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Academic year: 2021

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Este iivro é parte tia Teologia Bíblica e da Teologia Histórica. É o estudo de assuntos introdu­ tórios da Bíblia.

0 livro apresenta uma orien­ tação sumária sobre a leitura e estudo das Sagradas Escrituras e mostra pontos fascinantes co­ mo:

• A Estrutura da Bíblia; • A Formação e a Trans­ missão do Cânon Sagrado;

• Os Manuscritos e as Tra­ duções;

• 0 Período inttrtesta mentário;

• Fatos Sobre as Nações contemporâneas.

Tambem são apresentados nos para a com-Bíbiia, como: usose Povos e Geogra-MkA . IgKyl?: W Ê r

X

Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus

Caixa Postal 1031 • Campinas - SP • 13012-970 w w w .eetad.com .br

ISBN 85-87860-36-4

9 7 8 8 5 8 7 8 6 0 3 6 1 Printed in Brazil

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BIBLIOLOGIA

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BIBLIOLOGIA

introdução ao Estudo da Bíblia

Autoria de

A n to n io G ilberto da silva

Adaptado para curso pela equipe redatorial da EETAD

Escola de Educação Teológica das Assembléias de Deus

Campinas • SP • Brasil

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Nível Básico

Consultor Teológico

Pastor Antonio Gilberto, M. Teol.

Equipe Editorial

Diagramação: Matheus Santos Revisão de textos: M artha Jalkauskas

Revisão Geral: Miriam Estevan

Supervisão de Produção

Márcio M atta

Coordenação Geral

Pr. Josué de Campos

D ad os In te rn a c io n a is de C a ta lo g a çã o n a P u b lica çã o (C1P) (C âm ara B rasileira do Livro, S P B rasil)

Silva, Antonio Gilberto da

Blbliologia: introdução ao estudo da Bíblia: adaptado para curso pela equipe redatorial da EETAD / Antonio Gilberto da Silva. 1a edição.

Campinas, SP: Escola de Educação Teológica das Assembléias de Deus, 2006. Bibliografia.

ISBN 85-87860-36-4

1. Bíblia - Crítica e interpretação 2. Bíblia - Estudo e ensino 3. Bíblia - Leitura I. Título.

06-5149

índices para catálogo sistemático 1. B íblia: E studo 2 2 0 .0 7

Filiação

:ão E v an g élica de E d u cação Teo lóg ica n a A m é rica L atin a [ A S E C - A sso cia çã o de E ditores C ristãos

© C opyright 2 0 0 8 1- E d ição 2 0 0 6 • E d ição revisada 2 0 1 0 T o d o s os d ireitos reservados. P roibid a a rep rod u ção to ta l ou parcial.

Impresso no Brasil • Printed in Brazil • Impreso en Brasil

A E T A L - A sso ciaç

editores j cristãos

CDD 220.07

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I

COMO ESTUDAR ESTE LIVRO

As vezes, estudamos muito e aprendemos ou retemos pouco ou nada. Isto, em parte, acontece pelo fato de estudarmos sem ordem nem método. Embora sucintas, as orientações a seguir lhe serão muito úteis.

1. Busque ajuda divina

Ore a Deus dando-Lhe graças e suplicando direção e iluminação do alto. Deus pode vitalizar e capacitar nossas faculdades mentais quanto ao estudo da Sua santa Palavra, bem como assuntos afins e legítimos. Nunca execute qualquer tarefa de estudo e trabalhos desta matéria, sem primeiro orar.

2. Tenha à mão materiais auxiliares

Além da matéria a ser estudada neste livro-texto, tenha à mão as seguintes fontes de consulta e referência:

a) Bíblia. Tenha mais de uma versão para leitura e meditação para que fundamente sua fé na Palavra de Deus; A EETAD utiliza a versão ARA (Almeida Revista e Atualizada), publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil. Na eventualidade de alguns versículos citados serem de outra versão, esta é citada entre parênteses.

b) Dicionários Bíblico e Teológico. Para a devida compreensão de termos inerentes;

c) Dicionário da Língua Portuguesa. Para a compreensão do significado de algumas palavras utilizadas esporadicamente;

d) Atlas Bíblico. Para situar os fatos bíblicos no espaço geográfico.

e) Concordância Bíblica. Para a rápida localização de referências bíblicas; f) Livros de apoio. Faça uso de bons livros de referência, publicados pelas principais editoras evangélicas. Veja, na Bibliografia Indicada, no final deste livro, os títulos mais indicados para lhe auxiliarem no estudo desta matéria.

g) Livro ou caderno de apontamentos individuais. Habitue-se a sempre tomar notas durante suas aulas, estudos e meditações, a partir da Bíblia, de tudo que venha a ser útil no avanço do seu conhecimento teológico e no desempenho do seu ministério.

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a) Ao primeiro contato com a matéria, procure obter uma visão global da mesma, isto é, como um todo. Nessa fase do estudo, não sublinhe nada. Não faça apontamentos. Não procure referências na Bíblia. Procure, sim, descobrir o propósito da matéria em estudo, isto é, o que ela visa comunicar-lhe.

b) Passe então ao estudo minucioso de cada Lição, observando a seqüência dos Textos que a compõem. Agora, sim, à medida que for estudando, sublinhe palavras, frases e trechos-chaves. Faça anotações no caderno a isso destinado. Se essas anotações forem desorganizadas, nenhum benefício você terá.

c) Ao final de cada Texto, feche o livro e procure recompor de memória suas divisões principais. Caso tenha alguma dificuldade, volte ao Texto. O aprendizado é um processo metódico e gradual. Não é algo automático como apertar um botão da máquina para funcionar. Pergunte aos que sabem, como foi que aprenderam.

d) Ao término de cada Lição, responda os exercícios do Questionário da Lição sem consultar os Textos correspondentes. Em seguida volte aos Textos, comparando suas respostas. Tanto as perguntas que ficaram em branco como aquelas com respostas erradas, só deverão ser completadas ou corrigidas após sanadas as dúvidas pelo estudo paciente e completo dos Textos correspondentes.

e) Reexamine a Lição estudada, bem como seus exercícios. f) Passe para a Lição seguinte.

g) Ao final do livro, reexamine toda a matéria estudada; detenha-se nos pontos que lhe foram mais difíceis, ou que falaram mais profundo ao seu coração.

Observando sempre todas estas orientações, você chegará a um resultado satisfatório em seu estudo, tanto no aprendizado quanto no crescimento espiritual.

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INTRODUÇÃO

Bibliologia é parte da Teologia Bíblica e da Teologia Histórica. É também chamada

Isagoge, termo grego que significa conduzir para dentro, uma vez que conduz ao interior do infinito campo das Santas Escrituras. Destarte, Bibliologia é o estudo dos assuntos introdutórios à Bíblia. Ela auxilia poderosamente o estudante na compreensão da Bíblia, e é indispensável a qualquer área da Teologia por auxiliar na elucidação dos inumerá­ veis fatos bíblicos.

Um dos pontos altos da Bibliologia é a exposição da milagrosa história da Bíblia: como ela é formada e como chegou até nós.

Sendo um livro divino mas produzido por canais humanos e para o ser humano, é natural que a Bíblia faça referência a tudo o que é humano e terreno, como países, povos, raças, línguas, usos, costumes, culturas, montanhas, rios, desertos, mares, climas, solos, estradas, plantas, produtos, minérios, animais, comércio e as mazelas humanas, inclusive.

Esse é o imenso palco da revelação divina que temos na Bíblia. Daí a necessidade de termos pelo menos uma noção dos fatos registrados, para compreendermos o que Deus quer nos dizer.

Apresentamos inicialmente uma orientação sumária sobre a leitura e o estudo das Santas Escrituras, e daí prosseguimos numa sequência lógica, tratando de:

a) Sua estrutura. Divisão e classificação dos livros; detalhes sobre capítulos, versículos, tema central e especificidades do texto. A Bibliologia não esgota os particulares de cada livro, por ser este o domínio da Síntese Bíblica.

b) O Cânon Sagrado. Sua formação e transmissão até nós.

c) Preservação e tradução. Isto abrange as línguas originais, os manuscritos, as versões e as traduções do Santo Livro.

d) História geral do povo da Bíblia - Israel. Isto inclui o período inter- testamentário (entre Malaquias e Mateus) e fatos sobre as nações contemporâneas. A Bíblia foi tecida no tear da História, e se o estudante ignorar esta última, terá sempre dificuldades na compreensão dos fatos da Bíblia.

e) Auxílios externos para a compreensão da Bíblia. Integram esta parte do estudo a geografia bíblica, a cronologia geral, e os usos e costumes dos povos bíblicos.

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cinco décadas e, nesse tempo, ter reconhecido, mais e mais, a necessidade de cada estudante (não apenas leitor) da fííblia de aprofundar-se nos assuntos que constituem a Bibliologia.

