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TRABALHOS GRANDES ANIMAIS

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TRABALHOS GRANDES ANIMAIS

GRANDES ANIMAIS - 161 TRABALHOS APROVADOS AQUICULTURA 14

BEM-ESTAR ANIMAL 5 BIOSSEGURANÇA 1 BOVINOS 41

EQUINOS 36 HOMEOPATIA 2

PEQUENOS RUMINANTES 24 PRODUÇÃO ANIMAL 18

PRODUÇÃO ORGÂNICA 1 REPRODUÇÃO 13

TERAPIAS COMPLEMENTARES 3

TOXICOLOGIA 3

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1. A CONTRIBUIÇÃO DE PROJETOS DE EXTENSÃO NO DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA LEITEIRA, SUSTENTABILIDADE E INCLUSÃO SOCIAL

NATHALIA COVRE DA SILVA¹, GISLAINE APARECIDA DOS SANTOS¹, ISABELLE SUMIE AZUMA IKEDA¹, PEDRO IVO GARLA STEGMANN¹, WILMAR SACHETIN MARÇAL², AUGUSTO JOSÉ SAVIOLI DE ALMEIDA SAMPAIO³

¹ Acadêmico do curso de medicina veterinária -UEL ²Docente participante da ação extensionista -UEL ³Docente coordenador da ação de extensão - UEL RESUMO:

Os projetos de extensão rural vêm sendo desenvolvidos pela instituição há 15 anos, realizando o atendimento itinerante a pequenas propriedades leiteiras localizadas na região de Londrina. Esta ação tem visado aperfeiçoar a

produção, minimizando os custos e as perdas do pecuarista, tornando o sistema produtivo mais rentável ao pequeno criador, a partir do serviço de assistência veterinária gratuita. Estas propriedades são cadastradas

previamente e visitadas semanalmente. A equipe compostas por discentes e docentes atua desenvolvendo atendimentos na área da clínica médica e cirúrgica, reprodução, prevenção de enfermidades e zoonoses, além de correção nas falhas de manejo.

Os resultados permitem concluir que está ocorrendo uma melhoria nas técnicas de produção e sanidade animal com a assistência veterinária. Ao mesmo tempo em que a ação extensionista se mostra como excelente instrumento de aprendizado aos acadêmicos.

INTRODUÇÃO:

A cidade de Londrina é cercada por pequenas propriedades que juntas

compõem a zona rural do município. Estas são caracterizadas pela exploração agropecuária, mão de obra familiar e por fazer da pecuária leiteira uma

alternativa para produção de renda regular mensal, com a criação

predominante de bovinos mestiços. A realidade desses pequenos produtores é de carência de informações e de assistência veterinária, pois tal exploração de subsistência não compõe o quadro de atividades cooperativistas.

Deste cenário origina-se um ótimo campo de atuação prática aos acadêmicos de medicina veterinária, que passam a intervir levando o conhecimento técnico para a pequena produção através de projetos como o projeto “AMIGA-

Pecuária Leiteira e Sustentabilidade” e o projeto “Pecuária Leiteira e Inclusão Social”.

MATERIAIS E MÉTODOS:

As propriedades localizadas em um raio de até 50 quilômetros da cidade de Londrina são cadastradas e visitadas semanalmente com agendamento prévio.

Dentro da propriedade o grupo formado por discentes, docentes e residentes

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de medicina veterinária, desempenha atividades inclusas na clínica médica, clinica cirúrgica, reprodução, corrigem possíveis falhas de manejo na

propriedade, e levam orientações higiênico-sanitárias ao produtor para a profilaxia de enfermidades e zoonoses. Esta ação itinerante é totalmente gratuita e os medicamentos utilizados são doações dos laboratórios colaboradores.

RESULTADOS:

No período entre dezembro de 2013 a agosto de 2015 foram realizadas 54 visitas, nas quais se desenvolveram 277 atendimentos em clínica médica, 183 procedimentos cirúrgicos, 80 atendimentos relacionados à reprodução, e 415 procedimentos de clínica preventiva.

Entre estas atividades incluem-se vacinações, suplementação vitamínica, vermifugação, tratamento de feridas e enfermidades como babesiose, leptospirose, entre outras. Também foram realizados mochação, descorna, casqueamento, extração dentária, curetagem de abscessos, orquiectomias, palpação retal para diagnóstico de gestação, protocolos de IATF, entre outras atividades relacionadas à saúde animal e manejo.

Foram atendidos um total de 891 animais entre as espécies bovina, equina, ovinos e caprinos.

DISCUSSÃO:

O atendimento clínico efetuado pelos acadêmicos, sob supervisão direta dos docentes, constitui-se num apoio logístico real e fundamental aos pequenos produtores rurais que passam a minimizar perdas e sustentar seus negócios a partir do atendimento totalmente gratuito e da assistência técnica

proporcionada. Desta maneira os Projetos de extensão tem por objetivo incentivar o principio da sustentabilidade e colaborar para uma maior fixação do homem no campo e diminuição do êxodo rural.

CONCLUSÕES:

Os resultados parciais nos permitem concluir a ocorrência de melhorias nas técnicas de produção e sanidade animal com a assistência veterinária

constante.

O serviço gratuito tem minimizado os custos e as perdas dos pequenos

produtores rurais e está tornando a produção leiteira mais rentável, uma vez que as ações promovidas pelo grupo torna possível agregar maior valor ao produto final.

Assim, a extensão rural está tornando sustentável a produção leiteira destas famílias da zona rural de Londrina, possibilitando melhor captação de renda por parte destas e sua fixação no campo.

Para os acadêmicos de medicina veterinária é proporcionado uma vivência

acadêmica enriquecedora, pois têm a oportunidade de realizar na prática o

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conhecimento adquirido em sala de aula. Também o envolvimento social entre

os integrantes da equipe assistente e seus assistidos contribui para a formação

de profissionais mais conscientes do meio em que vivem, pela observação in

loco das atuações profissionais.

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2. ACHADOS ENDOSCÓPICOS EM CAVALOS CARROCEIROS DE PINHAIS/PR FLÁVIA DO PRADO AUGUSTO AMARO

1

, MARIANE ANGÉLICA POMMERENING FINGER

2

, IVAN ROQUE DE BARROS FILHO

3

, PETERSON TRICHES DORNBUSCH

3

, JOÃO HENRIQUE PEROTTA

3,

IVAN DECONTO

3

.

1

Acadêmica de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná

2

Médica Veterinária Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da Universidade Federal do Paraná

3

Docente do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Paraná.

RESUMO:

O trato respiratório dos cavalos carroceiros é muito exigido uma vez que estes animais são submetidos a exercício físico intenso e expostos a diversos

patógenos. No presente trabalho foram avaliadas as vias aéreas de 31 cavalos carroceiros por meio de endoscópio portátil e flexível. As alterações mais prevalentes foram: neuropatia laringeana (NL) em 19,35% dos animais,

hiperplasia folicular linfoide (HFL) em 35,4% dos animais, presença de secreção nas narinas (25,5%) e na traquéia (90,32%). Conclui-se que a alta exposição a patógenos urbanos e condições precárias de manejo representam um fator de risco para ocorrência de algumas alterações no trato respiratório de cavalos carroceiros.

Os cavalos carroceiros do município de Pinhais-PR auxiliam o recolhimento e transporte de materiais recicláveis. Para tal atividade percorrem longas distâncias e são expostos a diversos patógenos exigindo um desempenho intenso do sistema respiratório. Deste modo, o presente trabalho avaliou as vias aéreas de 31 cavalos atendidos pelo Projeto de Extensão Carroceiro por meio de endoscópio portátil e flexível Karl Storz. Para o procedimento, além de contenção física, os cavalos foram sedados com xilazina a dose de 1 mg/kg por via endovenosa. A endoscopia é uma ferramenta importante para avaliação de alterações estruturais nas vias aéreas, detecção e quantificação de secreções e sangue.

