ANAIS IMPACTO DO PERFIL DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO NA VARIAÇÃO DAS AÇÕES DAS DEZ MAIORES EMPRESAS DE PETRÓLEO E GÁS DA NASDAQ

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IMPACTO DO PERFIL DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO NA VARIAÇÃO DAS AÇÕES DAS DEZ MAIORES EMPRESAS DE PETRÓLEO E GÁS DA

NASDAQ

SÁVIO DE LUNA PINTO ( savio.luna.pinto@gmail.com ) FMU - FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS

ALINE ALVES DE ANDRADE ( aline_alvesdeandrade@yahoo.com.br ) FMU - FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS

ROSELAINE CRISTINA BORGES ( rbc@bma-adm.com.br ) FMU - FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS

RESUMO

Esse artigo identificou o perfil dos conselhos de administração das dez maiores empresas de Petróleo e Gás da NASDAQ e a variação das suas ações. O método de pesquisa foi a análise qualitativa dos conselhos, em seguida a correlação desses conselhos com a variação das ações.

Como resultado, foi possível encontrar correlação positiva entre tipo de graduação e variação das ações, entretanto, o mesmo não ocorreu para tamanho do conselho, experiências anteriores e gênero.

Palavras-Chave: Governança Corporativa. Bolsa de Valores. Conselho de Administração.

INTRODUÇÃO

A Governança Corporativa é uma ferramenta importante para que as empresas evidenciem sua performance ao mercado (OECD, 2015). A divulgação dos indicadores de desempenho, se posiciona como uma das formas de evidenciar a performance, possibilitando a redução da assimetria de informação entre os gestores e acionistas (PEREIRA et al., 2010).

A identificação e controle dos indicadores, a serem divulgados, é uma das responsabilidades do conselho de administração devido a necessidade de os acionistas terem meios para analisarem o desempenho da empresa (SCHWARTZ-ZIV; WEISBACH, 2012). Neste contexto, o perfil dos membros do conselho é um item de atenção a se analisar a fim de identificar sua influência no comportamento das ações da empresa.

O setor de petróleo e gás é uma importante atividade, que envolve vários tipos de transações. No Brasil o segmento de petróleo e gás natural responde por 13% do Produto Interno Bruto PIB (PETROBRAS, 2015) participação esta significativa. Com maior ou menor participação é possível inferir que esta atividade possui participação relevante na economia de vários países. Apesar da importância do seguimento de petróleo e gás, para os países, esta atividade é desempenhada por empresas. Vale destacar, que há casos em que governos exercem muita influência no controle das empresas do segmento, mas mesmo nestes caso o resultado final da atividade está ligado ao desempenho das empresas.

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Desta forma emana o objetivo dessa pesquisa que é identificar se o perfil de formação do conselho interfere no comportamento das ações das 10 maiores empresas de Petróleo e Gás da NASDAQ. A análise abarca o período de janeiro de 2010 a setembro de 2015.

Além desta introdução, este estudo apresenta um referencial teórico, a metodologia utilizada, a apresentação e análise dos dados com a discussão e as considerações finais.

REFERENCIAL TEÓRICO

De acordo com Ribeiro (2007), a estrutura de capital de empresas americanas é dividida de forma que nem mesmo o controlador não possui parcela significativa das ações.

Por isso, Ribeiro (2007) expõe a necessidade de uma diretoria profissional para gerir a empresa e reduzir problemas de conflito. Este contexto, desta que as empresas americanas são geridas por administradores profissionais, e não por seus proprietários, ou conjunto de acionistas.

Frente a não participação dos proprietários nas atividades e decisões diárias das organizações, os acionistas têm seus interesses representados, nas empresas, por meio do conselho de administração. Dentre os estudos existentes referentes sobre o conselho de administração, se destaca os realizados por Martins e Rodrigues (2005) que teorizaram sobre o papel estratégico do conselho, e o seu impacto na governança corporativa. Apesar da importância do conselho de administração para os acionistas, este se posiciona como um custo que reduz o rendimento das ações. Neste sentido, estudos de Linck, Netter e Yang (2008) ponderaram sobre o custo e o benefício das atividades de gerenciamento e supervisão desenvolvidos pelo conselho de administração.

