Geometria Analítica e Álgebra Linear
Capítulo 1 - Parte 1
Professor: Luiz Fernando Nunes
Índice
1 Matrizes e Determinantes ... 1
1.1 Matrizes ... 1
1.1.1 Tipos Especiais de Matrizes ... 2
1.1.2 Operações com matrizes ... 4
1.1.3 Alguns exercícios sobre matrizes: ... 9
1.1.4 Matrizes Elementares ... 10
1.1.5 Definição de Matriz como Função ... 12
1.2 Determinantes e Matriz Inversa ... 12
1.2.1 Determinantes ... 12
1.2.2 Matriz Inversa ... 14
1.2.3 Alguns exercícios sobre determinantes e matriz inversa ... 17
Referências Bibliográficas ... 18
1 Matrizes e Determinantes
1.1 Matrizes
Noção de matriz:
Uma matriz é uma tabela retangular de elementos dispostos em linhas e colunas.
Representação
Uma matriz com m linhas e n colunas será indicada por:
ij m n mnm m
n n
n
m a
a a
a
a a
a
a a
a
A
2 1
2 22
21
1 12
11
, onde 1 i m, 1 j n.
Se não existirem dúvidas quanto à quantidade de linhas e colunas de uma matriz, podemos indicá-la apenas por letras latinas maiúsculas A, B, C, D, ... , omitindo os índices m e n.
O símbolo Mmn
indicará o conjunto de todas as matrizes de ordem mn de elementos reais.Exemplos
1. Se
3 0 5
2 1 2
0 1 1
A , então temos que: a111, a121, a13 0, a212,
22 1
a ,a232, a315, a32 0,a33 3.
2. Se
2 7 0
5 2 9
B 3 , então temos que: b11 3, b129,b13 2, b145,
210
b ,b22 7, b23 2, b24 .
3. Se
18 7
3 4
2 / 1 3 / 2
C , então temos que:
3 2
11 c ,
2 1
12
c ,c21 4, b22 3,
210
b ,c317, c32 18.
4. Suponha que temos alguns dados como peso, altura e idade referentes a um grupo de quatro pessoas, como na tabela seguinte:
Altura (m) Peso (Kg) Idade (anos)
Pessoa 1 1,75 62 40
Pessoa 2 1,64 53 27
Pessoa 3 1,83 75 31
Pessoa 4 1,50 50 18
Podemos representar estas informações na matriz seguinte:
18 50 50 , 1
31 75 83 , 1
27 53 64 , 1
40 62 75 , 1
D , onde cada linha representa um indivíduo e as colunas
representam, as grandezas altura, peso e idade, respectivamente.
Definição
Duas matrizes
n
ij m
n
m a
A [ ] e
s
ij r
s
r b
B [ ] são iguais, se e somente se:
j i b a
s n
r m
ij
ij ,
1.1.1 Tipos Especiais de Matrizes
Matriz Quadrada
É aquela onde o número de linhas é igual ao número de colunas, isto é, m = n.
Exemplos
5.
3 0 2
7 1 5
0 1 0
A , B
8 e
3 7
4
C 9 .
Matriz Nula
É aquela em que todos os elementos são iguais a zero, isto é, aij 0 para todo i e j.
Exemplos
6.
0 0 0
0 0 0
0 0 0
A e
0 0
0 B 0
Matriz Linha
É aquela onde m = 1.
Exemplos
7. A
9 0 3 2
e B
1 3Matriz Coluna
É aquela onde n = 1.
Exemplos
8.
1 2 9 7
A e
2 B 3
Matriz Diagonal
É uma matriz quadrada (m = n) onde aij 0, para i j.
Exemplos
9.
2 0 0
0 4 0
0 0 1
A e
3 0 0 0
0 1 0 0
0 0 4 0
0 0 0 9 B
Matriz Identidade
É uma matriz diagonal onde
j i para a
e j i para a
ij ij
1 0
Muitas vezes a matriz identidade de ordem n é indicada por Inn ou apenas In.
Exemplos
10.
1 0 0
0 1 0
0 0 1
A ,
1 0
0 B 1 e
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1 C
Matriz Triangular Superior
É uma matriz quadrada onde aij 0 para i > j.
Exemplos
11.
1 0 0
2 7 0
0 9 1
A ,
0 1 9
B 1 ,
1 0 0 0
2 1 0 0
0 6 0 0
3 0 3 1
C
Matriz Triangular Inferior
É uma matriz quadrada onde aij 0 para i < j.