Na avaliação da estrutura do trato respiratório um animal apresentou aumento de volume da bolsa gutural direita e esquerda, um apresentou NL direita grau 2, cinco apresentaram NL esquerda (três grau 1, um grau 2 e um grau 3), um apresentou deslocamento dorsal do palato mole (DDPM), um apresentou cisto em epiglote, dez apresentaram hiperplasia folicular linfoide e três

apresentaram a bifurcação traqueal edemaciada. O aumento de volume da

bolsa gutural pode ser decorrente de timpanismo de bolsa gutural, infecções

como empiema ou micose das bolsas guturais (ZANGIROLAMI FILHO et al,

2008). A prevalência da neuropatia laringeana na população equina não é

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exata. Neste estudo foi de 19,35%, alguns estudos encontraram a prevalência entre 2,6% e 8,3% (LEAL, 2013 apud KRAUS e PARENTE, 2003). A doença ocorre mais comumente no lado esquerdo da laringe, assim como observado no

estudo. O DDPM é uma causa comum de obstrução das vias aéreas na espécie equina e ocorre aproximadamente em 1,3% dos animais (RAPHEL, 1982). A prevalência de HFL no grupo avaliado foi de 35,4% e o grau variou de 1 a 2 (escala de 1 a 4). Esta afecção não possui etiologia específica, pode ocorrer por infecção viral ou bacteriana, turbulência do ar, inalação de fumaça e

substâncias cáusticas. Dentre os animais que possuíam HFL, sete (64%) apresentavam idade inferior a 4 anos. Os cavalos com menos de três anos constituem a população com maior incidência de HFL e isso pode ser explicado pela redução de tecido linfoide entre 4 e 5 anos (NEUMEISTER e REINERTSON, 1982).

Quanto à presença de secreção nas vias aéreas observou-se: oito cavalos com secreção nasal (quatro unilateral e quatro bilateral); um com secreção na faringe, dois com secreção na laringe e 28 com secreção na traqueia. O

corrimento nasal unilateral pode indicar alterações na narina correspondente, enquanto o corrimento bilateral pode indicar comprometimento de ambas as narinas ou em locais posteriores a narina (GONÇALVES, 2008). A secreção traqueal foi classificada segundo grau e aspecto.

A secreção traqueal foi observada em 90,3% dos cavalos carroceiros, este é um sinal característico, mas não específico de doenças de vias aéreas de origem infecciosa ou não (SAD et al., 2012). HOLCOMBE (2005) sugeriu que a presença de muco traqueal de graduação igual ou superior a 2 deve ser considerada anormal, e na ausência de sinais de infecção pulmonar ou pneumonia, pode ser indicativo de doença inflamatória das vias aéreas (DIVA). Foi observado que os únicos cavalos que não apresentavam secreção traqueal estavam alojados no hospital veterinário, o que pode indicar que as instalações eram mais

adequadas para a saúde pulmonar.

Foi possível concluir que os cavalos carroceiros apresentam maior prevalência de alterações no trato respiratório como NL, HFL e presença de secreção traqueal provavelmente pela alta exposição a patógenos urbanos e condições precárias de manejo. Representando, deste modo, um grupo de risco para afecções como a DIVA.

AGRADECIMENTO:

Juliana Sperotto Brum professora da Universidade Federal do Paraná.

REFERÊNCIAS:

GONÇALVES, R. C. Semiologia do Sistema Respiratório. In: FEITOSA, F. L. F.

Semiologia Veterinária: A arte do diagnóstico. Ed. Roca, 2 ed., p. 320., 2008.

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HOLCOMBE, S. J. Epidemiology of Airway Inflammation and Mucus in Horses.

AAEP Proceedings, vol. 51, p. 3, 2005.

KRAUS, B., PARENTE, E. (2003). Laryngeal Hemiplegia in Non-Racehorses. In:

ROBINSON, N. E. Current Therapy in Equine Medicine. Missouri, USA:

Saunders, Ed. 5, p. 383-386.

LEAL, C. R. F. Exame Endoscópico e Lavagem Traqueal Antes e Após o

Desempenho Desportivo em Equinos. Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária. Universidade de Lisboa, p. 32, 2013.

NEUMEISTER, M. L.; REINERTSON, E. L. Pharyngeal Lymphoid Hyperplasia.

Iowa State University Veterinarian,

vol. 44, p. 4-6, 1982.

RAPHEL, C.F. Endoscopic findings in the upper respiratory tract of 479 horses.

Journal of the American Veterinary Medical Association, v.181, p.470. 1982.

SAD, E.P; VISCARDI, V; HESS, T.M; SILVA, E.G.A; MICHELOTTO Jr., P.V; LESSA, D.A.B. Avaliação endoscópica semiquantitativa de exsudato traqueobrônquico em equinos de equitação. Revista Acadêmica Ciências Agrárias e Ambientais, v.10, n.3, p.237-241, 2012.

ZANGIROLAMI FILHO, D.; AVANTE, M. L.; BENEDETTE, M. F.; FERREIRA, M. M.

G.; ROSA, B. R. T. Empiema de Bolsa Gutural. Revista Científica Eletrônica de

Medicina Veterinária, n. 10, p. 2, 2008.

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3.ACIDENTE OFÍDICO EM EQUINO – RELATO DE CASO

GABRIEL

1

PISSININ COPETTI, HELOISA

2

EINLOFT PALMA, NATALIA

3

RABER, EDER

3

BERNARDI, MIGUEL

3

GALLIO

Aluno de Graduação do Curso de Medicina Veterinária da Universidade de Cruz Alta;

2

Professora do Curso de Medicina Veterinária UNICRUZ;

3

Médicos

Veterinários, Clínica ComfortEqui, Cruz Alta - RS; E-mail:

[email protected] RESUMO:

As serpentes dos gêneros Bothrops e Crotalus são as responsáveis pela maioria dos acidentes ofídicos em animais domésticos, estas cobras habitam locais úmidos como proximidade de rios e lagos. Este trabalho tem por objetivo

apresentar um relato de acidente ofídico em um equino na cidade de Cruz Alta.

INTRODUÇÃO:

Os acidentes ofídicos são responsáveis por danos e prejuízos irreparáveis no rebanho (Gomes, 2008; Souza et al., 2011). Segundo Silva & Lofego (2006), estes acidentes são frequentemente relatados nas áreas rurais do Brasil por clínicos veterinários que trabalham no campo. Este trabalho tem por finalidade relatar a ocorrência e tratamento instituído em um caso de acidente ofídico em um equino.

DESCRIÇÃO DO CASO:

Foi atendida uma fêmea equina da raça crioula com um ano de idade, criada extensivamente. O animal foi encontrado pelo proprietário apresentando sinais de dificuldade respiratória e aumento exacerbado na região da face e cabeça.

Ao exame físico foi evidenciado além do edema pronunciado já citado, a

presença de dois orifícios na região do focinho, intensa resposta dolorosa a

palpação, apatia, dispneia grave e congestão das mucosas, sendo procedida a

traqueostomia de emergência como alternativa de facilitar a respiração do

animal. O animal foi então internado para tratamento.

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O tratamento consistiu na reposição hidroeletrolítica com solução fisiológica e ringer com lactato. O soro antiofídico foi utilizado como tentativa de

neutralizar o efeito do veneno. Foi utilizada terapia com dexametasona

(0,15mg/Kg/dia), flunixin meglumine (1,1mg/Kg/dia) por cinco dias e transfusão de sangue (8L) para reverter a hipovolemia proveniente de sangramentos

difusos posteriores à picada.

DISCUSSÃO:

As serpentes dos gêneros Bothrops e Crotalus possuem hábitos noturnos, habitando preferencialmente locais úmidos como proximidades de rios e lagos (Gomes, 2008), muito semelhante ao local onde o animal relatado se

encontrava.

Com base nos achados evidentes ao exame físico, foi estabelecido o diagnóstico de acidente ofídico, provavelmente relacionado ao gênero

Bothrops, com base na tabela clínica de Gomes, 2008. As lesões identificadas

são causadas devido à ação proteolítica e hemorrágica do veneno, que possui mais de 20 substâncias que atuam causando inflamação, dano ao epitélio vascular e necrose local (Méndez, 1998). Neste caso as lesões vasculares foram agravadas a tal ponto, que o quadro evoluiu para choque hipovolêmico, que necessitou de transfusões de sangue e hidratação agressiva para revertê-lo.

Apesar de os acidentes ofídicos causarem a morte em quase 100% dos casos (Funasa, 2001), é possível através do exame clínico adequado e do diagnóstico precoce intervir com o tratamento específico preservando a vida do animal, como no caso demonstrado, em que após 8 dias de internação o paciente recebeu alta.

