfrades, expus osbustos e retratos de escritores, alguns dos quais se encontravam ocultos: Camões,Herculano, Garrett, Castilho, Camilo Castelo Branco,Eçade Queiroz, Ant()nioEnes,MendesLeal, Joãode Deus, Latino Coelho, ConsiglieriPedroso, Miguel Bombarda, Heliodoro Salgado,etc.; os brasileirosGonçalves DiaseVar- nhagem, e reuni-lhes, no «intuitopedagógico» de educar pelo exemplo, as figuras e as scenasculminantes das revoluçõesna- cionais: Nun'(alvares Pereira,João PintoRibeiro, Marquêsde Pombal,Gomes
FreiredeAndrade,Manuel FernandesThomás,EARQUIVOS NACIONAIS 79
a expulsão dos jesuítas, a revolução de 1820, o combate da Rotunda, o assalto ao cruzador D.Carlos, e osbustos e as alegorias da República.
Como
porem houvesse determinadouma
violentacampanha de imprensaatransferênciade estátuasequadros, sou forçado a exporocaracterclericalemonárquicocom
que era ostentada a grandecolecção dejesuítas, de fradesedereis.Nenhum
dos quadrostransferidostinha valor, e sócora di- ficuldade osrecebeuaAcademiade BelasArtesaquelegitima- mentedeve pertencer a riquezaartística.A
rainha, que primitivamente se encontrava no vestíbulo, foratransportadaem
Í910 para a Sala daRainha, não para comemorarafundação da Biblioteca, maspara receber, como avósinha(era aexpressão piegas do cortezanismo bibliotecário) oreique ali foi darbeijamão.Nunca
a célebregaleria dos reise dos fradesfoidesignada comocolecçãoartísticaem nenhum
dosrelatóriosda antiga di- recção;amontoadodereproduçõesem
gesso,deestampascolo- 1'idase detelassemvalortinha o caracter que se deduz dos seguintesextractosderelatóriosoficiais:
a
No
logardehonrapresidia cromolitografado,e circundado pormoldura doiradacom
oescudo dasarmasreais asobrepujar a moldura,um
retratodo nossoAugustoSoberano (D. Manuel).Ladeavam
essequadro dois retratos de belíssima calcogravura:
ádireita oretratodaRainha D.MariaI;á esquerdao retrato do Principe Regente
D.
João... da PrincezaD.
Maria Be- nedita, ailustre Princeza...O
retrato de El-Rei D. JoãoIV
eoda rainha
Dona
Luíza deGusmão, fundadores êlee elada DynastiaBrigantina... retratosdetrêsprelados...» (1).«...retratos de monges e padres, doutores, abades, pre- lados, príncipes e monarchas,
—
painéis que todos (ou quási todos) procederam dos supprimidos cenóbios.Na mesma
«Ga-leria))pude igualmenteacohortedosvisitantessaudaros bustos, que ali se deparam sobre apropriados plintos, do Imperador
(1)BoletimdasBibliotecaseArquivos Nacionais, de1910,pag.71.
80 BOLETIMDAS BIBLIOTECAS
D. Pedro(D.Pedro
IV
de Portugal) eda sua augustafilha a Rainha D. Maria II, osbustos do saudoso ReiD. PedroV
e daangelicalRainha D. Estefânia, obustode El-ReiI).Luize obusto de El-Rei D. Carlos» (1).«No grupodosvisitantesfiguravam pessoas de todas ascon- dições sociais:
—
bibliognostas, bibliópbilos, bibliógrafos, nu- raismatas...E
no meio detudo, apenasuma
nota discordante veiutristementemanifestar-se:appareceu-noaum
oficialdo exér- citoquetenazmenteserecusou a inscrever seunome
noÁlbum
e a tirarda cabeça o boné militar no recinto da Exposição.
Peranteesteúltimoactode grosseiradescortezia, foirealmente
bom
queseunome
não quisesse deixar escritopara que assim ficassedesconhecidoquem
ferozmentecaprichaem
postergaras leisdacivilidadeibquemtalveznocampo dapolíticaprofesse prin- cípiossubve7'sivos^) (2).€...a BibliotecaNacionalrecebeu a gratíssima surpresa de
uma
honrasobremaneiranobilitante. SuaAlteza Real o SenhorDom
LuizeSuaAltezaoSerenissimoSenhorInfanteDom
Ma- nuelresolveramvirfecharcomchaved'oiroacommemoraçãodo quinquagenário garretiano.«V.