As atividades do conselho de gerenciamento e supervisão fazem parte do impacto que um conselho de administração exerce sobre uma empresa. Referente a esses impactos, Baptista (2012) aborda a dificuldade da realização de estudos devido a questões de confidencialidade intrínseca das empresas e a validade metodológica das técnicas empreendidas para o levantamento dos dados.

A existência de conselho de administração para monitoras os interesses dos acionistas no processo de gestão das empresas se posiciona como um dos alicerces da Governança Corporativa. No entanto, para Gomes et al. (2006) a simples implantação de um Conselho de Administração não garante a adoção e boas práticas de Governança Corporativa. Para o autor, o Conselho de Administração deve ter características que possibilitem uma atuação satisfatória em defesa do desempenho da empresa.

Silveira et al. (2003) citam que diversas pesquisas buscam associar a composição do Conselho de Administração com o desempenho das empresas, na maioria das vezes questionando se a composição do referido conselho por membros externos, não executivos, melhora o desempenho da empresa. Baysinger e Butler (1985) relataram, por meio da pesquisa, que não há relação significativa entre as medidas contábeis de desempenho e a proporção de conselheiros externos no conselho. Em contrapartida, Baghat e Black (1999) afirmam que encontraram relação significativa entre composição do conselho e o desempenho corporativo quando comparadas empresas com conselhos formados em sua maioria de membros independentes e conselhos sem essa maioria.

Corroborando com o exposto acima, Andrade, et al. (2009) conclui em seu trabalho que a composição do conselho por membros não executivos, pode ser um bom mecanismo para melhorar o índice de desempenho, exceto para as empresas que possuem altos índices de

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endividamento. Os autores expõem, ainda, que conselheiros internos podem redirecionar os resultados da empresa em busca da elevação do nível de rentabilidade operacional, por serem conhecedores dos processos da empresa. Neste sentido Arosa et al. (2013) ratificam a posição de Andrade, et al. (2009) ao proporem que a presença de conselheiros externos pode melhorar o desempenho da empresa.

Pesquisas anteriores como a de Rosenstein e Wyatt (1990) encontram relação positiva entre retorno financeiro e empresas com indicação de conselheiros externos (não integrantes da diretoria). Este contexto se expande com a análise das propostas de Weisbach (1988) que afirmou encontrar associação negativa entre desempenhos ruins e mudança do executivo principal para empresas de conselhos formados em maioria por conselheiros externos. Para este autor o desempenho está mais associado aos responsáveis pela gestão do que para aos membros do conselho de administração. No entanto, vale destacar que para Fama e Jensen (1983), Jensen e Meckling (1976) e Shleifer e Vishny (1997) a centralização da autoridade pode acarretar na dominação de gestão do conselho de administração e impactar negativamente no desempenho.

Guerra (2010) ao explorar os papéis do Conselho de Administração e sua relevância no sistema de Governança Corporativa, observa que o tamanho e idade da empresa, não são determinantes para a qualidade de governança do Conselho de Administração. Contudo, Gomes et al. (2006, p. 1) citam que “a adoção de um Conselho de Administração revela ao mercado que a empresa se preocupa com as boas práticas de Governança Corporativa e com a própria transparência, demonstrando responsabilidade em relação a seus resultados”, deixando clara a importância do Conselho de Administração para o desempenho satisfatório da empresa.

Os resultados apresentados no estudo de Gomes et al. (2006, p. 10) mostram:

(...) que as empresas pesquisadas consideram o conselheiro de administração como um profissional de grande respeito, integridade e comprometimento, com conhecimentos relevantes acerca do mercado e da empresa, podendo contribuir significativamente para o crescimento da empresa.

Silveira, et al. (2003, p. 61) constatou que:

(...) quase inexistência de correlação entre composição do conselho (INDEP) e valor converge com os resultados descritos no estudo de Hermalin e Weisbach (1991, p. 3), que afirmam que um dos principais resultados da literatura empírica sobre conselhos de administração é a ausência de correlação entre composição do conselho e variáveis de desempenho corporativo.