Memorizemos os 66 livros da Bíblia e suas respectivas abreviaturas:

Na Hc Sf Ag____ Zc Ml _ Mt M c _ Lc _ J o _ ^__ A t __ Rm____ 1 C o__ 2Co GL -_________________________________________ Ef

Ester______________________ Et__________ Filipenses____________ Fp

Jó Jó Colossenses Cl Salmos SI 1 Tessalonicenses 1Ts Provérbios Pv 2 Tessalonicenses 2Ts Eclesiastes Ec 1 Timóteo 1Tm Cantares Ct 2 Timóteo 2Tm 1 saías Is Tito Tt Jeremias Jr Filemom Fm

Lamentações de Jeremias Lm Hebreus Hb

Ezequiel Ez Tiago Tg

Daniel Dn 1 Pedro 1Pe

Oséias Os 2 Pedro 2Pe

Joel Jl 1 João 1 Jo

Amós Am 2 João 2Jo

Obadias Ob 3 João 3Jo

Jonas Jn Judas Jd Miquéias Mq Apocalipse Ap Lovilico ■ ’Números-, D('ulPionomio Josué Juizes Rute IS a m u e l____ 2^Samuel_ _ _1 R e is ____ 2 Reis_ _ _ ^ Crônicas^ _ _ 2 Crônic_as_ JEsdras _ _ Neemias Marcos- r- Lucas João . -Atos dos Apóstolos R o m a n o s________ \ C o rín tio s _______ 2 Coríntios _____ G á la ta s __________ Efésios VIII

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LIÇÃO

TEXTO PÁG.

1. A IM PO RTÂ N CIA DAS ESC R IT U R A S 01

A Razão da Necessidade das Escrituras... 1 03 A Razão da Necessidade das Escrituras (C o n t.)... 2 05 Como Estudar a Bíblia... 3 07 2. A BÍBLIA COM O LIV RO 11 Os Livros Antigos... 1 13 A Estrutura da B íblia... 2 16 A Estrutura da Bíblia (C o n t.)... 3 19 O Tema Central da Bíblia... 4 21 Observações Úteis e Práticas... 5 25 3. A BÍB L IA COM O A PALAVRA DE DEUS 29 A Inspiração Divina da Bíblia... 1 31 A Inspiração Divina da Bíblia (C on t.)... 2 33 Harmonia e Unidade da Bíblia... 3 35 Provas da Inspiração Divina da Bíblia... 4 37 Provas da Inspiração Divina da Bíblia (C on t.)... 5 39 'Provas da Inspiração Divina da Bíblia (C on t.)... 6 41 4. O CÂNON DA BÍBLIA E SUA EVOLUÇÃO H ISTÓ R IC A 45 O Cânon do Antigo Testamento... 1 47 A Formação do Cânon do Antigo Testamento... 2 49 O Cânon do Novo Testamento... 3 52 Datas e Períodos Sobre o Cânon em G eral... 4 55 5. PRESERVAÇÃO E TRA D U Ç Ã O DA BÍBLIA 61 As Línguas Originais da Bíblia... 1 63 Os Manuscritos da Bíblia ... 2 66 Os Manuscritos da Bíblia (C on t.)... 3 68 Os Manuscritos da Bíblia (C on t.)... 4 70

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A Tradução da Bíblia... 1 77 A Tradução da Bíblia (C ont.)... 2 79 Outras Versões Orientais e Ocidentais... 3 82 Versões em Português... 4 84 Peculiaridades Sobre o Texto Bíblico e Sua Tradução... 5 87 7. A SEQUÊN CIA DA H IST Ó R IA BÍBLIC A 91

a

A Epoca Pré-Abraâmica... 1 93 A Época de Israel... 2 96 Da Conquista de Canaã à Monarquia... 3 99 O Reino Dividido... 4 102 Profetas do Reino Dividido... 5 104 O Cativeiro do Reino de Judá... 6 105 Restauração Pós-Cativeiro... 7 107 8. A SEQUÊN CIA DA H IST Ó R IA BÍBLIC A (Cont.) 113 O Período Interbíblico... 1 115 O Período Interbíblico (C on t.)... 2 117 A Palestina Independente Sob os Macabeus... 3 119 A Palestina Sob o Domínio Romano... 4 121 A Palestina Sob o Domínio Romano (C on t.)... 5 123 Até os Nossos D ias... 6 125 9. C RO N O LO G IA B ÍBLIC A 131 Considerarações Acerca do Estudo da Cronologia Bíblica 1 133 Cronologia da Bíblia e da História Contemporânea... 2 137 Cronologia da Bíblia e da História Contemporânea (Cont.) 3 139 Cronologia Diversa... 4 142 Cronologia dos Impérios Mundiais... 5 145 Cronologia dos Impérios Mundiais (C ont.)... 6 148 10. G EO G RA FIA BÍBLIC A 153 O Mundo Bíblico... 1 155 O Mundo Bíblico (C ont.)... 2 158 O Mundo Bíblico (C ont.)... 3 161 Mares, Montanhas, Rios e Cidades da Bíblia... 4 165 Vida e Costumes dos Povos Bíblicos... 5 170

Gabarito - Questionários das L içõ es... 173

Bibliografia Indicada... 174

Referências Bibliográficas... 176

Currículo do Curso de Teologia - Nível B á sico ... 177

Currículo do Curso de Teologia - Nível M édio... 178

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^ ^ l o n f o r m e registra, por exemplo, o salmo 19.1-6, é através da Criação que Deus 1 tem Se revelado ao homem. Deus revela-Se também através da Palavra Escrita,

Bíblia Sagrada (Rm 15.4), e da Palavra Viva, Jesus Cristo (Jo 1.1).

Essa dupla revelação, como veremos, tornou-se necessária devido à queda do homem. E uma providência divina como o principal meio do homem natural conhecer a Deus e Sua vontade, e do cristão conhecer o propósito santificador de Deus para si e para todos os salvos.

Esta Lição apresenta porque é importante estudarmos as Escrituras e seu propósito em quatro aspectos:

1. Prepara-nos como crentes para respondermos àqueles que pedem a razão da esperança que há em nós, conforme 1 Pedro 3.15;

2. Faz obreiro aprovado no correto manejo da Palavra da Verdade, conforme 2 Timóteo 2.15;

3. Desenvolve a fé do crente, quanto ao fato de que a Bíblia é a infalível Palavra de Deus, como declara Isaías 34.16;

4. Mostra a luz e proporciona entendimento aos simples, de acordo com o salmo 119.130.

A considerar que a Bíblia é não somente um livro para ser lido, mas estudado e seus ensinos aplicados à nossa vida cristã, esta Lição apresenta também a maneira como devemos estudá-la: o relacionamento com Seu autor, a frequência recomendável para a lermos e com que atitude, de ordem mental e espiritual.

Portanto, que Deus nos acompanhe passo a passo ao longo desta Lição e nos faça mais habilitados para realizarmos Sua obra na terra.

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ESBO Ç O D A LIÇÃO

1. A Razão da Necessidade das Escrituras

2. A Razão da Necessidade das Escrituras (Cont.) 3. Como Devemos Estudar a Bíblia

O BJET IV O S DA LIÇÃO

Ao concluir o estudo desta Lição, você deverá ser capaz de: 1. Citar três razões porque devemos estudar a Bíblia;

2. Discorrer sobre as razões pelas quais devemos ler, crer e praticar a Bíblia; 3. Explicar as maneiras de se estudar a Bíblia de forma proveitosa.

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LIÇÂO 1: A IMPORTÂNCIA DAS ESCRITURAS 3

T E X T O 1

A RAZAO DA NECESSIDADE DAS ESCRITURAS

Deus tem Se revelado através dos tempos por meio de Suas obras, isto é, a Cria- ção (Rm 1.20; SI 19.1-6). Porém, na Palavra de Deus temos uma revelação especial e maior. Temo-la de duas maneiras:

a) Na Bíblia - a Palavra Escrita (Rm 15.4); b) Em Cristo - a Palavra Viva (Jo 1.1).

Esta revelação é dupla e tornou-se necessária devido à queda do homem. O estudo das Escrituras

A necessidade do estudo das Escrituras está explícita nos seguintes textos:

"... santificai a risio, com> Senhor, em vosso coração, estando sempre

preparados para responder a todo aquele que ves pedir razão da esperança que há em vás." ( 1 IV >. 1 5)

“Procura apresentar-ie a Deus aprnvadn, armo ohreirn que tiàm teju de que se eiiver^m/uir, que num^ja hem n palavra dit venLulc.”

"Buscai no livro do Si-.\ii< '!<, c lede: Xenlntma destas criaturas jalluira. nem uma nem outra /aliará; /’tnque a hoca do Si:\it< w o ordenou, e n seu Espirito mesmn as ajuntará." (Is H. 16)

“A revelação das luas palavras esclarece e da entendimento aos simples." (SI I 19.1 30)

O preparo e o entendimento das Escrituras ocorre por meio de seu estudo orga­ nizado e sistemático. A análise dos versículos a acima nos conduz a dois pontos de suma importância: porque e como devemos estudar a Bíblia.

Estudar é mais do que ler: é aplicar a mente a um assunto, de modo sistemático, e constante e compenetrado, por meio do raciocínio, da percepção e da memória.

