UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RS
DACEC – DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS, ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO
MBA EM GESTÃO DE PESSOAS – EAD
A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO INTERNA NO PROCESSO DE GESTÃO DE PESSOAS: UM ESTUDO COM TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS DE UMA
INSTITUIÇÃO DE ENSINO.
Daiane Andretta Portella1 Prof. Luciano Zamberlan2
RESUMO
O presente estudo foi realizado na Instituição de Ensino Superior, a UNIJUÍ, e teve como objetivo identificar como os colaboradores e gestores avaliam a comunicação interna, qual o grau de satisfação quanto aos atuais canais e ferramentas de comunicação interna da Universidade, as perspectivas de gestores e colaboradores quanto a eficácia dos fluxos comunicacionais internos, e por fim os benefícios e problemas encontrados na comunicação interna desta instituição. Para isso foi realizada uma pesquisa exploratória na qual os conteúdos das duas áreas envolvidas foram levantados e apresentados para posterior análise e composição do tema proposto. Foi realizado um levantamento bibliográfico através de livros, artigos, trabalhos acadêmicos, revistas e sites de internet. Quanto a abordagem optou-se pela pesquisa qualitativa e quantitativa. O procedimento para a coleta de dados foi a aplicação de um questionário online estruturado, que foi encaminhado para gestores e colaboradores de diferentes setores/departamentos da instituição, com algumas questões específicas para gestores e colaboradores, afim de fazer uma comparação. O questionário foi encaminhado para um total de 203 técnicos administrativos, entre eles 23 gestores e 180 colaboradores. Destes, 12 gestores e 84 colaboradores responderam ao questionário, totalizando 96 respondentes. Os resultados verificados neste estudo, confirma a importância de se proceder diagnósticos regulares sobre a comunicação interna. De acordo com os resultados apresentados, efetivamente gestores e colaboradores que participaram da pesquisa tem noção que a instituição dá muita importância a comunicação interna, no entanto os gestores dividiram opinião em relação a sua eficácia, enquanto a maioria dos colaboradores acredita ser eficaz. A maioria considera que a comunicação interna seria ainda melhor se a organização utilizasse mais meios e seria mais eficiente e motivadora se criasse novas formas de comunicação. Verificou-se também que a comunicação interna entre setores deve melhorar, pois tanto gestores como colaboradores discordam que a comunicação entre setores seja boa. A comunicação entre superiores e funcionários foi considerada boa, tanto pelos gestores como pelos colaboradores.
Palavras-Chave: Comunicação Interna - Gestão de Pessoas – Universidade
1 Aluna do Curso de Pós-Graduação – MBA em Gestão de Pessoas EAD da Universidade Regional do Noroeste
do Estado do Rio Grande do Sul.
2 Professor Orientador, docente do Curso de Pós-Graduação – MBA em Gestão de Pessoas EaD da Universidade
1. INTRODUÇÃO
A gestão de pessoas cada vez mais merece atenção pelas empresas, pois a competitividade no mundo das organizações é cada vez maior e ter uma equipe de funcionários satisfeitos e motivados pode trazer benefícios à organização, alcançando assim melhores resultados.
O cenário atual é de profundas mudanças estruturais e de avanços tecnológicos, onde os principais envolvidos são os colaboradores, e de acordo com Chiavenato (2008), as pessoas podem ser a fonte de sucesso como podem ser a fonte dos problemas de uma organização, dependendo da maneira como elas são tratadas, por isso a importância em valorizar o capital humano.
A comunicação interna e o processo de gestão de pessoas têm esses objetivos em comum, quais sejam: valorizar, capacitar e motivar os funcionários, fortalecer as relações interpessoais, além de melhorar o clima organizacional e consequentemente aumentar o comprometimento do público interno. No entanto no mundo corporativo a comunicação interna normalmente não flui de forma eficiente, clara e correta o que acaba sendo um desafio para os gestores, pois segundo Marchesi (2005) os gestores são os principais artífices de uma boa comunicação interna, e devem ser os primeiros a entender e ver a comunicação como uma área estratégica para atingir resultados.
Por meio dos mais variados canais de comunicação, os funcionários se relacionam e trocam informações, a fim de transmitir informações, conhecimentos e ideias novas aos demais colegas, desta forma auxiliando na administração dos relacionamentos, tantos internos como externos. Por isso, é necessário saber o que os colaboradores acham da comunicação interna da organização onde trabalham, se ela é boa ou se precisa ser melhorada.
Neste sentido, o estudo foi realizado na Instituição de Ensino Superior, a UNIJUÍ e teve como objetivo identificar como os colaboradores e gestores avaliam a comunicação interna, qual o grau de satisfação quanto aos atuais canais e ferramentas de comunicação interna da Universidade, analisando a eficácia dos fluxos comunicacionais internos considerando as perspectivas dos gestores e dos colaboradores para assim identificar os benefícios e problemas encontrados. Além disso, tem o propósito de demonstrar a importância da parceria entre a Comunicação Interna e a Gestão de Pessoas, e as atividades que possuem em comum e como podem ser aprimoradas com essa parceria.
O trabalho foi dividido em: introdução; referencial teórico da área em questão, que contextualiza e apresenta os principais conceitos de comunicação interna e o papel da gestão
de pessoas para o desenvolvimento dessa ferramenta; a opção metodológica, que aborda a escolha do formato da pesquisa e do instrumento de coleta de dados; a caracterização da amostra, que descreve o objeto da análise; a caracterização da instituição onde foi aplicada a pesquisa; a análise dos dados obtidos; e as conclusões apuradas com vistas a alcançar os objetivos do presente estudo.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Gestão De Pessoas
As transformações do meio em que vivemos estão cada vez mais aceleradas, e para as organizações não é diferente, as mudanças são inevitáveis e é necessário se adaptar para manter-se competitivo no mercado. A área de gestão de pessoas é a que mais sofre interferência com tais mudanças. De acordo com Chiavenato (1999), a moderna gestão de pessoas deve criar uma organização integrada, onde todos trabalham para atingir os objetivos empresariais e não apenas setoriais e departamentais, além da substituição definitiva da ultrapassada organização funcional pela organização em rede, com equipes voltadas para os processos e não apenas para o cumprimento de tarefas.
A valorização do capital humano e a visualização dos funcionários como parceiros no desenvolvimento do negócio, bem como no melhor relacionamento da organização com as pessoas que dela fazem parte, ganham espaço, assim como a exigência de novas formas de gestão (DUTRA, 2012). Diante deste contexto, o perfil dos gestores também passou por transformações, passando de um perfil obediente e disciplinado para um perfil autônomo e empreendedor (DUTRA, 2008)
As pessoas e as organizações mantêm entre si uma relação de dependência, pois uma depende da outra para alcançar seus objetivos, assim entende Chiavenato (2008). As organizações passaram a depender cada vez mais do grau de comprometimento e envolvimento das pessoas, o desempenho de uma organização depende da contribuição das pessoas que a compõem e também da forma como elas estão organizadas, são estimuladas e capacitadas. De acordo com Chiavenato (2008), a gestão de pessoas consiste em um conjunto de métodos, políticas, técnicas e práticas definidas, com o objetivo de orientar o comportamento humano e as relações humanas, afim de maximizar o potencial do capital humano no ambiente de trabalho.
