UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PAOLA NAIANE SIPPERT
A PROTEÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS E O PAPEL DOS ÓRGÃOS DO SISTEMA INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS: UMA
ANÁLISE A PARTIR DO BRASIL
Ijuí (RS) 2019
PAOLA NAIANE SIPPERT
A PROTEÇÃO INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS E O PAPEL DOS ÓRGÃOS DO SISTEMA INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS: UMA
ANÁLISE A PARTIR DO BRASIL
Trabalho de Conclusão do curso de Graduação em Direito, objetivando a aprovação no componente curricular Trabalho de Curso – TCC.
UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
DCJS – Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais.
Orientador: Dr. Gilmar Antônio Bedin
Ijuí (RS) 2019
edico este estudo à minha família, pelo incentivo, apoio e confiança em mim depositados em minha jornada acadêmica.
AGRADECIMENTOS
A Deus, acima de tudo, pela vida, força e coragem. À minha família, pelo incessante incentivo aos estudos.
Ao meu orientador, Dr. Gilmar Antônio Bedin, pela presteza, seriedade e inteligência com que orientou e enriqueceu este trabalho.
“O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação. ”
RESUMO
O presente trabalho de Conclusão de Curso de Graduação analisa a proteção internacional dos direitos humanos e seus vínculos com a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Por isso, se preocupa, inicialmente, com o processo geral de internacionalização da proteção dos direitos humanos e o papel das referidas organizações. Na sequência, aprofunda a análise sobre o sistema de proteção criado pela Organização dos Estados Americanos e seus principais órgãos de supervisão e de deliberação sobre o tema. Nesse contexto, destaca o papel da Comissão e da Corte Interamericana de Direitos Humanos na proteção dos direitos humanos e seu principal documento legal atualmente em vigor. Além disso, analisa um conjunto de casos envolvendo o Estado brasileiro e a eficácia do sistema. O objetivo é demonstrar a importância desse nível de garantia. O método de pesquisa utilizado foi o método hipotético-dedutivo e a técnica de pesquisa bibliográfica. Demonstrando ao final a efetividade dos referidos órgãos de proteção aos Direitos Humanos.
Palavras-chave: Corte e Comissão Interamericana de Direitos Humanos; Convenção Americana de Direitos Humanos; Proteção Internacional dos Direitos Humanos; Sistemas Regionais.
ABSTRACT
The present work of Conclusion of Graduation Course analyzes the international protection of human rights and its links with the United Nations and the Organization of American States. It is therefore concerned initially with the general process of internationalization of the protection of human rights and the role of these organizations. Subsequently, it analyzes the protection system created by the Organization of American States and its main supervisory and decision-making bodies on the subject. In this context, it highlights the role of the Commission and the Inter-American Court of Human Rights in the protection of human rights and its main legal document currently in force. In addition, it analyzes a set of cases involving the Brazilian State and the effectiveness of the system. The purpose is to demonstrate the importance of this level of assurance. The research method used was the hypothetical-deductive method and the bibliographic research technique. Demonstrating at the end the effectiveness of these bodies for the protection of human rights.
Key words: Court and Inter-American Commission on Human Rights; American Convention on Human Rights; International Protection of Human Rights; Regional Systems.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 8
2 A INTERNACIONALIZAÇÃO DOS DIRIETOS HUMANOS ... Erro! Indicador não definido.0 2.1 Evolução Histórica da Proteção aos Direitos Humanos ... Erro! Indicador não definido.0 2.2 A Segunda Guerra Mundial e os Direitos Humanos .... Erro! Indicador não definido.3 3.3 A Organização dos Estados Americanos e os Direitos Humanos .. Erro! Indicador não definido. 3 O SISTEMA INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS E SEUS ÓRGÃOS 19 3.1 A Comissão Interamericana de Direitos Humanos ... 20
3.2 A Corte Interamericana de Direitos Humanos ... 23
3.3 Casos Brasileiros: Uma Análise de Sua de Eficácia ... 26
4 CONCLUSÃO ... 30
1 INTRODUÇÃO
Diante do quadro atual mundial que coloca os direitos inerentes à pessoa humana cada vez mais em evidência, é notória a necessidade de um estudo aprofundado sobre o tema, o que ele representa e quais são suas perspectivas futuras na ordem internacional. O reconhecimento e a proteção dos referidos direitos vêm de uma longa trajetória histórica. Essa teve início com a grande tarefa de transformar as relações internacionais em relações mediadas pelo direito e os conflitos internacionais em disputas que pudessem ser solucionadas de forma pacífica.
Nestas circunstancias, o presente trabalho procura demonstrar e analisar a importância e trajetória da internacionalização dos direitos humanos, dando destaque a criação dos sistemas regionais, principalmente o sistema interamericano de direitos humanos. Para isso, utilizou-se no trabalho o método de pesquisa hipotético-dedutivo e a técnica de pesquisa bibliográfica. A estrutura do trabalho, em sua versão final, conta com dois capítulos.
No primeiro capítulo aborda-se a internacionalização dos direitos humanos, partindo das conquistas que vêm sendo construídas desde o século XIX, como o Direito Internacional Humanitário (que visa limitar os efeitos dos conflitos armados, restringindo os métodos de combate e protegendo, principalmente, as pessoas que não participam das hostilidades). Sendo esta a primeira vez em que os estados assinam um acordo para limitar seu próprio poder em benefício do indivíduo. Por isso, são, indubitavelmente, um marco nas relações internacionais.
Em seguida, ainda no primeiro capítulo, é feita uma análise sobre a Segunda Guerra Mundial e suas implicações para os direitos humanos. Muitos foram os horrores que dela advieram, milhares de vidas destruídas e devastadas, tanto físicas quanto morais e psicológicas. A humanidade ficou perplexa, então começaram a aparecer as indignações e respostas de tais atrocidades, o que impulsionou a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em posteriormente, a publicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A adoção do referido documento legal foi fundamental para a formação do sistema global de direitos humanos da ONU. De fato, a Declaração Universal é o primeiro passo nesse processo, que vai, aos poucos, ser enriquecido com tratados específicos (como o Pacto de Direitos Civis e Políticos e o Pacto de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais). Ao lado desse sistema geral, vai também se formando os sistemas regionais de proteção aos direitos humanos. O destaque é para a formação da OEA e seu respectivo sistema proteção dos direitos humanos.
A partir desse pressuposto, o segundo capitulo aprofunda a análise dos principais órgãos do referido sistema (chamado de Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos). Nesse contexto, apresenta-se que os principais órgãos do referido sistema são a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Feito isso, o trabalho se preocupa em analisar alguns casos que foram submetidos aos órgãos e que envolvem o Brasil como parte demandada.
Por fim, destaca que a existência desse segundo nível de proteção aos direitos humanos é fundamental para a proteção dos direitos humanos e que sua relevância está no fato que, em muitos casos, os Estados do continente são incapazes de proteger os direitos humanos e a Comissão e a Corte Interamericana exercem esse papel de instância garantidora dos direitos humanos. Essa é uma conquista importante para o continente americano e sua população.