Exemplos
12.
1 7
0 2 9
0 0 4
A ,
1 3
0 B 1 e
1 0 0 2
0 9 3 4
0 0 5 6
0 0 0 1 C
1.1.2 Operações com matrizes
Adição
Dadas duas matrizes
n
ij m
n
m a
A [ ] e
n
ij m
n
m b
B [ ] , então:
n m n
m n
m ij ij ij
ij b a b
a B
A [ ] [ ] [ ]
Exemplos
13. Se
1 7 1
2 2 9
1 0 4
A e
1 2 6
0 3 1
8 1 2
B , então
0 9 5
2 5 10
7 1 6 B A
14. Suponha que as tabelas que seguem trazem as produções de soja, feijão e milho (em milhares de toneladas) de dois anos consecutivos de três regiões de um país:
Produção agrícola do primeiro ano
Soja Feijão Milho
Região 1 2000 150 700
Região 2 1000 450 120
Região 3 500 300 900
Produção agrícola do segundo ano
Soja Feijão Milho
Região 1 2500 200 400
Região 2 500 250 300
Região 3 1500 200 100
Se representarmos estas produções pelas matrizes:
900 300 500
120 450 1000
700 150 2000
A e
100 200 1500
300 250 500
400 200 2500
B , respectivamente, então a matriz
1000 500
2000
420 700 1500
1100 350
4500 B
A representa a produção total nestes dois anos
consecutivos.
Propriedades da Adição de Matrizes
i) Associatividade: A
BC
AB
C, A,B,CMmn
ii) Comutatividade: ABBA, A,BMmn
iii) Elemento Neutro: A0A, onde 0 denota a matriz nula mn, AMmn
iv) Oposto: Dada AMmn
, existe a matriz
A Mmn
, tal que A
A 0Multiplicação de matriz por escalar
Dada uma matriz Amn[aij]mn e um escalar , então:
n m n
m ij
ij a
a
A
[ ] [ ]
Exemplos
15. Se
4 7 1
2 6 9
1 0 3
A e 2, então
8 14 2
4 12 18
2 0 6 2 A A
16. Se
2 5 2
1 4
B 3 e 3, então
6 15 6
3 12 3 B 9
B
17. Suponha que a tabela que segue traz a produção de arroz e milho (em milhares de toneladas) de dois Estados de um país em um determinado ano:
Arroz Milho
Estado X 400 600
Estado Y 700 800
Se representarmos estas produções pela matriz:
800 700
600
A 400 e no ano seguinte
estes Estados dobraram suas produções, então a matriz
1400 1600 1200
2 A 800 representa esta nova safra.
Propriedades da Multiplicação de Matriz por escalar
i)
A
A
, AMmn
,, ii)
AAA,AMmn
,, iii)
AB
AB,A,BMmn
, iv) 1AA, AMmn
v) 0A0, AMmn
obs.: 0e 0Mmn
Multiplicação de matrizes
Dadas duas matrizes
n
ij m
n
m a
A [ ] e
p
jk n
p
n b
B [ ] , então:
p
ik m
c C B
A [ ] , onde
n
j
jk ij nk
in k
i k i k i
ik a b a b a b a b a b
c
1 3
3 2 2 1
1 ...
Exemplos
18. Se
22 21
12 11
a a
a
A a e
23 22 21
13 12 11
b b b
b b
B b , então
23 22 21
13 12 11
c c c
c c
C c , onde:
2
1 2 2 1 1
j
jk ij k
i k i
ik a b a b a b
c , isto é:
21 12 11 11
11 a b a b
c
22 12 12 11
12 a b a b
c
23 12 13 11
13 a b a b
c
21 22 11 21
21 a b a b
c
22 22 12 21
22 a b a b
c
23 22 13 21
23 a b a b
c
19. Se
1 1 2
1 3
A 1 e
6 0 2 1
1 1 2 5
1 3 0 4
B , então
24 23 22 21
14 13 12 11
c c c c
c c c
C c ,
onde:
4 3
5 1 1 12111 c12 1
0 3
2 1 2 8 c131
3 3
1 1 0 0 c14 1
1 3
1 1 6 4 c21
2 4 1 5 1 1 2 c22
2 0 1 2 1 2 4 c23
2 3 1 1 1 0 5 c
2 1 1 1 1 6 724
c
Logo
7 5 4 2
4 0 8 C 12
20. Imagine que uma empresa possui duas confeitarias chamadas de A e B, que fabricam três tipos de bolos chamados de 1, 2 e 3.
