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DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEI DE DIREITO AUTORAL

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

AVM FACULDADE INTEGRADA

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

A LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA NO PROCESSO DO TRABALHO

AUTOR

SIMONE ARRUDA DE FARIAS

ORIENTADOR

PROF. CARLOS AFONSO LEITE LEOCADIO

RIO DE JANEIRO 2014

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

AVM FACULDADE INTEGRADA

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

A LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA NO PROCESSO DO TRABALHO

Monografia apresentada à Universidade Candido Mendes – AVM Faculdade Integrada, como requisito parcial para a conclusão do curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Direito e Processo do Trabalho.

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RESUMO

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METODOLOGIA

O presente trabalho constitui-se em uma descrição detalhada das características jurídicas do fenômeno em estudo, do tratamento conferido a cada uma delas pelo ordenamento jurídico nacional e de sua interpretação pela doutrina especializada, tudo sob o ponto de vista específico do direito positivo brasileiro.

Para tanto, o estudo que ora se apresenta foi levado a efeito a partir do método da pesquisa bibliográfica, em que se buscou o conhecimento principalmente em livros e artigos, além de publicações oficiais da legislação e da jurisprudência.

Por outro lado, a pesquisa que resultou nesta monografia também foi empreendida através do método dogmático, porque teve como marco referencial e fundamento exclusivo a dogmática desenvolvida pelos estudiosos que já se debruçaram sobre o tema anteriormente, e positivista, porque buscou apenas identificar a realidade social em estudo e o tratamento jurídico a ela conferido, sob o ponto de vista específico do direito positivo brasileiro.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO... 8

CAPÍTULO I O QUE É LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA... 12

1.1 – CONCEITO... 13

1.2 – NATUREZA JURÍDICA DA LIQUIDAÇÃO... 20

1.3 – FINALIDADE... 13

1.4 – A MUDANÇA NOS PROCEDIMENTOS DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA COM O ADVENTO DA LEI 11.232/2005... 13

1.5 – ANÁLISE DOS ARTIGOS DO CPC QUE REGULAM A LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA... 20

CAPÍTULO II MODALIDADES DE LIQUIDAÇÃO... 13

2.1 – LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS... 13

2.2 – LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO... 13

2.3 – LIQUIDAÇÃO POR ARTIGOS... 13

2.4 – SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO – NATUREZA JURÍDICA... 13

CAPÍTULO III MODALIDADES DE DEFESA ... 28

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3.2 – EMBARGOS À PENHORA...13

3.3 – IMPUGNAÇÃO À SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO...13

3.4 – AGRAVO DE PETIÇÃO... 13

CONCLUSÃO... 36

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho é um estudo sobre a liquidação de sentença na Justiça do Trabalho. Nesse contexto, o trabalho dedica-se a fazer uma revisão bibliográfica acerca do assunto evidenciando as mudanças ocorridas recentemente na legislação que tentaram tornar a liquidação de sentença mais célere no processo do trabalho; dedica-se ainda a detalhar o que é Liquidação de Sentença e em quais casos se faz necessária, bem como as diferentes modalidades de liquidação e seus procedimentos. Adicionalmente o presente estudo apresenta as formas com que o executado pode se defender, além das formas com que o credor pode discutir o quantum debeatur da liquidação.

O estudo do tema e das questões analisadas em torno do mesmo justifica-se pelo fato de que a moderna doutrina tem defendido a existência do princípio da função social da execução trabalhista, em razão do caráter publicista do processo do trabalho e do relevante interesse social envolvido na satisfação do crédito trabalhista. Desta forma a execução deve ser direcionada no sentido de que o exequente receba o bem pretendido de forma célere e justa.

Embora a CLT preveja um procedimento simplificado para a execução, a cada dia o procedimento da Consolidação vem perdendo terreno para a inadimplência, contribuindo para a falta de credibilidade da jurisdição trabalhista. Ainda que tenha um título executivo judicial nas mãos, o credor trabalhista vem enfrentando um verdadeiro calvário para satisfazer seu crédito e, muitas vezes, tendo o executado numerário para satisfazer o credito do exequente, prefere apostar na burocracia processual e deixar para adimplir o crédito somente quando se esgotar a última forma de impugnação.

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Visando um trabalho objetivo, cujo objeto de estudo seja bem delineado e especificado, a presente monografia dedica-se, especificamente, às questões relativas ao direito do trabalho brasileiro e da Justiça do Trabalho brasileira, trazendo as ideias dos principais autores em Execução Trabalhista, como o renomado professor Manoel Antonio Teixeira Filho. Seu livro, Execução no Processo do Trabalho está na décima edição e é o mais completo e profundo sobre o assunto. Trata-se de obra indispensável para todos os operadores do Direito. Outro importante nome da Justiça Trabalhista Brasileira é Mauro Schiavi, Juiz titular em São Paulo. Sua obra traz relevantes conceitos em execução trabalhista, decorrentes da experiência adquirida pelo autor no exercício da magistratura e do magistério do processo do trabalho.

O primeiro capítulo desse estudo apresenta a liquidação de sentença. Seu conceito na doutrina, a sua natureza jurídica bem como sua finalidade. Demonstra, também, as mudanças ocorridas na liquidação com o advento da Lei 11.232/2005.

No segundo capítulo são apresentadas as modalidades de liquidação e seus procedimentos. São três modalidades, a saber: liquidação por cálculos, liquidação por arbitragem e liquidação por artigos. Sendo essa última modalidade a, atualmente, mais utilizada na justiça do trabalho do Rio de Janeiro.

