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UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA MICROECONOMIA. FICHA DE AVALIAÇÃO II Tópicos de Resolução. Frase para Comentar Conceitos Básicos

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UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA João Amador

Faculdade de Direito Paulo Gonçalves

MICROECONOMIA

FICHA DE AVALIAÇÃO II – Tópicos de Resolução

Frase para Comentar – Conceitos Básicos

Factores como a legislação laboral, mobilidade geográfica, legislação de falências e de criação de novas empresas, sistema de formação profissional, etc, determinam a maior ou menor mobilidade de recursos entre sectores de actividade. Comente a seguinte afirmação: “Um país com grandes restrições à mobilidade de factores pode ser prejudicado com a liberalização das trocas comerciais com o exterior.”

A liberalização do comércio dá origem a ganhos de troca e de especialização. Assim, no longo prazo, as economias ganham com a liberalização do comércio, em resultado da respectiva especialização na produção dos bens em que as economias apresentam vantagens comparativas.

Durante o processo de especialização assiste-se ao encerramento de empresas nos sectores em que a economia apresenta desvantagens comparativas, e a transferência destes recursos para sectores onde a economia apresenta vantagens comparativas, podendo ocorrer situações de desemprego temporário – os trabalhadores libertados do sector em desvantagem comparativa vão sendo absorvidos pelo crescimento do sector em vantagem comparativa, processo que poderá ser mais ou menos lento.

Ora, quanto maior for a flexibilidade da economia (legislação laboral, mobilidade geográfica dos trabalhadores, legislação de falências e de criação de novas empresas, etc), mais rápido será o processo de transferência de recursos dos sectores em desvantagem comparativa para os sectores em vantagem comparativa, e menor será a duração de fenómenos de desemprego temporários que normalmente resultam da liberalização do comércio.

Aplicações do Modelo de Procura/Oferta

O mercado das combustíveis é caracterizado pelas funções procura P=120-Q e oferta P=20+Q. O Estado decidiu criar um imposto unitário de 10 sobre os combustíveis.

a) Determine o equilíbrio de mercado antes e depois da criação daquele imposto. Represente, graficamente, a receita e a carga excedente do imposto.

(2)

Após a criação do imposto, o preço que o consumidor paga (vamos identificá-lo por PC) é diferente do

preço que o produtor recebe (vamos identificá-lo por PP). A diferença entre aqueles dois valores é dada pelo

imposto T cobrado pelo Estado. Assim, T= PC- PP.

Os preços que aparecem na função procura e oferta são, respectivamente, o preço pago pelo consumidor e o preço recebido pelo produtor, i.e. PC=120-Q e PP=20+Q. O novo equilíbrio resulta de:

PC-PP=T↔(120-Q)-(20+Q)=10↔100-2Q=10↔Q*=45.

Por substituição desta quantidade nas funções procura e oferta, determinam-se os preços de equilíbrio:

PC=120-Q*=75 e PP=20+Q*=65.

Independentemente da incidência legal do imposto, dão-se os seguintes efeitos sobre o bem-estar do consumidor, produtor e receita do estado:

Situação sem Imposto Situação com Imposto Variação nos Excedentes

Excedente do Consumidor a+b+c a -b-c

Excedente do Produtor d+e+f f -d-e

Receita do Estado --- b+d +b+d

O Consumidor perde as áreas c (efeito quantidade) e b (efeito preço). O produtor perde as áreas e (efeito quantidade) e d (efeito preço). O Estado ganha as áreas b e d. A Carga Excedente é medida pelas áreas c e

e.

A Carga Excedente é explicada pela alteração na quantidade de equilíbrio – quanto mais rígida (inclinada) for a procura ou a oferta, menor será a alteração na quantidade de equilíbrio que resulta da introdução de um imposto e, consequentemente, menor será a carga excedente do imposto.

A diminuição da quantidade de equilíbrio tem custos para a sociedade porque, naquela zona do gráfico, a valorização que o consumidor atribui ao bem (medida na curva de procura) ainda é superior aos custos de produção do bem (medidos na curva de oferta). Teria valido a pena produzir as unidades localizadas entre os dois equilíbrios.

