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(1)
(2)

Número1

íO.'Ano Janeiro a Março

1911

BOLETIM

iiliS

li

AliS liillS

PUBLICAÇÃOOFICIAL TRIMENSAL

^^^"M

"-4^;

HÉ^~%i^m

>^^

COIMBRA

Imprensa daUniversidade

1911

(3)

BIBLIOTECAS E ARQUIVOS NACIONAIS Publicaçõesofficiais

INVEMÁlllOS DA UIBLIOTECA NACIONAL DE LISBOA

ísecçàoI

HistóriaeGeogia6a.

Série1.»(numeraçãopreta)

1.*parte.Lisboa, 1889.

2.»parte.Lisboa, 1889.

Série2.*(niinieraçâovermelha)

Lisboa, 1895.

Série3.'(numeraçãoazul)

Lisboa,1897.

SecçãoIII

SciênciaseArtes. Série1.»(numeraçãopreta)

Coimbra, 1907.

SecçàoIV

SciênciaBcivis e polítican.

Série1'(numeraçãopreta)

Lisboa, 1897.

Secçào

X —

FilologiaeBelas-Letras.

Série1.»(numeraçãopreta)

Lisboa, 1890.

Série2.^(numeraçãovermelha)

Lisboa, 1893.

Série3.'(numeraçãoazul)

Lisboa, 1894.

Secçào XIII

Manuscritos por JoséAntónioMoniz. Lisboa, 1896,

Colecção Pombalina, por JoséAntónio Moniz. Lisboa, Í895, completo.

Inventário doArquivodeMarinhaeUltramar, pelodr.Eduardode Cas- tro eAlmeida.

IlhasdaMadeiraePorto Santo, I-II

Coimbra,Imprensa daUniversi- dade, 1907-1909.

Relatórioacercada Biblioteca Nacional de Lisboaemaisestabeleci- mentosanexos, dirigidoaoEx.™°Sr.MinistroeSecretáriodeEstadodos Negóciosdo Reino, no1.»de Janeirode1844 por José Feliciano de Cas- tilhoBanetoeNoronha. TomoI-Ofício

Tomos II,III eIV

Apensos aoofício.Lisboa,Tipografia Lusitana, 1844.

BibliotecaNacional de Lisboa. Exposição Antoniana, 1895. Lisboa, 1895.

(4)

BOLETIM

lUOTECIS

E

ARQUIVOS NACIONAIS

(5)
(6)

BOLETIM

PUBLICAÇÃO OFICIAL

DÉCIMO ANO

1911

Compostoeimjjresso NA IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COÍMBRA

1911

(7)
(8)

Número

i—

10.°Ano Janeiro a Março

19H

DAS

iiiiiLioínas iii^^'i\'ox ummi

PropriedadeeediçãodaSeciclaria Geral das Bibliotecas cArquivosNacionais. Lisboa DirectorGabrielPereira,Inspector das Bibliotecas eArquivosNa

ComposiçãoeImpressãonaImprensa daUniversidade.

LEI DE IMPRENSA CAPÍTULO

I

Exercício do direito de liberdade deimprensa

Artigo 1,"Regula-sepelasdisposições deste decretoo direito de expressão do pensamento pela imprensa, cujo exercício é livre,independente de caução, censura ou autorização prévia, entendendo-se por imprensa qualquerfornia de publicação grá- ficaeporimprensa periódicao\\periódicosquaisquer publicações que não tratem exclusivamente de assuntos scientíficos, literá- rios, artísticosou religiosos, cuja distribuição se faça

em

pe- ríodos determinados detempo ou

em

séries de exemplares ou fascículos,

§único,

O

que especialmente neste processosenão regular será resolvido pelas disposições gerais de direito e,

em

espe- cial,pelasapplicaveisdo decreto de 14 de outubro do corrente anno.

Ai't, 2.° Incorrerána penade demissãoe na de multa de 200f^000 a l:000f>000réis,ficando aindasujeitaa indemnização de perdas e damnos, se tiver logar, e que será liquidada

em

execução de sentençasenesta nãopuderserlogo determinada, aautoridade contra

quem

o delegado doprocurador daRepú- blica, ou qualquerinteressado, provar que submetteu a cen- sura, ordenou ou autorizou a apreensão, apreendeu, ou por qualquerformaembaraçoua livre circulação de quaisquer pu-

(9)

BOLETIMDAS BIBLIOTECAS

blicações,aindaqueparatantotivesseordemou autorização de superiorlegítimo.

§ único.

Do

preceituadoneste artigoexceptuam-se apenas, quanto á apreensão, que será ordenada e realizada pela au- toridadejudicial, administrativaepolicial,oscasosprevistosnos artigos õ.° e 11." e§único.

Art.3."

O

títulodequalquer publicaçãofazpartedesta,não podendo, sobpenadeperdas edamnos, fixada

em

acçãocom- mercial, adoptar-se

nenhum

que possa confundir-se

com

algum dos legalmente apropriados.

§ único.Prescrevepelolapso deseismesesacontardaúl- tima publicaçãoodireitoaotítulo dosperiódicos.

Art.4.°

A

imprensa periódicaterá ura editor, que deveser cidadão português no goso dos seus direitos civise políticos, livredeculpa,ehabilitado

com

oexamede instrucção primária dosegundograu ouocorrespondente pelalegislação anteriorá actualsobre ensino primário.

§único.Ninguémpoderásersimultaneamenteeditordemais de

um

periódico.

Art. 5."

Nenhum

periódico poderá publicar-sesem queno alto da primeira página e

em

todos osseusnúmeros insira o

nome

do directorou redactorprincipal (devendo adoptar-se só

uma

destas denominações), odo editor, o doproprietário e a indicação da sede da administração doperiódico e a doestabe- lecimento onde forimpresso, sob pena de prisão correccional detrês atrinta dias emulta correspondente, imposta ao pro- prietário,aoeditor eaodono do estabelecimento.

§único.

O

juiz,na sentença condemnatória, decretaráa sus- pensão doperiódico enquanto essasformalidades não se cum- prirem, eimporáàquellas entidadeseaodirectordoperiódico, solidariamente, amulta deõ^jiUOO réisporcadafalta, sempre- juízoda responsabilidadepelos abusos commettidos no número

ounúmerospublicados.

Art. 6.°Sob pena de

um

a trêsmeses de multa, agravada nocaso dereincidência eimposta aodono do estabelecimento ondeaimpressão se fizer, nenhuma publicação não periódica poderáser postaávenda, ou porqualquerformacircular, sem a indicação donome do dono daquelleestabelecimento e a do

nome

de

um

editor.