2 A INTERNACIONALZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
As muitas transformações evidenciadas no estudo da história dos direitos humanos vão da negação até o reconhecimento pleno de uma proteção internacional dos direitos dos indivíduos. Então, embora seja de muito interesse o estudo do quadro atual de formação dos direitos em um viés amplo, alcançando o internacional, a compreensão de seu contexto histórico é fundamental.
Este capitulo tem como objetivo geral analisar esse processo de formação do Direito Internacional dos Direitos Humanos. Analisando os mecanismos garantidores desta proteção, o que sugere expor o desenvolvimento e esclarecer as razões da internacionalização dos direitos humanos. E, ao finalizar, ressaltar a importância da formação desse amplo campo de proteção aos direitos humanos.
2.1 Evolução Histórica da Proteção aos Direitos Humanos
Cada vez mais, os direitos humanos têm adquirido um imponente realce no mais geral âmbito social, sendo visto com grande ênfase nas constituições democráticas atuais, e também na agenda dos atores internacionais. Porém, a valorização da pessoa humana não ocorreu de uma hora para outra, ouve a necessidade de uma trajetória marcada por muitas lutas e perdas, para que se houvessem efetivos direitos e para que estes se deslocassem das relações internas para as internacionais. Como destaca Norberto Bobbio, os direitos humanos não nascem todos de uma vez e nem de uma vez por todas.
Levando em consideração a historicidade destes direitos, é correto afirmar que os direitos humanos são elencados com uma vasta pluralidade de significados, e nesta pluralidade, destaca-se a chamada concepção contemporânea dos direitos humanos, que veio a ser introduzida com o nascimento da Declaração Universal de 1948 e reafirmada pela Declaração de Direitos Humanos de Viena de 1993. Tal concepção se dá, justamente, pelo
movimento de internacionalização dos direitos humanos, que se inicia após a hecatombe da Segunda Guerra Mundial, durante a qual foi possível assistir as mais horrendas barbaridades envolvendo milhões de pessoas. Sendo essas atrocidades cometidas pelo nazismo, e apresentando o Estado como o grande violador de direitos, surge a necessidade de criar um movimento universal de direitos.
Contudo, há de se levar em consideração que esta conquista vem sendo construída desde o século XIX, referenciando-se a movimentos que já vinham se concretizando. É o que destaca Flávia Piovesan (2004, p. 125):
O Direito Humanitário, a Liga das Nações e a Organização Internacional do Trabalho situam-se como primeiros marcos no processo de internacionalização dos direitos Humanos. Como se verá, para que os direitos humanos se internacionalizassem, foi necessário redefinir o âmbito e o alcance do tradicional conceito de soberania estatal, a fim de que se permitisse o advento dos direitos humanos como questão de legítimo interesse internacional. Foi ainda necessário redefinir o status do indivíduo no cenário internacional, para que se tornasse verdadeiro sujeito de direito internacional.
O marco para o aparecimento do Direito Internacional Humanitário, por unanimidade dos doutrinadores, foi a Batalha de Solferino (1859). Jean Henri Dunant, bem sucedido empresário suíço, que em uma de suas viagens de negócios presenciou cenas de verdadeiras barbáries por ocasião de um combate envolvendo tropas austríacas e franco-sardenhas. Nessa batalha de unificação da Itália se enfrentaram aproximadamente trezentos mil soldados com resultados espantosos de quarenta mil baixas. O traço marcante foi que os feridos não recebiam nenhuma assistência e os mortos ficavam nos campos de batalha. Dunant decidiu imediatamente organizar um hospital improvisando socorros voluntários com o apoio dos habitantes (GUERRA 2011, p.31).
Quando retornou a Genebra, apavorado com as cenas de horror que vivera, publicou o livro Lembranças de Solferino, relatando as crueldades que presenciou. A obra repercutiu por toda Europa e desencadeou um movimento internacional com o objetivo de suprir deficiências dos serviços sanitários nos campos de batalha. Com isso, Dunant buscou a conscientização humana sugerindo duas ações para amenizar futuras situações do mesmo tipo: a criação de uma sociedade de socorro privada, que atuaria em conflitos de forma incondicional; e a
assinatura de um tratado para permitir essa atuação. A partir dele, foi fundada no ano de 1880, a Comissão Internacional da Cruz Vermelha (GUERRA, 2011, p. 32-33).
É indubitável que surge um marco na história das relações internacionais, haja vista que nunca antes na história da civilização os Estados tinham entrado em acordo para limitar, em um tratado internacional aberto a ratificação universal, seu próprio poder em benefício do indivíduo. Foi a primeira vez que a guerra cedeu terreno para o direito geral e escrito (GUERRA, 2011, p. 33). Ou seja, estando mesmo em um conflito armado, ainda assim existirão princípios éticos mínimos a serem seguidos.
Assim como o Direito Humanitário, outro fato relevante ao início do processo de internacionalização dos direitos humanos, foi a Organização Internacional do Trabalho. As condições precárias e insalubres que as atividades industriais eram exercidas desencadeou, desde a Revolução Industrial, uma grande pressão dos sindicatos sobre o Estado, pois era indispensável uma imediata proteção aos trabalhadores. Tal luta sindical, resultou em uma vasta legislação social e econômica, que regulamentou o as condições de trabalho e as suas remunerações. Além das garantias de padrões internacionais, a OIT ainda impelia os Estados a receber as Convenções Internacionais.
Todos esses institutos, a seu modo, deram a sua contribuição para o processo de internacionalização dos direitos humanos. Qualquer que fosse o tema, sendo a garantia de condições dignas de trabalho no plano mundial, seja fixando formas de manutenção da paz e da segurança internacional, ou proteção de direitos fundamentais em conflito armado. Estes se assemelham pois qual mais busca a proteção dos direitos humanos na ordem internacional. (PIOVESAN, 2004, p.128).
Foi através destes, que os estados passaram a ter obrigações com direitos pertinentes aos seres humanos, mesmo que isso signifique uma abstenção de sua soberania. O tratamento do Estado dado aos seus cidadãos, não diz respeito somente a sua competência, mas sim, um interesse internacional. Antonio Augusto Cançado Trindade (1991, p. 10) afirma que “Já observamos que, em matéria de tratados sobre a proteção dos direitos humanos, a reciprocidade é suplantada pela noção de garantia coletiva e pelas considerações de ordem
pública”. Perpassando as fronteiras de cada estado. Assim como afirma Patricia Galvão Ferreira (2001, p. 24):
Com a criação e a ratificação dos tratados internacionais de direitos humanos a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados provocaram uma transformação radical no regime da responsabilidade internacional. A partir de então, a responsabilidade internacional deixou de proteger apenas os interesses e reparar os danos e prejuízos causados por disputas internacionais Estado X Estado ou por um Estado contra o nacional de outro. Agora, pela primeira vez, incorre em responsabilidade internacional o Estado que viola um dispositivo internacional que protege o direito de seus próprios nacionais.
Vê-se que alguns estados repensam a sua soberania, uma vez que colocam os interesses dos individuo antes dos próprios, e reconhecem que independente da origem de alguém, em qualquer lugar do mundo, será um sujeito de direitos.
