Indústria de jóias Indústria de jóias Indústria de jóias
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jóia brasileira
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Sebrae e Setor de Gemas e Jóias.
É mais que uma parceria. É uma aliança.
O Setor de Gemas e Jóias é muito
valioso para a economia das micro e
pequenas empresas brasileiras. Um
setor que, só nos últimos anos, cres-
ceu 250% nas exportações, movi-
mentou US$ 100 milhões e é respon-
sável por mais de 500 mil postos de
trabalho diretos e indiretos. O Sebrae
reconhece essa importância e desen-
volveu vários projetos que estão forta-
lecendo o setor por meio da dissemi-
nação do conhecimento, do design,
do acesso ao crédito e tecnologia e do
estímulo ao associativismo, inclusive
com outros setores como turismo e
moda. Hoje, são mais de 10 pólos de
gemas e jóias espalhados por nove
estados que, com o apoio do Sebrae,
ajudam a lapidar um país melhor.
INDÚSTRIA DE JÓIAS
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iz o ditado popular que nem tudo que reluz é ouro – no sentido de que as aparências enganam. Não é bem assim, porém, no setor de gemas e jóias, em que o Serviço Brasi- leiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, cumprindo sua missão de fortalecer os pequenos negócios, atua fortemente.E não poderia ser diferente: trata-se de cadeia produtiva na qual predomina o peque- no empreendimento e que dá ocupação a meio milhão de brasileiros, incluindo a atividade do garimpo.
São quase duas mil empresas, polindo e dando forma, magia e beleza ao ouro, à prata e às pedras preciosas, contingente a que se soma uma rede de 16 mil varejistas. É, portanto, uma atividade que reluz – e na qual a aparência é fundamental.
Como se verá nesta publicação, que o Sebrae tem a satisfação de divulgar, com um retrato completo do setor, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de esmeraldas e o único de topázio imperial e turmalina paraíba. Produz também, em larga escala, ametista, topázio, água marinha, entre outras pedras preciosas, e é o 13º produtor mundial de ouro.
Sem levar em consideração a importância histórica – basta lembrar a saga dos bandeirantes e a Inconfi dência Mineira –, o segmento de gemas e jóias pode contribuir bastante para o desenvolvimento econômico do País.
As exportações de jóias, por exemplo, embora tímidas se comparadas a gigantes como a Índia, cres- ceram em valor mais de 250% nos últimos seis anos, atingindo US$ 100 milhões em 2005. O número de pequenas empresas exportadoras duplicou no mesmo período.
O Sebrae quer ver o setor mais competitivo, mais organizado, mais moderno e, por isso, está levando capacitação gerencial, disseminando o design, estimulando o associativismo, entre várias outras ações. Contamos para isso com muitas parcerias, especialmente com o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM).
Estamos investindo R$ 5,6 milhões, até 2008, em atividades como essas, integrando um total de quase R$ 30 milhões aplicados por diversos parceiros. Temos a convicção de que, nesse grande esforço conjunto para tornar mais efi ciente o segmento de gemas e jóias, vamos lapidar um país melhor.
Paulo Okamotto Diretor-Presidente do Sebrae
As aparências
não enganam
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APRESENTAÇÃO
O Sebrae quer ver o setor mais competitivo, mais organizado, mais moderno e, , estimulando o associativismo, entre várias outras ações. Contamos para isso com muitas parcerias, especialmente com o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM).
Estamos investindo R$ 5,6 milhões, até 2008, em atividades como essas, integrando um total de quase R$ 30 milhões aplicados por diversos parceiros. Temos a convicção de que, nesse grande esforço conjunto para tornar mais efi ciente o segmento de gemas
Paulo Okamotto Diretor-Presidente do Sebrae
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INDÚSTRIA DE JÓIAS
Márcia Gouthier/ASN
Presidente do Conselho Deliberativo Nacional Armando Monteiro Neto
Diretor-Presidente Paulo Tarciso Okamotto
Diretor Técnico Luiz Carlos Barboza
Diretor de Administração e Finanças César Acosta Rech
Gerente da Unidade de Atendimento Coletivo – Indústria Miriam Machado Zitz
Coordenadora Nacional da Carteira de Projetos de Gemas e Jóias Kelly Cristina Valadares de Pinho Sanches Gerente da Unidade de Marketing e Comunicação
Luiz Barreto Reportagem Larissa Bortoni
Edição Márcia Marques Projeto gráfi co Wagner Ulisses Capa e Diagramação
Erika Yoda Revisão
Joíra Furquim e Suely Touguinha Produção Editorial
Tiragem 3 mil exemplares
Impressão Coronário Editora Gráfi ca Ltda.
sumário sumário
agência e assessoria de comunicação
A multiplicação de resultados
Página 6
Das gemas às jóias
Página 8
Uma década de crescimento constante
Página 10
Com a cara e o molejo brasileiros
Página 13
História do ouro
Página 17
Mistura de luxo
Página 18
Um mapa precioso
Página 7
Produção ecologicamente correta
Página 20
sumário sumário
O romantismo concreto de Brasília
Página 33
Imagens do Brasil
Página 24
Rara beleza do sertão
Página 26
Por um desenvolvimento
Momento delicado na produção
Página 31
Tecnologia é fundamental
Página 22
Semente com certifi cado de qualidade
Página 39
Jóias com gemas orgânicas
Página 40
No caminho das minas e das pedras
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Primeiro no ranking
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Os muitos materiais da indústria joalheira
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Do Brasil para o mundo
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Página PPágina P
sustentável
Página 28
Entrevista
Há muito espaço para crescer
Página 42
Entrevista
A nobreza dos folheados
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rabalhar em aglomerados de empresas e APL, os arranjos produtivos locais, é uma das diretrizes estratégicas do Sebrae. Tanto é assim que nada menos do que 60% dos nossos recursos são aplicados em ações coletivas. Por que a prioridade? Pela multiplica- ção dos resultados, muito mais rápida, abrangente e efi caz.É por isso que o Sebrae opera em dez pólos de gemas e jóias, localizados em nove estados. Sabemos que são muitas as difi culdades do setor, como gestão defi ciente, pouca capacitação da mão-de-obra, defasagem tecnológica, design inadequado, falta de acesso ao crédito. Mas também são muitas as soluções e, sobretudo, a vontade de superação.
Para fortalecer o setor, são necessários dois requisitos, que estão interligados: a oferta de conheci- mento e a formação de parcerias. É o que vem sendo feito.
Entre outras iniciativas, o Sebrae promove consultoria tecnológica, facilita o acesso a serviços fi nan- ceiros, abre mercados, promove ações de associação da jóia ao turismo e à moda.
Faz tudo isso em conjunto com ampla rede de parceiros, que inclui, especialmente, o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) e associações, sindicatos, prefeituras, governos estaduais e ministérios.