§único.Exceptuam-sedodisposto nesteartigo aslistas elei- toraes, biliíetes, convites, cartas circulares, avisos e papéis

(10)

EARQUIVOS NACIONAIS

Art. 7.° Incorreránapena doartigo242.° doCódigoPenal aquele que falsamenteíizerasindicações quesão exigidas nos artigos 5."e6/'

Art, 8.°

De

todasaspublicações periódicas seentregará ou remetterápeio correio, observando-seo disposto no artigo 1.°

do decreto de12 denovembro de 1898,

um

exemplarao de- legado do procurador da República na comarca ou juízo de investigação criminal onde elastiverem a sede da sua admi- nistração, sobpena de

muUa

de1?$Í000réis, que será imposta aoproprietário porcada transgressão,e,nafaltadele,ao dono do estabelecimentoque tiver feitoaimpressão,

§ único.

Além

dos exemplares exigidos neste artigo, será também,sobigualpena, enviado peia

mesma

forma

um

exem- plar acada

um

dos Ministérios doInterior e daJustiça e a cada

uma

das bibliotecas deLisboa, Porto eUniversidade de Coimbra.

Art. 9,°

Das

publicações nãoperiódicas, salvo as indicadas no § único doartigo 6.",seráigualmente enviado, soba

mesma

penaestabelecida no artigo anterior,

um

exemplar a cada

um

dos referidosMinistériosebibliotecas.

CAPÍTULO

II Dosabusosesua responsabilidade

Art. 10," Consideram-se abusos de liberdade deimprensa unicamente osciimesprevistosnos artigos137.", 109.°, 160.°, 181,°, 182.°, 407.°, 410.°, 411.° eparágrapho, 412,°, 414.° a 420 inclusive e 483,° do Código Penal, quando comettidos pelaimprensa, e

também

como taissãoconsideradosos escritos publicadospelaimprensa que contenham injúria, difamação ou ameaçacontraoPresidentedo GovernoProvisório oudaRepú- blicanoexercício das suas funcções oufora dele.

§único. Oscrimesprevistosnos artigos 159.°, 160.°, 181.°

e182.° docitado código consistemapenasnapublicação de es- crito

em

quehtijainjúria,difamação ouameaça contra as pes- soasindicadas.

Art. 11.°

E

proibido, sob pena de prisão eorrecional de trêsa trinta dias e multa correspondente, afixar ou expor nas paredes, ou

em

outros logares públicos, cartazes, anúncios, avisos e

em

geral quaisquer impressos que contenham alguma

(11)

40 BOLlíTIMDASlílMLIOTKCAS

decadaclasse, e omíinero dos produtos assim obtidosfornece o número de unidadespelo qual adespesatotal deveser divi- dida.

O

quocientedáoexcessoda unidadedadespesa.

Cadapaís declarará, nomomento dasua adesão,

em

qual das sobreditasclassespede parasercolocado.

A

AdministraçãoSiiíssaprepara oorçamento da repartição e fiscaliza asdespesas, faz os adeantamentos necessáriose es- tabelecea conta anual que será comunicadaa todas as outras Administrações.

Art.24.°

A

presente Convenção pode ser submetida a re- visões

com

ofim de nelaseintroduzirem melhoramentosde na- tureza a aperfeiçoarosistemada União.

As

questões dessa natureza, assim comoaquelas que inte- ressam, sob outros pontos devista, odesenvolvimentoda União, são tratadas nas Conferências que terãologar sucessivamente nos países da União, entre osdelegados dos ditos países.

A

Administração dopais

em

que devatersede

uma

Conferência prepara, com o concurso da Repartição Internacional, os tra- balhos dela.

O

diretor da repartição assisteás sessões das con- ferências e toma partenas discussões, semvoto deliberativo.

Nenhuma

mudançana presenteConvençãoéválidaparaaUnião senãomediante oassentimento unTinime dospaíses que acom- põem.

Art. 25.° Osestados estranhosá União equeassegurama protecçãolegai dos direitos que constituemobjetoda presente Convençãopodem aderiraela a seu pedido. Esta adesão será ratificadaporescritoaoGovernoda ConfederaçãoSuíssa, epor estea todos os outros.

Elaimplicará, de pleno direito, a adesão atodas asclau- sulas e aadmissão a todasasvantagensestipuladasna presente Convenção.Nãoobstante,a cessãopoderá conter a indicação das disposições da Convenção de 9 de setembro de 1886 ou do ActoAdicional de4demaio de1896 queosEstadosjulguem necessáriossubstituirprovisoriamente,pelomenos,ásdisposições correspondentes da presente Convenção.

Art. 56.° OsPaíses contratantesteem sempreo direito de aderir á presenteConvenção pelas suascolónias ou possessões estranjeiras.Podem,paraesse efeito,quer fazer

uma

declaração geral pelaqual todas as suascolónias ou possessões sãocom- preendidas na adesão, quernomearexpressamente aquelas que nelasãocompreendidas, querlimitar- se a indicar aquelasque delasão excluídas.

(12)

EARQUIVOS NACIONAIS 41

Esta declaração será notilicadaporescrito aoGoverno da Confederação Suíssa epor aquele atodososoutros.

Art. 21."^

A

presente Convenção substituirá, nas relações entreosEstadoscontratantes, a Convenção deBernede 9 de setembro de 1886, compreendido nela o artigo adicional e o protocolo de encerramento do

mesmo

dia,assim como o acto adicional ea declaraçãointerpretativa de4 de maio de J896.

Osactos convencionais acimacitados ficarão

em

vigor nas re- laçÔis

com

os Estados que não ratificarem a presente Con- venção.

OsEstadossignatários da presente Convençãopoderão, no

momento

detroca deratificaçÔis, declarar que, a respeito de taloutalponto, ficam aindaligados pelas disposições dasCon- vençõesásquais subscreveramanteriormente.

Art. 28.°

A

presente Convenção será ratificada, eassuas ratificações serão trocadas

em

Berlim omais tardar

em

1 de julho de 1910.

CadaParte contratante remeterá,portrocadasratificações,

um

só documento que será deposto, com o dos outros países, no arquivo do Governo da Confederação Suíssa. Cada Parte receberá

em

troca

um

exemplar do processo verbal detroca dasratificaçÔis,assinadopelosPlenipotenciáriosque nele tiverem tomadoparte.