Para Dutra (2008, p.57) “o ambiente onde nos inserimos exige um modelo de gestão de pessoas que estimule e ofereça suporte ao desenvolvimento mútuo da empresa e das
pessoas e que ofereça a ambas orientação para esse desenvolvimento de forma clara, simples e flexível.”
2.2. Comunicação Interna
A comunicação no âmbito interno das organizações cada vez mais vem ganhando destaque, ela desempenha um papel muito importante no ambiente organizacional, pois é o canal que liga a empresa com seus colaboradores. Costa (2010) conceitua a comunicação interna como um processo organizacional interativo e continuo de troca de informações, opiniões e percepções que ocorrem por meio de um conjunto diversificado de canais que visam promover identificação e cooperação entre seus membros para a consecução de objetivos comuns, com a finalidade de prosperar e perpetuar-se como grupo. A comunicação interna é definida por Rabaça (2001, p.176) como uma “forma de comunicação entre a instituição e seu público interno”.
Quando todos dentro da empresa sabem o que se passa e quais são os objetivos a serem alcançados obtêm-se um maior envolvimento e comprometimento, desta forma Brum (1994, p.23) define a comunicação interna como “um conjunto de ações que tem como objetivo tornar comum, entre funcionários de uma mesma empresa, objetivos, metas e resultados”.
A comunicação interna é considerada por diversos autores como um diferencial competitivo entre as organizações. A fluidez da comunicação e a harmonia dos relacionamentos internos são fundamentais para que haja envolvimento e colaboração dos funcionários com os objetivos organizacionais. Segundo Schaun (2008, p.29) “o ser humano se comunica para criar e cria para se comunicar”, ainda de acordo com Pimenta (2010) o foco da comunicação é o compartilhamento da informação por todos sem perda do conteúdo.
A comunicação interna busca informar, alinhar e engajar a equipe de trabalho, pois o capital humano é de grande importância para o sucesso da organização. Entre seus benefícios está o alinhamento da equipe de trabalho; valorização dos colaboradores; credibilidade e transparência; informação rápida e precisa; troca de conhecimentos; potencialização de resultados positivos; melhoramento do ambiente de trabalho e integração de novos colaboradores. Para Marchiori (2005) uma comunicação clara, verdadeira e direta é vista como fator de sucesso em meio ao ambiente organizacional, evidenciando objetivos e rumos, além de fazer com que os colaboradores se tornem mais participativos e comprometidos.
Uma organização pode utilizar diversos meios e canais de comunicação interna para compartilhar informações. Entre eles podemos citar: murais, jornais, intranet, e-mails,
videoconferência, reunião de ideias, eventos, entre outros. Existe hoje uma tendência em se utilizar meios digitais mais modernos como blogs corporativos, redes sociais internas, aplicativos para dispositivos móveis, no entanto para definir o canal certo deve-se analisar o perfil do público a ser atendido e os objetivos do negócio da empresa. Por exemplo se a empresa é uma fábrica e a maioria dos funcionários não têm acesso a computadores, os melhores meios de comunicação serão os tradicionais, ou seja, os impressos.
Ainda que a comunicação interna seja de suma importância numa organização e que existem inúmeras formas de se comunicar, muitas vezes ela não gera o resultado esperado e algumas vezes pode até causar confusão se não for divulgada de maneira correta, pois conforme destaca Leite (2006) nem sempre a comunicação ocorre entre as pessoas. Para Kunsch (2003) existem quatro possíveis barreiras comunicativas das organizações, quais sejam: as pessoas, as administrativas/burocráticas, o excesso e sobrecarga de informações e as informações incompletas e parciais.
Para ter uma boa comunicação interna é preciso ter conhecimento sobre os funcionários, saber o que pensam, suas necessidades e desejos, sendo que a melhor forma para se obter essas respostas, segundo Matos (2004) é através da realização de pesquisas e auditorias de opinião. E afirma ainda que para ter uma comunicação interna eficiente não são necessários muitos recursos financeiros, basta aderir a cultura do diálogo, da comunicação compartilhada, do saber ouvir o outro, e reforça que a eficiência da comunicação interna está diretamente relacionada com o comprometimento das lideranças da organização e que estas devem estar abertas ao diálogo, a negociação e a troca de ideias (MATOS).
2.3 O papel da Gestão de Pessoas para o desenvolvimento da Comunicação Interna
Após analisar a área de Gestão de pessoas e a Comunicação Interna separadamente, podemos perceber que ambas têm como objetivo atender a necessidade dos relacionamentos internos de uma organização e que juntas podem obter vantagens competitivas. De acordo com Chiavenato (2008) toda organização deve ser construída sobre uma sólida base de informação e de comunicação e não apenas sobre uma hierarquia de autoridade.
A falta de uma comunicação efetiva pode ser prejudicial para o bom funcionamento de uma organização, isso porque, muitas vezes os gestores não deixam claro o que esperam de seus funcionários ou as vezes a equipe de funcionários não conseguem transmitir suas ideias ou dúvidas de forma clara, e está falta de diálogo mais consistente pode gerar confusão, afetando a produção e desperdiçando tempo.
Os gestores de pessoas são responsáveis por administrar e desenvolver o capital humano e intelectual dentro de uma organização, por isso, tem papel fundamental para que haja uma comunicação interna eficaz. O papel do gestor é atuar em parceria com a comunicação fazendo com que todo o quadro de funcionários esteja ciente do que acontece na organização, pois de acordo com Ruggiero (2002) a comunicação interna merece atenção prioritária por parte da direção da empresa, pois não basta ter uma equipe de grandes talentos, se eles não estiverem bem informados. Brum (1994, p.40) destaca ainda que “uma força de trabalho educada e treinada é decisiva para que um programa de comunicação interna traga bons resultados a uma empresa”.
Um líder deve sempre buscar promover a interação entre sua equipe, pois ela é de extrema importância, além de ser uma boa estratégia, pois para Gaudio; Lemos, In: Duarte (2003) o melhor gerente é aquele que além de saber informar, sabe-se manter informado, criando diversas oportunidades de interação entre os diferentes níveis hierárquicos dentro de uma organização.
A comunicação interna assume papel estratégico quando consegue transmitir aos funcionários os objetivos, a visão e os valores da organização. No momento em que os funcionários participam e tomam conhecimento das decisões da empresa, eles passam a acreditar nas ações e nas ideias da organização.