Os efeitos já são palpáveis. O pólo de São José do Rio Preto, em São Paulo, por exemplo, aumentou a receita bruta em 26%, o faturamento médio por empresa em 36% e reduziu os custos em 26,5%. Os folhea-
dos de Limeira, também em São Paulo, que já eram vendidos na América Latina e nos Estados Unidos, começaram a ser exportados para a Europa.
O Sebrae tem certeza de que tais desempenhos serão irradiados para o setor de gemas e jóias, tornando a atividade muito mais competitiva.
Luiz Carlos Barboza Diretor Técnico do Sebrae
A multiplicação
resultados
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começaram a ser exportados para a Europa.
O Sebrae tem certeza de que tais desempenhos serão irradiados para o setor de gemas e jóias, tornando a atividade muito mais competitiva.
de
Márcia Gouthier/ASN
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al como os garimpeiros com as bateias nos leitos d’água em busca de ouro e de pedras preciosas, esta revista destaca as preciosidades decorrentes do trabalho do Sebrae no setor de gemas e jóias. Em pouco mais de quatro anos de ações organizadas e sistemá- ticas, o Sebrae, conjuntamente com outros parceiros, viabilizou uma série de projetos para benefi ciar as empresas de pequeno porte do setor.Segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), as exportações de jóias brasileiras atingiram US$ 530,5 milhões no primeiro semestre de 2006, 48% a mais que o mesmo período do ano passado. Acreditamos em números ainda mais favoráveis até o fi nal do período e empenhamos os esforços de nossa equipe para aumentar a competitividade das empresas e agregar outros estados a nossa rede de parceiros.
Nas páginas a seguir, apresentamos um pouco dos projetos em desenvolvimento. São verda- deiras jóias que vêm mudando a vida de milhares de empresários. Eles começam a entender que, organizados, podem produzir mais, com maior proteção ao meio ambiente, melhor design e mais tecnologia. Mas só indo até o fi m da revista para conhecer as ações do Sebrae: do garimpo, como mencionamos, à indústria de jóias e de folheados.
Registramos ainda o papel de nossos parceiros nessa empreitada. Sem eles, difi cilmente teríamos alcançado os resultados. Esperamos continuar a tê-los a nosso lado, para que a indústria de gemas e jóias possa brilhar ainda mais. Sabemos que esse brilho não é nosso, mas dos empresários do setor distribuídos de Norte a Sul do País.
Um mapa
precioso
Miriam Machado Zitz Gerente de Atendimento
Coletivo – Indústria
Kelly Cristina V. de Pinho Sanches Coordenadora Nacional da Carteira de Projetos de Gemas e Jóias
Eugênio Novaes
Arquivo Sebrae
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Das gemas às jóias
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Arquivo IBGM
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A
té chegar ao consumidor, as jóias e os demais or- namentos pessoais, co- mo folheados e biju- terias, percorrem um longo caminho, que muitas vezes co- meça no garimpo; outras, na produção dos metais usados. De qualquer forma, é uma cadeia produtiva cheia de etapas e é também um setor constituído por mi- cro e pequenas empresas – 93% do total – que empregam 500 mil pessoas.Uma pesquisa realizada, em parce- ria, pelo Ministério do Desenvolvimen- to, Indústria e Comércio Exterior e pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), identifi cou 1.970 in- dústrias: 730 na lapidação, 650 na joa- lheria de ouro e prata, 590 em folheados e metais preciosos. O faturamento des- ses segmentos atingiu, em 2004, perto de US$ 2 bilhões, dos quais US$ 641 milhões em exportações, para 85 países, notadamente Estados Unidos, Japão, Suí- ça, Israel, Alemanha e Reino Unido.
A gerente da Unidade de Atendimen- to Coletivo – Indústria, Miriam Zitz, ex- plica que essas ações coletivas começa- ram por Limeira (SP). A partir de 2002 os estados começaram a dar prioridade a aglomerações importantes para a eco- nomia local. “Os primeiros resultados apareceram nas indústrias de folheados e de joalheria – ouro e prata”. Atualmen- te, o programa atende a 930 empresas.
Esse setor da economia passou a ser atendido pelo Sebrae de uma forma mais organizada em 2002. Hoje, são atendidos dez projetos nos estados de Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Foram investidos perto de R$ 30 milhões, sen- do R$ 24 milhões de parceiros e cerca de R$ 6 milhões do Sebrae.
Miriam Zitz acrescenta que, assim como em diversos outros projetos do Sebrae, o atendimento ao setor é amplo.
Dessa forma, em conjunto com os empre- sários, são identifi cadas as necessidades do grupo e as metas a ser atingidas – os chamados resultados fi nalísticos. Para possibilitar esse tratamento por inteiro, que vai desde a capacitação até as articu- lações com o sistema fi nanceiro para libe- ração de crédito, é imprescindível o envol- vimento de diversas áreas do Sebrae, bem como a parceria com outras entidades, como o IBGM, e ainda com os governos federal, estaduais e municipais.
EXPORTAÇÕES
O Sebrae destaca como umas das re- alizações do primeiro semestre do ano o PANorama Carioca, que revolucionou o design de suvenires na cidade do Rio de Janeiro. O projeto servirá de modelo para o restante do País, no Panorama Brasil. A participação de empresários do Rio Grande do Sul na Feira Vicenza-
Oro, na Itália, foi outra ação. A gerente da Unidade de Indústria ressalta tam- bém, entre os resultados desses quatro primeiros anos de atuação no setor, o aumento nas exportações verifi cado nos primeiros meses de 2006.
Isso se deu, de acordo com Miriam Zitz, por uma série de fatores. Um deles é o investimento do Sebrae no suporte ao design, que hoje é um diferencial da jóia brasileira. Além disso, há melho- rias em todo o processo, resultando em produto de melhor qualidade e volume maior de produção, “que possa justifi - car a importação por parte do cliente externo. Na hora que uma grande em- presa quer exportar, porque você não vende peça a peça”.
Entre os desafi os do Sebrae para 2007, a coordenadora da carteira, Kelly Cristina Sanches, inclui levar o projeto a estados ainda atendidos individual- mente pelo Sebrae, mas sem a estrutu- ra organizada dos arranjos produtivos – como Roraima, Bahia, Rondônia e a cidade de Manaus, no Amazonas – e que têm forte potencial em gemas e jóias. Também é meta articular com outros setores da economia, como tu- rismo, artesanato e confecção, além de ampliar o número de micro e peque- nos empreendimentos benefi ciados. É importante, ainda, incorporar aspectos da brasilidade no design para criar um diferencial competitivo.
