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Monetização de aplicações web

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Academic year: 2021

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VALMOR R. MACHADO NETO

MONETIZAÇÃO DE APLICAÇÕES WEB: ESTRATÉGIAS E MODELOS ATUAIS

Palhoça 2010

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VALMOR R. MACHADO NETO

MONETIZAÇÃO DE APLICAÇÕES WEB: ESTRATÉGIAS E MODELOS ATUAIS

Trabalho apresentado ao Curso de Sistemas de Informação da Universidade do Sul de Santa Catarina como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Sistemas de Informação.

Orientador: Prof. Msc. Marcelo Medeiros

Palhoça 2010

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VALMOR R. MACHADO NETO

MONETIZAÇÃO DE APLICAÇÕES WEB: ESTRATÉGIAS E MODELOS ATUAIS

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Sistemas de Informação e aprovado em sua forma final pelo Curso de Sistemas de Informação da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça, 16 de junho de 2010.

______________________________________________________ Professor e orientador Marcelo Medeiros, Msc.

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Professor Julíbio David Ardigo, Dr.

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Consultor Fernando Barcellos Ximenes.

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Dedico este trabalho aos meus pais, ao meu irmão e aos meus avós pela educação e crescimento moral e ético. A minha esposa pelo carinho e parceria na realização de objetivos pessoais. E aos professores e amigos que fizeram parte do meu crescimento profissional.

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AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador, Marcelo Medeiros, pela dedicação dispensada, análise crítica e suporte no encaminhamento do trabalho.

Aos membros da banca, Fernando Ximenes e Julíbio Ardigo, pelas observações, críticas, elogios e principalmente pelo interesse e dedicação em contribuir no trabalho.

Aos diversos autores de blogs, que permitiram a colaboração de informações indispensáveis para a elaboração deste trabalho.

Ao professor Alfredo Gentil Costa, pelo tempo despendido na transcrição do resumo para o inglês.

Aos amigos, sócios e professores que tive oportunidade de conviver e aprender durante esses quatro anos.

Aos meus pais, Valmor Machado e Cristiane Machado, por toda a educação, valores transmitidos e o constante incentivo que deram aos estudos.

A minha esposa, Manuela Munhoz, pela paciência e apoio durante essa jornada. A toda minha família e amigos que contribuíram de forma direta ou indireta no desenvolvimento deste trabalho.

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RESUMO

A proposta principal deste trabalho é apresentar os fatores que envolvem o conceito de monetização de aplicações web, buscando, com isso, auxiliar na gestão durante a escolha dos modelos que viabilizem a sustentabilidade financeira do negócio. Para tanto, faz-se necessário, primeiro, entender os assuntos pertinentes à gestão estratégica e empreendedorismo, bem como conhecer os modelos de negócio e de monetização mais utilizados atualmente. Dessa forma, é realizada uma abordagem teórica, nos primeiros capítulos e em seguida é apresentado o desenvolvimento da proposta. Chegando aos três principais fatores da monetização: Modelo de Negócio, Popularidade e Valor Agregado ao serviço ou produto. Para verificar na prática a relação entre esses fatores e a monetização, são analisadas cinco startups, de diferentes categorias: Sell-a-Band (Áudio e Música); Flickr (Foto e Vídeo); Basecamp (Produtividade e Organização); Mahalo (Pesquisa e Referência) e Twitter (Social e Publicação). Assim, com essas abordagens práticas, foi possível alcançar os objetivos da proposta, de forma a apresentar conclusões plausíveis sobre a monetização de aplicações web.

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ABSTRACT

The main proposition of this work is to present the factors that involve the concept of monetization of web applications. Through it, we aim at helping in the management during the process of choosing the models which will make it possible to achieve financial sustainability of the business. In order to achieve such a goal, it is necessary in the first place to understand the aspects that belong in strategic management and entrepreneurship, as well as knowing the models of businesses and of monetization that are more widely used currently. Thus, a theoretical approach is used in the first chapters and, after that, the development of the proposition is presented, and then we reach the three main monetization factors: Model of Business, Popularity and the Value which is Aggregated to the service or product. In order to actually verify the relationship between these factors and monetization, we analyse five startups, of distinct categories: Sell-a-Band (audio and music); Flickr (photo and video); Basecamp (Productivity and Organization); Mahalo (Research and Reference) and Twitter (Social and Publication). Thus, through such practical approaches, it was possible to reach the goals of the proposition, in a way that enabled us to present plausible conclusions about the monetization of web applications.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Evolução histórica das aplicações web pela complexidade. ... 20

Figura 2 – Curva entre a popularidade e quantidade de produtos. ... 25

Figura 3 – As quatro formas do grátis... 28

Figura 4 – Relação entre os fatores da monetização de um negócio na web. ... 52

Figura 5 – Interseção dos fatores da monetização de um negócio na web. ... 54

Figura 6 – Usuários que pagariam por conteúdo pago na web. ... 55

Figura 7 – Perfil dos consumidores que pagariam ou não por jornais e revistas não impressos. ... 56

Figura 8 – Custo de entrega dos Correios versus prazo. ... 57

Figura 9 – Exemplo do perfil de um artista do site SellaBand ... 63

Figura 10 – Porcentagem dos acessos por país do site SellaBand. ... 64

Figura 11 – Tela de visualização de uma foto no Flickr. ... 67

Figura 12 - Porcentagem dos acessos por país do site Flickr. ... 68

Figura 13 – Página inicial do Flickr ... 70

Figura 14 – Página inicial de um projeto no Basecamp. ... 72

Figura 15 - Porcentagem dos acessos por país do site Basecamp. ... 73

Figura 16 – Planos para utilização do Basecamp. ... 74

Figura 17 – Página inicial do site Mahalo.com ... 75

Figura 18 – Página da inicial da seção Mahalo Answers. ... 77

Figura 19 - Porcentagem dos acessos por país do site Mahalo. ... 79

Figura 20 – Endereços visitados pelos usuários antes de acessar o site Mahalo. ... 80

Figura 21 – Exemplo da página do perfil de um usuário no Twitter. ... 81

Figura 22 – Pagina inicial do usuário no Twitter. ... 82

Figura 23 – Fluxo da utilização do Twitter ... 83

Figura 24 - Porcentagem dos acessos por país do site Twitter ... 84

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Crescimento do total de sites em todos os domínios de 1995 a 2010. ... 13

Gráfico 2 - Estatísticas dos modelos de negócios mais utilizados em aplicações web. ... 48

Gráfico 3 – Visitante únicos do site SellaBand. ... 64

Gráfico 4 – Visitantes únicos do site Flickr. ... 68

Gráfico 5 - Visitantes únicos do site Basecamp. ... 73

Gráfico 6 – Visitantes únicos do site Mahalo.com ... 78

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1 INTRODUÇÃO ... 12 1.1 PROBLEMA ... 16 1.2 OBJETIVO ... 16 1.2.1 Objetivo geral ... 17 1.2.2 Objetivos específicos ... 17 1.3 JUSTIFICATIVA ... 17 1.4 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ... 18 2 APLICAÇÕES WEB ... 20 2.1 WEB 2.0 ... 23

