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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

1.0024.13.337616-0/005

Número do Númeração 3376160-

Des.(a) Estevão Lucchesi Relator:

Des.(a) Estevão Lucchesi Relator do Acordão:

21/07/2016 Data do Julgamento:

29/07/2016 Data da Publicação:

IMÓVEL. COMPRA E VENDA. INADIMPLEMENTO DA CONSTRUTORA.

RESCISÃO CONTRATUAL. DANO MORAL. VALOR. JUROS DE MORA.

Não se conhecerá do agravo se a parte não requerer expressamente, nas razões ou na resposta da apelação, sua apreciação pelo Tribunal (inteligência do §1º do art. 523 do CPC). Nos casos de inadimplemento contratual, em que a construtora sequer inicia a construção do imóvel, encontrando-se em notório estado de insolvência, é cabível a rescisão contratual pelo consumidor. Rescindido o contrato por culpa da construtora, não há que se falar em retenção de valor a ser restituído, que por sua vez deve ser corrigido a partir de cada desembolso e com juros de mora desde a citação. O atraso na entrega do imóvel enseja lesão a direito de personalidade do comprador. A indenização por danos morais deve ser fixada com observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

Tratando-se de responsabilidade contratual, os juros de mora fluem desde a data da citação.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0024.13.337616-0/005 - COMARCA DE BELO H O R I Z O N T E - A P E L A N T E ( S ) : H A B I T A R E C O N S T R U T O R A E INCORPORADORA S/A - APELADO(A)(S): SILEIDE APARECIDA LOPES FERREIRA - LITISCONSORTE: REATIVA ADMINISTRACAO E SERVICOS DE COBRANCA LTDA

A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 14ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de

Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos,

em NÃO CONHECER DO AGRAVO RETIDO, NEGAR PROVIMENTO À

APELAÇÃO, E ALTERAR, DE OFÍCIO, O TERMO INICIAL

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

DOS JUROS DE MORA.

DES. ESTEVÃO LUCCHESI RELATOR.

DES. ESTEVÃO LUCCHESI (RELATOR)

V O T O

Trata-se de ação de rescisão contratual ajuizada por SILEIDE APARECIDA LOPES FERREIRA contra HABITARE CONSTRUTORA E INCORPORADORA S/A E OUTRA. Em sua inicial a autora informou ter adquirido junto à ré um imóvel em construção e cujo prazo de entrega expirou, sem que a empresa requerida sequer iniciasse a construção do edifício. Desta forma, requereu a rescisão do contrato celebrado, a devolução integral dos valores pagos, a condenação da ré ao pagamento de indenização por danos morais.

Após regular tramitação do feito, sobreveio a sentença de fls. 303-306, na

qual o pedido inicial foi julgado procedente para rescindir o contrato

celebrado entre as partes, determinar a devolução dos valores pagos pela

autora e condenar as rés a indenizar a autora, a título de danos morais, no

importe de R$8.000,00 (oito mil reais), corrigido e acrescido de juros de mora

de 1% ao mês, ambos a partir da data da sentença.

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Inconformada a construtora ré interpôs recurso de apelação às fls. 307- 319, alegando, em suma a impropriedade da devolução integral de valores, pois que a rescisão antecipada do contrato lhe causará enormes prejuízos.

Requer, assim, a retenção de quantia correspondente a 11% do valor do contrato. Aduz não estarem presentes danos a acervo personalíssimo da autora. Bate-se pela redução da verba indenizatória, e pela impossibilidade de condenação ao pagamento de quantia despendida para a contratação de advogado.

Contrarrazões às fls. 324-329, defendendo a manutenção da sentença, e pugnando pela majoração dos honorários na fase recursal.

Recurso regularmente preparado.

Conheço do recurso, pois presentes seus requisitos de admissibilidade.

AGRAVO RETIDO

Com relação ao agravo retido interposto às fls. 287-288, incabível o conhecimento deste diante da ausência de pedido expresso em grau recursal.