2.4 Benefícios da Comunicação Interna para a Gestão de Pessoas
Como vimos o bom desempenho de uma empresa depende da colaboração de seus funcionários, por isso a Gestão de Pessoas tem um papel estratégico e a Comunicação Interna pode desempenhar uma função fundamental neste processo. Ambas possuem objetivos comuns como valorizar, motivar, integrar os diferentes níveis da empresa e aprimorar o clima organizacional.
A comunicação interna pode contribuir na Gestão de Pessoas e suas estratégias podem ser ferramentas eficazes dentro da área de Recursos Humanos. Para Chiavenato (2008, p. 503), a comunicação interna deve ter seu papel enfatizado dentro da gestão de pessoas “não somente porque a comunicação é o meio primário de conduzir as atividades da organização, mas porque ela é também a ferramenta básica para satisfazer as necessidades humanas dos colaboradores”.
A comunicação interna além de ser uma ferramenta importante para o desempenho de uma organização, também pode garantir o sucesso dos relacionamentos interpessoais, desta forma entende Torquato (2002, p.54) “a comunicação interna contribui para o
desenvolvimento e a manutenção de um clima positivo, propício ao cumprimento das metas estratégicas da organização e ao crescimento continuado de suas atividades”.
Hoje o sucesso de uma organização não depende apenas de uma boa comunicação com o público externo (clientes e opinião pública), mas também uma comunicação interna eficaz, no entanto algumas empresas ainda não dão a devida importância, algumas porque seus administradores desconhecem a verdadeira função desta comunicação e outros porque pensam em apenas conquistar clientes e por isso somente dão importância à comunicação externa. Segundo Leite (2006) “a importância estratégica da comunicação nos negócios tornou-se tão grande que é possível uma organização manter seus níveis de produtividade e lucratividade sem que institua internamente excelente processo de informação e de diálogo com seus funcionários”.
De acordo com Marchiori (2005) é através da comunicação que uma organização recebe, oferece e canaliza as informações, construindo conhecimentos para assim tomar decisões mais acertadas.
3. METODOLOGIA
A metodologia apresenta como será desenvolvido o estudo, ela é “o conjunto de métodos ou caminhos que são percorridos na busca do conhecimento” de acordo com Andrade (2010, p. 117). No presente estudo será definida a classificação da pesquisa e os instrumentos para o desenvolvimento do mesmo.
Primeiramente, do ponto de vista de seus objetivos optou-se em fazer uma pesquisa exploratória na qual os conteúdos das duas áreas envolvidas foram levantados e apresentados para posterior análise e composição do tema proposto. Foi realizado um levantamento bibliográfico através de livros, artigos, trabalhos acadêmicos, revistas e sites de internet. De acordo com Lakatos (2003) a pesquisa bibliográfica tem como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que já foi escrito sobre determinado assunto.
Também foi realizada uma pesquisa descritiva com a finalidade de analisar como funciona e é aplicada a comunicação interna dentro da UNIJUI, fazendo um levantamento acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.
Quanto a abordagem a pesquisa é qualitativa pois tem como objetivo fazer um levantamento de dados sobre a comunicação interna e também quantitativa porque objetiva a coleta e a análise quantificada de dados permitindo visualizar mais facilmente os resultados. Em outros termos, a pesquisa quantitativa tem resultados que se impõem como evidência
empírica imediata, enquanto os resultados da pesquisa quantitativa necessitam primeiramente de tratamento lógico para que os dados obtidos façam sentido (Santos,2000).
As entrevistas costumam serem os instrumentos mais utilizados em pesquisas qualitativas, pois tem como objetivo verificar a opinião de pessoas ou grupos para posterior análise e exploração das informações obtidas. O uso de questionários em pesquisas apresenta vantagens em relação à economia de tempo e pessoal, ao número de indivíduos cobertos simultaneamente, à liberdade de expressão dos respondentes em razão do anonimato, à comodidade de preenchimento pelos respondentes, entre outras (LAKATOS; MARCONI, 2003).
A pesquisa foi realizada na Unijuí, com gestores e colaboradores de diferentes setores/departamentos. O procedimento para a coleta de dados foi a aplicação de um questionário estruturado, visando avaliar o método usado pela organização para realizar a comunicação interna e identificar onde existem falhas. Foram feitos dois questionários específicos uma para gestores e outro para colaboradores, com algumas questões diferentes, afim de fazer uma comparação. Foi encaminhado um e-mail aos gestores e colaboradores, com uma explicação do questionário e o link de acesso para ser respondido no google drive, de forma anônima. A construção do questionário foi efetuada tendo por referência o trabalho de conclusão de curso dos acadêmicos Cleber Tavares de Sales e Maria Cândida Rodrigues Caleiras.
Foi realizado um pré-teste do questionário para avaliar a clareza da terminologia utilizada, a organização e formatação do questionário, a sua dimensão e o respectivo tempo de preenchimento, bem como detectar alguns erros. Em resultado, foram efetuados pequenos ajustes.
O questionário elaborado para esta pesquisa conteve questões referente ao perfil sociodemográfico dos respondentes, questões para analisar o relacionamento dos respondentes com os meios de comunicação interna da universidade; registrar as atitudes, opiniões, comportamentos dos respondentes em relação aos fluxos e meios de comunicação interna.
Conforme já dito, foram efetuadas questões para recolher dados que caracterizam a amostra dos colaboradores, questões fechadas de escolha múltipla obedecendo ao formato proposto por Likert, que é o tipo de escala de resposta rápida usada, frequentemente, em questionários pois o seu modo de preenchimento é bastante perceptível. Foi solicitado para classificar as afirmações relativas ao processo de comunicação interna na Unijuí de acordo com o grau de concordância ou discordância, cujas opções disponíveis variaram entre:
Discordo muito; Discordo; Nem discordo, nem concordo; Concordo e Concordo muito. Para fazer análise desta questão foi realizada a média entre “Discordo muito e Discordo” ; “Nem concordo, nem discordo”; “Concordo e Concordo muito”. Em outra questão também foi utilizada a escala: Nunca; Raramente; Algumas vezes; Várias Vezes; Sempre. Por fim, foi feita uma questão aberta onde os respondentes poderiam opinar sobre a comunicação interna na instituição.
O questionário foi encaminhado a 203 técnicos administrativos, entre eles 23 gestores e 180 colaboradores, com algumas questões específicas para cada um. Deste total 96 pessoas responderam à pesquisa, representando cerca de 47,29% de retorno. Das pessoas que responderam, 12 são gestores, representando cerca de 12,5% e 84 são colaboradores em torno 85,5%. Foi encaminhado por e-mail o link e as instruções para responder o questionário, lembrando a todos que o questionário era sigiloso e sem identificação. O período de coleta foi realizado no mês de março, sendo feita duas insistências à participação.
