ALINHAMENTO DE PROCRUSTES
Paulo Victor Rodrigues Ferreira, Ranieri Guimarães França, Edna Lúcia Flôres, Gilberto Arantes Carrijo
Universidade Federal de Uberlândia – Faculdade de Engenharia Elétrica (FEELT)– Uberlândia – Minas Gerais [email protected] , [email protected] , [email protected] , [email protected]
Resumo – O objetivo deste trabalho é apresentar uma forma de alinhamento de imagens utilizando a técnica de alinhamento de Procrustes; que consiste em aplicar métodos de rotação, translação e escala nas respectivas imagens. Este alinhamento pode ser aplicado nas áreas da medicina e computação gráfica. Uma área de aplicação imediata é o mapeamento de radiografias de mão humana.
Palavras-Chave – alinhamento de Procrustes, correspondência de pontos, detecção de bordas, método Delaunay, processamento digital de imagens, registro de imagens.
PROCRUSTES ALIGNMENT
Abstract –The objective of this paper is to show a way of image alignment by using Procrustes alignment technique; that bases on applying methods of rotation, translation and scale of the images. This alignment can be applied on the fields of medicine and graphic computation. One field of immediately application is the human hand radiograph mapping. 1
Keywords – boundary detection, Delaunay method, digital image processing, image registering, point correspondence, Procrustes alignment.
I. INTRODUÇÃO
Determinadas aplicações requerem medições exatas dos tamanhos de certos objetos contidos em uma determinada imagem. Para realizar essas medições é necessário ter as dimensões e formas desses objetos, realçando-os ou mapeando-os por pontos ou bordas detectadas, que serão realçados na imagem para que as medições possam ser realizadas computacionalmente, automatizando qualquer processo em que medições entre pontos numa imagem sejam necessárias, como por exemplo, na automatização do processo de Tanner-Whitehouse [1];
este processo é simplesmente um método de medição do tamanho de ossos numa imagem.
Um método de mapear uma imagem consiste basicamente em encontrar pontos ou regiões característicos nessa imagem. Assim com a imagem mapeada, pode-se realizar medições entre a imagem de interesse e a imagem de referência no processo de comparação.
Para realizar a comparação entre as imagens, primeiramente elas devem possuir um mesmo ângulo de inclinação, uma mesma posição espacial em um eixo e possuir o mesmo tamanho. Quando isso não ocorre, deve-se alinhar uma imagem à outra que se deseja comparar, denominada imagem referência, fazendo-se o processo de transformação que consiste em aplicar rotação, translação ou escala na imagem. O método proposto neste artigo para realizar a transformação da imagem é o alinhamento de Procrustes [2, 3, 4,5].
Este artigo apresenta o método de alinhamento de Procrustes, a triangulação de Delaunay, alguns resultados obtidos nos testes realizados. E finalmente, são realizadas conclusões sobre esses resultados.
II. ALINHAMENTO DE PROCRUSTES
O objetivo do alinhamento de Procrustes é remapear as posições dos pixels da imagem aplicando as transformações de rotação, translação e mudança de escala nas imagens. Nessas transformações o parâmetro a altera a escala da imagem; o parâmetro Ө realiza uma rotação nessa imagem; e os parâmetros Δx e Δy realizam a translação horizontal e vertical, respectivamente, dessa imagem.
Quando a <1, a imagem é reduzida proporcionalmente; quando a>1, a imagem é dilatada proporcionalmente; e se a=1, não existe variação [4, 5].
Como existe mais de um parâmetro a ser alterado,
inicialmente verifica-se na imagem a necessidade da
alteração, e caso isso ocorra, quais são os parâmetros que
devem ser alterados. Para tal constatação deve-se fazer a
correspondência entre as duas imagens, ou seja, encontrar
pontos em comum, chamados de pontos de controle, entre as
imagens de interesse e a de referência. A partir desses
pontos, são determinados quais os parâmetros que sofrerão
alteração para que a transformação possa ser realizada.
A. CORRESPONDÊNCIA DE IMAGENS
A correspondência entre duas imagens é realizada a partir da localização de pontos ou regiões determinísticos como áreas fechadas, arestas, cantos, intersecção de linhas, entre outros que apresentam características marcantes em relação às formas ao seu redor e que determinarão os pontos de controle [5]. Esses pontos encontrados são comparados a pontos anteriormente determinados e localizados na imagem referência a partir de parâmetros de interesse que dependem da aplicação, do grau de sensibilidade e natureza das imagens processadas.
Uma das maneiras de se realizar a correspondência ou comparação entre estes pontos das duas imagens é através da Correlação Cruzada Normalizada. Esta correlação entre a imagem I (amostra) e uma imagem referência w, é obtida pela Equação (1).
