INDEXAÇÃO DE IMAGENS: estudo focado no Getty Images

Texto

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM BIBLIOTECONOMIA

GUILHERME GOULART RIGHETTO

INDEXAÇÃO DE FOTOGRAFIAS: estudo focado no GETTY IMAGES

FLORIANÓPOLIS 2014

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GUILHERME GOULART RIGHETTO

INDEXAÇÃO DE FOTOGRAFIAS: estudo focado no GETTY IMAGES

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Biblioteconomia, do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Biblioteconomia.

Orientação: Profa. Dra. Ligia Maria Arruda Café

FLORIANÓPOLIS 2014

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Ficha catalográfica elaborada pelo graduando de Biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina, Guilherme Goulart Righetto.

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R571i

Righetto, Guilherme Goulart, 1991-

Indexação de fotografias: estudo focado no Getty Images / Guilherme Goulart Righetto. – Florianópolis, 2014.

68 f. : il. ; 30 cm

Orientadora: Profª. Drª. Lígia Maria Arruda Café

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Florianópolis, 2014.

1. Fotografia. 2. Getty Images. 3. Indexação de

imagens. 4. Análise documentária de imagens I. Título.

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Dedico este trabalho aos pilares fundamentais na minha vida pessoal e profissional: minhas tias Rose Mari e Iara, pelo amor imensurável, carinho, paciência e referencial de vida. Vocês não são somente tias, são meus verdadeiros anjos da guarda. Não há um momento importante em toda a minha vida no qual vocês não fizeram parte. E agora não seria diferente. Dedico também a conclusão desta grande etapa a uma grande pessoa: meu avô Nereu Righetto (in memoriam), o homem da minha vida. Espero que o senhor esteja orgulhoso de mim, minha maior saudade.

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AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, pelo simples fato de terem me permitido viver esta vida e ser quem eu sou. Meus primeiros e sinceros amigos de vida. Agradeço por acreditarem em mim e pelo amor.

Aos meus irmãos, Victor e Enzo, minhas extensões de vida e alma. Amo vocês.

Às minhas tias, Rose Mari, Iara e Silvana, que são meu porto seguro.

Aos meus avós, Marlene, Aderbal (in memoriam), Maria Aparecida e Nereu (in memoriam), pelo amor imensurável e cuidado sem precedentes.

Ao meu primeiro e eterno melhor amigo, Henrique Bertol, pela reciprocidade e companheirismo de todos esses anos.

Às amizades construídas na graduação e que levarei para minha vida: Morgana Roberto, Maria Pilar Aponte e Thais Dau. Vocês são especiais.

Aos que me proporcionaram conhecimento pessoal e profissional durante os estágios realizados na graduação, em especial Neide Izumi, Tito Antonio Medeiros e o Professor Vinícius Medina Kern.

À Noêmia Schoffen Prado: chefe, amiga, conselheira, exemplo de ser humano e de um profissionalismo sem tamanho, pelo grande aprendizado durante o período de estágio. Obrigado, irmã de alma.

À Renata Padilha e à Thayse Hingst, por todos os conselhos, puxões de orelha, auxílio e apoio incondicional nos momentos de desespero e fraqueza.

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RIGHETTO, Guilherme Goulart. Indexação de fotografias: estudo focado no Getty Images. 2014. 70 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Graduação em Biblioteconomia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014.

RESUMO

Analisa a indexação das fotografias componentes do banco de imagens comercial Getty Images. Elabora um estudo exploratório, identificando o acervo fotográfico e agrupa os descritores de uma amostra de imagens. Compara os termos utilizados como descritores nas fotografias com a grade de análise de imagens fotográficas proposta por Manini (2002) e adaptada por Hingst (2011), por meio de uma pesquisa documental. Observa que a indexação realizada no acervo estudado condiz com praticamente todas as categorias utilizadas no estudo de Hingst (2011). Atesta que a atribuição de descritores às imagens também podem ser contempladas em outros campos excedentes ao de palavras-chave. Indica a premência do conhecimento prévio do usuário referente à elaboração do tratamento imagético deste banco de imagens abordado. Obtém como resultado principal da análise a similaridade na compilação dos descritores localizados entre o banco de imagens analisado e o banco de imagens comparado, apesar da diferença de cobertura geográfica, de público alvo de ambos os bancos de imagens e o conhecimento quase nulo referente aos procedimentos de indexação do Getty Images.

Palavras-chave: Fotografia. Getty Images. Indexação de imagens. Análise documentária de imagens.

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RIGHETTO, Guilherme Goulart. Indexação de fotografias: estudo focado no Getty Images. 2011. 70 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Graduação em Biblioteconomia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014.

ABSTRACT

Analyzes the indexation of Getty Images commercial image bank photographies. Elaborates an exploratory study, identifying the photographic collection and grouping image descriptors within a sample. Compares terms used as descriptors on photographies with the photography images analysis grid proposed by Manini (2002) and adapted by Hingst (2011), through a documental research. It can be observed that the indexing done in the collection matches with almost every category used on Hingst (2011) study. Testifies that the descriptors attribution to the images can also be considered in other fields exceeding keywords. Indicates the user's previous knowledge urgency referring to the bank's imagetic treatment elaboration. Obtains as main result the descriptors compilation similarity through the analyzed image bank and the compared one, despite the geographic coverage and target differences between the two banks and the barely null knowledge referring the Getty Images indexing procedures.

Keywords: Photography. Getty Images. Images indexing. Images documental analysis.

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Método para indexação de imagens ... 21 Quadro 2 - Grade de Smit para a Análise Documentária de imagens

fotográficas ... 21 Quadro 3 - Grade de Manini para a Análise Documentária de imagens

fotográficas ... 22 Quadro 4 - Variáveis da dimensão expressiva. ... 22 Quadro 5 - Grade de Kossoy para a Análise Documentária de imagens

fotográficas ... 23 Quadro 6 - Grade de Padilha para a Análise Documentária de imagens

fotográficas históricas ... 24 Quadro 7 - Adaptação do quadro proposto por Manini para a coleta de dados – análise qualitativa. ... 29 Quadro 8 - Adaptação do quadro proposto por Manini para a coleta de dados – análise quantitativa. ... 29

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Naomi Campbell attends the Attitude Awards at Banqueting House on October 13, 2014 in London, England. ... 33 Figura 2 - People watch as Mount Sinabung spews pyroclastic smoke at Tiga Pancur village on October 13, 2014 in Berastagi, Karo district, North Sumatra, Indonesia. ... 34 Figura 3 - A model showcases designs on the runway during the HANAE MORI designed by Yu Amatsu show as part of Mercedes Benz Fashion Week TOKYO 2015 S/S at Shibuya Hikarie on October 13, 2014 in Tokyo, Japan. ... 37 Figura 4 - Indonesian President-elect Joko Widodo (L) hand shakes with the pople at Tanah Abang Market the biggest textile market in South East Asia with Facebook founder Mark Zuckerberg (R) after meeting on October 13, 2014 in Jakarta, Indonesia. ... 38 Figura 5 - A view of a weather tarp covering the infield as rain falls to postpone Game Three of the American League Championship Series between the Baltimore Orioles and the Kansas City Royals at Kauffman Stadium on October 13, 2014 in Kansas City, Missouri. ... 40 Figura 6 - Actress Tara Reid visits Sway in the Morning at SiriusXM Studios on October 13, 2014 in New York City. ... 41

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SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ... 11 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 13 2.1. Organização da Informação ... 13 2.2. Indexação ... 14 2.3. Indexação de imagens ... 19 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 27 3.1. Caracterização da Pesquisa ... 27 3.2. Contexto da Pesquisa... 27 3.3. Corpus da pesquisa ... 28 3.4. Etapas da pesquisa ... 28

3.5. Instrumento de coleta de dados ... 28

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS... 31

4.1. Categoria Quem/O que ... 32

4.2. Categoria Onde ... 34 4.3. Categoria Quando ... 35 4.4. Categoria Como ... 38 4.5. Categoria Sobre ... 39 4.6. Dimensão Expressiva ... 41 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 43 REFERENCIAS ... 46

APÊNDICE A – Presença de descritores por categoria ... 48

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1. INTRODUÇÃO

Desde o seu surgimento em meados do século XIX, a fotografia tem sua história genuinamente atrelada à história da humanidade. Como instrumento utilizado e popularizado pela massa, este artefato vem proporcionando o registro de fatos históricos, sociais e culturais, sendo incorporados aos acervos fotográficos de museus, arquivos, bibliotecas e midiatecas, e assim, contribuindo para a preservação deste patrimônio cultural.