O comando legal que rege a matéria, §1º do artigo 523 do CPC,

preconiza que:

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§ 1º Não se conhecerá do agravo se a parte não requerer expressamente, nas razões ou na resposta da apelação, sua apreciação pelo Tribunal.

(destaquei)

MÉRITO

Primeiramente, nada há que se discutir quanto à alegação da ré/apelante de ser incabível sua condenação ao pagamento de despesa para contratação de advogado, porquanto não houve qualquer provimento jurisdicional a este respeito na sentença guerreada.

É cediço que todo contrato é, em essência, um negócio jurídico bilateral, celebrado com a finalidade de produzir efeitos jurídicos. Como tal, deve conter os requisitos necessários para a sua existência e validade, quais sejam, o acerto do preço e da forma de cumprimento, a perfeita identificação do objeto do contrato, e também o consenso entre as partes, este verificado mediante inequívoca manifestação de vontade, através da qual se pode inferir a sua intenção.

Ao tratarmos da rescisão contratual devemos lembrar que o traço

característico de todo contrato é a criação de um vínculo jurídico entre as

partes, sendo fonte de obrigação. A rescisão do contrato em casos tais deve

ser feita em juízo, pois não é regra do nosso sistema a resolução

extrajudicial, exatamente porque é preciso ponderar a gravidade do

inadimplemento e as conseqüências da extinção.

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Inexistindo o distrato, a via judicial é exigida, cabendo ao juiz, nesta hipótese, analisar as peculiaridades do caso sub judice e dispor sobre seus efeitos.

No caso dos autos, as partes celebraram contrato de compra e venda de imóvel no qual se convencionou a entrega do bem no dia 30/07/2013 (fl. 30), havendo previsão contratual de prorrogação do prazo por 120 (cento e vinte) dias úteis, nos termos da cláusula quinta da avença.

Todavia, a requerida já ultrapassou em muito o prazo de tolerância, bem como, nem mesmo demonstrou haver iniciado a construção do imóvel.

Com efeito, o estado de insolvência em que se encontra a Construtora Habitare, fruto de uma má gestão de recursos por parte da direção da empresa, é público e notório, sendo amplamente divulgado na imprensa especializada, e está sendo objeto de inúmeros processos judiciais, inclusive com o deferimento de arresto de bens da empresa, de forma a garantir o ressarcimento aos consumidores lesados.

Desta forma, a apelada não rescindiu o contrato por mera liberalidade,

como sustentado pela apelante, mas com supedâneo em flagrante

descumprimento contratual por parte da construtora, não restando

comprovada a existência de caso fortuito ou força maior.

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Assim, não há que se falar em indenização da construtora recorrente por meio de retenção de valores pagos, sobretudo porque nunca houve utilização do imóvel pela apelada. Neste sentido já decidiu o Tribunal de Justiça de Minas Gerais:

APELAÇÃO - RESCISÃO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA - ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL - RESSARCIMENTO DE ALUGUEIS - TAXA DE ADMINISTRAÇÃO - RETENÇÃO DE PARCELAS PAGAS - INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - QUANTUM INDENIZATÓRIO - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Incabível a cobrança de taxa de administração sem previsão contratual. Não há retenção de parcelas pagas em favor da alienante se o contrato é rescindido por culpa dela. A rescisão do contrato por atraso na entrega da obra implica na responsabilização da construtora/alienante pelos danos materiais e morais acarretados ao adquirente do imóvel. O quantum indenizatório fixado em patamar justo e adequado ao caso concreto deve ser mantido. Havendo condenação, os honorários de sucumbência devem ser fixados com base no artigo 20, §3º, do CPC. (Apelação Cível 1.0024.12.157787-8/001, Relator(a): Des.(a) Tiago Pinto , 15ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 27/03/2014, publicação da súmula em 04/04/2014) (destaquei)

AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA DA OBRA. CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR. NÃO OCORRÊNCIA. DEVOLUÇÃO INTEGRAL DOS VALORES PAGOS DEVIDA. RETENÇÃO DE PERCENTUAL INCABÍVEL.