CONCLUSÃO:

O tratamento adequado do caso demonstrou eficácia, permitindo retorno do animal as suas atividades normais.

REFERÊNCIAS:

FUNASA (Ministério da Saúde - Fundação Nacional de Saúde). Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos. 2 ed.

Brasília. p.120, 2001.

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GOMES, R. C. B. Acidente botrópico, elapídico e crotálico em cães e gatos.

2008. 23f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Clínica Médica de Pequenos Animais), Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro-RJ.

MÉNDEZ, M.C. Envenenamento botrópico. In: Riet-Correa, F,Mendez, M.C., SHILD, A.L. Doenças dos ruminantes e eqüinos da região sul do Brasil. Pelotas- RS Editora e Gráfica da Universidade de Pelotas.1998. Cap. 8. p. 451- 458.

SILVA, E.R.O.; LOFEGO, A.C. Acidentes ofidicos na região de São Jose do Rio Preto, SP. Revista Unorp. 2006. v.13, p. 127-133.

SOUSA, G. M.; TOKARNIA, C. H.; BRITO, M. F., et al. Aspectos clínicos-

patológicos do envenenamento botrópico experimental em equinos. Pesq. Vet.

Bras. 2011. v. 31(9). p. 773-780.

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4. ACIDENTE POR PICADAS DE ABELHA EM EQUINO

JOANDES HENRIQUE FONTEQUE¹, RUBENS PERES MENDES¹, ANDERSON

FERNANDO DE SOUZA¹, MILENA CAROL SBRUSSI GRANELLA¹, LETÍCIA ANDREZA YONEZAWA¹, JULIETA VOLPATO¹.

¹Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Lages, SC, Brasil.

RESUMO:

Descreve-se um caso de ataque de abelhas (Apis mellifera) em uma égua de 3,5 anos. O animal fora amarrado próximo a uma colmeia que não tinha sido

avistada. Na avaliação clínica apresentava apatia, anorexia, extenso edema de cabeça e região ventral, dispneia severa, mucosas ictéricas, linfonodos

submandibulares aumentados e urina de coloração enegrecida. O hemograma demonstrou anemia hemolítica e na bioquímica sérica observou-se lesão

muscular, azotemia e lesão hepática. A urinálise observou-se hemoglobinúria e houve aumento do tempo ao Teste de Coagulação Sanguínea. Como

tratamento instituiu-se terapia com fluidos intravenosa com solução de ringer com lactato associada à furosemida, prometazina e hidrocortisona,

posteriormente administrou-se dexametasona e manitol 20%. Compressas térmicas foram aplicadas sobre áreas de edema. Houve adequada resposta ao tratamento recebendo alta após 30 dias. Casos graves de ataques de abelhas em grandes animais são raros e o rápido encaminhamento médico é

fundamental para prover um prognóstico favorável ao paciente.

INTRODUÇÃO:

Os acidentes decorrentes por ataque de abelhas são raros em grandes animais, porém são casos graves e podem ser fatais, devido às reações alérgicas e

tóxicas causadas pela apitoxina (Sakate, 2008). As manifestações clínicas variam conforme a quantidade de picadas recebidas e da susceptibilidade do indivíduo, resultando desde reações alérgicas localizadas até quadros graves de envenenamento (Cardoso et al., 2003) caracterizados por hemólise e

rabdomiólise.

DESCRIÇÃO DE CASO:

Uma égua, mestiça, de 3,5 anos, pesando 290 Kg, foi encaminhada ao

atendimento logo após ter sida atacada por um enxame de abelhas. O animal

tinha sido amarrado próximo a uma colmeia que não tinha sido vista. Ao exame

físico observou-se apatia, pirexia (39°C), dispneia inspiratória, taquipnéia (100

mpm), taquicardia (80 bpm), extenso edema de cabeça e região ventral,

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mucosas ictéricas, linfoadenomegalia e urina de coloração enegrecida (Figura 1 e 2). Os exames laboratoriais, hemograma, bioquímica sérica e urinálise foram realizados repetidamente durante o internamento e respectivamente cursaram com anemia hemolítica (Ht: 20%), azotemia (ureia: 56,66mg/dl), leão muscular (AST: 1669,20UI/L; CK:324,9 UI/L), lesão hepática (GGT: 19,1UI/L; LDH:

3395,00UI/L), hemoglobinúria e tempo de coagulação aumentado (19

minutos). Instituiu-se fluidoterapia intravenosa intensa com solução de ringer com lactato, furosemida (0,5mg/kg, IV), prometazina (0,4mg/kg, IV) e

hidrocortisona (4mg/kg, IV), posteriormente utilizou-se dexametasona

(0,1mg/kg) e manitol (20%). Compressas térmicas foram aplicadas sobre áreas de edema. Durante o internamento desenvolveu pneumonia, sendo tratada com penicilina benzatina (40.000UI/kg, IM). Após sete dias houve redução do edema, melhora da condição respiratória, voltando a ingerir alimento e a urina apresentou-se de coloração amarelada. Recebendo alta após 30 dias de

internamento.

DISCUSSÃO:

As terapias instituídas têm por objetivo apenas minimizar os efeitos deletérios causados pela apitoxina que são proporcionais ao número de picadas sofridas em relação ao peso vivo do animal. Os efeitos da toxicidade do veneno cursam com hemólise, insuficiência renal aguda, coagulação intravascular disseminada, trombocitopenia, rabdomiólise, disfunção hepática com inicio imediato ou em até 12-24 horas (Figheira et al., 2007). Um ponto importante seria a remoção precoce dos ferrões, pois, parte do veneno continua sendo inoculado no paciente após o ataque. No caso descrito não foi possível visualizar a presença destes, devido à cobertura pilosa e o intenso edema. A terapia instituída neste caso foi efetiva, com recuperação completa do animal, apresentando apenas nos locais dos ferrões necrose da pele.

CONCLUSÃO:

Conclui-se que o ataque por abelhas, mesmo raro em grandes animais, pode ocorrer necessitando de atendimento imediato.

REFERÊNCIAS:

CARDOSO, J. L. C.; FRANÇA, F. O. S.; WEN, F. H; MÁLAQUE, C. M. S.; HADDAD JUNIOR, V. Animais peçonhentos no Brasil. Biologia, clínica e terapêutica dos acidentes. 2ª ed. São Paulo: Sarvier, 2008. 468p.

FIGHERA, R.; SOUZA, T.; BARROS, C. Acidente provocado por picada de abelhas como causa de morte de cães. Ciência Rural, v. 37, n. 2, p. 590-593, 2007.

Figura 1. Égua, mestiça, 3,5 anos,

apresentando edema na região da cabeça e intensa dispneia respiratória, após

ataque por abelhas (Apis melífera.

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SAKATE, M. Zootoxinas. In: SPINOSA H. S.; GÓRNIAC, S. L.; PALERMO-NETO J.

Toxicologia aplicada à medicina veterinária. São Paulo: Manole; 2008. p. 209-

55.

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5. ADAPTABILIDADE DE CAPRINOS SANNEN E MAROTA MANTIDOS EM CLIMA TROPICAL SEMIÚMIDO

FRANCISCO SÉRGIO MEDEIROS DOS SANTOS

1

; JOÃO EDUARDO PINTO PIRES

2

; ALÉCIO MATOS PEREIRA

2

; FERNANDA KAROLLYNE RODRIGUES DE SOUSA

3

; MARIA CHRISTINA SANCHES MURATORI

1

; AMILTON PAULO RAPOSO COSTA

1

1

Universidade Federal do Piauí, Departamento de Morfofisiologia Veterinária Teresina, Piauí, Brasil.

2

Universidade Federal do Piauí, Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia, Teresina, Piauí, Brasil

3

CEULP/ULBRA, Palmas, Tocantins. Brasil.

RESUMO:

Objetivou-se com este trabalho avaliar os parâmetros ambientais e fisiológicos dos caprinos Saanen e Marota em clima tropical semiúmido. Utilizaram-se fêmeas caprinas adultas Saanen (n=7) e Marota (n=7), clinicamente saudáveis, de mesmas faixas etárias e submetidas às mesmas condições de manejo. Os índices fisiológicos foram a frequência cardíaca (FC), frequência respiratória (FR) e temperatura retal (TR) nos horários de 7-8, 10-11, 14-15 e 17-18horas.