Do ponto de vista comercial, seu uso pelos meios de comunicação e publicidade tornou a fotografia não apenas um veículo de disseminação, mas também de geração de lucro.

A explosão documental do século XX acirrou a problemática que envolve as questões relacionadas ao tratamento ideal para cada tipo de documento. Nesta nova realidade, a descrição da imagem não poderia ficar de fora e enfrenta desafios que afetam diretamente os princípios que cercam a representação da informação.

No entanto, procedimentos clássicos ainda permanecem válidos na era digital tanto para o tratamento de materiais textuais como não-textuais. Um deles refere-se à visão que o profissional da informação deve ter quanto à adequação da descrição do objeto informacional em relação ao usuário, que no caso da fotografia não se limita necessariamente ao usuário da imagem e do fotógrafo.

Sobre esta questão, Manini (2002) reflete que a leitura do indexador de fotografias deve ser uma reconstrução cuidadosa e quase impessoal, visto que o documento será disponibilizado a demandas diferenciadas dependendo do contexto em que o acervo será disposto. A autora ainda aponta que

A leitura do profissional da informação é, contudo, uma reconstrução, que deve ser bem menos pessoal que a construção de significado do fotógrafo, e muito cuidadosa, já que é esta leitura que dará acesso aos documentos. É através da leitura do profissional da informação que serão elaborados o resumo e a indexação do documento fotográfico. A leitura que o fotógrafo faz da realidade é uma e a leitura a que o profissional da informação procede é outra (MANINI, 2002, p.94).

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Com base nas premissas específicas relacionadas ao tratamento de documentos não-textuais, cabe destacar que o profissional responsável pela indexação de fotografias necessita também pensar em seu trabalho sempre visando à recuperação qualitativa para o usuário, levando em conta a pessoalidade, o contexto, a interpretação e o comportamento de busca realizado.

Nosso estudo se situa no âmbito comercial e traz como objeto de investigação a fotografia registrada pelo Getty Images, um banco de imagens comercial de atuação internacional.

Conhecendo os requisitos desejáveis, expostos na literatura específica da área, para uma indexação de qualidade da fotografia, esta pesquisa procura responder a seguinte problemática: Como as fotografias armazenadas pela Getty Images estão sendo indexadas em seu banco de imagens?

Assim, o objetivo geral desta pesquisa foi investigar a indexação das imagens armazenadas no banco Getty Images. Para alcançá-lo, determinamos os seguintes objetivos específicos: selecionar um conjunto de imagens armazenadas no Getty Images; verificar a descrição das imagens sob a luz da grade de Manini (2002), adaptada por Hingst (2011) e comparar os resultados com aqueles atingidos por Hingst (2011).

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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

No presente capítulo, será exposto o embasamento teórico referente à organização da informação, com ênfase na indexação e seus atributos. Ademais, o destaque autoral da área tratada é creditado à Johanna Wilhelmina Smit, doutora em Análise do Discurso pela Universidade de Paris, e Miriam Paula Manini, doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, devido ao respaldo, credibilidade e referência de ambas para a área em questão.

2.1. Organização da Informação

A revolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) transformou as técnicas inerentes à organização da informação, responsáveis pela descrição dos atributos dos documentos para sua posterior recuperação. Estas transformações afetaram instantaneamente os procedimentos clássicos dos serviços de informação.

De acordo com Brascher e Café (2008), “o objetivo do processo de organização da informação é possibilitar o acesso ao conhecimento contido na informação”. Torna-se então necessária a descrição física e de conteúdo dos objetos informacionais.

Sendo assim, a organização da informação sentiu a necessidade de adaptar seus princípios e métodos ao perfil desta nova era, refletindo sobre o conhecimento teórico e metodológico disponível para o tratamento descritivo do suporte material da informação e o tratamento temático de conteúdo da informação (FUJITA, 2009).

De acordo com Gil Leiva e Fujita,

[...] a organização da informação possui papel de destaque na inserção efetiva de países em desenvolvimento em que os catálogos eletrônicos de bibliotecas e as bibliotecas digitais revelam uma concepção de organização, baseada em critérios técnicos e observação de padrões e normas, para disponibilização de conteúdos informacionais (GIL LEIVA; FUJITA, 2012, p. 20).

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No contexto da organização da informação, o tratamento da informação é realizado por quatro processos primordiais: catalogação, classificação, indexação e a elaboração de resumos.

Na catalogação, é realizada a descrição física do documento registrada sob a forma de uma referência bibliográfica. A classificação compreende a identificação do assunto do documento, que resulta no número ou símbolo de classificação adotado para localização física do documento em uma coleção.

Muitas vezes, este processo é auxiliado por um sistema de classificação bibliográfica que tem o papel de padronizar a representação do conteúdo.

Tão importante quanto os processos anteriores, a indexação objetiva a descrição do assunto do documento de forma mais específica e exaustiva, complementando o tratamento de cunho mais genérico provido pela classificação.

A indexação quando “controlada” apoia-se nos tesauros, sistemas de organização do conhecimento criados para este fim. O produto da indexação são os índices e as palavras-chaves. A elaboração de resumos é o processo que vem completar o tratamento do assunto, oferecendo em forma textual mais elementos para a compreensão do tema abordado pelo documento.

2.2. Indexação

Conforme relatado na seção anterior, a indexação é um dos processos de representação de conteúdo adotado na Organização da Informação. É a operação pela qual os termos mais apropriados são escolhidos para descrever o conteúdo de um documento e da pergunta do usuário (GUINCHAT; MENOU, 1994).

Conforme Gil Leiva e Fujita apontam, são produtos gerados pela indexação:

[...] palavras-chave, índices ou os cabeçalhos de assunto de um documento. Para obtê-los, previamente foi desencadeada uma sucessão interativa e simultânea dos processos mentais que têm a ver com a percepção da informação, da memória e da compreensão (GIL LEIVA; FUJITA, 2012, p. 22)

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Segundo Lancaster (1993), a principal finalidade da construção de índices e resumos é criar representações que sirvam como pontos de acesso ao documento, inseridos nos repositórios e bases de dados.

Nos livros impressos, o índice é incluído no final do documento, remetendo cada assunto às páginas onde os temas são abordados. (GUINCHAT; MENOU, 1994). Nos artigos científicos, as palavras-chaves se apresentam habitualmente logo após o resumo.

Atualmente, estes pontos de acesso podem vir em forma de links gerados com a tecnologia do hipertexto. Nas bases de dados e repositórios, as palavras-chaves são inseridas nos campos de assunto.

Lancaster aponta que o processo de indexação é composto por etapas – a análise conceitual e a tradução. O autor expõe que a análise conceitual “em primeiro lugar, implica decidir do que trata um documento – isto é, qual seu assunto” (LANCASTER, 1993, p. 8). Acerca da tradução, é esclarecido que ela “envolve a conversão da análise conceitual de um documento num determinado conjunto de termos de indexação” (LANCASTER, 1993, p. 13).

Para Guinchat e Menou (1994), os níveis da indexação variam conforme a demanda relacionada. Sendo assim, a indexação que relaciona apenas os assuntos principais chama-se indexação genérica ou superficial.