2.2 O FENÔMENO CAUDA LONGA ... 25

2.2.1 Surgimento ... 26

2.2.2 Impactos ... 26

2.3 A ECONOMIA DO GRÁTIS ... 26

2.4 O FUTURO DA WEB 2.0 ... 29

3 EMPREENDEDORISMO E GESTÃO DE NEGÓCIOS NA WEB ... 31

3.1 O QUE É UM MODELO DE NEGÓCIO? ... 32

3.2 O QUE UM PLANO DE NEGÓCIO? ... 34

3.3 INVESTIMENTOS EM STARTUPS NO BRASIL ... 36

3.4 MODELOS DE NEGÓCIO NA WEB 2.0 ... 37

3.5 MODELOS DE MONETIZAÇÃO ... 42

3.5.1 Receita imediata ... 43

3.5.2 Rendimento a longo prazo ... 45

3.5.3 Meta modelos ... 46

3.6 POPULARIDADE DOS MODELOS DE MONETIZAÇÃO ... 47

4 MÉTODO ... 49

4.1 CLASSIFICAÇÃO DO TIPO DE PESQUISA ... 49

4.2 ETAPAS DA PROPOSTA ... 50

4.3 DELIMITAÇÃO ... 50

5 FATORES DA MONETIZAÇÃO NA WEB ... 52

5.1 PELO QUE O USUÁRIO ESTÁ DISPOSTO A PAGAR? ... 55

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6.1.1 SellaBand ... 62 6.2 FOTO E VÍDEO ... 65 6.2.1 Flickr ... 65 6.3 PRODUTIVIDADE E ORGANIZAÇÃO ... 71 6.3.1 Basecamp ... 71 6.4 PESQUISA E REFERÊNCIA ... 75 6.4.1 Mahalo ... 75 6.5 SOCIAL E PUBLICAÇÃO ... 80 6.5.1 Twitter ... 80 7 CONCLUSÕES DA ANÁLISE ... 86

7.1 EXISTE O MODELO DE MONETIZAÇÃO IDEAL? ... 87

8 CONCLUSÃO ... 88

(13)

1 INTRODUÇÃO

Modelos de monetização, redes sociais, aplicativos web, web 2.0, fenômeno cauda longa, capital social. Afinal o que são e qual a importância em compreender todo este contexto para uma startup1? Segundo Ana Taborda (2006), as startups (ou start-ups) são empresas novas que estão em fase de implementação e organização de suas operações. Dinâmicas e com alto e potencial de crescimento, estão ligadas ao desenvolvimento de idéias inovadoras. Normalmente são empresas pequenas de base tecnológica que podem nem, sequer, ter iniciado a comercialização de seus produtos ou serviços. Alguns exemplos de startups de sucesso, no mercado internacional e nacional, são Google (com seu serviço de buscas inovador), MySpace, Facebook, Twitter, PayPal, Camiseteria e Boo-box.

Quando surgiu a Worl Wide Web (WWW), ou simplesmente web, as páginas na internet não passavam de um conjunto de links e textos estáticos que deveriam estar, constantemente, atualizados pelos webmasters. Hoje inclusive este nome está em desuso. O conceito da dependência de um webmaster define o que a internet era até meados dos anos 90. Após o surgimento de tecnologias como PHP (1994), Microsoft ASP (1995), Java Servlets (1996) e JSP (1999), a internet começou a disponibilizar aplicações com alto poder computacional, graças à lei de Moore2, possibilitando o desenvolvimento de sistemas completos e mais complexos.

Nessa época os investidores começam a despertar interesse pelo novo tipo de mercado. Aí surge a então conhecida “Bolha da Internet”, proveniente da valorização excessiva de empresas de internet e áreas relacionadas. Muitos empreendedores tiveram sucesso temporário com os investimentos em razão ao fluxo da nova economia e à disponibilidade de capital, que surgiu após a Netscape realizar um IPO (initial public offering ou oferta publica inicial) e fazer com que trilhões de dólares fossem gerados em investimentos na internet. O exagero nesses investimentos fez com que em 2000 houvesse o estouro da

1

Startup é um termo inglês que significa “inicialização”. A expressão tornou-se comum nos Estados Unidos para

2

Lei de Moore (batizada em homenagem ao seu criador em 1965) foi criada por Gordon E. Moore, um dos fundadores da Intel, quando afirmou que o número de transistores em um circuito integrado dobraria a cada 18 meses (ROTHMAN, 2009). Até então a Lei de Moore vem se confirmando na produção de processadores cada vez menores. Existe uma pesquisa, realizada pela empresa iSuppli, especulando que em 2014 será o fim da constatação de Moore pelo fato de que o tamanho dos semicondutores atingiria o limite físico, cerca de 20 nanômetros, porém já existem estudos para a produção de semicondutores menores que 20 nanômetros. (MESQUITA, 2009)

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bolha, que marcou um período de baixas, onde muitas empresas faliram. Mas no final das contas isso tudo colaborou para a popularização da internet como a conhecemos hoje.

Graças à evolução e popularização das aplicações web, após o estouro da bolha os investimentos em novos negócios cresceram na ordem de 8% ao ano, segundo Carlos Ferreira, diretor de inovação da Microsoft (FERRARI, 2008). Ele afirma, ainda, que em 2007, foram quase 15 bilhões de dólares investidos em cerca de 1530 negócios na área de software.

Os investimentos acompanharam o crescimento de usuários. Somente no Brasil houve um aumento de 75,3% de usuários na internet nos últimos três anos, segundo noticia no site IDG Now a partir de fontes do IBGE de 2008 (FELITTI, 2009). Ou seja, 34,8% do país usaram a internet no período da pesquisa, cerca de 56 bilhões de pessoas. E no mês de fevereiro deste ano (2010) já são cerca de 67,5 milhões, segundo pesquisa do Ibope Nielsen Online. Um aumento de 8,9% comparando ao mesmo período do ano passado.

Nota-se, portanto, a crescente popularização da internet no país e no mundo e pode-se levantar estatísticas de diversas formas para comprovar que o mercado para negócios na internet é muito atrativo. O gráfico abaixo facilita a compreensão do crescimento da internet, mostrando crescimento de sites criados durante o período de agosto de 1995 a maio de 2010.

Gráfico 1: Crescimento do total de sites em todos os domínios de 1995 a 2010. Fonte: NETCRAFT (2010)

No entanto, apesar de tantos possíveis clientes (usuários da internet), a questão da monetização (ou seja, conseguir transformar em lucro a audiência de milhares de pessoas) ainda é um problema para a maioria das startups.

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Monetizar, segundo Edney Souza (2007), vem do francês monétiser, usado em 1825, de monaie (moeda) sob a forma radical monet (do latim moneta) e iser. Monetizar é verbo transitivo direto e segundo o Aulete3 (2010) pode ter dois significados:

 Converter em dinheiro metais preciosos, títulos, imóveis.  Converter metal em moedas; amoedar; cunhar.

O termo foi utilizado em português pela primeira vez em 1890, datação de Antônio Geraldo da Cunha, Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, 1982. (SOUZA, 2007)

Monetização é substantivo feminino, significa ato ou efeito de monetizar. O termo mais correto para se referir à monetização de aplicações web, seria capitalização, ou capitalizar, que segundo o iDicionário Aulete (2010) significa converter em capital ou dinheiro. Porém ao longo deste trabalho foi escolhido monetizar por ser o termo mais difundido na mídia para abordar este assunto, assim como o equivalente em inglês monetization.

Como em qualquer relação comercial, a sobrevivência de uma startup está diretamente relacionada à captação do cliente, que é imprescindível para se aplicar um modelo de monetização. Com a popularização da internet e a redução no seu custo operacional, a forma de administrar um negócio na web e torná-lo rentável mudou consideravelmente nos últimos anos, principalmente quando as empresas passaram a disponibilizar seus serviços gratuitamente. Isso determina uma mudança no conceito tradicional de cliente, que agora é chamado de tráfego ou audiência.

Por isso é preciso aplicar novas estratégias, diferentes das utilizadas em empresas de software comumente chamadas de fábrica de software. Kotler define uma boa estratégia da seguinte maneira:

A boa estratégia é uma síntese sem igual de características, design, qualidade, serviços e custo. Constrói-se uma estratégia invejável quando ela demarca uma posição de mercado vantajosa e inimitável pelos concorrentes (KOTLER, 2003, p.65).

3

Aulete é um dicionário web ou iDicionario, lançado em 2008 e mantido pela equipe editorial do Caldas Aulete da editora Lexikon. Acessivel pelo endereço www.aulete.uol.com.br. (AULETE, 2010)

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A partir deste conceito podemos dizer que disponibilizar um bom serviço inovador gratuitamente, pode ser uma estratégia para gerar tráfego e capital social. E será a partir deste tráfego que poderá ser aplicado um modelo de monetização ideal para gerar capital.

