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As transformações da sociedade

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Academic year: 2021

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QUARTA SEMANA- FEVEREIRO

As transformações da sociedade

De alguma maneira todos interagimos

com os fatos que acontecem no mundo, seja porque os estudamos, seja por estarmos informados sobre a nossa comunidade, cidade, país e o mundo: um show, eleições, um desastre aéreo, a safra recorde de grãos, a reforma da escola, as recentes crises econômicas mundiais, entre tantas outras ocorrências.

No caminho para a escola, para o trabalho ou em outros percursos diários, mesmo sem querer, vamos sendo informados sobre notícias divulgadas pelas emissoras de rádio, pelas conversas paralelas que ouvimos nas ruas e nos transportes públicos, pelas manchetes que estampam as capas de revistas e jornais nas bancas e pelas publicações nas redes sociais. É uma quantidade enorme de informações que nos dizem e não nos dizem respeito. A principal

função dos meios de comunicação é nos manter informados sobre os acontecimentos. Na maioria dos casos, a repercussão das informações veiculadas adquire proporções gigantescas, parecendo fugir ao nosso controle. Mas como se chegou a esse ponto? É preciso ter em mente que vivemos em sociedade. Isso significa que participamos de um complexo conjunto de grupos sociais que têm laços entre si por meio do idioma, da cultura e das relações pessoais, produtivas e de trabalho entre as pessoas.

Assim, indivíduo e sociedade influenciam um ao outro o tempo todo. O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin (1921-) mobiliza nossa compreensão sobre a relação entre indivíduo e sociedade, que diz respeito à nossa própria forma de organização social.

O ser humano define-se, antes de tudo, como trindade indivíduo/sociedade/espécie: o indivíduo é um termo dessa trindade. Cada um desses termos contém os outros. Não só os indivíduos estão na espécie, mas também a espécie está nos indivíduos; não só os indivíduos estão na sociedade, mas a sociedade também está nos indivíduos, incutindo-lhes desde o nascimento deles, a sua cultura. [...] a cultura e a sociedade permitem a realização dos indivíduos; as interações entre os indivíduos permitem a perpetuação da cultura e a auto-organização da sociedade.

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PRIMEIRA SEMANA- MARÇO

As transformações da sociedade – PARTE II

O século XX e as duas

primeiras décadas do século XXI

apresentaram profundas

e intensas transformações no modo de viver em sociedade: fronteiras e alianças

entre países se alteram; as grandes potências tentam manter sua posição dominante; muitos povos e nações clamam por paz e justiça;

avanços tecnológicos surpreendem; a quantidade e a variedade de informações aumentam; artistas e ativistas buscam ser ouvidos, vistos ou lidos. As estruturas familiares se diversificam; instituições tradicionais da política ora ganham, ora perdem credibilidade; a economia se torna mundialmente interligada. Regimes políticos entram em colapso; mobilizações sociais convergem e divergem sobre problemas e soluções para os problemas de seu tempo. Estamos

imersos em mudanças que afetam nossos hábitos, costumes,

modo de pensar, estilo de vida, visão do mundo, forma de organizar a vida coletiva. As mudanças sociais resultam de fatores culturais, políticos, econômicos, religiosos que intervêm nas diversas dimensões da sociedade, dando-lhe outro sentido. Ao analisarmos tantas e tão aceleradas mudanças, poderemos perceber o que é “ser contemporâneo”. Ser contemporâneo é “estar no mundo”, no presente, participar do “aqui e agora” e, de certo modo, captar os anseios do nosso tempo.

Mesmo com a quantidade de notícias que recebemos, algumas mudanças passam despercebidas porque, na maioria dos casos, já estamos acostumados às transformações e ao seu ritmo e amplitude: chips minúsculos controlam grandes máquinas e sistemas; a caneta que usamos na escola muitas vezes nem é produzida em nosso país; computadores são fabricados em formatos e tamanhos variados; telefones celulares nos conectam com inúmeros lugares e pessoas. Com as constantes mudanças tecnológicas, temos a necessidade de nos adaptar a valores e situações em rápida mutação. Embora de modo heterogêneo e em diferentes graus, as tecnologias e os processos de modernização vão aproximando, cada vez mais, campo e cidade. Tal aproximação, contudo, não significa o desaparecimento de determinados hábitos e características do mundo rural, trazendo novos desafios interpretativos para as Ciências Sociais. Para aqueles que têm acesso à comunicação, o mundo torna-se “pequeno”, muito próximo, mas não necessariamente mais igual. As relações sociais continuam assimétricas, entre pessoas e nações. Embora a realidade em nosso entorno se mostre com novas roupagens, o modo como a sociedade se organiza perdura em suas características gerais. Os cientistas sociais indagam constantemente sobre o que se altera e o que permanece, o que rompe com estruturas antigas e o que se constitui como novo na sociedade. As Ciências Sociais analisam e tentam explicar o que está acontecendo nos âmbitos político, econômico, cultural e social da realidade complexa que existe sob a aparência das mudanças sociais.

