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O nazismo e os fenômenos das guerras... Silva & Cavalcante

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Academic year: 2021

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Revista Diálogos – N.° 18 – Set. / Out. – 2017 382

O NAZISMO E OS FENÔMENOS DAS GUERRAS: INTERESSES DE PODER, OPRESSÃO DE GRUPOS ÉTNICOS

E PRÁTICAS DE EXTERMÍNIO

d.o.i. 10.13115/2236-1499v2n18p382

Maria Josilda Ferreira da Silva – UPE1

Jannaiara Barros Cavalcante – UPE2

Resumo: Este trabalho trata-se de um estudo analítico e reflexivo acerca de fatos e acontecimentos que marcaram a história da humanidade com a ascensão do nazismo, e a explosão das duas grandes guerras ocorridas nos meados do século XX, trazendo um enfoque da memória de diferentes grupos étnicos marcados pelo preconceito racial, cultural, social, político e religioso que afetou inúmeras pessoas antes e durante os dois eventos. Destacando ainda, alguns acentuados episódios que sucederam-se no pós-guerra, e que de certo modo, carecem de uma discussão mais aprofundada em ambientes escolares, ou em grupos de estudos, para que se possa compreender melhor a respeito dessas organizações ideológicas que existiram em torno dos interesses e dos jogos de poderes no passado, e que no tempo presente, muitas lideranças da política ainda se inspiram, ou adotam atos semelhantes aos dos chefes políticos de décadas passadas em suas administrações. Nesse sentido, a

1Graduada em História pela UPE - Campus Garanhuns, foi Bolsista do

PIBID/CAPES-UPE/Garanhuns no subprojeto Interdisciplinar na área de História, de abril de 2014 a março de 2017. Atualmente é Professora da escola básica da rede pública na cidade de Bom Conselho - PE. E-mail: [email protected]

2 Mestra em História pela (UFPE) e Professora efetiva da Escola básica em Garanhuns.

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pesquisa desenvolve um diálogo com autores que escrevem sobre o assunto no presente século XXI, pontuando uma forte preocupação em torno das questões da violência global que envolvem os mecanismos de poder na atualidade.

Palavras-chaves: memórias; jogo de poder; antissemitismo; ideologias. Abstract: This work deals with an analytical and reflective study about facts and events that have marked the history of mankind with the rise of Nazism, and the explosion of two world wars that occurred in the mid-20TH century, bringing a focus of memory of different ethnic groups marked by racial, cultural, social, political and religious that affected numerous people before and during the two events. Highlighting some accented episodes that followed after World War II, and that somehow, in need of further discussion in school environments, or in study groups, to understand better about these ideological organizations that existed around the interests and power games in the past, and that at the present time, many political leaders are inspired by or take actions similar to those of political leaders of past decades in their administrations. In this sense, the research develops a dialogue with authors who write on the subject in this 21ST century, scoring a strong concern about the issues of global violence which involves the mechanisms of power today. Keywords: memories; power play; antisemitism; ideologies.

1. Introdução

O nazismo foi um movimento ideológico organizado na Alemanha no século XX por membros da classe dominante que almejavam grande elevação de poder e valorização do povo alemão. Porém, esse partido também definido de Nacional Socialista, ganhou ibope em 1920 no auge da República de Weimar, no momento que Adolfo

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Revista Diálogos – N.° 18 – Set. / Out. – 2017 384 Hitler tornou-se chefe do partido com sua tática propagandista. No intuito

de atrair para si, um grande número de empresários importantes, militares, políticos, líderes de movimentos partidários, e, toda a população trabalhadora. Ao conseguir o que queria, não só se mostrou obsessivo pelo poder, como veio a destruir o parlamento presidencial de Munique em 30 de janeiro de 1933 no seu governo nomeado por

Hindenburg, como também tomou medidas drásticas contra os

movimentos sociais e comunistas que não aceitavam os seus ideais partidários na sua administração. Hindenburg passou o cargo para Hitler, “pressionado pelos grandes empresários” alemães como afirma (D’ALESSIO e CAPELATO, 2004, p. 27).

Ao longo de seu governo, a sua obsessão pela “raça” ariana foi tamanha, que veio a cometer uma enorme atrocidade a diferentes grupos étnicos que habitavam o território alemão há muitos anos. O desejo do ditador juntamente com os dos seus aliados, era destruir em massa o povo judeus que residiam na Alemanha desde décadas anteriores ao século 20, bem como cometer ainda o extermínio dos ciganos, dos eslavos constituídos por povos de origem indo-europeia pertencente a Europa Central e Oriental, mas que também há muito tempo habitavam a região alemã e, além destes, os opositores políticos, os prisioneiros de guerra soviéticos, os homossexuais, os doentes mentais, e todos aqueles que o movimento percebesse que não pertenciam a raça pura, e quem se

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mostrasse contra as ideias do partido eram tidos como um mal, e tinham que ser exterminados da Alemanha e de regiões próximas, antes e durante toda Segunda Guerra Mundial.