RECURSO NÃO PROVIDO. 1. Não estando caracterizada a ocorrência de caso fortuito ou força maior e não tendo o imóvel sido entregue na data pactuada, por culpa da construtora, deve a mesma ser responsabilizada pela rescisão contratual, com a devolução de todos os valores por ela recebidos.

2. Não há que se falar na retenção de percentual sobre os valores já pagos

pelo promitente comprador, a título de multa, quando a rescisão ao contrato

ocorre em virtude da conduta negligente da construtora. 3. Negar provimento

ao recurso. (Apelação Cível 1.0134.11.004427-5/001, Relator(a): Des.(a)

Domingos Coelho , 12ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 23/07/2014,

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publicação da súmula em 31/07/2014) (destaquei)

APELAÇÃO CÍVEL. RESCISÃO CONTRATUAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA. CONSTRUTORA. ALEGAÇÃO DE INVIALIBIDADE TECNICA.

NÃO CONSTRUÇÃO EMPREENDIMENTO. AVISO APENAS 06 MESES APÓS PRAZO DA ENTREGA DO IMÓVEL. RESTITUIÇÃO DA QUANTIA JÁ PAGA. APLICAÇÃO DO ART.42 DO CDC. DANOS MORAIS. - O adiamento injustificado na entrega da obra, ou mesmo a sua não construção, motiva a rescisão do contrato, por inadimplência da Construtora. - Quando a rescisão do contrato ocorre por culpa exclusiva da Construtora, em razão do atraso considerável na conclusão das obras, ou sua não execução, esta não faz jus a qualquer retenção. Assim, a integralidade da importância paga deve ser restituída. Desta forma, as partes retornam à condição anterior à celebração do negócio jurídico. - O recebimento de parcelas mesmo sabendo que o imóvel não será construído configura má-fé e, portanto, justificada a repetição em dobro dos valores pagos. - Os desgastes emocionais sofridos em decorrência do atraso na entrega do imóvel, ultrapassaram os dissabores decorrentes de um mero inadimplemento contratual, devendo a construtora ser responsabilizada pelos danos morais causados. (Apelação Cível 1.0024.12.283522-6/001, Relator(a): Des.(a) Alexandre Santiago , 11ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 05/06/2014, publicação da súmula em 11/06/2014) (destaquei)

Doutro norte, o dano moral tem origem na violação de direito de personalidade do ofendido. Nesse sentido é o magistério de SÉRGIO CAVALIERI, porquanto o renomado autor define o dano moral como:

A lesão a bem integrante da personalidade, tal como a honra, a liberdade, a

saúde, a integridade psicológica, causando dor, sofrimento, tristeza, vexame

e humilhação à vítima. (Sérgio Cavalieri. Programa de Responsabilidade

Civil. 2ª edição. Editora Malheiros. página 74)

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Chancelando a mencionada definição de dano moral, CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA nos ensina que:

O fundamento da reparabilidade pelo dano moral está em que, a par do patrimônio em sentido técnico, o indivíduo é titular de direitos integrantes de sua personalidade, não podendo conformar-se a ordem jurídica em que sejam impunemente atingidos. ("Responsabilidade civil", 9. ed., Rio de Janeiro, Forense, 2.001, p. 54)

Nessa quadra, confira-se trecho de judicioso artigo elaborado por PAULO LUIZ NETTO LÔBO, no qual este demonstra a estreita relação existente entre os direitos de personalidade e a indenização por danos morais:

A interação entre danos morais e direitos da personalidade é tão estreita que se deve indagar da possibilidade da existência daqueles fora do âmbito destes. Ambos sofreram a resistência de grande parte da doutrina em c o n s i d e r á - l o s o b j e t o s a u t ô n o m o s d o d i r e i t o . A m b o s o b t i v e r a m reconhecimento expresso na Constituição brasileira de 1988, que os tratou em conjunto, principalmente no inciso X do artigo 5, que assim dispõe:

"X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das

pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral

decorrente de sua violação;" (...) Os direitos da personalidade, nas

vicissitudes por que passaram, sempre esbarraram na dificuldade de se

encontrar um mecanismo viável de tutela jurídica, quando da ocorrência da

lesão. Ante os fundamentos patrimonialistas que determinaram a concepção

do direito subjetivo, nos dois últimos séculos, os direitos de personalidade

restaram alheios à dogmática civilística. A recepção dos danos morais foi o

elo que faltava, pois constituem a sanção adequada ao descumprimento do

dever absoluto

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de abstenção".