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CAPÍTULO I

O QUE É LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

De acordo com o Código Civil Brasileiro existem alguns requisitos para que um título executivo tenha eficácia, como a certeza e determinação da obrigação contida no título. Manoel Antonio Teixeira Filho esclarece:

Em um plano ideal, as obrigações consubstanciadas em títulos executivos judiciais deveriam ser sempre líquidas, ou seja, conter todos os elementos necessários à sua imediata execução, porquanto a certeza do credor em relação ao montante do seu crédito – e, em contrapartida, a do devedor, quanto ao total da dívida – propiciaria uma execução rápida e livre de boa parte dos incidentes que a entravam (Teixeira Filho, 2011, p. 262). Deste modo, a incerteza que possa haver na sentença exequenda deve-se somente ao montante da dívida, essa situação exigirá a prática de certos atos de forma a se quantificar o valor a ser exigido ao devedor. Esse conjunto de atos é chamado de liquidação.

Com a liquidação, o título executivo está apto a ser executado, pois se o título não for líquido, certo e exigível, o procedimento da execução é nulo

(Schiavi, 2012, p. 173).

1.1 – CONCEITO

De acordo com Pedro Paulo Teixeira Manus:

Entende-se por liquidação de sentença o conjunto de atos processuais necessários para aparelhar o título executivo, que possui certeza, mas não liquidez, à execução que se seguirá. Com efeito, tratando-se a condenação do reconhecimento de obrigação de dar quantia certa, quase sempre a decisão que se executa, embora certa quanto ao seu objeto, não traz os valores devidos de forma líquida (Manus, 2008, p. 17).

Já Manoel Antonio Teixeira Filho conceitua a liquidação como (a) a

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condenação (e) ou se individuar o objeto da obrigação, (f) mediante a utilização, quando necessário, dos diversos meios de prova admitidos em lei.

A pesquisa identificou ser esse o conceito mais completo, pois o autor detalha os elementos que o compõem conforme veremos a seguir:

(a) Fase preparatória da execução.

Embora a liquidação, do ponto de vista sistemático, integre a execução, sob o aspecto lógico ela figura como fase destinada a preparar a execução, a tornar exequível a obrigação contida no título judicial, seja precisando o valor da condenação ou individuando o objeto da obrigação.

(b) Em que um ou mais atos são praticados. Esse elemento tem o propósito de chamar a

atenção para o fato de que, embora, no geral, credor e devedor pratiquem diversos atos convenientes aos seus interesses, na liquidação há casos em que o escopo da liquidação é atingido mediante a p´ratica de um só ato pela parte (o credor apresenta artigos de liquidação que não são impugnados pelo devedor).

(c) Por uma ou por ambas as partes.

Embora o devedor tenha sido colocado em um estado de sujeição pelo legislador, não se deve tirar desse fato a conclusão de que ele não possua direito a praticar atos necessários a fazer com que a execução não transborde do título executivo, ou que não se afaste do devido procedimento legal.

(d) Com a finalidade de estabelecer o valor da condenação. Via de regra as liquidações trabalhistas

tendem a quantificar o valor da condenação, pois o que mais se costuma pedir, no âmbito da Justiça do Trabalho, é a emissão de provimentos condenatórios do réu ao pagamento de certa quantia.

(e) Ou de individuar o seu objeto. Em

alguns casos o que se busca, na fase de liquidação, não é definir o quantum debeatur e sim individuar o objeto da obrigação. Em situações como essas, a atividade que as partes deverão desenvolver concentra-se na fixação do

gênero e da qualidade do objeto obrigacional.

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Determinadas liquidações reclamam a abertura de fase voltada a provar certos fatos que são relevantes ou mesmo imprescindíveis para definir-se o montante da condenação.

1.2 – NATUREZA JURÍDICA DA LIQUIDAÇÃO

A doutrina que predomina é a de que a liquidação é uma fase preparatória para a execução. Essa é a opinião de Manoel Antonio Teixeira Filho (Teixeira Filho, 2011, p. 265), pois a liquidação foi instituída para tornar possível a

execução da obrigação expressa no título executivo judicial. Daí o sentido preparatório de que ela se reveste.

Porém, de acordo com Mauro Schiavi (id. Ibid.), a doutrina ainda não chegou a um consenso sobre a natureza jurídica da sentença de liquidação. Segundo o autor, para alguns a natureza é declaratória, para outros constitutiva.

A natureza da liquidação é declaratória, uma vez que traz a lume aquilo que se encontra implicitamente na sentença anterior. (Liebman apud Schiavi, 2012, p 173).

Já para Pontes de Miranda, a natureza jurídica é

constitutivo-integrativa, uma vez que não se limita à mera declaração, mas também dá uma certeza àquilo que até então era incerto. (Pontes de Miranda apud Schiavi, 2012, p. 173).

Para Mauro Schiavi, a liquidação é uma fase integrativa da sentença,

de natureza constitutiva, fazendo parte da fase de conhecimento, que visa a apurar o quantum debeatur ou individualizar o objeto da execução.

Ainda de acordo com o autor, a liquidação não pode ir além do que foi fixado na decisão transitada em julgado, sob pena de nulidade do procedimento.

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Na liquidação não se poderá modificar, ou inovar, a sentença liquidanda, nem discutir matéria pertinente à causa principal.

Bem como, o art. 475-G do CPC:

É defeso, na liquidação, discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou.

Ou seja, o procedimento de liquidação de sentença não enseja nova discussão da lide já decidida, que deu origem à sentença ilíquida, mas tão-somente integrar o título judicial.

1.3 – FINALIDADE

A liquidação tem por finalidade estabelecer o valor exato, líquido e certo, ou a individualização do objeto da obrigação, conforme o caso. Como apregoa Manoel Antonio Teixeira Filho ela se destina, por outros termos, a tornar

líquida a obrigação oriunda do título executivo judicial, como requisito imprescindível à exigibilidade deste (id. p. 266).