Para fazer valer o seu desejo de poder, o chefe do nazismo buscou apoio na nova sociedade formada por jovens idealistas que acreditavam que o partido mudaria o quadro econômico alemão, e traria progresso para a população. Mas, para que isso pudesse acontecer realmente, eles tinham que endeusar o chefe do comando nazista e lhe prestar sempre continência e matar muita gente sem dó e sem piedade. Hitler na tentativa de conquistar a força trabalhista que se encontrava desempregada por causa da forte crise econômica que assolava a população alemã com a perda da Primeira Guerra, ingressou no Partido Nacional Socialista, e ao fazer inúmeras propagandas enganosas, conseguiu elevar mais e mais o partido, que logo resolveu mudar o nome do partido para Nacional Socialista dos Trabalhadores alemãs, com o primordial objetivo de atrair a classe operária para o seu lado.

Quando o partido comportava de cerca de 20 mil membros no final de 1922 segundo as historiadoras brasileira (D’ALESSIO e CAPELATO, 2004, p. 24), “o partido conseguiu comprar um jornal com o dinheiro de altas patentes do exército e de simpatizantes do movimento”, no intuito de expandir ainda mais os interesses políticos do nazismo. E na tentativa de proteger o seu império, Hitler buscou ajuda

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nas tropas de choque e dos ex-combatentes desempregados da Primeira Guerra Mundial, que os serviam de forma voluntária. Quem o partido visse que era mais impetuoso na prática do terrorismo e da violência, recebia do governo uma remuneração pelos serviços realizados.

Conforme a abordagem apresentada acerca do nazismo, pontuamos ainda, alguns fenômenos ocorridos na Segunda Guerra Mundial, os quais não se vê em livros didáticos e paradidáticos referentes ao ensino de história. O que se sabe sobre a Segunda Guerra, é que esta iniciou-se na Europa e expandiu-se para o mundo de 1939 a 1945, por causa da crise do capital econômico de 1929, que veio a acontecer com a quebra da bolsa de Nova York e, dos impactos da Revolução Russa pela ascensão dos Estados Totalitários, bem como dos acordos firmados no Tratado de Versalhes que de certa forma acabou destruindo a Alemanha ao final da Primeira Guerra Mundial, de 1914 -1918. Mas, não se estuda que o interesse dos burgueses com as duas grandes guerras era promover uma expansão do capital por todo o mundo.

Sabemos que a Segunda Guerra custou à França cerca de 35 milhões de dólares e que a Inglaterra também gastou mais 49 milhões assim como a Grã-Bretanha investiu até a terça parte dos seus bens para poder levar o seu exército ao campo de batalha. Assim gerando uma dívida interna de 7 mil para 22 milhões só em 1939 no território dos britânicos, e que os Estados Unidos ficaram com uma dívida pública de

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263 milhões de dólares como mostra o professor jornalista e crítico de cinema Jean Delmas (1999), no seu texto as “consequências da guerra”. A Guerra também provocou a perda de milhares de seres humanos. Só não sabemos o porquê que no pós-guerra, vieram a acontecer outras enormes batalhas e mortes misteriosas de chefes e soldados que participaram dos combates, onde uns cometeram o próprio suicídio como foi o caso de Hitler, e outros resolveram viajar e se entregar a justiça ao ponto de morrer na prisão como veremos a seguir.

2. Os Fenômenos da Guerra

Diante dos acontecimentos presentes na história das Guerras, encontramos relatos de terror como os do holocausto que exterminou milhões de judeus, ciganos, homossexuais e outros mais no século XX. Como também, da forte participação de mulheres seguidoras de Hitler nos campos de concentração, que vieram a praticar o extermínio de milhares de pessoas, como mostra a professora e historiadora americana

Wendy Lower no texto “As mulheres do nazismo”. Essa pesquisadora

defende que as mulheres foram brutais com os judeus, principalmente nos guetos da Polônia, Ucrânia e Bielorrússia. Segundo a historiadora, “A cruz vermelha alemã treinou 640 mil mulheres durante a era nazista e cerca de 400 serviram na guerra. As mulheres do nazismo eram zelosas administradoras, ladras, torturadoras e assassinas nas terras de sangue” (LOWER, 2014, p.18).

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Conforme o contexto apresentado anteriormente pontuamos ainda, que após a Segunda Guerra Mundial completar 15 anos de existência, a Guatemala sofreu uma forte Guerra Civil de 1960 a 1996, travada entre o governo e militares de esquerda. Conforme o historiador

Greg Grandin (2014), “os soldados, os patrulheiros civis e os

comissionados do governo, matavam e estupravam as mulheres na frente dos maridos e dos filhos naturalmente”. Pegavam as crianças e as atiravam sobre as rochas desumanamente, destruindo suas vidas e, eles não podiam fazer nada para não serem mortos também. Só tomamos conhecimento a respeito da memória historiográfica da Guatemala, por causa dos acontecimentos que marcaram a história da Guerra Fria, através do golpe de estado organizado pelos norte-americanos com o apoio da Central de Inteligência, a CIA.

