Instrumentação e Controle I
Prof a . Ivonilde de Oliveira Lelles
MAR/2014
APRESENTAÇÃO
Este trabalho constitui uma ampliação das notas de aulas dos professores Antônio Nogueira Starling,
Ivonilde de Oliveira Lelles e Ronan Drummond de F. Rossi e faz parte do material didático da
disciplina de Instrumentação e Controle, na modalidade curso integrado, para uso interno na
Coordenação do Curso Técnico de Eletrônica.
SUMÁRIO
CAPÍTULO 01 – INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS DE CONTROLE ... 5
1.1. Introdução ... 5
1.2. Caracterização dos Sistemas Automatizados ... 6
1.3. Componentes e Funcionamento de um Sistema de controle Automático ... 7
EXERCÍCIOS ... 9
CAPITULO 02 – INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL ...10
2.1. Introdução ...10
2.2. Classificação dos Instrumentos de Medição...10
2.3. Simbologia de Instrumentação ...13
2.4. Características Gerais dos Instrumentos ...16
2.4.1. Características estáticas ...16
2.4.2. Características dinâmicas ...20
2.5. O Erro de Medição ...22
2.6. Calibração de Sistemas de Medição ...26
EXERCÍCIOS ...30
CAPÍTULO 03 – CONDICIONADORES DE SINAIS ...34
3.1. Introdução ...34
3.2. Amplificação Mecânica por Alavancas ...35
3.3. Amplificação Angular por Engrenagens ...36
3.4. Amplificação Eletrônica ...37
3.5. Conversores Analógicos ...38
3.5.1. Circuitos conversores de resistência para tensão e para corrente ...38
3.5.2. Circuitos conversores de corrente para tensão (Fig. 3.12) ...39
3.5.3. Circuitos conversores de tensão para corrente ...39
3.6. Ponte de Wheatstone ...41
EXERCÍCIOS ...42
CAPÍTULO 04 – MEDIÇÃO DE POSIÇÃO ...45
4.1. Introdução ...45
4.2. Transdutores de Posição ...45
4.2.1. Sensores de proximidade indutivos ...45
4.2.2. Sensores de proximidade capacitivos ...46
4.2.3. Sensores de proximidade magnéticos (efeito Hall) ...46
4.2.4. LVDT (Level Voltage Diferencial Transformer)...47
4.2.5. Sensor Potenciométrico ...48
4.2.6. Encoders ...48
4.2.7. Chaves-limite ou chaves fim-de-curso ...50
EXERCICIOS ...51
CAPÍTULO 05 – MEDIÇÃO DE VELOCIDADE ...52
5.1. Introdução ...52
5.2. Transdutores de Velocidade ...52
5.2.1. Dínamo Taquimétrico (Tacogerador) ...52
5.2.2. Acoplador Ótico ...53
EXERCÍCIOS ...54
CAPÍTULO 06 – MEDIÇÃO FORÇAS ...55
6.1. Introdução ...55
6.2. Transdutores de Forças ...55
6.2.1. Balança de alavanca (Comparação com uma força conhecida) ...55
6.2.2. Dinamômetro (comparação com a deformação de um material elástico). ...56
6.2.3. Célula de carga: (deformação de extensômetros) ...56
EXERCÍCIOS ...60
CAPÍTULO 07 – MEDIÇÃO DE PRESSÃO ...62
7.1. Introdução ...62
7.2. Tipos de Pressão ...63
7.3. Classificação dos Medidores de Pressão ...63
7.4. Transdutores de Pressão ...64
7.4.1. Medição por Coluna de Líquido ...64
7.4.2. Tubo de Bourbon ...66
7.4.3. Diafragma ...66
7.4.4. Fole ...67
7.4.5. Campânula...67
7.4.6. Resistivo ...67
7.4.7. Magnético de Indutância Variável ...68
7.4.8. Capacitivo ...68
EXERCÍCIOS ...69
CAPÍTULO 08 – MEDIÇÃO DE NÍVEL ...72
8.1. Introdução ...72
8.2. Classificação dos Medidores de Nível ...72
8.2.1. Método de Medição Direta ...72
8.2.2. Método da Medição Indireta ...72
8.3. Transdutores de Nível ...73
8.3.1. Visores de Nível ...73
8.3.2. Vareta Molhada ...74
8.3.3. Flutuadores (bóias) ...74
8.3.4. Medição de pressão ...75
8.3.5. Borbulhamento ...75
8.3.6. Manômetro em “U” ...76
8.3.7. Medidor de Nível Tipo Capacitivo ...76
8.3.8. Medidor de Nível Tipo Ultra-Som ...79
8.3.9. Medidor de Nível tipo Radioativo ...79
8.3.10. Medição por pesagem ...80
EXERCÍCIOS ...82
CAPÍTULO 09 – MEDIÇÃO DE VAZÃO ...84
9.1. Introdução ...84
9.2. Classificação dos Medidores de Vazão ...85
9.2.1. Medidores indiretos, utilizando fenômenos intimamente relacionados à quantidade do fluido passante ...85
9.2.2. Medidores diretos de volume do fluido passante ...85
9.2.3. Medidores especiais ...85
9.3. Transdutores de Vazão ...85
9.3.1. Placa de Orifício ...86
9.3.2. Tubo de Venturi ...87
9.3.3. Tubo de Pitot...88
9.3.4. Rotâmetro ...89
9.3.5. Hélice ...90
9.3.6. Turbina ...90
9.3.7. Medição por efeito magnético...90
9.3.8. Medição por ultra-som ...90
EXERCÍCIOS ...90
CAPÍTULO 10 – MEDIÇÃO DE TEMPERATURA ...93
10.1. Introdução ...93
10.2. Medição de Temperatura ...93
10.3. Escalas de Temperatura ...94
10.4. Conversão de escalas ...94
10.5. Transdutores de Temperatura ...95
10.5.1. Termômetro a Dilatação de Líquido ...95
10.5.2. Termômetros à Pressão de Gás ...99
10.5.3. Termômetro à Pressão de Vapor ...99
10.5.4. Termômetros a Dilatação de Sólidos (Termômetros Bimetálicos) ...100