1.4 – A MUDANÇA NOS PROCEDIMENTOS DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA COM O ADVENTO DA LEI 11.232/2005.

Antes da Lei 11.232/2005 a liquidação de sentença ocorria em processo autônomo, distinto do processo de Conhecimento e também do Processo de Execução.

Com a reforma legislativa as três fases passaram a integrar o mesmo processo, porém mesmo com essa união não foi o fim da autonomia substancial entre elas, isso por que para iniciar a execução da sentença condenatória é necessário o requerimento do credor.

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desta forma, alterar a sentença, nem discutir novamente a lide durante a liquidação.

A sentença condenatória genérica que é a que precisa ser liquidada, só é proferida quando o pedido feito na inicial é igualmente genérico.

Mesmo com a unificação da liquidação, esta não perdeu sua autonomia, devendo ser considerada uma ação com objeto distinto daqueles veiculados nas ações que com a liquidação se relacionam.

Segundo Enrico Tullio Liebman, a condenação genérica e a liquidação são decididas em momentos diferentes, através de duas sentenças consecutivas, sendo a segunda apenas complementar, e juntas constituirão a decisão da causa.

Vemos que na liquidação de sentença, quando há vários réus o credor não está obrigado a executar a sentença em relação a todos, podendo assim o autor requerer a execução contra apenas um deles.

1.5 - ANÁLISE DOS ARTIGOS DO CPC QUE REGULAM A LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

Art. 475-A. Quando a sentença não determinar o valor devido, procede-se à sua liquidação.

O caput do art. 475-A revela a possibilidade do cabimento de ação de liquidação de sentença, que é quando falta ao título executório o atributo da liquidez.

§ 1o Do requerimento de liquidação de sentença será a parte intimada, na pessoa de seu advogado.

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mesmo contexto, por não se tratar de petição inicial, o requerimento não precisa obedecer aos termos do art. 282 do CPC, basta a apresentação de uma petição simples ao juízo competente. Este, diante do silêncio da lei, é considerado por grande parcela da doutrina como o juízo descrito no art. 475-P do CPC.

§ 2o A liquidação poderá ser requerida na pendência de recurso, processando-se em autos apartados, no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes.

É possível a liquidação de sentença mesmo quando houver recurso interposto, tanto de efeito suspensivo quanto com efeito meramente devolutivo. A liquidação será requerida no juízo de origem e seguirá em autos apartados ao do processo, sendo sempre definitiva, independentemente do efeito do recurso. Os efeitos suspensivos dos recursos interferem apenas quanto ao cumprimento de sentença tornando este provisório ou definitivo.

§3o Nos processos sob procedimento comum sumário, referidos no art. 275, inciso II, alíneas ‘d’ e ‘e’ desta Lei, é defesa a sentença ilíquida, cumprindo ao juiz, se for o caso, fixar de plano, a seu prudente critério, o valor devido.

Consta do parágrafo anterior duas vedações expressas de se prolatar sentença ilíquida: em ação de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo via terrestre e ação de cobrança de seguro, em relação aos danos causados em acidente de veículo. Em ambos os casos o juiz pode, se necessário, fixar o valor devido para tornar líquido o título executivo.

Art. 475-B. Quando a determinação do valor da condenação depender apenas de cálculo aritmético, o credor requererá o cumprimento da sentença, na forma do art. 475-J desta Lei, instruindo o pedido com a memória discriminada e atualizada do cálculo.

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§ 1o Quando a elaboração da memória do cálculo depender de dados existentes em poder do devedor ou de terceiro, o juiz, a requerimento do credor, poderá requisitá-los, fixando prazo de até trinta dias para o cumprimento da diligência.

A posse de dados imprescindíveis à liquidação de sentença por terceiro ou devedor, não pode prejudicar o andamento do processo, tampouco obstruir a prestação jurisdicional e, portanto, o juiz pode fixar prazo de até 30 dias para que as informações sejam apresentadas.

§ 2o Se os dados não forem, injustificadamente, apresentados pelo devedor, reputar-se-ão corretos os cálculos apresentados pelo credor, e, se não o forem pelo terceiro, configurar-se-á a situação prevista no art. 362.

Deixando o devedor de apresentar, de maneira injustificada, os dados necessários para a apuração do valor devido, o valor apresentado pelo credor será tido como verdadeiro. Há discussão na doutrina acerca de que, tendo alcançado a preclusão referida na primeira parte do artigo em tela, se poderia ou não o devedor opor impugnação por excesso de execução. No caso do terceiro que, mesmo depois de terminar o prazo fixado para o cumprimento da diligência dos respectivos dados em seu poder, não apresentar tais informações, deve o juiz decretar mandado de busca e apreensão sem prejuízo à imputação do delito de desobediência ao terceiro.

§ 3o Poderá o juiz valer-se do contador do juízo, quando a memória apresentada pelo credor aparentemente exceder os limites da decisão exeqüenda e, ainda, nos casos de assistência judiciária.

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§ 4o Se o credor não concordar com os cálculos feitos nos termos do § 3o deste artigo, far-se-á a execução pelo valor originariamente pretendido, mas a penhora terá por base o valor encontrado pelo contador.

Num olhar rápido sobre o art. percebe-se que este talvez fosse inconstitucional por ferir o Direito de ampla defesa, porém, a correta interpretação é de que o credor, não concordando com os cálculos apresentados pelo contador do juízo, deverá impugná-los. A impugnação deve ser decidida nos autos e dessa decisão interlocutória cabe recurso de agravo. Exercido o direito de ampla defesa e rejeitada a impugnação, aí sim, a penhora terá por base o valor apresentado pelo contador judicial.