Art. 29.°

A

presente Convenção será posta eravigor três meses depois da troca das ratificações, eassimficarádurante

um

tempoindeterminado, atéaexpiração de

um

ano, apartir dodia

em

queasua denúncia tiver sidofeita.

Esta denúncia será dirigida aoGoverno da Confederação Suíssa. Ela só produziráefeitono queserefereaopaísque a tiverrealizado, ficando aConvenção executóriapara osoutros paísesda União.

Art. 30." OsEstados que introduzirem na sualegislação a duraçãoda proteção de cincoentaanos, previstapeloartigo 7.°, alínea 1.^da presenteConvenção,fá-lohão conhecer aoGoverno da Confederação Suíssa por

uma

notificação escrita, que será comunicadaimediatamente poresseGoverno atodos osoutros Estados da União.

Seráidêntico oprocedimento dos Estados querenunciarem ásreservasfeitaspor ôles,

em

virtude dosartigos 20.", 26.° e 27.°.

Em

fc de que, osPlenipotenciários respectivos assinaram apresenteConvençãoelheapuseram osseussinetes.

Feito

em

Berlim,

em

treze denovembrode milnovecentos

(13)

42 BOLETIMDAS BIBLIOTECAS

eoito

num

só exemplar que será deposto nos arquivosdoGo- verno da Confederação Suíssa e cujas cópias, certificadas con- formes, serão enviadas porvia diplomática aos países contra- tantes.

Seguem

asassinaturasdosplenipotenciários.

{Diário doGovernon.° 67,de 23 demarçode1911).

(14)

EARQUIVOS NACIONAIS 43

O PATACO

Apontamentos para a sua

história

Dissertai^ãodaCadeira deNumisiiisVticaiioanolectivode 1910-1911 porMauuelReisdeSanchesFerreira

A

Moeda, que entreospovoscultosrepresenta

um

dos meios demaior alcance para desinvolvereperpetuarassuas recíprocas relaçõessociais,constituindoatravésdas idades, pelas suas par- ticularidades intrinsecas,

um

testemunho vivo e perdurável do grau dacivilizaçãode determinadas nacionalidades, decerto que intimasafinidades terá

com

astradiçõespopularesde cada época, que se exteriorizam

em

contos, canções, adágios, enfim,

em

todo esse conjunto de variadas expressões linguísticas que o povo frequentemente usa quandoseentrega a comentáriose a críticas,

bem

caraterísticaspelagraça quedistilam, pela agu- deza subtil, ainda querude na forma, que delastransparece, pelaprofundeza do conceitomascaradopor aparente superficia- lidadequedelas resalta.

E,semoedas houve que por qualquer motivosevincularam noespiritodopovo

com

maisinsistência,então,necessariamente, seriam aquelas com que elemais de pertolidava,

em

vistada maior circulação resultante da sua pequena valia monetária;

nestecaso, estão,naturalmente, indicadasasmoedasde bronze ede cobre, ou doutro metal desomenosimportância, escolhido para base dostrocos.

Ora, foiisto quesucedeu

em

Portugal na primeirametade do século XIX comopataco, moeda de bronze, que acima de todasteve ocondão de atrairas atenções do vulgo, e de tal

modo

setornar popularíssima, que

nem

somente comodinheiro seconsiderou, porqueoseu emprego chegou até aos jogos de

(15)

44 BOLlíTIMDAS BIBLIOTECAS

recreio(1), e a servir de projéctil era recitas do teatro de S. Carlos, aopretenderem os espectadores mostrar oseudes- agrado a entidadespolíticas (2)ouartísticas (3)

!

Seriaassaz curiosoeimportantetratar,pormenorizadamente,

num

estudoespecial, davoga queeleteveno nosso país, isto é, organizar comoque o^^nfolk-lore, permita-se-meotermo, poisqueopatacofoicantadoeexalçado

em

coplas, quadras(4) e fados, emotejado pelos nossoshumoristas nos setentaanos da sua agitada vida, de fiel companheiro do povo, que nele, muitasvezes, recebeuapaga das suas extenuantes eímprobas tarefas diárias.

Depois, ainda a este estudo se poderiam acrescentar para íicar perfeito, algumas palavras acerca do seu predomínio no

mesmo

sentido

em

outrospaíses,porquenãofoiunicamente aqui que êle se evidenciou, mas também,

com

vários valores,

em

grande parte da Europa, comobein oatesta a existência

em

certaslínguas românicas do velho dictado

isto não vale

um

pataco(õ)...

Porém, não é aesteestudo que nosvamos dedicar, por- quanto opresente opúsculo tem, simplesmente, como intuito, passar pormero emodesto aditamento ágrandeobra de Tei- xeiraAragãona partereferente á citadamoeda,

em

consequência deste autorser,neste ponto,

um

tanto ou quantodeficiente.

(1)Nestapartemuitoemvoga,lembrando-nos, poracaso,quenaBeira- Baixa se emprega numadiversão chamadaofito, espécie de jogo de malha.Também,no Norte, outro jogoha, chamado,gira-pataco. (Nota do sr.dr.Leite de Vasconcelos).

(2)História de Portvgal de Pinheiro Chagas,vol.9,pag.526.

(3) Facto conhecido por tradiçãoequemais deumavez sucedeu.

(4)Paraexemplo, citamos a seguinte quadra,quenosfoidadapelo sr.dr.Leitede Vasconcelos:

Tenhovintee trêsamores, Comtigosão vinteequatro

:

Em

chegandoaos vinteecinco, Vendo-ostodosp'rumpataco.

(5) Cela ne vaut pas un patard,se dizemFranca amiudadameute, como naItálianonvalereunapatacca.

(16)

Í5AUQtíIVOSNACIONAIS 45

O «Pataco'

Resenhahistóricadas suas origens nocampodaNumismáticaedaFilologia

Seudesinvolvimento posterior

Sobre a verdadeira proveniência do vocábulo Pataco, pou- quíssimosepodedizer,

em

virtudedasobscuridadeseincertezas dos seusprincípios,segando referemLittré(1)e outros autores acreditados (2), apesar de algunspretenderem que a palavra venhado árabe, baseando-se no

nome

que nesta língua tinham ascolunarias(3),e, ainda outros, como Duchat, querer ver o respectivo étimo no termo latino Peter (4), por o pataco de Flandres ter

numa

dasfaces a

imagem

deS,Pedro, e o de Avinháoaschaves do

mesmo em

forma de colar.