A média de idade dos gestores respondentes é de 40 anos, sendo que o mais jovem tem 32 anos e o mais velho tem 52 anos. A média de idade dos colaboradores que responderam é de 34 anos, sendo que o mais jovem tem 20 anos e o mais velho tem 62 anos. Com relação ao sexo dos gestores, 25% dos respondentes são homens 75% são mulheres. Entre os colaboradores respondentes 38,1% são do sexo masculino e 61,9% do sexo feminino. Em relação ao estado civil dos gestores, 75% estão casados, 16,7% estão em uma união estável e 8,3% são divorciados. Dos colaboradores respondentes 38,1 % estão casados, 36,9% estão solteiros, 15,5 % em uma união estável, 8,3% são divorciados e 1,2% são viúvos. Com relação à renda mensal dos gestores, apurou-se que 41,7 % recebem entre R$3.001,00 à R$4.500,00; 33,3% de R$4.501,00 à R$6.000,00; 16,7% acima de R$6.000,00 e 8,3% entre R$1501,00 e R$3.000,00. Entre os colaboradores, 56% ganham entre R$1.501,00 e R$3.000,00; 20,2% recebem até R$1.500,00; 17,9% de R$3.001,00 à R$4.500,00; 4,8% de R$4.501,00 à R$6.000,00 e 1,2% acima de R$6.000,00.
Quanto à formação dos gestores, 75% possuem ensino superior completo e 25% têm mestrado. Entre os colaboradores 65,5% possuem ensino superior completo; 27,4% superior incompleto; 2,4% mestrado; 2,4% ensino médio; 1,2 % doutorado e 1,2% ensino fundamental.
A média de anos que os gestores estão trabalhando na instituição é cerca de 18 anos, sendo que, o que está a menos tempo é 6 anos e o que está a mais tempo é 30 anos. Já a média dos colaboradores é de 10 anos, sendo, um ano o que está há menos tempo e 35 anos o que está há mais tempo. Após a coleta, foi feita uma reflexão sobre o cenário atual, verificando
quais as fragilidades da comunicação interna nessa instituição na visão de gestores e colaboradores.
4. A EMPRESA PESQUISADA
4.1. Caracterização da Empresa
A pesquisa foi realizada na UNIJUÍ, uma Universidade Regional Comunitária, mantida pela FIDENE - Fundação de Integração, Desenvolvimento e Educação do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Constitui-se numa instituição de caráter público-comunitário, comprometida com o desenvolvimento regional autossustentado, com mais de 60 anos de história, trilha um caminho de sucesso.
Atualmente possui uma estrutura de quatro Campus, distribuídos nas cidades de Ijuí, Panambi, Santa Rosa e Três Passos, com cerca de 7.504 alunos, distribuídos em 33 cursos, destes 5 na modalidade a distância, 5 mestrados e 3 doutorados, além de cursos de especialização. Conta com cerca de 1000 profissionais entre docentes e técnicos administrativos que atuam nas unidades acadêmicas e administrativas.
A universidade é reconhecida pela forte atuação junto às comunidades de sua região de abrangência, além de formar diversos profissionais, conta com projetos de extensão de cunho social, bem como com inúmeros serviços que são prestados à comunidade de forma gratuita e que tem como grande marca a responsabilidade social.
4.2. A Comunicação Interna na Unijuí
As organizações não podem perder os valores que sustentam sua história, no entanto é indispensável trabalhar em busca da profissionalização e adequação às tendências do mercado, por isso, é importante ter um programa de comunicação interna que contribua para o aperfeiçoamento dos processos, e consequentemente, para a qualidade do trabalho
Segundo Argenti (2006), o ideal é que em grandes empresas os dois departamentos (comunicação e recursos humanos) tenham alguém encarregado na comunicação interna. Na Unijuí essa ligação acontece e vem ao encontro do que o autor fala, pois o desenvolvimento da comunicação interna da Unijuí é realizado pelas áreas de Marketing e Recursos Humanos com a supervisão ainda da Reitoria, contando com profissionais capacitados e qualificados para o andamento das atividades e projetos.
A UNIJUÍ utiliza várias ferramentas de comunicação interna tais como: E-mail Institucional, Resoluções do Consu (versam sobre normas internas), Comunica (portal de notícias da Unijuí, recentemente algumas notícias do comunica também são encaminhados
por e-mail), Página da Unijuí no Facebook, Site da Unijuí, Portal do Funcionário, Skype for Business, antigo Pandion (aplicativo de mensagens instantâneas), Mural de Recados no portal do funcionário, Blog Tá Ligado, Fidene Acontece (notícias encaminhadas por e-mail aos funcionários em forma de jornal) e ouvidoria online.
Além destas ferramentas de comunicação interna a FIDENE/UNIJUÍ implementou no segundo semestre do ano de 2007, um programa voltado a desenvolver ações para beneficiar e promover o seu público interno o Programa Sinergia, que tem como seus principais objetivos gerar informações e promover a comunicação; monitorar e aperfeiçoar a qualidade do atendimento; planejar e executar os Eventos Sinergia.
O programa é estruturado por um conselho Sinergia com representantes da Reitoria, da Coordenadoria de Marketing e Coordenadoria de Recursos Humanos. O conselho Sinergia tem o papel de liderar e planejar ações de comunicação interna, bem como responsabilizar-se pelos canais de comunicação utilizados pelo programa, também formado por um comitê Sinergia onde um representante de cada unidade da Instituição, chamado de Agente Sinergia, formando uma comissão capaz de discutir e difundir as estratégias de comunicação interna a toda Universidade. Com o passar dos anos, o Programa vem sendo ampliado e aprimorado, contando cada vez mais com a participação e principalmente a credibilidade dos envolvidos.
5. ANÁLISE DOS DADOS
A comunicação ocorre dentro das pessoas (THAYER, 1979) por isso, está pesquisa foi realizada com os interlocutores dos processos comunicacionais internos na Unijuí. A análise da comunicação interna desta instituição, realizada neste estudo, obedece às perspectivas de seus técnicos administrativos, que voluntariamente se dispuseram a responder ao questionário aplicado online pela internet.
Na primeira questão específica sobre a comunicação interna foi solicitado para classificar as afirmações relativas ao processo de comunicação interna na Unijuí de acordo com o grau de concordância ou discordância, cujas opções disponíveis variaram entre: Discordo muito; Discordo; Nem discordo, nem concordo; Concordo e Concordo muito. Para fazer análise desta questão foi realizada a média entre “Discordo muito e Discordo”; “Nem concordo, nem discordo”; “Concordo e Concordo muito”, realizando o agrupamento.
Tabela 01 – Grau de concordância declarado respondentes do questionário – questões iguais para gestores e colaboradores. Assertiva Gestores Colaboradores Discordam Nem concordam, Nem discordam
Concordam Discordam Nem concordam,
Nem discordam
Concordam
A UNIJUÍ dá muita importância a comunicação interna.