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SEGUNDA SEMANA- MARÇO

Vida em sociedade

No jornal, uma notícia chama a atenção ao informar que uma professora do Ensino Médio passou a postar na internet os conteúdos das aulas e as atividades a serem realizadas pelos alunos. Segundo a matéria jornalística, além de fortalecer a participação dos alunos nas atividades escolares, a iniciativa estimulou a adesão de alguns pais e ex-alunos. Formou-se o que podemos chamar de um “grupo de interesse”. Uma notícia como essa revela algo da sociedade em que vivemos: estamos em interação constante, cada vez mais por meio de novas formas de redes sociais de comunicação.

Sociedade é, em princípio, uma teia de relações sociais, voluntárias e contratuais, que envolve comunicação, consenso e diferenças entre os indivíduos e os grupos sociais. Estes mantêm laços linguísticos, culturais e no modo como se relacionam e trabalham. São, portanto, componentes fundamentais da vida social:

relações sociais;

comunicação;

interação.

Na aproximação, as pessoas podem se valer do contato face a face ou de outros meios – dos sinais de fumaça, no passado, à atualíssima comunicação virtual. Os seres humanos formam unidades sociais, como famílias e associações diversas, que atendem de forma organizada às suas necessidades básicas (abrigar-se, comer, vestir, dormir, estar seguro). Essa capacidade de constituir grupos mostra que somos seres gregários.

A mútua influência entre pessoas e grupos com afinidades supõe troca de experiências, uma soma do conhecimento que acumulamos. Quando o agrupamento de pessoas

faz circular as informações, estabelecendo redes sociais em

que os indivíduos compartilham interesses, gostos, opiniões, como no exemplo anterior da professora e dos alunos, temos o fenômeno da sociabilidade. Na sociedade e nos processos de sociabilidade, a interação social destaca-se como meio de manter unidos os grupos e a trama das relações sociais, sejam elas harmoniosas, sejam conflituosas. O sociólogo alemão Georg Simmel (1858- -1918) escreveu:

O que faz com que “a sociedade”, na acepção até agora válida da palavra, seja sociedade, são, evidentemente, as formas de interação. Uma pluralidade qualquer de homens não se torna sociedade pelo fato de existir em cada um, isoladamente, um determinado conteúdo de vida; só quando a vitalidade desses conteúdos adquire a forma de interação, só quando há efeitos recíprocos – imediatos ou mediatos – a mera coexistência dos homens no espaço ou, também, a sua sucessão no tempo se tornou sociedade.

SIMMEL, Georg. As formas sociais como objeto próprio da Sociologia. In: CARVALHO, Nanci Valadares (Org.). Leituras sociológicas. São Paulo: Vértice, 1987. p. 59

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TERCEIRA SEMANA-MARÇO

RELAÇÕES E PODER

Essa reciprocidade presente nas

relações sociais é a matéria-prima da vida

em sociedade. Mas como se definem as

relações sociais? De natureza abrangente

e subjetiva, elas aproximam os sujeitos

(indivíduos

e grupos) na realidade

imediata e dizem respeito aos seres

humanos no processo dos acontecimentos

históricos e à sua ação individualizada. As

relações sociais têm e fazem história,

acontecem no tempo e no espaço (físico,

social e virtual) e são consideradas o

objeto de estudo, por excelência, de uma das disciplinas que compõem as Ciências

Sociais: a Sociologia. Como as relações entre indivíduos e entre os grupos não

acontecem em plano de igualdade, mas a partir de posições sociais hierarquizadas, elas

implicam relações de poder. O poder se constitui na capacidade de conseguir algo,

de condicionar a vontade de alguém, de dirigir. Nesse sentido, são exemplos de

relações de poder: a sobreposição e subordinação na relação patrão e empregado; a

concorrência entre as empresas; a reprodução de comportamentos variados, como a

moda e outras formas de consumo; a divisão do trabalho em diferentes tarefas e cargos;