A indexação profunda ou exaustiva é a modalidade que relaciona todos os assuntos do documento, incluindo os assuntos secundários. Os autores ainda apontam que é importante a indexação seguir os princípios de especificidade e exaustividade.

O princípio da especificidade diz que os assuntos devem ser identificados tão especificamente quanto possível. Conceitos mais genéricos podem ser selecionados em algumas circunstâncias, dependendo dos objetivos da Unidade de Informação. O princípio da exaustividade diz que os assuntos devem ser incluídos na sua totalidade em função das necessidades informacionais do usuário e do sistema de informação (GUINCHAT; MENOU, 1994, p. 180).

Uma indexação de qualidade deve atingir um alto grau de consistência, isto é homogeneidade na representação do assunto, tendo em vista que se acredita que quanto mais padronizada a indexação maior será a possibilidade

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de o usuário recuperar tudo e somente aquilo que deseja. Portanto, considera-se que a satisfação do usuário está diretamente associada à consistência da indexação e vice-versa.

Fujita (2009) comenta que futuramente, a tendência é que “[...] as bibliotecas se reúnam em sistemas e organizem equipes que possam compartilhar decisões voltadas para a qualidade e consistência da indexação na recuperação de assuntos [...]” (FUJITA, 2009, p. 144).

Sendo assim, a consistência da indexação é creditada diretamente ao profissional que executa a referida atribuição, uma vez que este profissional deve aliar seus conhecimentos às tecnologias disponíveis.

Destarte, é imprescindível criar diretrizes para os serviços de indexação. Estas diretrizes são fixadas em um documento denominado Política de indexação que visa definir normas, critérios e demais procedimentos para o devido registro e tratamento do acervo na Unidade de Informação.

Carneiro (1985) expõe que a identificação da organização à qual estará vinculada o sistema de indexação (contexto), a identificação da clientela a que se destina o sistema (destinatário) e os recursos humanos, materiais e financeiros (infra-estrutura) são itens essenciais para a criação de um sistema de recuperação de informação e devem constar na Política de indexação implantada na Unidade de Informação.

Em uma visão sistêmica, a Política de indexação deve ser encarada como uma filosofia que guie os procedimentos adotados no sistema de recuperação da informação. O usuário e a política devem ser considerados como sujeitos que interagem mutuamente, recriando a política e realimentando o sistema (GUIMARÃES, 2000).

Cesarino (1985, p. 165) acrescenta aos demais pensamentos expostos que uma política de indexação deve atender os seguintes requisitos:

- identificação das características do usuário (áreas de interesse, nível, experiência, atividades que exercem);

- volume e características da literatura a ser integrada ao sistema;

- volume e características das questões propostas pelo usuário; - número e qualidade dos recursos humanos envolvidos;

- determinação dos recursos financeiros disponíveis para criação e manutenção do sistema;

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Outros elementos fundamentais na inserção da Política de indexação encontram-se na cobertura de assuntos; seleção e aquisição dos documentos-fonte; o processo de indexação – níveis de exaustividade e especificidade, a escolha da linguagem, precisão do sistema, etc; a estratégia de busca; o tempo de resposta do sistema; o formato da apresentação dos resultados e a avaliação do sistema (CESARINO, 1985).

Todavia, é determinante saber que os elementos mencionados, em totalidade, se relacionam e a partir desta relação, é observada a suma importância da elaboração e estabelecimento de uma Política de indexação. Ainda no contexto explanado por Cesarino, o item que trata sobre o processo de indexação é o componente primordial na elaboração deste estudo.

Em síntese, a elaboração de atividades com diretrizes e coerência certamente proporciona o êxito do trabalho do indexador e também do profissional em treinamento, além de aperfeiçoar a busca do usuário em campos específicos, inclusive num banco de imagens comercial, tal como se apresenta no contexto desta pesquisa.

Na literatura e em âmbito profissional, as técnicas de indexação são apresentadas, discutidas e praticadas com o intuito de recuperar a informação solicitada. A indexação, segundo Pinto Molina (1993, apud FUJITA, 2009), “é a técnica de caracterizar o conteúdo de um documento [...] retendo as idéias mais representativas para vinculá-las a termos de indexação adequados”. Então, verifica-se a suma importância da representação temática na obtenção concisa e coerente da informação.

Manini (2002) aponta que a recuperação confiável da informação está diretamente relacionada à análise documentária prévia. Existe, portanto, uma estreita relação entre a qualidade da recuperação e a eficiência da descrição do assunto.

A palavra-chave entre estes dois processos é a relevância, o que, para Manini (2002), é o que é importante e útil acerca da resposta final. A relevância ou pertinência são aferidas pelas medidas de revocação e precisão.

A revocação é medida pela relação entre o número de documentos relevantes recuperados pelo sistema e o número total de documentos

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relevantes contidos no sistema. Uma revocação cem por cento consiste na recuperação de todos os documentos relevantes ao usuário contidos no acervo.

A precisão refere-se à relação entre o número de documentos relevantes recuperados pelo sistema e o número total de documentos recuperados pelo sistema. Consiste na capacidade do sistema de recuperar somente documentos relevantes e de descartar documentos inúteis (CARNEIRO, 1985).

Percebe-se que a revocação e a precisão são medidas para avaliar a eficiência e qualidade da recuperação da informação. O resultado destas medidas deve retroalimentar a decisão quanto ao grau de emprego dos princípios de especificidade e exaustividade.

Todavia, é nítida a existência de uma estreita relação entre os conceitos de revocação, precisão, especificidade e exaustividade. Sobre este tema, Gil Leiva e Fujita (2012) relatam que a

exaustividade e especificidade são opções de julgamento do indexador (sob influência da política de indexação estabelecida pelo sistema de informação), acionadas por processo cognitivo, durante representação de conteúdos documentários com termos de indexação que terão efeito direto na recuperação causando precisão e revocação (GIL LEIVA; FUJITA, 2012, p. 27-28).

Observa-se que a capacidade de revocação e de precisão está diretamente associada à especificidade e à exaustividade. Portanto, quanto mais exaustiva for à indexação, maior será a revocação na recuperação da informação e, inversamente proporcional, a precisão será menor. E quanto mais específica for a indexação, menor será a revocação, apesar de a precisão ser maior (TOREZAN, 2007).

Sendo assim, o indexador deve estar sempre atento à aplicação dos princípios de indexação e medidas de recuperação, tendo em vista que é dele a responsabilidade de realizar a representação temática, que condiga com os conteúdos documentais e com o usuário do sistema, esteja ele descrevendo documentos de um banco de imagens ou de qualquer outro tipo de acervo (FUJITA, 2009).

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2.3. Indexação de imagens

Estorniolo (2004) reflete sobre o mercado de produção de imagens, apontando que

A produção de imagens cada vez maior, provocando grande aumento nas coleções existentes e o número crescente de novas áreas que passaram a utilizar imagens, principalmente as digitalizadas, são outros fatores que também devem ser levados em conta no caso da indexação por conceito. Para Eakins e Graham o processo de digitalização de imagens não faz com que a coleção seja gerenciada mais facilmente; eles lembram que a catalogação e a indexação são ainda necessárias para uma busca eficaz – a diferença apontada pelos autores é que boa parte da informação desejada poderá ser, potencialmente, derivada, por processo automatizado, das próprias imagens (ESTORNIOLO, 2004, p. 59).

O estudo da fotografia vem ocupando espaço em diversas áreas do conhecimento seja para uso científico, social, artístico ou documental. A evolução da indústria fotográfica ao longo da história resultou numa “transformação econômico–social em torno do aspecto da imagem na sua relação com os meios de comunicação” (TOREZAN, 2007, p. 23).

Na perspectiva documentalista, Estorniolo (2004) aponta que o bibliotecário deve compreender a imagem fotográfica como documento, objetivando o tratamento e a recuperação.

Segundo Guinchat e Menou (1994), o documento não-textual – e no caso específico, a fotografia – possui especificidades na indexação. Para descrevê-lo, é necessário conhecer o documento em sua totalidade, devido à sua multidimensionalidade.