Art. 475-C. Far-se-á a liquidação por arbitramento quando:

I – determinado pela sentença ou convencionado pelas partes;

II – o exigir a natureza do objeto da liquidação;

A liquidação por arbitramento deve ser feita quando for necessária perícia para a definição do valor debatido.

Art. 475-D. Requerida a liquidação por arbitramento, o juiz nomeará o perito e fixará o prazo para a entrega do laudo.

Por motivo de economia processual, a perícia utilizada nesta fase do processo é mais simples e superficial que a disposta nos arts. 420 a 439 do CPC.

Parágrafo único. Apresentado o laudo, sobre o qual poderão as partes manifestar-se no prazo de dez dias, o juiz proferirá decisão ou designará, manifestar-se necessário, audiência.

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Art. 475-E. Far-se-á a liquidação por artigos, quando, para determinar o valor da condenação, houver necessidade de alegar e provar fato novo.

Não se observa, neste caso, fatos que modifiquem o processo, pois a sentença transitada em julgado não pode ser alterada, mas sim fatos novos que foram previstos genericamente na sentença prolatada. A liquidação, neste sentido, se faz para provar o fato novo.

Art. 475-F. Na liquidação por artigos, observar-se-á, no que couber, o procedimento comum (art. 272).

Dentro do procedimento tratado pelo artigo, pode o rito ser sumário ou ordinário, de acordo com o caso concreto. Serão apresentados a petição inicial, cumprindo os requisitos estabelecidos nos arts. 282 e 283 do CPC, a defesa, as provas, razões finais etc.

Art. 475-G. É defeso, na liquidação, discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou.

A Liquidação de Sentença não objetiva modificar o caráter material definido na sentença condenatória. Vale ressaltar acerca do assunto a explicação publicada no Agravo de Instrumento n° 34410, rel. Min. Fontes de Alencar, j. 30.3.1993. “A sentença deve ser executada segundo o que nela se contém de

modo expresso e implícito, fielmente, adotando-se o adjetivo preciso. Ao diverso proceder, à evidência o desacato à autoridade da coisa julgada”.

Art. 475-H. Da decisão de liquidação caberá agravo de instrumento.

A Liquidação, não obstante ao seu caráter de ação nem à geração de uma sentença com conteúdo meritório, é recorrível por agravo pelo fato que a decisão que decorre da mesma não põe fim ao processo, ou seja, trata-se de decisão interlocutória.

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CAPÍTULO II

MODALIDADES DE LIQUIDAÇÃO

De acordo com o art. 879 da CLT existem três formas de liquidação de sentença: por cálculos, por arbitramento e por artigos. Porém o legislador tratou, nesse artigo, apenas de definir as formas de cálculo, sem se aprofundar nos procedimentos. Sendo assim a conceituação das três formas de liquidação serão encontradas no CPC, capítulo IX, artigos de 475-A a 475-H.

Esse estudo analisará mais detidamente essas modalidades a seguir.

2.1- LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS

A liquidação por cálculos acontece quando a determinação do valor da condenação depender apenas de cálculos aritméticos, como diz o art. 475-B do CPC:

Quando a determinação do valor da condenação depender apenas de cálculo aritmético, o credor requererá o cumprimento da sentença na forma do art. 475-J desta Lei, instruindo o pedido com a memória discriminada e atualizada do cálculo.

O credor tem o ônus de instruir o requerimento de cumprimento de sentença com a memória discriminada e atualizada do cálculo, isto é, com documento escrito integrativo da decisão judicial que condenou o devedor ao pagamento de quantia, no qual deverá justificar as soluções da operação ou combinação de operações sobre números estabelecidos no comando judicial.

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para se chegar ao exato valor executado: índices adotados, juros, termos inicial e final para incidência de correção, explicitar o que representa cada condenação, principal, despesas e custas processuais e honorários advocatícios.

Sendo assim, no Processo do Trabalho, uma vez transitada em julgado a decisão, o juiz pode de ofício, dar início à liquidação, intimando o reclamante para apresentar cálculos de liquidação, no prazo de dez dias. Caso o autor não se manifeste, intima-se a reclamada para fazê-lo, no mesmo prazo. Assim diz o §1º-B do art. 879 da CLT: as partes deverão ser previamente para a apresentação do

cálculo de liquidação, inclusive da contribuição previdenciária incidente.

O valor das contribuições previdenciárias, que são fixadas em sentença, deve ser apresentado pelas partes em seus cálculos, devendo o INSS ser intimado para impugnar os valores dessas contribuições em dez dias, sob pena de preclusão.

Também se aplicam ao processo do trabalho os parágrafos 1º e 2º do art. 475-B do CPC:

§1º. Quando a elaboração da memória do cálculo depender de dados existentes em poder do devedor ou de terceiro, o juiz, a requerimento do credor poderá requisitá-los, fixando prazo de até trinta dias para o cumprimento da diligência.

§2º. Se os dados não forem, injustificadamente, apresentados pelo devedor, reputar-se-ão corretos os cálculos apresentados pelo credor, e, se não o forem pelo terceiro, configurar-se-á a situação prevista no art. 362.

2.1.1- Concessão de Prazo

a) Cálculos do Contador

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Elaborada a conta e tornada líquida, o juiz poderá (grifo nosso) abrir às partes prazo sucessivo de 10 (dez) dias para impugnação fundamentada com a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de preclusão.

De acordo com o autor, qualquer manifestação nesta fase deverá se dar em sede de Embargos à Execução, já que para isso o devedor deverá garantir o juízo.

