Texto

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Grupo I

Grupo I

 Apresenta as tu

 Apresenta as tuas respostas de as respostas de forma bem eforma bem estruturada.struturada.

Na parte A, responde apenas às questões relativas ao romance de José Saramago que estudaste.

Na parte A, responde apenas às questões relativas ao romance de José Saramago que estudaste. A

A

Lê o excerto de

Lê o excerto de O Ano da Morte de Ricardo ReisO Ano da Morte de Ricardo Reis..

5 5 10 10 15 15 20 20 25 25

Ricardo Reis diz, Lá lhe

Ricardo Reis diz, Lá lhe ficou uma lembrança, o Pimenta responde, Muito obrigado aoficou uma lembrança, o Pimenta responde, Muito obrigado ao

senhor doutor, quando quiser alguma coisa é só dizer,

senhor doutor, quando quiser alguma coisa é só dizer, todas estas palavras são inúteis, e issotodas estas palavras são inúteis, e isso

ainda é o melhor que

ainda é o melhor que podemos dizer delas, quase todas, em verdade, hipócritas, razão tinhapodemos dizer delas, quase todas, em verdade, hipócritas, razão tinha

aquele francês que disse que a palavra foi

aquele francês que disse que a palavra foi dada ao homem para disfarçar o dada ao homem para disfarçar o pensamenpensamento, enfim,to, enfim,

teria razão o tal,

teria razão o tal, são questões sobre as quais não devemos fazer juízos perentórios, o são questões sobre as quais não devemos fazer juízos perentórios, o maismais

certo é ser a palavra o melhor que se pôde arranjar, a tentativa sempre frustrada para exprimir

certo é ser a palavra o melhor que se pôde arranjar, a tentativa sempre frustrada para exprimir

isso a que, por palavra, chamamos pensamento. Os dois moços de f

isso a que, por palavra, chamamos pensamento. Os dois moços de fretes já sabem aonderetes já sabem aonde

devem levar as malas, Ricardo Reis disse-o depois de se ter retirado Pimenta, e agora sobem a

devem levar as malas, Ricardo Reis disse-o depois de se ter retirado Pimenta, e agora sobem a

rua, vão pela calçada para maior desafogo do transporte [

rua, vão pela calçada para maior desafogo do transporte [……]. A meio da rua têm os ]. A meio da rua têm os moços demoços de fretes de chegar-se para um lado,

fretes de chegar-se para um lado, e então aproveitam para arrear a e então aproveitam para arrear a carga, respirar um pouco,carga, respirar um pouco,

 porque vem

 porque vem descendo uma descendo uma fila de carros elétricfila de carros elétricos apinhados dos apinhados de gente loura de gente loura de cabelo e roe cabelo e rosadasada

de pele, são alemães excursionistas, operários da Frente Alemã do Trabalho, quase todos

de pele, são alemães excursionistas, operários da Frente Alemã do Trabalho, quase todos

ves-tidos à moda bávara, de calção, camisa e suspensórios, o

tidos à moda bávara, de calção, camisa e suspensórios, o chapelinho de aba estreita, pode-sechapelinho de aba estreita, pode-se

ver facilmente porque alguns dos elétricos são abertos, gaiolas ambulantes por onde a

ver facilmente porque alguns dos elétricos são abertos, gaiolas ambulantes por onde a chuvachuva

entra quando quer, de pouco valendo os estores de lona

entra quando quer, de pouco valendo os estores de lona às riscas, que irão dizer às riscas, que irão dizer da nossa civi-da nossa

civi-lização portuguesa estes trabalhadore

lização portuguesa estes trabalhadores arianos, filhos de s arianos, filhos de tão apurada raça [tão apurada raça [……].].

Estamos perto. Ao fundo desta rua já se veem as palmeiras do Alto de Santa Catarina, dos

Estamos perto. Ao fundo desta rua já se veem as palmeiras do Alto de Santa Catarina, dos

montes da Outra Banda assomam pesadas nuvens que são como mulheres gordas à janela,

montes da Outra Banda assomam pesadas nuvens que são como mulheres gordas à janela,

metáfora que faria encolher os ombros de

metáfora que faria encolher os ombros de desprezo a Ricardo Reis, para quem, poeticamente,desprezo a Ricardo Reis, para quem, poeticamente,

as nuvens mal existem, por uma vez escassas

as nuvens mal existem, por uma vez escassas, outra fugidia, branca e tão inútil, se , outra fugidia, branca e tão inútil, se chove é sóchove é só

de um céu que escureceu porque Apolo velou a sua face. Esta é a porta de entrada da minha

de um céu que escureceu porque Apolo velou a sua face. Esta é a porta de entrada da minha

casa, [

casa, [……] agora entremos todos, as duas malas ] agora entremos todos, as duas malas pequenas, a maior, repartindo o esforço, paga-pequenas, a maior, repartindo o esforço, paga--se o preço ajustado, a esperada gorjeta, cheira a