2.2 A Segunda Guerra Mundial e os Direitos Humanos
Embora os institutos mencionados tenham a sua contribuição para a internacionalização dos Direitos Humanos, foi a partir da Segunda Guerra Mundial que houve a consolidação deste processo. Por se tratar se um acontecimento histórico de altíssima gravidade, onde milhões de pessoas foram mortas friamente, exigia-se uma atitude ou resposta diante de tantas atrocidades cometidas pelo Nazismo. Inestimável foram os danos que tanta brutalidade causou. Neste sentido pondera Sidney Guerra ( 2011, p. 75):
Valores invertidos, famílias desfeitas, países completamente destruídos, destruição, magoa, dor.... Onde poderiam parar os atos de barbárie? Qual seria o valor da vida humana? Poderia ser feito algo para reverter esse quadro de incredulidade? De fato, o mundo ansiava por respostas. A Segunda Guerra Mundial havia deixado um rastro incomensurável de destruição e afronta aos valores mais essenciais do ser humano. O aviltamento à dignidade humana havia chegado a níveis que jamais poderiam ser imaginados.
Assim sendo, todo o movimento pós-guerra caminhou para a conversão dos direitos humanos em tema central da sociedade internacional. No âmbito global, a esfera de proteção normativa e institucional dos direitos humanos ganhou contornos mais claros em 1945, com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e a elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948. O preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos
Humanos, documento fundamental na história desses direitos, deixou claro que foi o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem que permitiu a realização de “atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade" (TRINDADE, 1991, p. 74). Neste momento, que através do Sistema Internacional de Proteção aos Direitos Humanos, a pessoa humana torna-se um sujeito de direito ao mesmo nível das Organizações Internacionais e Estados. Acabando com a concepção dos estados como únicos sujeitos de direito no plano internacional.
O fenômeno do pós-guerra veio trazendo à tona às brutais violações de direitos humanos da era Hitler, e a convicção de que parte destas violações poderiam ser prevenidas se um sistema efetivo de proteção aos direitos humanos já existisse, trouxe a força/destaque que instaurou o Direito Internacional dos Direitos Humanos, sendo esta a proclamação da Carta da ONU, em 1945. Hoje é inquestionável que o necessário desenvolvimento das instituições de promoção e proteção dos direitos humanos é de extrema importante para as pessoas de todas as nações, bem como para existir paz e segurança no mundo.
Após a Segunda Guerra Mundial, muitos documentos internacionais começaram a ser criados, alterando inclusive as legislações nacionais dos país signatários, visto que, as garantias pertinentes à pessoa humana vão muito além de interesses específicos dos Estados. Assim afirma Augusto Cançado Trindade (2009, p. 15):
Os direitos proclamados eram claramente concebidos como inerentes à pessoa humana, a todos os seres humanos (portanto anteriores a toda e qualquer forma de organização política ou social), e de que a ação de proteção de tais direitos não se esgotava –não poderia esgotar-se na ação do Estado.
Embora marcado por tantas atrocidades, esse triste acontecimento que foi a Segunda Guerra Mundial, nos traz um feixe de esperança na busca pelas garantias dos direitos humanos. Em resposta à sociedade internacional, na busca por um sistema internacional de proteção dos direitos humanos, ocorre a criação da Organização das Nações Unidas, a ONU, datada de 26 de junho de 1945, contou inicialmente com 50 Estados, sendo estabelecida sua sede em Nova York.
A Organização, como se verifica logo no preambulo da Carta, teve como fundamentos a preservação dos direitos do homem:
Nós, os povos das nações unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições sobre as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras formas de direito internacional possam ser mantidos (RANGEL, 2002, p. 35).
Os propósitos principais elencados na Carta da Organização das Nações Unidas estabelecem: (GUERRA, 2005, p. 354) a manutenção da paz e a segurança internacional; fomentar relações amistosas entre as nações baseadas no respeito e na igualdade de direitos e autodeterminação dos povos; cooperar na resolução de problemas internacionais de caráter econômico, cultural e humanitário; estimular o respeito dos direitos humanos e das liberdades fundamentais.
No ano seguinte a criação da ONU, 1946, dentro das competências estipuladas, foi criada a Comissão dos Direitos Humanos. Umas das primeiras tarefas desta Comissão, foi a criação de uma carta de direitos. Depois de amplamente debatida, foi adotada pela ONU como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). Na afirmação de Lindgren Alves (2003, p. 77):
lidando com grande diversidade de culturas, ideologias, sistemas legais e políticos, assim como níveis de desenvolvimento econômico-social, seus objetivos fundamentais são o estabelecimento de parâmetros universais e o controle de sua observância na prática dos Estados.
A criação da ONU representa uma viabilidade de democracia internacional, e o que é o mais importante, representa a consolidação do movimento de internacionalização dos Direitos Humanos. Foi com a Declaração Universal dos Direitos Humanos que houve o reconhecimento universal da igualdade humana. A dimensão simbólica desta Declaração é incomparável, visto que, em todos os lugares, os direitos humanos estão garantidos, independentemente de sua expressa declaração em constituições, tratados ou leis.
Apesar da importância da Declaração, segundo Ramos (2012, p. 26), “ocorre que, de acordo com a Carta da ONU, uma resolução da Assembleia Geral não possui força vinculante”. Deste modo, a Declaração não é um tratado, então, não possui força de lei. Esta condição, intensificou as redações de novos tratados internacionais, como o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, sociais e culturais, e o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos.
Ao lado do sistema normativo global, surgem os sistemas regionais de proteção, que buscam internacionalizar os direitos humanos nos planos regionais, particularmente na Europa, América e África. Consolida-se, assim, a convivência do sistema global da ONU com instrumentos do sistema regional, integrado pelo sistema americano, europeu e africano de proteção aos direitos humanos. Estes são complementares e visam uma maior efetividade na promoção de direitos fundamentais
Ainda sobre os novos tratados, com relação ao Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos, conhecida como Pacto de São José da Costa Rica, possui tamanha importância que Lindgren Alves (2003, p. 278) menciona que ela “está para o sistema interamericano assim como o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos está para o Sistema Internacional das Nações Unidas.” Ela apresenta um rol de direitos civis e políticos, bem como normas necessárias para efetivação destes direitos.
2.3 A Organização dos Estados Americanos e os Direitos Humanos
A Organização dos Estados Americanos foi criada para objetivar a manutenção da paz, ordem, justiça, independência dos países e respeito à soberania.
Conforme Jean Arrighi (2004, p. 32):
A OEA é uma organização regional e, por isso, não está aberta a todos os Estados, diferentemente das Nações Unidas. Não obstante, uma organização dessa natureza
precisa estabelecer vínculos com Estados extra-regionais e com organizações internacionais ou nacionais, governamentais ou não-governamentais, que tenham interessem em acompanhar e participar de suas atividades. Esse relacionamento tem permitido uma assistência importante na cooperação para o desenvolvimento, assim como no financiamento de atividades em matéria de defesa da democracia, proteção dos direitos humanos, missões de observação, tarefas de recolhimento de minas, entre outras. Além disso, o acesso permanente e completo aos trabalhos da Organização facilita, para os países de fora do continente, um melhor conhecimento reciproco, evitado, muitas vezes, duplicações desnecessárias e custosas.