Segundo Pace et al. (2003) em seu estudo sobre os indicadores de desempenho como direcionadores e valor:

Medidas não-tradicionais, valorizando o Conselho de Administração independente, as formas mais democráticas de controle da sociedade, a continuidade dos gestores, bem como sua experiência e comportamento ético, estão em harmonia com as recentes medidas voltadas para a governança corporativa, atestando o entendimento de sua capacidade de

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influir no comportamento dos gestores, nos resultados futuros e na atitude dos investidores.

Em contrapartida, Andrade, et al. (2009, p. 28) relatam que o monitoramento das decisões dos administradores por conselheiros externos “(...) pode provocar efeitos inversos ao desempenho quando somadas a uma possível pressão dos credores que almejam os fluxos de caixa por meio dos juros sobre os empréstimos concedidos”.

Andrade, et al. (2009) mencionam, ainda, que as atribuições assumidas pelo Conselho de Administração podem contribuir de forma importante para explicar o desempenho e valor de mercado das empresas. Ainda sobre esse assunto, os autores concluem que “o mercado acionário tende a valorizar mais as ações de empresas com um conselho de administração composto por um número maior de conselheiros”, sendo positiva a relação entre a quantidade de conselheiros e a margem operacional (ANDRADE, et al., 2009, p. 27). Adicionalmente Andrade, et al. (2009, p. 29) averiguam:

(...) que empresas com perfis semelhantes quanto à composição do conselho de administração proporcionam impactos diferentes sobre o seu valor de mercado, conforme o tamanho da empresa, ou sobre o seu desempenho, conforme o índice de endividamento.

Quanto ao impacto da diversidade do Conselho de Administração sobre o desempenho da empresa, pode-se citar Fraga e Silva (2012, p. 73) que concluem que por meio de sua investigação que “há uma relação entre a diversidade de aspectos educacionais do conselho membros e desempenho de mercado da empresa, embora em diferentes direções (positivos para anos de escolaridade e negativo para as disciplinas de ensino) ”. Os autores reforçam, também, que a presença de mulheres no conselho é muito pequena, mas que as empresas que possuem pelo menos uma na diretoria apresentaram melhor desempenho do mercado em relação àqueles que não tinham diretor do sexo feminino.

Fraga e Silva (2012) defendem que quanto maior a diversidade do conselho melhor o desempenho. Entretanto, Ararat, Aksu e Cetin (2010) em pesquisa similar não encontraram provas de que diversidade na composição do conselho em relação ao sexo, idade e escolaridade influencia o desempenho econômico das empresas.

Contribuindo para a relevância das considerações acima, Raheja (2005) argumenta a importância dos insiders para a empresa devido a disponibilização de informações para o conselho. Afirma também que sua experiência pode melhorar o desempenho, mas pode distorcer os objetivos.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa qualitativa apoiada em análise documental. Realizou-se uma análise descritiva dos conselhos de administração das dez maiores empresas de Petróleo e Gás da NASDAQ (National Association of Securities Dealers Automated Quotations; em português, - Associação Nacional de Corretores de Títulos de Cotações Automáticas - é um mercado de ações automatizado dos Estados Unidos que lista mais de 2800 ações de diferentes empresas). Esta pesquisa se utiliza das informações disponibilizadas nas páginas web da NASDAQ que possui a relação dos investidores de cada uma dessas empresas. O

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acesso foi realizado no dia 15 de novembro de 2015. Nesta data as dez maiores empresas do setor de petróleo e gás eram: Exxon Mobil (XOM), Chevron (CVX), PetroChina (PTR), BP p.l.c. (BP), TotalFinalElf (TOT), Schlumberger N.V. (SLB), China Petroleum & Chemical Corporation (SNP), ConocoPhillips (COP), ENI S.p.A. (E), Occidental Petroleum Corporation (OXY).

As informações listadas que foram as identificadas e utilizadas nesta pesquisa foram: - sexo, - idade, - quantidade de membros do conselho, - tipo de membros do conselho, - nível de graduação e - experiências anteriores dos conselheiros. Dados estes referentes aos membros do conselho de administração.