10.5.5. Termopar ...100
10.5.6. Termoresistência ...106
10.5.7. Pirômetros...111
EXERCÍCIOS ...112
CAPÍTULO 11 – ELEMENTO FINAL DE CONTROLE ...116
11.1. Introdução ...116
11.2. Válvulas de controle ...116
11.2.1. Partes principais de uma válvula de controle ...116
11.2.2. Modos de Acionamento das Válvulas ...119
11.3. Motores Elétricos ...120
11.4. Resistências ...121
11.5. Eletroímãs ...122
11.6. Lâmpadas e Alarmes Sonoros ...122
EXERCÍCIOS ...122
5 CAPÍTULO 01 – INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS DE CONTROLE
1.1. Introdução
O homem, sabendo das limitações de suas capacidades físicas, tem criado ao longo da história artifícios que lhe permitam utilizar seus poderes naturais. Iniciando com a utilização de fontes energéticas alternativas aos seus próprios músculos, o homem construiu máquinas movidas pela força animal, eólica e da água.
Com o advento da tecnologia das máquinas a vapor muitos limites foram ultrapassados, principalmente nas áreas de transporte (barcos a vapor e trens) e na fabricação de bens de consumo.
A força das máquinas a vapor foi uma das principais bases para a Revolução Industrial que se iniciou na Inglaterra no século XIX.
Até poucas décadas atrás, o comando e controle destas máquinas e equipamentos eram feitos por operadores humanos. Esta associação, onde a máquina fornece força e o homem o pensamento é denominada de Maquinismo ou Mecanização.
No Maquinismo o operador, dispondo de informações sensoriais dos dados de aparelhos de medida e de informações diversas, introduz correções na atuação do sistema de máquinas de modo a atingir- se, da melhor forma possível, um objetivo determinado. Um exemplo é o torneiro mecânico que comanda os movimentos do seu torno de acordo com a forma que a peça fabricada vai tomando, em função das medidas que realiza periodicamente.
No maquinismo é o operador quem dita o regime de funcionamento da máquina, mas em muitos casos ele fica reduzido à condição de escravo da mesma, sem qualquer possibilidade de alterar o seu
“ritmo” de trabalho.
Na indústria mecanizada, simbolizada por uma cadeia de produção em massa, todos os movimentos das máquinas são sincronizados e repetitivos. Esse tipo de indústria exige do operário movimentos também monótonos que possam operar a máquina dentro de rigorosos limites de tempo. Submetidos a situações de grande "stress", os operários podem cometer falhas que resultam muitas vezes em sérios prejuízos.
Com a evolução da eletrônica que possibilitou o advento das telecomunicações e dos sistemas computacionais, surgiram novas tecnologias que permitiram a criação de equipamentos que não só substituem a força muscular do homem como na mecanização mas que também têm a capacidade de tomada de decisões. A estas tecnologias é dado o nome de AUTOMAÇÃO.
Denomina-se Automação Industrial o conjunto de técnicas e/ou equipamentos destinadas a tornar automáticos vários processos produtivos em uma indústria, de modo a eliminar ou reduzir bastante a intervenção humana nos mesmos. Os principais objetivos da Automação Industrial são:
Redução de custos;
Aumento da Produtividade;
Maior segurança na operação da unidade produtiva;
Como aspectos positivos e negativos da automação podemos citar:
ASPECTOS POSITIVOS ASPECTOS NEGATIVOS
Valorização do ser humano, liberando-o de tarefas repetitivas, insalubres e/ou arriscadas;
Aumento da qualidade de vida da sociedade, promovendo maior conforto aos indivíduos;
Maior enriquecimento pelo menor custo do produto e/ou pelo aumento da produtividade;
Fator determinante para a sobrevivência da empresa e, portanto, do emprego, dentro de um mercado altamente competitivo;
Criação de empregos diretos e indiretos,
Imprevisibilidade das consequências só passíveis de serem avaliadas no futuro;
Exigência de profissional cada vez mais qualificado, impondo política de emprego de afunilamento;
Risco potencial trazido ao setor de produção pela introdução de novas tecnologias;
Acesso rápido e fácil a essas novas
tecnologias só para grandes empresas
(exclusão tecnológica);
6 além, de novos empregos, relacionados com
a manutenção, desenvolvimento e supervisão de sistemas;
Interesse pela qualidade do produto e satisfação do cliente;
Diminuição, em curto prazo, do emprego disponível;
Desvalorização do trabalho artesanal, aumentando cada vez mais a dependência tecnológica;
A automação baseia-se na utilização de equipamentos capazes de realizar controles e autocorreções através de sensoriamento e ações similares a do ser humano.