Criada pelos Estados Americanos, está prevista na Carta das Nações Unidas, em seu artigo 52:
1. Nada na presente Carta impede a existência de acordos ou de entidades regionais, destinadas a tratar dos assuntos relativos à manutenção da paz e da segurança internacionais que forem suscetíveis de uma ação regional, desde que tais acordos ou entidades regionais e suas atividades sejam compatíveis com os Propósitos e Princípios das Nações Unidas. 2. Os Membros das Nações Unidas, que forem parte em tais acordos ou que constituírem tais entidades, empregarão todos os esforços para chegar a uma solução pacífica das controvérsias locais por meio desses acordos e entidades regionais, antes de as submeter ao Conselho de Segurança. 3. O Conselho de Segurança estimulará o desenvolvimento da solução pacífica de controvérsias locais mediante os referidos acordos ou entidades regionais, por iniciativa dos Estados interessados ou a instância do próprio Conselho de Segurança.
Seguindo essa linha de apoio da ONU, os sistemas regionais têm a grande tendência de se fortalecer cada vez mais, trazendo um novo sentido a limitação de competências e garantindo uma proteção mais eficaz aos direitos humanos (TRINDADE, 2003, p.28).
O Brasil está inserido no Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos. O principal documento desse sistema é a Convenção Americana de 1969, ou Pacto de São José. Segundo Flávia Piovesan (2012 p.125), “o instrumento de maior importância no sistema interamericano é a Convenção Americana de Direitos Humanos.” Essa convenção foi ratificada pelo Brasil em setembro de 1992.
Segundo Thomas Buergenthal (2000, p. 30):
A Convenção Americana é mais extensa que muitos instrumentos internacionais de direitos humanos. Ela contém 82 artigos e codifica mais que duas dúzias de distintos direitos, incluindo o direito à personalidade jurídica, à vida, ao tratamento humanos, à liberdade pessoal, a um julgamento justo, à privacidade, ao nome, à nacionalidade, à participação no governo, à igual proteção legal e à proteção judicial. A Convenção Americana proíbe a escravidão: proclama a liberdade de consciência, religião, pensamento e expressão, bem como a liberdade de associação, movimento, residência, ao lado da proibição da aplicação da ex post facto law.
Além de reconhecer os direitos sociais, econômicos, culturais e estipular medidas aos estados para que efetivem os referidos direitos internamente, a Convenção criou ainda dois órgãos fundamentais de fiscalização e julgamento. Sendo eles a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que se encarrega de fiscalizar qualquer fato que esteja em discordância à Convenção, e da Corte Interamericana de Proteção aos Direitos Humanos que julgara qualquer possível lide.
3 O SISTEMA INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS E SEUS ÓRGÃOS
Os sistema regionais de direitos humanos possuem cada um deles as suas especificidade. O sistema interamericano não foge essa regra. O Sistema Interamericano conta com dois fortes aparatos para a efetivação dos direitos humanos. São eles a Comissão interamericana de direitos humanos, e a Corte interamericana de direitos humanos, que brevemente serão abordados no decorrer do capitulo. Considerando que abarca procedimentos Carta da OEA e na Declaração Americana de Direitos Humanos, Guerra (2011, p. 167) afirma:
Por essa razão se costuma afirmar que no âmbito americano existe um sistema duplo de proteção aos direitos humanos: o sistema geral, que é baseado na Carta e na Declaração, e o sistema que abarca apenas os Estados que são signatários da Convenção.
O Brasil ratificou a Convenção no ano de 1992 (PIOVESAN, 2000). Ao aderir à Convenção, todos os Estados reafirmaram o acordo de “consolidar no continente americano um regime de liberdade pessoal e de justiça social fundado no respeito aos direitos humanos essenciais” (GUERRA, 2011, p. 181). Grande é a gama de direitos civis e políticos assegurados pela Convenção Americana de Direitos Humanos, sendo a maior parte as mesmas abarcadas no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos de 1966 (COMPARATO, 2001). Entre esses direitos, segundo Gomes (2000, p. 30), encontram-se:
O direito à personalidade jurídica, o direito à vida, o direito de não ser submetido à escravidão, o direito à liberdade, o direito a um julgamento justo, o direito à compensação em caso de erro judiciário, o direito à privacidade, o direito à liberdade de consciência e religião, o direito à liberdade de pensamento e de expressão, o direito à resposta, o direito à liberdade de associação, o direito ao nome, o direito à nacionalidade, o direito à liberdade de movimento e residência, o direito de participar do governo, o direito á igualdade perante a lei e o direito à proteção judicial.
A Convenção determina que os Estados promovam medidas internas para que esses direitos sejam de fato efetivados (GUERRA, 2011). Sobre essas medidas, Maria Beatriz Galli (2000, p. 58), menciona:
Não basta a mera existência de um sistema legal formal para que esteja cumprida a obrigação internacional de respeitar e garantir os direitos consagrados na Convenção Americana. O Estado deve ter uma conduta de acordo na prática. Neste sentido, o estado deve organizar todo o aparato governamental, através das estruturas nas quais é exercido o poder público, para assegurar o livre e pleno exercício dos direitos humanos.
Dessa forma, fica evidente que de nada adiantaria todo um sistema global de proteção aos direitos humanos, se dentro do próprio estado os mesmos fossem denegados ou esquecidos. Por este motivo que os estados que ratificam a Convenção, de pronto já devem começar a criar medidas de proteção e prevenção a qualquer tipo de violação.
3.1 A Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Como já mencionado anteriormente, como forma de efetivar os direitos constantes na Convenção Americana de Direitos Humanos, dois órgãos foram criados, um de fiscalização e um de julgamento. Sendo eles a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que investiga as violações das regras constantes na Convenção, e a Corte Interamericana de Proteção aos Direitos Humanos, que julga as possíveis lides que surgem (COMPARATO, 2001), sendo que essa última, só tem jurisdição nos Estados – Partes, que a acolher, consoante o artigo 62, da Convenção (TRINDADE, 1991).
Inicialmente, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que fora criada na 5ª Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores, em Santiago, no Chile, em 1959, limitava-se a promover os direitos consagrado na Declaração Americana. No entanto, em 1965 teve ampliadas as suas funções, tornando-se um verdadeiro órgão internacional ligado diretamente aos compromissos dos membros da OEA (RAMOS, 2001).
Vale ressaltar as palavras de ALVES, José Augusto Lindgren, que afirma “A Comissão Interamericana de Direitos Humanos foi criada por decisão da V Reunião de Consulta de Ministros das Relações Exteriores da Organização dos Estados Americanos, em Santiago, em 1959, teve, inicialmente, tarefas apenas de promoção em sentido estrito – e não de proteção – dos direitos humanos, funcionando como órgão autônomo do sistema da OEA. Suas atribuições e status institucional foram, porém, sucessivamente fortalecidos. Desde 1965, a II Conferência Interamericana Extraordinária, realizada no Rio de Janeiro, ampliou o mandato da CIDH, transformando-a em instrumento de controle (...). Pelo protocolo de Buenos Aires de1967, que emendou a carta da OEA, a CIDH foi elevada à categoria de órgão principal da OEA.”