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Porque estudar a Bíblia

Destacamos abaixo quatro razões pelas quais devemos estudar a Bíblia

1. É o único manual de vida. O crente é salvo para servir ao Senhor (IPe 2.9; Ef 2.10). Sendo a Bíblia o livro'texto do cristão, é imperioso que este a maneje bem para o desempenho eficiente de sua missão (2Tm 2.15). O profissional eficiente sabe empregar as ferramentas de seu ofício. Essa eficiência não é automática: ela pro- vém do estudo e da prática.

Assim deve ser o crente na vida cristã e no trabalho dedicado ao Senhor em relação ao seu manual - a Bíblia. Entre as promessas de Deus àquele que conhece devidamente a Sua Palavra, encontramos a registrada em Isaías 55.11: “assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.”.

2. Alimenta nossa alma. Não há dúvida de que o estudo da Palavra des Deus proporciona nutrição e crescimento espiritual. E tão indispensável à alma quan- to o pão ao corpo. Nas passagens a seguir, ela é comparada ao alimento, porém este só nutre o corpo quando é absorvido pelo organismo.

“Jesus, porém, respondeu: Está escrito: \:ãn só de pão viverá o korncni,

mas de toda palavra que proccde da boca de Deus.” (Mt 4.4)

“Achadas as tuas palavras, logo as comi: as (uas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois. pela icu nome sou chamado,

ó S e n h o r, Deus dos hxcrciios.” (Jr 15.16)

“desejai ardentemente, como crianças rcccm-nasddas, o genuíno Iciw espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação"

(IPe 2.2)

O texto de 1 Pedro 2.2 fala do intenso apetite dos recém-nascidos; assim deve ser o nosso apetite pela Palavra divina. Bom apetite pela Bíblia é sinal de saúde espiritual.

3. É o instrumento que o Espírito Santo usa (Ef 6.17). Se em nós houver abundância da Palavra de Deus, o Espírito Santo terá o instrumento com que operar./ s E preciso, pois, meditar nela (SI 1.2; Js 1.8). E preciso deixar que ela domine todas as esferas da nossa vida, dos nossos pensamentos e do nosso coração e, assim, molde todo o nosso viver diário. Em suma: precisamos ficar saturados da Palavra de Deus.

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LIÇÁO 1: A IMPORTÂNCIA DAS ESCRITURAS 5

Um requisito primordial para Deus responder nossas orações é estarmos imbuídos da Sua Palavra. Aqui está, em parte, a razão de muitas orações não serem respondidas: o desinteresse pela Palavra de Deus.

O texto de João 15.7 diz: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras

permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Pelo menos três fatos estão implícitos aqui:

1. Na oração precisamos apoiar nossa fé nas promessas de Deus, que estão na Bíblia;

2. A Palavra de Deus produz fé em nós (Rm 10.17);

3. Nossas petições devem ser feitas segundo a vontade de Deus (ljo 5.14), e um dos meios de sabermos a vontade de Deus é a Sua Palavra.

T E X T O 2

A RAZÃO DA NECESSIDADE DAS ESCRITURAS

(Cont.)

Porque estudar a Bíblia (Cont.)

A última das razões destacadas pelas quais devemos estudar a Bíblia diz respeito a que:

4. Enriquece espiritualmente nossa vida (Sl 119.72). Essa riqueza provém da revelação do Espírito primeiramente “para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o

Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele. ” (Ef 1.17). A pessoa que procurar entender a Bíblia somente através da capacidade intelectual muito cedo desistirá da leitura. Só o Espírito de Deus conhece as coisas de Deus (ICo 2.10).

Um renomado expositor cristão informa que há 32.000 promessas na Bí­ blia toda! Pensemos que fonte de riqueza há aí! Entre as riquezas derivadas da Bíblia

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está a formação do caráter ideal, bem como a formação da vida cristã. A Bíblia é a melhor diretriz de conduta humana; a melhor formadora de caráter. Os princípios que modelam nossa vida devem dela proceder.

A falta de orientação espiritual correta e pronta segundo a Palavra de Deus, especialmente quanto a novos convertidos, tem resultado em inúmeras vidas desequi­ libradas e doentias pelo resto da existência, as quais só um milagre de Deus pode reajustar. Pessoas assim ferem a si mesmas e aos demais a seu redor.

A Bíblia é a revelação de Deus à humanidade. Tudo que Deus tem para o ho­ mem e dele requer, e tudo que o homem precisa saber espiritualmente da parte de Deus, quanto à sua redenção, conduta cristã e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar o Livro e apropriar-se dele pela fé. O autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o Espírito Santo e seu tema central é o Senhor Jesus Cristo.

O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer na Bíblia para ser salvo e praticar a Bíblia para ser santo.

Na vida cristã e no trabalho do Senhor em geral, o Espírito Santo só nos poderá lembrar o texto bíblico preciso se este tiver sido lido ou estudado Qo 14.26). E possível alguém ser lembrado de algo que não sabe ou, no caso específico da Bíblia, não tenha lido? E evidente que não. Portanto, o Espírito Santo quer não somente encher o cren­ te, mas também encontrar nele o instrumento com que operar a Palavra de Deus.

Ter o Espírito Santo e não conhecer a Palavra de Deus conduz ao fanatismo, visto que há pessoas assim querem usar o Espírito Santo, em vez de permitir que Ele as use. Conhecer a Palavra e não ter o Espírito conduz ao formalismo. Estes dois extre­ mos são igualmente perigosos.

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LIÇÁO 1: A IMPORTÂNCIA DAS ESCRITURAS 7

T E X T O 3

COMO ESTUDAR A BÍBLIA

Já mostramos que a Bíblia é um livro para ser não apenas lido, mas estudado. Como divina e ins­ pirada Palavra de Deus, a Bíblia é um livro singular, do qual maior proveito tira quem sabe estudá-lo. E é exatamente com o propósito de tirarmos o máxi­ mo de proveito do estudo da Bíblia que apresenta­ mos cinco passos para seguirmos.

1. Ler a Bíblia conhecendo seu Autor.

Isto é de suprema importância e é a melhor maneira de se estudar a Bíblia. Ela é o único livro cujo Autor está presente quando se lê. O autor de um livro pode explicá- -lo como ninguém.

A Bíblia é um livro fácil e ao mesmo tempo difícil; simples e ao mesmo tempo complexo. Não basta apenas lermos suas palavras e analisarmos detidamente suas declarações. Tudo isso é indispensável, mas não basta.

É preciso conhecer e amar seu Autor. Desta forma, a compreensão será mais fácil. Façamos como Maria, que aprendia aos pés do Mestre (Lc 10.39); aos pés dEle ainda é o melhor lugar!

2. Ler a Bíblia diariamente (Dt 17.19). Estima-se que 90% dos crentes não leiam a Bíblia diariamente; portanto, não é de admirar haver tantos deles frios e infru­ tíferos nas igrejas. Mais do que isto, espiritualmente são anões, raquíticos, mundanos, carnais, indiferentes, nervosos e iracundos. Sem crescimento espiritual, Deus não re­ vela Suas verdades profundas Qo 16.12; Hb 5.12; Mc 4.33).

É de admirar haver pessoas que acham tempo para ler, ouvir e ver de tudo, menos a Palavra de Deus. Resultado: “comem” tanto outras coisas que perdem o ape­ tite para as coisas de Deus. E justo e próprio ler outras coisas, mas devemos tomar mais tempo com as Escrituras.

Estarrece o fato de que muitos líderes de igrejas não levem seu povo a ler a Bíblia. Não basta assistir aos cultos, ouvir sermões e testemunhos, acompanhar estu­ dos bíblicos e ler boas obras de literatura cristã. E preciso a leitura bíblica individual,

(19)

pessoal. Há crentes que só se alimentam “espiritualmente” quando lhe dão comida na boca, isto é, pela colher do pastor, do professor da Escola Bíblica Dominical, etc. Se ninguém lhe der “comida”, morrerá de inanição espiritual.

3. Ler a Bíblia com a melhor atitude mental e espiritual. Isto é de capital importância para o êxito no estudo bíblico. A atitude correta é a seguinte:

a) Estudar a Bíblia como a Palavra de Deus e não como uma obra lite­ rária qualquer;

b) Estudar a Bíblia com o coração e em atitude devocional, e não ape­ nas com o intelecto.

As riquezas da Bíblia são para os humildes que temem ao Senhor (Tg 1.21). Quanto maior for nossa comunhão com Deus, mais humilde seremos. Os ga­ lhos mais carregados de frutos são os que mais se abaixam. E preciso lermos a Bíblia sem duvidarmos do seu ensino. A dúvida e a descrença cegam o leitor (Lc 24.25).

4. Ler a Bíblia em oração, devagar, meditando. Assim fizeram os servos de Deus no passado, a exemplo de Davi (SI 119.12,18) e Daniel (Dn 9.21-23). O cami­ nho ainda é o mesmo. Na presença do Senhor em oração, as coisas incompreensíveis são esclarecidas (SI 73.16,17). A meditação aprofunda o sentido. Muitos leem a Bíblia apenas, para estabelecerem recorde de leitura. Ao lermos a Bíblia, devemos aplicá-la primeiro a nós próprios, senão, não haverá virtude alguma.