Para a implementação da Automação Industrial existem várias técnicas e equipamentos que são aplicados conforme o sistema a se automatizar. Os principais equipamentos são:
PLC equipamentos eletrônicos, programados por software, que controlam e coordenam a seqüência de operação de diversas máquinas e equipamentos em uma indústria. Os PLC´s trabalham com variáveis digitais e analógicas.
SDCD Sistemas Digitais de Controle Distribuído: de tecnologia mais recente, são sistemas microprocessados que facilitam o controle e otimização dos processos por computador, diminuindo a interferência do operador durante a operação normal do processo e que passa a intervir somente durante instabilidades operacionais, paradas e partidas.
Controladores (single loop, multi loop) são controladores baseados em microcontroladores de ultima geração, criados para efetuar controle de processos. Por ser microprocessado, seu sistema operacional permite que se adapte à maioria dos processos, bastando para tal a seleção correta dos parâmetros de PID. Os controladores trabalham com variáveis analógicas e, eventualmente, podem possuir saídas digitais de alarme.
CN (Comando Numérico) equipamentos utilizados na fabricação e montagem de peças mecânicas, através do controle de máquinas ferramenta, tais como tornos, fresas, furadeiras, etc. No CNC (comando numérico computadorizado), além das operações normais de um CN, realizada por computador, há às vezes o auxílio de programas CAD para se realizar o projeto gráfico das peças a serem produzidas.
1.2. Caracterização dos Sistemas Automatizados
Como pode ser observado na Fig.1.1 a automação industrial processa-se na maior parte das vezes da seguinte maneira:
Um SISTEMA DE CONTROLE recebe sinais de entrada provenientes dos vários SENSORES e TRANSDUTORES dos processos e/ou máquinas a serem controlados (PROCESSO CONTROLADO), compara essas medidas com os valores desejados e pré-determinados e executa, através de um SOFTWARE de CONTROLE, operações lógicas e matemáticas de modo a gerar os sinais de correção que vão comandar os ATUADORES acerca do controle e atuação mais apropriada a cada instante no SISTEMA CONTROLADO.
O SISTEMA DE CONTROLE comunica-se com um supervisor humano através de uma INTERFACE
HOMEM-MÁQUINA (IHM) e muitas vezes comunica-se com outros sistemas através de uma REDE
DE COMUNICAÇAO.
7 Fig. 1.1- Diagrama esquemático de um sistema genérico de automação
Através deste esquema percebe-se que o desenvolvimento da Automação somente foi possível devido ao surgimento de sistemas "inteligentes" de controle, que simulam a lógica de pensamento e tomada de decisões realizada por um ser humano, pois é este o elemento responsável pela atuação sobre um sistema.
O Controle Contínuo de Processos ou Controle Automático de Processos ou, simplesmente, Controle de Processos, refere-se à Automação de sistemas que possuem grandezas físicas, como temperatura, vazão, pressão, nível, pH, etc., presentes em diversos processos industriais. Pela natureza das grandezas, os sistemas de Controle de Processos estão associados a sinais analógicos.
Um Sistema de Controle é formado por um conjunto de dispositivos que mantém uma ou mais grandezas físicas dentro de condições definidas na sua entrada. Os dispositivos que o compõe podem ser elétricos, mecânicos, ópticos e até seres humanos.
E
Ex x. .: : Um operador deseja manter a temperatura da água quente em um dado valor. O termômetro instalado na tubulação de saída da água quente mede a temperatura real. Esta temperatura é a saída do sistema. Se o operador observa o termômetro e verifica que a temperatura é maior do que a desejada, ele reduz a quantidade de suprimento de vapor de modo a diminuir esta temperatura. È bem possível que a temperatura se torne demasiado baixa, necessitando repetir a sequência de operações no sentido oposto.
Pode-se criar um sistema de Controle de Processos utilizando-se PLC, SDCD ou Controladores.
O Controle Automático de Processo é uma evolução do Controle manual. As vantagens de um sistema de controle automatizado em relação a um operador humano podem ser resumidas como:
Maior número de aquisições simultâneas de dados para processamento;
Maior velocidade de processamento e decisão;
Maior confiabilidade;
Maior possibilidade de integração com outros sistemas produtivos;
Os processos evoluíram e também a forma de controlá-los. Foram desenvolvidos sistemas de Controle Automático que possibilitaram ao homem controlar os processos com segurança, economia e liberá-lo para atividades não repetitivas e mais nobres.
Controlar um processo significa atuar sobre ele, ou sobre as condições a que o processo está sujeito, de modo a atingir algum objetivo.
Por exemplo: podemos achar necessário ou desejável manter o processo sempre próximo de um determinado estado estacionário, mesmo que efeitos externos tentem desviá-lo desta condição. Este estado estacionário pode ter sido escolhido por atender melhor aos requisitos de qualidade e segurança do processo.