25% 25% 50% 22,61% 16,66% 60,71%
A comunicação da UNIJUÍ com seus colaboradores é eficaz.
41,66 16,66% 41,66% 33,33% 20,23% 46,42%
A comunicação da UNIJUÍ com seus colaboradores é clara.
25% 41,66% 33,33% 17,85% 26,19% 55,95%
A comunicação da UNIJUÍ com seus colaboradores é adequada.
41,66% 25% 33,33% 21,42% 29,76% 48,80%
A comunicação entre setores/departamentos na UNIJUI é boa.
58,33% 16,66% 25% 46,42% 22,61% 30,95%
De modo geral, a comunicação entre superiores e funcionários é boa.
33,33% 8,33% 58,33% 20,23% 22,61% 57,14%
A Instituição possui canais de comunicação para que possamos, além de receber informações, opinar e sugerir.
25% 8,33% 66,66% 16,66% 23,80% 59,52%
A comunicação da UNIJUÍ com seus colaboradores seria melhor se utilizasse mais meios.
41,66% 0% 58,33% 16,66% 30,95% 52,38%
A UNIJUÍ deve criar novas formas de comunicação com os seus colaborares.
33,33% 16,66% 50% 11,90% 28,57% 59,52%
A comunicação interna da UNIJUÍ integra os funcionários aos objetivos da Instituição.
8,33% 58,33% 33,33% 21,42% 23,80% 54,76%
A UNIJUÍ se preocupa em informar os funcionários sobre fatos, mudanças, acontecimentos da instituição.
25% 25% 50% 21,42% 17,85% 60,71%
Em meu setor/departamento há uma estrutura (computador, impressora, telefone e outros materiais) que me permite comunicar com outros setores da universidade de maneira eficiente.
0% 16,66% 83,33% 2,38% 4,76% 92,85%
Há espaços adequados e disponíveis para a realização de reuniões no setor/departamento ao qual pertenço.
33,33% 0% 66,66% 14,28% 10,71% 75%
Recebo todas as informações necessárias para poder realizar meu trabalho.
0% 50% 50% 21,42% 16,66% 61,90%
Transmito todas as informações necessárias aos meus colegas de setor/departamento.
0% 8,33% 91,66% 1,19% 3,57% 95,23%
Sou informado sobre os lançamentos de novos “produtos” e campanhas antes dos clientes (alunos).
25% 41,66% 33,33% 29,76% 28,57% 41,66%
A localização de meu setor/departamento não impede que eu tenha conhecimento das informações suficientes para o desenvolvimento de meu trabalho.
8,33% 8,33% 83,33% 9,52% 21,42% 69,04%
Recebo resposta em tempo hábil em relação as minhas solicitações de informações a outros setores/departamentos.
33,33% 50% 16,66% 19,04% 30,95% 50%
Encontro as informações que preciso com facilidade no site da universidade.
25% 50% 25% 26,19% 29,76% 44,04%
As informações advindas da Reitoria são transmitidas com clareza pelas chefias a seus subordinados.
25% 8,33% 66,66% 14,28% 26,19% 59,52%
Considero suficientes as informações gerais sobre a Instituição para o desenvolvimento das minhas atividades.
8,33% 25% 66,66% 13,09% 25% 61,90%
Ao ser questionado sobre um assunto fora das minhas competências, consigo encaminhar o solicitante para o setor/departamento que conseguirá tratar o assunto.
8,33% 0% 91,66% 3,57% 8,33% 88,09%
Meus colegas compreendem quais atividades estão sob minha responsabilidade.
0% 16,66% 83,33% 9,52% 17,85% 72,61%
O número de informações que me são solicitadas ou fornecidas diariamente não atrapalha o andamento de minhas atividades.
Na primeira afirmativa, conforme se verifica na tabela 1, a maioria dos colaboradores e gestores concordam que a Unijuí dá muita importância a comunicação interna, no entanto em relação a eficácia os gestores dividem opinião, onde 41,66% discordam e 41,66% concordam que é eficaz, enquanto os colaboradores (46,42%) concordam que é eficaz. Na visão de Leite (2006), o processo de comunicação interna e seus meios precisam ser disponibilizados de forma eficaz e atrativa para que realmente exerçam sua missão de unir os colaboradores da empresa. Quanto à clareza na comunicação, 41,66% nem concordam nem discordam, enquanto a maioria, cerca de 55,95% dos colaboradores acredita ser clara. Os gestores (41,66%) discordam que a comunicação interna é adequada, enquanto 48,80% dos colaboradores concorda que é adequada. Cabe ressaltar que no questionário dos colaboradores onde os respondentes podiam escrever uma sugestão/elogio/crítica foi sugerido um curso de dicção e oratória para que haja mais clareza nas informações e um curso de como se comportar quanto ao respeito, educação e valorização. Gestores também opinaram dizendo que a Unijuí envida todos os esforços para uma comunicação de qualidade, no entanto os sujeitos precisam estar dispostos a comunicar com eficiência.
Pode se dizer, que tanto gestores como colaboradores discordam que a comunicação entre setores/departamentos é boa. A opinião de alguns colaboradores é que para uma maior eficácia os departamentos e setores administrativos deveriam comunicar-se melhor, a fim de fluir as informações e também é necessário os departamentos/setores conhecerem o trabalho um do outro. Outra reclamação feita é que algumas informações não são repassadas aos funcionários sobre procedimentos a serem adotados no dia-a-dia institucional em relação a procedimentos com alunos, um exemplo citado, compreendem as decisões do setor financeiro que não repassam alguns dos procedimentos padrões adotados em relação aos alunos aos setores interessados. A comunicação entre superiores e funcionários foi considerada boa pela maioria dos gestores e colaboradores. A maioria dos gestores e colaboradores concordam que a instituição possui canais de comunicação para que possam, além de receber, opinar e sugerir. Quanto a questão da comunicação ser melhor se utilizasse mais meios, os gestores dividiram opinião, alguns discordam e outros concordam, enquanto colaboradores a maioria, cerca de 52,38% concorda, enquanto 30,95% nem concorda nem discorda. Logo após, foi afirmado que a Unijuí deveria criar novas formas de comunicação com os seus colaboradores, 50% dos gestores e 59% dos colaboradores concordam que sim. Um dos colaboradores opinou que existem várias ferramentas disponíveis, o que falta é utilizá-las de forma produtiva e adequada a eficiência do trabalho. Cerca de 58,33%dos gestores nem concordam e nem discordam que a comunicação interna da Unijuí integra os funcionários aos objetivos da
Instituição, já 54,76% dos colaboradores concordam que integra. A maioria dos gestores e colaboradores concordam que a Unijuí se preocupa em informar os funcionários sobre fatos, mudanças e acontecimentos da Instituição, no entanto foi sugerido criar um canal de comunicação sobre acontecimentos que estejam ocorrendo na instituição para que todos os setores de atendimento que tenham contanto primário com o público pudessem consultar tais informações de maneira rápida.