a formação de partidos políticos; a organização de uma comunidade religiosa; uma

quadrilha de contraventores agindo contra a população; uma cooperativa econômica de

agricultores; uma escola, onde interagem professores e alunos; a família, com a

convivência entre pais e filhos ou mesmo entre irmãos, primos, tios, avós. Estamos

falando da vida em sociedades que são realidades históricas, cheias de significado para

os seus membros. O sociólogo brasileiro Octavio Ianni (1926-2004) afirmava que a

sociedade atual, moderna, burguesa, informatizada, baseia-se em alguns princípios que

se reiteram ao longo da História, reproduzindo a estrutura social. Ou seja, nem a ciência,

nem a técnica, nem a Informática alteraram a natureza essencial das relações sociais,

dos processos e estruturas de apropriação ou distribuição das riquezas e da dominação

da sociedade capitalista. Como exemplo da permanência de certas estruturas e relações

sociais, pode ser citado o recente uso ampliado das novas mídias nos relacionamentos.

Elas trouxeram características novas para a interação entre as pessoas, como: outras

maneiras de conceber a amizade e de trocar informações, uma mudança na percepção da

privacidade e mesmo de se relacionar com o espaço. Isso, no entanto, não provocou

transformações significativas na estrutura das classes sociais. A sociedade continua

sendo um agregado de indivíduos e grupos movidos e organizados por seus interesses

comuns, ainda que esses interesses se diversifiquem ao longo do tempo.

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QUARTA SEMANA- MARÇO

As primeiras inquietações dos

cientistas sociais

A partir do século XVIII, quando se consolidou o sistema econômico em que vivemos atualmente – o capitalismo –, as formas como os indivíduos se apropriam dos recursos da natureza e dos bens produzidos passaram a ser cada vez mais importantes para o pensamento social. Os estudiosos da vida social perguntavam-se: por que tantos seres humanos estão relativamente à margem do consumo dos bens e do usufruto de direitos? Quando os indivíduos de uma sociedade acentuam as diferenças entre si, os segmentos marginalizados e as minorias são postos em situação de desvantagem. As diferenças de gênero (entre homens e mulheres), de origem étnica ou regional, entre outras, transformam-se em

desigualdades de direitos e oportunidades. Quase sempre são justificadas, disfarçadas ou

mesmo negadas por aqueles que exercem a dominação, em contextos específicos, a fim de garantir a manutenção da ordem social vigente. No entanto, essas desigualdades provocam tensões e movimentos. A Sociologia nasceu, no século XIX, em um contexto de significativas mudanças sociais, políticas e econômicas. Nessa época, na Europa ocidental, muitas pessoas deixavam o meio rural rumo às cidades. O processo intenso de urbanização e o aumento populacional desenfreado geraram uma série de problemas sociais, como crises de fome, desigualdades, epidemias e longas jornadas de trabalho em condições inadequadas. Essas questões desencadearam revoltas e mobilizações populares por melhores condições de moradia, saúde, alimentação, trabalho, entre outras necessidades a serem satisfeitas socialmente. Até então, predominava a visão de que as desigualdades sociais e econômicas eram fenômenos naturais. Essa concepção, chamada naturalista, desconsiderava a necessidade de realizar pesquisas para entender a posição dos indivíduos e grupos na estrutura da sociedade. Pensava-se que o lugar de cada um já estava determinado para sempre por normas, regras, tradições e valores sociais dominantes, como os valores religiosos. Essas normas costumavam ser justificadas por fatores biológicos e divinos. As ciências preocupadas com a vida coletiva romperam com essa visão, mostrando como o modo de se organizar socialmente e as mudanças nas formas de conviver e de trabalhar repercutiam e repercutem nas condições de vida da população. Nessa reflexão sobre a realidade das relações entre os seres humanos, as Ciências Sociais puderam identificar como se produziam e se produzem desigualdades em diferentes momentos da história da sociedade. Os fundadores da Sociologia no século XIX – hoje chamada Sociologia clássica – buscaram lidar com problemas como migrações em massa, crises sociais cíclicas, multidões de desamparados sem trabalho, alta mortalidade da população e marginalização social de alguns grupos. É importante notar que há uma relação muito forte das primeiras teorias sociais com o contexto social europeu da época, já que seus autores foram formados em universidades daquele continente. Esse pensamento e interpretação calcados na cultura e na língua dos países da Europa, é chamado de eurocentrismo e influenciou fortemente a visão do mundo no Ocidente até meados do século XX.

Referências

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