-se o preço ajustado, a esperada gorjeta, cheira a intenso suor, Quando tornar a precisar intenso suor, Quando tornar a precisar dada

gente, patrão, estamos sempre ali, não duvidou Ricardo Reis, se

gente, patrão, estamos sempre ali, não duvidou Ricardo Reis, se com tanta firmeza o com tanta firmeza o diziam,diziam,

mas não respondeu, E eu sempre aqui estarei, um

mas não respondeu, E eu sempre aqui estarei, um homem, se estudou, aprende a duvidar,homem, se estudou, aprende a duvidar,

muito mais sendo os deuses tão inconstantes, certos apenas, eles por ciência, nós

muito mais sendo os deuses tão inconstantes, certos apenas, eles por ciência, nós por expe-por

expe-riência, de que tudo acaba, e o sempre antes do resto.

riência, de que tudo acaba, e o sempre antes do resto.

SARAMAGO, José, 2016.

SARAMAGO, José, 2016.O Ano da Morte de Ricardo ReisO Ano da Morte de Ricardo Reis. 22.ª ed. Porto: Porto Editora (pp. 250-252) (1.ª . 22.ª ed. Porto: Porto Editora (pp. 250-252) (1.ª ed. 1984)ed. 1984)

1.

1. Justifica os comentários do narrador nas Justifica os comentários do narrador nas linhas 2-3, considerando o momento da ação.linhas 2-3, considerando o momento da ação.

2.

2. Interpreta as referências aosInterpreta as referências aos“alemães excursionistas”“alemães excursionistas” (l. 12)(l. 12)..

3.

3. Relaciona a caracterização de Ricardo Reis apresentada no último Relaciona a caracterização de Ricardo Reis apresentada no último parágraparágrafo com fo com os tópicosos tópicos

temáticos da sua

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Lê o excerto de Memorial do Convento. 5 10 15 20 25 30

Já o padre Bartolomeu Lourenço regressou de Coimbra, já é doutor em cânones, confirmado de Gusmão por apelativo onomástico e firma escrita, e nós, quem somos nós para nos atrevermos a taxá-lo do pecado de orgulho, maior bem nos faria à alma  perdoar-lhe a falta de humildade em nome das razões que deu, assim possam

ser--nos perdoados os nossos próprios pecados, esse e outros, que ainda o pior de tudo não será mudar de nome, mas de cara, ou de palavra. De palavra e cara não parece ele que tenha mudado, para Baltasar e Blimunda de nome também não, e se el-rei o fez fidalgo capelão de sua casa e académico da sua academia, são de tirar e pôr essas caras e palavras, que, com o nome adotado, ficam ao portão da quinta do duque de Aveiro, e não entram, embora se adivinhe o que fariam os três se chegassem à vista da máquina, diria o fidalgo que são trabalhos mecânicos, esconjuraria o capelão a obra diabólica ali manifesta, por ser isto coisa do futuro se retiraria o académico,  para só voltar quando fosse coisa passada. Ora, este dia é hoje. […]

Mora o padre cerca do paço, e ainda bem, pois muito o frequenta, não tanto por obrigações firmes do seu título de capelão fidalgo, mais honorífico que efetivo, mas  por lhe querer bem el-rei, que ainda não perdeu de todo as esperanças, e já vão onze anos passados, por isso pergunta, benévolo, Verei voar a máquina um dia, ao que o  padre Bartolomeu Lourenço, honestamente, não pode responder mais do que isto,

Saiba vossa majestade que a máquina um dia voará, Mas estarei cá para ver, Viva vossa majestade nem tanto quanto viveram os antigos patriarcas do Testamento velho, e não só verá voar a máquina, como nela voará. Parece ter seu quê de imper-tinente a resposta, mas el-rei não faz reparo, ou reparou e usa de indulgência, ou o distrai lembrar-se de que vai assistir à lição de música de sua filha, a infanta D. Maria Bárbara, isto terá sido, faz um sinal ao padre para que se junte ao séquito, nem todos se podem gabar destes favores.