Das gemas às jóias Até chegar às vitrines,
as jóias e os ornamentos
pessoais percorrem um longo
caminho. O Sebrae também
acompanha esse percurso
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Uma década de
O
Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2006, em comparação ao mesmo período do ano passado. Além disso, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE) estima que o PIB do ano vai ser 3,8% maior que o de 2005. Para 2007, o crescimento previsto é de 4%. A indústria de gemas e jóias segue também ritmo ascendente, mas com números ainda melhores.Os dados do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) dão con- ta que as exportações de jóias brasileiras atingiram US$ 530,5 milhões no primei- ro semestre de 2006, 48% a mais que no mesmo período de 2005. Os resultados confi rmam tendência dos últimos nove anos, em que o setor apresentou cresci- mento de 129% nas exportações. A joalheria brasileira faturou US$ 6 milhões em 2005 e espera fechar 2006 com receita de US$ 7,5 milhões. Para o IBGM, os sal- dos positivos são conseqüência do destaque que as jóias brasileiras têm tido no ex- terior e das ações promocionais desenvolvidas anualmente em mais de 20 feiras e eventos internacionais.
Os números, indubitavelmente, são bons, mas para o gemólogo Wallid El Koury Daoud poderiam ser ainda melhores. Ele lembra que o Brasil é o maior produtor
Maior produtor mundial de gemas, em termos de diversidade e de qualidade, o Brasil desenvolve estratégias para ampliar as exportações
década
Arquivo IBGM
crescimento constante
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mundial de gemas em termos de peso e de diversidade. De acordo com o Depar- tamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o País é a província gemológi- ca com a maior variedade – 90 gemas diferentes. A estimativa é que o País produza, em volume, um terço das ge- mas comercializadas no mundo, exceto o diamante, o rubi e a safi ra. A produção de ouro é a 14ª do mundo, alcançando, em 2004, 47,6 toneladas, 17,7% maior do que no ano anterior. Além disso, es- tão em terras brasileiras as principais jazidas mundiais de topázio imperial e turmalina. No entanto, o País perdeu na hegemonia de maior produção mundial em termos de valores.
O gemólogo avalia que, entre os fatores que levaram a essa situação, está o fato de a produção brasileira de gemas não ser bem organizada. Se- gundo Wallid Daoud, cerca de 90% da produção provêm de garimpos, onde não existe visão de mercado estrutu- rada. “O resultado é que, quando há notícia de determinada descoberta, os garimpeiros correm para a região e co-
meçam a produzir a gema em volume muito grande. A conseqüência dessa ação é chamada de derrama, que re- sulta na queda de preços”. O gemólo- go esclarece que uma saída é a criação de pequenas empresas ou de coopera- tivas de garimpeiros, que planejem a melhor forma de colocar as gemas no mercado, mantendo os preços.
MEIO AMBIENTE
Outra vantagem da organização da produção é com as questões rela- cionadas ao meio ambiente. Segundo o gemólogo, as regras ambientais são rigorosas, o que está certo. No entanto, é praticamente inviável que um garim- peiro, isoladamente, consiga a licen- ça. Situação que seria diferente com a existência de pequenas empresas ou cooperativas, pois elas poderiam con- tratar profi ssionais para fazer os proje- tos ambientais.
Das 2,7 mil toneladas de ouro produ- zidas no mundo, o Brasil entra com 43 toneladas, o que, na opinião de Wallid Daoud, é muito pouco e está aquém das
possibilidades brasileiras. Ele conside- ra, como alternativa, os investimentos no setor de pesquisa mineral, apesar de ser atividade de altíssimo risco. “A grande maioria dos projetos de explora- ção mineral, de pesquisa mineral, não resulta na descoberta de uma jazida. No Brasil não há cultura de investimento de alto risco, como esse”. Entretanto, ou- tros países desenvolveram essa cultura, e muitas empresas de capital canaden- se, australiano ou inglês já conduzem projetos no Brasil, o que deve possibili- tar, em cinco ou dez anos, o aumento da produção nacional.
Esse incremento, se for mantida a tendência de alta do ouro, vai gerar muitas divisas. A demanda de ouro na joalheria, atualmente, é de três mil toneladas, portanto superior à produ- ção. Agregado a isso, a China anun- ciou recentemente que vai aumentar as suas reservas estratégicas do me- tal. Em curto prazo, a notícia provocou alta de US$ 400 para US$ 700 a onça do ouro, o que corresponde a cerca de US$ 22 o grama.
Maior participação nas exportações de produtos com valor agregado
* Meta do IBGM
Arquivo IBGM
TOTAL Exportações de
Matéria-prima
Exportações de Produtos Industrializados
1.000 641 550
219 450
422
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PRINCIPAIS PEDRAS PRODUZIDAS NO BRASIL
Água-marinha, alexandrita, amazonita, ametista, berilo verde, brasilianita, calcedônia, citrino, crisoberilo, diamante, esmeralda, fl uorita, granada, heliodoro, iolita, kunzita, morganita, olho-de-gato, opala, rubelita, topázio, topázio imperial, turmalina, turmalina paraíba.
O BRASIL É O MAIOR PRODUTOR MUNDIAL DE
Ametista, citrino, ágata, água-marinha, topázio e turmalina, comumente ligadas ao Brasil. Além disso, duas são encontradas ex- clusivamente no Brasil: o topázio imperial e a turmalina paraíba.
PRINCIPAIS ESTADOS PRODUTORES DE GEMAS
Em peso, destaca-se o Rio Grande do Sul, pela grande produção anual de ametista – cerca de 4,2 mil toneladas – e de ágata – perto de 4 mil toneladas.. Em termos de diversidade e de valor, o principal estado é Minas Gerais. Não há um número da produção total de gemas no Brasil.
DIAMANTES DO BRASIL
Comparado com a produção mundial, o Brasil produz pouco, mas são diamantes de boa qualidade. Um dos problemas enfrentados é a informalidade da produção, o que impede que a pedra obtenha o Certifi cado Kimberly, essencial para que o diamante seja exportado. A situação tem forçado as instituições brasileiras a encontrar solução para isso. Uma saída é a organização dos garim- peiros em cooperativas, formalizando a produção.
PRINCIPAIS EXPORTADORES DE JÓIAS NO MUNDO Itália, Estados Unidos, Hong Kong, Suíça e China.
PRINCIPAIS EXPORTADORES DE PEDRAS EM BRUTO Brasil, Hong Kong, Estados Unidos, Tailândia e China.
ESCOLAS TRADICIONAIS DE JOALHERIA
• no Brasil
Ajesp (Associação dos Joalheiros do Estado de São Paulo) – cursos profi ssionalizantes – www.ajesp.com.br/
IBGM – informações sobre cursos oferecidos em todo o País – www.ibgm.com.br Centro Universitário Belas Artes de São Paulo – curso de graduação em design de jóias, e cursos de pós-graduação em design – www.belasartes.br
Atelier Escola Rodolfo Penteado – cursos de joalheria, modelagem em cera, gemolo- gia, esmaltação em metais, desenho de jóias e cravação – www.studioduo.com.br Escola de Ourivesaria do Estado do Rio de Janeiro – cursos de formação de mão- de-obra em diversas especialidades. Curso de especialização em desenho de jóias, com duração de um ano – www.ajorio.com.br
Senai/RJ (Serviço Nacional da Indústria - Rio de Janeiro) – cursos de ourivesaria – www.fi rjan.org.br / [email protected]
•no mundo
Perseo Jewelry School – www.perseoschool.it
Birmingham Institute of Art and Design – www.biad.uce.ac.uk The Howard Academy for the Metal Arts – www.howard-academy.com Jewellerysecrets – www.jewellerysecrets.com
Jewelry and Design School - em Florença, Itália - www.metallo-nobile.org University of Texas Gemology Program - www.geo.utexas.edu/courses
Informações preciosas
O Brasil produz 90 variedades de gemas
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situação estava defi nida.A indústria joalheira do Brasil precisava encon- trar um meio para ga- rantir a sobrevivência no mercado internacional. E tinha de dri- blar difi culdades, como o chamado “custo
Brasil”, que prevê altos custos com mão- de-obra. Sem falar nas altas taxas tri- butárias. Então, qual a saída? O pulo do gato foi o investimento num design que tivesse a cara e o molejo brasileiros. Os resultados estão aí – o crescimento nas exportações registrado nos últimos anos.