Embora

isto não passe decoiijeturas áluz do critério das ciências histórico-íilológicas, é notório que já no baixo latim senosdeparamostermos

Pataquus, PatarusePatardus[b), aquecorresponde,

em

valão, Patâr, Pataúr,

em

francês,Pa- tard(6),e,

em

provençal, Patac, designando poreste

nome

na região da língua à'oc, desdeoséculoXiv,

uma moeda

equiva- lente a dois dinheiros,sendo, pois,

em

conclusão, avelhaAqui- tania, ao que parece, ologar donde procedeuesta divisãope- cuniária.

Prou, competentena matéria, assevera queacunhagemdestes seprolongoupeloséculo xv(7).

Seguidamente, naregénoia do duque deBorgonha, Filipe oBom, deu-seoapelido dePatarda

uma

moeda de pratala- vrada

em

Flandres, Brabante, Liège, Norte daFrançaePaíses- Baixos

em

que correu pordoisgros (8)flamengos(V)).

(1)Vide, Dic.dalig.francesa daqueleautor.

(2)Vide, entreoutros, GonçalvesViana, Apostilas^ vol. IIe Dic.

francês de Darmestetter.

(3)Vide, Gravideenciclop.française.

(4) Vide, Dic. franc. de Larousse.

(5) VideDuCange,Glossário.

(6)Videasobrasacimamencionadas.

(7)Videasmesmasobras.

(8)Moeda divisionária, chamada na Alemanhagroschen, subdivisão dothaler.

(9) VideGrandeEnciclop. française.

(17)

46 bolktímdás bibliotecas

Também,

nas

mesmas

regiões sefabricaram duplos patacos

patagons

,valendooescudo francês de60soldos,do

mesmo

pesoemetal queosprimeiros,masdebordosirregulares, fra- cionadospor sua vez

em

meios e quartos de patacào.

Com

o tempoeste dinheirodesvalorizou-se, de maneira que noséculo xviiinãopassava

duma

pobre

moeda

deconta.

Motivadopor circurnstâncias económicas

bem

como linguis- ticasegeográticas, vamoslogo encontrar, ou ulteriormente,

em

outrasnações, tal expressãoligadaa certaspeças monetárias, e é deste

modo

que naItália, Pataccn^ Patacco ePataccone compreendeu

uma

moeda de prata genovêsa de 5,05 francos, muiusadanaedademoderna (1).

Era Espanha, temosPatacaouPatacoePatacon quesão, por exemplo, com JoanaaLoucae Carlosi, as Colunarias(2),

com

Filipe iv, osEeaes deoito e quatroe, mais longe (1686), as3[arias(o),unseoutroscunhados

em

diversossítiosdoreino, conformeousoestabelecido, tendo por fundamentoa prata.

Desde o início divulgaram-se estas moedas espanholas

em

Portugal, onde foram causa da publicação de diversas cartas régias, ora contrárias, ora favoráveis á sua expansão, atentas razõesdeordemeconómicae financeií-a,ou.antes, propriamente cambiais.

Consoante o uso costumado, serviram deauxiliar, pelare- fun diçãodo seumetal, na cunhagemde numerárionacional.

Aqui, á semelhançado que aconteceu

com

outras moedas cujosnomes entraramno nosso idioma,acompanhando-asou não, surgiuprimeiramenteoPatacão, velha moedade cobre dedez réis,coeva deD.Joãoiii, eoutradetrêsréis,deD.Sebastião, do

mesmo modo

conhecida, para, após dois séculos e tanto,

em

1811, mediante préviosensaios, odecretode 29de outubro de egual ano, autorizar, «considerando a precária situação da Fazenda Publica», o lavramento

duma

moeda de bronze que veiua ser ofamosoPataco do qualsecunhoulogonoprincípio, quantia superioraseiscontosderéis(4).

Acidentada foia suavida, e sedefensores acérrimos teve

(1) VideDizionariodelialinguaitaliana^ediçãodeTurim.

(2)Nomevulgar porqueeramconhecidas aspiastras,pelosdesec dumadasfaces.

(3)Pornumdos ladostergravadaaimagem da Virgem.

(4)Video2.°vol.da Descrição geral das moedas^etc.,deAragão.

(18)

EARQUIVOS NACIONAIS 47

noscírculos oficiaes, comoAntónio das Neves, da

mesma

sorte conheceu adversários implacáveis,como Mousinhod'AIbuquerque, oqual,no seu cirgo de provedorda Casa da Moeda, insisten- temente pedia a atenção doGoverno paraocômputo exagerado das emissõesrespectivas, que não traduziam ura benefício

nem

paraopúblico,

nem

paraotesouro, tantomaisque facilmente êlespodiamser falsiticados, o que defactopor vezes ocorreu, a ponto de na própria sobreditaCasaserimpossível destrinçar osverdadeiros dosfalsos.

Nào

obstante a

vontade nascente contraestaespécie pe- cuniária, ininterruptae desordenadamente se prosegiiiunacu-

nhagem

de centenas de patacos, sem ao menososfazer mais perfeitos,mais graciosos emaisleves, modificando-seapenas os cunhos, quandoa

um

imperante sucedia outro notrono.

Mas, consistiam asvariedades simplesmente

em

diferenças decunhos?

Não; porque, saindoometalque ministravaamatériaprima directamente da refundição de velhos e diversissimos objectos de armaria,tais comocanhões, peçassoltas e inúteis de espin- gardas,e doutrosutensílios de bronze, divergindoamuitosres- peitos a liga deemissãopara emissão, e

mesmo em

cada

uma

delas, imaginar-sehaquantos espécimes discordantes erapeso, modelo e cunho apareceriam, depois de gastos e deformados pelo uso quotidiano, ao publicar-se a lei de 24 de Abril de 1835que proibiu o lançamento no mercado de novas moedas de quarentaréis(1).

Contudoêles ficaramcorrendoaté que, mercê dos aconte- cimentos políticos da época, era1847 aJunta Revolucionária do Porto lançouraao daquele recurso pecuniário como medida de momento, fazendo fabricar nas oficinas de João Batista Moreira,instaladas noextintoconvento de Monchique (2), réis 8:849^790 detal dinheiro(3).

Sufocada arebelião,esses patacos, que pêlo decreto de IG de Maio de 1847 (4) tinham sido considerados ilegais, foram reconhecidoscomo bons, casopossuíssem

numa

das faces oca- rimbo do Governo Civil do Porto, ao qual para esse efeito

(1) VideDescriçãogeral, etc,de Aragão.