Está a menina sentada ao cravo, tão novinha, ainda não fez nove anos e já gran- des responsabilidades lhe pesam sobre a redonda cabeça, aprender a colocar os dedi-nhos curtos nas teclas certas, saber, se o sabe, que em Mafra se está construindo um

convento, muito verdade é o que se diz, pequenas causas, grandes efeitos, por nascer uma criança em Lisboa levanta-se em Mafra um montanhão de pedra e vem de Lon-dres contratado Domenico Scarlatti.

SARAMAGO, José, 2014. Memorial do Convento. 56.ª ed. Porto: Porto Editora (pp. 173-174) (1.ª ed.:1982)

1. Interpreta a afirmação “são de tirar e pôr essas caras e palavras” (ll. 8-9), no contexto em que ocorre.

2.  Apresenta dois traços caracterizadores de D. João V, fundamentando as tuas afirmações com elementos textuais.

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B

Lê o excerto do “Sermão de Santo António” do Padre António Vieira.

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Mas já que estamos nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos lá o irmão Polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que São Basílio, e Santo Ambrósio. O Polvo, com aquele seu capelo1na cabeça, parece um Monge, com aqueles

seus raios estendidos, parece uma Estrela, com aquele não ter osso, nem espinha,  parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta,

ou desta hipocrisia tão santa, testemunham contestamente2os dois grandes

Doutores da Igreja Latina, e Grega, que o dito Polvo é o maior traidor do mar. Con-siste esta traição do Polvo primeiramente em se vestir, ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores, a que está pegado. As cores, que no Camaleão são gala, no Polvo são malícia; as figuras, que em Proteu3 são fábula4,no Polvo são verdade, e

artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo; e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que outro peixe inocente da traição vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais; porque nem fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros O prenderam: o polvo é o que abraça, e mais o que prende.

VIEIRA, Padre António, 2014. “Sermão de Santo António”. In Obra Completa (Direção de José Eduardo Franco e Pedro

Calafate). Tomo II. Volume X (Sermões Hagiográficos I). Lisboa: Círculo de Leitores (p. 162) (1.ª ed.: 1682)

1.capuz;2.com testemunho uniforme;3.deus do mar que tinha a capacidade de se metamorfosear;4.falsidade;5.traidor.

4. Interpreta a referência às “cores” (l. 8), no contexto da crítica dirigida ao polvo.

5. Estabelece uma relação entre a dimensão alegórica do excerto e os objetivos do sermão.

Grupo II

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

Escreve, na folha de respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida. Lê atentamente o texto.

5

Tal como os seres humanos são mamíferos, os polvos são cefalópodes. A palavra égrega, significa “cabeça- pé” e remete para a sua estranha anatomia: os braços dire -tamente ligados a um dos lados da cabeça e o “tronco” (o manto semelhante a um

saco) ao outro. […]

 Na atualidade, existem mais de 750 espécies vivas conhecidas de cefalópodes. Além de cerca de trezentas espécies de polvos, há ainda um amplo leque de lulas e

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10 15 20 25 30 30

estranhos que possuem 90 tentáculos e vivem no interior de carapaças. Os polvos contemporâneos são uma família muito diversificada.

O polvo-gigante-do-pacífico é, como o seu nome sugere, gigantesco. Cada tentá-culo de um indivíduo de grande porte pode atingir dois metros de comprimento e o animal pode pesar mais de cem quilogramas. Outros, como o polvo-pigmeu, são ínfimos, pesando menos de trinta gramas. […]

Os polvos e chocos que vivem em águas pouco profundas e são caçadores diur-nos são os campeões mundiais da camuflagem. Como é evidente, o disfarce não é invulgar: muitas criaturas evoluíram de maneira a assemelhar-se a algo que não são. […]

O que torna os polvos e os chocos (e, em menor grau, as lulas) diferentes é a sua capacidade para se disfarçarem num ápice, ora assemelhando-se a corais, ora a um molho de algas, ora a um pedaço de areia. É como se utilizassem a pele para elaborar imagens tridimensionais de objetos localizados perto de si. Como conseguem fazê--lo? O disfarce do polvo é composto por três elementos principais. Um deles é a cor. Os polvos geram cor através de um sistema de pigmentos e refletores. […]

 No seu conjunto, os refletores e os órgãos dos pigmentos permitem ao polvo criar uma enorme variedade de cores e padrões. O segundo elemento de disfarce é a textura da pele. Contraindo músculos especiais, os polvos conseguem alterar a pele, que deixa de ser lisa para passar a ser espinhosa. […]

A terceira componente do disfarce é a postura. O modo como um polvo se com- porta pode fazê-lo dar mais ou menos nas vistas. Há alguns polvos, por exemplo,

que se enrolam de maneira a assemelhar-se a um monte de coral e, utilizando apenas dois braços, deslizam suavemente sobre o fundo do mar.