No “ecossistema” de aplicativos web, grandes idéias podem tornar-se serviços de alta popularidade muito rapidamente. E sabendo utilizar de uma boa estratégia para monetizar, é capaz de gerar capital suficiente para garantir a sustentabilidade da empresa quase que eternamente. E isto pode ser verificado com empresas como Google, Yahoo, Facebook, entre outras. Só a Google chegou a um faturamento de 5,52 bilhões de dólares no segundo semestre do ano passado (IDGNOW, 2009) e o site de relacionamentos Facebook, foi avaliado em 15 bilhões de dólares (TEIXEIRA, 2007).

Grande parte destas empresas surgiu de serviços simples e úteis, tornando-se tão populares que acabaram por fazer parte da cultura de quem utiliza a internet. E é partir deste ponto que a empresa pode tornar-se valiosa, tanto financeiramente quanto socialmente.

O termo capital social, segundo Juliano Spyer (2007) tem a seguinte origem:

Capital Social – Termo cunhado pela urbanista norte-americana Jane Jacobs e desenvolvido pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. Parte da idéia de que existem três formas de capital: econômico, cultural e social. Este último se refere ao valor das redes de contatos de um indivíduo, dentro de organizações ou da própria sociedade. Uma pessoa que cultiva muitos relacionamentos tende a ter mais facilidade para resolver problemas do que um desconhecido. Igrejas, irmandades, vizinhanças e também comunidades virtuais são exemplos de capital social. (SPYER, 2007).

Existe ainda, a popularização do termo whuffies como referência ao capital social. Segundo Cris Dias (2009, p.10), “o termo foi cunhado pelo escritor canadense Cory Doctorow no seu livro de ficção-científica „Down and Out in the Magic Kingdom‟, de 2003”. Nas redes sociais whuffies é como o dinheiro e significa a sua influência social on-line, ou o quanto você é importante ou relevante para uma determinada comunidade. Para a rede de relacionamentos de uma pessoa, a filosofia do capital social, ou whuffie, é a do compartilhamento de informações, quanto mais informações relevantes sobre algo você puder compartilhar, mais capital social você irá adquirir. Existem, inclusive, livros que tratam especificamente deste assunto. Um deles é o da escritora canadense Tara Hunt: “The Whuffie Factor: Using the Power of Social Networks to Build Your Business” (O Fator Whuffie: Usando o poder das redes sociais para construir o seu negócio).

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Geralmente negócios que envolvem capital social, como redes de relacionamento, acabam se popularizando rapidamente. Vemos o Twitter, por exemplo, onde a popularidade foi tanta que em março de 2009 o numero de usuários passou o do site New York Times, que registra uma média de 17,5 milhões de usuários por mês (LEAL, 2009). Em dezembro de 2009 o numero de usuários chegou a quase 80 milhões (SALEEM, 2010). Este serviço hoje já faz parte da “vida na internet” de muita gente e empresas. Ele gerou um padrão de comunicação social que muitas empresas são obrigadas a seguir para não ficarem para trás no mercado.

De forma geral, este trabalho buscou identificar todo este cenário, desde os modelos de monetização mais utilizados e características dos serviços disponibilizados (seja um blog, website informativo, ferramenta web ou rede social). Para que com isso, possa ser utilizado como referência no desenvolvimento de estratégias para monetização de aplicações web, assim como para pesquisas futuras na área.

1.1 PROBLEMA

Quais os caminhos comumente utilizados para uma startup monetizar (gerar recurso financeiro, capitalizar) uma aplicação web (blog, website informativo, ferramenta web ou rede social)?

1.2 OBJETIVO

A seguir são apresentados os objetivos deste trabalho, na forma de objetivo geral e específicos.

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1.2.1 Objetivo geral

Apresentar os principais fatores que envolvem a monetização de aplicações web.

1.2.2 Objetivos específicos

Com este trabalho pretende-se adicionalmente:

 Apresentar os modelos de monetização mais utilizados atualmente em aplicações web;

 Analisar o funcionamento e os principais modelos de negócios de cinco startups de base tecnológica: Sellaband, Flickr, Mahalo, Basecamp e Twitter.

1.3 JUSTIFICATIVA

O mercado de negócios na web tem provado ser um investimento capaz de gerar lucros com baixo capital inicial e perspectivas de crescimento em curto prazo. As startups, como são conhecidas as empresas embrionárias geralmente focadas em inovações, costumam ser as principais produtoras de aplicativos web de sucesso. Porém nem todas conseguem manter-se na “maré” das tendências, que está cada vez mais diversificada, e aproveitar para gerar o máximo de recurso financeiro e social.

As tendências, quase que imprevisíveis, são o maior vilão e ao mesmo tempo a melhor oportunidade para os empreendedores conquistarem um espaço no mercado. Visto que o sucesso está relacionado a uma boa gestão, faz-se necessário conhecer os modelos de negócio e de monetização mais utilizados, tanto em negócios já estabilizados quanto em negócios que estão em crescimento, para nortear a elaboração de um plano e das estratégias a serem executadas.

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De forma resumida, um modelo de negócio consiste na descrição e função desempenhada pelo negócio, ou seja, o que é e por quê.

É neste sentido que é proposto o levantamento dos modelos de monetização de aplicações web e estratégias de negócio mais utilizadas atualmente.

1.4 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO

O trabalho está estruturado em mais sete capítulos, além deste primeiro capítulo introdutório.

No capítulo 2, é realizada a revisão bibliográfica dos principais conceitos abordados na dissertação, como: o que é uma aplicação web, passando por sua evolução histórica; o que é a web 2.0, abordando características e prospecções futuras; e por fim, assuntos relacionados às mudanças no mercado, como o efeito cauda longa e a teoria do grátis.

No capitulo 3 é realizado a apresentação de conceitos envolvidos na gestão de negócios na web. É exposto, de forma geral, o que é um modelo de negócio, plano de negócio e as formas de obter investimento em startups no Brasil. Bem como também são listados os modelos de negócio na web e os modelos de monetização existentes, explicando sucintamente cada um.

No capitulo 4 é descrito o método e classificação da pesquisa. De forma a explicar como foi elaborado o desenvolvimento dos capítulos que o seguem.

No capitulo 5 é apresentado o estudo referente aos fatores que envolvem a monetização de aplicações web, bem como suas características. Dentro do contexto da monetização, também é realizado um estudo sobre pelo que os consumidores estão dispostos a pagar, de acordo com as necessidades comuns do ser humano.

No capítulo 6 é realizada a análise de cinco aplicações web populares e curiosas, com modelos de negócio diferentes. Todos são analisados de forma a explicar os serviços, analisar a popularidade e identificar os modelos de monetização aplicados.

No capitulo 7 é elaborada uma conclusão acerca dos resultados obtido na analise das startups, bem como responder a questão: existe um modelo de monetização ideal? Constituindo, dessa forma, uma fundamentação para a conclusão final do trabalho.

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No capítulo 8 é apresentada a conclusão da dissertação, com uma avaliação geral dos objetivos do trabalho.

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2 APLICAÇÕES WEB

Após o estouro da bolha da internet, no final da década de 90, começaram a surgir tecnologias que permitiram a evolução contínua das chamadas, “páginas de internet”. Como o PHP, Microsoft ASP, Java Servlets e JSP. Porém muitas dessas páginas ainda eram basicamente estáticas, com pouca ou quase nenhuma integração com sistemas gerenciadores de banco de dados, além de pouca atração visual e interação com usuário.

A evolução das ferramentas e tecnologias capazes de manipular a informação de forma mais rápida e eficiente possibilitou que estas páginas passassem a se comportar como verdadeiros softwares na internet, ou simplesmente aplicações web, aumentando, dessa forma, sua complexidade, conforme a figura abaixo:

Figura 1 - Evolução histórica das aplicações web pela complexidade. Fonte: KAPPEL (2006, p.5).