Q

P

E

0

120

65

20

45

75

E

2

70

50

b

d

c

e

f

a

E

1 Na ausência de imposto, o equilíbrio de

mercado é dado pela intercessão das curvas de procura e oferta (Ponto E0 do Gráfico), sendo este equilíbrio determinado da seguinte forma algébrica:

120-Q=20+Q↔100=2Q↔Q*=50 O preço de equilíbrio é obtido por substituição daquela quantidade na curva de procura ou na curva de oferta:

(3)

O Estado decidiu construir uma nova auto-estrada. Durante a fase de avaliação do projecto, concluiu-se que a procura pelos serviços da futura auto-estrada é dada pela função P=50-Q, onde P e Q identificam, respectivamente, a portagem cobrada ao automobilista e o número de automóveis que utilizam a auto-estrada.

b) O Estado pode optar por construir a auto-estrada em regime de SCUT (auto-estrada sem portagens para o utilizador) financiando-a através da cobrança de impostos. Suponha que o Estado decide utilizar a receita do imposto da alínea a) para financiar a auto-estrada. Recomendaria a construção desta auto-estrada? Justifique.

Deverá avaliar os benefícios que os consumidores obtêm do consumo da auto-estrada SCUT, e compará-los com os custos que resultam do lançamento do imposto necessário ao financiamento da mesma. Isto é, deverá fazer uma Análise Custo-Benefício.

O financiamento da SCUT resulta da utilização do imposto da alínea anterior. Assim, o custo de financiamento da SCUT corresponde à receita do imposto da alínea anterior (áreas b+d do gráfico da alínea anterior) e à respectiva carga excedente (áreas c+e do gráfico da alínea anterior). Assim, os custos sociais da SCUT correspondem às áreas b+d+c+e=475 do gráfico da alínea anterior.

Ora, dado que os benefícios que resultam da construção da SCUT (1250) são superiores ao respectivo custo social de financiamento (475) – este custo inclui a carga excedente do importo –, o projecto deve avançar. c) Em alternativa, o Estado pondera financiar a auto-estrada com o recurso à cobrança de portagens, fixando o valor da portagem por automóvel em 10. A BrisAuto, empresa a quem será concessionada a exploração da auto-estrada, demonstra que aquele valor de portagem não permite gerar a receita necessária para financiar a construção e manutenção da auto-estrada. De que forma é que a portagem deve variar para que a receita da BrisAuto aumente? Relacione a sua resposta com a elasticidade da procura.

O aumento do preço traduz-se no aumento da receita no caso de estarmos na presença de uma procura rígida; já no caso de uma procura elástica, o aumento do preço traduz-se na diminuição da receita.

d) Por qual das alternativas deve o Estado optar? Construir uma auto-estrada com portagens ou uma SCUT? De que forma é que a sua resposta depende da elasticidade da procura pela auto-estrada? De que forma é que a sua resposta depende das elasticidades da procura e da oferta no mercado dos combustíveis? Pretende-se apenas uma avaliação gráfica do problema. Justifique as suas respostas.

Q

P

a

50

50

Procura da SCUT

Os consumidores irão fazer 50 viagens na SCUT – resulta da substituição de um preço igual a zero na procura, i.e. os consumidores não pagam pela utilização da auto-estrada dado estarmos na presença de uma SCUT. O Excedente do Consumidor que resulta da utilização da auto-estrada corresponde à área

a, ou seja os benefícios do projecto são

iguais a:

(4)

Ao financiar-se a auto-estrada com o recurso às portagens (principio do utilizador-pagador), o consumo do bem reduz-se de 50 (numero de viagens realizadas no caso do utilizador não ter de pagar portagem, conforme alínea anterior) para Q* (viagens realizadas quando é cobrado uma portagem de P* ao utilizador). Ora, com a diminuição das viagens realizadas em auto-estrada, há uma perda de excedente por parte do consumidor igual à área k.