Na sequência, utilizando-se dos dados da mesma web realizou-se a coleta e a análise descritiva do histórico das ações do período de janeiro de 2010 a outubro de 2015 das 10 empresas objeto de investigação. A análise buscou identificar variações positivas, negativas e neutras (ou padrões).

Com base nas duas analises descritas realizou-se um cruzamento com a finalidade de identificar comportamentos que relacionem e os perfis dos conselhos de administração com as variações ocorridas com as ações das empresas. Vale destacar, que as ações foram classificadas em: “desvalorização das ações” (inferior a 5%), “valorização das ações”

(superior a 5%) e “variação padrão” (entre 5% e -5%).

A análise entre perfil do conselho e desempenho foi realizada a partir do método de correlação entre cada uma das variáveis encontradas no perfil dos conselhos e as variáveis de desempenho. A interpretação da análise foi realizada a partir de Shimakura (2006) em

“Interpretação do Coeficiente de Relação”.

O modelo aponta que uma correlação entre as variáveis superior a zero é positiva, enquanto uma correlação menor que zero é negativa. Além disso, a aproximação dos valores positivos e negativos a um (positivo ou negativo) indica o grau de correlação: bem fraca, fraca, moderada, forte, bem forte. A Tabela 1 retrata o modelo utilizado.

Tabela 1 - Intepretação do Coeficiente de Relação

Valor de p (+ ou -) Interpretação 0.0 a 0.19 Uma correlação bem fraca 0.20 a 0.39 Uma correlação fraca 0.40 a 0.69 Uma correlação moderada 0.70 a 0.89 Uma correlação forte 0.90 a 1.00 Uma correlação bem forte

Fonte: Shimakura, S. E. 2006. Interpretação do Coeficiente de Relação. Avaliable at

<http://leg.ufpr.br/~silvia/CE003/node74.html>. Accessed on March 2015

O Capitulo seguinte apresenta os dados identificados na pesquisa.

RESULTADOS DE PESQUISA E DISCUSSÃO

Após identificação dos dados foi possível classificar os conselhos de administração das empresas em: sexo, tamanho, idade, afiliação com a empresa, nível de graduação, experiência anterior em outras empresas ou no governo. A Tabela 2 apresenta a composição

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do conselho de administração segundo o gênero de seus membros. A empresas estão apresentadas nas tabelas segundo a sua posição no ranking das dez maiores, desta forma a BP é a maior empresa de petróleo e gás no mundo e a XOM é a decima maior empresa do setor.

Tabela 2 - Composição do Conselho de Administração por gênero

Empresas País Masculino Feminino Quantidade Total

BP Reino Unido 80% 20% 15

COP EUA 82% 18% 11

CVX EUA 83% 17% 12

E Itália 67% 33% 9

OXY EUA 80% 20% 10

PTR China 100% 0% 11

SLB EUA 70% 30% 10

SNP China 100% 0% 11

TOT França 67% 33% 12

XOM EUA 83% 17% 12

Total 81% 19% 113

Fonte: Dados da pesquisa

Os dados da Tabela 2 apontam que do total de conselheiros apenas 19% é composto de mulheres. Vale destacar que as empresas chinesas de Petróleo e Gás apresentam composição 100% masculina, enquanto a composição feminina europeia já está em quase 1/3 do conselho.

Outra média encontrada foi a composição de 20% feminina para regiões de língua inglesa dominante mulheres em seus conselhos administrativos. A média de composição de membros do conselho está em 11 por empresa, neste item não se identifica um perfil diferenciado por pais.

A Tabela 3 apresenta a composição do conselho segundo a idade de seus membros.

Tabela 3 - Composição Conselho de Administração por idade dos membros do conselho

Reino Unido

EUA EUA Itália EUA China EUA China França EUA

Idade BP COP CVX E OXY PTR SLB SNP TOT XOM

Até 50 anos 0% 9% 0% 44% 0% 9% 10% 9% 8% 0%

51 a 60 anos 47% 27% 42% 44% 10% 73% 40% 64% 33% 17%

61 a 70 anos 53% 64% 50% 11% 80% 9% 50% 27% 58% 83%

>70 anos 0% 0% 8% 0% 10% 9% 0% 0% 0% 0%

Fonte: Dados da pesquisa

Os dados da Tabela 3 indicam, que no consolidado, a metade da composição de idade está concentrada entre 61 a 70 anos. A empresa Eni S.p.A (E) apresenta comportamento distinto com 44% da composição dos membros do conselho com idade inferior a 50 anos.