O mencionado jurista ainda nos lembra que para existência de dano moral basta a lesão de direito da personalidade, não havendo necessidade de comprovação de prejuízo e tampouco de fatores psicológicos dificilmente verificáveis no caso concreto:

Do mesmo modo, os danos morais se ressentiam de parâmetros materiais seguros, para sua aplicação, propiciando a crítica mais dura que sempre receberam de serem deixados ao arbítrio judicial e à verificação de um fator psicológico de aferição problemática: a dor moral. (...)

De modo mais amplo, os direitos de personalidade oferecem um conjunto de situações definidas pelo sistema jurídico, inatas à pessoa, cuja lesão faz incidir diretamente a pretensão aos danos morais, de modo objetivo e controlável, sem qualquer necessidade de recurso à existência da dor ou do prejuízo. A responsabilidade opera-se pelo simples fato da violação (damnu in re ipsa); assim, verificada a lesão a direito da personalidade, surge a necessidade de reparação do dano moral, não sendo necessária a prova do prejuízo, bastando o nexo de causalidade. (...) (LÔBO, Paulo Luiz Netto.

Danos morais e direitos da personalidade. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n.

119, 31 out. 2003. Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/4445>.

Acesso em: 7 dez. 2011)

Outrossim, a princípio, o descumprimento contratual, de per si, não configura abalo psíquico relevante, apto a autorizar a reparação por dano moral.

Entretanto, no caso vislumbro com cristalina clareza a necessidade

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de se reparar a dor e o sofrimento. Olvida-se a apelante que está lidando com o sonho de todo o brasileiro, qual seja, o de ter a casa própria.

É inimaginável o sofrimento imposto a um cidadão que, a par das dificuldades financeiras, reúne todas suas economias para a aquisição de um imóvel, pagando com dificuldades o valor exigido, e depois se depara com a recusa da entrega das chaves.

São esses os valores, os bens da vida que se quer tutelar: as economias, os sonhos, os envolvimentos de uma pessoa e de seus familiares, que tudo investem para a realização maior que é a casa própria, as melhorias de condições de vida e que as empresas e empresários do ramo não levam em consideração nos seus projetos, onde o lucro sempre está em primeiro plano.

Nesse sentido já decidiu o Tribunal de Justiça de Minas gerais, inclusive este Colegiado, confira-se:

AÇÃO INDENIZATÓRIA - PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE BEM

IMÓVEL - INADIMPLEMENTO DA RÉ - NÃO CONCLUSÃO DA OBRA NO

PRAZO PROMETIDO - DANOS MORAIS E MATERIAIS CONFIGURADOS -

FIXAÇÃO DO 'QUANTUM' - RAZOABILIDADE.- Restando evidenciado o

descumprimento contratual por parte da promitente vendedora, esta deve

arcar com os ônus do seu inadimplemento. Embora o descumprimento

contratual não seja apto a configurar indenização por dano extrapatrominial,

o atraso demasiado ou incomum na

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entrega do imóvel ocasiona séria e fundada angústia no espírito dos adquirentes, não se tratando de mero dissabor, ensejando assim, o ressarcimento do dano moral.(...) (Apelação Cível 1.0024.10.151654-0/001, Rel. Des.(a) Valdez Leite Machado, 14ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 16/08/2012, publicação da súmula em 31/08/2012) (destaquei)