2 / 1 2
2 [ ( ', ') ]
] ) , ( [
] ) ' , ' ( ][
) , ( [ )
' , ' (
w y y x x w I
y x I
w y y x x w I y x I y
x CC
y x y
x
y x
(1)
Onde, na Equação (1), I representa a matriz da imagem amostra e w representa a imagem referência e consequentemente, I (x, y) é um valor nesta matriz, enquanto que I é o centro com valor normalizado da imagem, assim como w é o centro com valor normalizado da imagem referência.
Os respectivos centros são dados pelas seguintes equações:
nj
x
jx n
1
1 (2)
nj
y
jy n
1
1 (3)
Em que n é o número de pontos de controle.
Esta correlação é feita sob o aspecto de que se deseja localizar os pontos de controle da imagem referência na imagem amostra. Esses pontos encontrados, x’, y’, são determinados para resultar na maximização da correlação cruzada normalizada. Assim, x’, y’ pertencem à imagem amostra, a que estamos processando, e, portanto são classificados como pontos de controle correspondentes aos pontos de controle da imagem referência quando a correlação é máxima. Para executar o processo de busca destes pontos, um método iterativo é aplicado sendo necessário o cálculo com cada ponto da imagem, tornando o processo computacional um pouco lento.
Uma alternativa de se encontrar estes pontos de controle da imagem referência é definir inicialmente uma área vizinha ao ponto de controle – uma subimagem, ou janela - na imagem referência e procurar essa mesma área na imagem amostra através da correlação cruzada normalizada, de modo que quando a área for encontrada o valor da correlação será máximo [6]. E para definir essa área como um ponto de controle encontrado na imagem amostra, um
limiar de detecção é imposto para que somente o ponto de maior correlação seja definido como um alvo ou ponto de controle encontrado.
Assim, a partir da correlação, os novos pontos encontrados serão utilizados junto aos pontos originais para a determinação de uma função que mapeie as posições dos pontos da imagem amostra para as posições destes pontos da imagem referência. Essa ‘função’ é uma matriz composta por parâmetros que serão capazes de modificar o valor atual de cada posição original da imagem para que a mesma se apresente alinhada à imagem referência com um valor de correlação maximizado para cada posição.
B. TRANSFORMAÇÃO PROCRUSTES
A transformação de Procrustes [5] pode ser definida como uma função que mapeia as posições dos pixels de uma imagem para as novas posições [5] de acordo com a Equação (4).
1 1
'
ip
ip T
(4)
Onde:
p representa as coordenadas (x, y) da imagem amostra.
p’ representa as coordenadas (x’, y’), também chamadas de ponto equivalente ao descritor (x, y)– é a coordenada do ponto de controle da imagem referência.
i representa o ponto que está sendo processado.
i i
i
y
p x (5) e
i i
i
y
p x '
' ' (6)
T é a matriz dos parâmetros que determinarão as transformações necessárias nas dimensões corretas obtida pela localização dos novos pontos que foi dada pela máxima correlação, como mostrado na Equação (7) [5].
0
) (
) cos(
asen a
T
0 ) cos(
) (
a asen
1
y x
(7)
Quando se deseja encontrar melhores parâmetros de
T, quando conhecidos os pontos iniciais na imagem amostra
e que serão mapeados pela matriz T e os pontos finais que
são os pontos da imagem referência, a matriz equivalente dos
pontos correspondentes de toda a imagem, é mostrada na
Equação (8) [5].
p
np P
' . ' '
1
(8)
Escrevendo a matriz T em um vetor Z, temos a Equação (9) [5].
y x a
sen a
Z
cos
(9)
Então P’ pode ser reescrita de acordo com a Equação (10) [5].
JZ
P ' (10) Onde: J é a matriz Jacobiana dada pela Equação (11) e utilizada para descrever P’ em função de Z, e consequentemente em função de T [5].
1 0 0 1
1 0
0 1
1 1
1 1
n n n n
y x x y
y x
x y
J (11)
O objetivo é estimar melhores valores de T que minimizem a soma dos erros quadráticos entre as posições mapeadas pelos parâmetros de T as posições dos pontos equivalentes ao descritor. Como definido anteriormente,
'
X representa a posição (x’, y’) do ponto de controle na imagem referência; e com a matriz T definida, os pontos de
X são mapeados para X ˆ representando as posições ( x ˆ , y ˆ ) como mostrado pela Equação (12).
TX
X ˆ (12) Onde: X ˆ representa a matriz dos pontos mapeados após a transformação e X a matriz dos pontos originais a serem transformados. E X é se apresenta como na Equação (13),
'
X se apresenta como na Equação (14) e X ˆ se apresenta como na equação (15).
y
Tx
X ( 1 ) (13)
y
Tx
X ' ( ' ' 1 ) (14)
y
Tx
X ˆ ( ˆ ˆ 1 ) (15)
O erro característico para cada ponto é obtido pela Equação (16).
2
2
( ˆ ' )
) ˆ '
(
i i i ii
x x y y
e (16) A soma dos erros para cada ponto é obtida pela equação (17).
e
iE (17) Assim, a solução para a minimização dos erros quadráticos que resulta na matriz Z, é mostrada pela Equação (18).
T
T