Os índices ambientais analisados foram a temperatura ambiente, umidade relativa do ar, temperatura de globo negro e índices de temperatura e

umidade. Os resultados mostram que o período seco é mais estressante que o chuvoso e que o turno da tarde é mais estressante que o da manhã, observa-se ainda que a umidade relativa do ar tem comportamento inverso ao da

temperatura do ar, temperatura de globo negro e índices de temperatura e umidade, mostrando maiores valores no período chuvoso e no turno da

manhã. Os animais conseguiram manter a temperatura retal dentro dos limites normais, e a frequência respiratória foi o indicador de estresse mais sensível, mostrando que os animais da raça Marota apresentaram menores valores e mais próximos da normalidade, indicando maior adaptabilidade em relação aos da raça Saanen.

INTRODUÇÃO:

O estudo dos índices bioclimáticos tem por objetivo expressar o conforto que as raças Saanen e Marota possuem em clima tropical semiúmido, pois o processo de adaptação às condições impostas pelo meio estão associados à perda de diversidade genética nos estágios iniciais. Essa avaliação depende de uma avaliação mais precisa da situação do ambiente e a comparação

zootécnica entre os animais (Ávila et al., 2013). Os parâmetros fisiológicos que

melhor avaliam o estresse térmico para espécie caprina são frequências

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respiratória, cardíaca e temperatura retal (Martins Junior et al, 2007).

Entretanto, os mesmos autores salientam que alguns índices físicos tais como índice de temperatura e umidade (ITU) e de temperatura do globo e umidade (ITGU), também têm sido utilizados com objetivo de caracterizar ou quantificar as faixas de conforto térmico para as diferentes espécies animais.

Portanto, objetivou-se comparar a adaptabilidade dos caprinos Saanen e Marota mantidas em clima tropical semiúmido, nos períodos chuvoso e seco, avaliando os parâmetros fisiológicos e ambientais.

MATERIAL E MÉTODOS:

O trabalho foi desenvolvido no município de Teresina, Piauí, nos períodos chuvoso (abril a maio) e seco (outubro a novembro). Foram utilizados 14

caprinos, fêmeas, adultas (uma dois anos), vazias, sendo sete do grupo racial Marota e sete da raça Saanen, com média de peso respectivamente, de 22,07 e 28,06 kg, clinicamente sadias e submetidas aos mesmos procedimentos de manejo à pasto.

Os parâmetros fisiológicos frequência respiratória (FR), frequência

cardíaca (FC) e temperatura retal (TR) foram aferidos, nesta ordem. A partir da Temperatura Ambiente, Umidade Relativa do Ar e Temperatura do Globo Negro foram calculados os índices: ITU – índice de temperatura e umidade e ITGU - índice de temperatura de globo e umidade (Silva et al, 2005),

calculados pelas fórmulas detalhadas a seguir:

ITU = 0,72(Tbs+Tbu) + 40,6, onde Tbs é a temperatura do bulbo seco, em graus ºC e Tbu a temperatura do bulbo úmido, ºC.

ITGU = 0,7Tbu + 0,3Tgn, onde Tbu é temperatura do bulbo úmido não exposto diretamente à radiação solar, e Tgn temperatura globo negro, dados em ºC.

O delineamento estatístico utilizado foi o inteiramente ao acaso em esquema fatorial 2X2 (duas raças e dois períodos), com sete repetições. O teste estatístico para comparação de médias foi o SNK, a 5% de probabilidade.

A utilização dos animais seguiu todas as recomendações da Comissão de Ética de Uso Animal da Univresidade Federal do Piauí (CEEA).

RESULTADOS:

Os dados de ITGU são semelhantes com os índices de Temperatura Ambiente (TA) e Temperatura do Globo Negro (TGN), tanto no período chuvoso como no período seco. Observaram-se diferenças significativas (p<0,05) entre os turnos manhã e tarde. Os valores da manhã e tarde podem, no período seco, ser caracterizados como situação de alerta, pois estavam acima da zona de conforto.

Os caprinos Saanen e Marota, na estação chuvosa, tiveram as médias da

temperatura retal crescentes do horário matutino até o horário de 14-15h, (P <

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0,05) com estabilização até as 17-18h. No período seco, o comportamento foi similar.

A Frequência Respiratória (FR) das Saanen foi significativamente superior à da Marota tanto no período seco quanto no chuvoso, denotando maior

esforço para manter de perda de calor e maior estresse. A frequência cardíaca (FC) dos animais Saanen e Marota mostrou diferença significativa (P<0,05) em todos os horários no período chuvoso e nenhum horário no período seco, porém, na média geral, as Saanen tiveram maior FC que as Marota (P<0,05) tanto no período seco quanto no chuvoso.

CONCLUSÕES:

Quanto aos parâmetros ambientais, verificou-se que o período seco é mais estressante que o chuvoso e que o turno da tarde é mais estressante que o da manhã e dentre os esses parâmetros, observa-se que a umidade relativa do ar tem comportamento inverso ao da temperatura do ar, temperatura de globo negro e índices de temperatura e umidade, mostrando maiores valores no período chuvoso e no turno da manhã.

Quanto aos parâmetros fisiológicos dos animais, observou-se que todos os animais conseguiram manter a temperatura retal dentro dos limites

normais, e a frequência respiratória foi o indicador de estresse mais sensível, mostrando que os animais da raça Marota apresentaram menores valores desse parâmetro e mais próximos da zona de conforto, indicando maior adaptabilidade em relação aos da raça Saanen.

REFERÊNCIAS:

AVILA, A.S. de; JÁCOME, I.M.T.D.; FACCENDA, A.; PANAZZOLO, D. M.; MULLER, E.R. Avaliação e correlação de parâmetros fisiológicos e índices bioclimáticos de vacas holandês em diferentes estações. Revista do Centro de Ciências Naturais e Exatas, v.14, n.14, p.2878-2884, 2013.

MARTINS JÚNIOR, L.M.; COSTA, A.P.R.; AZEVEDO, D.M.M.R. Respostas fisiológicas de caprinos Bôer e Anglo-Nubiano em condições climáticas de Meio-Norte do Brasil. Revista Caatinga, v.20, n.2, p.1-7, 2007

SILVA, G.A.; SOUSA, B.B.; ALFARO, C.E.P.; SILVA, E.M.N.; AZEVEDO, S.A.; NETO,

J.A.; SILVA, R.M.N. Efeito da época do ano sobre os parâmetros fisiológicos de

caprinos no semi-árido. Agropecuária Científica no Semi-Árido, v.1, p.7-14,

2005.

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6.ADAPTABILIDADE DE EQUINOS COMPETIDORES DE VAQUEJADA ÀS CONDIÇÕES CLIMÁTICA DA REGIÃO SUL DO PIAUÍ

KÁSSIO ALEXANDRE MARQUES

1

, FERNANDA PATRÍCIA GOTTARDI

2

, FELIPE DOS SANTOS LOPES

3

, PETRÔNIO BATISTA DOS SANTOS

3

, AMAURY GUIMARÃES NUNES

3

, RONNE VON RIBEIRO DA ROCHA

3

1

Graduando em Medicina Veterinária, Universidade Federal do Piauí –

UFPI/CPCE, Bom Jesus-PI, [email protected];

2

Professora Adjunta, UFPI/CPCE;

3

Graduado em Medicina Veterinária, UFPI/CPCE.

RESUMO:

O objetivo do trabalho foi verificar adaptabilidade de equinos competidores de vaquejada às condições climáticas da Região sul do Piauí. Foram utilizados 21 cavalos durante competição de vaquejada, dos quais se verificou a frequência respiratória (FR), temperatura retal (TR), índice de conforto de Benezra (ICB) e temperatura de globo e umidade (ITGU), antes e depois de uma hora da

corrida. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p<0,05). Após uma hora da corrida que ocorreu no período da tarde os valores de ITGU e TR foram superiores (p<0,05) aos verificados antes da corrida no período da manhã e o ICB foi igual a 2,7. Assim, os equinos estudados não demonstram

adaptabilidade ao clima local e sofrem desconforto térmico principalmente após realização de exercício durante o turno da tarde.

INTRODUÇÃO:

A vaquejada é um esporte bastante difundido na região Nordeste, onde são encontrados altos índices bioclimatológicos, que associados ao inadequado treinamento do animal, refletem negativamente durante a competição de vaquejada.