As vendas de bolos destas confeitarias, por semana, estão apresentadas na tabela que segue:
Confeitaria Bolo tipo 1 Bolo tipo 2 Bolo tipo 3 A 50 unidades 30 unidades 25 unidades B 20 unidades 20 unidades 40 unidades
Para a fabricação destes bolos, são necessários materiais conforme a seguinte tabela:
Bolo Farinha Açúcar Leite Manteiga Ovos Tipo 1 500 g 200 g 500 ml 150 g 4 Tipo 2 400 g 100 g 300 ml 250 g 5 Tipo 3 450 g 150 g 600 ml 0 g 6
Que quantidade destes materiais cada confeitaria deverá receber semanalmente para atender às demandas?
Se a primeira tabela for representada pela matriz
40 20 20
25 30
X 50 e a segunda
tabela pela matriz
6 0 600 150 450
5 250 300 100 400
4 150 500 200 500
Y , a resposta será dada pela matriz
Y X Z :
Confeitaria Farinha Açúcar Leite Manteiga Ovos
A c11 c12 c13 c14 c15
B c21 c22 c23 c24 c25
48250 450
25 400 30 500
1150
c
16750 150
25 100 30 200
12 50
c
49000 600
25 300 30 500
1350
c
15000 0
25 250 30 150
14 50
c
500 6 25 5 30 4
15 50 c
36000 450
40 400 20 500
2120
c
12000 150
40 100 20 200
2220
c
40000 600
40 300 20 500
2320
c
8000 0
40 250 20 150
2420
c
420 6 40 5 20 4
2520
c
Logo a resposta é:
Confeitaria Farinha Açúcar Leite Manteiga Ovos
A 48250 16750 49000 15000 500
B 36000 12000 40000 8000 420
Propriedades da Multiplicação de Matrizes
(Desde que sejam possíveis as operações) i) AI IAA, sendo I a matriz identidade ii) A
BC
ABAC e
AB
C ACBC iii) A
BC
AB
Civ) 0A0 e A00
Observe que em geral ABBA, podendo inclusive um dos membros estar definido e o outro não.
Transposição de matrizes
Dada uma matriz Amn [aij]mnMmn
, denomina-se transposta de A, a matriz:m n ij
T b
A [ ] , cujas linhas são as colunas de A, isto é: bij aji.
Exemplos
21. Se
4 7 1
2 6 9
1 0 3
A , então
4 2 1
7 6 0
1 9 3 AT
22. Se
5 2
4 0
1 3
B , então
1 4 5 2 0
T 3 B
Propriedades da Transposição de Matrizes
i)
AB
T AT BTii)
A
T AT , onde iii)
AT T Aiv)
AB
T BT ATDefinições
Seja A uma matriz quadrada, então:
a) A é dita simétrica, se e somente se, AT A.
Exemplo
23.
5 7 1
7 2 0
1 0 3
A AT A
5 7 1
7 2 0
1 0 3
b) A é dita anti-simétrica, se e somente se, AT A.
Exemplo
24.
0 5 3
5 0 1
3 1 0
A AT A
0 5 3
5 0 1
3 1 0
1.1.3 Alguns exercícios sobre matrizes:
25. Para cada , considere a matriz
sen cos
sen T cos
a) Mostre que TT T
sen cos
sen cos
cos sen
sen T cos
T
=
cos cos sen
sen cos
sen cos
sen
cos sen cos
sen sen
sen cos
cos
T
cos sen
sen cos
b) Ache T
TTT
cos sen
sen cos
cos sen
sen cos
26. Mostre que a soma de duas matrizes simétricas é uma matriz simétrica.
Sejam duas matrizes simétricas A e B. Logo AT A e BT B.
AB
T AT BT AB.27. Mostre que a soma de duas matrizes anti-simétricas é uma matriz anti-simétrica.
Sejam duas matrizes anti-simétricas A e B. Logo AT A e BT B.
AB
T AT BT A
B AB
.28. Mostre que se A é uma matriz quadrada, então AAT é uma matriz simétrica.
AAT
T AT
AT T AT AAAT29. Verifique que o produto de duas matrizes simétricas nem sempre é uma matriz simétrica.