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Tendo a linha horizontal como o tempo decorrido historicamente e a linha vertical representando a complexidade técnica das aplicações web, a seguir é feito a descrição das categorias evolutivas apresentadas na figura 1, segundo os autores Gerti Kappel, Birgit Proll, Siegfried Reich e Werner Retschitzegger (2003):

Inicialmente surgiram as páginas centradas em documentos (Document-Centric), que são paginas com conteúdo estático, como um website com textos fixos e links previamente inseridos pelo desenvolvedor.

Logo após, vieram as aplicações interativas (Interactive), que possibilitavam uma navegação mais dinâmica com os usuários, gerando resultados de acordo com as ações executadas. Como por exemplo, a ação de selecionar, em um menu, uma data específica para filtrar artigos em um site de notícias.

Mais à frente surgiram as aplicações transacionais (Transactional), que passaram a, além de mostrar conteúdos dinâmicos, também permitir inclusão de dados no banco. Como por exemplo, um site de um hotel que permite aos usuários, preencher um formulário para fazer reservas.

As aplicações web baseadas no fluxo de trabalho (Workflow-based) consistem em aplicações elaboradas para automação dos processos de negocio das atividades de uma empresa, entidade publica ou usuários privados. Por exemplo, sistemas internos de uma empresa como controle de consultas de pacientes de uma clínica odontológica.

Posteriormente surgiram as aplicações colaborativas (Colaborative), que consistem em aplicações voltadas ao trabalho em grupo para gerar e compartilhar informações entre os usuários. As aplicações web de redes sociais (Social) fazem parte desta categoria, uma vez que o foco é a colaboração. Os blogs e salas de bate-papo são exemplos destas categorias evolutivas, onde existe a criação e compartilhamento de conteúdo, bem como a interação entre usuários.

Nota-se que no caso das aplicações web do tipo portal (Portal Oriented), a evolução histórica, não acompanhou a complexibilidade. No entanto seu surgimento vem da necessidade de centralizar conteúdos específicos de determinado assunto. Empresas que possuem diversos produtos espalhados pela web, por exemplo, necessitaram criar portais para centralizar o acesso aqueles serviços.

Uma das evoluções de grande importância é o surgimento das aplicações web ubíquas (Ubiquitou), que consiste em serviços disponíveis para qualquer dispositivo a qualquer momento. Por exemplo, um serviço baseado em localização pelo celular.

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Por fim, temos a web semântica (Semantic Web) como última categoria da evolução histórica, ainda em crescimento. A web semântica consiste em apresentar conteúdos, de acordo com a preferência dos usuários, de forma automática através da interpretação dos dados coletados pelo sistema. Uma utilização já existente da web semântica é o uso de informações capturadas para gerar sistemas de recomendação, como por exemplo, em uma loja virtual oferecer produtos relacionados ao gosto do cliente, observando itens visitados, palavras buscadas e banners clicados.

Nesse contexto, assim como para Pressman (2006, p. 379), o termo “aplicação web” será tratado neste trabalho como um software rodando em um servidor, disponível na internet, intranet ou extranet. Desde uma simples página contendo notícias ou conteúdo dinâmicos, a um complexo site que ofereça serviços de compra e venda de produtos on-line.

Para Powell (apud PRESSMAN, 2006), a principal diferença entre uma aplicação web e um software comum é a sua capacidade de integrar várias formas de divulgação e apresentação das informações.

Os autores Gerti Kappel, Birgit Proll, Siegfried Reich e Werner Retschitzegger (2006) definem como:

Um aplicativo da Web é um software baseado em tecnologias e padrões da World Wide Web Consortium (W3C), que prove recursos específicos da Web, tais como conteúdo e serviços através de uma interface com o usuário, o browser. (KAPPEL, 2006)

Fazendo uma comparação com o software tradicional, rodando no computador do cliente, temos como vantagens de uma aplicação web: o acesso dispensando instalações, a disponibilidade de acesso de qualquer local com internet e o fato de não necessitar de atualizações por parte do cliente. Com essas vantagens temos uma simplificação na forma como o usuário vai utilizar o sistema, agilizando e expandindo as possibilidades de desenvolvimento.

É importante ressaltar que existem outras variações de termos para se referir as aplicações web. Durante o estudo a pesquisa, percebeu-se que alguns autores tratam como “serviços web”, ou “softwares online”, ou WebApps (na abreviação de web aplications4

), ou ainda webware5. Entretanto, no decorrer deste trabalho será priorizado o uso do termo “aplicações web”.

4

Web applications: Termo em inglês cuja tradução é “aplicações web” (tradução nossa).

5

Webware: Segundo resultado da busca no site <http://webopedia.com> (acesso em: 1 jun. 2010) o termo significa software online, ou seja, aplicações web.

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Dentro do contexto de aplicações web, a seguir são levantados os principais conceitos provenientes da sua evolução, bem como as mudanças culturais e de mercado ocorridas até então.

2.1 WEB 2.0

O termo Web 2.0 foi criado em 2004 durante uma conferência entre as empresas O’Reilly Media6

e MediaLive International7 (OREILLY, 2005). Ao verificarem que havia uma série de características em comum nos negócios web que surgiam, bem como naqueles que se mantiveram após o estouro da bolha, concluíram que havia uma tendência dos serviços possuírem um foco no conteúdo colaborativo e troca de informações entre os usuários. Sendo assim, o termo acabou se popularizando e ficou designado para caracterizar a nova geração de serviços que utilizam a web como plataforma.

Tim O‟Reilly descreve o conceito de web 2.0 da seguinte forma:

Como muitos conceitos importantes, a Web 2.0 não tem um limite rígido, mas sim, um núcleo gravitacional. Você pode visualizar a Web 2.0 como um conjunto de princípios e práticas que unem um verdadeiro sistema solar de sites que demonstram alguns ou todos esses princípios, a uma distância variável do núcleo. (OREILLY, 2005)

Ou seja, existe uma flexibilidade na classificação de serviços web 2.0, onde o conceito gira em torno de práticas direcionadas as características sociais. Aqui no Brasil aplicações como Apontador8, Camiseteria9 e Boo-Box10 podem ser classificadas como verdadeiros serviços web 2.0.

Felipe Hummel (2008) diz que “A chamada web 2.0 pode ser resumida (salvo exceções) num só conceito: o foco nas pessoas e tudo em volta delas”. Ou seja, as aplicações

6

Disponível em: <http://oreilly.com>. Acesso em: 1 jun. 2010.

7

Disponível em: <http://www.medialiveintl.com>. Acesso em: 1 jun. 2010.

8

Apontador.com.br é um serviço de mapas de rotas gratuito. Foi pioneiro no mercado brasileiro de internet. (APONTADOR, 2010)

9

Camiseteria.com.br é um site que vende camisetas com estampas feitas pelos próprios usuários, que enviam pela internet e passam pelo crivo dos internautas em uma votação aberta. (IDGNOW, 2007)

10

Boo-Box.com.br é um serviço baseado em publicidade para monetização de blogs e mídias sociais. (BOOBOX, 2009)

(25)

web passam a utilizar mais a inteligência coletiva para proporcionar facilidades para as os usuários. Um exemplo é o surgimento o modelo de crowdsourcing11 para reduzir custos e gerar informações, tornando a web mais humana e social.

Para Troy Angrignon (2006) a web 2.0 é um conjunto de mudanças nas atitudes, ferramentas e aplicativos que estão permitindo a web tornar-se a próxima plataforma de comunicação, colaboração, comunidade e aprendizado. Para esclarecer a abrangência do termo, Troy Angrignon ainda lista os seguintes temas que aparecem comumente nas definições de web 2.0:  Colaboração  Conversa  Comunidade  Conexão  Criação de Conteúdo  Aprendizado Cumulativo  Inteligência Coletiva  Mudança de Escala  Valores fundamentais  Barato e rápido

A grande popularização do termo web 2.0, deu início a uma discussão, envolvendo críticas, sobre a utilização correta do mesmo. O principal motivo foi o seu uso como estratégia de marketing para atrair clientes e não pela caracterização correta do produto/serviço. Como conseqüências disso, muitas pessoas ainda associam o termo apenas ao design de uma aplicação web e não ao seu contexto de serviço em si.