É importante criar diretrizes para guiar as atividades dos indexadores, expondo os níveis (conjunto-detalhe) ordenadamente, e, ao mesmo tempo, ter cautela quanto à possível existência de ambiguidade de conteúdo.

Lopes (2006) sugere que

O processo de indexação, ou seja, a análise e a representação do conteúdo informacional da fotografia, utilizando descritores, acrescente um valor informativo e documental na imagem registrada por seus efeitos narrativos e lingüísticos, sendo esse processo de fundamental importância numa base de dados ou num banco de imagens constituído por fotografias. Esta

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indexação constitui a parte inseparável do documento fotográfico e no momento da recuperação da informação, o conjunto de descritores atribuídos a cada documento fotográfico vai contribuir para a respectiva representação do valor informativo e documentário da imagem. Portanto, torna-se necessário que a representação do conteúdo informacional de cada imagem inclua todos os elementos indispensáveis para a identificação a mais completa possível, de cada fotografia nos campos de dados previamente definidos para a base de dados (LOPES, 2006, p. 205).

A fotografia é uma fonte de informação que pode ser tratada separadamente ou em uma coleção. Cabe ao profissional responsável pela indexação de fotografias a responsabilidade de efetuar seu trabalho com cautela, considerando os aspectos relacionados à imagem em si e a sua posterior representação.

Smit (1996) resume os três níveis de análise da imagem fotográfica, estabelecidos por Panofsky:

• nível pré-iconográfico: nele são descritos, genericamente, os objetos e ações representados pela imagem;

• nível iconográfico: estabelece o assunto secundário ou convencional ilustrado pela imagem. Trata-se, em suma, da determinação do significado mítico, abstrato ou simbólico da imagem, sintetizado a partir de seus elementos componentes, detectados pela análise pré-iconográfica;

• nível iconológico: propõe uma interpretação do significado intrínseco do conteúdo da imagem. A análise iconológica constrói-se a partir das anteriores, mas recebe fortes influências do conhecimento do analista sobre o ambiente cultural, artístico e social no qual a imagem foi gerada (SMIT, 1996, p.)

Referente aos predicados de assunto, Shatford (1986 apud MANINI, 2002) aponta a categorização dos aspectos de uma imagem, podendo “ser específica ou genericamente DE alguma coisa (apresenta o referente da imagem, algo concreto) ou SOBRE alguma coisa (o significado da imagem, abstrato)”.

Manini (2002) observa que o DE está anexo aos níveis pré-iconográfico (DE genérico) e iconográfico (DE específico) tal como o SOBRE está ligado ao nível iconológico. Para a autora,

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Na distinção entre o DE (Genérico e Específico) e o SOBRE, temos que o DE é mais objetivo e consensual; já o SOBRE mais subjetivo e de consenso limitado, estando esta limitação vinculada à polissemia da imagem e ao repertório do observador. O SOBRE é tudo o que não é a imagem em si, embora ele “esteja“ na imagem (MANINI, 2002, p.73).

Smit (1996, p. 32) propõe adaptar as questões “quem?”, “onde?”, “quando?’, “como?” e “o que?”, provenientes originalmente da análise textual, para a descrição de imagens, e sugere os seguintes significados adaptados a realidade imagética:

Quadro 1 - Método para indexação de imagens

CATEGORIAS REPRESENTAÇÃO DO CONTEÚDO DAS IMAGENS

QUEM Identificação do “objeto enfocado”: seres vivos, artefatos,

construções, acidentes naturais, etc.

ONDE Localização da imagem no “espaço”; espaço geográfico ou espaço

da imagem (p. ex. São Paulo ou interior de danceteria).

QUANDO Localização da imagem no “tempo”: tempo cronológico ou

momento da imagem (p. ex. 1996, noite, verão). COMO/O QUE

Descrição de “atitudes” ou “detalhes” relacionados ao “objeto enfocado”, quando este é um ser vivo (p. ex. cavalo correndo,

criança trajando roupa do século XVIII). Fonte: (Smit, 1996, p. 32).

Reunindo as categorias informacionais (quem/o que...) e os princípios estabelecidos por Shatford (1986), Smit (1996) propõe a grade exposta a seguir.

Quadro 2 - Grade de Smit para a Análise Documentária de imagens fotográficas

DE

Categoria Genérico Específico Sobre

Quem/ O Que Onde

Quando Como

Fonte: Smit (1996 apud MANINI, 2002)

Torezan (2007) expõe que com base nos apontamentos realizados outrora por Smit (1996), Manini (2002) também considera pertinente a possibilidade de análise da imagem adotando estas indagações. No entanto, Manini reflete que

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responder às perguntas quem, onde, quando, o que e como será necessário para representar as informações mais importantes, mas não será o suficiente, uma vez que dados relativos à Dimensão Expressiva da imagem [...] não são obtidos através destas perguntas (MANINI, 2002, p.104)

A dimensão expressiva, de acordo com Manini (2002), refere-se às técnicas adotadas na produção da imagem. A autora acredita que a dimensão expressiva possui grande importância para a completeza de informações a respeito da imagem fotográfica.

No intuito de contemplar este item, Manini elabora a grade apresentada abaixo, completando assim os campos de descrição da fotografia.

Quadro 3 - Grade de Manini para a Análise Documentária de imagens fotográficas

Conteúdo Informacional Dimensão

Expressiva

DE SOBRE

Categoria Genérico Específico

Quem/ O Que Onde Quando

Como

Fonte: Manini (2002)

Visando a inclusão da dimensão expressiva no sistema de análise documentária de imagens fotográficas, Manini (2002) com base nas premissas de Smit (1996), apresenta um quadro explicativo com os recursos técnicos e as variáveis da dimensão expressiva, a seguir:

Quadro 4 - Variáveis da dimensão expressiva.

RECURSOS

TÉCNICOS VARIÁVEIS

Efeitos especiais fotomontagem; estroboscopia; alto-contraste; trucagens; esfumação; etc

Ótica utilização de objetivas (fish-eye, lente normal, grande-angular, teleobjetiva, etc.); utilização de filtros (infravermelho, ultravioleta, etc. Tempo de Exposição Instantâneo; pose; longa exposição; etc

Luminosidade luz diurna; luz noturna; contraluz; luz artificial; etc Enquadramento

enquadramento do objeto fotografado (vista parcial, vista geral, etc.); enquadramento de seres vivos (plano geral, médio, americano, close, detalhe); etc

Posição da Câmera

câmara alta; câmara baixa; vista aérea; vista submarina; vista subterrânea; microfotografia eletrônica; distância focal

(fotógrafo/objeto); etc

Composição retrato; paisagem; natureza morta; etc Profundidade de

Campo

com profundidade: todos os campos fotográficos nítidos (diafragma mais

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fechado); sem profundidade: o campo de fundo sem nitidez (diafragma

mais aberto)

Fonte: (MANINI, 2002, p. 91).

Em síntese, a representação sistemática objetiva o arranjo informacional da imagem, como forma de padronização e fornecimento de diretrizes para o trabalho do bibliotecário indexador.

A adoção da sistematização no tratamento das imagens refletirá qualitativamente na recuperação da informação e na satisfação da demanda informacional do usuário.

Apesar de nosso estudo estar direcionado ao contexto comercial, cabe apontar a proposta de Padilha (2014), que ao focalizar o contexto museológico e de pesquisa, cria uma proposta de descrição do acervo fotográfico histórico com o intuito de facilitar o acesso do usuário e/ou pesquisador a este objeto informacional.

Dois trabalhos foram essenciais para a proposta de Padilha (2014): Manini (2002), já apresentada no quadro 3, e Kossoy (2001), mostrada a seguir.

