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Enquanto a dieta inadequada pode ter consequências

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Academic year: 2022

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Boletim Informativo Ediçao Trimestral I 2016

NUTRIçãO nIASSA

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nquanto a dieta inadequada pode ter consequên- cias graves, alimentar-se corretamente é um dos pilares da boa saúde.

Na província de Niassa, norte de Moçambique, cerca de 37% das crianças com menos de 5 anos de idade, sofrem de desnutrição crónica.

As principais causas da desnutrição crónica são, a ali- mentação inadequada em qualidade e quantidade, não cumprimento do aleitamento materno exclusivo nos pri- meiros seis meses e infecções nas crianças e nas mulhe- res durante a gravidez.

É um paradoxo que muitas crianças estão morrendo na província do Niassa por causa da má nutrição quando uma boa variedade de vegetais, cereais, tubérculos, hortí- colas e frutas e está disponível para as pessoas.

É neste contexto que surge o Projecto Nutrição Niassa, implementado pela ADPP Moçambique, cujo objectivo é combater a desnutrição naquele ponto do país através da implementação de actividades no seio da comunida-

de local, com especial enfoque nas mulheres grávidas e lactantes, crianças com menos de 2 anos de idade e ado- lescentes.

É neste contexto que o Ministério da Saúde Desenvol- veu o “Plano de Acção Multisectorial Para a Reducão da Subnutricão Crónica (2011-2015) e pediu apoio finan- ceiro e técnico ao Banco Mundial para a sua implemen- tação. Isso incluia um fundo especial para intensificar as intervenções nutricionais prioritárias nas três províncias do norte de Moçambique (Cabo-Delgado, Nampula e Niassa).

A ADPP Moçambique foi escolhida para implementar em parceria com a Fundação Ariel Glaser Contra o SIDA Pe- diátrico, um pacote de serviços de nutrição comunitária e suporte às unidades sanitárias na província do Niassa.

Desta forma, o presente Boletim Informativo constitui um meio de divulgação das actividades desenvolvidas pelo Projecto Nutrição Niassa no âmbito dos esforços de combate à desnutrição.

Boa leitura!

Nota de Abertura

Projecto financiado por: Implementado por: Parceiro implementador:

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Projecto Nutrição em Niassa, implementado pela ADPP Moçambique em parceria com a Fundação Ariel Glaser Contra o SIDA Pediá- trico, está a mudar os hábitos alimentares das comu- nidades de 8 Distritos da Província do Niassa, no- meadamente Lichinga, Cuamba, Lago, Chimbonda, Mandimba, Mavago, Muembe e Mecanhelas, através da mobilização e treinamento sobre nutrição, facto que irá melhorar significativamente a saúde das mulheres e das suas crianças.

Como resultado da intervenção do projecto, financiado pelo Ministério da Saúde (MISAU), com apoio do Ban- co Mundial, as mães estão mudando os hábitos alimen- tares e isso tem um efeito directo sobre a sua saúde e das crianças. Outra vertente do projecto, a distribuição de suplementos nutricionais, como os Micronutrientes em Pó também contribui para reduzir os efeitos da des- nutrição.

Durante os dois anos de duração do projecto, o mesmo pretende obter um impacto positivo e sustentável sobre as comunidades como um todo. Os principais grupos- -alvo do projecto incluem as mulheres grávidas e lac- tantes, crianças com menos de 2 anos, adolescentes e, através das mulheres, também atingir os seus agrega- dos familiares (filhos e marido). Para tal conta com um total de 390 Promotores de Saúde (activistas) e uma rede alargada de voluntárias comunitárias.

O projecto possui quatro componentes, nomeadamente, a mobilização em massa sobre a nutrição; a educação nutricional e cozinhas de demonstração nas comunida-

des; a educação nutricional nas escolas; e a cooperação e fortalecimento do Sistema de Saúde.

O projecto mobiliza as comunidades para participar nas actividades, identifica e forma activistas “promotores de saúde” que disseminam a mensagem na comunida- de e motivam voluntárias a participar, especialmente as mães com crianças pequenas, mulheres grávidas e mu- lheres que amamentam.

Nas escolas o projecto mobiliza e reforça a capacida- de dos Directores e Professores sobre a importância de educar os alunos sobre nutrição, respondendo às neces- sidades específicas das raparigas e, consequentemente, contribuindo também de forma indirecta para a redu- ção da desnutrição crónica entre as crianças (quando as adolescentes eventualmente se tornarem mães mais tarde).