5. Ler a Bíblia toda. Há uma riqueza insondável nisso! É a única maneira de conhecermos a verdade completa dos assuntos tratados na Bíblia, visto que a reve­ lação de Deus é progressiva. Sendo a Palavra de Deus, ela é infinita. Mesmo as mentes mais férteis do mundo não podem abarcá-la completamente. Não há no mundo quem esgote a Bíblia.

Todos somos sempre alunos (Rm 11.33,34; ICo 13.12; Dt 29.29) e quem nos ajuda no esclarecimento das Escrituras é o Espírito Santo, concomitantemente com oração e estudo. Ele, que conhece as profundezas de Deus, pode ir revelando o conhe­ cimento da verdade, à medida que buscamos a Sua face e andamos mais perto dEle.

(20)

LIÇÁO 1: A IMPORTÂNCIA DAS ESCRITURAS 9

QUESTIONÁRIO DA LIÇÃO

I. Assinale com “X ” a alternativa correta.

1.01 E dever do crente, em relação às Escrituras, estudá-la e aplicá-la à mente X a) de modo sistemático, constante e compenetrado.

b) para ganhar mais pontos nos concursos bíblicos. c) para recitar de cor os livros da Bíblia.

d) Nenhuma das alternativas está correta.

1.02 A Bíblia é o instrumento que o Espírito Santo usa para agir em nós. É preciso, pois, que ela domine todas as esferas

a) da nossa vida.

b) dos nossos pensamentos. c) do nosso coração.

d) Todas as alternativas estão corretas.

1.03 Para que Deus responda às nossas orações devemos estar imbuídos da Sua Pala­ vra. Então,

a) saberemos apoiar nossa fé nas promessas de Deus. b) a Palavra de Deus produzirá fé em nós.

c) saberemos submeter nossos pedidos à vontade de Deus. d) Todas as alternativas estão corretas.

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II. Marque “C ” para certo e “E ” para errado.

|^1.04 Importa saber que o Espírito Santo só nos lembra o texto bíblico preciso se o conhecermos.

j£ V l.05 A Bíblia é a melhor diretriz de conduta humana e a melhor formadora de ca­ ráter.

^ 1.06 De acordo com a Lição estudada, o autor da Bíblia é o Espírito Santo, seu real intérprete é Jesus Cristo e o seu tema central é Deus.

C 1.07 Maria foi um exemplo de quem aprendia as Escrituras aos pés do Mestre. /=■ 1.08 Sem crescimento espiritual, que provém da leitura diária da Bíblia, Deus não

nos revela Suas verdades profundas.

Ç_ 1.09 Ler a Bíblia duvidando do seu ensino cega o leitor.

f 1.10 A revelação de Deus mediante a leitura da Bíblia é progressiva.

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H Ü S

s

S S B B

A BÍBLIA COMO LIVRO

E

sta Lição apresenta como os livros eram formados, desde o maierial utilizado até a maneira como eram feitos c conservados os registros escritos. Sendo um livro antigo, a Bíblia nasceu de um processo totalmente diferenciado de como a conhecemos hoje, na forma impressa ou mesmo na forma virtual e online, utilizando- -se o mais alto padrão tecnológico.

Sem alterar jamais o teor da mensagem divina, a composição da Bíblia também sofreu alterações, a considerar que os livros sagrados não estavam no princípio todos reunidos como os temos agora. As invenções e descobertas feitas ao longo da História pelo homem, como o papel e o prelo de tipos móveis, propiciou a difusão progressiva da Palavra de Deus por todo o globo.

Diversas são as designações que a Bíblia emprega a si mesma, o que veremos durante o estudo desta lição, assim como o significado e a origem deste termo - Bíblia.

A estrutura da Bíblia é também objeto de estudo desta Lição, como sua divisão em dois Testamentos, em capítulos e em versículos. Os autores dos livros bíblicos são também aqui abordados, levando-se em conta que foram escritos por cerca de quarenta pessoas, no decorrer de aproximadamente dezesseis séculos, o que não impediu jamais o milagre da perfeita harmonia e da unidade do texto bíblico.

Sendo Jesus Cristo o tema central dos 66 livros que compõem as Sagradas Escrituras, é possível sintetizá-los em (a) preparação, (b) manifestação, (c) explanação e (d) consumação, para efeito de entendimento.

Além da composição, da estrutura e do tema central, esta Lição apresenta algumas particularidades sobre a Bíblia, que seguramente nos serão úteis e práticas para o estudo. Acompanhemos, então, as páginas que se seguem.

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ESBO Ç O DA LIÇÃO 1. Os Livros Antigos 2. A Estrutura da Bíblia

3. A Estrutura da Bíblia (Cont.) 4. O Tema Central da Bíblia

5. Algumas Observações Úteis e Práticas

O B JE T IV O S DA LIÇÃO

Ao concluir o estudo desta Lição, você deverá ser capaz de: 1. Descrever a forma primitiva da Bíblia;

2. Definir a palavra testamento no contexto do estudo da Bíblia; 3. Dar a estrutura da Bíblia no que concerne ao Novo Testamento; 4. Dizer qual o tema central da Bíblia;

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LIÇÁO 2: A BÍBLIA COMO LIVRO 13

T E X T O 1

OS LIVROS ANTIGOS

Como todo livro antigo, a Bíblia, em sua composição original, também tinha a forma de rolo (Jr 36.2). Os rolos eram feitos de papiro e de pergaminho.

Papiro

O papiro era uma folha para escrever e/ou pintar, feita de

tiras cortadas dessas hastes, umedecidas, justapostas e/ou entrecruzadas, batidas para se obter sua unificação e geralmen­ te polida após a secagem. Criado pelos egípcios, foi o princi­ pal suporte da escrita na Antiguidade, especialmente na região do Mar Mediterrâneo, onde a maior parte dos livros e registros diversos era constituída por rolos de papiro.

O papiro era uma planta aquática que crescia junto aos rios, lagos e banhados do Oriente, cuja entrecasca ser­ via para escrita. Essa planta existe ainda hoje no Sudão, na Galileia Superior e no vale de Sarom. As tiras extraídas do papiro eram coladas umas às outras até formarem um rolo

de qualquer extensão. Este material gráfico primitivo é mencionado muitas vezes na Bíblia, por exemplo em, Êxodo 2.3, Jó 8.11 e Isaías 18.2. Em certas versões da Bíblia o papiro é mencionado como junco; de fato, o papiro é um tipo de junco de grandes proporções. De papiro deriva-se a palavra papel Seu uso nas Escrituras remonta ao ano 3000 a.C.

Pergaminho

O pergaminho consistia em peles, principalmente de car­ neiro ou ovelha, submetidas a um banho de cal e depois raspadas e polidas com pedra-pomes. Feito isso, eram lava­ das, novamente raspadas e colocadas para secar em moldu­ ras de madeira, para evitar a formação de pregas ou rugas. Por fim, recebiam uma ou mais demãos de alvaiade (pig­ mento branco, constituído de carbonato de chumbo, usado em pintura de exteriores).

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Melhor e mais durável que o papiro, o nome pergaminho deriva da cidade de Pérgamo, onde, provavelmente no século II a.C., o processo foi desenvolvido. Seu uso é mais recente do que o do papiro; provém dos primórdios da Era Cristã, apesar de já

/

ser conhecido antes. E também mencionado na Bíblia, como em 2 Timóteo 4.13. O formato primitivo da Bíblia

A Bíblia foi originalmente escrita em forma de rolo, sendo cada livro um rolo. Assim, vemos que, a princí­ pio, os livros sagrados não estavam reunidos uns aos outros como os temos agora em um volume único, a Bíblia. O que tornou isso possível foi a invenção do pa­ pel no século II pelos chineses, bem como a do prelo de tipos móveis em 1450 d.C., por Gutenberg, tipógrafo alemão. Até então era tudo manuscrito pelos escribas, de modo laborioso, lento e oneroso.

Quanto ao aspecto da difusão da Sua Palavra, Deus tem abençoado maravilhosamente. Através dos milhões de exemplares impressos, com rapidez e facilidade em muitos pontos do globo, a distribuição e a disseminação da Bíblia, ou apenas o Novo Testamento, maior número de pessoas vem sendo alcançadas.

Graças também ao progresso alcançado no campo das invenções e da tecnologia, hoje podemos transportar, com toda a comodidade, um exemplar da Bíblia, coisa im­ possível nos tempos primitivos. Ainda hoje, devido aos ritos tradicionais, os rolos sa­ grados das escrituras hebraicas continuam em uso nas sinagogas judaicas.

O vocábulo B íblia

O termo Bíblia não se encontra no texto das Sagradas Escrituras. Consta apenas da capa, mas não no texto. Donde, pois, provém este vocábulo? Do grego, a língua original do Novo Testamento.

A palavra Bíblia, que é uma forma plural, deriva do grego bíblos ou bíblion, que significa rolo ou livro. Bíblion, no caso nominativo plural, assume a forma bíblia, signi­ ficando livros. No latim medieval, é usado como uma palavra singular - uma coleção de livros ou “a Bíblia” (fonte: www.google.com.br).