Por outro lado, a construção de uma auto-estrada em regime de SCUT, e o respectivo financiamento com o recurso às receitas de imposto sobre o mercado dos combustíveis, dá origem a um custo de financiamento igual às áreas b+d+c+e da alínea a). Ora, a melhor forma de financiar a auto-estrada depende da comparação daquelas áreas. No caso da área k ser superior a b+d+c+e, a auto-estrada deve ser construída em regime de SCUT; caso contrário, deve aplicar-se o princípio do utilizador-pagador.

A melhor solução depende da elasticidade da procura pela auto-estrada (o que determina a área k), e das elasticidades da procura e oferta no mercado dos combustíveis (o que determina as áreas b+c+d+e). Resolva ainda os Exercícios 4.11) e 4.12) do Caderno de Exercícios.

Teoria do Produtor – Modelos de Concorrência Perfeita e Monopólio

Num determinado país, o mercado de combustíveis funciona em concorrência perfeita. A função custo total de cada empresa é dada por

CT(Q)=46Q Cmg=46

A curva de procura de produtos petrolíferos é dada por P=100-Q. a) Determine o preço e a quantidade de equilíbrio neste mercado.

Determine a solução de Concorrência Perfeita (de longo prazo). Nesta situação, o custo total médio é igual a 46 [CTM=CT/Q=46Q/Q=46], independentemente da quantidade produzida. No equilíbrio (de longo prazo) as empresas têm lucro (económico) nulo, o que acontece se o preço for igual aos custos médios. Sendo assim, P=46.

Por substituição deste preço na função procura [P=100-Q ↔ Q=100-P], determina-se a quantidade que é transaccionada neste mercado, i.e. Q=100-P ↔ Q=100-46 ↔ Q=54.

Q

P

P*

100

Q*

Procura da SCUT

50

k

(5)

b) Os gestores destas empresas manifestaram o interesse em iniciar um processo de fusão. Surgiria pois uma única empresa no mercado, a qual apresentaria funções custo total, custo marginal e receita marginal dadas, respectivamente, por

CT(Q)=40Q Cmg=40

Rmg(Q)=100-2Q Qual seria o equilíbrio de mercado após a fusão?

Determine a solução de Monopólio. A quantidade produzida pelo Monopolista resulta de igualarmos a Receita Marginal aos Custos Marginais, i.e. Rmg=Cmg ↔ 100-2Q=40 ↔ Q=30.

Determine o preço substituindo esta quantidade na função procura, i.e. P=100-Q ↔ P=100-30 ↔ P=70. c) A concretização da fusão depende de um parecer favorável da Autoridade da Concorrência. Em seu entender qual deveria ser o sentido deste parecer? Justifique.

Avalie o impacto da fusão, e da consequente passagem de uma situação de Concorrência Perfeita para uma situação de Monopólio, em termos de bem-estar, calculando o impacto da fusão sobre o Excedente do Consumidor e sobre o Excedente do Produtor.

Concorrência Perfeita Monopólio Variação

Excedente do Consumidor

a+b+c a Perde b+c

Excedente do Produtor Zero b+d Ganha b+d

Excedente Total a+b+c a+b+d +d-c

Ao passarmos de uma situação de Concorrência Perfeita para uma situação de Monopólio, o consumidor perde c [Efeito Quantidade] e b [Efeito Preço]; O produtor ganha b [Efeito Preço] e d [Efeito Custo]. Do ponto de vista social (i.e., Excedente Total), há dois efeitos:

ƒ Efeito Quantidade: Perde-se a área c em resultado da diminuição da quantidade transaccionada [a área do triângulo c é igual a 24×24/2=288];

Q

P

E

Conc.Perfeita

100

40

30

70

Custos Marginais de Concorrência Perfeita

46

54

b

d

c

a

E

Monopólio

Custos Marginais de Monopólio

(6)

ƒ Efeito Custo: Ganha-se a área d em resultado da alteração dos custos de produção, i.e., neste exercício, a empresa que resulta da fusão é mais eficiente na produção do que as empresas em concorrência perfeita [a área do rectângulo d é igual a 6×30=180].