A última componente do projecto é a cooperação com autoridades sanitárias e o seu fortalecimento, que in- clui a formação dos técnicos de saúde em nutriação, tarefa assegurada pelo parceiro Fundação Ariel Glaser.

Refira-se que cerca de 37% das crianças com menos de 5 anos de idade, na província de Niassa sofrem de des- nutrição crónica. Este é um grave problema de saúde pública. Mesmo antes de as crianças nascerem, as mães grávidas muitas vezes não comem alimentos nutritivos suficientes para suportar uma gravidez saudável. Os primeiros 1.000 dias na vida de uma criança são cru- ciais para desenvolver um corpo e mente que funcio- nem normalmente.

Projecto de Nutrição muda hábitos alimentares em Niassa

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2.713 Mães treinadas para prestar serviços básicos de nutrição

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om vista a promover a mu- dança de comportamento e a prestação de serviços básicos de nutrição, até Dezem- bro de 2015 o projecto Nutrição Niassa formou 2.713 “Mães Lí- deres” de um total de 4.752 para formar que por sua vez criaram grupos compostos por cerca de 15 mulheres grávidas e lactantes, mães de crianças menores de 2 anos de idade e adolescentes, be- neficiando cerca de 14.000 pesso- as da sua comunidade.

Os treinamentos incluíram as formas de realizar o acompanha- mento do crescimento regular das crianças, distribuição de mi- cronutrientes em pó, produtos de desparasitação, cápsulas de vi- tamina A, comprimidos de zinco e SRO hidratante, promoção da amamentação e a alimentação complementar apropriada, distri- buição de FeFol (um suplemento de ferro e ácido fólico essenciais

às lactantes).

O projecto também apoia as mães para que elas identifiquem as ges- tações no seu agregado familiar e casos de gravidez precoce, parti- cipem nas consultas pré-natais, identifiquem as crianças com des- nutrição e doenças infecciosas e as encaminhem para as unidades de saúde.

As “Mães Líderes” estão a treinar os grupos de mães em higiene e mudança de comportamento nu- tricional, distribuição de suple- mentos nutricionais e dar instru- ções de como usá-los de forma adequada. As mães reúnem-se quinzenalmente para trocar ex- periências, apoiarem-se umas às outras e encontrar estratégias para motivar o beneficiário.

Os grupos de mães usam o “Ma- nual de Grupos de Mães” para discutir os temas de cada mês que, depois, compartilham com

outras mulheres. Os temas são so- bre alimentos, nutrição, doenças epidémicas, a saúde reprodutiva, higiene e muito mais. As mulhe- res também estão aprendendo so- bre como construir fogões “Poupa lenha”, “tippy-tap” para lavar as mãos etc.

As “Mães Líderes” servem de ponte para a promoção da mudan- ça de hábitos alimentares e pres- tam serviços básicos de nutrição para toda a comunidade.

“... o projecto Nutrição Niassa formou 2.713

“Mães Líderes” de um total de 4.752 para formar que por sua vez criaram grupos compostos por cerca de 15 mulheres grávidas e lactantes, mães de crianças menores de 2 anos de idade e adolescentes,

beneficiando cerca de 14.000 pessoas...”

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Projecto leva educação nutricional às escolas

A educação alimentar e nutricional tem um papel importante na promoção de hábitos alimentares saudáveis desde a infância. Na escola, onde crianças e jovens passam grande parte do seu dia, as acções de orientação e promoção da saúde constituem importante meios de informação e formação de hábitos.

É neste contexto que o Projecto Nutrição Niassa, implementado pela ADPP Moçambi- que, levou a educação nutricional às escolas dos distritos onde o mesmo está sendo im- plementado. Em cada escola, dois professo- res e o director foram treinados pelo Projec- to como o grupo principal para a realização das actividades relacionadas com a nutrição.

Com efeito, até Dezembro de 2015 foram treinados 605 professores e directores.

Os professores são responsáveis pela inte- gração no currículo escolar de actividades de nutrição, de treinamento dos outros pro- fessores e campanhas de saúde escolar e nu- trição.

Para além dos professores, o Projecto criou

Clubes de Raparigas que constituem mais uma forma de educação, e estão voltados mais especificamente para as meninas ado- lescentes na escola.