Assim, se aumentou a competência da Comissão, devido a sua grande participação nas ocorrências de graves violações. Antonio Augusto Cançado Trindade (2000, p.113), “Uma das mais completas investigações realizadas pela Comissão encontra-se no relatório 1979 sobre os desaparecidos na Argentina.” O que já configura, apenas neste fato, a nobreza deste órgão.
Tratando da forma como está composta, a Comissão Interamericana de Proteção aos Direitos Humanos, “é integrada por sete membros de alta autoridade moral e reconhecida versação em matéria de direitos humanos”, segundo escreve Flávia Piovesan (2000, p. 33), podendo ser nacionais ou dos membros da Organização dos Estados Americanos. Estes serão eleitos pela Assembleia Geral para um período de 4 anos, cabendo uma única reeleição. São indicados os candidatos pelos governos dos membros, que poderão indicar até três nomes.
Para que flua o objetivo da Comissão, que é promover a observância e proteção dos direitos humanos, compete à comissão elaborar recomendações aos governos dos membros, que visem a adoção de medidas, além disso, a Comissão examinará as petições que forem encaminhadas por indivíduos ou entidades, que tem tenham denuncia de violação aos direitos constantes na Convenção Americana de Direitos Humanos (PIOVESAN, 2000).
Trindade (1992, p.369) lista mais algumas funções da Comissão:
Estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América; Preparar os estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de suas funções; Solicitar aos governos dos Estados membros que lhe proporcionem informações sobre as medidas que adotarem em matéria de direitos humanos; Atender às consultas que, por meio da Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos, lhe formularem os Estados membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar-lhes o assessoramento que eles lhe solicitarem; Atuar com respeito às petições e outras comunicações, no
exercício de sua autoridade, de conformidade com o disposto no art 44 e 51 da Convenção.
No que diz respeito à petição inicial, esta poderá ser encaminhada por um indivíduo, grupos, ou até mesmo entidades não governamentais. Quem analisará se a petição compreende os requisitos de admissibilidade será a Comissão. Dentre os requisitos, encontramos como principal o prévio esgotamento das vias internas, com ressalva da injustificada morosidade processual, ou a omissão do Estado no devido processo legal. Flavia Piovesan (2004) faz um apontamento importante sobre a petição individual: "indiscutível que a disponibilidade do direito de petição individual assegura a efetividade do sistema internacional de proteção aos direitos humanos". Se justifica pois ao passo que as pessoas podem fazer diretamente a sua reclamação, a justiça fica mais perto de ser alcançada.
Trindade (2003, p.100) conceituou o direito de petição inicial como “cláusula pétrea dos tratados de direitos humanos que o consagram”. No entanto, importa dizer que a Comissão também poderá arquivar denúncias que forem demandas inadmissíveis ou infundadas, do que não caberá recurso (RAMOS, 2012, p. 208). A petição deverá ser escrita, e obrigatoriamente conter o nome completo da vítima, a violação aos direitos humanos, descrição do fato, e alguma autoridade que tenha conhecimento do fato (RAMOS, 2012, p. 209). Ainda tratando dos requisitos, não é possível que haja litispendência internacional. Conforme cita Sidney Guerra (2011, p. 186):
a) Que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, de acordo com os princípios do direito internacional; b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva; c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução internacional; d) que a petição contenha nome, a nacionalidade, a profissão domicílio e a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição.
Em seguida ao recebimento da denúncia, a Comissão tentaram uma resolução amistosa da lide. Se for assertivo, um informe será transmitido ao peticionário e aos Estados – parte da Convenção. Caso não haja uma solução pacifica a Comissão elaborará um relatório que contenha os fatos ocorridos e a que conclusão chegou sobre o assunto. Flávia Piovesan, destaca:
Se as partes decidirem não entrar no procedimento de resolução amistosa, a Comissão apresentará ao Estado o relatório. Em seguida, e caso o Estado não tenha cumprido com suas recomendações, a Comissão elabora o relatório final, previsto no
art. 51 da Convenção Americana. Se o Estado permanecer sem cumprir com as recomendações, a Comissão decidirá se irá publicá-lo no seu relatório anual para ser divulgado na Assembleia Geral da OEA.
Cabe mencionar que a Comissão, antes de qualquer decisão poderá fazer auditorias no determinado Estado, essa visita tem por propósito averiguar a situação dos direitos humanos naquele país (GUERRA, 2011, p.186). Caso finde a fase amistosa e esta não logre êxito, a Comissão irá elaborar o chamado relatório 50, que encerra o caso. O relatório conterá recomendações ao Estado para que resolva o problema, é confidencial e tem o prazo de 3 meses para que seja cumprido. Segundo Flávia Piovesan (2000, p.40):
Se, ao longo deste prazo, o caso não for solucionado pelas partes e nem mesmo for submetido à Corte, a Comissão, por maioria absoluta de votos, poderá emitir sua própria opinião e conclusões sobre o caso. A comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um prazo, dentro do qual o Estado deve tomar as medidas que lhe competem para remediar a situação examinada. Vencido o prazo fixado, a Comissão decidirá, por maioria absoluta de votos de seus membros, se as medidas recomendadas foram adotadas pelo Estado e se publicará o informe por ela elaborado no relatório anual de suas atividades.
Chamado de “segundo informe”, este será público e também conterá um prazo fixado para cumprimento. Em caso de não cumprimento das recomendações por parte do Estado, o outro órgão criando pela Convenção poderá ser acionado, sendo ele a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Como menciona Flavia Piovesan (2000, p. 71) “caso o Estado não cumpra com as recomendações, a Comissão decidirá se irá ou não publicar o relatório final condenando o Estado no Relatório Anual da Comissão que será submetido à Assembleia Geral da OEA”. Sucintamente, a mesma autora faz o roteiro da denúncia:
A primeira etapa é regulada pelo art. 50, e prevê a elaboração do primeiro relatório. A segunda, prevista no art. 51, dá faculdade à Comissão para após decorridos três meses da notificação do relatório decidir se irá submeter o caso à Corte (caso o Estado tenha aceito a sua jurisdição) ou se irá elaborar o segundo relatório, com caráter definitivo. E ainda, a terceira etapa, se o Estado não acatar as recomendações do segundo relatório do art. 51, na qual a Comissão publicará o relatório final no seu Relatório Anual.
Ainda sobre a parte final do relatório, Sylvia Steiner (2000, p.54):
Os processos apreciados pela Comissão são concluídos com a exaração de opinião ou conclusão de seus membros, seguindo-se a publicação de Informes ou o encaminhamento à Corte, se o Estado demandado tiver sujeito à jurisdição desta, por aceitação expressa.