(2) VideEnciclop.portuguesa.

(3)Videomesmo.

(4) Vide, a obra citada deAragãoeoDic. enciclop.português.

(19)

E ARQUIVOS NACIONAIS 77

Comecei por apagar <fOStraços das

más

administraçõesan- teriores» e, interpretando o intuito pedagógico e a orientação laicadodecreto, modifiqueioaspecto conventual daBiblioteca.

Nos seus escuros corredores, naúnicasala que poderia servir paraas crianças,acumulavam-seretratosdefrades,

em

adoração anteimagensreligiosas eoutros emblemas do culto,mantendo no públicoa falsanoção de que tinhamsido osconventosofoco da cultura mental.

Ao

grande grupode fradespresidiaa estátuade

uma

rainha, erradamenteconsideradacomofundadora daBiblioteca,fixando ainda, sob a República, a lenda de que a monarquiaque, se- gundo otexto expresso dodecreto, embrutecera o povo, hou- veraalgum diafomentadoa instrução.

Portodaa parte destruíraoGovernoProvisório aobra de adulação monárquica, de entenebrecimento monástico, de orgulho das castas aristocráticas.

Fora banida a família real,abolidaa Companhia de Jesus, expulso oparasitismo fradesco;mudadoo

nome

aosliceus, aos hospitais, aos dispensárioseástermas. Suprimiram- decretos a coroa dos botões dasfardas, substituíramopunção da coroa

;

aboliram ojuramento, o ensino da religião, aEra deCristo e aCapelada Universidade.

A

Bibliotecaeradef;ito

uma

capela, aque

nem

faltava

uma

confraria,aIrmandadedoSenhorJesusdo Penedo,e

um

quási sacerdote,

um

1.° conservador que escreveu a apologia da Missa.

Entrereposteirosnegros,bancos negros decoro, a irtamo-

bíliadas igrejas, imagensreligiosas, azulejos

com

scenas cul- tuais, ainda possuía obusto do i-ei expulso, de seupai edos seus parentes, o retratodo papa, tudo quanto serviradesce- nárioás lisonjas dos frequentesbeijamão quealideraD. Ma- nuel.

Paraque enfim aqui entrasseoar ealuz,mandeitirar os reposteiros negros eassanefasnegras. Para que as crianças pudessem concorrerá leitura,semque continuasseapesarsobre anovageração o olharsombrio dofrade, aface torturadadas imagens, e a falsa grandeza dos reis, transferipara o

Museu

(20)

78 BOLETIM DAS BIBLIOTECAS

de Belas Artes, desde28 demarço, oque consta da seguinte relação

:

Estátuas, Bustos,MedalhSese Quadros

:

Imagensreligiosas 18

Beatos í)

Papas 3

Imperadores 2

Reis 16

Príncipes 5

Rainhas 5

Princezas 1

Infantas 1

Cardeais 4

Patriarcas 2

Frades, Freiras, PadreseJesuítas 162

Total 225

Eram

asimagensreligiosas

:

Virgens, NossaSenhora, Jesus e Maria, Nossa Senhorao MeninoeS.JoãoBatista,Cristo, S. Egísio, S.Jacob,S.Tiago Maior, S. Sebastião, S.

Hugo

da Cartuxa, S. Agato, S. An- telrao, S.Gelásio, S.Simão, S.Matias.

Mandei-os trasladar com o cuidado com que se praticam necessáriosactosadministrativos, depoisdepreenchidas todasas formalidades burocráticas, despachos ministeriais, autorizações dos Inspectores, etc.; entreguei-os

em

troca de reciboe, diri- gindo pessoalmente otrabalho de remoção, conseguievitar os desacatos, previstos ante o estado do espíritopúblico, que se derampor diversasvezes, principalmentena igreja dasFran- cesinhas, noleilãodas suas imagens.

Em

vez dos reis,dosjesuítas edosfrades, expus osbustos e retratos de escritores, alguns dos quais se encontravam ocultos: Camões,Herculano, Garrett, Castilho, Camilo Castelo Branco,Eçade Queiroz, Ant()nioEnes,MendesLeal, Joãode Deus, Latino Coelho, ConsiglieriPedroso, Miguel Bombarda, Heliodoro Salgado,etc.; os brasileirosGonçalves DiaseVar- nhagem, e reuni-lhes, no «intuitopedagógico» de educar pelo exemplo, as figuras e as scenasculminantes das revoluçõesna- cionais: Nun'(alvares Pereira,João PintoRibeiro, Marquêsde Pombal,

Gomes

FreiredeAndrade,Manuel FernandesThomás,

(21)

EARQUIVOS NACIONAIS 79

a expulsão dos jesuítas, a revolução de 1820, o combate da Rotunda, o assalto ao cruzador D.Carlos, e osbustos e as alegorias da República.

Como

porem houvesse determinado

uma

violentacampanha de imprensaatransferênciade estátuasequadros, sou forçado a exporocaracterclericalemonárquico

com

que era ostentada a grandecolecção dejesuítas, de fradesedereis.

Nenhum

dos quadrostransferidostinha valor, e sócora di- ficuldade osrecebeuaAcademiade BelasArtesaquelegitima- mentedeve pertencer a riquezaartística.

A

rainha, que primitivamente se encontrava no vestíbulo, foratransportada

em

Í910 para a Sala daRainha, não para comemorarafundação da Biblioteca, maspara receber, como avósinha(era aexpressão piegas do cortezanismo bibliotecário) oreique ali foi darbeijamão.

Nunca

a célebregaleria dos reise dos fradesfoidesignada comocolecçãoartística

em nenhum

dosrelatóriosda antiga di- recção;amontoadodereproduções

em

gesso,deestampascolo- 1'idase detelassemvalortinha o caracter que se deduz dos seguintesextractosderelatóriosoficiais

:

a

No

logardehonrapresidia cromolitografado,e circundado pormoldura doirada

com

oescudo dasarmasreais asobrepujar a moldura,

um

retratodo nossoAugustoSoberano (D. Manuel).

Ladeavam

essequadro dois retratos de belíssima calcogravura

:

ádireita oretratodaRainha D.MariaI;á esquerdao retrato do Principe Regente

D.

João... da Princeza

D.

Maria Be- nedita, ailustre Princeza...

O

retrato de El-Rei D. João

IV

eoda rainha

Dona

Luíza deGusmão, fundadores êlee elada DynastiaBrigantina... retratosdetrêsprelados..(1).