Ex/, em
cuja companhiame
foiconcedida a mercê de lhes beijaras mãos,pôde notarjubiloso,comojubiloso eu notei, o benévolo agrado que os augustos Principes se dignaramem
suavisitadispensar-nos... ahonra de acompanhar os egrégios visitantes,que,á despedida, inscreveram seusnomes noLivro pormim
expressamente destinado paratalfim.«Suas Altezasdignaram-se por ultimocoroar tantabenevo- lência,acceitandoaofferta de alguns opúsculos...» (3).
«Em
19 de janeiro de 1910 eásohoras da tarde (como estava annunciado)entrou Sua Magestade El-Rei noedificio, e nachamada«SaladaRainha» (ondeseacha collocada amajes- tosaestátua daSenhoraDona
Maria I...), recebeu o SenhorDom
]\IanuelIIcumprimenfos de todosos assistentesque já no átrio daBibliotecahaviamtidoahonradelhe beijaramão.«Depois de
uma
breve mas sobremodo conceituosa allo- cução,..
«No
decurso da suatravessia... dignou-se El-Rei oSenhor(1)Idem, de 1908, pag.50.
(2)Idem, de 1910, pag.84.
(3)Idem,de 1905, pag.5.
EARQUIVOS NACIONAIS 81
Dom
Manuel distinguir-me escolhendo-me para o acompanhar como «cicerone»; e,nodesempenhomeu
detalmissão,viehon- rou sobremaneira escutando-me compenhorante benevolênciaas minhasinformações.Ao
terminaravisita, Sua MagestadeEl-Rei quenasfeições faz lembrar a gravidade austera do saudoso MonarchaDom
Pe- dro V,—
gravidade austera temperada suavemente pela phi- sionómica doçura queonosso actualSoberano herdou de sua AugustaMãe
a SenhoraDona
Maria Amélia,—
Sua Mages- tade El-Rei pelo seu trato cojjtivantissimo todos deixou in- cantados.«E, aodespedir-se,fez-me a penhorativa mercê de
me
dizer palavras amáveis, felicitando-me elogiosamente pela disposiçãoem
que tinhaencontradoasespécies expostas,aBeiJando-lheamão, por esserequinte debenevolência, pe- di-lheentãolicençaparalheapresentardoiscollaboradoresmeus natarefadeorganizaçãoa queEl-Rei sedignavaaludir...
«Tiveramportantoahonradealinovamentebeijara
mão
de Sua Majestade aqueles meus dois companheiros, que já nos cumprimentosiniciais, á intrada d'El-Rei, haviam logrado esse régiofavorequenoAutoda inauguração tinham assignado seus nomes» (1).«O
Sr, Conde de Sabugosa conseguiu entretecerartistica- menteuma
perfumada grinalda de boas-letrasem
tornodos incantadoresdesenhoscom que aExcelso.Rainhavinculouinde- levelmente o seuNome
ao singularmonumento
de Cintra,—
e detalforma ovinculou, que,em
vez do «Ceei tueracela»pro- clamadopor VictorHugo
apropósitodeNotreDame
deParis, poderemose deveremos, aproposito do Paço de Cintra, afoita- mente exclamar: «Ceei égale cela!»A um
monumento corres- ponde—
porigual—
outromonumento.Sua MajestadeaRainha— em
que todoopovoportuguêsestáacostumadoa reconhecer e avenerargentilissimasprendasdeespiritoedulcíssimos dotes de coração... caridosa intenção deSuaMajestade, quesempre bondosa ephylantrópica resolveu beneficiarcom
o respectivo producto asuaamorável instituição da «Assistência Nacional»aosTuberculosos» (2).
«Entreosmodernos de procedência portuguesa, figurava a
(1)Idem,de 1910, pagg. 56e 79.
(2)/rfem,de 1903, pagg. 214e 215.