No estudo da automação em sistemas industriais, comerciais, automobilísticos, domésticos, etc., é preciso determinar as condições (ou variáveis) do sistema. È necessário obter os valores das variáveis físicas do ambiente a ser monitorado, e este é o trabalho dos sensores.
1.3. Componentes e Funcionamento de um Sistema de controle Automático
Em um sistema de controle automático, pretende-se controlar uma determinada variável ou condição, chamada de variável do processo (PV). Esta variável ou condição deve ser mantida em um valor desejado pré-determinado, chamado de valor desejado, ponto de controle, valor ou ponto de ajuste, ou “Set Point” (SP).
Num sistema de controle podemos distinguir alguns componentes ou partes:
O processo, ou seja, o sistema controlado, definido como sendo as múltiplas funções
desenvolvidas no equipamento, na qual a variável é controlada. Assim, o processo inclui
8 tudo aquilo que afeta a variável controlada, quando não é acionado o elemento final de controle.
O Meio de Medição é o mecanismo destinado a medir o valor real da variável controlada;
fornece um sinal proporcional ao valor da variável medida (sensor).
O Meio de Controle é o componente do sistema de controle que recebe o sinal do meio de medição, compara-o com um sinal correspondente ao valor desejado e, se houver diferença, emite um sinal de saída que modificará uma variável ou condição no processo para eliminar esta diferença.
O Elemento Final de Controle é o componente que modifica diretamente uma variável ou condição do processo, que afeta o valor da variável controlada. Esta condição ou variável é chamada de variável manipulada.
Por exemplo, no controle de velocidade de um automóvel, o atuador poderia ser considerado como o pé do motorista sobre o acelerador, o sensor seria composto pelos seus olhos observando o velocímetro e o controlador seu próprio cérebro. Se o ponto de controle fosse 60 km/h e a velocidade observada no velocímetro fosse 55 km/h, o cérebro processaria a informação vinda dos olhos e mandaria acionar o pé sobre o acelerador, aumentando a velocidade e quando esta estivesse mais próxima do valor programado seria dado o comando de diminuir a pressão sobre o acelerador até que a velocidade se estabilizasse próxima do ponto de controle.
Os sistemas de controle podem ser classificados em: malha aberta e malha fechada.
Em um sistema de malha aberta, a ação de controle independe da saída.
A Fig. 1.2. mostra um exemplo simples: a alimentação de água para um reservatório é comandada por uma válvula manual. Desde que as vazões de suprimento e de processo costumam variar, esse sistema exige a periódica intervenção de um operador para manter o nível de água acima do mínimo necessário e abaixo do máximo (evitar transbordamento).
Fig. 1.2- Exemplo Sistema Malha Aberta
Em um sistema de malha fechada, a ação de controle é dependente da saída.
No exemplo da Fig. 1.3., o controle manual anterior é substituído por um automático: o sinal de um
sensor de nível é enviado a um dispositivo controlador que abre ou fecha a válvula de controle de
acordo com valores pré-ajustados de níveis mínimo e máximo. Desde que a variação de nível
depende da vazão do processo, essa saída comanda indiretamente a entrada de água no
reservatório.
9 Fig. 1.3- Exemplo Sistema Malha Fechada
O controle em malha fechada também é conhecido como controle realimentado, onde o valor real da saída é subtraído do valor desejado. Essa diferença é o sinal de erro, que o sistema usa para ajustar a saída ao valor desejado.
No exemplo anterior, o sensor de nível fornece a realimentação, que, no controlador, é comparada com um valor ajustado.
O controlador de nível usa a diferença entre o nível do sensor e o valor ajustado para enviar, quando necessário, o sinal de comando à válvula de controle.
EXERCÍCIOS
1. Defina automação
2. Dê dois exemplos de controle automatizado que você conhece.
3. Comente sobre os aspectos positivos e negativos da automação.
10 CAPITULO 02 – INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL
2.1. Introdução
Instrumentação é a ciência que aplica e desenvolve técnicas de medição, indicação, registro e controle de processos de fabricação, visando à otimização na eficiência desses processos. A utilização de instrumentos nos permite:
Incrementar e controlar a qualidade do produto;
Aumentar a produção e o rendimento;
Obter e fornecer dados seguros da matéria prima e da qualidade produzida, além de ter em mãos dados relativos à economia dos processos.
Para cada variável de um processo industrial, podemos utilizar um ou mais instrumentos para executar funções como:
Transmitir;
Registrar;
Indicar;
Controlar;
Analisar;
Nas indústrias de processos tais como siderúrgica, petroquímica, alimentícia, papel, etc.; a instrumentação é responsável pelo rendimento máximo de um processo, fazendo com que toda energia cedida, seja transformada em trabalho na elaboração do produto desejado. As principais grandezas que traduzem transferências de energia no processo são: PRESSÃO, NÍVEL, VAZÃO, TEMPERATURA; as quais denominamos de variáveis de um processo.
Através dos instrumentos de medição e dispositivos automáticos podemos medir e/ou controlar as diversas variáveis físicas e químicas existentes nos processos industriais.
