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Supremo Tribunal Federal

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Academic year: 2021

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RECURSO EXTRAORDINÁRIO 919.668 PARANÁ RELATOR : MIN. ROBERTO BARROSO

RECTE.(S) :VOLVODO BRASIL VEÍCULOS LTDA ADV.(A/S) :ALEXANDRE LIRA DE OLIVEIRA ADV.(A/S) :PAULO EDUARDO MANSIN RECDO.(A/S) :UNIÃO

PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERALDA FAZENDA NACIONAL DECISÃO :

Trata-se de recurso extraordinário interposto contra assim ementado:

“TRIBUTÁRIO. ADUANEIRO. MANDADO DE SEGURANÇA. TAXA DE UTILIZAÇÃO DO SISTEMA INTEGRADO DE COMERCIO EXTERIOR – SISCOMEX. CONSTITUCIONALIDADE. MAJORAÇÃO PELA PORTARIA MF 257/11. POSSIBILIDADE.

1. A Taxa de Utilização do Sistema Integrado de Comercio Exterior - SISCOMEX foi criada pela Lei nº 9.716/98 e tem como fato gerador a utilização deste sistema. Não há vício de inconstitucionalidade na legislação que regula a taxa.

2. É legítima a majoração da Taxa de Utilização do Sistema Integrado de Comercio Exterior levada a efeito pela Portaria MF 257/2011.”

O recurso busca fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal. A parte recorrente alega violação aos arts. 5º, II, 37, 145, II, 150, I, 154, I, todos da Constituição. O recorrente defende que a referida exação não se reveste dos requisitos de taxa, porquanto não corresponde a contraprestação de serviço público específico e divisível. Afirma que é ilegal e inconstitucional a majoração, pela portaria MF nº 257/11 e pela IN RFB nº 1.158/11, da taxa de utilização do SISCOMEX, uma vez que para tanto exige-se lei e, ainda que se admitisse a possibilidade de delegação da matéria, o reajuste extrapola a delegação legislativa prevista no art. 3º, § 2º da Lei 9.716/98. Argumenta, ainda, que é inconstitucional tanto a

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RE 919668 / PR

serviços, mas, também a investimentos no SISCOMEX.

A pretensão recursal não merece prosperar. Inicialmente destaco que a alegada ofensa aos arts. 5º, II, 37, 150, II, 154, I, da Constituição não foi apreciada pelo acórdão impugnado. Tampouco foram opostos embargos de declaração para sanar eventual omissão. Portanto, o recurso extraordinário carece de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF).

Quanto à alegação da agravante de que a exação em análise não se reveste dos requisitos de taxa por não corresponder à contraprestação de serviço público específico e divisível e por seu valor não atender aos critérios de atualização dos custos de operação, aplicável a Súmula nº 279 do STF, na medida em que, no caso dos autos, o Tribunal de origem entendeu que trata-se de taxa decorrente do poder de polícia, e não de prestação de serviço público. Vide o seguinte trecho do voto condutor do acórdão:

“O fato gerador da taxa de utilização do Siscomex é o uso do referido sistema, tendo como contribuinte o importador e o produto da arrecadação é destinado ao Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização - FUNDAF. (…)

A fiscalização do comércio exterior é atividade que se subsume à perfeição ao disposto no art. 78, caput, do Código Tributário Nacional, que define o poder de polícia:

'Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou a abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

(….) - todas as demais análises efetuadas demonstram que a exação em comento preenche os requisitos caracterizadores da taxa, inexistindo qualquer inconstitucionalidade ou ilegalidade

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em sua instituição. Como esclarecido acima, não se trata de taxa de 'uso de bem público', como defendido pela impetrante, mas taxa decorrente do poder de polícia. Ou seja, ao utilizar o Sistema Siscomex, o importador está provocando a realização do poder de polícia por parte da Secretaria de Comércio Exterior, Secretaria da Receita FederaI e Banco Central do Brasil (BACEN).”

Dissentir das conclusões adotadas pelo Tribunal de origem quanto à natureza da taxa, se decorrente do exercício de poder de polícia ou da prestação de serviços públicos, demandaria tão somente o reexame do acervo probatório constante dos autos, providência vedada nesta fase processual.