Segundo a perspectiva dos gestores e colaboradores participantes da pesquisa, pode se afirmar que há uma boa estrutura física (computadores, impressoras, telefones e outros materiais) que permitem uma boa comunicação. A maioria também concorda que há espaços adequados e disponíveis para realizar reuniões. Quanto a receber as informações necessárias para poder realizar o trabalho, 50% dos gestores nem discorda e nem concorda, e outros 50% concordam que recebem, entre os colaboradores respondentes a maioria concorda que recebe todas as informações necessárias. Quando questionados se transmitem todas as informações necessárias para os colegas, tanto gestores como colaboradores em sua grande maioria, concordam que transmitem. Tantos gestores como colaboradores dividiram opiniões quanto a afirmativa “sou informado sobre lançamentos de novos produtos e campanhas antes dos clientes (alunos) ”, 25 % dos gestores discordam que são informados, 41,66% nem discorda e nem concorda, enquanto 33,33% concordam, já os colaboradores 29,76% discordam, 28,57% nem discorda e nem concorda e 41,66% concorda. A localização física dos setores/departamentos não é impedimento para 83,33% dos gestores e 69,04% dos colaboradores respondentes, que se consideram suficientemente informados acerca de assuntos relacionados ao seu trabalho.
De acordo com o grau de concordância principalmente dos gestores, a comunicação entre setores ou entre departamentos é passível de melhoria, pois 33,33% dos gestores e 19,04% dos colaboradores discordam que recebem respostas em tempo hábil às solicitações feitas a outros setores/departamentos, 50% dos gestores e 30,95% dos colaboradores nem discordam e nem concordam, enquanto 16,66% dos gestores e 50% dos colaboradores concordam que recebem. As opiniões também ficaram divididas quanto a encontrar as informações que precisa com facilidade no site da universidade. Quanto a essa questão foi sugerido que no site da instituição um local de fácil acesso com informações do que está ocorrendo na Universidade, como se fosse uma agenda, à exemplo do link dos eventos, porém mais completo, com informações sobre tudo (eventos, matricula). A maioria dos gestores e colaboradores concordam que as informações advindas da reitoria são transmitidas com clareza pelas chefias a seus subordinados. Também há uma concordância pela maioria quanto
à afirmativa que considera suficientes as informações gerais sobre a instituição para o desenvolvimento das suas atividades. Um número significativo de gestores (91,66%) e colaboradores (88,09%) concordam que ao serem questionados sobre um assunto fora de suas competências, conseguem encaminhar o solicitante para o setor/departamento responsável. A maioria dos gestores e colaboradores afirmou que seus colegas compreendem quais as atividades estão sob suas responsabilidades. Quanto ao número de informações que lhe são solicitadas diariamente, 50% dos gestores nem concordam e nem discordam que atrapalha o andamento de suas atividades, enquanto a maioria (72,61%) dos colaboradores concordam que não atrapalha. A tabela a seguir demonstra o grau de concordância em relação as afirmativas específicas para gestores e colaboradores:
Tabela 02 - Grau de concordância declarado pelos respondentes do questionário – questões especificas para gestores e colaboradores.
RESPONDENTES ASSERTIVAS Discordam Nem concordam,
Nem discordam
Concordam
Gestores Possuo acesso, sempre que necessário, às chefias de outros setores para a resolução de problemas.
8,33% 25% 66,66%
Colaboradores Considero meu superior imediato um canal de informação sobre as decisões que são tomadas em nível estratégico.
13,09% 22,6%1 64,28%
Gestores Meus subordinados recebem com disposição as informações que disponho para a tomada de decisões.
0% 33,33% 66,66%
Colaboradores Minha chefia possui disposição para receber as informações que disponho para a tomada de decisões.
4,76% 17,85% 77,38%
Gestores Transmito clareza acerca do que espero do trabalho de meus subordinados.
0% 0% 100%
Colaboradores Tenho clareza acerca do que a chefia imediata espera do meu trabalho.
8,3%3 10,71% 80,95%
Gestores Dou retorno aos meus subordinados (positivo ou negativo) quanto ao trabalho desenvolvido por eles.
0% 8,33% 91,66%
Colaboradores Recebo retorno da chefia (positivo ou negativo) quanto ao meu trabalho.
15,47% 17,85% 66,66%
Gestores
Tenho conhecimento das expectativas dos meus subordinados em relação ao trabalho desenvolvido por eles.
16,66% 25% 58,33%
Colaboradores As minhas expectativas em relação ao meu trabalho são de conhecimento de minha chefia.
10,71% 25% 64,28%
Gestores Há clareza na comunicação que mantenho com meus subordinados.
0% 25% 75%
Colaboradores Há clareza na comunicação que mantenho com minha chefia.
De acordo com Welsh e Jackson (2007), a comunicação interna é tida como a comunicação realizada entre os gestores estratégicos de uma organização e os seus stakeholders internos, com a finalidade de promover o compromisso com a organização. Argenti (2006) também defende a ideia de que uma comunicação interna eficaz exige a presença dos gerentes ou superiores. Por essa razão foi feito a pesquisa com algumas questões diferentes para gestores e colaboradores a fim de verificar se há afinidades entre eles.
Conforme se verifica na tabela 2, os gestores ao serem questionados se possuem acesso às chefias de outros setores/departamentos para a resolução de problema, a maioria (66,66%) concorda que possui. Verifica-se que a maioria dos colaboradores considera seu superior imediato um canal de informação sobre as decisões que são tomadas em nível estratégico. Gestores concordam que seus subordinados recebem com disposição as informações sobre tomadas de decisões, da mesma forma colaboradores afirmam que seus chefes possuem disposição para receber informações para que sejam tomadas decisões. Todos os gestores respondentes acham que transmitem clareza acerca do que esperam do trabalho de seus subordinados, enquanto 80,95% dos colaboradores tem clareza do que a chefia imediata espera do seu trabalho, sendo assim a uma concordância entre gestores e colaboradores. A maioria dos gestores (91,66%) concorda que dá retorno (feedback) aos seus subordinados quanto ao trabalho desenvolvidos por estes, e cerca de 66,66% dos colaboradores também concorda que recebe retorno da chefia quanto ao seu trabalho. Para Argenti (2006, p.177) “respeitar os funcionários e saber ouvir e interagir com eles é a base para um programa de comunicação interna eficaz”.
Um percentual de 58,33% dos gestores tem conhecimento das expectativas dos seus subordinados em relação ao trabalho desenvolvido, verifica-se que 25% ficaram na dúvida, pois não concordam e nem discordam dessa afirmativa. Já 64,28% dos colaboradores concordam que as suas expectativas em relação ao seu trabalho são de conhecimento da chefia e 25% também ficaram na dúvida. Em relação a clareza da comunicação entre gestores e colaboradores a maioria concorda que é clara.