A capacidade dos animais em se ajustarem às condições ambientais pode ser verificada por “medidas de adaptabilidade”, entre elas temos a temperatura retal e frequência respiratória, ambas responsáveis pela termólise no

organismo. O objetivo do trabalho foi verificar a adaptabilidade de equinos

competidores de vaquejada às condições climáticas da região sul do Piauí.

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MATERIAL E MÉTODOS:

O experimento foi conduzido durante o Torneio de vaquejada no município de Redenção do Gurguéia, no sul do Estado do Piauí, utilizando-se 21 cavalos competidores de vaquejada. Com um HOBO

®

data logger, modelo U12 – 012 e com termômetro digital com data logger TGD – 300 (Instrutherm®, São Paulo Brasil) inserido em um globo negro, instalados próximo a pista de vaquejada.

Foram registrados os dados meteorológicos, com os quais foi calculado o Índice de temperatura de globo e umidade (ITGU= tg+0,36tpo+41,5; tg= temperatura (°C) do globo negro e tpo= temperatura (°C) do ponto de orvalho). A

adaptabilidade foi analisada pela avaliação da variação da frequência

respiratória (FR), temperatura retal (TR) e pelo Índice de conforto de Benezra (ICB = TR/38+FR/16), em dois momentos: antes da corrida (AC) no período da manhã e depois de sessenta minutos da corrida (DC60) que ocorreu período da tarde. Foi realizada análise de variância pelo procedimento GLM do programa estatístico SAS-9.1 e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey,

considerando 5% como nível de significância.

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

O ITGU apresentou diferença significativa (p<0,05) entre os momentos (Tabela 1) e valor maior que 72, o que segundo Ribeiro et al. (2007) pode levar os animais à situação de desconforto térmico.

Apesar da FR ter sido semelhante entre os momentos (p>0,05), a TR depois de 60 minutos da corrida foi superior ao valor verificado antes da corrida durante a manhã (p<0,05, Tabela 1), assim a termólise parece não ter sido eficiente no período da tarde após o exercício.

O ICB não diferiu entre os momentos (p<0,05, Tabela 1), mas considerando que valores superiores a 2 indicam que os animais apresentam grau de dificuldade de termorregulação (Oliveira et al., 2008), o valor do ICB no período da tarde, depois de 60 minutos da corrida, confirma que os animais deste estudo

demonstraram menor adaptação ao ambiente climático neste momento.

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CONCLUSÃO:

Conclui-se que os equinos estudados não demonstram adaptabilidade ao clima local e que sofrem desconforto térmico principalmente após realização de exercício durante o turno da tarde.

Nota: Experimento aprovado pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal da UFPI (Protocolo n.106/11).

REFERÊNCIAS:

OLIVEIRA, L. A. de. CAMPEL, J. E. G. AZEVEDO, D. M. M. R. COSTA, et al. Estudo de resposta fisiológicas de equinos sem raça definida e da raça quarto de milha às condições climáticas de Teresina, Piauí. Ciência, v. 9, n. 4, p. 827 – 838, 2008.

RIBEIRO, L.B.; FURTADO, C.E.; TONELLO, C.L; et al. Índices bioclimatológicos

com equinos confinados durante período de 24 horas. Anais...Uberaba: VI

Jornada Científica da FAZU, 2007. p. 65-69.

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7. ADMINISTRAÇÃO CRÔNICA DE Marrubium vulgare EM BEZERROS JERSEY EMERSON LONGARETTI SOARES¹, VALFREDO SCHLEMPER², DILENCAR

BARICHELLO³, SUSANA REGINA DE MELLO SCHLEMPER

4

.

LONGARETTI, E. S.

1

; SCHLEMPER, V.

2

; BARICHELLO, D.

3

; SCHLEMPER, S.R.M.

4

1,2

Acadêmicos de graduação curso de Medicina Veterinária campus Realeza-PR;

3,4

Docentes do curso de Medicina Veterinária campus Realeza-PR.

RESUMO:

A Marrubium vulgare é uma planta medicinal com importantes efeitos farmacológicos, atribuídos principalmente à marrubiína, um diterpeno com muitas ações biológicas destacando os efeitos antiespasmódico, analgésico e antiedematogênico. Apesar de previamente estudados seus efeitos

terapêuticos, a averiguação científica de uma possível toxicidade não havia ainda sido realizada. Para elucidar essa questão, foram administradas doses crescentes e de forma crônica da infusão da M. vulgare em períodos de dez dias, em bezerros recém-desmamados, dobrando a dose anterior a cada ciclo.

A administração contínua pela via oral através deste protocolo, não induziu a sintomas de toxicidade associados à exposição crônica à planta, sejam clínicos, hematológicos ou enzimáticos nos animais, validando em termos de segurança a utilização da planta M. vulgare in natura em bovinos jovens como

fitoterápico. Entretanto, foi observado nos animais uma ação inibitória sobre monócitos e linfócitos circulantes, desejável para um efeito imunomodulador da infusão da M. vulgare.

INTRODUÇÃO:

O Marrubium vulgare é uma planta medicinal de destaque tanto na fitoterapia humana como na veterinária, principalmente por suas atividades anti-

inflamatórias e analgésicas testadas experimentalmente.

Em estudos anteriores foram demonstradas atividades antiespasmódica, antinociceptivo, antiedematogênico, inibidora da migração celular,

antidiabetogênica, antioxidante entre outras. (Schlemper et al., 1996; Stulzer et al., 2006). Sua atividade biológica é atribuída principalmente ao diterpeno marrubiína, (Schlemper et al., 1996). O objetivo do presente trabalho é

investigar possíveis efeitos toxicantes da administração crônica da infusão da M. vulgare em bezerros neonatos.

MATERIAIS E MÉTODOS:

Foram avaliados os parâmetros hematológicos como hematócrito, leucograma, proteínas totais circulantes, metabólitos e parâmetros enzimáticos, como dosagem das enzimas aspartato aminotransferase (AST), Gama

Glutamiltransferase (GGT) por serem marcadoras de lesão hepática e renal.

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Os bezerros machos neonatos (15-20 kg) da raça Jersey, em condições

controladas receberam doses crescentes (1, 2, 4, 8 e 16 g/kg), da infusão das partes aéreas desidratadas da planta juntamente com leite (2 L, bid), e o grupo controle recebeu equal quantidade de leite. A cada 10 dias houve um

incremento de dose e foi realizado o exame clínico dos animais (temperatura, frequência cardíaca e respiratória e secreções) e a coleta de sangue a partir da venopunção da jugular, para avaliação bioquímica e perfil hematológico.

RESULTADOS:

A administração crônica da infusão da M. vulgare não promoveu alterações dos parâmetros clínicos fisiológicos, porém inibiu significativamente o número de neutrófilos circulantes (P<0.01 e inibição máxima [IM] de 59.33 ± 4.91%) e de monócitos (P<0.05 e IM de 56.01 ± 11.05%) a partir da dose de 4 g/kg. Os testes enzimáticos aspartato amino transferase (AST) e gama glutamil transferase (GGT), proteínas totais, albumina e os metabólitos ureia e creatinina não tiveram alteração significante. O modelo ainda oferece

parâmetros de toxicidade de compostos fitoquímicos para detecção no sangue através de cromatografia líquida.

DISCUSSÃO:

Segundo Schlemper et al. (1996) a M. vulgare administrada por via oral cronicamente não mostrou efeitos adversos na saúde de bezerros e, além disso, a infusão de planta inibiu de modo significante o número de neutrófilos e monócitos totais circulantes, sugerindo um efeito imunomodulador, sem

alterar os parâmetros enzimáticos GGT, AST e metabólitos, sugerindo ausência de comprometimento hepático e renal (Turolla, 2004).

CONCLUSÃO:

Mesmo em administrações crônicas de M.vulgare não são observáveis efeitos deletérios nos animais tratados, de mesma forma pode ser observada uma higidez importante destes, ressaltando a tese da não toxicidade dos compostos fitoquímicos e comprovando a aplicabilidade terapêutica da infusão em

animais de fazenda.

REFERÊNCIAS:

DE JESUS, R.A.P., et al, Analysis of the antinociceptive properties of marrubiin isolated from Marrubium vulgare. Phytomedicine, p. 7, 111–115, 1999.