A Autoridade da Concorrência não deve permitir esta fusão porque o Efeito Custo é inferior ao Efeito Quantidade.

d) Volte a responder à pergunta anterior supondo, agora, que a empresa monopolista apresenta as seguintes funções custos totais e custos marginais CT(Q)=1200 e Cmg=0, respectivamente. Ou seja, a empresa suporta apenas custos fixos.

Avalie novamente o impacto da fusão, e da consequente passagem de uma situação de Concorrência Perfeita para uma situação de Monopólio, em termos de bem-estar, calculando o impacto da fusão sobre o Excedente do Consumidor e sobre o Excedente do Produtor. Neste caso, há um maior efeito da fusão sobre os custos marginais da empresa, passando o monopolista a suportar apenas custos fixos.

Concorrência Perfeita Monopólio Variação

Excedente do Consumidor

a+b+c a Perde b+c

Excedente do Produtor Zero b+d-1200 Ganha b+d-1200

Excedente Total a+b+c a+b+d-1200 +d-c-1200

Ao passarmos de uma situação de Concorrência Perfeita para uma situação de Monopólio, o consumidor perde c [Efeito Quantidade] e b [Efeito Preço]; O produtor ganha b [Efeito Preço] e d [Efeito Custo]. Por outro lado, o produtor passa a suportar custos fixos no montante de 1200. Do ponto de vista social (i.e., Excedente Total), há três efeitos:

ƒ Efeito Quantidade: Perde-se a área c em resultado da diminuição da quantidade transaccionada [a área do triângulo c é igual a 4×4/2=8];

ƒ Efeito Custo Marginal: Ganha-se a área d em resultado da alteração dos custos de produção variáveis, i.e., neste exercício, a empresa que resulta da fusão é mais eficiente na produção de cada unidade adicional do bem do que as empresas em concorrência perfeita [a área do rectângulo d é igual a 46×50=2300].

Q

P

E

Conc.Perfeita

100

50

50

Custos Marginais de Concorrência Perfeita

46

54

b

d

c

a

E

Monopólio

(7)

ƒ Efeito Custo Fixo: A empresa monopolista passa a ter que suportar custos fixos no montante de 1200.

A Autoridade da Concorrência deve permitir esta fusão porque o Efeito Custo Marginal (no valor de 2300) é claramente superior aos Efeitos Quantidade e Custo Fixo (no valor de 8 + 1200).

e) Mostre que a empresa monopolista suporta os mesmos custos totais nas alíneas c) e d).

Na alínea c), o monopolista suporta um custo total de 1200, i.e. um custo de 40 u.m. por cada uma das 30 unidades que o monopolista produz.

Na alínea d), o monopolista suporta apenas custos fixos no valor de 1200, não havendo custos adicionais por cada uma das unidades produzidas.

f) Com base nas suas respostas às alíneas anteriores, comente a seguinte afirmação: “Operações de concentração de empresas que se traduzam em reduções de custos variáveis são mais susceptíveis de virem a ser aprovadas pela Autoridade da Concorrência do que operações que se traduzam em reduções de custos fixos”.

A afirmação é verdadeira, conforme se conclui das alíneas anteriores. De facto, e ainda que o monopolista das alíneas c) e d) apresente o mesmo nível de custos totais igual a 1200, a fusão da alínea d) deu origem a uma maior redução de custos marginais do que a fusão da alínea c) – na fusão da alínea d) os custos marginais reduzem-se de 46 para zero, e na fusão da alínea c) os custos marginais reduzem-se de 46 para 40. Ora, a fusão da alínea d) deveria ser aprovada, enquanto que a fusão da alínea c) deveria ser recusada. A lógica é simples. Quanto maior for a redução de custos marginais, menor será o aumento de preços e a diminuição da quantidade provocado pela monopolização do mercado. Ou seja, uma diminuição dos custos fixos não tem qualquer efeito sobre os preços de monopólio (mas apenas sobre o respectivo lucro); já uma diminuição de custos marginais reflecte-se parcialmente em preços de monopólio mais baixos, pelo que esta segunda situação é mais favorável para o consumidor final.

Referências

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