Um rolo de papiro de tamanho pequeno era chamado biblion e vários destes formavam uma bíblia. Portanto, literalmente, a palavra bíblia quer dizer coleção de li­

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LIÇÁO 2: A BÍBLIA COMO LIVRO 15 vros pequenos. Com a invenção do papel, desapareceram os rolos e a palavra biblos deu origem a livro, como se vê em biblioteca, bibliografia, bibliófilo, etc. E consenso entre os doutos no assunto que o nome Bíblia foi primeiramente aplicado às Sagradas Escritu- ras por João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla, no século IV da nossa era.

Devido as Escrituras constituírem uma unidade perfeita, a palavra Bíblia, sendo uma forma plural, como acabamos de ver, passou a ser singular, significando O Livro, isto é, O Livro dos Livros, O Livro por Excelência. Como Livro Divino, a definição canônica da Bíblia é “A Revelação de Deus à Humanidade”.

Entre inúmeros outros, os nomes mais comuns que a Bíblia emprega a si mesma, isto é, nomes canônicos, são:

Escrituras: “Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os

construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é

maravilhoso aos nossos olhos?” (Mt 21.42).

Sagradas Escrituras: “o qual foi por Deus, outrora, prometido por intermédio dos

seus profetas nas Sagradas Escrituras.” (Rm 1.2).

Livro do Senhor: “Buscai no livro do Se n h o r e lede: Nenhuma destas criaturas falhará...” (Is 34.16).

A Palavra de Deus: “invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradi­

ção ...” (Mc 7.13); “... a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer

espada de dois gumes...” (Hb 4.12).

Os oráculos de Deus: “... aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.” (Rm 3.2).

(27)

T E X T O 2

A ESTRUTURA DA BÍBLIA

Estudaremos neste Texto a estrutura ou composição da Bíblia, isto é, sua divisão em partes principais e seus livros quanto à classificação por assuntos, divisão em capí­ tulos e versículos e certas particularidades indispensáveis.

Os Dois Testamentos

A Bíblia divide-se em duas partes principais: o Antigo e o Novo Testamento, tendo ao todo 66 livros: 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. Estes 66 livros foram escritos num período, aproximadamente, de 16 séculos por cerca de 40 autores.

Aqui está um dos milagres da Bíblia. Esses escritores pertenciam às mais variadas profissões e atividades, viveram e escreveram em países, regiões e continentes diferen­ tes, distantes uns dos outros, em épocas e condições diversas. Entretanto, seus escritos formam uma harmonia perfeita. Isto prova que Um só os dirigia no registro da revela­ ção divina.

A palavra testamento provém do termo grego diatheke e significa:

a) aliança ou concerto, no Antigo Testamento a palavra usada é berith, que significa concerto.

b) testamento, isto é, um documento contendo a última vontade de alguém

quanto à distribuição de seus bens após a morte. Esta é a palavra empregada no Novo Testamento, como, por exemplo, em Lucas 22.20. O duplo sentido do termo grego mostra duas coisas: que a morte do testador (Cristo) ratificou ou selou a Nova Aliança e, portanto, nos garante toda a herança (Hb 9.15-17).

O título “Antigo Testamento” foi primeiramente aplicado aos primeiros 39 livros da Bíblia por Tertuliano e Orígenes, que integram a era patrística da Igreja.

Na primeira divisão principal da Bíblia temos o Antigo Concerto (também cha­ mado pacto, aliança), vindo pela Lei, feito no Sinai e selado com sangue de animais

(Ex 24.3-8; Hb 9.19,20). Na segunda divisão principal, o Novo Testamento, temos o Novo Concerto, advindo pelo Senhor Jesus Cristo, feito no Calvário e selado com o Seu próprio sangue (Lc 22.20; Hb 9.11-15). E, pois, um concerto superior ao anterior.

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LIÇÂO 2: A BÍBLIA COMO LIVRO 17

O Antigo Testamento

Como dissemos, o Antigo Testamento contém 39 livros e foi escrito original­ mente em hebraico, com exceção de pequenos trechos escritos em aramaico, língua que Israel contraiu no exílio babilónico. Há também algumas palavras persas. Seus 39 livros estão classificados em 4 grupos, .conforme o assunto a que pertencem: Lei, His­ tória. Poesia e Profecia.

1. Lei. São 5 livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Esta seção do Antigo Testamento também é chamada de “Pentateuco”. Esses livros tratam da origem de todas as coisas, da Lei e do estabelecimento da nação israelita.

2. História. São 12 livros: de Josué a Ester. Ocupam-se da história de Israel nos seus vários períodos:

a) Teocracia, sob o comando dos juizes;

b) Monarquia, sob o reino de Saul, Davi e Salomão;

c) Divisão do reino e cativeiro, contendo o relato dos reinos de Judá e Israel, este levado sob cativeiro para a Assíria e aquele para a Babilônia.

d) Pós-Cativeiro. sob a liderança de Zorobabel, Esdras e Neemias em conjunto com os profetas, seus contemporâneos.

3. Poesia. São 5 livros: de Jó a Cantares de Salomão. São chamados “Poéticos”, não porque sejam cheios de imaginação e fantasia, mas devido ao gênero de seu conteúdo. São também chamados “Devocionais”.

4. Profecia. São 17 livros: de Isaías a Malaquias. Subdividem-se em: a) Profetas Maiores: Isaías a Daniel (5 livros);

b) Profetas Menores: Oséias a Malaquias (12 livros).

' Os nomes “Maiores” e “Menores” não se referem ao mérito ou à notoriedade do profeta, mas ao tamanho dos livros e à dimensão do ministério profético.

Apresentamos a seguir um quadro com todos os livros do Antigo Testamento separados por assunto, de acordo com a versão Septuaginta das Sagradas Escrituras.

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ANTIGO TESTAMENTO

HISTÓRICOS

LIVROS

POÉTICOS LIVROS PROFÉTICOS

- Gcnos-ã - Josué Os Profetas Maiores

- Èxodo - Juizes - Salmos - Isaías

- Levítico - Rute - Provérbios - Jeremias

- Números -1 Samuel - Eclosiastes - Lamentações de - Deuteronômio - 2 Samuel -1 Reis - Cantares de Salomão Jeremias - Ezequiel - 2 Reis — --- - Daniel -1 Crônicas - 2 Crônicas - Esdras - Neemias - Ester Os Profetas Menores - Oséias - Joel - Amós - Obadias - Jonas - Miquéias - Naum - Habacuque - Sofonias - Ageu - Zacarias - Malaquias

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LIÇÁO 2: A BÍBLIA COMO LIVRO 19

T E X T O 3

A ESTRUTURA DA BÍBLIA

(Cont.)

A classificação dos livros do Antigo Testamento por assunto advém da versão Septuaginta, através da Vulgata, e não leva em conta a ordem cronológica dos acon­ tecimentos relatados em cada livro, o que, para o leitor menos avisado, dá lugar a não poucas confusões, procurar agrupar a narrativa cronologicamente. Estudaremos a cro­ nologia bíblica mais adiante em Lição específica. Na Bíblia hebraica (que é o nosso Antigo Testamento), a divisão dos livros é bem diferente, como veremos posterior­ mente.

O Novo Testamento

Composto por 27 livros, o Novo Testamento, foi escrito em grego, não o grego clássico dos eruditos, mas o do povo comum, chamado “Koiné”. Seus livros também estão classificados em 4 grupos conforme o assunto a que pertencem: Biografia, Histó­ ria, Epístolas e Profecia.

1. Biografia. São os 4 Evangelhos. Descrevem a vida do Senhor Jesus Cris­ to e Seu glorioso ministério terreno. Os três primeiros Evangelhos são chamados “Sinópticos” devido ao paralelismo das informações que há entre eles. Os Evangelhos são os livros mais importantes da Bíblia. Todos os livros que os precedem tratam da preparação para a manifestação de Jesus Cristo e os que lhes seguem são explicações da doutrina de Cristo.

2. História. É o Livro de Atos dos Apóstolos. Registra a história da Igreja primitiva, seu viver, a propagação do Evangelho; tudo através do Espírito Santo, con­ forme Jesus prometera (At 1.8).

3. Epístolas. São 21 epístolas (ou cartas), e abrangem de Romanos a Judas. Elas contêm a doutrina da Igreja e os destinatários são diversos, também conforme o assunto:

a) 9 são dirigidas a igrejas (de Romanos a 2 Tessalonicenses);

b) 4 são dirigidas a indivíduos (duas a Timóteo, uma a Tito e uma a Filemom); c) 1 é dirigida aos hebreus cristãos;

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João e Judas). Estas são também chamadas “Universais”, “Católicas” ou “Gerais”, ape­ sar de duas delas (2 e 3 João) serem dirigidas a pessoas.