Como conseguiram os polvos ser tão bem-sucedidos no disfarce? A resposta curta é: evolução. Ao longo de dezenas de milhões de anos, os espécimes mais capa-zes de disfarçar-se foram tendo mais probabilidades de fugir aos predadores e gerar descendência. E existem muitos animais –  incluindo enguias, golfinhos, camarões

louva-a-deus, corvos marinhos, muitos peixes e até outros octópodes –  que são

en-tusiásticos devoradores de polvos. Como os polvos não têm ossos, os predadores  podem comer o animal inteiro.

JUDSON, Olivia, 2016. “O poder do oito”. National Geographic Portugal ,

n.º 188, novembro de 2016 (pp. 47-56)

1. De acordo com o texto,

(A) é comum a todos os cefalópodes a capacidade de se camuflarem.

(B) o desenvolvimento da capacidade de camuflagem do polvo decorreu de necessidades de proteção e defesa.

(C) as alterações cromáticas mais rápidas verificam-se nos polvos que vivem essencialmente no fundo do mar.

(D) através de um sistema de pigmentos e refletores, os polvos conseguem mudar a cor e a textura da sua pele.

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2. A utilização das palavras “cefalópodes” (l. 1), “polvos”(l. 6), “lulas”(l. 6), “chocos” (l. 7)e “náutilos”  (l. 7)exemplifica o processo de coesão

(A) referencial.

(B) lexical por substituição (holonímia-meronímia). (C) lexical por repetição.

(D) lexical por substituição (hiperonímia-hiponímia).

3. Com o recurso aos complexos verbais “pode atingir” e “pode pesar” , nas linhas 11-12, concretiza-se

(A) a modalidade epistémica com valor de certeza. (B) a modalidade deôntica com valor de permissão. (C) a modalidade epistémica com valor de probabilidade. (D) a modalidade apreciativa.

4. O constituinte “por três elementos principais” (l. 21)desempenha a função sintática de (A) complemento oblíquo.

(B) complemento do adjetivo.

(C) complemento agente da passiva. (D) modificador.

5. Ao utilizar a interrogação retórica, nas linhas 20-21 e 31, a autora (A) solicita uma informação e reforça uma opinião, respetivamente. (B) reforça uma opinião e introduz um argumento, respetivamente. (C) introduz uma explicação, em ambos os casos.

(D) introduz um argumento, em ambos os casos. 6. Contribui para a coesão frásica

(A) a utilização do determinante possessivo, na linha 2.

(B) a presença do predicativo do sujeito “uma família muito diversificada” , na linha 9. (C) o recurso à conjunção “ora” , nas linhas 18 e 19.

(D) a enumeração de “animais” , nas linhas 34 e 35. 7. O texto é constituído por sequências

(A) explicativas e descritivas. (B) explicativas e argumentativas. (C) descritivas e argumentativas. (D) narrativas e descritivas.

8. Refere o valor aspetual da frase: “Ao longo de dezenas de milhões de anos, os espécimes mais capazes de disfarçar-se foram tendo mais probabilidades de fugir aos predadores e gerar descendência.” (ll. 32-34).

(6)

componente”  (l. 27).

10. Classifica a oração subordinada introduzida por “Como” , na linha 36.

Grupo III

No excerto de O Ano da Morte de Ricardo Reis transcrito no grupo I, o narrador alude a Stendhal, autor francês dos séculos XVIII e XIX, quando afirma: “razão tinha aquele francês que disse que a palavra foi dada ao homem para disfarçar o pensamento” (ll. 3-4).

Redige um texto de opinião em que defendas um ponto de vista pessoal sobre a perspetiva veiculada pela frase citada.

Escreve um texto bem estruturado, de duzentas a trezentas palavras, respeitando as marcas do género.

Observações:

1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2017/).

2. Desvios dos limites de extensão indicados implicam uma desvalorização.

Cotações

Grupo

Item

Cotação (em pontos)

I 1.a5. 5 x 20 pontos 100 II 1.a10. 10 x 5 pontos 50

III Item único

50 TOTAL 200

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Referências

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