Quanto às alegações de que o reajuste da taxa ofenderia a legalidade, ou, ainda, de que o valor estabelecido por Portaria extrapolaria a previsão do artigo 3º, § 2º, da Lei nº 9.716/1998, a pretensão da recorrente vai de encontro ao entendimento desta Corte, consoante acórdão assim ementado:

“TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. ART. 153, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO PRESIDENTRE DA REPÚBLICA NÃO CONFIGURADA. ATRIBUIÇÃO DEFERIDA À CAMEX. CONSTITUCIONALIDADE. FACULDADE DISCRICIONÁRIA CUJOS LIMITES ENCONTRAM-SE ESTABELECIDOS EM LEI. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I - É compatível com a Carta Magna a norma infraconstitucional que atribui a órgão integrante do Poder Executivo da União a faculdade de estabelecer as alíquotas do Imposto de Exportação. II - Competência que não é privativa do Presidente da República. III - Inocorrência de ofensa aos arts. 84, caput, IV e parágrafo único, e 153, § 1º, da Constituição Federal ou ao princípio de reserva legal. Precedentes. IV - Faculdade discricionária atribuída à Câmara de Comércio Exterior -

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CAMEX, que se circunscreve ao disposto no Decreto-Lei 1.578/1977 e às demais normas regulamentares. V - Recurso extraordinário conhecido e desprovido.” (RE nº 570.680 / RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski)

Ademais, tal questão foi decidida com fundamento exclusivo na legislação infraconstitucional, uma vez que a necessidade de lei não é a matéria controvertida, mas, sim, os requisitos de validade do quantum determinados pela Lei nº 9.716/1998 em cotejo com a portaria MF nº 257/2011 e pela IN RFB nº 1.158/2011). Portanto, eventual ofensa constitucional, se houvesse, seria de natureza meramente reflexa, o que não autoriza a abertura da via do recurso extraordinário.

Ainda, no que tange ao quantum da taxa que, consoante as razões da agravante, não corresponderia ao custo efetivo e nem respeitaria à legalidade, observo que se trata novamente de matéria que demandaria o reexame do conjunto fático e probatório, tendo em vista que o Tribunal de origem decidiu a questão nos seguintes termos:

“(...) Ainda, o fato do produto de sua arrecadação estar vinculado ao Fundo de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização - FUNDAF, denota exatamente o que foi exposto acima: o valor arrecadado tem pertinência direta com o custo da atividade estatal relativa ao controle das operações de comércio exterior.

Portanto, concluo inexistir qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade na instituição da Taxa de Utilização do Siscomex, não prosperando os argumentos sustentados pela impetrante.

(…)

Ocorre que a aludida taxa, desde que criada em 1998, nunca sofreu qualquer reajuste.

Se a impetrante entende se tratar de majoração, e não reajuste, cabia demonstrar por meio de provas a alegação, sendo que, em mandado de segurança, por exigir situações e fatos comprovados de plano, todas as provas tendentes a

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demonstrar a liquidez e a certeza do direito devem acompanhar a inicial. Nessa esteira de entendimento, o que se exige é prova pré-constituída das situações e fatos que embasam o direito pleiteado (…)

Por fim, acerca da alegada falta de motivação e fundamentação da Portaria que reajustou a Taxa Siscomex, observa-se que a motivação está explícita na própria Lei nº 9.716/98, art. 3º, § 2º, que delega o reajuste ao Ministro da Fazenda, 'conforme a variação dos custos de operação e dos investimentos no SISCOMEX'”.

Dissentir das conclusões adotadas pelo Tribunal de origem quanto à causa do aumento da taxa, se reajuste ou simples majoração, ou ainda sobre a ausência de comprovação do não atendimento aos critérios de atualização dos custos de operação do Siscomex, também demandaria o reexame do acervo probatório constante dos autos, providência vedada nesta fase processual.

Ademais, o Supremo Tribunal Federal já assentou a ausência de repercussão geral da controvérsia referente à violação aos princípios da igualdade, da legalidade, do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal e dos limites da coisa julgada, quando o julgamento da causa depender de prévia análise da adequada aplicação de normas infraconstitucionais (ARE 748.371-RG, Rel. Min. Gilmar Mendes).

Diante do exposto, com base no art. 557 do CPC e no art. 21, § 1º, do RI/STF, nego seguimento ao recurso.

Publique-se.

Brasília, 24 de novembro de 2015.

Ministro LUÍS ROBERTO BARROSO

Relator

Documento assinado digitalmente

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