Quadro 5 - Grade de Kossoy para a Análise Documentária de imagens fotográficas

1.Identidade do documento + características individuais 2. Informações referentes ao assunto (tema representado na imagem) 3. Informações referentes ao fotógrafo (autor do registro) 4. Informações referentes à tecnologia

Nº de registro/ Título Referência visual

do documento Fotógrafo ou estabelecimento (autor do registro) Quando se trata de um original fotográfico de época: equipamento utilizado, natureza do original, suporte da superfície, fotossensível, processo fotográfico empregado, textura da superfície do papel fotográfico, tonalidade, formato da imagem (dimensão), característica da montagem. Localização do documento na inst. Descritores de conteúdo (palavras-chave – inventário temático/ relacionado ao conteúdo)

Autoria por atribuição: tipo de montagem, cenários de estúdio no caso de retratos, caract.

De estilo, fotógrafos atuantes no local na época em que a fotografia foi produzida. Procedência: origem da aquisição, tipo de aquisição, data, Anotações no documento matriz

Pistas que levem à determinação de contratante do serviço

(26)

especificar número do processo (se for inst. Pública), foi adquirido com

outros documentos?, é peça avulsa ou faz parte

de um conj. De fotos?, recuperar dados

bibliográficos

fotográfico

Conservação: estado atual, condições físicas que se acha armazenado, condições ambientais que

se acha armazenado

Descrição concisa do tema

Fonte: Padilha (2014), com base na obra de Kossoy (2001).

Ao justificar a inclusão da obra de Kossoy (2001) em sua pesquisa, Padilha argumenta que o autor,

acredita que a fotografia/objeto, ao entrar no museu, possui características variadas que precisam ser evidenciadas por se tratar de tamanha peculiaridade que não só a informação contida na imagem e no suporte, mas também seu conteúdo externo (fotógrafo, tecnologia, entre outros) deve ser representado (PADILHA, 2014, p. 61).

Com base nestes dois autores, Padilha elabora uma ficha documental e aplica aos metadados que compõem as fichas de catalogação dos Museus de Imagem e do Som situados no sul e sudeste do Brasil. O resultado é a grade mostrada a seguir que se constitui em sua proposta de conjunto de metadados para descrição de acervo fotográfico histórico em museus para o pesquisador.

Quadro 6 - Grade de Padilha para a Análise Documentária de imagens fotográficas históricas

1. Identidade dos documentos + características individuais 2. Informações referentes ao assunto 3. Informações referentes ao fotógrafo 4. Informações referentes à tecnologia DE DE DE DE Quem/O que Título/Nº de Registro Descritores Onde Localização Quando Data de aquisição Como Procedência Quem/O que Registrado por/Outros números Onde Posição no álbum/série Quando Data de registro Como Modo de aquisição Quem/O que Descritores Onde Local Quando Data Como Anotações Quem/O que Descritores onomásticos Onde Descritores geográficos Quando Data das anotações Como Transcrição Quem/O que Autor Onde Local de nascimento Quando Período de trabalho do fotógrafo Como Característica de estilo Quem/O que Estúdio Onde Local de atuação Quando Data de impressão Como Ambiente fotografado Quem/O que Equipamento utilizado Onde Fabricação do equipamento Quando Período do equipamento Como Processo fotográfico Quem/O que Suporte físico Onde Fabricação do suporte Quando Período do suporte físico Como Natureza do original

(27)

Sobre Estado de conservação Ex-proprietário Observações Sobre Histórico Elementos simbólicos Observações Sobre Observações Sobre Formato Cromia Dimensão Física Descrição Física Gênero Observações Dimensão expressiva Exposições Publicações Intervenções Autorização de uso Dimensão expressiva Referência bibliográfica Dimensão expressiva Objetos associados Dimensão expressiva Técnica Fonte: Padilha (2014)

No nosso entendimento, esta proposta reflete amplamente os pontos de acesso necessários às buscas efetivadas pelo pesquisador, cujo objeto de estudo é a fotografia. Ou seja, corresponde a realidade e adota a linguagem que este pesquisador está habituado.

Conforme Cesarino (1985), a comunicação entre o sistema e o usuário requer este reconhecimento. Nos dizeres da autora, é importante inteirar-se da “[...] linguagem das pessoas com que o sistema interage. Sem isso, é impossível indexar corretamente e se comunicar com o usuário [...]” (CESARINO, 1985, p. 162).

Acrescenta-se a esta exigência, a necessidade de adotar um método de padronização a descrição das imagens, priorizando os aspectos que envolvam a instituição, tais como a cultura organizacional da instituição, a cultura da demanda e suas prioridades. O resultado será percebido na consistência da representação e na preservação do acervo.

Discernir as técnicas disponíveis que podem ser adotadas no processo de recuperação das imagens fotográficas é imprescindível, pois a escolha de uma destas implica em estar de acordo com a necessidade informacional da demanda. A padronização do processo de indexação está diretamente associada à qualidade e a consistência do acervo.

Tendo em vista que nossa pesquisa tem por objeto a fotografia e adota o contexto comercial como realidade, decidimos por utilizar a proposta de Manini (2002) adaptada por Hingst (2011).

Além disso, a pesquisa utiliza também os resultados do estudo de Hingst (2011), no qual fora adotado também a proposta de Manini para a análise de

(28)

fotografias comerciais, com o fim de traçarmos algumas comparações sobre a análise imagética em dois contextos comerciais distintos.

(29)

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3.1. Caracterização da Pesquisa

Apoiando-se na tipologia de pesquisas apresentadas em Gil (2010), considera-se a presente pesquisa como exploratória e documental. A modalidade exploratória se refere às pesquisas que necessitam obter uma maior familiaridade com o problema, visando à construção de hipóteses e à sua explicitude. (GIL, 2010). A pesquisa documental é vista

[...] em praticamente todas as ciências sociais e constitui um dos delineamentos mais importantes no campo da História e da Economia. [...] Seu planejamento tende a ser bastante flexível, pois interessa considerar os mais variados aspectos relativos ao fato ou fenômeno estudado (GIL, 2010, p. 27-30).

É composta por toda sorte de documentos de finalidades variadas, como assentamento, autorização, entre outros.

3.2. Contexto da Pesquisa

Nesta pesquisa, as imagens analisadas estão disponíveis no Getty Images (http://www.gettyimages.pt/), em sua versão internacional traduzida para o português lusitano. Sua origem é americana, com sede em Seattle, Washington, Estados Unidos da América.

Trata-se de um fornecedor de imagens, áudio e vídeo para empresas e consumidores em geral, com um acervo de 80 milhões de imagens fotográficas e ilustrações. Destina-se a três nichos profissionais: o criativo (publicidade e design gráfico), a mídia (impressão e publicação on-line) e à corporativa (design, marketing in-house e departamentos de comunicação).

O Getty Images tem escritórios de distribuição em todo o mundo e, agora, opera um grande site comercial que permite aos clientes pesquisar e navegar por imagens, adquirir direitos de uso e download de imagens.

Os custos das imagens variam de acordo com a resolução escolhida e o tipo de direitos associados a cada imagem. A empresa também oferece serviços de fotos personalizadas para clientes corporativos.

(30)

3.3. Corpus da pesquisa

As fotografias utilizadas na presente pesquisa, oriundas do banco de imagens Getty Images (http://www.gettyimages.pt/), foram selecionadas da seguinte forma. Definiu-se que o corpus seria composto por vinte (20) imagens do referido banco de imagens, escolhidas na pesquisa geral da seção “Fotografias editoriais”. A fim de sistematizar a coleta, em cada página da seção “Fotografias editoriais”, foi selecionada a quarta foto para compor o corpus da pesquisa. Este procedimento foi adotado até chegar ao número de 20 imagens.

Apesar de cada imagem possuir legenda e uma numeração para identificação, nossa análise focou-se nos termos descritores utilizados nas imagens. Logo, os dados escolhidos para a análise foram retirados do campo palavras-chave.

3.4. Etapas da pesquisa

Este estudo foi desenvolvido em três etapas que refletem os caminhos a serem seguidos para atingir o objetivo geral definido como Investigar a indexação das imagens armazenadas no banco Getty Images.