SCHLEMPER, V.; et al;. Antispasmodic effects of hydroalcoholic extract of

Marrubium vulgare on isolated tissues. Phytomedicine, v. 3, p. 211-216, 1996.

STULZER, H. K., et al., Antidermatogenic effect of Marrubiin obtained from

Marrubium vulgare. Journal of Ethnopharmacology, v. 108, p. 379- 384, 2006.

TUROLLA, Mônica Silva dos Reis. Avaliação dos aspectos toxicológicos dos

fitoterápicos: um estudo comparativo. Dissertação para obtenção de grau de

Mestre. Faculdade de ciências Farmacêuticas-USP, f. 131, São Paulo-SP; 2004.

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8. ANÁLISE DO CAMPO TÉRMICO EM ÚBERE BOVINO EX VIVO APÓS APLICAÇÃO DE ULTRASSOM TERAPÊUTICO

ANDRESSA DE CASTRO SOUZA

1

, TALISSA MARTINS NASCIMENTO

1

, SORAIA FIGUEIREDO DE SOUZA

2

, WAGNER COELHO DE ALBUQUERQUE PEREIRA

3

, LUÍS EDUARDO MAGGI

2

1

Discente do curso de Veterinária, UFAC, AC

2

Docente do curso de Veterinária, UFAC, AC

3

Docente do Programa de Engenharia Biomédica - COPPE/UFRJ, RJ RESUMO:

Este trabalho teve como objetivo verificar com o auxílio de uma câmera

infravermelha o superaquecimento após a aplicação de ultrassom terapêutico 1 e 3 MHz, com intensidade de 1W/cm² em modo contínuo durante 5 minutos em úberes bovinos ex vivo . Não foi encontrada temperatura média acima de 45ºC em nenhum dos casos.

INTRODUÇÃO:

O Ultrassom Terapêutico é utilizado há aproximadamente seis décadas para tratamentos de doenças, promovendo reparo tecidual (Matheus et al., 2008) e também promovendo diminuição da dor (Franco et al., 2005). Pode ser usado trazendo certos benefícios como aumento do fluxo sanguíneo, síntese proteica e estimulação das fibras nervosas aferentes (Alencar, 2004).

Os quartos mamários são as quatro glândulas mamárias totalmente

independentes que compõe o úbere (Moraes, 2015) e eventualmente podem apresentar certas doenças, tais como: mastite, estefanofilariose bovina

(Miyakawa; dos Reis; Lisbôa, 2009), varíola bovina (Lobato et al., 2005), entre outras que ocasionam prejuízos para a produção de leite.

O presente trabalho tem por objetivo verificar a possibilidade do emprego do

ultrassom no tratamento de patologias do úbere descartando a ocorrência de

superaquecimento após a aplicação deste por meio de termografia.

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MATERIAL E MÉTODOS:

A partir da doação do úbere por um frigorífico, a peça foi dissecada em seus quartos mamários, pois como estes são estruturas independentes, uma aplicação individualizada possivelmente seria mais efetiva. Foi efetuada uma incisão no ligamento suspensório médio, que divide o úbere no plano mediano (Moraes, 2015). Em seguida, outra incisão foi realizada nos limites entre os quartos anteriores e posteriores, que não são bem definidos (Konig; Liebich, 2011).

O quarto selecionado foi levado ao banho Maria por 15 minutos para atingir a temperatura média normal do corpo animal vivo entre 38° e 39°C (Abreu et al., 2011). Posteriormente, a peça foi acomodada em uma superfície termicamente isolada para aplicação do ultrassom terapêutico, com intensidade de 1W/cm

2

, frequência de 1MHz e modo contínuo por 5 minutos, permanecendo o

transdutor estático. A aplicação contou com o auxílio de gel ultrassônico entre o transdutor e a pele, para um casamento de impedância acústica.

Uma câmera infravermelha modelo Flir Systems AB (Flyr ®) foi utilizada para a obtenção de imagens térmicas antes, durante e após a aplicação, a 32,5cm da superfície do úbere. As imagens foram transferidas para um microcomputador e analisadas com o auxílio do software Flir Tools, que permite calibrar a faixa de temperatura e visualizar os valores máximo, mínimo e a média de uma área selecionada.

Foram examinadas as seguintes regiões: superfície externa da pele, superfície

interna da pele, região superficial da glândula e região profunda da glândula. O

mesmo procedimento foi adotado para a aplicação com frequência de 3MHz.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO:

Em ambas as frequências analisadas, a temperatura média da área selecionada dos úberes antes da aplicação era em torno de 37ºC, assim como apresentaram mesmo padrão de aquecimento após o tratamento, com picos de temperatura na superfície externa da pele. Porém, com 1MHz o nível médio foi de 40,3ºC na região mais superficial (Erro! Fonte de referência não encontrada. Superior), enquanto que a 3 MHz a temperatura média de 44,4ºC (Erro! Fonte de

referência não encontrada. Inferior). Com a aplicação realizada, foi possível notar que quanto maior a frequência utilizada, maior a absorção e mais superficial é o aquecimento (Haar, 1999 apud Alencar, 2004).

O resultado foi satisfatório, tendo em vista que foram alcançadas temperaturas dentro do padrão de efeito térmico (40º - 45ºC), não apresentando

temperaturas médias mais elevadas, no qual poderiam ocasionar lesão no tecido (Low; Reed, 2001).

CONCLUSÃO:

A frequência de 3MHz aqueceu mais que 1MHz porém não foi capaz de causar lesão tecidual por aquecimento acima de 45ºC. Desta forma, viabilizando a aplicação do ultrassom terapêutico com resultados positivos no tratamento de doenças mamárias. Mais estudos precisam ser realizados para se verificar a profundidade do aquecimento em corte transversal.

REFERÊNCIAS:

ABREU, A. S. D. E. et al. INDICADORES DO ESTRESSE TÉRMICO EM. n. 2000, p.

1–11, 2011.

ALENCAR, I. Efeito do ultrassom terapêutico : Uma abordagem geral no aparelho e nas principais contra indicações. Disponível em:

<http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/32/121_-

_Efeito_do_ultrassom_terapYutico_Uma_abordagem_geral_no_aparelho_e_n as_principais_contra_indicaYes.pdf>.

FRANCO, A. D. et al. ANÁLISE DO EFEITO DO ULTRA-SOM NO EDEMA

INFLAMATÓRIO AGUDO – ESTUDO EXPERIMENTAL Analysis of ultrasound effect

in acute inflammatory. Fisioterapia em Movimento, v. 18, n. 2, p. 19–24, 2005.

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KONIG, H. E.; LIEBICH, H.-G. Anatomia dos Animais Domésticos. 4

a

. ed. 2011.

LOBATO, Z. et al. Surto de varíola bovina causada pelo vírus Vaccinia na região da Zona da Mata Mineira. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e

Zootecnia, v. 57, n. 4, p. 423–429, 2005.

LOW, J.; REED, A. Eletroterapia Explicada Princípios e Prática. 3. ed. São Paulo:

2001.

MATHEUS, J. et al. Efeitos do ultra-som terapêutico nas propriedades mecânicas do músculo esquelético após contusão. Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 12, n. 3, p. 241–247, 2008.

MIYAKAWA, V. I.; DOS REIS, A. C. F.; LISBÔA, J. A N. Aspectos epidemiológicos e clínicos da estefanofilariose em vacas leiteiras e comparação entre métodos de diagnóstico. Pesquisa Veterinaria Brasileira, v. 29, n. 11, p. 887–893, 2009.

MORAES, I. A. Glândulas mamárias. [s.l: s.n.]. Disponível em:

<http://www.uff.br/fisiovet/Conteudos/glandula_mamaria.htm>.