2.2. Classificação dos Instrumentos de Medição
Existem vários métodos de classificação de instrumentos de medição. Podemos classificá-los por:
Função;
Sinal transmitido ou suprimento;
Tipo de sinal;
a) Classificação por Função
Os instrumentos podem estar interligados entre si para realizar uma determinada tarefa nos processos industriais. A associação desses instrumentos chama-se malha e em uma malha cada instrumento executa uma função.
Os instrumentos que podem compor uma malha são então classificados por função cuja descrição sucinta pode ser observada na tabela 01.
Tabela 01 - Classificação Por Função
INSTRUMENTO DEFINIÇÃO
Sensor (detector)
São dispositivos com os quais conseguimos detectar alterações na variável do processo. Pode ser ou não parte do transmissor
Transmissor
Instrumento que tem a função de converter sinais do detector em outra forma capaz de ser enviada à distância para um instrumento receptor, normalmente localizado no painel.
Indicador Instrumento que indica o valor da quantidade medida enviada pelo sensor, transmissor, etc.
Registrador
Instrumento que registra graficamente valores instantâneos
medidos ao longo do tempo, valores estes enviados pelo
sensor, transmissor, controlador, etc.
11 Cego Instrumentos cegos são instrumentos que não apresentam
qualquer indicação para o operador diretamente.
Conversor
Instrumento cuja função é a de receber uma informação na forma de um sinal, alterar esta forma e a emitir como um sinal de saída proporcional ao de entrada.
Unidade Aritmética
Instrumento que realiza operações nos sinais de valores de entrada de acordo com uma determinada expressão e fornece uma saída resultante da operação.
Integrador Instrumento que indica o valor obtido pela integração de quantidades medidas sobre o tempo.
Controlador
Instrumento que compara o valor medido com o desejado e, baseado na diferença entre eles, emite sinal de correção para a variável manipulada a fim de que essa diferença seja igual a zero.
Elemento final de controle Dispositivo cuja função é modificar o valor de uma variável que leve o processo ao valor desejado.
b) Classificação por Sinal de Transmissão ou Suprimento
Os equipamentos podem ser agrupados conforme o tipo de sinal transmitido ou o seu suprimento. A seguir será descrito os principais tipos, suas vantagens e desvantagens.
Tipo pneumático
Nesse tipo é utilizado um gás comprimido, cuja pressão é alterada conforme o valor que se deseja representar. Nesse caso a variação da pressão do gás é linearmente manipulada numa faixa específica, padronizada internacionalmente, para representar a variação de uma grandeza desde seu limite inferior até seu limite superior. O padrão de transmissão ou recepção de instrumentos pneumáticos mais utilizados é de (aproximadamente 3 a 15 psi no Sistema Inglês).
Os sinais de transmissão analógica normalmente começam em um valor acima do zero para termos uma segurança em caso de rompimento do meio de comunicação.
O gás mais utilizado para transmissão é o ar comprimido, sendo também o NITROGÊNIO e em casos específicos o GÁS NATURAL (PETROBRAS).
Vantagens Desvantagens
Operação com segurança em áreas onde existe risco de explosão (centrais de gás, por exemplo).
Necessita de tubulação de ar comprimido (ou outro gás) para seu suprimento e funcionamento.
Vazamentos ao longo da linha de transmissão ou mesmo nos instrumentos são difíceis de serem detectados.
Não permite conexão direta aos computadores.
Devido ao atraso que ocorre na transmissão do sinal, este não pode ser enviado à longa distância, sem uso de reforçadores.
Normalmente a transmissão é limitada a aproximadamente 100m.
Tipo Hidráulico
Similar ao tipo pneumático e com desvantagens equivalentes, o tipo hidráulico utiliza-se da variação de pressão exercida em óleos hidráulicos para transmissão de sinal. É especialmente utilizado em aplicações onde torque elevado é necessário ou quando o processo envolve pressões elevadas.
Vantagens Desvantagens
Resposta rápida;
Podem gerar grandes forças e assim acionar equipamentos de grande peso e dimensão.
Necessita de tubulações de óleo para transmissão e suprimento.
Necessita de inspeção periódica do nível de óleo bem como sua troca.
Necessita de equipamentos auxiliares, tais como
reservatório, filtros, bombas, etc.
12
Tipo elétrico
Esse tipo de transmissão é feito utilizando sinais elétricos de corrente ou tensão. Face à tecnologia disponível no mercado em relação à fabricação de instrumentos eletrônicos microprocessados, hoje, é esse o tipo de transmissão largamente usado em todas as indústrias, onde não ocorre risco de explosão. Assim como na transmissão pneumática, o sinal é linearmente modulado em uma faixa padronizada representando o conjunto de valores entre o limite mínimo e máximo de uma variável de um processo qualquer. Como padrão para transmissão a longas distâncias são utilizados sinais em corrente contínua variando de (4 a 20 mA) e para distâncias até 15 metros aproximadamente, pode- se utilizar também sinais em tensão contínua de 1 a 5V.
Vantagens Desvantagens
Permite transmissão para longas distâncias sem perdas.
A alimentação pode ser feita pelos próprios fios que conduzem o sinal de transmissão.
Permite fácil conexão aos computadores.
Fácil instalação.
Permite de forma mais fácil realização de operações matemáticas.