Confeccionados, portanto, os cálculos pelo contador, caberá ao juiz homologá-los ou ordenar que sejam refeitos, segundo os critérios que estabelecer. Qualquer impugnação das partes só poderá ser externada na fase dos embargos do devedor, sejam oferecidos ou não. Com isso, o devedor, para atacar a “sentença” de liquidação, deverá realizar a garantia patrimonial do juízo (Teixeira Filho, 2011, p. 285).

b) Cálculo da Parte

Tendo o cálculo sido apresentado por uma das partes, ou por ambas, o juiz deverá abrir prazo de dez dias para a parte contrária se manifestar. A

possibilidade de o juiz homologar, de plano, os cálculos só ocorrerá se estes forem confeccionados pelo contador ou por outro órgão auxiliar da Justiça do Trabalho (id. p. 284).

2.2- LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO

O art. 475-C esclarece as hipóteses de liquidação por arbitramento:

Far-se-á a liquidação por arbitramento quando:

I – determinado pela sentença ou convencionado pelas partes;

II – o exigir a natureza do objeto da liquidação.

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O arbitramento consiste, em exame ou vistoria pericial de pessoas ou coisas, com a finalidade de apurar o quantum relativo à obrigação pecuniária que deverá ser adimplida pelo devedor, ou, em determinados casos, de individuar, com precisão, o objeto da condenação (id. p. 286).

Requerida a liquidação por arbitramento, o juiz nomeará o perito e fixará o prazo para entrega do laudo. Apresentado o laudo, sobre o qual poderão as partes manifestar-se no prazo de dez dias, o juiz proferirá decisão ou designará, se necessário, audiência (CPC art. 475-D caput e parágrafo único).

O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos (CPC art. 436).

2.3- LIQUIDAÇÃO POR ARTIGOS

Segundo Manoel Antonio Teixeira Filho:

Denomina-se por artigos a essa modalidade de liquidação porque incumbe à parte (em geral o credor) articular em sua petição, aquilo que deve ser liquidado, ou seja, indicar um a um, os diversos pontos que constituirão objeto da quantificação, concluindo por pedir, segundo Leite Velho, “quantia, quantidade e qualidade certas”.

A CLT, embora admita a liquidação por artigos em seu artigo 879,

caput, não disciplina seu procedimento. Logo é necessário recorrer ao CPC, art.

475-F: Far-se-á a liquidação por artigos, quando, para determinar o valor da

condenação houver necessidade de alegar e provar fato novo.

Para Mauro Schiavi, o fato novo é o fato reconhecido na sentença de

forma genérica, mas que necessita ser detalhado na fase de liquidação (Schiavi,

2012, p. 183). Pedro Paulo Teixeira Manus cita alguns exemplos de fatos novos:

(23)

sentença deixou para serem apurados em liquidação, e que não representam inovação ou modificação desta.

O rito a ser obedecido na liquidação por artigos é o mesmo da fase de conhecimento, como demonstra o art. 475-F: na liquidação por artigos,

observar-se-á, no que couber, o procedimento comum (art. 272).

Para Manoel Antonio Teixeira Filho, em decorrência do disposto nos

arts. 475-F e 272 do CPC será possível na liquidação por artigos, entre outras coisas:

a) o indeferimento da petição contendo os articulados (CPC, art. 267, I);

b) a extinção da liquidação, pelas demais causas previstas nos incs. II a IX do mesmo artigo (sem julgamento do mérito), ou no art. 269 I a V (com exame do mérito);

c) a revelia do devedor (CPC, art. 319); d) a suspensão e a extinção da liquidação (CPC, arts. 265 e 267);

e) o julgamento antecipado da liquidação (CPC, art. 330);

f) a produção de todas as provas em direito admitidas(CPC, art. 332);

g) a designação de audiência, para a coleta de prova oral (CPC, art. 444).

De acordo com Mauro Schiavi, alguns exemplos de liquidação por artigos no processo do trabalho são:

a) sentença proferida em sede de Ação Civil Pública em que a sentença condena a pagar dano moral coletivo, mas não fixa o valor;

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c) a liquidação de sentença penal que responsabiliza o empregador em determinado acidente de trabalho pode ser executada na Justiça do Trabalho, realizando-se a liquidação dos danos civis pela modalidade de artigos.

2.4 - SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO – NATUREZA JURÍDICA

Muito ainda se discute em relação à natureza jurídica da sentença de liquidação, tendo em vista que, para a maioria, não se trata de sentença, mas sim de decisão interlocutória.

Essa é a visão de Manoel Antonio Teixeira Filho:

Desde, logo, contudo, devemos denunciar a impropriedade dessa expressão legal, pois, segundo a definição contida no § 1º do art. 162 do CPC, sentença é o ato pelo qual o juiz põe fim ao processo, examinando ou não, o mérito da causa. (...) Ora, o ato pelo qual o juiz define os valores da execução não se destina a dar fim ao processo, e sim a tornar líquida a obrigação contida no título executivo para que este se torne exigível.

Corroborada por Mauro Schiavi:

No nosso sentir, a decisão que homologa os cálculos, apesar de ser chamada de “sentença”, nem sequer encerra o procedimento de liquidação, pois as impugnações podem ser renovadas na impugnação pelo reclamante e nos embargos à execução pela reclamada. Portanto, acreditamos que ela é uma decisão especial, irrecorrível, que tem índole de uma decisão interlocutória qualificada ou mista, que decide a fase de liquidação, sem status de definitividade.