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9. ANÁLISE MACROSCÓPICA DOS TENDÕES DA PORÇÃO MENOR DO MÚSCULO EXTENSOR DIGITAL COMUM NO EQUINO

LARISSA BINDO DE BARROS

1

, ANDRÉ LUIS FILADELPHO

2

, CAMILA CONTIM DINIZ DE ALMEIDA-FRANCIA

2

, BRUNO CÉSAR SCHIMMING

2

, JAYME AUGUSTO PERES

3

, RODRIGO PATERA BARCELOS

4

1

Acadêmica do curso de Zootecnia da FMVZ/UNESP – Campus de Botucatu

2

Docentes do Instituto de Biociências/UNESP – Campus de Botucatu

3

Docente da UNICENTRO – Guarapuava/PR

4

Biólogo da UFFS – Cerro Largo/RS RESUMO:

Este trabalho teve como objetivo a descrição macroscópica os tendões da porção radial e menor do músculo extensor digital comum no equino. Por se tratarem de músculos oriundos dos dígitos que se fundiram durante o processo de evolução do equino, a literatura atual está repleta de equívocos e confusões no modo de nomear estas estruturas, o que dificulta muito o trabalho dos docentes e acadêmicos de medicina veterinária.

INTRODUÇÃO:

Um tendão consiste em uma fita ou cordão fibroso, constituído basicamente por tecido conjuntivo que permite por sua vez, a inserção dos músculos aos ossos ou a outros órgãos. Tem como função manter o equilíbrio estático e dinâmico do corpo, transmitindo aos ossos e articulações todo o trabalho exercido pelos músculos (Thomassian, 2005).

Sendo assim, o objetivo principal do presente trabalho foi o de descrever a porção menor do músculo extensor digital comum no equino, a sua subdivisão nas porções radial e ulnar e seus respectivos tendões.

MATERIAL E MÉTODO:

Foi utilizado no presente trabalho um membro torácico esquerdo de equino, adulto e SRD que foi injetado e conservado em solução aquosa de formol a 10%

para dissecção em aulas práticas da disciplina de Anatomia Veterinária. Na

peça anatômica em questão foi rebatida a pele e os músculos extensores

dissecados e expostos (Figura 1). Durante este processo, os tendões da porção

radial e menor do músculo extensor comum dos dedos foram evidenciados e

fotodocumentados.

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RESULTADOS:

Verificou-se que a porção radial (subdivisão da porção menor do músculo

extensor digital comum) assim como na descrição de Sisson e Grossman (1986), trata-se de um tendão delicado, parcialmente fundido ao tendão principal (porção umeral do músculo extensor digital comum). Entretanto, observamos que este pequeno tendão se bifurca na altura da articulação do boleto antes de realizar a sua inserção na cápsula articular desta articulação, dado este não descrito na literatura.

Observou-se também, que a porção ulnar (subdivisão da porção menor do músculo extensor digital comum) comporta-se neste caso como descrito por Sisson e Grossman (1986), em quem o tendão delicado que acompanha o tendão principal sobre o carpo, passa lateralmente e se funde com o músculo extensor lateral dos dedos ou pode continuar até o boleto.

DISCUSSÃO:

Durante a dissecção verificou-se também, uma conexão entre o tendão da porção umeral e o tendão da porção ulnar do músculo extensor digital comum, intersecção tendínea esta nomeada por Popesko (2012) como músculo

extensor do III e do IV dígito (Figura 3). Entretanto, verificamos que esta

intersecção parte da porção ulnar para a porção umeral, mais abaixo na altura do terceiro osso metacárpico, ao contrário do autor supracitado em que na sua ilustração a intersecção parte da porção umeral para a porção ulnar.

Os tendões possuem baixos requerimentos metabólicos, são pouco vascularizados e não sofrem hemorragia quando seccionados. Essa

característica a princípio vantajosa tem seu lado adverso: a recuperação dos tendões torna-se inevitavelmente lenta (DYCE et al.,2010).

CONCLUSÃO:

Podemos concluir que a descrição da porção menor do músculo extensor

digital comum e seus respectivos tendões na espécie equina ocorre de uma

maneira adequada apenas na obra de Sisson e Grossman (1986) sem haver, no

entanto, fotos, figuras ou esquemas que possam demostrar essa respectiva

porção. Na literatura atual, a porção menor é muitas vezes nomeada de forma

equivocada, confusa e em outras, simplesmente suprimida. Sendo assim, após

a dificuldade para descrevermos e nomearmos adequadamente a porção

menor do músculo extensor digital comum, concluímos também que as obras

modernas, principalmente no que se refere aos músculos menores, carecem do

cuidado estético e descritivo das obras clássicas da anatomia veterinária.

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REFERÊNCIAS:

THOMASSIAN, A. Enfermidades dos cavalos. 4ª ed. São Paulo: Varela, 2005.

SISSON, S.; GROSSMAN, J. D. Anatomia dos animais domésticos. 5ª ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, Vol.1, 1986.

POPESKO, Peter. Atlas de anatomia topográfica dos animais domésticos. 5ª ed. São Paulo: Manole, 2012.

DYCE, K. M.; WENSING, C. J. G.; SACK, W. O. Tratado de anatomia veterinária.

4ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

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10. ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS DA MIELOENCEFALITE PROTOZOARIA EQUINA NO CERRADO SUL MATOGROSSENSE

JOÃO BOSCO VILELA CAMPOS

1

; JOÃO VITOR ALMEIDA ALVES

1

; TIAGO CAETANO PUERTA

1

; BEATRIZ RAMOS BERTOZZO

2

; LARISSA ADONO DE ALMEIDA

2

; HEITOR MIRAGLIA HERRERA

1

;.

1

Universidade Católica Dom Bosco

2

Hospital Veterinário Pronto Equus RESUMO:

O presente trabalho objetiva evidenciar a ocorrência de casos de

Mieloencefalite Protozoária Equina (MPE) diagnosticados em um hospital e propriedades próximas a Campo Grande-MS. A literatura mostra que a

soroprevalência da MPE na América do Sul encontra-se em 35%, com ausência de sinais clínicos em alguns animais. O desenvolvimento e expansão de setores da agropecuária requerem uma grande extensão territorial, resultando cada vez mais na aproximação entre os animais silvestres e os animais de produção.

Em se tratando de animais sinantrópicos, aqueles cuja presença humana facilita a proliferação, o risco de transmissão de agentes parasitários para os animais domésticos e para os seres humanos é elevado. Evidenciar estas relações se torna essencial para controle e profilaxia da MPE, já que o desenvolvimento promove cada vez mais a aproximação entre animais domésticos e selvagens.

INTRODUÇÃO:

Na equideocultura a mieloencefalite protozoária equina (MPE), por sua gravidade clínica, ocupa uma posição relevante dentre as enfermidades neurológicas. Sua ocorrência se deve pela presença do hospedeiro definitivo

Didelphis albiventris, espécie silvestre responsável por disseminar as formas

infectantes (oocistos) do protozoário Sarcocystis neurona no ambiente. Os equinos adquirem a infecção ingerindo acidentalmente os oocistos junto aos alimentos e água contaminados (Mullaney, 2005).

A enfermidade caracteriza-se por uma inflamação não purulenta no Sistema Nervoso Central (SNC) com a presença sintomatológica de fraqueza, atrofia muscular e déficits proprioceptivos. No Brasil, enfermidade apresenta um elevado número de equinos soropositivos, mas apenas alguns animais desenvolvem os sinais clínicos. Essa situação varia de acordo com a região geográfica de criação (Dubey, 2001). Atualmente, o número de casos

diagnosticados por hospitais e veterinários autônomos tem aumentado, o que

leva adoção de medidas de controle e profiláticas para a doença.

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RELATO DE CASO:

Nos últimos dois anos, foram acompanhados 11 cavalos, de diversas raças e idades diferentes, em um Centro de Suporte Diagnóstico e Terapia Veterinária – Pronto Equus e em propriedades localizadas as margens da cidade de Campo Grande – MS, que apresentaram manifestações neurológicas caracterizadas por claudicação, incoordenação motora dos membros posteriores e ataxia no qual sugere-se sinais compatíveis com MPE.

Os animais foram tratados com anti-coccídeos Ponazuril, 5mg/Kg a cada 24 horas por quatro semanas e como terapia complementar anti-inflamatório Flunixina Meglumina 1,1mg/Kg, DMSO (dimetilsulfóxido) na dose de 1g/Kg diluído em solução a 10 % e aplicado de forma endovenosa na tentativa de controlar as inflamações provocadas (Thomassian, 1990). Com a terapia instituída os animais obtiveram melhoras.

O diagnóstico final foi baseado no histórico clínico a que os animais

apresentaram e a resposta terapêutica que foram submetidos. Vale ressaltar que ambientes degradados, como o caso de algumas propriedades encontradas na região, favorecia a migração dos agentes carreadores dos parasitas para as propriedades próximas.