Permite que o mesmo sinal (4~20mA) seja “lido” por mais de um instrumento, ligando em série os instrumentos.
Porém, existe um limite quanto à soma das resistências internas destes instrumentos, que não deve ultrapassar o valor estipulado pelo fabricante do transmissor.
Necessita de técnico especializado para sua instalação e manutenção.
Exige utilização de instrumentos e cuidados especiais em instalações localizadas em áreas de riscos.
Exige cuidados especiais na escolha do encaminhamento de cabos ou fios de sinais.
Os cabos de sinal devem ser protegidos contra ruídos elétricos.
Tipo Digital
Nesse tipo, “pacotes de informações” sobre a variável medida são enviados para uma estação receptora, através de sinais digitais modulados e padronizados. Para que a comunicação entre o elemento transmissor receptor seja realizada com êxito é utilizada uma “linguagem” padrão chamado protocolo de comunicação.
Vantagens Desvantagens
Não necessita ligação ponto a ponto por instrumento.
Pode utilizar um par trançado ou fibra óptica para transmissão dos dados.
Imune a ruídos externos.
Permite configuração, diagnósticos de falha e ajuste em qualquer ponto da malha.
Menor custo final.
Existência de vários protocolos no mercado, o que dificulta a comunicação entre equipamentos de marcas diferentes.
Caso ocorra rompimento no cabo de comunicação pode-se perder a informação e/ou controle de várias malhas.
Via Rádio
Neste tipo, o sinal ou um pacote de sinais medidos são enviados à sua estação receptora via ondas de rádio em uma faixa de frequência específica.
Vantagens Desvantagens
Não necessita de cabos de sinal.
Pode-se enviar sinais de medição e controle de máquinas em movimento.
Alto custo inicial.
Necessidade de técnicos altamente especializados.
Via Modem
A transmissão dos sinais é feita através de utilização de linhas telefônicas pela modulação do sinal em frequência, fase ou amplitude.
Vantagens Desvantagens
Baixo custo de instalação.
Pode-se transmitir dados a longas distâncias. Necessita de profissionais especializados.
Baixa velocidade na transmissão de dados.
Sujeito a interferências externas, inclusive violação de
informações.
13 2.3. Simbologia de Instrumentação
Com objetivo de simplificar e globalizar o entendimento dos documentos utilizados para representar as configurações utilizadas das malhas de instrumentação, normas foram criadas em diversos países.
Devido a sua maior abrangência e atualização, uma das normas mais utilizadas em projetos industriais no Brasil é a estabelecida pela ISA (Instrument Society of America).
a) Tipos de Conexões
Quadro 1 – Tipos de Conexões
b) Código de Identificação de Instrumentos
O código que é associado à identificação do local e do número da malha de controle tem o nome de TAG (rótulo) do instrumento. Cada instrumento do sistema tem um TAG diferente, seja pela função, pela localização ou pela malha a que pertence.
Cada instrumento deve se identificar com um sistema de letras que o classifique funcionalmente (Tabela 2).
A 1ª letra indica a variável que o instrumento manipula, a 2ª letra tem a função de completar a informação anterior. A 3ª letra indica a ação do instrumento (ativa para controlador/transmissor, etc., ou passiva para indicador/lâmpada/alarme/totalização, etc.).
Neste grupo ainda pode haver outras letras adicionais para funções auxiliares como contatos de alta, de baixa, etc., num máximo de 6 letras, ao todo.
Como exemplo, uma identificação representativa é a seguinte:
Exemplos de TAG:
ZSL-03 12 Chave de posição indicativa de nível baixo – refere-se ao local 03 e pertence à malha de controle nº 12.
TRSH-11 04 Registrador de temperatura com chave com contato de alta – refere-se ao local 11 e pertencente à malha de controle nº 04.
EIC-04 14 Controlador e indicador de tensão do local 04 , malha nº 14.
14
Tabela 2 - Significado das letras de identificação
15 c) Símbolos gerais para instrumentos os funções pela Norma ISA 5.1
d) Instrumentação de Vazão
e) Válvula de Controle
EXEMPLO: Representação gráfica de uma malha de controle:
Fig.2.1 – Malha de Temperatura
Malha de controle da temperatura (Fig. 2.1) de saída de vapor por variação no fluxo da água de
entrada: A malha tem a função de ajustar a vazão de fluido que vai ao aquecedor para controle da
temperatura do fluido. Essa malha possui um tipo de arranjo chamado de controle em cascata, de
forma que a malha de temperatura (malha mestre) fornece o “set point” à malha de fluxo (malha
escravo).