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Apenas uma empresa americana e uma empresa chinesa conselheiros com idade superior a 70 anos.

A Tabela 4 apresenta os membros do conselho (excluindo Presidentes e CEOs) diferenciando-os entre internos e externos.

Tabela 4 – Composição das empresas por características do conselho de Administração

Empresas País Conselheiro Externo Conselheiro Interno

BP Reino Unido 80% 13%

COP EUA 91% 0%

CVX EUA 92% 0%

E Itália 78% 0%

OXY EUA 90% 0%

PTR China 36% 45%

SLB EUA 90% 0%

SNP China 36% 45%

TOT França 67% 17%

XOM EUA 92% 0%

Fonte: Dados da pesquisa

Na Tabela 4 é possível observar que as empresas chinesas são as que apresentam maior contingente de conselheiros internos, com 45% do total. Como contraponto as empresas americanas não apresentam conselheiros internos.

A Tabela 5 apresenta o novel de formação dos membros do Conselho de Administração.

Tabela 5 - Composição do Conselho de Administração por Nível de Graduação

Reino Unido

EUA EUA Itália EUA China EUA China França EUA

Empresa BP COP CVX E OXY PTR SLB SNP TOT XOM

Doutorado 13% 9% 17% 0% 10% 45% 0% 73% 0% 17%

MBA 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 17% 0%

Mestrado 7% 0% 8% 22% 10% 36% 0% 18% 0% 0%

NA 80% 91% 75% 78% 80% 18% 100% 9% 83% 83%

Fonte: Dados da pesquisa

A Tabela 5 aponta que na análise que a composição dos conselhos de administração das empresas chinesas privilegia conselheiros com doutorado ou mestrado, ao passo que as empresas americanas não identificam como relevante este critério no momento de escolher seus conselheiros, pois apresentam 25% ou menos de membros do conselho com alguma pós- graduação.

A Tabela 6 apresenta a experiência profissional dos membros dos conselhos administrativos das empresas pesquisadas.

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Tabela 6 - Experiência Profissional dos Membros do Conselho de Administração.

Empresa País Experiência

como CEO

Experiência como Conselheiro

Experiência no Governo

BP Reino Unido 67% 100% 27%

COP EUA 64% 82% 36%

CVX EUA 75% 100% 42%

E Itália 67% 78% 67%

OXY EUA 70% 100% 50%

PTR China 82% 64% 9%

SLB EUA 60% 100% 20%

SNP China 82% 82% 36%

TOT França 58% 83% 42%

XOM EUA 83% 92% 8%

Fonte: Dados da pesquisa

A Tabela 6 indica que mais de 60% do conselho tem experiência anterior como presidente de empresa - CEO e 80% como Conselheiro em outras empresas. Um critério que apresenta bastante variação e impossibilita um enquadramento é a existência de experiência anterior em atividades governamentais. A empresa americana Exxon Mobil (XOM) possui 8% de seus conselheiros com experiência anterior no governo enquanto a empresa italiana Eni S.p.A. (E) possui 67% de seus conselheiros.

A Tabela 7 apresenta os valores históricos do fechamento das ações por cada uma das empresas no período de janeiro de 2010 a outubro de 2015. Essa tabela indica percentualmente em quantos a ação desvalorizou (queda superior a 5%), valorizou (crescimento superior a 5%) ou manteve uma valorização padrão (entre 5% positivo a 5%

negativo).

