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P5_TA(2002)0182
Protecção dos menores e da dignidade humana
Resolução do Parlamento Europeu sobre o relatório de avaliação da Comissão ao Conselho e ao Parlamento Europeu relativo à aplicação da recomendação do Conselho de 24 de Setembro de 1998 sobre a protecção dos menores e da dignidade humana (COM(2001) 106 - C5-0191/2001 - 2001/2087(COS))
O Parlamento Europeu,
– Tendo em conta o relatório da Comissão (COM (2001) 106 – C5-0191/2001),
– Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia e, nomeadamente, os seus artigos 157º e 249º,
– Tendo em conta a Directiva 89/552/CEE do Conselho, de 3 de Outubro de 1989, relativa à coordenação de certas disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados-Membros relativas ao exercício de actividades de radiodifusão televisiva (“Televisão sem Fronteiras”) e, nomeadamente, o seu artigo 22º1,
– Tendo em conta o seu parecer de 13 de Maio de 1998 sobre a proposta de recomendação do Conselho relativa à protecção dos menores e da dignidade humana nos serviços audiovisuais e de informação2,
– Tendo em conta a Recomendação 98/560/CE do Conselho, de 24 de Setembro de 1998, relativa ao desenvolvimento da competitividade da indústria europeia de serviços
audiovisuais e de informação através da promoção de quadros nacionais conducentes a um nível comparável e eficaz de protecção dos menores e da dignidade humana3,
– Tendo em conta a Decisão n° 276/1999/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de Janeiro de 1999, que adopta um plano de acção comunitário plurianual para fomentar uma utilização mais segura da Internet através do combate aos conteúdos ilegais e lesivos nas redes mundiais4,
– Tendo em conta as conclusões do Conselho de 17 de Dezembro de 1999 relativas à protecção dos menores à luz do desenvolvimento dos serviços audiovisuais digitais5, – Tendo em conta a sua Resolução de 5 de Outubro de 2000 sobre o controlo parental dos
programas de televisão6,
1 JO L 298 de 17.10.1989, p. 23. Directiva com a redacção que lhe foi dada pela Directiva 97/36/CE do Parlamento Europeu e do Conselho (JO L 202 de 30.7.1997, p. 60).
2 JO C 167 de 1.6.1998, p. 128.
3 JO L 270 de 7.10. 1998, p. 48.
4 JO L 33 de 6.2.1999, p. 1.
5 JO C 8 de 12.1.2000, p. 8.
6 JO C 178 de 22.6.2001, p. 186.
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– Tendo em conta as conclusões do Conselho de 21 de Junho de 2001 sobre a protecção dos menores e da dignidade humana1,
– Tendo em conta o nº 1 do artigo 47º do seu Regimento,
– Tendo em conta o relatório da Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação, os Meios de Comunicação Social e os Desportos e os pareceres da Comissão das Liberdades e dos Direitos dos Cidadãos, da Justiça e dos Assuntos Internos, bem como da Comissão dos Assuntos Jurídicos e do Mercado Interno)) (A5-0037/2002),
A. Considerando que a responsabilidade pelo bem-estar das crianças cabe, em primeiro lugar, aos seus tutores legais, o que, contudo, não exime de responsabilidades os operadores e difusores de conteúdos audiovisuais nem a legislação,
B. Considerando que a Recomendação do Conselho em apreço foi completada em 1999 com um plano de acção para uma Internet mais segura que apresenta um conjunto coerente de iniciativas para lutar contra os conteúdos ilegais na Internet,
C. Considerando que a auto-regulação da indústria audiovisual provou ser, de uma maneira geral, se correctamente aplicada, um meio eficaz adicional, mas não suficiente, para proteger os menores dos conteúdos nocivos,
D. Considerando que o relatório da Comissão conclui que “passados dois anos, os resultados da aplicação da Recomendação são animadores, ainda que as partes interessadas, e em especial os consumidores, devessem ter sido mais implicados no estabelecimento de códigos de conduta”,
E. Considerando que nem todos os Estados-Membros criaram “linhas directas” para tratar as queixas relativas a conteúdos ilegais e nocivos na Internet, e que apenas cinco Estados- Membros lançaram campanhas para divulgar a existência dessas linhas,
F. Considerando que só existem disposições legais relativas à classificação dos jogos de vídeo e/ou à auto-regulação por parte da indústria em nove Estados-Membros, apesar da rápida proliferação destes produtos ligada à promoção através da Internet e da televisão,
G. Considerando que a maioria dos sítios Web com conteúdos ilegais têm origem em computadores de fora da UE e constatando que, no questionário que constitui a base do presente relatório de avaliação, determinados Estados-Membros manifestaram o seu pesar pela falta de harmonização das legislações nacionais no que se refere à cooperação,
H. Considerando que na Suécia os grandes operadores da Internet criaram departamentos para os casos de abusos e aos quais podem ser dirigidas queixas sobre conteúdos nocivos ou ilegais.