16 Neste caso, a malha escravo atua em variáveis rápidas (fluxo) e tem ganho alto. A malha mestre atua em variáveis lentas (temperatura) e tem ganho baixo. Normalmente variáveis de fluxo são as mais rápidas, em seguida pressão, depois nível e por fim, temperatura que é a mais lenta.
f) Simbologia para Funções
Quadro 2 – Simbologia para Funções
2.4. Características Gerais dos Instrumentos
A terminologia empregada foi unificada com objetivo de os fabricantes, os usuários e os organismos ou entidades que atuam direta ou indiretamente no campo da Instrumentação Industrial utilizem a mesma linguagem. Os termos empregados definem as características próprias de medida e de controle, bem como as características estáticas e dinâmicas dos diversos instrumentos utilizados. As definições dos termos empregados se relacionam com as normas estabelecidas pela SAMA (Scientific Apparatus Markers Association) em sua norma PMC 20, e que são abordadas a seguir:
2.4.1. Características estáticas
As características estáticas de um instrumento revelam o comportamento instantâneo a uma dada entrada. A maioria dos instrumentos é projetada e construída para que o resultado de sua indicação seja a quantidade da grandeza a qual ele está destinado a medir. Para facilitar a leitura do observador (por exemplo o homem), espera-se que a quantidade da grandeza a ser medida permaneça inalterada por um período de tempo. Quando isto acontece, pode-se dizer que a quantidade da grandeza está estática (ou estável).
Mudando a quantidade da grandeza para valores diferentes pode-se obter uma relação entre os valores da quantidade da grandeza a ser medida e a indicação do instrumento.
a) Faixa de medida [RANGE]
Conjunto de valores que estão compreendidos dentro dos limites inferior e superior da capacidade de medida, ou de indicação do instrumento. Expressa-se determinando os dois valores extremos.
Por exemplo: Um instrumento que mede temperatura entre 30 a 80C tem um range de: RANGE = 30 a 80
0C
b) Alcance [SPAN]
É a diferença algébrica entre os valores superior e inferior da faixa de medida, ou de indicação, ou de transmissão do instrumento.
Por exemplo, um instrumento com faixa de medida de 100ºC a 250ºC, possui um alcance de 150 ºC.
17 c) Zero
È o limite inferior da faixa. Não é, necessariamente, o zero numérico.
d) Sensibilidade [SENSITIVITY]
É a razão entre a variação do valor medido ou transmitido para um instrumento e a variação da variável que o acionou, após ter alcançado o estado de repouso. Quanto menor for a sensibilidade de um instrumento maior será, em geral, a necessidade de amplificação do sinal a fim de se reduzir os problemas com ruído na transmissão do mesmo.
A sensibilidade pode ser expressa em unidades de medida de saída e de entrada. Por exemplo, um termômetro de vidro com faixa de medida de 0 ºC a 500 ºC possui uma escala de leitura de 50 cm, portanto, a sua sensibilidade é de 0,1 cm/ºC;
e) Resolução
É a menor variação na grandeza medida que pode ser detectada pelo instrumento. A resolução está relacionada com o número de "bit" do instrumento: quanto maior o número de "bit" melhor a resolução.
Exemplo 1: Um voltímetro analógico com divisões de escala de 0,1V terá sua leitura apresentada com uma resolução de 0,1V;
Exemplo 2: Um instrumento com mostrador digital tem resolução correspondente ao dígito menos significativo. Assim, um voltímetro digital que tem um display com duas casas depois da vírgula tem uma resolução de 0,01V.
f) Repetitividade [REPEATIBILITY]
Grau de concordância entre os resultados de medições sucessivas de um mesmo mensurando efetuadas sob as mesmas condições de medição.
Observações:
1) Estas condições são denominadas condições de repetitividade.
2) Condições de repetitividade incluem:
→ mesmo procedimento de medição;
→ mesmo observador;
→ mesmo instrumento de medição, utilizado nas mesmas condições;
→ mesmo local;
→ repetição em curto período de tempo.
3) Repetitividade pode ser expressa, quantitativamente, em função das características da dispersão dos resultados.
g) Reprodutibilidade
Grau de concordância entre os resultados das medições de um mesmo mensurando efetuadas sob condições variadas de medição.
Observações:
1) Para que uma expressão da reprodutibilidade seja válida, é necessário que sejam especificadas as condições alteradas.
2) As condições alteradas podem incluir:
→ princípio de medição;
→ método de medição;
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→ observador;
→ instrumento de medição;
→ padrão de referência;
→ local;
→ condições de utilização;
→ tempo.
3) Reprodutibilidade pode ser expressa, quantitativamente, em função das características da dispersão dos resultados.
4) Os resultados aqui mencionados referem-se, usualmente, a resultados corrigidos.
h) Erro [ERROR]
O erro pode ser apresentado de duas formas:
Erro absoluto: é a diferença algébrica entre o valor medido, ou indicado ou transmitido e o valor real que deveria ser medido, ou indicado, ou transmitido pelo instrumento.
Erro relativo: é apresentado em percentagem tomando como referência um valor da escala do instrumento. Pode ser calculado para o valor indicado do instrumento, mas normalmente o fabricante calcula em relação ao Span (faixa nominal do instrumento ou fundo de escala).
ERRO (em % do Span) = ((V-Vr)/Span) * 100%
onde:
V => Valor medido, ou indicado, ou transmitido.
Vr => Valor real.
Deve-se observar que se o processo está em condições de regime permanente, existe então o chamado ERRO ESTÁTICO. Em condições dinâmicas o erro varia consideravelmente devido aos instrumentos terem características comuns aos sistemas físicos: absorvem energia do processo e esta transferência requer um certo tempo para ser transmitida (TEMPO DE RESPOSTA DO INSTRUMENTO), o qual dá lugar a atrasos na leitura pelo dispositivo. Sempre que as condições forem dinâmicas, existirá um maior ou menor valor do chamado ERRO DINÂMICO (diferença entre o valor instantâneo da variável e o valor indicado ou transmitido pelo instrumento). Seu valor depende do tipo do fluído do processo, de viscosidade, do elemento primário (termopar, termoresistência), dos meios de proteção do instrumento, etc.