3.2 A Corte Interamericana de Direitos Humanos
Caso um Estado membro não cumprir alguma recomendação que tenha recebido da Comissão, no prazo de três meses, poderá ser acionada da Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão jurisdicional do sistema regional. A corte é uma instituição autônoma, ou seja, não é órgão da OEA, mas da Convenção Americana de Direitos Humanos (RAMOS, 2012). Segundo o autor Sidney Guerra (2008, p.117), “a Corte se apresenta como uma instituição judicial independente e autônoma, cujo objetivo é a aplicação e interpretação da Convenção Americana de Direitos Humanos”.
A instalação da Corte ocorreu em São José, na Costa Rica, no ano de 1979, e é composta por sete juízes nacionais dos membros da OEA. O mandato dos juízes é de seis anos, sendo permitida uma reeleição (RAMOS, 2012).
Segundo Sidney Guerra (2008, p. 118), esses juízes deverão ser “juristas da mais alta autoridade moral, de reconhecida competência em matéria de direitos humanos, que reúnam as condições requeridas para o exercício das mais elevadas funções judiciais”. As sessões da Corte são ordinárias e extraordinárias, e o quórum para deliberação é de 5 juízes e os idiomas oficias são o espanhol, inglês, português e francês (RAMOS, 2012).
Importante mencionar que apenas a Comissão Interamericana e os Estados-parte poderão sujeitar casos à corte. Ou seja, não existe o sistema de petição individual como junto a Comissão, e grande parte dos doutrinadores critica essa impossibilidade. “Cançado Trindade é um dos maiores defensores da reforma da Convenção Americana, no sentido de dotar a vítima do direito de ação” (RAMOS, 2012). Porém, mesmo a Convenção não sendo reformada, criou-se, em 2001, um regulamento que possibilita que a vítima ou seus representantes acompanhe todo o processo judicial, podendo manifestar-se. Segundo Ramos (2012, 226):
Em 2009, a Corte deu mais um passo rumo a um processo mais equilibrado entre os direitos das vítimas e dos Estados: na opinião consultiva n. 20, a Corte reinterpretou o art. 55 da Convenção (que trata dos juízes ad hoc) e decidiu não mais aceitar a
indicação de juiz ad hoc por parte do Estado-Réu (que não possua nenhum Juiz de sua nacionalidade na composição da Corte) nos casos iniciados na Comissão por petição de vítimas de violação de direitos (...). Ainda em 2009, a Corte emitiu novo regulamento, o qual faz menção ao “defensor interamericano” para representar legalmente às vítimas sem recursos (o que antes era feito pela Comissão).
Todo esse aparato corrobora apenas para o sentido inicial que é a efetivação e proteção dos direitos humanos, cada vez mais perto da violação. Vale ressaltar, que a Comissão poderá impor medidas que façam cessar a violação antes de submeter o caso a corte, quando exista gravidade ou urgência, com o intuito de preservar o direito, ou dano irreparável (PIOVESAN, 2004).
As decisões da Corte são definitivas, inapeláveis e não estão sujeitas a precatórios (GUERRA, 2008), esses sentidos se dão pelo motivo de que ao retificar a Convenção, já estão obrigados a prevenir de todos os modos as violações aos direitos humanos. Sidney Guerra (2011, p. 189):
O Estado não pode se eximir da obrigação de reparar a violação, conforme estabelecem as normas de Direito Internacional relativas à responsabilidade internacional do Estado, alegando, por exemplo, que a medida a ser tomada violaria o direito interno. A competência contenciosa será ratione personae, ratione materiae e a ratione temporis.
Bem como a Comissão, a Corte mantém requisitos de admissibilidade, que se refere ao cumprimento dos artigos 48 a 50 da Convenção. (GALLI, 2000). A petição deverá ser entregue em 10 vias, por escrito, e deve conter o objeto, as partes envolvidas, provas e indicações dos delegados. A Comissão participa de todo o procedimento.
Quando o um estado é denunciado, tem o prazo de 3 meses para oferecer a sua reposta por escrito. Superada essa parte, o Presidente da Corte abre a fase oral e marca audiência. As provas consideradas, além da direta, testemunhal e documental, serão levados em consideração circunstancias, presunções (GALLI, 2000). No final do processo, a Corte expedira sentença que poderá ser parcial ou total com relação a responsabilidade do Estado que foi réu. Segundo André de Carvalho Ramos (2012, p. 235):
De acordo com o art. 63, a Corte, quando decidir pela responsabilidade internacional do Estado, determinará que se assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade violados. Deve determinar também que sejam reparadas as consequências da medida ou situação que haja configurado a violação desses direitos, bem como o pagamento de indenização justa à parte lesada.
Essas medidas sempre deverão ser satisfeitas, já que o artigo 68.1 da Convenção aduz que “Os Estados-Partes da Convenção se comprometem a cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes” (TRINDADE, 1991). As decisões são vinculantes e se tornam uma fonte inspiração doutrinaria e jurisprudencial.
3.3 Casos Brasileiros: Uma Análise de Sua de Eficácia
Neste momento, é possível fazer uma análise de alguns dos principais casos que ocorreram em países integrantes do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos. No Brasil, pode-se dizer que o principal caso envolveu a brasileira Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu violência doméstica, e duas tentativas de homicídio pelo ex marido. Passados 19 anos do crime, é que seu ex marido foi preso e cumpriu apenas dois anos da pena. Inconformada com tamanha injustiça, em 2001, ela formalizou diante do Centro pela Justiça pelo Direito Internacional (CEJIL), e perante o Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM), e então junto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
O relatório 54/01, concluiu que o Brasil foi omisso com relação a violência doméstica contra as mulheres e, em especifico, com as que ações que deveriam ter sido tomadas contra o agressor no caso Maria da Penha. Segundo o relatório, foi considerado:
Que o Estado violou os direitos e o cumprimento de seus deveres segundo o art. 7 da Convenção de Belém do Pará em prejuízo da Senhora Fernandes, bem como em conexão aos arts. 8 e 25 da Convenção Americana e sua relação com o art. 1 da Convenção, por seus próprios atos omissivos e tolerantes da violação infligida (SOUZA, 2009, p. 24).
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos determinou que o Estado da ocorrência do crime (Ceará) pagasse indenização pela morosidade judicial de valor de R$ 20.000,00 (MACEDO, 2010). Em decorrência do caso mencionado, em 2006, criou-se a Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que cria instrumentos para reprimir a violência doméstica contra a mulher. Além agravar as penas dos agressores, agora esse tipo de crime não suporta o pagamento de cestas básicas ou multa, e conta com penas de 3 anos de prisão. Conforme Macedo (2010, p.3):
O desfecho desta história é considerado de imensa relevância, pois, historicamente a mulher era vista como sexo frágil, submissa ao homem e proibida de exercer seus direitos civis, como votar por exemplo. Foi com muita determinação e garra que as mulheres conseguiram reverter o cenário preconceituoso e paternalista a todos submetido, garantido inclusive na Carta Magna brasileira, com o art. 5°, Inc I, a igualdade de deveres e obrigações entre homens e mulheres. Hoje, se vê mulheres ocupando cargos altos, votando, opinando em grandes causas.