Mas afi nal, o que caracteriza esse design de jóias do Brasil? A designer Ka- rina Achôa lembra que a pedra brasilei- ra sempre foi bastante valorizada no co- mércio internacional. E continua sendo, só que agora ela chega ao mercado com valor agregado, o que signifi ca uma jóia
Arq uivo IBGM
Com a cara e o
molejo brasileiros
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PRESENTE REAL
Ao receber o presidente Lula, em mar- ço de 2006, no Palácio de Buckingham, a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, usava um conjunto de colar e brincos genuinamente brasileiros. A jóia foi presenteada à monar- ca pelo governo brasileiro, nos anos 50.
As peças são compostas por 647 bri- lhantes e 10 águas-marinhas extraídas no município de Tenente Ananias (região Oeste do Rio Grande do Norte). A idéia do presente foi do jornalista, empresário e se- nador Assis Chateaubriand.
Reza a lenda que, em retribuição ao regalo, a rainha teria mandado ao Bra- sil o Rolls Royce usado pela Presidência da República há mais de cinco décadas.
No entanto, os historiadores garantem que o carro foi, na verdade, comprado pelo go- verno brasileiro.
“O design, para a indústria joalheira, representa um upgrade no conceito de jóia. Ela passa de simples adereço a complemento de moda”
Arquivo Sebrae
criativa, com movimento, com a cara do Brasil. Outro diferencial é a mistura de materiais, como unir o ouro a fi bras e até mesmo ao acrílico. “Promover o aproveitamento de material que era de reciclagem industrial. A gente juntou isso com ouro, com prata, com pedras e gerou um projeto social, e isso deu uma segmentação muito interessante”.
O gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae, Paulo César Alvim, por sua vez, considera que o design vem para dar um upgrade no conceito de que a jóia deixou de ser sim- ples adereço, para se incorporar como complemento da moda. Participa da ca- deia da moda e anda de mãos dadas com
as indústrias de confecção e de calçados.
O trânsito entre os vários estilos e infl u- ências, característicos da moda contem- porânea, está materializado nas novas coleções de jóias. A indústria da moda também infl uencia nas cores das gemas utilizadas nas coleções.
O design de jóias é considerado tão estratégico para o setor que o Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Precio- sos (IBGM) e as entidades estaduais da classe implantaram, há alguns anos, o Núcleo de Gemas e Jóias. O propósito é proporcionar condições favoráveis para que o design de jóias se constitua em fa- tor de diferenciação do produto brasilei- ro, incorporando criatividade, qualidade
e produtividade. Desde 1991, o instituto promove o Prêmio IBGM de Design, que em 2006 teve como tema Destinos do Brasil, mostra da diversidade regional das jóias brasileiras.
Ao longo desses anos, o design brasilei- ro foi ganhando característica própria. Em 1990, a designer internacional Viviane To- rum o defi niu como “algo novo, com muita alegria, sensualidade, movimentos, cores e jovialidade”. Neste ano, os concorrentes enfrentaram o desafi o de levar para a joa- lheria a diversidade regional do Brasil. E falando em desafi o, o estabelecimento de convênios para a promoção de ofi cinas de design é uma das metas da Carteira de Ge- mas e Jóias do Sebrae.
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Fotos: Arquivo IBGM
Prêmio IBGM de Design de Jóias de 2006: Destinos do Brasil
— Uma Viagem pelas Jóias do País
Designer: Heloisa Helena de Oliveira Azevedo Categoria: Sudeste – 3º Lugar
Designer: Marco Marchese Categoria: Centro-Oeste – 2º Lugar Designer: Emi Kyouho Hirose
Categoria: Sudeste –2º Lugar
Designer: Thaís Vilela Categoria: Norte – 3º Lugar Designer: Claudia Lamassa
Categoria: Sul – 1º Lugar
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Eles são europeus, norte-americanos, asiáticos e das outras partes do mundo, e no ano passado, segundo informação do Banco Central, gastaram US$ 3,861 bi- lhões no Brasil, um aumento de 19,83% em comparação com 2004. Estamos falando dos 6,784 milhões de turistas estrangeiros que, em 2005, pisaram em terras brasilei- ras. A quantidade é um recorde histórico, mas o Ministério do Turismo avalia que o potencial é muitas vezes maior. E um jeito de atrair essas pessoas é aliar o turismo com a indústria de jóia nacional.
O presidente do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), Hécliton Santini Henriques, conta que a instituição está desenvolvendo, em parceria com o Ministério do Turismo, ações para incrementar a participação do setor joalheiro na indústria turística.
Dentro desse conceito, o Prêmio IBGM de Design de Jóias deste ano teve como tema Uma Viagem pelas Jóias do Brasil. As peças deveriam ter como fonte de inspiração os lugares ou as características naturais e cul- turais das cinco regiões do Brasil.
O resultado foi a criação de peças com pedras brasileiras, que, com mui- ta criatividade, retrataram, entre outras belezas, o mar de Fernando de Noronha, o Pantanal, a ala das baianas do carna- val carioca e as Cataratas do Iguaçu. A secretária nacional de Programas de De- senvolvimento do Turismo, Maria Luiza Campos Machado Leal, informou que es- sas peças vão correr o mundo em feiras e exposições. “É uma forma de desper- tar o turista. O turista viaja atrás de um sonho. A gente está juntando os dois. O sonho da viagem com o sonho da jóia”.
A secretária explica que ainda não há dados sobre quantos turistas vêm ao Brasil em busca de jóias e informa que em 2005 os estrangeiros que visitaram o País leva- ram cerca de US$ 73 milhões em jóias ou gemas. “Com base nesses dados vamos aprofundar um pouco melhor os estudos para defi nir estratégias”. Uma delas é o compartilhamento de espaços em feiras, tanto de jóias quanto de turismo.