4. Profecia. É o Livro de Apocalipse (ou Revelação). Trata da volta pessoal do Senhor Jesus Cristo à terra e das coisas que precederão esse glorioso evento. Nesse

livro bíblico vemos o Senhor Jesus vindo com Seus santos para:

a) destruir o poder gentílico mundial, então sob o reinado da Besta; b) livrar Israel, que estará no centro da Grande Tribulação;

c) julgar as nações;

d) estabelecer Seu reino milenar.

Assim como o Antigo Testamento, livros do Novo Testamento não estão situa­ dos em ordem cronológica.

NO \f0 TESTAMENTO

BIOGRAFIA ■:ç rSIStíi HISTÓRIA

p a u u nI H >ÍSTOLAS íGe rAis 1 PROFECIA ■ M nlciis ■ Marcos ■ Lucas ■ João

'!-i - O Livro' de Atos - Romanos -1 Corintios - 2 Coríntios ' ' ' * v - Gálatas - Efésios - Filipenses - Colossenses -1 Tessalonicenses - 2 Tessalonicenses -1 Timóteo - 2 Timóteo - Tito - Filemom -H ebreus Tiaqi) l 1 Pedro - 2 Pedro j -1 João i - 2 João i - 3 João ! - Judas - Apocalipse

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LICÁO 2: A BÍBLIA COMO LIVRO 21

Particularidades da versão católica da Bíblia

Nas bíblias de edição católico-romana, os Livros de 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis são chamados 1, 2, 3 e 4 Reis, respectivamente. Os livros de 1 e 2 Crônicas são chamados

1 e 2 Paralipômenos. Esdras e Neemias são chamados 1 e 2 Esdras.

Também nas edições católicas de Matos Soares e Antonio Pereira de Figueiredo, o salmo 9 corresponde, na versão de João Ferreira de Almeida, aos Salmos 9 e 1 0.0 de número 10, ao de número 11. Isto assim se sucede até aos Salmos 146 e 147, que na Bíblia é o de número 147. Deste modo, os três salmos finais são idênticos em qualquer das versões acima mencionadas. Essas diferenças de numeração em nada afetam o texto em si; nem poderia ser doutra forma, sendo a Bíblia o Livro do Senhor.

T E X T Õ 4

O TEMA CENTRAL DA BÍBLIA

Jesus é o tema central da Bíblia. Ele mesmo o declara em Lucas 24-44 e João 5.39:

‘A seguir, Jesus lhes disse: São esias as palavras que eu vos falei, estando

ainda convosco: importava se cumprisse nulo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Projetas e nos Salmos." “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna,

e são elas mesmas que testificam de mim. ”

Leia também Atos 3.18; 10.43 e Apocalipse 22.16.

Se olharmos com cuidado, veremos que em tipos, figuras, símbolos e profecias, Jesus ocupa o lugar central das Escrituras; isto além da Sua manifestação como está registrada em todo o Novo Testamento.

(33)

Cristo - De Gênesis a Apocalipse

Destacamos abaixo o tratamento dado a Jesus Cristo por cada um dos livros bíblicos, segundo seus contextos, autores e propósitos divino.s

Em Gênesis, Cristo é a Semente de Mulher; Em Exodo, é o nosso Cordeiro Pascal; Em Levítico, é o nosso Sumo Sacerdote;

Em Números, é a Coluna de Fogo e a Nuvem de Dia; Em Deuteronômio, é o Profeta no Meio do Povo; Em Josué, é o Capitão do Exército do Senhor; Em Juizes, é o nosso Juiz e Libertador;

Em Rute, é o nosso Parente Remidor; Em 1 Samuel, é o nosso Profeta; Em 2 Samuel, é o nosso Sacerdote; Em 1 Reis, é o Rei Sábio;

Em 2 Reis, é o Rei Fiel;

Em 1 Crônicas, é o Grande Monarca;

Em 2 Crônicas, é o Monarca que Permanece; Em Esdras, é o Grande Escriba;

Em Neemias, é o nosso Restaurador; Em Ester, é o nosso Escape da Morte; Em Jó, é o nosso Redentor que Vive; Em Salmos, é o nosso Pastor;

Em Provérbios, é a Sabedoria de Deus; Em Eclesiastes, é a nossa Vida Completa;

Em Cantares de Salomão, é o Amado de nossa Alma; Em Isaías, é o Messias Prometido;

Em Jeremias, é o Renovo da Justiça;

Em Lamentações, é Aquele que Chora por Nós; Em Ezequiel, é o Renovo Principal;

Em Daniel, é o Quarto Homem na Fornalha; Em Oséias, é o Marido Fiel;

Em Joel, é o nosso Batizador; Em Amós, é o Divino Lavrador; Em Obadias, é o nosso Salvador; Em Jonas, é o Grande Missionário; Em Miquéias, é o Libertador Divino; Em Naum, é o Juiz das Nações;

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LIÇÁO 2: A BÍBLIA COMO LIVRO 23

Em Sofonias, é o Senhor Zeloso; Em Ageu, é o Desejado das Nações; Em Zacarias, é o Renovo da Justiça; Em Malaquias, é o Sol da Justiça; Em Mateus, é o Rei dos Judeus; Em Marcos, é o Servo de Deus; Em Lucas, é o Filho do Homem; Em João, é o Filho de Deus; Em Atos, é o Senhor Ressurreto;

Em Romanos, é Aquele que nos Faz Mais do que Vencedores, Em 1 Coríntios, é o Senhor das nossas Vidas;

Em 2 Coríntios, é o nosso Conforto; Em Gálatas, é o Libertador do Jugo da Lei;

Em Efésios, é Aquele que Cumpre Tudo em Todos; Em Filipenses, é o Modelo de Humildade;

Em Colossenses, é a Plenitude de Deus;

Em 1 Tessalonicenses, é Aquele que Virá Arrebatar a Igreja; Em 2 Tessalonicenses, é Aquele que Virá para Julgar os ímpios; Em 1 Timóteo, é o Único Mediador Entre Deus e os Homens; Em 2 Timóteo, é o nosso Modelo;

Em Tito, é o nosso Exemplo;

Em Filemom, é o nosso Senhor e Mestre;

Em Hebreus, é o nosso Intercessor Junto ao Pai; Em Tiago, é o nosso Modelo Singular;

Em 1 Pedro, é a Pedra Angular da nossa Fé; Em 2 Pedro, é a nossa Força;

Em 1 João, é o nosso Advogado Junto ao Pai; Em 2 João, é a Verdade;

Em 3 João, é o Caminho; Em Judas, é o nosso Protetor;

Em Apocalipse, Jesus Cristo é o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Aleluia! Considerando o Senhor Jesus Cristo como o centro da Bíblia, o Dr. C. I. Scofield resume os 66 livros em 4 palavras a Ele referentes, da seguinte forma:

1. Preparação: Todo o Antigo Testamento, ao tratar da preparação para o advento de Jesus Cristo.

2. Manifestação: Os Evangelhos, ao tratar da encarnação, manifestação e vida de Jesus Cristo.

(35)

3. Explanação: São as Epístolas, que fornecem o esclarecimento sobre a doutrina de Cristo.

4. Consumação: O Livro de Apocalipse, ao tratar da consumação de todas as coisas preditas, através de Cristo.

Portanto, as Escrituras sem Jesus seriam como a Física sem a matéria ou a Mate- mática sem os números.

Alguns fatos e particularidades da Bíblia

A Bíblia, originalmente, não era dividida em livros, capítulos e versículos. A divisão em capítulos foi feita em 1250 d.C. pelo cardeal Hugo de Saint Cher, abade dominicano e estudioso das Escrituras.

A divisão em versículos se deu em duas etapas: o Antigo Testamento em 1445 pelo rabi Nathan e o Novo Testamento em 1551 por Robert Stevens, um impressor de Paris. Stevens publicou a primeira Bíblia dividida em capítulos e versículos em 1555, sendo esta a Vulgata Latina. Quanto às imperfeições destas divisões, trataremos nou­ tro texto.

O Antigo Testamento tem 929 capítulos e 23.214 versículos, enquanto que o Novo Testamento tem 260 capítulos e 7.959 versículos. Assim, a Bíblia toda possui

1.189 capítulos e 31.173 versículos.

A Bíblia foi o primeiro livro impresso no mundo após a invenção do prelo; isso deu-se em 1452 em Mainz, Alemanha. Embora o quadro a seguir contenha dados de 2005, até a data da publicação desta edição não constam consideráveis alterações nestes números.

Até o ano 2005, a Bíblia toda e partes achavam-se traduzidas em 2.377 das mais de 6.500 línguas existentes no mundo (vejamos quadro a seguir). Deste modo, as palavras de Jesus, em Marcos 16.15, podem ter seu fiel cumprimento: “E disse-lhes: Ide

(36)

LIÇÂO 2: A BÍBLIA COMO LIVRO 2 5

CONTINENTE OU REGIÃO PORÇÕES

TESTAMENTOS

BÍBLIA

TODA TOTAL

África 223 158 673

Asia 223 236 13U 589

Austrália, Nova Zelândia e 155 224 38 417

Ilhas do Pacífico

Europa 112 35 61 208

América do Norte 41 28 07 76

Ilhas do Caribe, México, •. '

América Central e América do 120 264 27 411

Sul

Línguas Construídas

02 0 I 01 03

1

Totais 876 1.079 422 2.377

Fonte: Scripture Language Report das Sociedades Bíblicas Unidas. http://www.biblesocietv.org/latestnews/latest301-slr2004stats.html

T E X T O 5

OBSERVAÇÕES ÚTEIS E PRÁTICAS

Este Texto visa a ajudar-nos no manuseio e estudo da Bíblia. Portanto, tenha­ mos sempre em mente o fato de que melhor proveito terá do estudo das Escrituras quem melhor souber manuseá-la.