Também há polêmica quanto à natureza jurídica, propriamente dita, com alguns juristas classificando-a como condenatória, como Frederico Marques:

e se destina a completar a anterior condenação, para fazê-la título executivo líquido e certo (Marques apud Teixeira Filho, 2011 p. 277). E outros, como Pontes

de Miranda, classificando-a como constitutiva negativa (op. cit.). Essa pesquisa adotou o entendimento de Manoel Antonio Teixeira Filho, por entender ser a mais correta:

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quantum debeatur, sendo-lhe defeso, nesse mister, modificar a sentença liquidanda, ou revolver matéria resolvida na causa principal e já tornada definitiva pelo fenômeno jurídico da coisa julgada material ( CLT, art. 879, parágrafo único).

Por força do art. 884, §3º da CLT, a sentença de liquidação não pode ser impugnada de imediato. O reclamante somente poderá impugná-la na chamada impugnação à conta de liquidação, e o réu nos embargos à execução.

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CAPÍTULO III

MODALIDADES DE DEFESA

De acordo com a CLT existem três formas de manifestação por parte do devedor: os embargos à execução, os embargos à penhora e a impugnação à sentença de liquidação. Além da impugnação aos cálculos por parte do credor.

Porém com o objetivo de dotar o processo do trabalho de celeridade, não há qualquer discussão sem que o juízo esteja garantido. Assim dispõe o art. 884 da CLT:

Art. 884. Garantida a execução, ou penhorados os bens, terá o executado cinco dias para apresentar embargos, cabendo igual prazo ao exequente para impugnação.

3.1 – EMBARGOS À EXECUÇÃO

Os embargos à execução são a principal espécie de defesa do executado. Manoel Antonio Teixeira Filho conceitua os embargos como a ação do

devedor, ajuizada em face do credor, no prazo e forma legais, com o objetivo de extinguir, no todo ou em parte, a execução, desconstituindo, ou não, o título em que esta se funda (Teixeira Filho, 2011, p. 470).

Já para Pedro Paulo Teixeira Manus:

A denominação de embargos à execução é utilizada pelo legislador para designar os meios de defesa colocados à disposição do executado, após garantido o juízo, aí incluídos os embargos à execução, à penhora e a impugnação de sentença, como decorre do art. 884 da CLT. Eis por que os embargos à execução no processo do trabalho têm natureza de incidente de execução, configurando simples meio de defesa e não uma ação, não obstante assim entenda parte da doutrina. Concebida a execução como simples fase do processo do trabalho, não tendo natureza de ação independente, não seria compatível com a diretriz dada a esse processo tratar os embargos à execução como ação.

Esse estudo adotou a visão de Manus, de que os embargos à execução são simples fase do processo do trabalho e não uma ação independente.

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3.1.1 - Pressupostos de Admissibilidade

De acordo com o artigo 844, caput, da CLT, os pressupostos de admissibilidade dos embargos, na execução trabalhista – é a garantia do juízo e o requisito fundamental para o recebimento dos Embargos à Execução é que a matéria já tenha sido objeto de impugnação, sob pena de preclusão.

Somente a Fazenda Pública está dispensada do cumprimento dessa exigência. (Art. 730 do CPC).

3.1.2 - Cabimento dos Embargos à Execução

O artigo 741 do CPC, aplicado subsidiariamente na Justiça do Trabalho determina que, os embargos à execução, fundados em título judicial, poderão versar sobre:

a) falta ou nulidade de citação, no processo de conhecimento, se a ação lhe correr à revelia;

b) inexigibilidade do título c) ilegitimidade das partes

d) cumulação indevida de execuções

e) excesso da execução ou nulidade desta até a penhora

f) qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva de obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença

g) incompetência do juízo da execução bem como suspeição ou impedimento do juiz.

Nos embargos à execução, no processo trabalhista, pode ainda o executado impugnar a sentença de liquidação, isto é, evidenciar vícios no processo de liquidação e equívocos no mérito da sentença, como erros de cálculo, critérios incorretos, etc. em princípio, toda a defesa do executado, na fase de liquidação pode ser renovada mediante os embargos à execução.

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sanáveis, por exemplo, ilegibilidade de documentos, o juiz poderá determinar que o Embargante supra a falha.

O Embargante pode requerer a desistência dos embargos, prosseguindo-se a execução.

3.1.3 - Procedimentos para Interposição dos Embargos

A CLT não disciplinou diversas situações e aspectos importantes relativos aos procedimentos para interposição dos embargos, havendo, por isso, a necessidade de ser invocada supletivamente a Lei 6.830/80 (Lei dos Executivos Fiscais e o CPC).

De acordo com Manoel Antonio Teixeira Filho, os passos para interposição dos Embargos são:

a) a petição inicial de embargos deverá ser elaborada observando-se os requisitos legais (CLT, art 884, § 1º ); b) deverá ser obrigatoriamente instruída com a prova da garantia do juízo ou da penhora (CPC, art. 283 e 737 – CLT)

c) o executado poderá alegar toda a matéria de defesa (Lei 6.830/80, art. 16, § 2º, arts. 821, 879, 884 - §§ 1º e 2º da CLT – CPC, art. 741, incis. II a IV)

d) não será admitida – em sede de embargos – reconvenção ou compensação. A incompetência, o impedimento e a suspeição deverão ser arguidos mediante exceção (Lei 6.830/80, art. 16, § 3º da CLT, arts. 799 a 802)

e) os embargos deverão ser liminarmente rejeitados nos casos previstos no art. 739 do CPC e, também, quando não houver delimitação motivada das matérias e valores impugnados.

f) Sendo recebidos os embargos o juiz mandará intimar o credor para impugná-los no prazo de 5 dias (art. 884, caput)

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h) Tendo sido arroladas testemunhas, ou sendo necessária a produção de outras provas orais, o juiz designará audiência, no prazo de 5 dias (CLT, art. 884, § 2º), após o que proferirá decisão (CLT, art. 886, caput)

i) Julgar-se-ão, na mesma sentença, os embargos à execução e a impugnação à Sentença de Liquidação (CLT art 884 § 4º)

j) Proferida a sentença, dela as partes serão intimadas mediante registro postal (886, § 1º CLT)

k) Julgada subsistente a penhora, o juiz mandará que se proceda a avaliação dos bens sobre os quais ela incidiu (CLT, art. 886 § 2º da CLT).