Como parte da parceria, foi assina- do um convênio entre o IBGM e o Mi- nistério do Turismo, no valor de R$ 2,12 milhões, para integração da cadeia pro- dutiva de gemas e jóias com as ativida- des turísticas. O projeto prevê ações, como visitação a minas e a museus, de- senvolvimento de produtos, cursos de qualifi cação, criação e adequação de roteiros turísticos, promoção e apoio a eventos, realização de seminários e ofi - cinas técnicas e prêmio de design.
ROTEIROS
O presidente do IBGM, Hécliton Santini Henriques, destaca que há dois nichos que podem ser mais bem tra- balhados nesse acordo. O primeiro é a oferta de jóias e suvenires de bom gosto, atraentes. “O que a gente quer é ampliar a oferta com produtos mais interessan- tes, mais fáceis de ser transportados.
Inclusive com investimentos em emba- lagens especiais”. Outra preocupação é com a criação de roteiros específi cos para este tipo de turismo.
Ele lembra que inúmeras cidades foram criadas em função do ouro e das pedras preciosas. Em muitas delas ainda há minas, tanto desati- vadas quanto ainda produzindo, que poderiam ser visitadas. “No entanto, não há receptivo para os turistas, com algumas exceções, como em Ouro Preto, Mariana e Ametista do Sul. Mas são estruturas muito tími- das, diante do potencial enorme que nós temos de visitação”. Em outros países, de acordo com Henriques, há um investimento enorme nisso.
A Alemanha, por exemplo, apesar de não produzir ágatas há mais de cem anos, mantém uma rota de pedras.
“O potencial brasileiro é imenso, mas para que esse investimento no turismo de gemas e jóias aconteça é preciso uma mudança de mentalida- de, uma mudança de foco”, avalia o presidente do IBGM.
TURISMO PELO MUNDO DAS JÓIAS
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milhões, para integração da cadeia pro- dutiva de gemas e jóias com as ativida- des turísticas. O projeto prevê ações, como visitação a minas e a museus, de- senvolvimento de produtos, cursos de qualifi cação, criação e adequação de roteiros turísticos, promoção e apoio a eventos, realização de seminários e ofi - cinas técnicas e prêmio de
Maria Luiza Campos
"Unir o sonho da viagem com o sonho da jóia."
*Fonte: Banco Central
Ano: 2005
Turistas: 6,784 milhões de turistas estrangeiros Deixaram no Brasil: US$ 3,861 bilhões*
Deixaram em jóias e gemas: US$ 73 milhões*
Divulgação/MTur
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O
ouro, o diamante, as pe- dras preciosas são pro- tagonistas de histórias importantes do Brasil.Histórias de muita ri- queza, de arte, de desenvolvimento, de interiorização do País. Mas também histórias de homens brancos e negros, que sob violência cavucavam a terra em busca de metais preciosos. Os pri- meiros achados de ouro aconteceram entre 1570 e 1584, em Iguape (SP), e em 1598, na Serra da Mantiqueira.
O ciclo do ouro começou um pou- co mais tarde. Ao fi nal do século XVII, a situação fi nanceira de Portugal era ruim. A lavoura canavieira nordestina estava em decadência e a Metrópole de- cidiu priorizar a descoberta de riquezas minerais. Os achados mais marcantes aconteceram no fi nal do século XVII, fruto dos movimentos de busca de ri- quezas e de interiorização ocorridos após a unifi cação das coroas ibéricas, que favoreceram a transposição, pelos portugueses, dos limites pelo Tratado de Tordesilhas.
Por causa da mineração, milhares de pessoas deixaram o litoral e foram para o interior – principalmente para Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso –, que ga- nhou cidades e desenvolvimento. Em 1711, André João Antonil, historiador e jesuíta italiano que chegou ao Brasil em 1681 e publicou em Lisboa a obra Cultu- ra e Opulência do Brasil por suas Drogas
e Minas, descreveu a corrida do ouro brasileira: “A sede insaciável do ouro es- timulou tantos a deixarem suas terras, a meterem-se por caminhos tão ásperos, como são os das minas, que difi cilmente se poderá saber do número de pessoas que atualmente estão lá”.
O Brasil converteu-se, no século XVIII, no maior produtor mundial do metal.
Somente entre 1740 e 1759, a produção chegou a quase 60 mil quilos de ouro, a maior parte saída de Minas Gerais. Isso sem contar o ouro contrabandeado, que muitas vezes deixou o Brasil dentro de imagens de santos, o que deu origem à expressão “santo do pau oco”.
MONOPÓLIO DA COROA
Apesar do contrabando, a vigilân- cia portuguesa era rigorosa. Em 1731, Portugal decretou que a extração de diamantes no arraial de Tijuco – atual cidade de Diamantina (MG) – passaria a monopólio da coroa. Ninguém podia transitar sem autorização especial. Dia- mantina foi a maior lavra de diamantes do mundo ocidental no século XVIII, com cerca de 3 milhões de quilates.
Na segunda metade do século XIX, a produção de ouro e metais preciosos no Brasil começou a declinar, enquanto crescia, vertiginosamente, no mundo. A riqueza do solo brasileiro foi usada por Portugal para pagar dívidas com a Ingla- terra e acabou por ser um dos fi nanciado- res da Revolução Industrial inglesa.
História do ouro
Poderoso contratador
Para evitar o contrabando de ouro e o que considerava dilapida- ção do patrimônio, a Coroa Portu- guesa criou a fi gura do contrata- dor, homem de muito poder sobre a população, que atuava nas regi- ões de produção mineral.
João Fernandes de Oliveira foi um dos mais famosos contrata- dores do Brasil, não apenas pela enorme quantidade de diamantes que extraiu do Tijuco, mas também pelo romance com a escrava Chica da Silva. Para ela, com quem teve 13 fi lhos, o contratador mandou construir uma casa de 21 cômodos, onde viveram provavelmente de 1755 a 1770.
Reza a lenda que João Fernan- des atendia a todos os desejos de Chica. Teria construído um navio, com capacidade para dez pessoas, para agradar a mulher, que não conhecia o mar.
O apetite sexual de Chica, as crueldades e os caprichos dela e até mesmo a beleza da mulher fo- ram retratados no fi lme de Cacá Diegues, estrelado por Zezé Mota, e depois em novela dirigida por Valter Avancini, para a extinta TV Manchete.
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H
á bastante tempo, lá pelo início do século XX, Gabrielle “Coco”Chanel cometeu a ou- sadia de lançar uma moda que misturava bijuterias a metais nobres. Ao ser criticada pelos jornalistas da época, pois estaria inventando uma moda pobre, a mais famosa fi gurinista do mundo respondeu que o contrário de luxo não é pobreza. O contrário do luxo é a banalidade. Chanel estava tão certa que a tendência lançada por ela há qua- se cem anos está cada vez mais atual e até ganhou nome: o novo luxo.
A consultora de estilo do Instituto Brasileiro de Jóias e Gemas (IBGM) e designer de jóias, Regina Machado, afi r- ma que a cada década fi ca mais claro que a busca do luxo está nessa fuga da banalidade. De acordo com ela, o que caracteriza o luxo é sempre algo extra- ordinário, algo que foge ao comum. Hoje esse novo luxo na joalheria é construído com a mistura do luxo tradicional – ouro, diamante, rubi, esmeralda, safi ra – com materiais alternativos, como madeira, couro e sementes.
