• Nenhum resultado encontrado

Cad. Saúde Pública vol.24 número3

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Cad. Saúde Pública vol.24 número3"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

482

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 24(3):482-483, mar, 2008

482

É provável que em breve a febre amarela desapareça do noticiário porque a temida epide-mia não se confirmou ou porque outros temas ganharam maior visibilidade. O tratamento dado pelos meios de comunicação ao tema foi muitas vezes confuso e superficial, contri-buindo para alimentar a insegurança do público ao dar destaque a dados incompletos ou descontextualizados, parciais, e a comentários de profissionais de saúde sem experiência específica no tema. Análises distorcidas sobre “ressurgimento” da febre amarela mostra-ram desinformação sobre a condição de doença sujeita ao regulamento sanitário interna-cional com exigência de vacinação para viajantes. É curioso que na grande imprensa as no-tificações de casos suspeitos e as confirmações laboratoriais de febre amarela tenham sido acompanhadas caso a caso, como que para documentar uma epidemia que as autoridades estariam querendo ocultar. O mesmo escrutínio não se observa para tétano acidental (166 óbitos em 2006), meningite por Haemophilus influenzae (19 óbitos em 2005) e raiva

huma-na (44 óbitos em 2005), só para citar alguns exemplos de doenças graves com programas de controle estruturados e vacinas eficazes disponíveis na rede pública de serviços de saúde. Assim como a febre amarela, cada caso daquelas doenças representa um evento sentinela indicando falha nas ações de controle e necessidade de ajustes e correções independente-mente das taxas de incidência.

Diferentemente dos surtos epidêmicos ocorridos em Minas Gerais em 2001 e 2003, a dispersão dos casos confirmados em janeiro de 2008 não configurou epidemia. Mas na vi-gilância da febre amarela, níveis endêmicos e limite máximo esperado perdem relevância nas decisões sobre intervenção, até porque a flutuação de número pequeno de casos, persos em grande extensão territorial, dificulta a caracterização de epidemia. Além dis-so, considerando a relevância da doença para saúde pública, apenas um caso poderia ser abordado como epidemia potencial ou inicial, com intensificação de medidas de contro-le pertinentes. Os casos ocorridos na Região Centro-oeste em janeiro de 2008 mostraram uma vigilância atuante com notificação e investigação oportuna de casos, e elevação do alerta em áreas do país de onde vem a maior parte dos suscetíveis que se infectam nas re-giões endêmicas. No futuro, situações de pânico poderão ser evitadas com estratégias para fazer cumprir a recomendação de vacinar viajantes para áreas endêmicas.

Mas a inovação na vigilância da febre amarela tem vindo da detecção de epizootias em primatas que constituem hospedeiros conhecidos da febre amarela silvestre. A vigilância de epizootias permitiu antecipar ações de vacinação de populações das áreas antes que ocorressem casos humanos. É possível que a expansão da vigilância de epizootias conti-nue aumentando a área onde a vacina contra febre amarela é parte do calendário básico de imunizações. A circulação do vírus da febre amarela em pequenos primatas de regiões urbanas ainda não aparece com potencial para reurbanização da doença, como o nível de infestação pelo Aedes aegypti em muitas cidades brasileiras. Não obstante, a ampliação da área de risco que inclui estados populosos como Minas Gerais e se aproxima de outras áre-as com grande densidade demográfica, e o freqüente deslocamento de suscetíveis de áreáre-as indenes para áreas endêmicas, poderia justificar a inclusão da vacina contra febre amarela no calendário básico de imunizações de todo o país, tal como já é feito em grande parte do território brasileiro. A extensão gradual das altas coberturas vacinais à população brasilei-ra reduziria a necessidade de campanhas de vacinação em massa. Parece oportuno rever as ações de controle em curso considerando que a febre amarela não pode ser erradicada, e que o risco de reurbanização, considerado muito pequeno, não é desprezível.

Febre amarela e saúde pública no Brasil

EDITORIAL

Luiz Antonio B. Camacho

Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.

Referências

Documentos relacionados

O objetivo deste trabalho foi realizar o inventário florestal em floresta em restauração no município de São Sebastião da Vargem Alegre, para posterior

6 Usou-se como referência para os fatores contextuais, o que foi considerado no SIMAVE, nas Avaliações Contextuais, aplicadas através de questionários aos alunos do

O objetivo do presente trabalho foi entender quais os benefícios alcançados por meio da parceria entre a COPASUL, uma empresa com esforços direcionados à comercialização

Para se buscar mais subsídios sobre esse tema, em termos de direito constitucional alemão, ver as lições trazidas na doutrina de Konrad Hesse (1998). Para ele, a garantia

A two-way (eccentric versus concentric training) repeated measures (pre-training versus post-training) ANOVA, with a 5% significance level, was used to compare:

To demonstrate that SeLFIES can cater to even the lowest income and least financially trained individuals in Brazil, consider the following SeLFIES design as first articulated

the human rights legislated at an international level in the Brazilian national legal system and in others. Furthermore, considering the damaging events already

Portanto, conclui-se que o princípio do centro da gravidade deve ser interpretado com cautela nas relações de trabalho marítimo, considerando a regra basilar de