Estes termos, no entanto, estão em desuso. O termo que está sendo utilizado é o de INCERTEZAS.
A palavra “incerteza” significa “dúvida”. De forma ampla “incerteza da medição” significa “dúvida acerca do resultado de uma medição”. Formalmente, define-se incerteza como: “parâmetro, associado com o resultado de uma medição, que caracteriza a dispersão de valores que podem razoavelmente ser atribuídos ao mensurando”.
i) Exatidão
Grau de concordância entre o resultado de uma medição e um valor verdadeiro do mensurando. Ou seja, qualidade da medição que assegura que a medida coincida com o valor real da grandeza considerada. O valor representativo deste parâmetro é o valor médio. Isso significa que o valor pode passar de um laboratório para outro, sempre mantendo a medida exata. Este parâmetro é expresso, em geral como porcentagens do fundo de escala.
Observações:
1) Exatidão é um conceito qualitativo.
2) O termo precisão não deve ser utilizado como exatidão.
Um atirador possui duas armas uma boa e outra com problema na mira. A precisão depende do
atirador e não depende da arma. Já a exatidão depende da mira da arma. A Fig. 2.2. exemplifica esta
situação.
19 Fig.2.2 - Relação entre precisão e exatidão
j) Linearidade [LINEARITY]
A linearidade de um instrumento indica a máxima aproximação da relação entrada – saída, com uma determinada linha reta. Geralmente quantifica-se a não–linearidade expressando-se como porcentagem do fundo de escala assim, veja Fig. 2.3:
Fig. 2.3 - Não linearidade num sistema de medida
É a capacidade de um instrumento ter a sua curva de resposta aproximada a uma curva de calibração ideal.
k) Histerese
Histerese de um Sistema de Medição é um erro de medição que ocorre quando há diferença entre a indicação para um dado valor do mensurando quando este foi atingido por valores crescentes e a indicação quando o mensurando é atingido por valores decrescentes (Fig. 2.4). Este valor poderá ser diferente se o ciclo de carregamento e descarregamento for completo ou parcial. A histerese é um fenômeno bastante típico nos instrumentos mecânicos, tendo como fonte de erro, principalmente, folgas e deformações associadas ao atrito.
É a diferença máxima apresentada por um instrumento, para um mesmo valor, em qualquer ponto da faixa de trabalho, quando a variável percorre toda a escala nos sentidos ascendente e descendente (Fig. 2.4);
Fig. 2.4 – Curva de Histerese
20 l) Zona Morta [DEAD ZONE ou DEAD BAND]
É a não alteração na indicação ou no sinal de saída de um instrumento ou em valores absolutos da faixa de medida do mesmo, apesar de ter ocorrido uma sensível variação da variável. É dada em porcentagem do Span de medida (Fig. 2.5).
Fig. 2.5 – Zona Morta
EXEMPLO 1: em alguns dispositivos mecânicos é necessário vencer a força de atrito estático do ponteiro para que seja produzido algum movimento mecânico perceptível, assim a medição de uma grandeza que produza uma força menor que esta força mínima não será percebida.
EXEMPLO 2: um instrumento com faixa de medida entre 0ºC a 200ºC possui uma zona morta de
0,1% do span, ou seja 0,2ºC. Portanto, para variações inferiores a este valor, o instrumento não apresentará alteração da medida;
EXEMPLO 3: Alguns velocímetros automotivos começam a indicar a velocidade acima de 20Km/h.
2.4.2. Características dinâmicas
Em muitos instrumentos ou processos, existe a necessidade de se realizar uma determinada medida o mais rápido possível ou bem devagar. A velocidade com que os instrumentos acompanham a variação da variável a ser medida é uma característica que é representada por equações diferenças (ou gráficos). Quando no modelo do instrumento aparece equações diferenças, os parâmetros desta equações determinam as características dinâmicas do instrumento.
Alguns termos que caracterizam um sistema dinamicamente serão apresentados a seguir:
a) Constante de tempo ()
Quando um sistema é submetido a uma entrada que apresenta uma variação abrupta (Ex. degrau), a saída demora um certo tempo para atingir seu valor final. A constante de tempo () de um sistema é definida como o tempo que esse sistema demora para atingir 63,2% do seu valor final, como mostrado na Fig. 1.6.
Fig. 1.6 - Constante de tempo de sistema de primeira ordem para excitação degrau
21 b) Resposta em frequência (Largura de Banda ou Largura de Faixa)
Quando o sinal aplicado a um instrumento apresenta uma variação com a frequência, chama-se resposta em frequência deste instrumento a mudança da relação saída/entrada do instrumento, usualmente dado em dB (decibéis).
A equação abaixo é utilizada para transformar ganho absoluto em dB.
max 10
valor
valor log
. 20 dB
Para -3dB temos:
2 10 1
log 20 . log 3
. 20 3
max 20
3
max max
10 max
10