Sejam duas matrizes simétricas A e B. Logo AT A e BT B.
AB
T BT AT BA.30. Se AB0, então podemos afirmar queA0 ou B0? Não! Encontre alguns contra-exemplos.
31. Suponha que A0 e ABAC, então podemos afirmar que B=C ? Não!
C A B
A ABAC0A
BC
0. Sabemos que A0, e que podemos ter A
BC
0 sem que BC0, Logo B não é necessariamente igual a C.32. Considerando o exercício anterior, se existir uma matriz Y tal que YAI, podemos afirmar que B=C ?
Sim ! C A B
A Y
AB
Y
AC
YA
B
YA
C
I B
I CB=C 33. Podemos dizer que a seguinte igualdade
AB
2 A22ABB2é verdadeira?Não!
AB
AB
AAABBABBA2ABBAB234. Podemos dizer que a seguinte igualdade
AB
2A22ABB2é verdadeira?Não!
AB
AB
AAABBABB A2ABBAB21.1.4 Matrizes Elementares
Definição
Chamamos de operações elementares nas linhas de uma matriz, às seguintes operações:
i) a troca da ordem de duas linhas da matriz;
ii) a multiplicação uma linha da matriz por uma constante diferente de zero;
iii) a substituição uma linha da matriz por sua soma com outra linha multiplicada por uma constante diferente de zero.
Definição
Uma matriz elementar é uma matriz obtida por meio de operações elementares nas linhas de uma matriz identidade.
Exemplos
35. Considere a matriz identidade
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
I . Então as matrizes
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 5 0
0 0 0 1
E1 ,
1 0 0 0
0 0 0 1
0 0 1 0
0 1 0 0
E2 ,
1 0 2 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
E3 , são matrizes
elementares obtidas de I, pela aplicação de uma única operação elementar em suas linhas. Se Li representa a i-ésima linha de I, então, estas matrizes foram obtidas da seguinte maneira:
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
2
2 5 L
L
1
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 5 0
0 0 0 1
E
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
3
1 L
L
2
1 0 0 0
0 0 0 1
0 0 1 0
0 1 0 0
E
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
4 2
4 L 2L
L
3
1 0 2 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
E
Teorema
Seja E a matriz elementar obtida fazendo-se uma operação elementar nas linhas de In. Se a mesma operação elementar for feita em uma linha de uma matriz A de ordem nr, então o resultado será igual a EA.
Exemplo
36. Considere as matrizes elementares E1, E2eE3, obtidas conforme segue:
1 0 0
0 1 0
0 0 1
1
1 3 L
L
1
1 0 0
0 1 0
0 0 3
E
1 0 0
0 1 0
0 0 1
3
2 L
L
2
0 1 0
1 0 0
0 0 1
E
1 0 0
0 1 0
0 0 1
3 2
3 L 4L
L
3
1 4 0
0 1 0
0 0 1
E
Considere agora a matriz
1 5 3 2
0 2 4 1
3 0 2 1
A . Verifique que:
1 5 3 2
0 2 4 1
3 0 2 1
1
1 3 L
L
1 5 3 2
0 2 4 1
9 0 6 3
=
1 0 0
0 1 0
0 0 3
1 5 3 2
0 2 4 1
3 0 2 1
1 5 3 2
0 2 4 1
3 0 2 1
3
2 L
L
1 4 2 0 1 5 3 2
3 0 2 1
=
0 1 0
1 0 0
0 0 1
1 5 3 2
0 2 4 1
3 0 2 1
1 5 3 2
0 2 4 1
3 0 2 1
3 2
3 L 4L
L
1 3 13 6
0 2 4 1
3 0 2 1
=
4 1 0
0 1 0
0 0 1
1 5 3 2
0 2 4 1
3 0 2 1
1.1.5 Definição de Matriz como Função
Uma matriz do tipo m n sobre um corpo F é uma aplicação do conjunto X={ (i, j) N N: 1 i m, 1 j n } em F. (N é o conjunto dos números naturais).
Se m = n a matriz é dita matriz quadrada.