«...retratos de monges e padres, doutores, abades, pre- lados, príncipes e monarchas,

painéis que todos (ou quási todos) procederam dos supprimidos cenóbios.

Na mesma

«Ga-

leria))pude igualmenteacohortedosvisitantessaudaros bustos, que ali se deparam sobre apropriados plintos, do Imperador

(1)BoletimdasBibliotecaseArquivos Nacionais, de1910,pag.71.

(22)

80 BOLETIMDAS BIBLIOTECAS

D. Pedro(D.Pedro

IV

de Portugal) eda sua augustafilha a Rainha D. Maria II, osbustos do saudoso ReiD. Pedro

V

e daangelicalRainha D. Estefânia, obustode El-ReiI).Luize obusto de El-Rei D. Carlos» (1).

«No grupodosvisitantesfiguravam pessoas de todas ascon- dições sociais:

bibliognostas, bibliópbilos, bibliógrafos, nu- raismatas...

E

no meio detudo, apenas

uma

nota discordante veiutristementemanifestar-se:appareceu-noa

um

oficialdo exér- citoquetenazmenteserecusou a inscrever seu

nome

no

Álbum

e a tirarda cabeça o boné militar no recinto da Exposição.

Peranteesteúltimoactode grosseiradescortezia, foirealmente

bom

queseu

nome

não quisesse deixar escritopara que assim ficassedesconhecido

quem

ferozmentecapricha

em

postergaras leisdacivilidadeibquemtalveznocampo dapolíticaprofesse prin- cípiossubve7'sivos^) (2).

€...a BibliotecaNacionalrecebeu a gratíssima surpresa de

uma

honrasobremaneiranobilitante. SuaAlteza Real o Senhor

Dom

LuizeSuaAltezaoSerenissimoSenhorInfante

Dom

Ma- nuelresolveramvirfecharcomchaved'oiroacommemoraçãodo quinquagenário garretiano.

«V.

Ex/, em

cuja companhia

me

foiconcedida a mercê de lhes beijaras mãos,pôde notarjubiloso,comojubiloso eu notei, o benévolo agrado que os augustos Principes se dignaram

em

suavisitadispensar-nos... ahonra de acompanhar os egrégios visitantes,que,á despedida, inscreveram seusnomes noLivro por

mim

expressamente destinado paratalfim.

«Suas Altezasdignaram-se por ultimocoroar tantabenevo- lência,acceitandoaofferta de alguns opúsculos...» (3).

«Em

19 de janeiro de 1910 eásohoras da tarde (como estava annunciado)entrou Sua Magestade El-Rei noedificio, e nachamada«SaladaRainha» (ondeseacha collocada amajes- tosaestátua daSenhora

Dona

Maria I...), recebeu o Senhor

Dom

]\IanuelIIcumprimenfos de todosos assistentesque já no átrio daBibliotecahaviamtidoahonradelhe beijaramão.

«Depois de

uma

breve mas sobremodo conceituosa allo- cução,.

.

«No

decurso da suatravessia... dignou-se El-Rei oSenhor

(1)Idem, de 1908, pag.50.

(2)Idem, de 1910, pag.84.

(3)Idem,de 1905, pag.5.

(23)

EARQUIVOS NACIONAIS 81

Dom

Manuel distinguir-me escolhendo-me para o acompanhar como «cicerone»; e,nodesempenho

meu

detalmissão,viehon- rou sobremaneira escutando-me compenhorante benevolênciaas minhasinformações.

Ao

terminaravisita, Sua MagestadeEl-Rei quenasfeições faz lembrar a gravidade austera do saudoso Monarcha

Dom

Pe- dro V,

gravidade austera temperada suavemente pela phi- sionómica doçura queonosso actualSoberano herdou de sua Augusta

Mãe

a Senhora

Dona

Maria Amélia,

Sua Mages- tade El-Rei pelo seu trato cojjtivantissimo todos deixou in- cantados.

«E, aodespedir-se,fez-me a penhorativa mercê de

me

dizer palavras amáveis, felicitando-me elogiosamente pela disposição

em

que tinhaencontradoasespécies expostas,

aBeiJando-lheamão, por esserequinte debenevolência, pe- di-lheentãolicençaparalheapresentardoiscollaboradoresmeus natarefadeorganizaçãoa queEl-Rei sedignavaaludir...

«Tiveramportantoahonradealinovamentebeijara

mão

de Sua Majestade aqueles meus dois companheiros, que já nos cumprimentosiniciais, á intrada d'El-Rei, haviam logrado esse régiofavorequenoAutoda inauguração tinham assignado seus nomes» (1).

«O

Sr, Conde de Sabugosa conseguiu entretecerartistica- mente

uma

perfumada grinalda de boas-letras

em

tornodos incantadoresdesenhoscom que aExcelso.Rainhavinculouinde- levelmente o seu

Nome

ao singular

monumento

de Cintra,

e detalforma ovinculou, que,

em

vez do «Ceei tueracela»pro- clamadopor Victor

Hugo

apropósitodeNotre

Dame

deParis, poderemose deveremos, aproposito do Paço de Cintra, afoita- mente exclamar: «Ceei égale cela!»

A um

monumento corres- ponde

porigual

outromonumento.Sua MajestadeaRainha

— em

que todoopovoportuguêsestáacostumadoa reconhecer e avenerargentilissimasprendasdeespiritoedulcíssimos dotes de coração... caridosa intenção deSuaMajestade, quesempre bondosa ephylantrópica resolveu beneficiar

com

o respectivo producto asuaamorável instituição da «Assistência Nacional»

aosTuberculosos» (2).

«Entreosmodernos de procedência portuguesa, figurava a

(1)Idem,de 1910, pagg. 56e 79.

(2)/rfem,de 1903, pagg. 214e 215.

(24)

82 BOLETIM DAS BIBLIOTECAS

opulenta encadernação de chagrinvermelho, com que mandei resguardar

um

brindegentilissimo danossa augusta Soberana, a Senhora D, Maria Amélia de Orleans,

— um

exemplar do PaçodeCintra, daquellaincantadora publicação queSua Ma- jestade illustrou

com

desenhos seus,

— um

exemplar que a Excelsa Rainha se dignou amavelmente oferecer á Biblioteca Nacional de Lisboa,acompanhadoporcartadoSeuVeador(l).