O primeiro objetivo específico, Selecionar um conjunto de imagens armazenadas no Getty Images, foi realizado pela seleção de vinte (20) imagens, adotando como procedimento a busca geral na página inicial do site, na seção “Fotografias editoriais” e aplicando o critério descrito em 3.3.

Uma vez finalizado o levantamento do corpus, partimos para atingir o segundo e terceiro objetivos específicos, Verificar a descrição das imagens sob a luz da grade de Manini (2002) adaptada por Hingst (2011) e comparar os resultados com aqueles atingidos por Hingst (2011). A descrição destes objetivos está mostrada na seção 3.5 a seguir.

3.5. Instrumento de coleta de dados

Nosso estudo utilizou os seguintes instrumentos de coleta de dados identificados no trabalho de Hingst (2011):

(31)

a) Adaptação do quadro proposto por Manini (2002) para a coleta de dados – análise qualitativa;

b) Adaptação do quadro proposto por Manini (2002) para a coleta de dados – análise quantitativa.

O primeiro, ilustrado abaixo, serviu para coletarmos os dados de forma qualitativa e individual. Ele foi completado à medida que analisávamos os descritores atribuídos pelo banco de imagens a cada fotografia e os classificávamos nas categorias estabelecidas no quadro 7.

Quadro 7 - Adaptação do quadro proposto por Manini (2002) para a coleta de dados – análise qualitativa. Quem (Genérico) Onde (Genérico) Quando (Genérico) Como (Genérico) Sobre Quem (Específico) Onde (Específico) Quando (Específico) Como (Específico) Dimensão Expressiva

Fonte: (MANINI, 2002, p. 91, adaptado por Hingst, 2011).

O segundo quadro, mostrado a seguir, teve a finalidade de examinar quantitativamente os termos atribuídos às imagens, de modo que os termos encontrados em cada imagem foram assinalados no quadro, simbolizados por “x”.

Quadro 8 - Adaptação do quadro proposto por Manini (2002) para a coleta de dados – análise quantitativa.

Fonte: (MANINI, 2002, p. 105, adaptado por Hingst, 2011). Categorias

Imagens

Quem/O que Onde Quando Como Sobre Dimensão

Expressiva Gen. Esp. Gen. Esp. Gen. Esp. Gen. Esp.

Imagem 1 Imagem 2 Imagem 3 ... Imagem 20

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Os dados preenchidos nos dois quadros viabilizaram a análise da indexação no Getty Images. Foi possível igualmente comparar os resultados desta investigação com os de Hingst (2011), apresentando inferências quanto às semelhanças e diferenças encontradas.

(33)

4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Neste capítulo, apresenta-se a análise qualitativa e a quantitativa dos termos utilizados na indexação das imagens fotográficas contempladas na pesquisa, incluindo a comparação dos resultados com o trabalho de Hingst (2011).

No Apêndice A, encontra-se o quantitativo de categorias identificadas nas fotografias analisadas e no Apêndice B, encontra-se a relação das imagens examinadas e a inclusão dos descritores nas categorias utilizadas nesta pesquisa.

Com o intuito de mostrar um panorama geral, registra-se que nas 20 fotos selecionadas para a análise da indexação, foi encontrado o total de 260 descritores. Os campos de palavras-chave das fotos utilizadas tinham entre oito e 21 termos. Na pesquisa de Hingst (2011), a autora analisou 30 imagens, encontrando 248 descritores, com a média de três a 14 termos nos campos de palavras-chave.

Verifica-se que, em nosso estudo, apesar do número reduzido de fotografias analisadas, o total de descritores e palavras-chave foi significativamente maior. A diferença pode ser atribuída possivelmente pelo fato de, em nossa pesquisa, algumas imagens possuírem termos na língua inglesa e específicos da origem da fotografia.

Em relação às categorias contempladas nesta pesquisa (quem genérico, quem específico, onde genérico, onde específico, quando genérico, quando específico, como genérico, como específico, sobre e dimensão expressiva), nossos dados revelam que das 20 imagens selecionadas, 13 (65%) possuíam descritores que abrangiam seis ou sete categorias e sete imagens (35%) possuíam descritores que englobavam quatro ou cinco do total das dez categorias. Desta forma, pode-se dizer que a maioria (65%) das imagens é representada por descritores que podem ser classificados em 6 ou 7 categorias (ver tabela 1).

Tabela 1 - Quantidade de imagens por categorias contempladas

Número de Categorias Quantidade de Imagens Percentual 4 ou 5 7 35%

(34)

6 ou 7 13 65%

Fonte: Dados da pesquisa – Apêndice B, adaptado de Hingst (2011).

Para efeito de comparação, das 30 imagens analisadas no trabalho de Hingst (2011), 22 (73,3%) apresentavam descritores que tinham três ou quatro das dez categorias. Seis (20%) fotos possuíam descritores que abrangiam cinco categorias e duas fotos (6,7%) abrangiam somente duas categorias.

Assim como no trabalho que está sendo comparado, em nosso estudo há a constante ausência de descritores em certas categorias. Foi verificada igualmente uma maior especificidade de descritores em algumas categorias. Estas questões serão explanadas ao longo do capítulo.

4.1. Categoria Quem/O que

Para Smit (1996), a categoria Quem/O que abrange a “Identificação do ‘objeto enfocado’: seres vivos, artefatos, construções, acidentes naturais, etc”. Das 20 fotografias analisadas, 15 (75%) apresentavam descritores da categoria Quem/O que genérico e 8 (40%) possuíam descritores da categoria Quem/O que específico.

Das 30 fotografias analisadas por Hingst (2011), 28 (93,3%) possuíam descritores referentes à categoria Quem/O que genérico e 25 (83,3%) apresentam descritores relacionados à categoria Quem/O que específico.

No trabalho de Hingst, foi nesta categoria que se obteve o maior número de descritores encontrados. De acordo com a autora, “a existência unanime do descritor "Quem/O que" na imagem está relacionada ao fato de que a fotografia é feita de algum objeto.” (HINGST, 2011, p. 28).

A figura 1 expõe os descritores atribuídos pelo banco Getty Images em uma imagem específica. Nesta imagem, os descritores referentes à categoria Quem/O que são: Pessoas; Uma Pessoa e Naomi Campbell. Uma observação a ser feita sobre os descritores da categoria em questão se refere aos termos Pessoas e Uma Pessoa, sendo que o primeiro termo está se referindo a alguém no plural enquanto que o segundo termo refere-se a um indivíduo específico que está na imagem.

(35)

Figura 1 - Naomi Campbell attends the Attitude Awards at Banqueting House on October 13, 2014 in London, England.

Fonte: Getty Images

Estes descritores, a nosso ver, podem provocar certa ambigüidade no momento da recuperação, tendo em vista que o descritor Pessoas pode servir tanto para identificar a pessoa retratada na foto, quanto, de forma mais ampla, pessoas que participam do/de evento.

Deve-se considerar que o banco de imagens utilizado em nossa pesquisa é de alcance internacional e seu acervo deveras extenso. Nele, cabe ao usuário especificar o termo de busca. Se desejar recuperar uma imagem da modelo apresentada na foto, deverá utilizar o nome próprio referente a ela.

Se utilizar os termos Pessoas ou Uma Pessoa provavelmente recuperará além da foto de Naomi Campbell, outras fotos referentes a modelos e outras pessoas que atuam em cenários semelhantes. Neste último caso, a recuperação terá a precisão prejudicada.

No estudo de Hingst, a autora expõe uma situação interessante dos descritores desta categoria. Ela relata que

(36)

Outra prática adotada é a de não repetir itens nas partes genéricas e específicas da categoria. [...] percebe-se que não foi inserido o descritor praia, uma vez que já existe o descritor Praia dos Ingleses. Isso se dá ao fato de que o sistema é capaz de recuperar esta imagem tanto com a busca por Praia dos Ingleses quanto com a busca apenas pelo termo praia (HINGST, 2011, p. 30).