Exemplo
37. A aplicação A: X onde X= { (1,1), (1,2), (1,3), (2,1), (2,2), (2,3) }, definida por:
A(1,1) = 1, A(1,2) = 1, A (1,3 ) = 3, A (2,1) = 3, A (2,2) = 4, A (2,3) = 0
é uma matriz do tipo 2 3, isto é: A =
0 4 3
3 1 1
1.2 Determinantes e Matriz Inversa
1.2.1 Determinantes Definições
Se
22 21
12 11
a a
a
A a detAa11a22a12a21
Se
33 32 31
23 22 21
13 12 11
a a a
a a a
a a a
A
31 22 13 32 21 13 31 23 12
33 21 12 32 23 11 33 22
det 11
a a a a a a a a a
a a a a a a a a a A
Definição
Dada uma permutação dos inteiros 1,2,...,n, existe uma inversão quando um inteiro precede outro menor que ele.
Permutação Número de inversões
( 1 2 3 ) 0
( 1 3 2 ) 1
( 2 1 3 ) 1
( 2 3 1 ) 2
( 3 1 2 ) 2
( 3 2 1 ) 3
Definição
Seja A uma matriz quadrada nn.
Então detA
1 Ja j a j a j ...anjn3 2
1 2 3
1
Onde J J(j1,j2,j3,,...., jn) é o número de inversões da permutação(j1,j2,j3,,....,jn) e indica que a soma e estendida para todas as n!
permutações.
Observações
i) o coeficiente
1 Jdá o sinal de cada parcela da somatória.ii) em cada termo existe um e só um elemento de cada linha e um e só um elemento de cada coluna.
iii) Através de reordenações, mostra-se também que: detA
1Jaj1 aj 2 aj3...ajnn3 2
1
Propriedades dos determinantes
i) detAdetAT
ii) Se multiplicarmos uma linha de uma matriz por k, o determinante fica multiplicado por k.
iii) Uma vez permutadas duas linhas de uma matriz, o determinante da mesma troca de sinal.
iv) O determinante de uma matriz que tem duas linhas (ou colunas) iguais é igual a zero.
v) O determinante não se altera se somarmos aos elementos de uma linha, os elementos correspondentes de outra linha multiplicados por uma constante.
vi) det
AB
detAdetBDefinição
Seja A uma matriz quadrada nn. Uma submatriz Aijde A é uma matriz obtida de A eliminando a i-ésima linha e a j-ésima coluna de A.
Exemplo
38. Se
4 3 2
3 0 4
1 2 1
A então
3 2
2 1
A23 ,
0 3 1 2
A31 , etc.
Definição
Seja A uma matriz quadrada nn. O cofator ou complemento algébrico de um elemento aijde A é o número: ij
1ijdetAij.Exemplo
39. Se
4 3 2
3 0 4
1 2 1
A então:
94 3
3 det 0 1 det
11 1 11 2
11
A ,
73 2
2 det 1
1 det
12 3 23 5
23
A , etc.
Desenvolvimento de Laplace
Generalizando:
ijn
j n ij
ij n a
a
1
det para qualquer linha i.
Observação: O desenvolvimento pode também ser feito na variável j:
ijn
i n ij
ij n a
a
1
det para qualquer coluna j.
Exemplo
40. Se
4 3 2
3 0 4
1 2 1
A então calcule detA.
Escolhendo, por exemplo a segunda linha (i=2)
2 21 21 22 22 23 23
3
1
detA a2 j a a a
j j
4 3
1 det 2
1
4 2 1 +
4 2
1 det 1
1
0 2 2
3 2
2 det 1
1
3 2 3
6 3
7 1 05
4
1.2.2 Matriz Inversa
Seja A é uma matriz quadrada n n. Chamamos de matriz inversa de A à uma matriz B, também n n, que satisfaz a seguinte propriedade: ABBAI, em que I In é a matriz identidade n n. Se esta matriz B existir, A será chamada de matriz invertível.
Normalmente a matriz inversa de A é indicada por A1, logo: AA1A1AI
Exemplo
41. Ache a inversa da matriz
4 1
3 A 2
1 0
0 1 4
1 3 2
d c
b
a
1 0
0 1 4
4
3 2 3 2
d b c a
d b c a
0 4
1 3 2
c a
c
a
5
4 a e
5
1
c e
1 4
0 3 2
d b
d
b
5
3
b e
5
2 d
Logo
5 2 5 1
5 3 5 4 A 1
Obs: O mesmo resultado seria obtido fazendo:
1 0
0 1 4 1
3 2 d c
b a
Teorema
Se A é uma matriz invertível, então a sua inversa é única.
Demonstração
Vamos supor que a matriz A possui duas inversas A11 e A21. Logo temos que A
A I A
A 11 11 e AA21I A21A.