APELAÇÃO - REPARAÇAO DE DANO - MULTA MORATÓRIA - AUSENCIA DE PREVISAO - ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL - DANOS MORAIS CONFIGURADOS - RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE - O contrato não previa multa moratória em caso descumprimento contratual por parte da ré. Tenho que não deve o magistrado criar obrigações não convencionadas entre as partes contratantes. Deve o julgador extirpar do negócio jurídico, por meio de declaração de nulidade, aquelas cláusulas ditas abusivas e ilegais. - Numa relação de compra e venda de imóvel, em que houve a assinatura de contratos pelas partes, todos descumpridos por negligência das apeladas, ocorre lesão aos bens tutelados pelo art. 5º, X, da Constituição Federal, impondo-se a manutenção da decisão que entendeu pela indenização por danos morais. (...) (Apelação Cível 1.0145.12.050793- 7/001, Relator(a): Des.(a) Evangelina Castilho Duarte , 14ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 11/11/2013, publicação da súmula em 20/11/2013) (destaquei)

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C

INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS - ACORDO - COISA JULGADA -

INOCORRÊNCIA - QUITAÇÃO DO ACORDO - NÃO COMPROVAÇÃO -

DANOS MORAIS - CONFIGURAÇÃO - ATRASO NA ENTREGA DO IMÓVEL

- FIXAÇÃO - RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE - RECURSO

PRINCIPAL IMPROVIDO - RECURSO ADESIVO IMPROVIDO. O acordo

firmado extrajudicialmente sem homologação judicial não faz coisa julgada,

na medida em que não é ato emanado do Estado. A casa própria, como

todos sabem, é um sonho buscado pela maioria da

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população brasileira de baixa renda. Outrossim, tenho que a atitude perpetrada pela ré causou abalos psíquicos aos autores. A fixação do valor indenizatório deve-se dar com prudente arbítrio, observados os critérios da razoabilidade e proporcionalidade, para que não ocorra enriquecimento de uma parte, em detrimento da outra, bem como para que o valor arbitrado não seja irrisório. (...) (Apelação Cível 1.0024.11.054886-4/003, Relator(a):

Des.(a) Rogério Medeiros , 14ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 19/09/2013, publicação da súmula em 27/09/2013)

APELAÇÃO CÍVEL - CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL - ATRASO NA ENTREGA - RESCISÃO DO CONTRATO - POSSIBILIDADE - DANO MORAL - RECONHECIMENTO. - O atraso na entrega do imóvel a ponto de justificar a rescisão do contrato, importa em reconhecimento do dano moral indenizável. (Apelação Cível 1.0024.10.223135-4/002, Rel.

Des.(a) Luiz Carlos Gomes da Mata, 13ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 16/08/2012, publicação da súmula em 22/08/2012)

Sob outro enfoque, sabe-se que a fixação do valor da indenização por danos morais é questão tormentosa e constitui tarefa extremamente difícil imposta ao magistrado. Sobre o dano moral, Sérgio Cavalieri leciona com maestria:

Em suma, a composição do dano moral realizar-se através desse conceito - compensação - que, além de diverso do de ressarcimento, baseia-se naquilo que Ripert chamava ' substituição do prazer que desaparece, por um novo'.

Por outro lado, não se pode ignorar a necessidade de se impor uma pena ao

causador do dano moral, para não passar impune a infração e, assim,

estimular novas agressões. (CAVALIEIRI FILHO, Sérgio. Programa de

Responsabilidade Civil. 2ª edição. Malheiros. página 76)

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Nesse diapasão, doutrina e jurisprudência convergem no sentido de que para a fixação do valor da compensação pelos danos morais deve-se considerar a extensão do dano experimentado pela vítima, a repercussão no meio social, a situação econômica da vítima e do agente causador do dano, para que se chegue a uma justa composição, evitando-se, sempre, que o ressarcimento se transforme numa fonte de enriquecimento injustificado ou seja inexpressivo a ponto de não retribuir o mal causado pela ofensa.

Em outras palavras, o valor fixado deve observar os critérios da razoabilidade e proporcionalidade, tal como assentado pelo STJ:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.

CIVIL. INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. HERDEIROS. LEGITIMIDADE.

QUANTUM DA INDENIZAÇÃO FIXADO EM VALOR EXORBITANTE.