Acerca das mudanças culturais, o futuro da web ainda promete mudar muita coisa. Alguns impactos dessa mudança cultural são descritos a seguir, como o fenômeno “Cauda Longa” e a economia do grátis.

11

O termo crowdsourcing é uma adaptação do termo outsourcing para um conceito muito parecido. No caso do

outsourcing é basicamente delegar serviços, da empresa, a terceiros. E do crowdsourcing significa repassar

(26)

2.2 O FENÔMENO CAUDA LONGA

O objetivo de apresentar o conceito do fenômeno cauda longa está em demonstrar as mudanças de mercado proporcionadas pela web 2.0. Desta forma, não se pretende aprofundar no assunto, dando apenas, um apanhado geral sobre o fenômeno.

O autor do livro “A Cauda Longa - do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho”, Chris Anderson, estudou os fenômenos relacionados ao mercado de produtos após o surgimento da internet e constatou algumas mudanças. Ele utiliza o termo “cauda longa” como analogia da curva existente no gráfico de vendas de produtos de massa, conforme mostra o gráfico da figura 2. O conceito, teorizado por Anderson, estabelece que, na oferta, os produtos populares, com alto índice de procura, têm o mesmo valor comercial dos produtos de nicho. Ou seja, se juntarmos o volume de vendas dos produtos com baixa, ou nenhuma procura, teremos um volume maior, ou equivalente, aos produtos populares (ANDERSON, 2004). Os segmentos desses produtos geralmente estão relacionados a bens culturais, como entretenimento, música e informação. (COUTINHO, 2009)

Uma loja de produtos virtuais, como música, por exemplo, poderá disponibilizar downloads de musicas populares e não populares sem a preocupação de alocar fisicamente um lugar para elas. E uma vez que o produto pode ser disponibilizado para a venda sem a necessidade de estar fisicamente exposto, a oferta passa a não possuir mais barreiras. Ou seja, graças ao custo de armazenamento, a oferta de produtos aumenta e, conseqüentemente, o consumo de produtos não populares também (ANDERSON, 2004). Esse aumento nas vendas de produtos de nichos é o responsável pela “cauda” do gráfico (figura 2), onde a receita compete com a venda de produtos populares.

Figura 2 – Curva entre a popularidade e quantidade de produtos. Fonte: Autor, 2010.

(27)

2.2.1 Surgimento

O fator mais importante para surgimento da cauda longa está na diminuição do custo de armazenamento dos produtos. Possível graças às mudanças e facilidades oferecidas pelas aplicações web 2.0. Desta forma, consumidores tendem a ficar expostos a produtos cada vez mais diversificados. Aumentando assim, as vendas de nichos específicos de mercado (FGV, 2010).

2.2.2 Impactos

No que diz respeito ao conteúdo informativo, uma vez que se torna economicamente viável um site disponibilizar mais informações que são menos populares, os usuários passam a ficar expostos a uma gama maior de informações raras no ambiente comum. Conseqüentemente essa variedade acaba atendendo as necessidades de mais nichos, proporcionando uma colaboração cultural do fenômeno da cauda longa, onde há um aumento do acesso a cultura por todos (FGV, 2010).

2.3 A ECONOMIA DO GRÁTIS

De forma geral, esta seção pretende apresentar de forma sucinta a idéia proposta por Chris Anderson sobre a relação de valor e mercado. Pelo fato do tema ser extenso, buscou-se resumir os principais pontos para a compreensão da “ideologia do grátis”.

O mercado está em constante mudança, e o valor de produtos e serviços acompanha a lei da oferta e procura. Porém, a partir de uma tese ousada, Chris Anderson

(28)

analisa a economia digital e tenta provar em seu livro “Free: Grátis - O Futuro dos Preços”, que o custo da oferta de produtos e serviços para uma audiência potencialmente infinita é próximo de zero (SPYER, 2009b).

Por exemplo, o custo do desenvolvimento de uma aplicação web para controle financeiro pessoal, será praticamente o mesmo se só uma pessoa utilizar, ou um milhão. Ou seja, independente de quantas pessoas estão utilizando a aplicação, o custo de “produção” não aumenta significativamente. Nesse contexto, uma vez que o serviço torna-se parte da cultura da internet e é adotado um modelo de monetização – como anúncios, ou Freemium (ver subseção 3.5.1), por exemplo – a receita do negócio virá de forma indireta. Sendo disponibilizada “gratuitamente” a aplicação para o usuário final.

Podemos citar o Google como base deste modelo, onde os recursos financeiros para manter gratuito um serviço de webmail, por exemplo, provem de vias indiretas ao negócio. No caso do Google, com o lucro obtido com anúncios e links patrocinados espalhados pelo site.

Neste contexto, Anderson define que existem quatro modelos para o grátis, conforme representadas na figura abaixo:

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Figura 3 – As quatro formas do grátis. Fonte: ARMANO (2008).

A primeira forma (Free 1) refere-se a: “ganhe uma vez e compre o próximo”. Faz parte da cultura da “amostra grátis” onde o consumidor tem a possibilidade de experimentar o produto antes de comprá-lo.

A segunda forma (Free 2) é a que conhecemos na publicidade das mídias digitais, como TV, internet e rádio. O consumidor não paga pelo serviço de mídia, mas ao comprar um produto anunciado, gera recurso financeiro para que a empresa invista em publicidade nas mídias digitais.

A terceira forma (Free 3) está associada aos serviços na web, principalmente que adotam o modelo Freemium (ver subseção 3.1.5). Por exemplo, quando uma empresa disponibiliza a mesma aplicação web em duas versões, uma gratuita e a outra paga. A versão paga com recursos extras, de forma a fazer com que o usuário sinta-se disposto a pagar por algo a mais.

(30)

A quarta forma (Free 4) é referente à aquisição de capital social. Ou seja, é disponibilizado um serviço gratuito em troca de reputação ou prestigio pela empresa, produto ou serviço.

2.4 O FUTURO DA WEB 2.0

Fazendo um rápido apanhado histórico, como foi comentado no início deste capítulo, houve o estouro da bolha no final da década de 90 em detrimento aos altos investimentos em negócios que não eram economicamente rentáveis. Após isso as startups que não faliram definiram o caminho que o mercado web iria seguir. Essa tendência foi identificada e chamada de web 2.0. Chegando, assim, ao mercado de hoje, onde a cada dia surgem mais negócios na web que recebem grandes investimentos.

Dessa forma, existem especulações acerca do futuro dos negócios na web como a conhecemos. Alguns autores (Sérgio Teixeira, Diego Cox) prevêem uma possível nova bolha, em detrimento aos altos investimentos de risco realizados em novas startups. O exemplo mais claro disso pode ser visto no caso do Facebook, conforme levantado por Sérgio Teixeira:

Zuckerberg lançou o site em 2004, aos 19 anos, num dormitório de Harvard. No ano passado, recusou uma oferta de vender a empresa por 1 bilhão de dólares para o Yahoo! e deixou muita gente perplexa. Na metade deste ano, as conversas já falavam num valor de 10 bilhões de dólares. Quando a Microsoft anunciou a com pra de uma participação de somente 1,6% no Facebook, por 240 milhões de dólares, foi definida a valorização da empresa: 15 bilhões de dólares. Essa cifra astronômica se explica em parte pela disposição da Microsoft de pagar o quanto fosse necessário para manter o Facebook fora das mãos do Google. Mas ficou no ar a sensação de que a exuberância está de volta -- e a irracionalidade vem logo atrás. O Facebook é essencialmente um Orkut, mas muito mais sofisticado tecnologicamente. Sua receita vem da venda de publicidade em suas páginas. O problema é que o faturamento da empresa não deve passar de 150 milhões de dólares neste ano, apenas um centésimo de seu valor. (TEIXEIRA, 2007).