82 BOLETIM DAS BIBLIOTECAS
opulenta encadernação de chagrinvermelho, com que mandei resguardar
um
brindegentilissimo danossa augusta Soberana, a Senhora D, Maria Amélia de Orleans,— um
exemplar do PaçodeCintra, daquellaincantadora publicação queSua Ma- jestade illustroucom
desenhos seus,— um
exemplar que a Excelsa Rainha se dignou amavelmente oferecer á Biblioteca Nacional de Lisboa,acompanhadoporcartadoSeuVeador(l).«
O
monstruoso e abominávelatentado,com
que, no1 .°dia do passadofevereiro, a estúpida malvadez de cannibalescossi- cáriosenlutouasdoiradas páginas da nossa história vitimando cobardeetraiçoeiramente doismembros da família Real portu- guesa, impÕe-me odever de iniciar estemeu
relatório arqui- vando nele otestemunho da consternação que avassalatodos os funcionários daBibliotecaNacionalde Lisboa(2).«Este sentimento manifesta-se tantomaissincero,quanto é certoque deixou aqui
um
rastoluminoso de simiKitiaede res- peitoavisitamemorávelcomqueem
16 de janeiro de 1905hon- rarama BibliotecaNacional, por ocasião de nella encerrar-se a«Exposição Garretiana», Sua Alteza Real o PríncipeDom
Luís Philipe (presuntivo herdeiro da coroa) e Sua Alteza o Sereníssimo Infante
Dom
Manuel(que hoje preside aosdestinos daNaçãoportuguesa).«Aquele amorávelpríncipe.,. oxalá venha a obter nahis- tóriaocognomede «Venturoso», ásemelhançado seu afortunado homónimoquinhentista» (.3).
(1) Idem,de 1908, pag.45.
(2)
Um
desses funcionáriosescreveuno Portugal de 8 de fevereiro de 1908um
rancoroso artigo, nesseestilo contraopartido republicano, por causa doregicídio.Esseartigofoireproduzido depoisemseparata {Por- tugal14 defevereiro) edistribuído pelosquartéis.Quando,emresposta á Academia Eealdas Sciências recordeiesse artigo,para acentuaro intuito pohticodagaleriadereis cdefrades,oseu autormandouretirar,em29 denovembrode1911,obustodeumescritor,seuparente,queseencon- trava no vestíbulo comGarrett, Herculano,JoãodeDeus, eoutros,em substituição defrades,dejesuítas edereis. JásobaRepública esse fun- cionárioescreveu: «OrdenamentoesímbolodaMissaRezada segundoo ritodaIgrejacatólicaRomana»comlicençado Patriarca,comoquemdiz:«ComlicençadamesacensóriadoDesembargodo Paço».
Em
preâmbulo faza solene «declaração»deque antes de apresentaro livroao «Ordinário Local» emobediência aos princípiosdodireitocanónico vigente (Consti- tutionesoíiciorum acnumerum do SantíssimoPadreLeãoXIII), foisub- mettido aoexamedeSuaExcelênciaReverendíssimaoSenhorArcebispo deÉvora...emtudo seu mestre...»(3) Boletim dasBibliotecas eArquivos NacionaiSj de 1908, pagg.7 e8.
EARQUIVOS NACIONAIS 83
Era patenteo intuito politicoda exposição de frades ereis, cuja transferência originou a campanha de imprensa baseada na lenda de que a rainhaD. MariaIfundaraa BibHoteca.
O
Alvarápelo qual foiestabelecidaa «RealBibliotecaPú- blica da Corte» de 9 de fevereiro de 1796 é assignadopelo Príncipe (D. JoãoVI)que assumira o poderem
10 de março de 1792, porque arainha enlouquecera, emboratodososactos oficiaiscontinuassem aserpromulgadosem nome
deD. MariaI.Não
estavamreunidosos fradescomo documentosartísticos ouem
comemoraçãoda sua obra deescritores.Do
valor intelectual dos frades diz largamente Alexandre Herculano;da obrasocialdos fradesfalaonossotriste atraso.Não
selimitaramporém os fradesaembrutecer opovo;inuti- lizarambarbaramenteosmonumentos dasuahistoria, querdes- truindo livros,quer deteriorandoedifícios(1).A
orientaçãoem
queeramostentadosos frades depreende-se dos relatóriosdo antigo director:«Eu
própriotivejá occasião deme
referiraoinlevo desses tempospretéritos,em
versos queme
coube ahonra derecitar aos 6 de agosto de1899num
<ídgajye festivo» para quefuicon- vidadopelosPadresdo Corpo Santo eem
quetambém
tomou parte, comoutroscavalheirosdistinctissimos, o Sr.D. Eduardo DuarteSilva(Bispo de Goyazj. Os versos, embora senão re-comendem
porvalia literária, apraz-me intercalai-os aqui por significaremuma
nota histórica,rigorosamente fotográfica.Da
minhaadolescência os tenrosannos Nestacasa passeiDoutrinadoporbonsDominicanos
Da
irlandesagrei.(2) «...aos fradese clérigos,comogente cujoDeuséa barrigaeoa vícios,sedeveemgrandeparteadestruição dosmonumentosantigosque havia pelaigrejas».Colecção deepitáfios,etc, por Moreira. Manuscritoda BibliotecadaAcademiaReal dasSciêucias,6.°vol.,pag.73.
