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Estud. av. vol.17 número47

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Academic year: 2018

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U

rbanização d

C

R I A Ç Ã O

arquitetura

A s f av e l as Jard i m F l o re s t a

e I m b u ias I, n a C ap ela d o S o c o r r o ( R e g i ã o S u l d e

S ã o P a u l o ), i n t e g r a m o p r o j e t o d e u r b a n i z a ç ã o

e l a b o r a d o p e l o arq u i t e t o

P au l o B as t o s e e q u i p e , d e

u m co n ju n t o d e q u at ro f

a-ve l as d o P ro g ram a G u

ara-p i ran g a; a p ri m e i ra f av e -l a est á co m su as o b ras t

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ESTU DO S AVANÇADO S 17 (47), 2003 2 1 3

o de favelas

PA U L O BA ST O S

O PRO JETO de urbanização do conjunto

de favelas por nós elaborado para o Pro-grama Guarapiranga, a postura assumida, considerada como responsabilidade fundamental do arquiteto, foi a de trabalhar com os moradores desde a concepção, fazendo com que participassem da formulação dos seus próprios espaços públicos e familiares, assimilando o conteúdo dos proble-mas a enfrentar e discutindo as alternativas para uma possível solução.

Dessa forma, a necessidade de transferência dos assentados em áreas de risco para outros locais da favela, o alargamento ou abertura de vielas, com impacto em várias habitações – para possibilitar acessos adequados a todos – e a proposta de criação de espaços de convivência coletiva, foram assimi-lados pela comunidade em um processo de dis-cussão pelo qual se objetivava a consolidação de incipientes princípios de organização, habilitando a comunidade a participar da con st ru ção dos

espaços criados e, posteriormente, de sua gestão.

Autogestão, portanto.

O corte das verbas (previstas) necessárias à condução desse processo interrompeu sua conti-nuidade, frustrando uma experiência rica e pro-missora que visava, também, a resgatar o repertó-rio cultural de cada grupo (usos, costumes, culi-nária etc.) como parte importante no reconheci-mento de sua identidade.

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No caso de Imbuias I, o projeto propôs a canalização do córrego São José, afluente importante da represa, ao longo do qual se desenvolveu e se con-solidou a favela, e da linha d’água que nele desemboca, para dotá-la de um eixo central de acessibilidade, com as mesmas características do sistema ado-tado no Jardim Floresta, inclusive em relação à coleta e ao despejo de águas pluviais e esgotos. O s troncos de abas-tecimento de água potável e as redes de força e iluminação acompanham tam-bém a linha das canalizações.

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À medida, porém, que a urbanização foi implantada, os trechos de encosta, antes abandonados e incorporados pelo projeto às áreas públicas, foram ocupados pelos moradores.

U ma negociação bem-sucedida, conduzida pelas equipes de acompa-nhamento social da Prefeitura, conseguiu recuperar tais áreas, onde, então, foram projetados equipamentos urbanos dedicados ao uso da comunidade. U ma celebração simbólica deste fato dar-se-ia com sua participação na cons-trução e na pintura de uma parede-brinquedo sinuosa, que permite a escalada e a travessia das crianças por meio de fendas e seteiras, espetáculos de bonecos através de uma janela proposta para esse fim, bem como rabiscos a giz de caras e roupas nos vultos humanos nela desenhados. Como parte significativa dessa celebração, em um grande setor da superfície da parede, pretende-se que as pessoas imprimam em cores diversas a marca de sua própria mão, ins-crevendo e esins-crevendo nela o respectivo nome, como uma espécie de tomada de posse comunitária da favela urbanizada.

Em ambos os assentamentos, para os removidos das áreas de risco, fo-ram propostas novas habitações, com tipologias diversas, de modo a atender programas familiares diferenciados e condições topográficas desfavoráveis. Paisagisticamente, o elemento mais importante é a arborização, formada por espécies frutíferas.

Assim, mais do que em um projeto de saneamento, trabalhou-se em um projeto de identificação da comunidade organizada com seu próprio espaço, abrindo a possibilidade de que ela também assumisse, em sua inserção ur-bana, uma identidade cultural específica.

Paulo Bastos, arquiteto, é professor-titular da Faculdade de Arquitetura da U niversidade Católica de Santos.

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