No entanto, por mais que alguns fatores pareçam estar se repetindo, existem diferenças com relação à bolha dos anos 90. A principal, apontada por Diego Cox (2007), é a diferença cultural, onde antes as empresas “forçavam” a utilização dos seus serviços e hoje são os usuários que sentem a necessidade de novos serviços/produtos para o seu dia a dia. Outras grandes diferenças são o custo para desenvolver e os avanços tecnológicos, como a banda larga, que permite conexões muito mais rápidas do que a antiga internet discada.

(31)

Sendo assim, é importante observar que, mesmo com a evolução cultural, o mercado web é volátil e deve ser explorado de forma planejada. Nesse contexto, o próximo capítulo trata de assuntos relacionados à gestão de negócios e empreendedorismo.

(32)

3 EMPREENDEDORISMO E GESTÃO DE NEGÓCIOS NA WEB

Após a capacidade de utilização da web como plataforma, o desenvolvimento de serviços para este ambiente vem sendo explorada por empreendedores, principalmente pelo seu baixo custo de investimento inicial e infra-estrutura. Hoje, praticamente qualquer um, que possa investir ou tenha conhecimentos técnicos de desenvolvimento, pode ter uma idéia criativa e inovadora e começar a produzir serviços para web. É neste contexto que Michael Pierre, diretor da loja virtual Stopplay, citado por Fábio Cavalcanti, faz a seguinte afirmação:

Uma das vantagens da Internet é permitir que qualquer pessoa, mesmo com poucos recursos, possa se tornar empresário. Só é preciso ter força de vontade, responsabilidade e conhecer seus direitos e deveres como fornecedor (PIERRE apud CAVALCANTI, 2008).

Desta forma o mercado web mostrou ser um campo de atuação promissor para captação de recursos financeiros a baixo custo. Principalmente para empreendedores com boa visão de mercado e suas tendências.

No contexto de empreendedorismo, uma das dificuldades encontradas está em começar um negócio. Com base no artigo de Loic Le Meur publicado no site TechCrunch, Leandro Almeida (2008) traduziu e explicou os seguintes itens da lista chamada “Dez regras para o sucesso de uma startup”:

1. Não espere por uma idéia revolucionária. Isto nunca irá acontecer. Apenas foque numa simples, empolgante, e faça o mais rápido possível.

Idéias revolucionárias dificilmente irão aparecer de início, normalmente as idéias irão amadurecer com um tempo ou serão melhoradas quando você começa a compartilhar suas idéias com outras pessoas. Sinta-se motivado para fazer acontecer a sua idéia e comece a perceber se as pessoas que estão ao seu redor também estão.

2. Compartilhe suas idéias. Quanto mais você compartilha, mais você recebe conselhos e aprende.Encontre e converse com seus concorrentes.

Quando você conversa com as pessoas sobre sua idéia sempre surgirão críticas e sugestões, o ideal é que você consiga sempre captar esse feedback das pessoas para melhorar a sua idéia. Encontre seus concorrentes, vejam aonde existe oportunidade, entenda do mercado e saiba das dificuldades. Caso não existam concorrentes, pergunte-se porque eles ainda não existem.

3. Faça uma comunidade. Use blog e software sociais para ter certeza que as pessoas sabem sobre você.

Comece a criar uma comunidade ao seu redor que possa ajudar com a sua idéia, quanto mais pessoas souberem de você e de suas idéias mais fácil será para divulgá-la.

4. Escute sua comunidade. Responda perguntas e faça seu produto com o feedback deles.

(33)

Sempre mantenha o foco nas pessoas que irão utilizar o seu produto. Se o seu produto não traz nenhuma melhoria ou valor para as pessoas elas simplesmente não utilizarão o seu produto.

5. Reúna uma grande equipe. Selecione aqueles com habilidades bem diferentes das suas. Procure por pessoas melhores que você.

Caso sua equipe seja composta por pessoas de mesmo perfil que você, facilmente sua equipe cometerá os mesmos erros que você e não conseguirão ver soluções alternativas que poderiam melhorar o seu produto.

6. Seja o primeiro a reconhecer um problema. Todos cometem enganos.Torne o problema público, aprenda sobre ele e faça a correção.

Você cometerá erros sempre, aprenda com eles!

7. Não gaste tempo em pesquisa de mercado. Publique as versões de teste o mais cedo possível. Continue melhorando o produto já publicado.

Alguma pesquisa de mercado é necessária, mas apenas o necessário para você se situar no mercado e começar a sua idéia.

8. Não seja obsessivo sobre tabelas de plano de negócio. Elas não irão acontecer exatamente como você havia planejado, em nenhum caso.

Você deve ter em mente o seu planejamento, mas você deve ser maleável o suficiente para se adaptar e aprender com os imprevistos que irão acontecer ao longo do caminho.

9. Não planeje um grande esforço de marketing. É muito mais importante e poderoso que sua comunidade ame o produto.

Se você tem um produto bom o suficiente, as pessoas que utilizam o seu produto naturalmente irão divulgar o seu produto, faça com que as pessoas seja o seu maior marketing.

10. Não foque em ficar rico. Foque nos usuários. Dinheiro é uma conseqüência do sucesso, não um objetivo.

Se o seu produto agrega algum valor aos usuários, o lucro ocorrerá naturalmente como uma recompensa. (MEUR, apud ALMEIDA, 2008).

No entanto, para conseguir, ou auxiliar, na sobrevivência do negócio, bem como na obtenção de lucros, faz-se necessário conhecer alguns conceitos de gestão de negócios. As próximas seções explicam esses principais conceitos, que foram utilizados no decorrer deste trabalho e que fazem parte da gestão de um negócio na web. Como: O que é um modelo de negócio? O que é um plano de negócio? E por fim, apresentar uma breve descrição sobre os investimentos em startups no Brasil.

3.1 O QUE É UM MODELO DE NEGÓCIO?

Durante a pesquisa sobre o que é um modelo de negócio, percebeu-se que existem diversas interpretações, formais e informais sobre o seu conceito. No entanto grande parte das

(34)

opiniões dos autores analisados converge para o mesmo caminho: A definição do negócio e sua justificativa, na prática.

Irani Cavagnoli afirma que: “Basicamente, um modelo de negócios é uma estrutura de suporte para a criação de um escopo econômico, social, ou outras formas de valor.” (CAVAGNOLI, 2009). Ou seja, corresponde a uma estrutura de características que ajudam a definir e caracterizar o negócio.

Raúl Candeloro faz a seguinte revisão histórica do termo “modelo de negócio”:

O termo tornou-se popular com o estouro da internet nos anos 90. Naquela época, milhares de empresas puramente virtuais estavam sendo desenvolvidas. Quem tinha uma boa idéia não precisava nem ter uma competência especial, nem clientes reais – tudo o que precisava era um modelo de negócios que prometesse lucros em um determinado período de tempo.

Abertas na esperança do “dinheiro fácil”, a grande maioria dessas empresas sucumbiu alguns anos depois, fruto da falta de profissionalismo e de conhecimentos básicos sobre gestão. Mas o termo (e o conceito) “modelo de negócio” ficou, sendo estudado hoje nas faculdades de administração do mundo todo. (CANDELORO RAÚL, 2009)

O gestor Peter Drucker, citado por Raúl Candeloro (2009), diz que a definição de um bom modelo de negócio deve responder aos seguintes questionamentos:

 Quem é o cliente?

 O que é valor para o cliente?

Candeloro ainda complementa com alguns dos questionamentos fundamentais para a gestão de um negócio:

 Como nós fazemos dinheiro nesse negócio?

 Como nós podemos oferecer valor para o cliente com um preço apropriado?

Ponderando esses questionamentos têm-se os requisitos mínimos no qual a definição do negócio deve atender para tornar-se viável. Desta forma durante o trabalho, trataremos o termo “modelo de negócio” como uma forma de definir os aspectos fundamentais de um negócio.