84 BOLETIM DAS BIBLIOTECAS
E
aleituradaBíblia.... intercorrente Co'aDoutrinaChristan:Voavam-nosassimrapidamente Ashorasda manha.
Porfinaldeexercícios....á tardinha (Singulardevoção!)
EntravamosnocorodaErmidinha
A
fazeroração:
E
entoávamosemfrente do sacrárioEm
frente do altar-mor,A
ladainha áVirgemdo RosárioA
MãedoRedemptor.E
ao Eeitor velho, aobomDr. Patrício Queospassosmeguiou, Beijo-lheasmãospor tanto benefícioComquemeacarinhou••
(1).
Embora
oocultasse a campanhade imprensa, na sua Ga- leriadeescritorespossue ainda a Bibliotecagravurasequadros a óleorepresentando os seguintes escritores queforam padres, fradesoujesuítas:AntónioVieira.
ManuelBernardes.
José Agostinho deMacedo.
Rafael Bluteau.
BernardodeBrito.
Manueldo Cenáculo.
Thomé
de Jesus.Franciscode S.Agostinho deMacedo.
FerreiraGordo.
Bartolomeudos Martyres.
TheodorodeAlmeida.
Bartolomeudo Quental.
ManuelCaetano de Sousa.
José Barbosa.
BarbosaMachado, etc.
(1)BoletimdasBibliotecas eArquivos Nacionais, de 1906^ pagg. 240
158 BOLETIMDAS BIBLIOTECAS
rada dos combates,eao firmecompanheiro daluta pelaRevo- lução, mais que ao superior hierárquico, confesso, terminando que, comquando profundamentemagoadopor pérfidosataques, vibro no
mesmo
entusiasmo peiasmedidas que tãoexplendido êxito obtiveram, econfioem
que as Bibliotecas hão de formar a geraçãoconsciente, capaz delevar ásextremasconsequências adoutrinadaverdadeira democracia.Lisboa,22 demarçode 1912.
Saúde eFraternidade.
ODirectordaBibliotecaNacionai., FaustinodaFonseca
I
I
Biblioteca 'Nacional de Lisboa.Exposição bibliográfica no bi-cente-
«áriodóPadreAntónio Vieiraem1897. Lisboa,ImprensaNacional, 1897.
A
Exposição PetrarquianadaBibliotecaísaeional do Lisboa. Catálogo flumário peloDirectorda mesma BibliotecaXavier da (unha.Lisboa, ImprensaNacional, 1905.Curso de Bibliotecário-Arqnivista.Sumário daslições deBibliologia, compiladaspor JoséA.Moniz, professorinterinoda respectiva cadeirana BibliotecaNacional de Lisboa,2."ediçào.(oíinlna.Imprensa daUniver- sidade,1900..
Numismática Nacional. Lição inaugural do curso deNumismática da BibliotecaNacional deLisboanoanolectivode 1888-1889, porJ.Leite deVasconcelos, professor proprietáriodarespectiva cadeira. Lisboa, Ti- pografiadoJorual«ODia», 10 e12.RuaAnchieta, 1888.
Elencodaslições de Numismática dadas na BibliotecaNaciorial de LisboaporJ.Leitede Vasconcelos,1.»partedo curso(1888-1889). Lisboa, Typographiado Jornal«ODia», 1889.
Elencodas liçõesde Numismática dadas na Biblioteca Nacional de LisboaporJ.Leite deVasconcelosdoIIcursodo ano lectivo de 1889- 1890 até aoVIcursodoannolectivo de 1893-1894. Lisboa,Tipografia doJornal«ODia-.,1894.