«

O

monstruoso e abominávelatentado,

com

que, no1 .°dia do passadofevereiro, a estúpida malvadez de cannibalescossi- cáriosenlutouasdoiradas páginas da nossa história vitimando cobardeetraiçoeiramente doismembros da família Real portu- guesa, impÕe-me odever de iniciar este

meu

relatório arqui- vando nele otestemunho da consternação que avassalatodos os funcionários daBibliotecaNacionalde Lisboa(2).

«Este sentimento manifesta-se tantomaissincero,quanto é certoque deixou aqui

um

rastoluminoso de simiKitiaede res- peitoavisitamemorávelcomque

em

16 de janeiro de 1905hon- rarama BibliotecaNacional, por ocasião de nella encerrar-se a«Exposição Garretiana», Sua Alteza Real o Príncipe

Dom

Luís Philipe (presuntivo herdeiro da coroa) e Sua Alteza o Sereníssimo Infante

Dom

Manuel(que hoje preside aosdestinos daNaçãoportuguesa).

«Aquele amorávelpríncipe.,. oxalá venha a obter nahis- tóriaocognomede «Venturoso», ásemelhançado seu afortunado homónimoquinhentista» (.3).

(1) Idem,de 1908, pag.45.

(2)

Um

desses funcionáriosescreveuno Portugal de 8 de fevereiro de 1908

um

rancoroso artigo, nesseestilo contraopartido republicano, por causa doregicídio.Esseartigofoireproduzido depoisemseparata {Por- tugal14 defevereiro) edistribuído pelosquartéis.Quando,emresposta á Academia Eealdas Sciências recordeiesse artigo,para acentuaro intuito pohticodagaleriadereis cdefrades,oseu autormandouretirar,em29 denovembrode1911,obustodeumescritor,seuparente,queseencon- trava no vestíbulo comGarrett, Herculano,JoãodeDeus, eoutros,em substituição defrades,dejesuítas edereis. JásobaRepública esse fun- cionárioescreveu: «OrdenamentoesímbolodaMissaRezada segundoo ritodaIgrejacatólicaRomana»comlicençado Patriarca,comoquemdiz:

«ComlicençadamesacensóriadoDesembargodo Paço».

Em

preâmbulo faza solene «declaração»deque antes de apresentaro livroao «Ordinário Local» emobediência aos princípiosdodireitocanónico vigente (Consti- tutionesoíiciorum acnumerum do SantíssimoPadreLeãoXIII), foisub- mettido aoexamedeSuaExcelênciaReverendíssimaoSenhorArcebispo deÉvora...emtudo seu mestre...»

(3) Boletim dasBibliotecas eArquivos NacionaiSj de 1908, pagg.7 e8.

(25)

EARQUIVOS NACIONAIS 83

Era patenteo intuito politicoda exposição de frades ereis, cuja transferência originou a campanha de imprensa baseada na lenda de que a rainhaD. MariaIfundaraa BibHoteca.

O

Alvarápelo qual foiestabelecidaa «RealBibliotecaPú- blica da Corte» de 9 de fevereiro de 1796 é assignadopelo Príncipe (D. JoãoVI)que assumira o poder

em

10 de março de 1792, porque arainha enlouquecera, emboratodososactos oficiaiscontinuassem aserpromulgados

em nome

deD. MariaI.

Não

estavamreunidosos fradescomo documentosartísticos ou

em

comemoraçãoda sua obra deescritores.

Do

valor intelectual dos frades diz largamente Alexandre Herculano;da obrasocialdos fradesfalaonossotriste atraso.

Não

selimitaramporém os fradesaembrutecer opovo;inuti- lizarambarbaramenteosmonumentos dasuahistoria, querdes- truindo livros,quer deteriorandoedifícios(1).

A

orientação

em

queeramostentadosos frades depreende-se dos relatóriosdo antigo director:

«Eu

própriotivejá occasião de

me

referiraoinlevo desses tempospretéritos,

em

versos que

me

coube ahonra derecitar aos 6 de agosto de1899

num

dgajye festivo» para quefuicon- vidadopelosPadresdo Corpo Santo e

em

que

também

tomou parte, comoutroscavalheirosdistinctissimos, o Sr.D. Eduardo DuarteSilva(Bispo de Goyazj. Os versos, embora senão re-

comendem

porvalia literária, apraz-me intercalai-os aqui por significarem

uma

nota histórica,rigorosamente fotográfica.

Da

minhaadolescência os tenrosannos Nestacasa passei

DoutrinadoporbonsDominicanos

Da

irlandesagrei.

(2) «...aos fradese clérigos,comogente cujoDeuséa barrigaeoa vícios,sedeveemgrandeparteadestruição dosmonumentosantigosque havia pelaigrejas».Colecção deepitáfios,etc, por Moreira. Manuscritoda BibliotecadaAcademiaReal dasSciêucias,6.°vol.,pag.73.

(26)

84 BOLETIM DAS BIBLIOTECAS

E

aleituradaBíblia.... intercorrente Co'aDoutrinaChristan:

Voavam-nosassimrapidamente Ashorasda manha.

Porfinaldeexercícios....á tardinha (Singulardevoção!)

EntravamosnocorodaErmidinha

A

fazeroração

:

E

entoávamosemfrente do sacrário

Em

frente do altar-mor,

A

ladainha áVirgemdo Rosário

A

MãedoRedemptor.

E

ao Eeitor velho, aobomDr. Patrício Queospassosmeguiou, Beijo-lheasmãospor tanto benefício

Comquemeacarinhou••

(1).

Embora

oocultasse a campanhade imprensa, na sua Ga- leriadeescritorespossue ainda a Bibliotecagravurasequadros a óleorepresentando os seguintes escritores queforam padres, fradesoujesuítas:

AntónioVieira.

ManuelBernardes.

José Agostinho deMacedo.

Rafael Bluteau.

BernardodeBrito.

Manueldo Cenáculo.

Thomé

de Jesus.

Franciscode S.Agostinho deMacedo.

FerreiraGordo.

Bartolomeudos Martyres.

TheodorodeAlmeida.

Bartolomeudo Quental.

ManuelCaetano de Sousa.

José Barbosa.

BarbosaMachado, etc.

(1)BoletimdasBibliotecas eArquivos Nacionais, de 1906^ pagg. 240

(27)

158 BOLETIMDAS BIBLIOTECAS

rada dos combates,eao firmecompanheiro daluta pelaRevo- lução, mais que ao superior hierárquico, confesso, terminando que, comquando profundamentemagoadopor pérfidosataques, vibro no

mesmo

entusiasmo peiasmedidas que tãoexplendido êxito obtiveram, econfio

em

que as Bibliotecas hão de formar a geraçãoconsciente, capaz delevar ásextremasconsequências adoutrinadaverdadeira democracia.