No caso do Getty Images, o Quem/O que genérico (Pessoas e Uma pessoa) não se repete no Quem/O que específico (Naomi Campbell).

4.2. Categoria Onde

A categoria Onde contempla “localização da imagem no “espaço”: espaço geográfico ou espaço da imagem (p. ex. São Paulo ou interior de danceteria)” (SMIT, 1996, p. 32). Nessa perspectiva, a referida categoria analisada na indexação está relacionada diretamente ao meio geográfico, tal como apontado por Hingst (2011).

Em nossa pesquisa realizada com 20 imagens, foram encontradas nove (45%) imagens que contemplavam os descritores Onde genérico e 19 (95%) referentes a Onde Específico. Hingst também encontrou nas 30 imagens analisadas, nove (30%) descritores referentes a Onde genérico e 13 (43,3%) a Onde específico.

Figura 2 - People watch as Mount Sinabung spews pyroclastic smoke at Tiga Pancur village on October 13, 2014 in Berastagi, Karo district, North Sumatra, Indonesia.

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Fonte: Getty Images

Ao analisar os descritores da figura 2, encontramos os seguintes termos referentes a esta categoria: Distrito, Aldeia, Indonésia, Medan, Monte Sinabung e Sumatra. Os dois primeiros descritores representam Onde genérico e os quatro restantes, Onde específico. Sendo assim, nossa pesquisa se assemelha à de Hingst (2011) nesse quesito, pois as palavras-chave relacionadas

[...] a esta categoria são referentes, em sua maioria, à indicação geográfica como litoral e serra no Onde geral. Em relação à Onde específico, são utilizados nomes de praças ou bairros e termos que descrevem indicações geográficas mais especificamente como, por exemplo, serra catarinense (HINGST, 2011, p. 31).

Conforme exemplificado nas fotos anteriores, nota-se a presença do descritor Onde específico também na legenda das fotos. A informação geográfica, representada com exatidão nesse tipo fotográfico é imprescindível para a compreensão da fotografia em si, pois se trata de situações e/ou eventos ocorridos em determinado período.

4.3. Categoria Quando

Smit (1996) define a categoria Quando como a “localização da imagem no “tempo”: tempo cronológico ou momento da imagem (p. ex. 1996, noite, verão)”. A autora também acrescenta à conceituação da categoria como “tempo linear ou cíclico, datas e períodos específicos, tempos recorrentes”. (SMIT, 1996, p. 32-33).

Dessa maneira, o Quando genérico associa-se a um tempo cíclico (“noite”, “verão”) e o Quando específico está atrelado a um tempo linear (“1996”).

Esta foi a categoria com o menor número de descritores encontrados. No Quando Genérico apenas duas (10%) das 20 fotos analisadas possuíam

(38)

descritores que pertenciam a esta categoria. Na análise do trabalho de Hingst (2011), foi observado à presença de descritores relacionados a esta categoria em apenas cinco (16,7%) das 30 fotos analisadas.

Sobre o Quando Específico apenas sete (35%) das 20 fotos tinham descritores que contemplavam a categoria. A razão pela qual isto ocorre pode ser devido ao fato de que na legenda já está registrada a data em que ocorreu o evento e, portanto, foi feita a foto. Portanto, encontra-se outro aspecto de semelhante ao trabalho de Hingst:

[...] o sistema utilizado na indexação das imagens estudadas possui um campo no qual é inserida a data em que a fotografia foi tirada. Deste modo, pode-se afirmar que todas as fotografias possuem metadados referentes à categoria Quando específico. Isto justifica o fato de nenhuma das imagens analisadas possuir descritores relacionados ao Quando específico (HINGST, 2011, p. 32-33).

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Figura 3 - A model showcases designs on the runway during the HANAE MORI designed by Yu Amatsu show as part of Mercedes Benz Fashion Week TOKYO 2015 S/S at Shibuya Hikarie on

October 13, 2014 in Tokyo, Japan.

Fonte: Getty Images

Entre os descritores da imagem acima, encontram-se os termos Desfile de Moda e 2015. Ambos os termos estão relacionados a um tempo cíclico, ou seja, inseridos à categoria Quando Específico.

Observa-se também que na legenda, apresentada no título da figura 3, existem informações precisas do evento, como data e local, confirmando o apontado em outrora no texto, acerca da especificidade necessária na fotografia editorial.

(40)

4.4. Categoria Como

A categoria Como é representada, de acordo com Smit (1996), com base na presença de seres vivos na imagem. Smit define a categoria como fator descritivo “[...] de “atitudes” ou “detalhes” relacionados ao objeto enfocado, quando este é um ser vivo (p. ex. cavalo correndo, criança trajando roupa do século XVIII)”. (SMIT, 1996, p. 32).

Segue o exemplo da Figura 4:

Figura 4 - Indonesian President-elect Joko Widodo (L) hand shakes with the pople at Tanah Abang Market the biggest textile market in South East Asia with Facebook founder Mark Zuckerberg (R)

after meeting on October 13, 2014 in Jakarta, Indonesia.

Fonte: Getty Images

Na figura 4, é observado que na legenda da imagem, apresentada no título da figura 4, aparece a descrição de ações relativas à categoria Como que são também aproveitadas como descritores. Hingst também aponta em seu trabalho que foi “[...] utilizado este tipo de informação diretamente na legenda da foto” (HINGST, 2011, p. 34).

A principal diferença, nesta categoria, é que, devido ao fato de as imagens selecionadas para este corpus terem sido coletadas da seção editorial, alguns descritores possuem características complementadoras, tal

(41)

como Apertar a Mão. Além disso, grande parte das imagens coletadas para a análise traz seres vivos como foco principal.

Destarte, foram localizados 15 (75%) fotos com estes descritores, no Como Genérico, enquanto no estudo de Hingst (2011) foram encontradas duas fotos (6,67%). Vale lembrar, então, que a modalidade de indexação deve ser uma questão primordial das necessidades da demanda, como no caso da categoria em questão.

4.5. Categoria Sobre

Imagens, para Smit (1996), são analisadas em nível iconológico. Conforme aponta Manini (2002),

Na distinção entre o DE (Genérico e Específico) e o SOBRE, temos que o DE é mais objetivo e consensual; já o SOBRE mais subjetivo e de consenso limitado, estando esta limitação vinculada à polissemia da imagem e ao repertório do observador. O SOBRE é tudo o que não é a imagem em si, embora ele “esteja” na imagem (MANINI, 2002, p. 73-74).

E a autora complementa:

Shatford parte da categorização de Panofsky (níveis pré-iconográfico, iconográfico e iconológico44) para desenvolver suas considerações a respeito do DE e do SOBRE. Ela os distingue da seguinte maneira: uma análise iconográfica possibilita que se identifique especificamente DE que é uma imagem, mas também torna possível a percepção de alegorias, personificações e símbolos para analisar SOBRE o que é uma imagem (MANINI, 2002, p. 74).

Sendo assim, todas as 20 (100%) imagens analisadas possuíam descritores referentes à categoria em questão. Hingst (2011) localizou entre as 30 imagens, 28 (93,3%) que contemplavam a mesma categoria.

Segundo a autora, isso se deve ao fato de existir muitos descritores Sobre, pois “[...] muitas vezes, as imagens são utilizadas para passar uma ideia e não apenas para trazer uma informação” (HINGST, 2011, p. 35).

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Em nosso caso, como o banco de imagens é de alcance internacional, muitos descritores se apresentam em mais de um idioma, como o exemplo da figura 5:

Figura 5 - A view of a weather tarp covering the infield as rain falls to postpone Game Three of the American League Championship Series between the Baltimore Orioles and the Kansas City Royals

at Kauffman Stadium on October 13, 2014 in Kansas City, Missouri.