(35)

3.2 O QUE UM PLANO DE NEGÓCIO?

Ao iniciar um negócio, é necessário ter de antemão, sua definição, ou, como visto na seção anterior, o seu modelo de negócio. Desta forma, inicia-se o planejamento do mesmo, ou seja, a definição e análise das estratégias para possibilitar a inserção do negócio no mercado. Este planejamento é um dos principais objetivos do plano de negócio que, conseqüentemente, vai instruir o empreendedor a iniciar seus processos.

O plano de negócio consiste, basicamente, em um documento que expressa à realidade, onde contém todas as informações pertinentes ao negócio, como: estratégias e perspectivas (PAVANI, 1997). Em outras palavras, é um documento que descreve o negócio geralmente subdividido em seções de forma padronizada, para facilitar a leitura e interpretação.

Para que este documento continue contribuindo para o negócio, é importante que seja mutável e flexível para se ajustar as mudanças econômicas, tecnológicas ou internas a empresa.

Segundo Claudia Pavani (1997) o fato de possuir um documento contendo informações de forma centralizada, garante para no processo da empresa:

 A organização das idéias e propostas do conjunto das pessoas-chave envolvidas na condução da empresa (ou que iniciarão um novo empreendimento) para a visão, missão e objetivos da empresa, e não das pessoas que individualmente a compõe;

 A organização da própria empresa, seja dos números que a refletem, seja das funções exercidas pelas pessoas;

 A comunicação entre os sócios, sócios e principais gerentes, clientes, investidores, fornecedores e parceiros em geral. O fato de ser um documento único que reflete na íntegra a empresa, garante um instrumento de comunicação eficiente entre os envolvidos na operação;

 O comprometimento de todas as pessoas-chave da empresa no caminho que se delineará para ela;

 A existência de um instrumento de controle gerencial para acompanhamento, avaliação e controle das fases dos projetos da empresa;

 A existência de um instrumento eficiente para a captação de recursos, sejam financeiros, humanos ou de parcerias. (PAVANI, 1997).

(36)

De forma geral, o plano de negócio pode funcionar como uma ferramenta de gestão, onde é possível elaborar estratégias futuras tendo como base o passado e a situação atual de mercado, como clientes e concorrência. Bem como pode ser usado de forma a apresentar a empresa, como um cartão de visitas.

O plano de negocio deve ter, ainda, um foco direcionado ao publico a quem será apresentado. Por exemplo, geralmente as startups elaboram um plano de negócio para apresentar aos investidores, e conseguir aporte para financiar seu negócio. Desta forma, o plano de negócio deve dar ênfase às informações relevantes aos investidores, como, a lucratividade, a gestão administrativa e competências, bem como as fragilidades e situações de risco que poderão aparecer, potenciais clientes, mercado, concorrência e estratégias de marketing.

Alguns dos possíveis públicos para a apresentação do plano de negócio da empresa são:

Incubadoras de empresas: com o objetivo de se tornar uma empresa incubada.

Sócios potenciais: para estabelecer acordos e direção.

Parceiros: para estabelecimento de estratégias conjuntas.

Bancos: para outorgar financiamentos.

Intermediários: pessoas que ajudam a vender o seu negócio.

Investidores: empresas de capital de risco, pessoas jurídicas e outros

interessados.

Gerentes de Marketing: para desenvolver planos de marketing.

Executivos de alto nível: para aprovar e alocar recursos.

Fornecedores: para outorgar crédito para compra de mercadorias e matéria

prima.

Gente talentosa: que você deseja contratar para fazer parte da sua empresa.

A própria empresa: para comunicação interna com os empregados.

Os clientes potenciais: para vender o produto/serviço. (DORNELAS, 2010)

Quanto a desenvolvimento de um plano de negócios, não existe uma exigência para a organização da sua estrutura, porém procura-se seguir um padrão para facilitar o entendimento. Claudia Pavani (1997) sugere a seguinte estrutura:

 Resumo Executivo  Visão e Missão

 Descrição Geral da Empresa  Análise Estratégica

 Plano de Marketing e Vendas  Plano Financeiro

(37)

Existem inúmeros itens a serem abordados com relação às características e a elaboração de um plano de negócio, porém não vamos nos aprofundar em cada item da sua estrutura. Com as definições abordadas até então, têm-se o necessário para compreender o conceito geral do termo “plano de negócio”, que é utilizado no decorrer deste trabalho.

A próxima seção apresenta a diferença cultural de se conseguir investimentos em startups no Brasil, em comparação ao mercado americano.

3.3 INVESTIMENTOS EM STARTUPS NO BRASIL

Muitas startups necessitam de apoio financeiro para desenvolverem seu plano de negócio. É nesse contexto que surgiram os investimentos com capital de risco. Ou seja, empresas injetam dinheiro em uma startup, por acreditar em seu plano de negócio, a fim de participar dos lucros obtidos. É uma forma de investimento encontrada principalmente em países desenvolvidos, com um mercado já consolidado na área.

Existem inúmeros casos de startups de sucesso provenientes desses investimentos, como por exemplo: Google, Yahoo, PayPal e YouTube, financiados pela empresa Sequoia Capital12 (CRUNCHBASE, 2010a).

No Brasil ainda não possuímos empresas de investimento desse porte, porém existem os chamados investidores anjos, que são pessoas físicas dispostas a investir em uma startup (RAMUS, 2007). No país existem, até então, quatro associações de investidores anjos: Gávea Angels13, São Paulo Anjos14, Bahia Angels15, Floripa Angels16.

Além dos investidores anjos, existem alguns programas patrocinados por empresas privadas como o “Desafio Brasil17”, coordenado pelo GVcepe18 e patrocinado por

12

Sequoia Capital (http://www.sequoiacap.com) é uma empresa de capital de risco (ou venture capital), fundada por Don Valentine em 1972. A empresa tem escritórios em os Estados Unidos, China, Índia e Israel. A empresa já financiou empresas como: Google, Yahoo, Paypal, Electronic Arts, NVIDIA, Cisco Systems, Oracle, Apple e YouTube. Há estimativas de que 14% do valor do Nasdaq é composto por empresas que receberam investimentos da Sequoia Capital (CRUNCHBASE, 2010a).

13

Disponível em: <http://www.gaveaangels.org.br>. Acesso em: 1 jun. 2010.

14

Disponível em: <http://www.saopauloanjos.com.br>. Acesso em: 1 jun. 2010.

15

Disponível em: <http://www.bahiaangels.com>. Acesso em: 1 jun. 2010.

16

Disponível em: <http://www.floripaangels.org>. Acesso em: 1 jun. 2010.

17

Disponível em: <ttp://www.desafiobrasil2010.com/oque.htm>. Acesso em: 1 jun. 2010.

18

(38)

empresas como Intel e Microsoft, que promove uma competição entre as startups com o intuito de premiar as vencedoras. O programa SOL (Start-ups Online) da Microsoft também atua aqui no Brasil e proporciona apoio através de licenças dos softwares e consultoria de gestão. (FERRARI, 2008)

Para as startups que já estão inseridas no mercado, é interessante notar que algumas empresas de fora do país começaram a enxergar oportunidades de investimento em startups brasileiras. Em 2009 a empresa Naspers comprou o site Buscapé19 por $342 milhões de dólares, em março deste ano a empresa HomeAway20 comprou o site AlugueTemporada21 com a intenção de expandir seus negócios. E no mês de maio deste ano a Naspers22 investiu novamente no país, alocando $15 milhões de dólares para o site BrandsClub23. (REMUS, 2010b)

3.4 MODELOS DE NEGÓCIO NA WEB 2.0

Como vimos na seção 2.1 do capitulo 2, a web 2.0 marca uma fase de aplicações cada vez mais criativas e inovadoras, que proporcionam facilidades para o dia a dia das pessoas, bem como diversidade informacional, atendendo uma grande variedade de nichos de mercado.