A Tabela 7 - Variação das Ações

Empresa País Desvalorização das Ações

Valorização das Ações

Variação padrão

BP Reino Unido 23% 24% 53%

COP EUA 54% 27% 19%

CVX EUA 41% 31% 28%

E Itália 28% 36% 36%

OXY EUA 31% 43% 26%

PTR China 29% 38% 33%

SLB EUA 36% 29% 35%

SNP China 44% 27% 29%

TOT França 41% 25% 34%

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XOM EUA 37% 22% 40%

Fonte: Dados da pesquisa

Os dados da Tabela 7 mostram que a empresa americana Conoco Phillips (COP) sofreu desvalorização das ações superior à média em 54% do período analisado, enquanto a Occidentum Petroleum Corporation (OXY) obteve valorização das ações superior à média em 43% do período analisado. Ou seja, entre 2010 a 2015 a Empresa Conoco Phillips (COP) sofreu desvalorização de suas ações em mais da metade dos dias, enquanto a Occidentum Petroleum Corporation (OXY) obteve valorização em quase metade dos dias.

A Tabela 8 apresenta a correlação de gênero (homens e mulheres) com a quantidade de membros do Conselho de Administração e a respectiva variação do valor das Ações.

Tabela 8 - Correlação de Homens, Mulheres e Tamanho do Conselho x Variação das Ações

Correlação Homens

Correlação Mulheres

Correlação Tamanho

Desvalorização p 0.11 -0.11 -0.16

Valorização p 0.09 -0.09 -0.61

Padrão p -0.18 0.18 0.60

Fonte: Dados da pesquisa

Os resultados apontam correlação bem fraca para presença de homens ou mulheres no conselho, desta forma o gênero dos membros do conselho administrativo das empresas não interfere no desempenho das empresas. Os dados da Tabela 8 possibilitam identificar uma correlação positiva moderada entre variação padrão das ações e tamanho do conselho, desta forma empresas com conselhos com maior número de membros apresentaram maior sustentação do valor de suas ações (variação padrão). Entretanto, a maior quantidade de membros no conselho também implicou em correlação negativa moderada com a valorização.

Dessa forma, a Tabela 8 apontou que a variável gênero dos membros do conselho não exerceu influencia no desempenho das ações das empresas. O resultado de não influencia do gênero no desempenho das ações das empresas de petróleo e gás desta pesquisa se contrapõe aos encontrados por Fraga e Silva (2012) que aponta para a importância de mulheres no conselho.

Em relação ao tamanho do conselho, os resultados foram destoantes aos encontrados por Andrade et al. (2009) que afirma relação positiva entre tamanho e valorização das ações pelo mercado. Para a pesquisa realizada na indústria de Petróleo e Gás, os resultados foram moderadamente negativos quanto a valorização das ações.

A Tabela 9 apresenta a correlação de idade dos membros do conselho de administração e a respectiva variação do valor das Ações.

Tabela 9 - Correlação de Idade x Variação das Ações

Correlação Até 50 anos

Correlação 51 a 60 anos

Correlação 61 a 70 anos

Correlação

>70 anos

Desvalorização das Ações -0.16 -0.18 0.26 -0.23

Valorização das Ações 0.27 0.04 -0.30 0.77

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Variação padrão -0.03 0.17 -0.06 -0.33 Fonte: Informações apresentadas nas páginas de relacionamento com o investidor

Os dados da Tabela 9 apontam que a presença de um membro com mais de 70 anos no conselho de administração apontou para a valorização das ações da empresa, pois o teste de correlação entre faixa etária dos membros do conselho e variação das ações mostrou uma forte correlação positiva entre idade superior a 70 anos e valorização das ações, resultado mais expressivo desse teste. No entanto, vale destacar que apenas uma das empresas pesquisadas apresentou conselheiro nesta condição. Esses resultados são contrários a pesquisa de Ararat, Aksu e Cetin (2010) que não encontrou correlação entre idade e desempenho.

A Tabela 10 relaciona o fato do conselheiro ser interno ou externo e a respectiva variação do valor das Ações.

Tabela 10 - Correlação entre Tipos de Conselheiros x Variação das Ações

Desvalorização das Ações Valorização das Ações Variação padrão

Conselheiro Externo 0.08 -0.11 -0.00

Conselheiro Interno -0.06 0.03 0.04

Fonte: Informações apresentadas nas páginas de relacionamento com o investidor

A análise da variável do conselheiro ser interno ou externo a Tabela 10 mostra uma correlação bem fraca em todos os pontos analisados (desvalorização, valorização e padrão).