Os pontos abordados a seguir ajudar-nos-ão a ter o aproveitamento que tanto desejamos no estudo das Escrituras, uma vez observados atentamente.

1. Apontamentos individuais. Habitue-se a tomar notas de suas medita­ ções na Palavra de Deus. A memória falha. Distribua seus apontamentos por assuntos

previamente escolhidos e destacados uns dos outros. Use um caderno de anotações, pois, se não houver organização nos seus apontamentos, eles não lhe serão úteis.

(37)

2. Referências Bíblicas. O sistema mais simples e rápido para escrever refe- rências bíblicas é o adotado pela Sociedade Bíblica do Brasil: duas letras, sem ponto, para cada livro da Bíblia (ver p. V III). Entre o capítulo e o versículo põe-se apenas um ponto. No índice das bíblias editadas pela Sociedade Bíblica do Brasil, há uma lista dos livros abreviados, como vemos, a seguir, alguns exemplos de referências por esse sistema.

a) 1 João 2.4 (Primeira Epístola de João, capítulo dois, versículo quatro); b) Jó 3.7,8 (Livro de Jó, capítulo três, versículos sete e oito);

c) 1 Crônicas 6-10 (Primeiro Livro das Crônicas, capítulos seis a dez); d) 1 Pedro 5.2-9 (Primeira Epístola de Pedro, capítulo cinco, versículos 2 a 9);

e) Filipenses 1.23 (Epístola de Paulo aos Filipenses, capítulo um, versículo vinte e três);

f) Filemom v. 14 (Epístola de Paulo a Filemom, versículo quatorze); g) Apocalipse 9 (Apocalipse de João, capítulo nove).

3. Texto, contexto, referência e inferência.

A diferença entre os quatro aspectos bíblicos acima assinalados é fundamental para a compreensão do estudo das Escrituras:

a) Texto. Conjunto de palavras contidas numa passagem;

b) Contexto. É a parte anterior e posterior do texto em relevo. O con­ texto pode ser geral, imediato ou remoto. Pode ser um versículo, um capítulo ou um livro inteiro.

c) Referência. E a conexão direta sobre determinado assunto. Além de indicar o livro, capítulo e versículo, a referência pode levar a outras indicações como:

“a” - indica a parte inicial do versículo; exemplo: Rm 11.17a; “b” - indica a parte final do versículo; exemplo: Rm 11.16b;

“ss” - indica os versículos que se seguem até o fim ou não do capítu­ lo; exemplo: Rm 11.17ss;

“qv” - significa que veja; recomendações para não se deixar de ler o texto indicado; provém da expressão latina quod vide = que veja;

(38)

LIÇÁO 2: A BÍBLIA COMO LIVRO 2 7

“cf” - significa compare, confirme, confronte; provém do latim confere; “i.e.” - significa isto é; provém do latim id est.

As referências também podem ser verbais e reais. A primeira é um paralelismo de palavras; a segunda, de assuntos ou ideias.

d) Inferência. É uma conexão indireta entre assuntos. É uma ilação ou dedução.

4. Siglas das diferentes versões em vernáculo. O uso dessas siglas poupa tempo e trabalho.

- ARC = Almeida Revista e Corrigida. É a Bíblia de Almeida antiga, impressa inicialmente pela Imprensa Bíblica Brasileira;

- ARA = Almeida Revista e Atualizada. É a Bíblia de Almeida, revisa­ da e publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, completa, a partir de 1958;

- FIG = Antonio Pereira de Figueiredo. Atualmente é impressa pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, Londres;

- SOARES = Matos Soares. Versão popular dos católicos brasileiros; - RHODEN = Hubert Rhoden. Versão particular desse ex-padre brasileiro; - CBSP = Centro Bíblico de São Paulo. Edição católica popular da Bíblia; -T R A D . BRAS. = Tradução Brasileira. 1917;

5. O tempo antes e depois de Cristo. A ordem cronológica dos fatos ocor­ ridos antes e depois de Cristo é feito da seguinte maneira:

- a.C. = Antes de Cristo, isto é, antes do nascimento de Cristo.

- d.C. = Depois de Cristo, isto é, o tempo depois do nascimento de Cristo. Também aparece em algumas obras como “a.D.”, proveniente da expressão latina Anno Domini, isto é, ano do Senhor, em alusão ao nascimento de Cristo.

6. Manuseio do volume sagrado. Obtenha completo domínio do manuseio da Bíblia, a fim de encontrar com rapidez qualquer referência bíblica. Jesus fazia assim. Em Lucas 4-17 diz que Ele achou o lugar onde estava escrito:”. Ora, naquele tempo, isso era muito mais difícil do que hoje com o avanço da indústria gráfica e dos recursos tecnológicos.

(39)

QUESTIONÁRIO DA LIÇAO

I. Associe a Coluna “A” de acordo com a Coluna “B ”. Coluna “A”

j ) 2.01 Material que consistia em peles, principal- mente de carneiro ou ovelha, sobre o qual era feito o registro bíblico.

j[^2.02 Definição canônica da Bíblia, como livro divino.

2.03 Provém do termo grego diatheke e signifi­ ca aliança ou concerto.

Ç 2.04 Escrito por Moisés, é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia.

Coluna “B ” A. Apalavra testamento. B. “A Revelação de Deus à

Humanidade”. C. Pentateuco. D. Pergaminho.

II. Marque “C ” para certo e “E” para errado.

"fc 2.05 No Antigo Testamento, a classificação dos livros por assuntos provém da Vul- gata e leva em conta a ordem cronológica dos fatos relatados em cada livro.

Q 2.06 O Novo Testamento foi escrito em grego, mas não no grego clássico dos eru­ ditos e sim no do povo comum, chamado “Koiné”.

Ç jLSòl De acordo com a classificação do Dr. Scofield, os Evangelhos tratam da encar­ nação, manifestação e vida de Jesus Cristo.

^ 2.08 Desde a sua origem, os livros da Bíblia já eram divididos em capítulos e ver­ sículos.

2.09 Enquanto a referência é a conexão direta sobre determinado assunto, a in­ ferência é uma conexão indireta entre os assuntos.

(40)

A BÍBLIA COMO A PALAVRA DE DEUS

N

ota-se na Bíblia duas coisas: O Livro e a Mensagem. Na Lição anterior, estu­ damos a Bíblia como Livro: agora a estudaremos como Palavra ou Mensagem de Deus. O estudo da Bíblia tem por finalidade precípua o conhecimento de Deus. Isso é visto desde o seu primeiro versículo, no qual vemos que tudo tem o seu centro em Deus.

Portanto, a causa motivante de ensinar a Bíblia aos outros deve ser a de levá-los a conhecer a Deus. Se chegarmos a conhecer o Livro e falharmos em conhecer a Deus, erramos no nosso propósito, e também o propósito de Deus por meio do seu Livro seria baldado.

Que as Escrituras são de origem divina é assunto resolvido. Deus, na Sua Pala­ vra é testemunha concernente a Si mesmo. Quem tem o Espírito de Deus deposita toda confiança nela como a Palavra de Deus, sem exigir provas, nem argumentar. Portanto, sob o ponto de vista legal, a Bíblia não está sujeita a provas e argumentos.

Ao longo desta Lição, apresentaremos algumas comprovações da Bíblia como a Palavra de Deus, não para crermos que ela é divina, mas porque cremos que ela é divina. E satisfação para nós, crentes na Bíblia, podermos apresentar evidências exter­ nas daquilo que cremos internamente - no coração.

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. A Inspiração Divina da Bíblia

2. A Inspiração Divina da Bíblia (Cont.) 3. Harmonia e Unidade da Bíblia

4. Provas da Inspiração Divina da Bíblia

5. Provas da Inspiração Divina da Bíblia (Cont.) 6. Provas da Inspiração Divina da Bíblia (Cont.)

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O B JE T IV O S DA LIÇÃO

Ao concluir o estudo desta Lição, você deverá ser capaz de:

1. Explicar o que se entende por inspiração divina quanto à autoria da Bíblia; 2. Identificar a teoria correta sobre a inspiração da Bíblia;

3. Discorrer sobre a harmonia e a unidade da Bíblia; 4. Destacar provas da inspiração divina da Bíblia;

5. Mencionar a influência exercida pela Bíblia sobre as pessoas e as nações; 6. Reconhecer os aspectos que tornam a Bíblia sempre atual, familiar, supe­

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LICÁO 3: A BÍBLIA COMO A PALAVRA DE DEUS 31

T E X T O 1

A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA

O que diferencia a Bíblia de todos os demais livros do mundo é a sua inspiração divina (Jó 32.8; 2 Tm 3.16; 2Pe 1.21). E devido à inspiração divina que ela é chamada “A Palavra de Deus” (ver 2 Timóteo 3.16, se possível, no original).