Cada escola tem vários “Clubes das Rapa- rigas” com um máximo de 25 meninas, dos 11 aos 19 anos de idade, em cada um. Cada Clube é líderado por uma rapariga em cola- boração com o professor de Saúde e, juntos, garantem a execução do programa previsto.

Para a realização das suas actividades, o gru- po conta com o Manual “Clubes das Rapari- gas”, instrumento que orienta as discussões sobre nutrição, doenças endémicas e saúde reprodutiva. Até Março de 2016 tinham sido formadas 562 raparigas líderes das 1663 pre- vistas.

Sob a supervisão do Líder de Alimentação Escolar e de um profissional de saúde, sem- pre que possível, os clubes organizam a dis- tribuição de Fefol (um suplemento de ferro e ácido fólico essencial às lactantes), destina- do a todas as 41.475 raparigas adolescentes nas escolas abrangidas.

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Charifa Azizi e o “fogão mágico”

O mais importante para mim foi ter apren- dido a fazer um fogão “poupa-lenha” (...) a diferença é maior, foi por isso que eu disse que podiamos mudar o nome e passarmos a chamá- -lo de fogão mágico” - exclama Charifa Guetrete Azizi, uma doméstica de 32 anos de idade, residente na comunidade de Chebis, distrito de Muembe, Pro- víncia de Niassa e uma das beneficiárias do Projecto de Nutrição de Niassa.

Charifa conta como a sua vida começou a mudar quando um Promotor de Saúde do projecto de Nu- trição, implementado pela ADPP Moçambique, a visitou em sua casa em Setembro de 2015.

O promotor de Saúde falou comigo para levar o meu filho de 1 ano e 2 meses à casa do líder tra- dicional. Aí deram-lhe vitamina A e depois convi- daram-me para participar numa demostração de culinária nutritiva”, conta.

Nessa demostração culinária, Charifa aprendeu a preparar a comida nutritiva para os seus filhos e toda a sua família. “Foi muito interessante por- que era diferente a forma como eu preparava antes comparando com a maneira que me ensi- naram.

Agora passei a fazer a comida com mais legumes e vegetais”¸ explica e acrescenta: “o mais importante para mim foi ter aprendido a fazer um fogão poupa lenha! No começo achei estranho porque estava ha- bituada a usar carvão e era muito prático. Na altura fizeram-nos perceber que o fogão poupa-lenha não precisa de muitos custos e é muito mais económico porque poupa muita madeira”.

“Quando fui para casa falei ao meu marido e naque- le momento o meu marido não queria ouvir, só dizia que não havia espaço para encher de ‘dilongo’ (bar- ro) em casa, e garantiu-me que poderíamos comprar carvão sem problemas como fazíamos anteriormen- te, mas acabou deixando tudo ao meu critério”.

ADPP Moçambique

Av. Massacre de Wiriamo, 258, Machava, Maputo Província, Moçambique

Tel: +258 21 750 106 Fax: +258 21 750 107 Email: [email protected] Website: www.adpp-mozambique.org

“Como fiquei curiosa e pedi ao Promotor de Saúde da ADPP (Activista) para que me desse a oportu- nidade de ser a primeira a beneficiar deste tipo de fogão. Na verdade, eles fizeram o fogão na minha casa e quando começámos a usar o fogão poupa- -lenha descobrimos que é muito económico, e por mim devia-se muda-lhe o nome: além de se chamar fogão poupa- lenha devia ser baptizado com o nome de fogão mágico!”.

Charifa conta que gastava 2 sacos de carvão por mês, que custam, 200 meticais cada, num total de 400 me- ticais mensais, pois além de preparar a alimentação diária também ferve água para o banho.

“Agora gastamos 150 meticais por mês para com- prar lenha, a diferença é muito grande. O meu ma- rido está muito feliz porque poupamos 250 meticais e aplicamos este dinheiro para a compra doutros produtos alimentares que não conseguíamos obter, incluindo legumes que não tinhamos”.

“Hoje só tenho de agradecer ao projecto de Nutrição por nos ensinar muitas coisas, e muitas das minhas amigas e vizinhas estão a cobiçar o meu fogão. Pa- rei de usar carvão, agora uso o fogão poupa-lenha ou o meu fogão mágico e vou começar a ensiná-las a fazer um para a casa de cada uma delas”, conclui.

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Referências

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