Pesquisas realizadas no assunto divergem sobre o assunto. Enquanto Baysinger e Butler (1985) retratam a não existência de correlação entre desempenho e membros externos no conselho, Andrade et al. (2009) e Arosa et al. (2013) apresentaram correlação positiva em suas descobertas, afirmando que membros externos influenciam positivamente na valoração das ações das empresas.

A Tabela 11 apresenta a influência do nível de graduação na valoração das empresas.

Tabela 11 – Correlação entre Nível de Graduação x Variação das Ações

Doutorado MBA Mestrado NA

Desvalorização das Ações 0.13 0.18 -0.43 0.05

Valorização das Ações 0.01 -0.27 0.60 -0.20

Variação padrão -0.13 0.03 -0.01 0.10

Fonte: Informações apresentadas nas páginas de relacionamento com o investidor

Os resultados mais significativos da correlação, apresentados na Tabela 11, entre o nível de graduação do conselheiro e a variação das ações foram: uma correlação moderada positiva entre membros do conselho com mestrado e valorização das ações; correlação negativa moderada entre mestrado e desvalorização das ações; correlação fraca negativa entre valorização das ações e MBA; e correlação fraca negativa entre valorização das ações e graduação não informada (NA). Nesta condição a formação em mestrado se apresentou favorável para a valoração da empresa.

A Tabela 12 apresenta a influência da experiência profissional do conselheiro na valoração das empresas.

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Tabela 12 – Correlação entre Experiência Profissional x Variação das Ações

Experiência como CEO Experiência como Conselheiro

Experiência no Governo

Desvalorização das Ações -0.08 -0.08 0.02

Valorização das Ações 0.08 -0.19 0.38

Variação padrão -0.00 0.22 -0.29

Fonte: Informações apresentadas nas páginas de relacionamento com o investidor

Em relação a resultados significativos para experiência profissional, apresentados na Tabela 12, foi encontrada uma correlação fraca positiva entre membros com experiência anterior no governo e valorização das ações e uma correlação negativa fraca entre variação padrão e experiência no Governo.

Na sequência este estudo aponta os principais pontos observados na pesquisa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após o teste de correlação realizado foi possível identificar importantes relações entre desempenho e perfil do conselho. Algumas das características dos conselhos não apresentaram correlação significativa com o desempenho das ações das empresas. Entretanto foi possível encontrar características relevantes para a formação do conselho das empresas de petróleo de gás. As principais características encontradas para a formação de um conselho de administração com bom desempenho são: correlação moderada negativa de tamanho do conselho e valorização das ações; correlação moderada positiva entre manutenção das ações (variação padrão) e tamanho do conselho – nestas condição conselhos com menor número de membros apresentam melhor desempenho, mas conselhos com maior número apresentam menor variação tanto positiva quanto negativa; correlação forte positiva entre presença com membro acima de 70 anos e valorização das ações - as empresas com conselheiros com mais de 70 anos apresentaram boa valorização de suas ações; e correlação moderada positiva entre mestrado e valorização das ações – a presença de membros com mestrado mostrou-se benéfica para a valorização das empresas.

Para a pesquisa realizada é importante ressaltar que diferentes países apresentam características diferentes para criação dos conselhos, podendo gerar resultados diferentes caso a pesquisa se desenvolvesse em um único país. Isto fica evidente quando se observa a diferença entre empresas americanas, com presença de 100% dos conselheiros como membros externos; e empresas europeias e asiáticas, com maior mistura de conselheiros externos e internos. Outra limitação da pesquisa é a falta de informação sobre membros anteriores do conselho, que poderiam possibilitar melhor entendimento da trajetória do conselho de administração das empresas. Vale destacar que o perfil do conselho de administração das empresas é apenas uma das variáveis que interfere no desempenho de suas ações. Outras variáveis de perfil global que impactam em todas as empresas, ou então variáveis locais que interferem no desempenho de apenas algumas empresas influenciam na valoração das empresas.

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O desenvolvimento de pesquisas similares a executada, mas focando outros seguimentos da economia se apresentam oportunas, para identificar a influência do conselho de administração nas empresas de forma geral.

REFERÊNCIAS

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