DISCUSSÃO:

De acordo com os resultados obtidos, o diagnóstico baseia-se no histórico clínico apresentado pelos animais. Dados comprovados por Fenger (1997), ressaltando também que se devem excluir outras possíveis mielopatias que acometem os equinos.

O diagnóstico definitivo pode ser confirmado através da reação contra S.

neurona pela técnica de Western Blot com a coleta de líquido

cefalorraquidiano (LCR) de animais que possam estar infectados, no entanto este teste deve ser interpretado com cautela, pois apenas um número menor de equinos soropositivos pode desenvolver a doença (Scarratt & Wallace, 1998).

Segundo Fenger et al. (1997), Dubey et al. (2001), Mackay et al. (2000), o tratamento de eleição normalmente baseia-se no uso de inibidores da

diidrofolato redutase, como a combinação de pirimetamina com sulfadiazina por um período de quatro a seis meses. Diferentemente da conduta

terapêutica eleita nos casos, foi utilizado o anti-coccídeo Ponazuril, 5mg/Kg a cada 24 horas por quatro semanas.

Mackay (2001) ressalta que como forma de prevenção, deve-se impedir a

circulação dos gambás nos ambientes próximos as cocheiras, estábulos e

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piquetes, pois estes animais têm o hábito alimentar diversificados como rações, grãos, frutas e até mesmo lixos que estiverem próximos.

Essa situação gera uma problemática tanto na produção como para os animais nativos, pois com o compartilhamento de ambiente entre ambos, os animais silvestres buscam recursos para sobrevivência em locais peridomiciliares, ocasionando a transmissão dos agentes, através do conteúdo fecal deixado pelo vetor nas pastagens.

CONCLUSÃO:

A região de Campo Grande – MS e localidades próximas, cujo bioma é o Cerrado, têm se observado cada vez mais a ocorrência de casos de

Mieloencefalite Protozoária Equina, devido à presença mais abundante dos gambás, por consequência da fragmentação das matas nativas, geradas pela expansão agropecuária.

REFERÊNCIAS:

DUBEY, J. P.; LINDSAY, D. S.; KERBER, C. E.; KASAI, N.; PENA, H. P. J.; GENNARI, S. M.; KWOK, O. C. H.; SHEN, S. K.; ROSENTHAL, B. M. First isolation of

Sarcocystis neurona from the South American opossum, Didelphis albiventris, from Brazil. Veterinary Parasitology, v.95,p.295-304, 2001b.

FENGER, C. K.; GRANSTROM, D. E.; GAJADHAR, A. A.; WILLIAMS, N. M.;

MCCRILLIS, S. A.; STAMPER, S. et al. Experimental induction of equine protozoal myeloencephalitis in horses using Sarcocystis sp. sporocysts from the opossum (Didelphis virginiana). Vet Parasitol. 1997; 68: 199–213.

MACKAY, R. J.; GRANSTROM, D. E.; SAVILLE, W. J. A.; REED, S. M. Equine

Protozoal Myeloencephalitis. Vet Clin North Am Equine Pract. 2000; 16: 405-25.

MACKAY, R. J. Mieloencefalite protozoária eqüina. In: ALLEN, D. G. et al.

Manual Merck de Veterinária. 8. ed. São Paulo: Editora Roca, 2001, 1861p.

MULLANEY, T.; MURPHY, A.J.; KIUPEL, M.; BELL, J.A.; ROSSANO, M.G.;

MANSFIELD, L.S. Evidence tosupport horses a natural intermediate host for Sarcocystis neurona. Vet Parasitol. 2005;133: 27-36.

RADOSTITS O. M.; GAY, C. C.; BLOOD, D. C.; HINCHCLIFF, K. W. Clínica

Veterinária. Um Tratado de Doenças dos Bovinos, Ovinos, Suínos, Caprinos e Eqüinos. Nona edição. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. 2002. 1737p.

SCARRATT, K. W.; WALLACE, A. M. Diagnosis and management of equine protozoal myeloencephalitis and concurrent infectious disease in two horses.

Equine Pract, v.20, p.23-25, 1998.

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11. ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS DA PODODERMATITE OVINA, EM PROPRIEDADES RURAIS NO SUL DO BRASIL

LARISSA PICADA BRUM¹, CHARLES FERNANDO CAPINOS SCHERER², FERNANDA DORNELLES FEIJÓ³, ANELISE MARTINS¹

¹ Universidade Federal do Pampa, ²Hipra Saúde Animal, ³Universidade Federal do Rio Grande do Sul

RESUMO:

A pododermatite ovina é uma doença altamente contagiosa de ovinos que resulta em laminite e significativas perdas na produção. Este trabalho relata a ocorrência e aspectos clínico-epidemiológicos de surtos de foot-rot no sul do Brasil. Foram monitoradas três propriedades com surtos de foot-rot entre os meses de setembro e novembro de 2014. A doença acometeu 27,37% dos animais em todas as categorias, 84,3% necessitaram de tratamento tópico e/ou parenteral. Os membros anteriores foram os mais afetados (54%), seguido de lesões em ambos os membros, 61% dos afetados apresentaram podermatite interdigital moderada. Na propriedade de número dois foi possível o

isolamento de Dichelobater nodosus e sua caraterização por PCR em sorotipo D.

INTRODUÇÃO

A pododermatite ovina é uma doença altamente contagiosa de ovinos que

resulta em laminite, claudicação e sofrimento aos animais ocasionando perdas

significativas na produção (Bennett et al., 2009). A enfermidade é causada pelo

sinergismo de duas bactérias gram negativas anaeróbicas, o agente principal é

o Dichelobacternodosus, o Fusobacterium necrophorum, agente secundário, é

habitante natural do trato intestinal dos ovinos, presente no solo e nas fezes. O

último provoca uma dermatite interdigital permitindo a invasão do tecido

côrneo pelo do D. nodosus, bactéria obrigatória da epiderme interdigital de

ruminantes com foot-rot e que não permanece viável no solo por muito tempo

(Bennettet al., 2009). A ocorrência da doença é favorecida por temperaturas

amenas e alta umidade (Myers et al., 2007). O foot-rot exibe uma vasta gama

de virulência de acordo com a severidade das lesões, a doença tem sido

classificada mais frequentemente em virulenta, benigna e intermediária,

(Abbott e Egerton, 2003).

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O controle da doença baseia-se em medidas preventivas como separação de animais doentes e sadios, utilização de tratamento tópico e parenteral dos animais gravemente afetados, uso de pédilúvio, vacinação entre outros (Abbott e Egerton, 2003).

MATERIAL E MÉTODOS:

Para avaliação clínica e obtenção de dados epidemiológicos nos rebanhos afetados, foram realizadas visitas técnicas a três propriedades rurais com casos de podermatite ovina no município de Dom Pedrito, Rio Grande do Sul, entre os meses de outubro e novembro de 2014.Todos os animais eram criados extensivamente e em campo nativo.

O exame clínico consistiu em inspeção dos cascos, caracterização das lesões podais, coleta de swabs para isolamento e pesquisa do D. nodosus. As lesões foram classificadas em dermatite interdigital leve a moderada, dermatite interdigital severa e pododermatite necrosante

A coleta do material da epiderme interdigital foi realizada com auxílio de swabs no espaço interdigital profundo e acondicionado em meio de transporte de Stuart modificado. O material coletado foi refrigerado e enviado

imediatamente ao laboratório para isolamento e caracterização dos isolados. O isolamento seguiu protocolos utilizando placas de ágar casco seguidos pela técnica de PCR descrita por Dhungyelet al (2002).

RESULTADOS:

O número total de animais nas três propriedades foi de 1410. Na propriedade de número 1, 91 animais ou 13,6% apresentaram lesões podais de um rebanho de 670 animais, na propriedade 2, 53,3% (128/240), e na propriedade 3,

(167/500) ou 33,4%, totalizando 27,37%. Entre os animais acometidos 84,3%

necessitaram de tratamento tópico e/ou parenteral, a taxa de mortalidade foi de 1%, 6%, e 2,5% respectivamente; poucos animais tiveram remissão

espontânea das lesões. A porcentagem de membros anteriores afetados foi de 54,1% (209/386), posteriores 22,8% (88/386) e ambos os membros 23,3%

(90/386).

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