Lisboa,22 demarçode 1912.

Saúde eFraternidade.

ODirectordaBibliotecaNacionai., FaustinodaFonseca

I

I

(28)

Biblioteca 'Nacional de Lisboa.Exposição bibliográfica no bi-cente-

«áriodóPadreAntónio Vieiraem1897. Lisboa,ImprensaNacional, 1897.

A

Exposição PetrarquianadaBibliotecaísaeional do Lisboa. Catálogo flumário peloDirectorda mesma BibliotecaXavier da (unha.Lisboa, ImprensaNacional, 1905.

Curso de Bibliotecário-Arqnivista.Sumário daslições deBibliologia, compiladaspor JoséA.Moniz, professorinterinoda respectiva cadeirana BibliotecaNacional de Lisboa,2."ediçào.(oíinlna.Imprensa daUniver- sidade,1900..

Numismática Nacional. Lição inaugural do curso deNumismática da BibliotecaNacional deLisboanoanolectivode 1888-1889, porJ.Leite deVasconcelos, professor proprietáriodarespectiva cadeira. Lisboa, Ti- pografiadoJorual«ODia», 10 e12.RuaAnchieta, 1888.

Elencodaslições de Numismática dadas na BibliotecaNaciorial de LisboaporJ.Leitede Vasconcelos,1.»partedo curso(1888-1889). Lisboa, Typographiado Jornal«ODia», 1889.

Elencodas liçõesde Numismática dadas na Biblioteca Nacional de LisboaporJ.Leite deVasconcelosdoIIcursodo ano lectivo de 1889- 1890 até aoVIcursodoannolectivo de 1893-1894. Lisboa,Tipografia doJornal«ODia-.,1894.

EelatóriosdosserviçosdaBiblioteca Nacional de Lisboa,porXavier da Cunha.Coimbra,Imprensa daUniversidade,1903a1909.

Boletim dasBibliotecase ArquivosNacionais, pubiicaçào oficialtri- mensal. Publicados10anos.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1902 a 1911.

Uma

tradução inéditaemlatimdo soneto«Alma minhagentil ...»Publi- cadaeprefaciadaporXavier da Cunha.Coimbra, ImprensadaUniversi- dade, 1904.

Uma

carta inédita deCamões.Apógrapho existentena BibliotecaNa- cionalde Lisboa, agoracomentado epublicado pelo Directordamesma BibliotecaXavier da Cunha.Coimbra,Imprensada Universidade, 1904.

A

BibliotecaNacional de LisboanaExposição Oceanografica.Catá- logosumário porXavier daCunha.Coimbra, Imprensa daUniversidade, 1904.

A

Biblioteca Nacional deLisboa no Congiesso internacional deLiège sobrereprodução de manuscritos,medalhase selos. Relatório pelo Di- rectorXavier da Cunha.Coimbra,Imprensa daUniversidade,1905.

A

LegislaçãotributáriaembenefíciodaBUiliotera^':u•iunalde Lisboa, porXavierdaCunha.Coimbra,Imprensa darniversidadc,1903.

A

medalhade Casimiro José deLima em homenagema Sous;iMartins, descriçãonumismáticaporXavierdat_'unha.(oímbra, Imprensada Uni- versidade,1903.

(29)

Espécíeb bibliográficas e espéciesbiblíacas. Considerações eòBre no"

menclatura porXavierdaCunha. Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1903..

Concursos públicospara provimento de logares vagosdeSegundos Con- servadores dos quadros doRealArquivo daTorre doTombo edaBiblio- teca Nacional de Lisboa, Legislaçãorespectiva.Parecer de José Joaquimi deAscensãoValdez.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1903.

Relatóriodos serviços desempenliadosemCoimbraeBragaemJunho- de 1903 por JoséJoaquimdeAscensãoValdez.Coimbra,Imprensa daUni- versidade, 1904.

Grabinete Numism-áticodaBiblioteca Nacional deLisboa (Notase do- cumentos) pelodr.José Leitede Vasconcelos.

I. Moedasde ourod»

épocagermânica.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1902.

Arquivo da TorredoTombo;

índice geral dosdocumentosconteúdosnocorpo-ehronológico existente noRealArquivo da TorredoTombo.Mandadopublicar pelas cortesna

leidoorçamento de7deabrilde1838.Tomo1."e único. Lisboa,Tipo- grafiadeSilva,18á3.

índice geraldosdocumentosregistadosnoslivrosdas chancelariasexis- tentesno RealArquivo daTorre doTombo, mandadofazer pelas cortes naleido orçamento de7deabrilde 1838.Tomo1.°eúnico.Lisboa, 1841^

naTipografiade G.M.Martir>s.

Extracto doReaí Arquivo daTorre doTombooferecidoàAugustíssima RainhaeSenhoraD.MariaI,porJoséPedrodeMirandaRebelo,ama- nuensedomesmoArquivo-.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1904.

Inventário doslivrosdas portariasdoReino.Vol.l.1639 a1653.Lisboa^

ImprensaNacional, 1909.

Inventariodoslivrosdematriculadosmoradoresda CasaReal. Vol.I.

1641a1681.Lisboa,ImprensaNacional, 1911.

BibliotecaPública deÉvora:

Catálogo dos manuscritosdaBibliotecaPública Eborense, porJ.H.da CunhaRivara.Tomo1.°,Ultramar. Lisboa, Imp. Nacional, 1850,Tomo2.<*

Literatura,ImprensaNacional,1868.

Tomo3.°História.ImprensaNa-

cional,1870.

Catálogo doMuseuArcheológicodacidadede Évora,anexode sua Bi- blioteca,compostoporAntónio Francisco Barata. Lisboa,ImprensaNa- cional,1903.

OsreservadosdaBibliotecaPúblicade Évora, pelodirectoi* Antónia Joaquim Lopes daSilva Júnior.Coimbra,Imprensa daUniversidade, 1907.

Venda

avivlso,no edifícioda Biblioteca Nacional de Lisboa.

Cada exemplar donúmerodo Boletimj in-8,*^

— 200

réis.

(30)
(31)

I

(32)
(33)

?á.

(34)

z

833 b68 ano 9-

10

Boletipi

das bibliotecas

e ax^ttivos

nacionaes

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