I. Considerando que nos restantes Estados-Membros os jogos de vídeo são actualmente etiquetados em função do sistema de classificação por idades vigente no Estado-Membro do qual são importados,
J. Considerando que a Comissão pode promover a protecção dos menores contra os conteúdos nocivos nos meios audiovisuais, promovendo a troca de experiências e das
1 JO C 213 de 31.7.2001, p. 10.
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melhores práticas, e que poderia ser introduzido em cada Estado-Membro um controlo público mais sistemático, com base em normas mínimas elaboradas pelos Estados- Membros,
K. Considerando que a indústria europeia de jogos de vídeo se empenhou num projecto pan- europeu de auto-regulação,
L. Considerando que a transparência e a possibilidade de um controlo público constituem meios importantes para promover a aplicação da Recomendação,
M. Considerando que segundo a Comissão, “dois anos são talvez um prazo relativamente curto para uma aplicação total da Recomendação”,
1. Toma nota das conclusões do relatório de avaliação da Comissão, de 27 de Fevereiro de 2001, sobre a aplicação da Recomendação do Conselho de 24 de Setembro de 1998 sobre a protecção dos menores e da dignidade humana;
2. Congratula-se com as acções desenvolvidas no âmbito do Plano de Acção para uma Internet mais segura, de 25 de Janeiro de 1999, e solicita à Comissão que prossiga e intensifique estas acções depois de 31 de Dezembro de 2002;
3. Lembra aos Estados-Membros as suas obrigações, nos termos dos artigos 34º, 35º e 36º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, de 20 de Novembro de 1989, no sentido de proteger as crianças de todas as formas de exploração prejudiciais ao seu bem-estar;
4. Solicita aos Estados-Membros que continuem a promover a aplicação da recomendação em causa, a criar "linhas directas" para a denúncia de conteúdos ilegais ou nocivos e a lançar campanhas de sensibilização dos consumidores, especialmente os pais, para os riscos existentes;
5. Reitera a sua convicção de que a protecção dos menores em relação à exposição a conteúdos que, embora legais, podem ser nocivos é, em primeiro lugar, da
responsabilidade dos seus tutores legais, e sublinha a importância de campanhas destinadas a ensinar as crianças e os seus tutores legais a utilizar de forma segura e adequada os meios audiovisuais;
6. Recomenda aos Estados-Membros que consultem os grupos de consumidores, as
associações voluntárias e as organizações não governamentais e que as associem mais à aplicação da Recomendação;
7. Regozija-se com a criação da Associação de Avaliação de Conteúdos da Internet e com o desenvolvimento, por esta associação, de um sistema de classificação susceptível de reflectir valores regionais e individuais;
8. Solicita à Comissão que continue a trabalhar estreitamente com os fornecedores de
conteúdos e as organizações de defesa do consumidor, com vista a controlar as directrizes, nomeadamente no que se refere a serviços em linha, eficiência de códigos de conduta e abordagens de auto-regulação, de forma a garantir as normas mais elevadas em termos de protecção dos menores;
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9. Regozija-se com o aparecimento, nos Estados-Membros, de organismos de auto-regulação dos fornecedores, insiste novamente na necessidade de tais organismos e solicita à
Comissão que fomente e apoie a ligação em rede dos organismos de auto-regulação dos Estados-Membros e o intercâmbio de experiências entre estes;
10. Constata que as medidas técnicas não podem substituir a responsabilidade dos
fornecedores de serviços em relação aos conteúdos pelos quais são responsáveis e que, por conseguinte, a fim de proteger os menores de conteúdos nocivos, não se pode renunciar à obrigação jurídica que impende sobre os fornecedores de respeitar determinadas
disposições;