NECESSIDADE DA REDUÇÃO. RESPEITO AOS PARÂMETROS E JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES. (...) 2. O critério que vem sendo utilizado por essa Corte Superior na fixação do valor da indenização por danos morais, considera as condições pessoais e econômicas das partes, devendo o arbitramento operar-se com moderação e razoabilidade, atento à realidade da vida e às peculiaridades de cada caso, de forma a não haver o enriquecimento indevido do ofendido, bem como que sirva para desestimular o ofensor a repetir o ato ilícito. (STJ, AgRg no Ag 850273 / BA, Quarta Turma, Relator Min. Honildo Amaral de Mello Castro, j. 03/08/2010)

Nesse sentido é a lição de Sérgio Cavalieri, senão vejamos:

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(...) não há valores fixos, nem tabelas preestabelecidas, para o arbitramento do dano moral. Esta tarefa cabe ao juiz no exame de cada caso concreto, atentando para os princípios aqui enunciados e, principalmente, para o seu bom senso prático e a justa medida das coisas. (ob. cit., p. 183)

E o magistério de Maria Helena Diniz e de Caio Mário da Silva não discrepa:

(...) na ausência de um padrão ou de uma contraprestação que dê o correspectivo da mágoa, o que prevalece é o critério de atribuir ao juiz o arbitramento da indenização (...). (Caio Mário, Instituições de Direito Civil", vol II, Forense, 7ª ed.., pág. 316)

Na reparação do dano moral, o magistrado deverá apelar para o que lhe parecer eqüitativo ou justo, agindo sempre com um prudente arbítrio, ouvindo as razões das partes, verificando os elementos probatórios, fixando moderadamente uma indenização. O valor do dano moral deve ser estabelecido com base em parâmetros razoáveis, não podendo ensejar uma fonte de enriquecimento nem mesmo ser irrisório ou simbólico. A reparação deve ser justa e digna. Portanto, ao fixar o quantum da indenização, o juiz não procederá a seu bel prazer, mas como um homem de responsabilidade, examinando as circunstâncias de cada caso, decidindo com fundamento e moderação (DINIZ, Maria Helena. Revista Jurídica Consulex, n. 3, de 31.3.97).

No caso em exame, considerando toda a angústia, sofrimento e tristeza a

que foi submetido o autor/apelado, bem como os parâmetros adotados por

este colegiado, verifica-se que a indenização fixada não deve ser reduzida.

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Doutro norte, a sentença guerreada equivocou-se ao fixar o termo inicial dos juros de mora incidentes, tanto sobre os valores a serem ressarcidos, quanto sobre o montante arbitrado a título de danos morais.

É que o caso vertente cuida de responsabilidade contratual, sendo o marco ensejador da mora da requerida a data de sua citação válida, nos moldes do art. 219 do CPC de 1973, vigente ao tempo do ajuizamento e instrução do feito.

Ressalte-se que os juros de mora, como consectários da condenação, são matéria de ordem pública, e podem ser revistos de ofício pela instância revisora.

Por todo o exposto, DEIXO DE CONHECER do agravo retido e NEGO PROVIMENTO à apelação. Outrossim, ALTERO, DE OFÍCIO, o termo inicial dos juros de mora, fixando a data da citação válida como marco inicial do consectário da condenação, tanto para a devolução de quantias, quanto para a indenização por danos morais.

Deixo de majorar os honorários de sucumbência nesta fase recursal, tendo em vista que já fixados no máximo legal (art. 85, §11, segunda parte, NCPC).

Custas recursais pela apelante.

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

DES. MARCO AURELIO FERENZINI - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. VALDEZ LEITE MACHADO - De acordo com o(a) Relator(a).

SÚMULA: "DEIXARAM DE CONHECER DO AGRAVO RETIDO,

NEGARAM PROVIMENTO À APELAÇÃO, E ALTERARAM, DE OFÍCIO, O

TERMO INICIAL DOS JUROS DE MORA."

Referências

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