Em detrimento a esta vasta lista de aplicações disponíveis na web, faz-se necessário classificá-las, de acordo com seu modelo de negócio, para compreender a função de cada uma. No entanto, pelo fato de serem mutáveis, existem inúmeros modelos de negócio na web. Ou seja, existem serviços que se enquadram em mais de um tipo e outros que “criam” um novo. Porém podemos listar e descrever, sucintamente, alguns dos principais modelos de negócio segundo Paul J. Deitel & Harvey M. Deitel (2008):

Blog: Um blog consiste em um website de conteúdo onde cada atualização é organizada em categorias e ordenada de forma cronológica. O publico é atraído pelo conteúdo e a forma mais comum de monetizar este trafego, é através de publicidade e programas de

19

Disponível em: <http://www.buscape.com.br>. Acesso em: 1 jun. 2010.

20

Disponível em: <http://www.homeaway.com>. Acesso em: 1 jun. 2010.

21

Disponível em: <http://www.aluguetemporada.com.br>. Acesso em: 1 jun. 2010.

22

Disponível em: <http://www.naspers.co.za>. Acesso em: 1 jun. 2010.

23

(39)

afiliação. Alguns dos blogs mais famosos do Brasil, segundo ranking do site Mundo Tecno24, são: Interney (sobre tecnologia), Sedentario & Hiperativo (conteúdo variado), Ricardo Noblat (sobre política) e Brainstorm9 (publicidade e propaganda).

Classificados e pesquisa de emprego: São sites que fazem o intermédio entre quem está procurando um emprego e quem está oferecendo. Funcionam como um sistema de busca de empregos. Alguns exemplos de sites nacionais são: Catho.com.br, empregos.com.br, infojobs.com.br e bne.com.br.

Classificados on-line: Sites que disponibilizam anúncios de diversas categorias, como a página de classificados de um jornal. Alguns exemplos são: Buscape.com.br, Quebarato.com.br, Olx.com.br e o site americano Craigslist.com.

Enciclopédia e fonte de referência: Sites de conteúdo como enciclopédia on-line e dicionários. Exemplos: Wikipédia, Musicosdobrasil.com.br e Aulete.uol.com.br.

Agregador de Feeds25: Aplicações web que possibilitam ao usuário concentrar as inscrições em feeds RSS, Atom ou RDF. O mais conhecido deles é o FeedBurner, comprado pela Google em 2007.

Videos on-line: Consiste em um site onde usuários compartilham vídeos através de uploads. Exemplos: YouTube.com e Vimeo.com.

Infra-estrutura para distribuir projetos de código aberto: Sites que funcionam como um repositório de projetos de softwares de código aberto. Alguns exemplos são: SourceForge, Assembla, CodePlex e Kenai.

Inteligência competitiva: Site de empresas que analisam o tráfego na internet e elaboram rankings dos sites clientes. Exemplos populares são: Alexa.com, Compete.com e o brasileiro Osite.info.

Jogo on-line de processamento massivo e de múltiplos jogadores: São jogos baseados na web geralmente desenvolvidos em Flash, onde os usuários interagem com outros jogadores. O site mmorpg.com é um portal com conteúdo focado nesses jogos, e o site mmorpg100.com faz uma lista com os 100 jogos mais populares.

Leilão on-line: Serviço que possibilita aos consumidores interagir e concretizar venda de produtos entre si. Exemplos populares: MercadoLivre e eBay.

24

Mundo Tecno é um site que elaborou um ranking de blogs brasileiros a partir de alguns dados extraídos manualmente. Disponível em: <http://www.mundotecno.info>. Acesso em: 1 jun. 2010.

25

(40)

Mashup: São soluções provenientes da concatenação ou mistura, de outros serviços web. Os exemplos mais populares são Google maps, Microsoft Popfly e o Yahoo Pipes.

Mecanismo de busca: Ferramenta que possibilita realizar buscas na internet. Alguns exemplos são: Google, Bing, Yahoo, Cuil entre outros.

Mecanismo de busca de blog: Serviço que permite realizar buscas de blogs. Exemplos no Brasil são: BlogBlogs, Google Blogs, Technorati e Interney.

Mecanismo de busca vertical: Consiste em um serviço de busca sobre um determinado nicho. Por exemplo, busca de empregos na web. Alguns exemplos são: Indeed, SimplyHired e LinkedIn.

Mercados de outsourcing: É o mercado de terceirização de serviços para pessoas ou empresas especializadas em gerir a mão de obra. Alguns exemplos são: Freelancer.com e Guru.com.

Mundo virtual: Consiste em uma união de redes sociais com jogos, simulando atividades da vida real, com forte interação com outros usuários. O exemplo mais popular deste modelo de negócio é o SecondLife.

Pagamentos: Soluções que possibilitam realizar pagamentos e transferências de dinheiro através da web de forma segura e simples. Os exemplos mais populares são: PayPal, Google Checkout e aqui no Brasil o serviço PagSeguro da UOL.

Página inicial personalizada: Portais que possibilitam a criação de uma página principal personalizada apenas com as informações que interessar, como: noticias e previsão do tempo. O iGoogle é um dos mais populares.

Pesquisa assistida por pessoas: Mecanismo de busca colaborativo, que utiliza informações promovidas pelos próprios usuários para gerar os resultados. Um exemplo desse modelo de negócio é o site Mahalo.

Publicidade on-line: São empresas que disponibilizam serviços para a publicidade na web de diversas formas. Como por exemplo, banners com anúncios de produtos e links relacionados. O maior exemplo é o Google AdWord.

Rádio pela Internet: São websites que disponibilizam, de forma legal, a distribuição de musica. O exemplo mais famoso deste modelo é o site Last.fm.

Rede de afiliação: É um serviço que permite gestores de aplicações web relacionarem-se ao programas de publicidade web. Alguns exemplos são: Sprintrade.com, Commission Junction, LinkShare e no Brasil a Afilio da empresa Hi-Mídia.

(41)

Rede de blog: São sites que concentram blogs de diversas categorias. Alguns exemplos populares são: 9rules, Weblogs, Inc e no Brasil o BlogBlogs e Interney.

Rede de conteúdo: Sites ou blogs que disponibilizam conteúdos como tutoriais e artigos. Alguns exemplos são About.com e BlogBlogs.com.br.

Rede social móvel: São serviços de rede social focados nos dispositivos moveis (celulares) como veiculo de distribuição. O exemplo mais famoso é o Twitter.

Registro de nome de domínio: São sites que trabalham com a venda de domínios na internet. Por exemplo, o site Register.com e GoDaddy

Serviço Web e móvel de troca de mensagens instantâneas: São aplicações que permitem conectar-se a um serviço de mensagens instantâneas através da web. Os exemplos mais populares são Meebo e o eBuddy.

Sistema de recomendação: Consiste em um sistema para recomendações de produtos e serviços através das informações obtidas do usuário. Geralmente utilizando Data Mining (mineração de dados). Este modelo de negócio muitas vezes é utilizado para recomendar produtos em lojas virtuais ou para tornar o sistema inteligente. Alguns exemplos que utilizam são: Mercado Livre, Netmovies e Last.fm.

Sistema de reputação: Ferramentas que permitem aos usuários classificar comentários, postagens ou os próprios usuários de um site a fim de selecionar informações relevantes e confiáveis. Um exemplo é a possibilidade de classificar positivamente ou negativamente um vendedor no MercadoLivre, para que outros compradores saibam a reputação do vendedor.

Site de bookmarking social: É o serviço que disponibiliza o compartilhamento

de marcadores na web. Os marcadores são links favoritos para sites, artigos, blogs, etc. Alguns modelos populares são: Digg, Del.icio.us e Reddit.

Site de compartilhamento de foto: São serviços que possibilitam aos usuarios

publicarem e compartilhar suas imagens. Os exemplos mais populares são: Flickr da Yahoo e o Picasa da Google.

Site de distribuição de música: São serviços que disponibilizam a

comercialização e distribuição de arquivos de áudio como mp3. Um exemplo deste tipo é a loja virtual da Apple, iTunes.

Site de mídia social: É o serviço que possibilita o compartilhamento de arquivos

de mídia como, áudio, vídeo, textos e fotos. Alguns exemplos são: Twitter, YouTube, Flickr e Digg,

Referências

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