EelatóriosdosserviçosdaBiblioteca Nacional de Lisboa,porXavier da Cunha.Coimbra,Imprensa daUniversidade,1903a1909.
Boletim dasBibliotecase ArquivosNacionais, pubiicaçào oficialtri- mensal. Publicados10anos.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1902 a 1911.
Uma
tradução inéditaemlatimdo soneto«Alma minhagentil ...»Publi- cadaeprefaciadaporXavier da Cunha.Coimbra, ImprensadaUniversi- dade, 1904.Uma
carta inédita deCamões.Apógrapho existentena BibliotecaNa- cionalde Lisboa, agoracomentado epublicado pelo Directordamesma BibliotecaXavier da Cunha.Coimbra,Imprensada Universidade, 1904.A
BibliotecaNacional de LisboanaExposição Oceanografica.Catá- logosumário porXavier daCunha.Coimbra, Imprensa daUniversidade, 1904.A
Biblioteca Nacional deLisboa no Congiesso internacional deLiège sobrereprodução de manuscritos,medalhase selos. Relatório pelo Di- rectorXavier da Cunha.Coimbra,Imprensa daUniversidade,1905.A
LegislaçãotributáriaembenefíciodaBUiliotera^':u•iunalde Lisboa, porXavierdaCunha.Coimbra,Imprensa darniversidadc,1903.A
medalhade Casimiro José deLima em homenagema Sous;iMartins, descriçãonumismáticaporXavierdat_'unha.(oímbra, Imprensada Uni- versidade,1903.Espécíeb bibliográficas e espéciesbiblíacas. Considerações eòBre no"
menclatura porXavierdaCunha. Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1903..
Concursos públicospara provimento de logares vagosdeSegundos Con- servadores dos quadros doRealArquivo daTorre doTombo edaBiblio- teca Nacional de Lisboa, Legislaçãorespectiva.Parecer de José Joaquimi deAscensãoValdez.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1903.
Relatóriodos serviços desempenliadosemCoimbraeBragaemJunho- de 1903 por JoséJoaquimdeAscensãoValdez.Coimbra,Imprensa daUni- versidade, 1904.
Grabinete Numism-áticodaBiblioteca Nacional deLisboa (Notase do- cumentos) pelodr.José Leitede Vasconcelos.
—
•I. Moedasde ourod»épocagermânica.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1902.
Arquivo da TorredoTombo;
índice geral dosdocumentosconteúdosnocorpo-ehronológico existente noRealArquivo da TorredoTombo.Mandadopublicar pelas cortesna
leidoorçamento de7deabrilde1838.Tomo1."e único. Lisboa,Tipo- grafiadeSilva,18á3.
índice geraldosdocumentosregistadosnoslivrosdas chancelariasexis- tentesno RealArquivo daTorre doTombo, mandadofazer pelas cortes naleido orçamento de7deabrilde 1838.Tomo1.°eúnico.Lisboa, 1841^
naTipografiade G.M.Martir>s.
Extracto doReaí Arquivo daTorre doTombooferecidoàAugustíssima RainhaeSenhoraD.MariaI,porJoséPedrodeMirandaRebelo,ama- nuensedomesmoArquivo-.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1904.
Inventário doslivrosdas portariasdoReino.Vol.l.1639 a1653.Lisboa^
ImprensaNacional, 1909.
Inventariodoslivrosdematriculadosmoradoresda CasaReal. Vol.I.
1641a1681.Lisboa,ImprensaNacional, 1911.
BibliotecaPública deÉvora:
Catálogo dos manuscritosdaBibliotecaPública Eborense, porJ.H.da CunhaRivara.Tomo1.°,Ultramar. Lisboa, Imp. Nacional, 1850,Tomo2.<*
Literatura,ImprensaNacional,1868.
—
Tomo3.°História.ImprensaNa-cional,1870.
Catálogo doMuseuArcheológicodacidadede Évora,anexode sua Bi- blioteca,compostoporAntónio Francisco Barata. Lisboa,ImprensaNa- cional,1903.
OsreservadosdaBibliotecaPúblicade Évora, pelodirectoi* Antónia Joaquim Lopes daSilva Júnior.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1907.
Venda
avivlso,no edifícioda Biblioteca Nacional de Lisboa.Cada exemplar donúmerodo Boletimj in-8,*^
— 200
réis.I
?á.
z
833 b68 ano 9-
10
Boletipi