11. Solicita aos Estados-Membros que promovam a classificação dos jogos de vídeo através de mecanismos de auto-regulação criados pela indústria, como opção preferencial, e, em alternativa, mediante a introdução de normas-padrão mínimas acordadas quanto a conteúdos e promoção, e que informem os utilizadores através de campanhas de informação de grande difusão;
12. Solicita à Comissão que promova a criação de sistemas de filtragem de simples utilização e preço acessível para apoiar eficazmente o controlo, por parte dos pais, da utilização tanto da Internet como dos meios de comunicação audiovisuais;
13. Solicita aos Estados-Membros o desenvolvimento de uma abordagem que estabeleça critérios comuns para uma descrição comparativa dos conteúdos audiovisuais, com a participação dos fornecedores, dos consumidores, dos organismos nacionais e regionais competentes para a protecção dos menores e de cientistas, devendo a avaliação dos conteúdos manter-se a nível nacional ou regional, nomeadamente devido às diferenças culturais, e os sistemas de avaliação para os diversos meios de comunicação ser objecto de uma maior harmonização;
14. Solicita aos Estados-Membros que incluam no sistema de ensino, desde a pré-primária, a transmissão de competências em matéria de meios de comunicação, para que os
consumidores possam utilizar os meios de comunicação orientando-se pelos valores da sociedade e desenvolver uma capacidade de discernimento neste domínio (em particular, deve ser incluída nos programas escolares a familiarização com os meios de comunicação, de modo a que os menores aprendam a utilizar conscientemente os produtos mediáticos);
15. Solicita aos Estados-Membros que encoragem os fornecedores de serviços Internet que operam no seu território a criar “linhas directas” para acolher as queixas relativas aos conteúdos ilegais e nocivos, e que chamem a atenção para a existências dessas linhas nos contratos que celebram com os utentes;
16. Considera que a cooperação e a parceria entre a indústria da Internet, os governos e as autoridades nacionais e regionais constitui o modo mais eficaz de combate contra os conteúdos ilegais e nocivos da Internet e manifesta a sua preocupação pelo facto de que as recentes decisões ou estratégias para bloquear o acesso a certos conteúdos de websites possam ter como consequência uma fragmentação do acesso à Internet ou impedir o acesso a conteúdos legais e esta não ser, por conseguinte, uma solução europeia eficiente de combate contra os conteúdos ilegais e nocivos da Internet;
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17. Pede à Comissão que continue a promover a aplicação da Recomendação facilitando, a nível comunitário, a troca de experiências e de boas práticas em matéria de protecção dos menores em todos os meios audiovisuais;
18. Regozija-se com a intenção da Comissão de apoiar a elaboração de um estudo de avaliação dos filmes difundidos através do cinema, da televisão, do DVD ou de cassetes vídeo na União Europeia e nos Estados membros do EEE;
19. Sublinha a necessidade de uma maior cooperação europeia e internacional na luta contra os conteúdos ilegais, e solicita à Comissão que desenvolva iniciativas adequadas e que
elabore propostas de como deve ser melhorada a cooperação entre as autoridades judiciais e outras a nível europeu e internacional;
20. Solicita à Comissão que elabore um outro relatório no momento apropriado e de preferência antes de 31 de Dezembro de 2002 sobre a aplicação da Recomendação e solicita, além disso, no interesse da transparência, um outro relatório que descreva, no futuro, a aplicação da Recomendação em cada um dos Estados-Membros;
21. Encoraja o consórcio DVB a desenvolver sistemas fiáveis de filtragem e de classificação para a radiodifusão digital;
22. Solicita aos Estados-Membros que controlem as normas aplicáveis à instalação e utilização de "chat rooms" na Internet, nos casos em que estes ameacem a dignidade humana dos menores, e o modo como são publicitados pelos operadores;
23. Encarrega a Presidente do Parlamento de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão e aos governos dos Estados-Membros.