André de Carvalho Ramos (2012, p. 237), cita mais casos relevantes tratando-se do Estado Brasileiro:
Em casos contenciosos julgados envolvendo o Brasil, já houve sentença de mérito (até o final de 2010) em alguns casos: o caso Damião Ximenes Lopes (procedência), o caso Gilson Nogueira de Carvalho (improcedência), os casos Garibaldi e Escher e outros (procedência em ambos) e, em 24 de novembro de 2010, o caso Gomes Lund e outros (procedência).
O caso Damião Ximenes Lopes, mencionado pelo autor, foi a primeira condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Proteção aos Direitos Humanos. Ficou conhecido como “Ximenes Lopes”, pois refere-se ao Brasileiro Damião Ximenes, que trava-se em uma clinica psiquiatrica: Casa de Repouso Guararapes, onde sofrefra maus tratos, e muitas violações aos direitos humanos.
Paixão (2007, p.5):
Três dias depois, quando D. Albertina Ximenes Lopes voltou à clínica, foi impedida de visitar o filho, desesperada, passou a gritar por Damião, seu filho surgiu então “cambaleando, com as mãos amarradas para trás, roupa toda estragada, a mostrar a cueca, corpo sujo de sangue, fedia a urina, fezes e sangue podre. Nas fossas nasais bolões de sangue coagulado. Rosto e corpo apresentavam sinais de ter sido impiedosamente espancado”.
Damião veio a óbito em decorrência das violações que eram praticadas pelos enfermeiros e demais profissionais no entanto, o laudo médico da morte afirma que esta tenha sido de forma natural, consequência de uma parada cardiorrespiratória. Foi diante desta situação que os familiares de Ximenes Lopes começaram a sua trajetória na busca de justiça pelo que houve na clínica. Foram mobilizados vários órgãos, a Casa de Repouso Guararapes foi descredenciada após sofrer investigações e auditorias. Em 1999, o caso foi até a Comissão Interamericana através da irmã de Damião, a denúncia continha graves violações a integridade, proteção a honra e principalmente violação ao direito à vida de Damião Ximenes Lopes (PAIXÃO, 2007).
Seguindo os tramites necessários à Comissão, o Brasil tomou ciência da acusação e teve o prazo de 90 dias para apresentar resposta, porém, não o fez e a Comissão aprovou o relatório de admissibilidade da petição. E, como na fase de conciliação o Brasil ainda se manteve estático, momento em que a Comissão aprovou a admissibilidade da denúncia, por violar direitos previsto na Convenção. Paixão (2007, p. 9):
Nos termos da Convenção Interamericana de Direitos Humanos, a Comissão recomendou ao Estado Brasileiro a adoção de uma série de medidas para reparar essas violações. O relatório de Admissibilidade foi encaminhado ao Estado Brasileiro, fixando-se o prazo de 2 meses para que informasse sobre as medidas adotadas para o cumprimento das obrigações.
Mesmo o Brasil tendo apresentado em 2004 um relatório à Comissão, demonstrando a atuação com as recomendações feitas por ela, a Comissão submeteu o caso à Corte Interamericana de Proteção aos Direitos Humanos, que em sentença reconheceu o Estado brasileiro como um dos responsáveis pela violação aos direitos de Damião (PAIXÃO, 2007). Sendo responsável:
Pela violação ao direito à integridade pessoal, à vida, à proteção judicial e às garantias judiciais consagradas nos artigos 5, 4, 25 e 8 respectivamente, da Convenção Americana, devido à hospitalização de Damião Ximenes Lopes em condições inumanas e degradantes, às violações de sua integridade pessoal, a seu assassinato; e às violações da obrigação de investigar, o direito a um recurso efetivo e às garantias judiciais relacionadas com a investigação dos fatos. A Comissão concluiu igualmente que em relação à violação de tais artigos o Estado violou igualmente seu dever genérico de respeitar e garantir os direitos consagrados na Convenção Americana a que se refere o artigo 1(1) de dito tratado. (COMISIÓN
INTERAMERICANA DE DERECHOS HUMANOS, 2004, p. 587).
O Brasil foi condenado a indenizar a família da vítima. Além da indenização também foi condenado a “e também promover programas de formação e capacitação para profissionais de saúde, especialmente médicos/as psiquiatras, psicólogos/as, enfermeiros/as e auxiliares de enfermagem, bem como para todas as pessoas vinculadas ao campo da saúde mental” (ROSATO; CORREIA, 2011). Importante passo na luta antimanicomial.
Muito embora lutando com todos esses mecanismos, o Sistema Interamericano de proteção aos Direitos Humanos sofre algumas críticas, como com relação aos inúmeros casos que ainda não foram solucionados e que estão em processamento, e também no sentido da falta de mecanismos para implementação das recomendações que são feitas (PIOVESAN, 2000, p. 78). Alguns autores defendem a reforma no Sistema Interamericano, por exemplo, André de Carvalho Ramos (2012, p.239) “deveria haver menção expressa ao poderdever da
Assembleia Geral de estipular sanções aos estados que descumprissem deliberação tanto da Comissão quanto da Corte Interamericana de Direitos Humanos”.
No entanto, é de fácil percepção a evolução do referido sistema, o que deixa a todos esperançosos, já que quanto maior for a produtividade dele, maior será a garantia, promoção e proteção dos direitos humanos nessa esfera regional. Ainda mais, levando em conta que que tanto o Sistema como os Estados, possuem entraves financeiros para as levar à risca as recomendações. Nesta linha, percebemos que cabe à sociedade pressionar o seu Estado para que cumpra as recomendações recebidas, e incluir cada vez mais na pauta de seu país a matéria de direitos humanos.
Nesse sentido, se criara um elo cada vez maior entre o Estado e o sistema regional, já que na pura essência, seus intuitos deve ser o mesmo, proteger com mais força os direitos inerentes a pessoa humana. Cançado Trindade (2003, p.66) reforça: “A Corte tem sistemática e corretamente enfatizado o dever tríplice dos Estados de prevenir, investigar e punir as violações dos direitos protegidos, assim como reparar os danos e indenizar pelas violações”.
É explanando a elucidação desses principais casos relacionados ao nosso país, que se espera ressaltar a importância e nobreza do Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos e sua atuação sobre a jurisdição nacional. Já que garante uma maior segurança ao cidadão de um país, pois se este tiver um direito violado e a justiça interna for falha, ou omissão, existira uma segunda opção para sanar sua necessidade, o que é de muito fácil percepção e de necessidade de todos, pois basta uma pessoa existir, ser humano, que poderá, infelizmente, ter algum direito violado, então todo e qualquer nível a mais de proteção, traz mais segurança a vida de todos, garantindo a dignidade humana.
Hoje em dia, a Corte vem enfrentando em menor medida as violações tradicionais de direitos humanos para dar lugar aos litígios envolvendo direitos coletivos, direitos de povos indígenas, direito à consulta prévia e os direitos à saúde e à seguridade social. Essas demandas requerem medidas efetivas de reforma, de institucionalização, reconhecimento e redistribuição, o que se constitui em um verdadeiro desafio para o sistema. Ou seja, são necessárias novas e mais criativas formas de reparação, em substituição àquelas penas tradicionais (GARAVITO; KAUFFMAN, 2015). Sendo assim, cada vez se fortalecem mais como instrumentos garantidores de justiça e democracia.