A jóia hoje não tem mais o valor es- tipulado pelo peso do metal empregado
O que vale numa jóia, hoje, é o conceito que ela traduz, mais do que o valor do peso do metal ou das gemas que a compõem
Arquivo IBGM
de luxo
Mistura
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na fabricação. O que vale é o peso da idéia, do desenho, do conceito. O ca- pital material não é mais a única for- ma de aferir se peça é de luxo ou não.
“Antigamente, verifi cava-se o quanto de ouro era usado, quantos quilates de diamantes. Só que, hoje, a aura da joalheria não é construída mais exclu- sivamente pelo uso dos materiais pre- ciosos. Então, tão importante quanto o material é o design, a cultura e isso não tem como ser pesado, porque o luxo foi para o abstrato”, resume a designer. Ela acrescenta que o consumidor do luxo de hoje procura peças que surpreen- dam, que sejam inovadoras, que mate- rializem um novo tempo.
O resultado é que misturas antes impensáveis ocupam as vitrines tanto das grandes como das pequenas joa- lherias. O quartzo, por exemplo, ante- riormente mais usado em bijuterias, ganhou novo status. “Os altos fabri- cantes internacionais se renderam ao charme do quartzo fumê, à beleza, à delicadeza do quartzo rosa, ao misté- rio do quartzo rutilado”, conta Regina.
O mesmo acontece com outras pedras, como as ametistas e o citrino.
HIGH-LOW
Outra tendência contemporânea é o high-low, que consiste em misturar peças valiosas com outras mais co- muns. É como estar com um anel de
diamantes e de calça jeans. Regina Machado diz que as ações de marke- ting dos grandes produtores do luxo contemporâneo buscam associar a jóia ao cotidiano. Dessa forma, se antes as jóias eram para pessoas extraordiná- rias usarem em situações também ex- traordinárias, hoje as pessoas podem usar esses objetos em qualquer mo- mento da vida.
Somado a isso está o fato de ter mudado o perfi l do comprador da jóia.
Historicamente, era o homem – mesmo porque as mulheres estavam fora do mercado de trabalho – que comprava as peças para presentear alguém, ou mesmo como forma de investimen- to. Nos dias atuais, são as mulheres que vão às joalherias. E essa mulher, segundo Regina Machado, tem muita informação sobre moda e estilo. Por conta disso, não quer comprar uma jóia unicamente por seu valor de troca, mas também por seu valor simbólico. Não deseja comprar uma propriedade, e sim investir no estilo pessoal.
Na opinião de Regina Machado, consultora do IBGM, a busca do luxo está na fuga da banalidade
Para os homens, jóias representam investimento fi nanceiro; para as mulheres, investimento em estilo pessoal
Arquivo IBGM Arquivo IBGM
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Produção
Josh Klute
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O
conceito de produção mais limpa é cada vez mais cobrado pela so- ciedade. As populações das cidades e também os organismos governamentais res- ponsáveis pela preservação do meio ambiente não admitem mais a exis- tência de atividades econômicas que agridam a natureza. Essa é a realidade à qual as indústrias de gemas e jóias estão se adaptando, e em muitos dos arranjos produtivos locais os resulta- dos são bastante positivos.O gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae, Pau- lo César Alvim, conta que a entidade trabalha desde 1995 com a gestão ambiental para as micro e pequenas empresas. Há, inclusive, um manual que trata especifi camente da produção mais limpa e a meta de criação de uma rede brasileira de produção mais lim- pa, na qual soluções são levadas para os empresários. Isso não apenas em respeito à legislação ambiental, mas para que as empresas ganhem diferen- cial no mercado.
MONITORAR RESÍDUOS
No caso específi co de jóias, princi- palmente as metálicas e as que usam lapidação de pedra, há toda uma ge- ração de resíduos que, se não for mo- nitorada, torna-se um problema sério, com impacto na saúde humana. E aí há dois fatores a serem trabalhados: a questão da saúde pública e a segurança de trabalho do profi ssional envolvido.
Em função disso, há um esforço para redução do uso de metais pesados e construção de processos produtivos que gerem menos resíduos. Há ainda a preocupação da reciclagem desses resíduos, que podem ser transforma- dos em matéria-prima para outras atividades econômicas.
No entanto, a preocupação não deve se restringir ao meio ambiente. São imprescindíveis ações para o acompa- nhamento nas áreas de saúde e segu- rança do trabalho, “porque nos lugares onde não há esses cuidados, há impac- tos muito negativos nas atividades dos funcionários”, lembra o gerente de Tec- nologia do Sebrae. Por aí passam cuida- dos como o uso de máscaras e luvas no serviço de lapidação.
PÓLO MODELO
O Pólo de Folheados de Limeira é um dos mais avançados na preocupa- ção ambiental. Na cidade paulista se concentra a metade da produção de fo- lheados do estado. A atividade envolve processos de fundição e galvanoplastia, que apresentam um potencial poluidor signifi cativo. Em função disso, a Com- panhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) criou, anos atrás, um projeto piloto para a região, com par- ticipação e parceria da indústria e das associações locais de bijuterias.
O programa Produção Mais Limpa foi desenvolvido em parceria com a Associação Limeirense de Jóias (AJL), o Sindijóias e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP). O pro-
Além de beleza e valor, o consumidor quer da indústria joalheira uma produção limpa, que respeite o meio ambiente e os trabalhadores
grama estabelece estratégias, práticas ou condutas econômicas, ambientais e técnicas que evitam ou reduzem a emissão de poluentes, por meio de ações preventivas.
Além de reduzir o consumo de água, de energia e de matérias-primas, as em- presas participantes tiveram ganhos econômicos e ambientais signifi cativos ao diminuírem também os custos com o tratamento de efl uentes e a disposição fi nal de resíduos. O resultado é uma li- nha de produção com responsabilidade, maior efi ciência, mais econômica e de menor impacto ambiental.
João Roberto Regenes
Paulo Alvim diz que resíduos transformam-se em matéria-prima de outros produtos
ecologicamente
correta
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A
tecnologia é uma fer- ramenta mais do que importante para o setor de gemas e jóias. Novos maquinários, de ope- ração automatizada, processos de trata- mento para materiais alternativos, como sementes, e novos processos produtivos são demandas essenciais para que os empresários da área possam crescer e também ter condições competitivas, principalmente com empresas no exte- rior. Mas para fazer esse investimento é preciso ter dinheiro.O Sebrae e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, fi rmaram um convênio que investiu, em 2005, por meio de editais de seleção, R$ 27 milhões em 69 projetos de inova- ção de pequenas empresas. Desse total, R$ 2,5 milhões foram para os Arranjos Produtivos Locais de Gemas e Jóias. São
Tecnologia é
Para crescer de forma consistente, o setor precisa de investimento em pesquisa, para desenvolver tecnologias, e na indústria, para produzir novas máquinas e equipamentos
fundamental
Arquivo Sebrae/RS
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cinco os projetos atendidos. Novo edital foi lançado e outras iniciativas do setor devem ser contempladas.