3.2 – EMBARGOS À PENHORA

Com os embargos à penhora pretende se atacar apenas e diretamente o ato de constrição. Nos embargos à execução ataca-se a pretensão ao recebimento do crédito. O fim visado nos embargos à penhora é livrar o bem apresado do constrangimento ou ajustar à lei, o próprio ato de constrição, enquanto nos embargos a execução o que se pretende é livrar-se da execução em si mesma.

Os embargos à penhora podem ser opostos com os embargos á execução, ou, distintamente destes, durante todo o curso do processo, quando se manifeste irregularidade prejudicial ao direito do executado na fase de constrição, tal como excesso de penhora.

3.3 – IMPUGNAÇÃO À SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO

Segundo Szpatowski (2010, p. 674), impugnação a sentença de

liquidação é o meio pelo qual o credor pode discutir eventuais divergências quanto ao acertamento ou quantificação da obrigação, a fim de preservar a eficácia original do título executivo.

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Já para o devedor o prazo será de quinze dias a partir da intimação (art. 475-J §1º). Destaque-se que nada impede que o devedor se antecipe e ofereça desde logo sua impugnação, uma vez que não há norma legal que condicione a impugnação à prévia segurança do juízo.

Pro outro lado, a impugnação apresentada pelo devedor deve ficar circunscrita à análise comparativa entre o requerimento de cumprimento da sentença, fundada na planilha de cálculo, e a decisão que motivou o referido requerimento, além das matérias previstas no art. 475-L, sob pena de desnaturar a finalidade do procedimento liquidatório e violar a coisa julgada.

3.3.1- Procedimento

Recebida pelo juízo a impugnação à sentença de liquidação, deverá a parte contrária ser intimada para, querendo apresentar manifestação.

Diferentemente dos embargos à execução, não serão realizadas

provas em audiência, pois isso implicaria renovar o processo de liquidação, o que é viável apenas se anulada a decisão anterior. (Giglio apud Szpatowski, 2010, p.

678).

Nos termos do §4º do art. 884 da CLT o julgamento da impugnação à sentença de liquidação ocorrerá na mesma ocasião em que se decidirão os embargos à execução.

As partes serão intimadas da decisão e dela podem apresentar recurso nos termos legais.

3.4 – AGRAVO DE PETIÇÃO

(31)

3.4.1 - Objetivo

O Agravo é espécie de recurso, cujas subespécies são: a de instrumento, a de petição e a regimental.

No Processo do Trabalho, os recursos são bem distintos no que diz respeito aos seus objetivos, notadamente os agravos de petição e de instrumento.

Formalmente, distingue-se o agravo de petição por ser interposto nos autos principais da ação, quando o agravo de instrumento forma-se em autos apartados.

O Agravo de Petição tem na execução trabalhista a limitação de sua área.

3.4.2. Requisitos para Interposição

Tem como requisito fundamental e absolutamente indispensável, a delimitação dos valores incontroversos e, da matéria, que deverá ser efetuada em tópico específico.

Na delimitação dos valores, deverão ser transcritos todos os valores incorretos e as razões da impugnação. Mesmo quando houver impugnação total do cálculo, deverão ser transcritos os valores impugnados e as razões.

A delimitação de valores tem o objetivo de possibilitar o levantamento dos valores incontroversos, pelo Exequente.

O agravo de petição é cabível, sem estar seguro o juízo, nas hipóteses em que o juiz considerar não provada a liquidação ou quando trancar a execução, julgando-a extinta.

3.4.3. Efeitos na Execução

(32)

O agravo de petição, não obstante os termos da lei, tem efeito suspensivo porque, ao ser interposto já existe penhora e, ainda que ao apelo seja atribuído efeito apenas devolutivo, a execução será provisória e assim não poderá ir além da penhora.

Ressalte-se, porém, que, a parte líquida, não devidamente impugnada, é exequível imediatamente após os embargos, mesmo que, contra aquela parte, ou contra o todo, se tenha interposto o agravo.

3.4.4 Cabimento e Competência para Julgamento

Previsto no artigo 897, letra “a” e §§ 1º e 3º, da CLT, deve ser interposto no prazo de 8 dias, cabendo em geral, das decisões dos juízes na execução, podendo ser abordados os mesmos pontos que foram objeto dos embargos à execução, além de irregularidades no julgamento dos embargos, como o indeferimento de provas.

O Agravo de Petição também poderá ser interposto contra outras decisões proferidas na fase executória para as quais a lei não preveja expressamente outro recurso como, por exemplo, o Mandado de Segurança.

O Agravo de Petição será julgado , quando proferida decisão pelo Juiz do trabalho de 1ª Instância, por uma das Turmas do Tribunal Regional a que estiver subordinado o juiz prolator da sentença, observadas as regras do artigo 897 e parágrafos.

Se a decisão for agravável, mas a parte opõe embargos à execução, perde o prazo para a interposição do Agravo de Petição.

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3.4.5. Procedimento para Interposição do Agravo

Mais do que qualquer outro recurso trabalhista, o agravo de petição tem de ser arrazoado, ante a exigência do Agravante “delimitar justificadamente” o objeto do Agravo.

O agravo de petição, como seu nome indica, é processado nos autos da ação trabalhista e não em autos apartados, pois não há, no caso, instrumento a ser formado.