Assim
211 2 1
2 1
1 1 2 1
1 1
1 1 1
A I A AA A AA IA A
A .
Portanto A11 A21 e a inversa é única.
Observações
i) Se A e B são matrizes quadradas invertíveis, então AB é também invertível e
AB
1B1A1.ii) Uma matriz quadrada A admite inversa se e somente se detA0. iii) Se A é uma matriz quadrada e detA0, então
A A
det det 1 1 .
Demonstração de (iii)
Sabemos que det
AB
detAdetB. Se A1A I, então temos que
A A
detA detA detIdet 1 1
A A
det det 1 1 .
iv)
A1 1 A.v)
A1T AT 1.Teorema
Seja A uma matriz quadrada. Se uma seqüência de operações elementares nas suas linhas reduz A a I, então a mesma seqüência de operações elementares transforma I em A1.
Demonstração
Se A for linha equivalente a I, podemos conseguir essa redução multiplicando A à esquerda por uma seqüência E1,E2,E3,...,Ek de matrizes elementares. Portanto, temos
I A E E E E
Ek k1.... 3 2 1 . Denotando BEkEk1....E3E2E1, temos BA I. Assim, temos que A é invertível e B A1. Agora, aplicar a mesma sequência de operações elementares em I é equivalente a multiplicar I, à esquerda por Ek Ek1....E3E2E1. O
resultado é Ek Ek1....E3E2E1I BI A1I A1. Desta forma, I é transformada em A1 pela mesma seqüência de operações elementares de linhas.
Logo, a partir deste teorema, podemos usar o seguinte algoritmo para encontrar a matriz inversa de A:
] [AI
. .elem op
] [IA1
Exemplo
42. Ache a inversa da matriz
3 2 1
1 2 1
1 2 1 A
1 0 0 3 2 1
0 1 0 1 2 1
0 0 1 1 2 1
2
1 L
L
1 0 0 3 2 1
0 0 1 1 2 1
0 1 0 1 2 1
1 3 3
1 2 2
L L L
L L L
1 1 0 4 4 0
0 1 1 2 4 0
0 1 0 1 2 1
2
2 4
1L L
1 1 0 4 4 0
4 0 1 4 1 2 1 1 0
0 1 0 1 2 1
2 3 3
2 1 1
4 2
L L L
L L L
1 0 1 2
0 0
4 0 1 4 1 2
1 1 0
2 0 1 2 0 1
0 1
3
3 2
1L L
2 0 1 2 1 1
0 0
4 0 1 4 1 2
1 1 0
2 0 1 2 0 1
0 1
2 3
2 2
1L L L
2 0 1 2 1 1
0 0
4 1 4 1 2 0 1
1 0
2 0 1 2 0 1
0 1
. Assim,
2 0 1 2
1 4
1 4 1 2 1
2 0 1 2 1
A 1 .
Definição
Seja A uma matriz quadrada nn. Então a matriz dos cofatores de A é a matriz A
ij nn.Exemplo
43. Se
1 3
1
A 2 então
2 1
3 1
22 21
12
A 11
Pois
1111 111
,
11 2 3 312
,
11 21 121
,
12 22 222
Definição
Seja A uma matriz quadrada nn. Chama-se matriz adjunta de A, a matriz
ATadjA .
Exemplo
44. Se
1 3
1
A 2 então
2 3
1 1 2
1 3
1 T
adjA
Teorema
Seja A uma matriz quadrada nn, tal que detA0. Então: AadjA
detA
In. Deste teorema podemos concluir que:
A
In adjAA det In A AadjA
det
A A adjA
det
1
1.2.3 Alguns exercícios sobre determinantes e matriz inversa
45. Uma maneira de codificar uma mensagem é através da multiplicação matricial.
Vamos associar as letras do alfabeto aos números, segundo a correspondência abaixo:
A B C D E F G H I J K L M
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
N O P Q R S T U V W X Y Z
14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26
Suponhamos que a nossa mensagem seja “PUXA VIDA”. Podemos formar uma matriz 33 assim:
A D I
V A
X U P
, que usando a correspondência numérica fica: M =
1 4 9
22 0 1
24 21 16
Agora seja C uma matriz qualquer 33 inversível, por exemplo:
C =
1 0 2
2 1 2
0 1 1
Multiplicando nossa matriz da mensagem M por C, obtemos MC:
7 13 3
22 1 45
18 37 22 C
M