De acordo com o gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae, Paulo César Alvim, alguns dos projetos aprovados estão justamente na linha de desenvolvimento de ferra- mentas: “isso é muito signifi cativo para mostrar como é possível promover ino- vações tecnológicas no setor de gemas e jóias, porque hoje todo mundo acha que pode fazer jóia”.
No entanto, sem as inovações o pro- cesso acaba massifi cado e com baixíssima agregação de valor, e essa é uma situação a ser mudada. “A ótica da inovação é jus- tamente para agregar valor à produção”, diz Paulo Alvim. Ele estima que os resul- tados desses cinco projetos vão aparecer daqui a um ano e servirão como estímulo para que mais empresários invistam na área de ciência e tecnologia no Brasil.
• Implementação de novas tecnologias na criação e na produção de jóias – Fundação Padre Leonel Franca/Pontifí- cia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
• Inovação dos processos de la- pidação das empresas integran- tes do APL de Gemas e Artefa- tos de Pedras de Teófi lo Otoni – Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec).
• Estudo das inovações e dife- renciação no design de jóias, lapidação e tecnologia para ge- mas coradas gaúchas no APL de Gemas e Jóias – Fundação Vale do Taquari de Educação e Desenvolvimento Social.
• Desenvolvimento de novas tecnologias para o APL de Ge- mas e Jóias do Rio Grande do Sul – Núcleo Regional do IEL no Estado do Rio Grande do Sul/Agência de Educação Pro- fi ssional Senai de Guaporé.
• Programa de desenvolvi- mento de protótipos de jóias utilizando gemas brasileiras – Núcleo Regional do IEL no Estado do Rio Grande do Sul/
Agência de Educação Profi s- sional Senai de Guaporé.
Projetos de Gemas e Jóias selecionados pelo convênio Finep/Sebrae
“Sem as inovações tecnológicas, o processo acaba massifi cado e agrega pouco valor.”
LAPIDAÇÃO
Na área de lapidação, o País caminha para dotar o setor de novos maquinários que possibilitarão o aumento da compe- titividade no mercado internacional. A avaliação é do gemólogo Wallid El Koury Daoud, que destaca a produção de uma nova máquina, com tecnologia brasilei- ra, usada na lapidação de cabochão.
Segundo Daoud, a máquina produz 1,5 mil pedras por dia, todas calibradas e padronizadas. “Um estudo de viabilidade econômico-fi nanceira mostrou que com essa máquina a indústria de lapidação brasileira torna-se competitiva em relação a qualquer outro país”, complementa.
A outra máquina, ainda em desen- volvimento, é a de lapidação facetada, com tecnologia Controle Numérico Computadorizado (CNC). A estimativa de produção é de 150 peças ao dia. “Pro- dução maior do que a chinesa, que é, em média, de 61 peças diárias”, conta.
Arquivo Sebrae/RS
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esse trecho do Samba do Avião, Antônio Car- los Jobim imortalizou algumas das belezas do Rio de Janeiro. Pois é. E não é que essas belezas estão à venda! Não vai ser possível comprar o Pão de Açúcar, mas o bondinho, talvez.Não aquele grandão, mas uma réplica dele, feita em prata, que guarda em seu
“Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudades. Rio, seu mar, praia sem fi m.
Rio, você foi feito pra mim.
Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara.
Este samba é só porque, Rio, eu gosto de você.”
interior pedras genuinamente brasilei- ras, está à disposição para enfeitar os colos das mulheres. O colar A Jóia do Rio, de Cid Bigio, faz parte do projeto PANorama Carioca.
Fruto de parceria entre o Sebrae/RJ e a Associação dos Joalheiros e Relo- joeiros do Estado do Rio (Ajorio), esse projeto servirá de modelo a ser implan- tado em todo o Brasil e conta com o
apoio do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), por meio de convênio com o Ministério do Turismo.
O trabalho desenvolvido no PANo- rama Carioca é resultado do encontro dos criadores de jóias e bijuterias que atuam na cidade de Rio de Janeiro. O PANorama Carioca investe na vocação turística e na dinâmica do estilo de vida da capital.
Imagens do
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esse trecho do Sambavejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudades. Rio, seu mar, praia sem fi m.
Rio, você foi feito pra mim.
Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara.
Este samba é só porque, Rio, eu gosto de você.”
interior pedras genuinamente brasilei- apoio do Instituto Brasileiro de Gemas
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vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudades. Rio, seu mar, praia sem fi m.
Rio, você foi feito pra mim.
Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara.
Este samba é só porque, Rio, eu gosto de você.”
Imagens Imagens
I magens magens Brasil Brasil
Arquivo IBGM
Designer:
Cristiane Brentan
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Em pesquisa feita com turistas, eles apontaram como difi culdade encontrar suvenires de pedras que tivessem a cara da cidade. O projeto responde a essa carência e para oferecer os pro- dutos pretende realizar treinamentos, ofi cinas e palestras sobre a vida na cidade voltados para os criadores de jóias e bijuterias.
Ao ser lançado, o projeto atraiu cer- ca de 600 designers de jóias. Feitas as seleções, cem deles passaram por ca- pacitação que durou três meses. Nesse período, além de palestras com experts em Rio de Janeiro, eles gastaram sola de sapato para visitar as belezas da cidade, de forma a buscar a inspiração necessá- ria para criação de peças que traduzis- sem o que é a Cidade Maravilhosa.
O lançamento da coleção PANorama Carioca aconteceu no Fashion Business, evento paralelo ao Fashion Rio, em de- zembro de 2005. Foram expostas 250 peças – como pingentes, colares, bro- ches, pulseiras em prata e materiais alternativos –, de 50 designers, e que trazem desde imagens de botecos até detalhes do Cristo Redentor, dos Arcos da Lapa e de prédios históricos.
A gestora do projeto no Arranjo Pro- dutivo Local (APL) de Jóias do Sebrae/
RJ, Andréia Lopes, conta que o sucesso foi enorme, “prova de que conseguimos reunir o design contemporâneo com a história do Rio de Janeiro, com produtos criativos e de muito bom gosto”.
A diretora executiva da Ajorio, Ân- gela Andrade, acrescenta que o PANora- ma Carioca colocou sangue novo na pro- dução de suvenires para turistas, uma área bastante carente. A executiva afi r- ma ainda que a proposta é aumentar a oferta até os Jogos Pan-Americanos, que acontecerão em julho de 2007, quando turistas do Brasil e do mundo, jornalis- tas e atletas vão tomar conta da cidade do Rio de Janeiro. Eles vão poder levar para casa peças que, como diria Tom Jobim, vão fazer cantar a alma.