Conforme opinião de um dos respondentes a comunicação interna é um desafio constante e que uma das variáveis de efetividade se dá pela atenção e interesse dos públicos, visto que não falta informação, no entanto essas informações precisam ser processadas pelos receptores, por isso tentar segmentar os públicos na hora de comunicar pode ser uma alternativa de efetividade da informação.
A tabela a seguir representa a frequência com que gestores e colaboradores utilizam os meios de comunicação disponíveis:
Tabela 03 – Frequência de utilização dos meios de comunicação interna disponível.
Meios de Comunicação Respondentes Nunca Raramente Algumas vezes Várias vezes Sempre
E-mail Institucional Gestores 0% 0% 0% 25% 75%
Colaboradores 0% 0% 0% 23,8% 76,19%
Telefone Gestores 0% 0% 8,33% 41,66% 50%
Colaboradores 1,19% 3,57% 7,14% 30,95% 57,14%
Reuniões Gestores 0% 8,33% 33,33% 41,66% 16,66%
Colaboradores 0% 20,23% 52,38% 16,66% 10,71%
Mural de recados (portal) Gestores 8,33% 41,66% 33,33% 8,33% 8,33%
Colaboradores 10,71% 27,38% 33,33% 15,47% 13,09%
Site da Unijuí Gestores 0% 8,33% 25% 41,66% 25%
Colaboradores 0% 2,38% 19,04% 42,85% 35,71% Página da UNIJUÍ no
Gestores 0% 41,66% 33,33% 16,66% 8,33% Colaboradores 11,9% 27,38% 30,95% 20,23% 9,5% Comunica (Portal de notícias
da UNIJUÍ)
Gestores 8,33% 16,66% 33,33% 33,33% 8,33% Colaboradores 7,14% 20,23% 29,76% 34,52% 8,33%
Portal do Funcionário Gestores 8,33% 0% 25% 33,33% 33,33%
Colaboradores 2,38% 7,14% 19,04% 33,33% 38,09%
Resoluções do Consu Gestores 16,66% 25% 33,33% 8,335 16,66%
Colaboradores 13,09% 34,52% 28,57% 15,47% 8,33% Skype for Business ou
Pandion
Gestores 25% 8,33% 25% 16,66% 25%
Colaboradores 38,09% 16,66% 10,71% 13,09% 21,42% Grupos de WhatsApp com
colegas do setor/departamento
Gestores 0% 16,66% 33,33% 33,33% 16,66% Colaboradores 16,66% 19,04% 16,66% 28,57% 19,04%
Fidene Acontece Gestores 16,66% 41,66% 8,33% 8,33% 25%
Colaboradores 9,52% 28,57% 27,38% 23,8% 10,71%
Blog Tá ligado Gestores 25% 58,33% 8,33% 0% 8,33%
Colaboradores 36,9% 30,95% 25% 4,76% 2,38%
Agente Sinergia Gestores 16,66% 41,66% 8,33% 25% 8,33%
Colaboradores 8,33% 25% 40,47% 20,23% 5,95%
Ouvidoria Online Gestores 66,66% 8,33% 16,66% 8,33% 0%
Colaboradores 52,38% 26,19% 16,66% 2,38% 2,38%
Malote (correio interno) Gestores 0% 16,66% 25% 16,66% 41,66%
Colaboradores 3,57% 7,14% 15,47% 30,95% 42,85%
De acordo com a tabela nº 03, a grande maioria dos gestores (75%) e colaboradores (76,19%) sempre utiliza o e-mail institucional, com um percentual um pouco mais baixo, porém ainda sendo a maioria, gestores 50% e colaboradores 57,14%, sempre utiliza o telefone. Quanto a utilização de reuniões 33,33% dos gestores utiliza algumas vezes e 41,66% várias vezes, já a maioria, 52,38 dos colaboradores utiliza algumas vezes e 20,23% raramente utiliza-se de reuniões. Verifica-se que gestores participam mais de reuniões do que os colaboradores. O mural de recados no portal raramente é consultado por 41,66% dos gestores, enquanto 33,33% consulta algumas vezes, entre os colaboradores respondentes 33,33% consulta algumas vezes e 27,38% raramente faz isso. Conforme se verifica o site da instituição é consultado várias vezes. A página da Unijuí no Facebook e o Comunica dividiu opiniões e a maioria ficou entre consulta/utiliza raramente ou algumas vezes. O portal do funcionário a grande maioria ficou entre várias vezes e sempre consulta/utiliza. Verifica-se
que o Skype for Business vai desde aqueles que nunca utilizam até aqueles que sempre utilizam. O WhatsApp também alguns utilizam sempre outros nunca utilizam. O Fidene Acontece em sua maioria raramente ou nunca é consultado por gestores, enquanto os colaboradores em sua maioria consulta raramente ou às vezes. O Blog Tá Ligado nunca ou raramente é consultado pela maioria dos gestores e colaboradores. O agente sinergia é raramente consultado por 41,66% dos gestores e consultado algumas vezes por 40,47% dos colaboradores. A maioria dos gestores e dos colaboradores nunca utiliza a ouvidoria. O malote interno é sempre ou várias vezes utilizado por gestores e colaboradores. Verifica-se que tantos gestores quanto colaboradores utilizam/consultam de forma parecida os meios de comunicação interna disponíveis.
Após foi solicitado aos gestores e colaboradores para que escolhessem três meios que consideram mais eficazes, conforme se verifica nos gráficos abaixo:
Gráfico 01 – Meios de comunicação interna considerados mais eficazes por colaboradores
Gráfico 02 - Meios de comunicação interna considerados mais eficazes por colaboradores
Verifica-se que tanto para gestores como para os colaboradores (tabela 01 e 02) os três meios de comunicação considerados mais eficazes são o e-mail institucional, o telefone e a
comunicação verbal. Com a atual tecnologia os grupos de WhatsApp também foi um dos meios considerado eficaz. Os meios de comunicação considerados menos eficazes pelos gestores foi o programa sinergia, o mural de recados no portal e o portal do funcionário, enquanto os colaboradores consideram o programa sinergia, o mural de recados no portal e as reuniões como sendo os menos eficazes. A rádio da universidade foi citada por um dos respondentes como sendo um importante meio de comunicação.
Podemos concluir com a opinião de alguns dos respondentes que dizem que, cada um desses meios apresentados tem fundamental importância em determinadas situações e que os veículos de comunicação seriam mais eficientes se todos os funcionários tivessem clareza acerca da função desempenhada por cada setor/departamento, a fim de otimizar os encaminhamentos.
6. CONCLUSÃO
Uma comunicação interna que seja eficiente e motivadora para seus colaboradores pode refletir nos resultados da empresa. Neste sentido, os resultados verificados neste estudo, confirmam a importância de se proceder diagnósticos regulares sobre a comunicação interna. É preciso perceber como a comunicação é avaliada pelos colaboradores, a fim de facilitar os relacionamentos internos, equilibrando o interesse da organização com o interesse dos funcionários.