Passa pelo juízo de admissibilidade, a que se sujeita qualquer recurso, em que são examinados os pressupostos processuais. No caso do agravo de petição, o juízo de admissibilidade examina também se o agravante delimitou justificadamente, as matérias e os valores impugnados, porque, do contrário o recurso não será recebido.

Admitido o agravo, é aberta vista à parte agravada para oferecimento da contraminuta, no mesmo prazo de oito dias. Em prosseguimento, ordenará o juiz a subida dos autos ao Tribunal Regional do Trabalho, onde será apreciado e julgado por uma de suas Turmas.

O julgamento do agravo de petição se dá como o do Recurso Ordinário, sendo facultado aos advogados das partes, a sustentação oral.

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CONCLUSÃO

O instituto da Liquidação de Sentença, foco do presente trabalho, tem como objetivo atribuir liquidez ao título executivo judicial como exposto anteriormente. Este atributo, que é fonte de segurança jurídica, evita que o devedor seja violado em seu patrimônio sem que tenha sido decidido o quantum

debeatur, ou seja, o valor discutido.

Vários motivos podem ser citados quanto à importância da liquidação de sentença, pois esta tem o foco de tornar transparente o teor do título executivo fundado em sentença judicial, bem como objetiva o respeito ao princípio do devido processo legal. Afinal, o devedor não pode ficar à mercê de um valor estipulado unilateralmente pelo credor, fazendo-se necessária uma apuração do quanto, realmente, aquele deve pagar a este.

Cumpre ressaltar que com o advento da lei 11.232/05, à luz dos princípios da economia processual, efetividade e em prol da celeridade do trâmite processual, houve um grande avanço decorrente da instituição do processo sincrético. Tal síntese dos processos de conhecimento, liquidação e execução, respectivamente, que foram transformados em fases processuais trouxeram maior agilidade à execução como um todo.

Não obstante à grande contribuição dada pela lei 11.232/05, a pesquisa identificou que ainda é preciso atribuir maior efetividade à fase de execução visto que, devido às inúmeras possibilidades de manobras jurídicas, há ainda uma proteção exacerbada ao executado. Em que pese ser imprescindível a garantia da ampla defesa, do contraditório e, consequentemente, do devido processo legal ao devedor, não é razoável ainda o tempo médio gasto na execução.

(35)

estas frustrem cada vez mais as legítimas pretensões executivas dos indivíduos. Depreende-se então que as soluções para a problemática inerente à execução cingem-se em equilibrar a efetividade e agilidade processual com a defesa das garantias constitucionais aos executados, que podem se resumir no princípio do devido processo legal.

(36)

BIBLIOGRAFIA

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BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a

Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Atualizado até a Lei nº 12.761, de 27

de dezembro de 2012.

BRASIL. LEI nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de

Processo Civil. Atualizada até Lei nº 12.398, de 28 de março de 2011.

BRASIL. Lei nº 11.232, de 22 de dezembro de 2005. Altera a Lei no

5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, para estabelecer a fase de cumprimento das sentenças no processo de conhecimento e revogar dispositivos relativos à execução fundada em título judicial, e dá outras providências.

CARVALHO, Fabiano. Liquidação de sentença: determinação do valor

por cálculo aritmético, de acordo com a Lei nº 11.232/2005. Revista de Doutrina

da 4ª região, Porto Alegre, n. 16, fev. 2007. Acesso em: 03/jan/2014 http://www.revistadoutrina.trf4.jus.br/artigos/edicao016/Fabiano_Carvalho.htm.

MANUS, Pedro Paulo Teixeira. Execução de Sentença no Processo do

Trabalho. 3ª Ed. São Paulo: Atlas, 2008.

SANTOS, José Aparecido dos. Coordenador. Execução Trabalhista. 2ª Ed. São Paulo: LTr, 2010.

SCHIAVI, Mauro. Execução no Processo do Trabalho. 4ª Ed. São Paulo: LTr, 2012.

TEIXEIRA FILHO, Manoel Antonio. Execução no Processo do

(37)

ÍNDICE

RESUMO... 5 METODOLOGIA... 6 SUMÁRIO... 7 INTRODUÇÃO... 8 CAPÍTULO I O QUE É LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA... 12

1.1 – CONCEITO... 13

1.2 – NATUREZA JURIDICA DA LIQUIDAÇÃO... 20

1.3 – FINALIDADE... 20

1.4 – A MUDANÇA NOS PROCEDIMENTOS DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA COM O ADVENTO DA LEI 11.232/2005... 20

1.5 – ANÁLISE DOS ARTIGOS DO CPC QUE REGULAM A LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA... 20

CAPÍTULO II MODALIDADES DE LIQUIDAÇÃO... 22

2.1 – LIQUIDAÇÃO POR CÁLCULOS... 13

2.1.1 – Concessão de Prazos...13

2.2 – LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO... 20

(38)

2.4 – SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO – NATUREZA JURÍDICA...20

CAPÍTULO III MODALIDADES DE DEFESA ... 28

3.1 – EMBARGOS À EXECUÇÃO...13

3.1.1 – Pressupostos de Admissibilidade...13

3.1.2 – Cabimento dos Embargos à Execução...13

3.1.3 – Procedimentos para Interposição dos Embargos...13

3.2 – EMBARGOS À PENHORA...13

3.3 – IMPUGNAÇÃO À SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO...13

3.3.1 – Procedimento...13

3.4 – AGRAVO DE PETIÇÃO... 13

3.4.1 – Objetivo...13

3.4.2 – Requisitos para Interposição...13

3.4.3 – Efeitos na Execução...13

3.4.4 – Cabimento do Agravo...13

3.4.5 – Procedimentos para interposição do Agravo...13

CONCLUSÃO... 36

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