Designer:
Françoise Perret
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Designer:
Cid Bigio
Arquivo IBGM Arquivo IBGM
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Q
ue cara tem o ser- tão? De lagartos, de um céu inesquecível ou também de uma vegetação muito própria. Essas fi guras tão sertanejas quanto brasileiras tomaram conta de uma coleção produzida por mulheres de Salinas (MG) e de Valente (BA), que transformaram a natureza em objetos de rara beleza.São cangas, bijuterias, chapéus, bol- sas, colares e cintos, customizados com bordado e crochê, pedra e sisal. Aliás, muita pedra, numa demonstração de
que o trabalho em conjunto dá muito bom resultado. Foram usadas turmalinas, cris- tais rosa, ametistas, citrinos, águas-mari- nhas, quartzos e cristais príncipes.
A Cara do Sertão faz parte do Pro- jeto Identidade do Sertão, tocado por uma parceria entre Ministério do De- senvolvimento Agrário, Sebrae/BA e Sebrae/MG. Na primeira fase do projeto, participaram as costureiras da Cooper- salfashion, de Salinas, que aproveitaram as pedras preciosas abundantes na re- gião. De Valente, as confeccionistas da Cooperafi s trouxeram a arte feita com o sisal baiano. O trabalho foi coordenado
Rara beleza do
sertão
Lucas Moura Designlandia
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pelo designer Renato Imbroisi e utilizou apenas materiais naturais.
O projeto chegou à segunda fase com uma coleção de roupas. O objetivo da pro- dução, coordenada pelo estilista Ronaldo Fraga, foi abrir um espaço no mundo da moda para essas artesãs, que têm entre 20 e 70 anos e até então trabalhavam sozi- nhas. O Sebrae aferiu, em contato com as trabalhadoras, o aumento da auto-estima dessas mulheres, até então somente donas de casa, que perceberam que, juntas, forta- leceram a produção, com aumento conside- rável das vendas e conquista de espaço nos mercados brasileiro e internacional.
Os 18 anos produzindo bolinhas de latão para a indústria de folheados de Limeira deram ao empresário Ângelo Percebon o título de Rei das Bo- linhas, que ostenta no Brasil e no exterior. As bolinhas ocas, comuns em brincos, colares, pulseiras ou anéis, estão cada vez mais em moda.
O empresário desenvolveu, há pouco mais de dois anos, nova tecnologia automatizada que garante mais qualidade e rapidez na fabricação. Esse trabalho de ferramentaria permite a fabricação de até um milhão de bolinhas dos mais diversos tamanhos, formatos e acabamentos a cada mês.
O processo para produzir em larga escala esse acessório da in- dústria joalheira está patenteado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), para proteger a originalidade da
criação. Como informa Percebon, a patente evita que as empresas utilizem a tecnologia sem a devida autorização legal. Para utilizá- la, é preciso pagar os royalties.
O empreseário diz que, além do reco- nhecimento da nova tecnologia, uma das vantagens é que a empresa presidida por ele vai conseguir expandir os negócios, deixando pra trás os concorrentes.
, para proteger a originalidade da criação. Como informa Percebon, a patente evita que as empresas utilizem a tecnologia sem a devida autorização legal. Para utilizá-
O empreseário diz que, além do reco- nhecimento da nova tecnologia, uma das vantagens é que a empresa presidida por ele vai conseguir expandir os negócios, deixando pra trás os concorrentes.
Bordado e crochê, pedras e sisal, misturados,
refl etem a cultura sertaneja na forma de objetos pessoais e de coleções
de vestuário
O REI DAS BOLINHAS
Wagner Morente
Lucas Moura Wagner MorenteO processo patenteado por
Ângelo Percebon é capaz de fabricar até um milhão de bolinhas por mês
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O Instituto Brasileiro de Gemas e Me- tais Preciosos (IBGM) anunciou que as exportações de jóias brasileiras atingiram US$ 20 milhões no primei- ro bimestre de 2006, 27% a mais que no mesmo período do ano passado. O que mudou na política brasileira que possibilitou esse aumento?
Ministro Furlan – O segmento de gemas, jóias e afi ns tem sido apoiado fortemente pelo governo. Buscamos prio- rizar esse setor por três motivos princi- pais. Primeiro, porque sabemos que ele representa uma indústria intensiva em mão-de-obra, isto é, uma grande gerado- ra de emprego e renda. Segundo, pelo motivo de o Brasil ser importante player internacional no setor, pela abundância de matéria-prima, ou seja, detemos rele- vante produção de gemas e metais pre- ciosos. Terceiro, pelo imenso potencial exportador. Hoje, com a produção de peças baseadas na imagem brasileira de alegria e sensualidade – imagem reco- nhecida internacionalmente – estamos aumentando cada vez mais nosso mer- cado internacional, sem contar com vá-
rios prêmios internacionais que nossos designers receberam recentemente.
Buscando impulsionar o desenvol- vimento sustentável dessa cadeia pro- dutiva, foi instalado, em julho de 2004, o Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva de Gemas, Jóias e Afi ns. O fórum consiste em um locus no qual es- tão reunidos os empresários, a acade- mia, os trabalhadores e o governo para discutir as oportunidades, as ameaças, os pontos fortes e os pontos fracos do setor. Essas discussões resultam na proposição de soluções e implementa- ção de políticas para o fortalecimento dos elos produtivos e, assim, da cadeia produtiva como um todo. O importante é que existe diálogo aberto e intenso e que os resultados já estão aparecendo, como o excelente desempenho do co- mércio internacional brasileiro, mesmo com a apreciação cambial do Real.
As empresas do setor reclamam da alta tributação. É possível pensar na redução da carga tributária para o segmento?
Ministro Furlan – Grandes avanços já ocorreram nos últimos meses, espe- cialmente os relacionados aos impostos estaduais, como o ICMS, já que houve expressiva redução de alíquotas so- bre esse setor em importantes estados produtores, como Minas Gerais.
Além disso, houve trabalho consis- tente de negociação de redução do IPI no âmbito da Comissão de Desenvolvi- mento Econômico, Indústria e Comér- cio da Câmara dos Deputados, junta- mente com colegas dos Ministérios das Minas e Energia, da Ciência e Tecno- logia e da Fazenda e do IBGM. Como resultado, foi encaminhada ao Ministé- rio da Fazenda proposta para redução de alíquota do IPI.
Grande parcela das empresas do setor é formada por micro e pequenos empre- endimentos. Como o MDIC implementa a política de apoio a essas empresas?
Ministro Furlan – Cientes de que a Cadeia Produtiva de Gemas e Jóias é com- posta, em sua grande maioria, por micro e pequenas empresas, estas têm sido
Por um
ENTREVISTA
Por um
desenvolvimento sustentável
O diálogo aberto entre empresários, acadêmicos, tra- balhadores e governo resultará no fortalecimento
do setor de Gemas e Jóias. É o que afi rma, nesta entrevista, o ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Antônio Cruz/ABr