O que é inspiração divina?

Que vem a ser inspiração divina?

E a influência sobrenatural do Espírito Santo, como um sopro, sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e a transmitir a mensagem divina, sem mis­ tura ou erro.

A própria Bíblia reivindica a si a inspiração de Deus, pois a expressão

“Assim diz o Se n h o r”, qual carimbo de

autenticidade divina, ocorre mais de 2.600 vezes nos seus 66 livros, além doutras ex- pressões equivalentes. Foi o Espírito de Deus quem falou através dos escritores da Bíblia (ver Ezequiel 11.5; 2 Crônicas 20.14,15 e 24.20).

Teorias falsas da inspiração da Bíblia

Quanto à inspiração da Bíblia há várias teorias falsas, as quais não devemos ignorar. Dentre elas se destacam as seguintes:

1. A Teoria da Inspiração Natural Humana. Essa teoria ensina que a Bíblia foi escrita por homens dotados de gênio e força intelectual especiais, como Camões, Rui Barbosa e inúmeros outros. Isto nega o sobrenatural. E um erro fatal, de consequências imprevisíveis para a fé. Os escritores da Bíblia reivindicam que era Deus quem falava através deles (exemplos: 2 Samuel 23.2 com Atos 1.16; Jeremias 1.9 com Esdras 1.1; Ezequiel 3.16,17; Atos 28.25).

2. A Teoria da Inspiração Divina Comum. Ensina que a inspiração dos escritores da Bíblia é a mesma que hoje nos sobrevêm quando oramos, pregamos,

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cantamos, ensinamos e andamos em comunhão com Deus. Isto é um equívoco, por­ que a inspiração comum que o Espírito nos concede:

a) admite gradação, isto é, o Espírito Santo pode conceder maior co­ nhecimento e percepção espiritual ao crente, à medida que este ora, consagra-se e santifica-se e, ao passo que a inspiração dos escritores da Bíblia não admite graus. O escritor era ou não era inspirado;

b) a inspiração comum pode ser permanente (ljo 2.27), enquanto que a dos escritores da Bíblia era temporária. Centenas de vezes encontramos esta expres­ são dos profetas: “E veio a mim a palavra do Senhor”, indicando o momento em que Deus os tomava para transmitir Sua mensagem.

3. A Teoria da Inspiração Parcial. Ensina que partes da Bíblia são inspira­ das, outras não. Ensina que a Bíblia não é a Palavra de Deus; apenas contém a Palavra de Deus. Se essa teoria fosse verdadeira, estaríamos em grande confusão, porque quem poderia dizer quais partes são inspiradas ou não? A própria Bíblia refuta isso em 2 Timóteo 3.16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão,

para a correção, para a educação na justiça”. Também em Marcos 7.13 o Senhor Jesus aplicou o termo “a palavra de Deus” a todo o Antigo Testamento. Quanto ao Novo Testamento, Apocalipse 22.18,19 utiliza a expressão “livro desta profecia”.

4. A Teoria do Ditado Verbal. Ensina a inspiração da Bíblia só quanto às palavras, não deixando lugar para a atividade e o estilo do escritor, o que é patente em cada livro. Lucas, por exemplo, fez cuidadosa investigação de fatos conhecidos (Lc 1.3,4). Esta falsa teoria faz dos escritores verdadeiras máquinas, escrevendo sem qual­ quer noção de mente e raciocínio. Deus não falou pelos escritores como quem fala através dum alto-falante, mas usou as faculdades mentais de cada um.

5. A Teoria da Inspiração das Ideias. Ensina que Deus inspirou as ideias da Bíblia, mas não as suas palavras; estas ficaram a cargo dos escritores. Ora, o que é a

palavra na definição mais sumária? Não é a expressão do pensamento? Tentemos agora mesmo elaborar uma ideia sem palavras... impossível! Uma ideia ou pensamento ins­ pirado só pode ser expresso por palavras inspiradas. Ninguém há que possa separar a palavra da ideia. A inspiração da Bíblia não foi somente “pensada”, mas também “fa­ lada” (veja a palavra “falar” em 2 Pedro 1.21; Hebreus 1.1; 1 Gdxgssesães 2.13). Isto é, as palavras foram também inspiradas (Ap 22.19). J^//gyv?ci jâ n i £0

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LIÇÁO 3: A BÍBLIA COMO A PALAVRA DE DEUS 33

T E X T O 2

A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA

(Cont.)

A teoria correta sobre a inspiração da Bíblia

A teoria correta da inspiração da Bíblia é chamada Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal, que ensina que todas as partes da Bíblia foram igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram quais máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espírito de Deus, que os capacitava. Essa teoria afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, porém sob uma influência tão poderosa do Espírito Santo, que o que escreveram foi a Palavra de Deus.

Explicar como Deus agiu no homem, isso é difícil! Se no ser humano, o entrosamento do espírito com o corpo é um mistério inexplicável para os mais sábios, imagine-se o entrosamento do Espírito de Deus com o espírito do homem! O que sabemos é que, quando aceitamos a Jesus como Salvador, isso ocorre através da acei­ tação da Sua Palavra.

A Inspiração Plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento. Depois disso, nem os mesmos escritores, nem qualquer outro servo de Deus pode ser chamado inspirado no mesmo sentido, com a mesma finalidade.

Diferença entre “Revelação” e “Inspiração” divinas

Revelação é a ação de Deus pela qual Ele dá a conhecer ao escritor coisas desconheci-

das e que o homem por si só não podia jamais saber. Exemplos disso encontram-se em Daniel 12.8 e 1 Pedro 1.10-12.

Quanto à inspiração, já vimos a sua definição no Texto anterior. A inspiração nem sempre implica em revelação. Toda a Bíblia foi inspirada por Deus, mas nem toda ela foi dada por revelação. Lucas, por exemplo, foi inspirado a examinar trabalhos já conhecidos ao escrever o Evangelho que traz o seu nome (Lc 1.1-4). O mesmo ocor­ reu com Moisés, que foi inspirado a registrar o que presenciara, como relata o Pentateuco. Exemplos de partes da Bíblia que foram concedidas aos seus escritores por meio de revelação incluem:

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3 4 BIBLIOLOGIA

a) Os primeiros capítulos de Gênesis. Como escreveria Moisés sobre um assunto anterior a si? Se não foi revelação, ele deve ter lançado mão de escritos exis­ tentes. Há uma antiga tradição hebraica que declara isto;

b) José ao interpretar os sonhos de Faraó (Gn 40.8; 41.15,16,38,39); c) Daniel declarando ao rei Nabucodonosor o sonho que este havia esque­ cido e, em seguida, interpretando-o (Dn 2.2-7,19,28-30);

d) Os escritos do apóstolo Paulo. Ora, Paulo não andou com o Senhor Jesus, pois nEle creu por volta do ano 35 d.C. Porém, em suas epístolas, ele nos conduz às profundezas do ensino doutrinário sobre a Igreja, inclusive no que tange à escatologia. Assuntos de primeira grandeza sobre a regeneração, justificação, paracletologia, res­ surreição e glorificação são por ele abordados.

Como teve o apóstolo conhecimento de tudo isso? Ele mesmo no-lo diz em Gálatas 1.11,12 e Efésios 3.3-7: por revelação! Em seus escritos há passagens onde esta revela­ ção é bem patente, como em 1 Coríntios 11.23-26: “Porque eu recebi do Senhor o que

também vos entreguei Por sua vez, o capítulo 15 de 1 Coríntios, também por ele escrito, é a passagem mais profunda e mais completa da Bíblia a respeito da ressurrei­ ção de Cristo.

Diferença entre declaração da Bíblia e registro de declaração

A Bíblia não mente, mas registra mentiras que outros proferiram. Nesse caso, não é a mentira do registro bíblico que foi inspirada, e sim o registro da mentira. Ela registra que o insensato diz no seu coração “Não há Deus” (SI 14.1). Esta declaração,

“Não há Deus”, não foi inspirada, e sim seu registro pelo escritor.

Outro exemplo marcante é o do caso da morte do rei Saul. Este morreu lançan­ do-se sobre sua própria espada (ISm 31.4); no entanto, o amalequita que trouxe a notícia de sua morte mentiu, dizendo que fora ele quem matara Saul (2Sm 1.6-10). Ora, o que se deu aí foi apenas o registro da declaração do amalequita, o que não significa que a Bíblia minta. Há muitos desses casos que os inimigos da Bíblia regis­ tram, inclusive de Satanás. Suas declarações não foram inspiradas por Deus, mas sim o registro delas. Sansão mentiu mais de uma vez a Dalila; a Bíblia não é mentirosa por isso, apenas registra o fato (Jz 16).

Durante a leitura bíblica é preciso verificar quem, para quem, para que tempo e/ em que sentido está falando. E preciso conferir a fonte e suas intenções, antes de absorver a informação.

Referências

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