A comunicação interna tem grande importância no ambiente organizacional, podendo as suas consequências ultrapassarem os limites da empresa atingindo o público externo colaborando ou prejudicando a imagem da instituição. Ela contribui para a eficiência de todos os processos organizacionais, envolvendo desde o funcionário de menor nível hierárquico até a alta administração. Os sucessos das empresas dependem dessa troca de informações, do conhecimento e da integração entre seus diversos públicos internos. Não basta ter uma equipe de grandes talentos e altamente motivada se ela não estiver bem informada e se os seus integrantes não se comunicarem adequadamente.
No presente trabalho, de acordo com os resultados apresentados, efetivamente gestores e colaboradores que participaram da pesquisa tem noção que a instituição dá muita importância a comunicação interna, no entanto os gestores dividiram opinião em relação a sua eficácia, enquanto a maioria dos colaboradores acredita ser eficaz. A maioria considera que a comunicação interna seria ainda melhor se a organização usasse mais meios e seria mais eficiente e motivadora se criasse novas formas de comunicação.
Verificou-se também que a comunicação interna entre setores deve melhorar, pois tantos gestores como colaboradores discordam que a comunicação entre setores seja boa. A comunicação entre superiores e funcionários foi considerada boa, tanto pelos gestores como pelos colaboradores.
Os meios de comunicação melhores aceitos e considerados mais eficazes para gestores e colaboradores é o e-mail institucional, o telefone e a comunicação verbal, em quarto lugar também foi considerado eficaz os grupos de WhatsApp com colegas de setores.
Nas afirmativas específicas para gestores e colaboradores percebeu-se que há uma concordância em relação ao bom relacionamento entre eles e isso é importante, pois é através da gestão de pessoas que a empresa mantém o seu relacionamento com os funcionários, e quando falamos em gestão de pessoas não estamos falando apenas do setor ou departamento de recursos humanos, estamos falando de todos os líderes da empresa, que gerem pessoas o tempo todo, que visam resultados através de seus liderados e que têm a responsabilidade de manter essas pessoas. Uma gestão de pessoas eficaz passa por uma comunicação interna sólida, que trate o colaborador como parceiro e que aumente o sentimento de pertencimento da equipe. Ela abre espaço para um diálogo mais claro e eficiente, possibilita a interação entre líderes e liderados.
A atuação dos gestores se mostra cada vez mais importante para uma comunicação interna eficaz. Os líderes devem incentivar sua equipe a participar da comunicação da empresa, envolvendo estes colaboradores nas metas e objetivos corporativos.
É papel do gestor atuar em parceria com a comunicação certificando-se que todo o seu time esteja ciente do que acontece em todas as áreas da empresa e que todos estejam indo para mesma direção. Ter uma comunicação interna sólida e contínua é fator importante para uma gestão de pessoas eficiente. Ao conjugar estes dois fatores, a empresa se mostra como uma equipe alinhada, que estará caminhando em busca de objetivos em comum.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
ARGENTI, Paul P. Comunicação Empresarial: A construção da identidade, imagem,
reputação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
BRUM, Analisa de Medeiros. Endomarketing: Estratégias de Comunicação Interna para empresas que buscam a qualidade e competitividade. 2º edição. Porto Alegre: Ortiz, 1994. CALEIRAS, Maria Cândida Rodrigues. Comunicação Interna na Novartis. Coimbra, 2015. CHIAVENATO, Idalberto. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. 5. ed. São Paulo: Manole, 2008.
_____________, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008;
_____________, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
COSTA. Daniel. Endomarketing Inteligente – a empresa pensada de dentro para fora. 1º Edição. Porto Alegre: Dublinense, 2010.
DUARTE, Jorge (Org.). Assessoria de Imprensa e Relacionamento com a Midia: teoria e técnica.2.Edição.São Paulo: Atlas, 2003.
DUTRA, Joel Souza. Gestão de pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. 1º Edição.6.reimpr.São Paulo:Atlas,2008.
___________, Joel Souza. Competências: Conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. 1º Edição. 1.Reimpr. São Paulo: Atlas,2012.
KUNSCH, Margarida Maria Krohling Kunsch. Planejamento de relações públicas na
comunicação integrada. São Paulo: Summus, 2003.
LAKATOS, M. M. K; MARCONI,M.A. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo: Atlas, 2003
LEITE, Quézia de Alcântara Guimarães. A importância da comunicação interna nas
organizações. 2006. Disponível em <
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/28017/000767535.pdf> . Acesso 02 de mar. 2018.
MATOS, Gustavo Gomes de. Comunicação empresarial sem complicação: como facilitar a comunicação na empresa, pela via da cultura e do diálogo. Barueri, SP: Manuele, 2009.
___________, Gustavo Gomes de. Comunicação sem complicação: como simplificar a prática da comunicação nas empresas. Rio de Janeiro: Campus, 2004
MARCHESI, Amauri. Comunicação interna: fator humano como diferencial competitivo. In: NASSAR, Paulo (Org.). Comunicação interna: a força das empresas. São Paulo: ABERJE, 2005.
MARCHIORI, Marlene. Cultura e comunicação interna. In: Comunicação interna: a força das empresas. Vol. 2. NASSAR, Paulo. (Org.). São Paulo: ABERJE, 2005.
PIMENTA, Maria Alzira. Comunicação Empresarial: conceitos e técnicas para administradores. 7 ed. Campinas: Alínea, 2010.
RABAÇA, Carlos Alberto & BARBOSA, Gustavo Guimarães. Dicionário de comunicação. 2º Edição. Rio de Janeiro: Campus, 2001.
RUGGIERO, Alberto. Qualidade da Comunicação interna. Publicado em 08/10/2002. Disponível em: < http://www.rh.com.br/Portal/Comunicacao/Artigo/3388/qualidade-da-comunicacao-interna.html> . Acesso em: 05 de ago. 2017.
SALES, Cleber Tavares de. A Comunicação Interna em uma Universidade Pública:
Perspectivas e Possibilidades. Lavras – MG, 2013.
SANTOS, Antônio. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 3. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.
SCHAUN, Angela; FERREIRA, Dina Maria Martins; RIZZO, Esmeralda (Orgs). Estratégias: Comunicação e Gestão. São Paulo: Expressão e Arte Editora, 2008.
THAYER, L. Comunicação: fundamentos e sistemas. São Paulo: Atlas, 1979.
TORQUATO, Francisco Gaudêncio. Tratado de Comunicação Organizacional e Política. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
WELCH, M., & JASKSON, P. R. (2007). Rethinking internal communication: A
stakeholder approach. Corporate Communications: An International Journal, 12(2), 177–
APÊNDICE Questionário aplicado
COMUNICAÇÃO INTERNA NA UNIJUÍ