Fonte: Getty Images

Na foto acima, apresentam-se os seguintes descritores referentes que tratam Sobre a imagem: Condições metereológicas, Chuva, Cover, Desporto, Baltimore Orioles, Kansas City Royals, Basebol, Bola dentro, Jogo Três, Lona, Eliminatória da Major League de Basebol, MLB American League Championship Series, National League, Playoff e Liga Norte-Americana.

Como não é pública a forma de realização e por qual profissional – ou máquina – é feita a indexação do Getty Images, cabe ao usuário realizar uma busca em conjunto com um profissional apto ou mesmo compreender certos termos por hipótese, vide Cover e Bola dentro. Termos em inglês como Playoff e National League podem ser considerados “soltos” na indexação, pois não se

(43)

tratam de nome próprio, ao contrário de Baltimore Orioles e Kansas City Royals.

A organização das imagens indexadas necessita de diretrizes que orientem a atribuição de termos para representação, de forma que os descritores realmente façam sentindo na busca do usuário.

4.6. Dimensão Expressiva

Segundo Manini (2002), a Dimensão Expressiva é um termo utilizado para designar informações de caráter técnico da imagem, a partir de sua elaboração. É apontada como a “aparência física”, pela qual o conteúdo informacional da imagem é exposto.

Hingst (2011) encontrou apenas duas (6,67%) imagens relacionadas à Dimensão Expressiva, do total de 30. A autora acredita que houve certa despreocupação com esta categoria. Isso pode ser atribuído ao fato do banco de imagens em questão prestar seus serviços “sob medida”, conforme o tipo de pesquisa feita pela clientela.

Todas as 20 (100%) imagens analisadas em nossa pesquisa apresentaram descritores relacionados a presente categoria. Em todos os casos, a informação apresentada principalmente era sobre o formato no qual a foto havia sido registrada, em posição Horizontal ou Vertical, conforme o exemplo da figura 6:

Figura 6 - Actress Tara Reid visits Sway in the Morning at SiriusXM Studios on October 13, 2014 in New York City.

(44)

Fonte: Getty Images

O descritor Horizontal dispõe a informação sobre a posição da foto. No caso do Getty Images, como as vendas são feitas online, é pertinente esse tipo de especificação. Manini (2002) reflete que

A Dimensão Expressiva de uma fotografia é algo ligado à forma da imagem – que se encontra em justaposição ao seu conteúdo informacional. Os métodos tradicionais de indexação de imagens preocupam-se com a recuperação baseada no conteúdo. Há a necessidade, entretanto, de se considerar também a recuperação da informação visual baseada na forma (MANINI, 2002. p. 87).

Cabe ressaltar que a presença efetiva da Dimensão Expressiva nas fotografias editoriais analisadas é imprescindível para sua posterior utilização, pois geralmente este estilo fotográfico serve para fins publicitários e/ou jornalísticos.

(45)

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base na análise realizada nas imagens nesta pesquisa, é possível traçar alguns apontamentos sobre as particularidades da indexação deste tipo de objeto informacional.

O Getty Images é um banco de imagens comercial que possui alcance internacional, oferecendo uma extensa coleção de fotografias, em variados segmentos. Suas ferramentas de recuperação possibilitam que o usuário realize a busca via vários canais. Por exemplo, ele pode recuperar a fotografia pela numeração que lhe é dada e registrada por meio da marca d’água na mesma.

Outro ponto a ser explanado é a questão dos descritores atribuídos imagens de uma coleção editorial. Muitos deles possuem termos específicos dentro da mesma coleção de imagens, e isto é bastante importante para o cliente, pois há a distinção entre as fotografias, mesmo elas estando num mesmo segmento.

Sobre a presença de termos em inglês que por vezes não fazem sentido ou quando um termo “solto” é traduzido e associado à imagem (figura 5 – termo “bola dentro”) cabe a equipe responsável da empresa realizar uma triagem ou padronização de uso terminológico. Seria aconselhável que fosse registrado por quem e como a indexação no Getty Images é realizada.

Acerca das categorias propostas por Manini e adaptadas por Hingst (2011), praticamente todas foram bastante utilizadas, exceto por Quando. Em nossa pesquisa, as categorias Sobre e Dimensão Expressiva foram aplicadas em todas (100%) as fotos, enquanto que as mais utilizadas durante o processo de indexação das imagens no estudo de Hingst (2011) foram Quem/O que e Sobre. Considerando que as fotografias disponíveis em ambos os bancos de imagem pesquisados são comercializadas, geralmente existe certo nível de conotação presente na categoria Sobre.

A categoria Quem/O que foi utilizada em larga escala pelo fato da imagem apresentar um objeto-alvo. Em muitas fotos coletadas no editorial, o objeto principal traz figuras públicas, sendo um referente.

Percebeu-se que a categoria Quando foi menos utilizada que Quem/O que e a categoria Onde, a qual abrangeu campos específicos sobre data e

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localização (ex: cidade, estado ou país). Referente à categoria Quando, Hingst também obteve resultados similares.

Ao contrário dos resultados encontrados em Hingst (2011), a categoria Como foi bastante utilizada, visto que a presença de seres humanos nas fotos foi predominante. Na legenda das fotos, foi possível verificar informações referentes à categoria, também utilizadas como descritores.

O grande diferencial entre as análises foi na categoria Dimensão Expressiva. Em nossa pesquisa, todas as 20 (100%) fotos contemplavam descritores da categoria. Uma hipótese construída é a de como no Getty Images as fotos são expostas e vendidas no próprio site, há a necessidade de especificação das técnicas utilizadas para o registro fotográfico, visto que a demanda varia de pessoa física à pessoa jurídica. Hingst (2011) aponta que os indexadores, no caso de sua pesquisa, devem dar maior atenção aos atributos da imagem que entram nesta categoria.

No que tange a comparação realizada entre o banco de imagens comercial do Getty Images e o banco de imagem em que as fotos analisadas por Hingst foram selecionadas, cabe destacar alguns aspectos:

• As semelhanças prevaleceram no sentido da perspectiva de Manini sob a adaptação de Hingst;

• Ambos os bancos de imagens são comerciais, porém de alcance geográfico distinto, além do conhecimento interno da autora Hingst do local escolhido para sua pesquisa;

• Recomenda-se, assim como Hingst (2011), que os indexadores ou o responsável pela modalidade tenham discernimento sobre as técnicas utilizadas no processo de indexação;

• É preciso atingir a padronização do processo de indexação, assim como o registro público de uma política de indexação ou dos procedimentos adotados no Getty Images;

• Precaução quanto às variações de tradução na lista de palavras-chave no Getty Images.

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Por fim, cabe ressaltar a importância de novos estudos para esta área, uma vez que há poucas pesquisas realizadas e pouca bibliografia. Alia-se ao fato de obtermos conhecimento quase nulo acerca do processo de indexação feita pelo Getty Images. Não se sabe quem o faz, de que forma é feita e quais diretrizes são seguidas para tal atividade, pois

[...] a informação – tão dinâmica, veloz e capaz de atravessar espaço e tempo de maneira às vezes admirável – é algo inerte, no sentido de que quem a recebe pode não fazer coisa alguma com ela. Os indivíduos podem deixar de transformar a informação em conhecimento, de lhe descobrir o sentido e o significado, relegando-a à simples categoria de dado (MANINI, 2002, p. 154).

Ademais, há alguns tipos de acervo neste banco de imagens e torna-se pertinente, para futuros estudos, o aprofundamento nas outras seções.

O trabalho de Hingst (2011) foi fundamental para o desenvolvimento da pesquisa, servindo como norteador para preencher a falta de informação técnica já apontada por parte do Getty Images. Hingst (2011) sugeriu, ao fim de seu trabalho, um estudo referente ao comportamento de busca dos usuários.

Corroborando com esta idéia, apontamos no mesmo sentido tendo em vista que a satisfação do usuário é o que há de mais importante em todo o processo de representação da informação. A verificação do atendimento as suas necessidades informacionais é fundamental.

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