Entrevista Forense
Carlos Eduardo Peixoto
Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses
Delegação do Norte
Esta comunicação é apoiada pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT)(PTDC/MHC-PAP/4295/2012) e
pelo Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE) (CCOMP-01-0124-FEDER-029554)
©Carlos Eduardo Peixoto
não é entrevista psicológica!
não é diagnóstico psicológico!
não é psicoterapia!
centrada nos factos e na obtenção de
informação relevante para um processo de
investigação e decisão judicial
A Criança enquanto Testemunha
Vulnerabilidades!
Linguagem!
Memória!
Sugestionabilidade!
Fantasia/
Imaginação
•
Potencialidades:!
•
Capacidade de
descrever
acontecimentos
experienciados (direta
ou indiretamente)
©Carlos Eduardo Peixoto
Consensos na literatura científica
O modo como não se deve entrevistar uma criança:!
Fazer questões sugestivas (eg. “Foi o teu pai que te tocou no pipi, não
foi?” (Ridley, Gabbert & La Rooy, 2013)!
Questionar de forma intimidatória e agressiva (Lyon, 1999)!
Utilizar questões complexas e confusas (e.g. “quando é que o arguido te tocou
no pipi e se isso foi antes ou depois de ele te ter dito que não devias contar à tua
mãe?” (Poole & Lamb, 1998)!
Fornecer previamente informação à criança (e.g. “olha agora vamos falar da
coisa má que o teu tio te fez”) (Brainerd & Reyna, 2005)!
Solicitar a imaginação (e.g. através de materiais lúdicos ou desenhos) (Brown,
2011)!
Adiar a entevista formal da criança (La Rooy et al., 2007)!
Repetição da entrevista em vários momentos, sendo esta realizada por
diferentes pessoas e utilizando diferentes técnicas de entrevista (La Rooy, Lamb
& Pipe, 2009)
Consensos na literatura científica
Modo de entrevistar:!
Regras de comunicação (Lyon, 2011)!
Estabelecer uma relação com a criança
( Hershkowitz, 2011) !
Treino cognitivo/prática de narrativas (Roberts et
al., 2011)!
Introduzir o assunto em análise de forma neutra e
progressiva (Orbach & Pipe, 2011)!
Utilização de questões abertas como melhor forma
de garantir a espontaneidade do relato da criança
(Lamb et al., 2008)
©Carlos Eduardo Peixoto
Consensos na literatura científica
Modo de operacionalizar:!
Obrigatoriedade de formação específica/
profissionalização (Stewart, Katz & La Rooy, 2011)!
Obrigatoriedade da utilização de um protocolo de
entrevista forense (Saywitz, Lyon & Goodman, 2011) !
Obrigatoriedade do registo vídeo (Smith & Milne,
2011)!
Obrigatoriedade de supervisão e formação contínua
(Lamb et al., 2008)
Protocolos de Entrevista Forense
Memorandum for Good Pratice (1992) e ABE
(2002; 2007; 2011)!
Entrevista Cognitiva (Geiselman & Fisher, 1992)!
RATAC (Anderson et al., 2011)!
SWI (Yuille et al., 1997)!
Elaboração narrativa (Camparo & Saywitz, 2014)!
NICHD (Lamb et al., 2008)
Protocolo de Entrevista Forense do
NICHD
Regras de comunicação!
Estabelecimento da relação!
Prática de narrativas!
Transição para a fase
substantiva!
Investigação das alegações!
Intervalo!
Revelação!
Finalização da entrevista
Revista do Ministério Público 134 : Abril : Junho 2013 [ PP. ??-?? ]
RESUMO
O testemunho de crianças no sistema penal constitui, ainda, um desafio que tem gerado investigação extensa na comunidade cien-tífica e a busca de formação pelos vários profissionais envolvidos no contexto judicial. Este artigo tem como objetivo apresentar um protocolo de entrevista forense do National Institute of Child Health and Human Development (NICHD). Este protocolo tem sido alvo, nos últimos 30 anos, de vários estudos de validação e de aplicação em casos reais em vários países, sendo um dos mais investigados e mais aplicados. Dada a lacuna identificada em Por-tugal nesta área da entrevista de crianças no âmbito judicial, este artigo visa apresentar os pressupostos subjacentes ao protocolo do NICHD, bem como a estrutura da entrevista, apresentando-a como proposta para uma boa prática em contexto judicial.
PALAVRASCHAVE: entrevista forense, NICHD, abuso sexual de crianças
O Protocolo de Entrevista Forense
do NICHD: contributo na obtenção
do testemunho da criança no contexto português
[1]Carlos Eduardo Peixoto[2]
Psicólogo Forense
Instituto Nacional de Medicina legal e Ciências Forenses, IP – Delegação Norte
Catarina Ribeiro[3]
Psicóloga Forense
Instituto Nacional de Medicina legal e Ciências Forenses, IP – Delegação Norte Docente da Universidade Católica Portuguesa e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar
Isabel Alberto[4]
Professora Auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
[1] Os autores agradecem todo
o apoio e colaboração fornecidos pelo Professor Michael Lamb na adaptação do Protocolo NICHD
ao contexto português. Trabalho apoiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT) (PTDC/MHC-PAP/4295/ 2012) e pelo Programa Opera-cional Fatores de Competitivi-dade (COMPETE) (CCOMP -01-0124-FEDER-029554).
[2] Membro do CENCIFOR.
[3] Membro do CENCIFOR. [4] Membro do CENCIFOR.