CONCLUSÃO
Durante muito tempo, os direitos inerentes a pessoa humana tiveram pouca relevância. Contudo, nas últimas décadas o tema ganhou destaque e acabou estando cada vez mais presente nos debates políticos. Essa mudança deve-se as violações que já ocorreram e que ainda acontecem. Por isso, é fundamental que exista um sistema internacional de proteção aos direitos humanos.
A necessidade de ter uma força normativa que pensasse em um modo geral, além dos interesses de cada estado se deu em virtude da grande devastação de vidas humanas durante a Segunda Guerra Mundial. Essa consciência gerada no mundo todo, deu início a uma importante fase na história de proteção aos direitos humanos. Pode dizer-se, que com relação aos marcos históricos estudados, a Criação da Carta das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e as Convenções regionais, foram o ponta pé inicial na luta da internacionalização dos direitos.
Verificou-se nesse trabalho a existência de um sistema global, mas o enfoque principal foi o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, este que o Brasil está inserido. Neste sentido, pode-se perceber a fundamental importância da Convenção Americana de Direitos Humanos e os seus dois órgãos: a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Os sistemas regionais são considerados um segundo nível de proteção aos direitos humanos, ao passo que o judiciário nacional se torne falho ou omisso. Deste modo, a Comissão se encarrega de fiscalizar qualquer fato que esteja em discordância à Convenção, e Corte julgara qualquer possível lide.
Como aconteceu com os casos demonstrados no presente trabalho, em que as vítimas não encontraram a resolução necessária no judiciário brasileiro, seja por morosidade ou falar, e tiveram seu direito satisfeito junto a tais órgãos. Ou seja, demonstra uma enorme efetividade do sistema, pois conta com órgãos atuantes e os Estados tem seguido suas recomendações. Assim, é importante é fazer com cada vez mais pessoas tenham conhecimento do sistema adicional e que tão logo percebam uma violação a direitos, possam saber onde encontrar ajuda.
REFERÊNCIAS
ALVES, José Augusto Lindgren. Os direitos humanos como tema global. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003.
ARRIGHI, Jean Michel. OEA: Organização dos Estados Americanos. Editora: Manole, 2004.
BOBBIO, Norberto. Era dos Direitos, trad. Carlos Nelson Coutinho, Rio de Janeiro, Campus, 1988.
BUERGENTHAL, Thomas. The interamerican system for the protection of human rights, in Theodor Meron (editor), Human rights in international law - Legal and policy issues. Oxford: Claredon Press, 1984. in O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos e o direito brasileiro. Coordenação: Luiz Flavio Gomes e Flavia Piovesan. São Paulo: Editora revista dos tribunais, 2000
COMISIÓN INTERAMERICANA DE DERECHOS HUMANOS. Demanda en el
Caso Damião Ximenes Lopes (Caso 12.237) contra la República Federativa del Brasil.
2004. Disponível em: http://www.corteidh.or.cr/docs/casos/ximenes/dcidh.pdf . Último acesso em: 25 maio 2019.
COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. São Paulo: Editora Saraiva, 2001.
FERREIRA, Patricia Galvão. Responsabilidade Internacional do Estado. In: LIMA JR., J. B. (Org.) Direitos Humanos Internacionais: avanços e desafios no início do século XXI. Recife: 2001.
GALLI, Maria Beatriz, DULITZKI, Ariel E. A Comissão Interamericana de direitos
humanos e o seu papel central no Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos. In GOMES, Luiz Flávio, PIOVESAN, Flávia. O Sistema Interamericano de
Proteção dos Direitos Humanos e o Direito Brasileiro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000.
GARAVITO, César Rodrigues; KAUFFMAN, Celeste. De las órdenes a la práctica: análisis y estrategias para el cumplimiento de las decisiones del sistema interamericano de derechos humanos. In: MAIA, Camila Barreta et al. (Org.). Desafíos del sistema interamericano de
derechos humanos: nuevos tiempos, viejos retos. Bogotá: Centro de Estudios de Derecho,
2015.
GUERRA, Sidney. ONU e Justiça Global em matéria de Direitos Humanos. IN Reflexões sobre os 60 anos da ONU. Araminta Mercadante, et all. Ijuí: 2005, Editora Unijuí.
______. Direitos Humanos na ordem jurídica Internacional e reflexos na Ordem
Constitucional Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2008.
______. O direito internacional dos direitos humanos. São Paulo, 2011.
MACEDO, Larissa. Caso Maria da Penha. Disponível em:<
http://academico.direitorio.fgv.br/ccmw/Caso_Maria_da_Penha> . Acesso em 24 maio 2019. ONU, Carta da. Disponivel em : <https://nacoesunidas.org/carta/>. Aceso em 20 maio 2019. PAIXÃO, Cristiano. Caso Ximenes Lopes versus Brasil – Corte Interamericana de Direitos
Humanos, Relato e construção jurisprudencial. Disponível em http://direitogv.fgv.br/casoteca/ximenes-lopes-versus-brasil. Acesso em 20 maio. 2019.
PIOVESAN, Flávia. Introdução ao Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos
Humanos: a Convenção Americana de Direitos Humanos. In GOMES, Luiz Flávio,
PIOVESAN, Flávia. O Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos e o Direito Brasileiro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000.
______, Flavia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. 8. ed. São Paulo: Max Limonad, 2004.
______. Temas de Direitos Humanos. São Paulo: Saraiva, 2012.
RAMOS, André de Carvalho. Direitos Humanos em juízo. São Paulo: Max Limonad, 2001 ______, Andre Carvalho. Processo internacional de direitos humanos. São Paulo: Editora Saraiva, 2012.
______, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos humanos na ordem internacional. São Paulo: Saraiva, 2013.
RANGEL. Vicente Marotta. Direito e relações internacionais. 7ª Edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002.
ROSATO, Cássia Maria; CORREIA, Ludmila Cerqueira; Caso Damião Ximenes Lopes,
mudanças e desafios após a primeira condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. 2011. Disponível em: <
https://sur.conectas.org/caso-damiao-ximenes-lopes/>. Acesso em 20 de maio de 2019.
SOUZA, Sérgio Ricardo de. Comentários à lei de Combate à Violência contra a Mulher. Curitiba: Juruá Editora, 2009.
STEINER. Sylvia Helena de Figueiredo. A Convençao Americana sobre Direitos Humanos e sua integração ao processo penal brasileiro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000. TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. O Sistema Interamericano de Direitos Humanos
no limiar do novo século: Recomendações para o fortalecimento de seu mecanismo de proteção. In GOMES, Luiz Flávio, PIOVESAN, Flávia. O Sistema Interamericano de
Proteção dos Direitos Humanos e o Direito Brasileiro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000.
______. A proteção internacional dos direitos humanos, fundamentos jurídicos e
instrumentos básicos. São Paulo: Saraiva, 1991.
______. Tratado de Direito Internacional dos Direitos Humanos, Volume III. Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris Editor, 2003.