Outro fato relevante ocorrido no pós-guerra foi o inexplicável desaparecimento do tenente Charles Taylon no momento que liderava um grupo com cinco aviões, e mesmo reclamando pelo rádio que a sua bússola não estava funcionando, não recebeu nenhuma ajuda do comando da Flórida e, tanto ele como os demais homens que estavam no avião, foram tidos como mortos. Da mesma forma o correu com o político Inglês e delegado de Hitler no partido nazista Rudolf Hess, que nas vésperas da Alemanha declarar guerra à União Soviética, ele viajou sozinho para a Escócia na tentativa de declarar a paz com o Reino Unido,

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e lá foi preso. Sendo julgado em Nuremberg, e sentenciado a prisão perpetua na cadeia de Berlim onde morreu em 19873.

Assim como as inúmeras pinturas artísticas que desapareceram durante a guerra, e só reapareceram na Alemanha em 2011, há relatos que as produções artísticas foram roubadas pelos nazistas no momento do combate. Em 2015, completou 70 anos de história de realização do holocausto, e pouco se sabe a respeito desse assunto! Bem como do holocausto brasileiro de 60 mil mortos no hospício do alto da serra de Barbacena em Minas Gerais, provocado pelo Estado no século XX, onde pessoas sem nem um diagnóstico eram tidas como doentes mentais. Esse caso só foi descoberto nas décadas de 60 e 70, graças ao trabalho investigativo de jornalistas que denunciaram esses casos e foram a fundo nas pesquisas.

Para a jornalista Daniela Arbex, autora do livro “holocausto brasileiro: vida, genocídio e 60 mil mortes no maior hospício do Brasil”.

Entre 1969 e 1980, 1.853 corpos de pacientes do manicômio foram vendidos para dezessete faculdades de medicina do país, sem que ninguém questionasse. Quando houve excesso de cadáveres e o mercado encolheu, os corpos foram decompostos em ácido, no pátio do Colônia, na frente dos pacientes, para que as ossadas pudessem ser comercializadas. Nada se perdia, exceto a vida (ARBEX, 2013, p. 14).

3 Mais informações a respeito do contexto histórico, encontra-se em:

<www.megacurioso.com.br/guerras/45071-8-misterios-da-segunda-guerra-mundial-qu... >Acesso em 22 de Fev. 2017.

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Isso mostra que mesmo com o fim da guerra, ainda continuou acontecendo muitos casos estranhos que precisam ser mais analisados e comentados no âmbito educacional atualmente. Seria bom que histórias como essas, fossem postas nos livros de história destinados aos alunos do Ensino Fundamental e Médio, principalmente nas partes que abordam os fatos e os acontecimentos das duas grandes guerras que vieram a afetar o Brasil e o mundo no século XX. Diante desses informes é importante mencionar que, vários episódios curiosos se sucederam no pós-guerra, que precisam ser estudados com mais estima, e discutidos na sala de aula e nos grupos de estudos com estudantes e professores da rede pública. A violência de um modo geral, a perda de identidade, a falta de respeito à pessoa do outro, tem sido um grande parceiro na globalização da nossa contemporaneidade, e tudo isso ocorre, em virtude dos avanços das chamadas tecnologias modernas que tem crescido fortemente no mercado industrial, seguidos dos interesses de poder que se mostram bem presentes em nossa sociedade.

2.1. O fim da Primeira Guerra e a Expansão do Nazismo

Com a perda da primeira guerra, os países vencedores além de humilharem os alemães, rebaixaram fortemente a sua moral. Diante disso, vários jovens e outros membros importantes da sociedade

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resolveram apoiar o nazismo e espalhar o terror por onde passavam como forma de vingança. O triste de tudo isso, foi que os nazistas descontaram a sua raiva em grupos e culturas éticas que não tinham nada a ver com a perda da guerra como foi o caso das crianças judias e muitas outras. À medida que o partido ia crescendo com as propagandas de Hitler, pessoas de diferentes escalas do poder o seguiam de forma avassaladora, acreditando que esse movimento era realmente a solução para a melhoria da situação econômica que o país vinha enfrentando. Mas eles nem imaginavam que estavam apoiando um lobo devorador. Devido ao enfraquecimento do governo de Weimar que administrou a Alemanha entre 1919 a 1925, o partido nazista ganhou força no ramo da política. Sendo assim, “A República de Weimar perdeu apoio em outros importantes setores da sociedade: militares, proprietários de terras, financistas e empresários passaram a demostrar simpatia pelo partido Nazista por recearem o avanço comunista [...]” (D’ALESSIO e CAPELATO, op. cit., p. 27).

Nesse aporte, foram as lutas de interesses e os desejos de poderes, que fizeram com que o movimento nazista se elevasse para um grande patamar partidário em 1920. Com isso, o chefe da circulação resolveu tomar medidas drásticas contra grupos sociais e comunistas que se faziam presentes no território alemão desde o começo do século XX. A entrada de Adolfo no Partido Nacional Socialista, fez ascender à facção

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fortemente. Como Hitler não queria que nenhum outro partido político ou qualquer organização social viesse a interferir em seus ideais de conquistas, após conseguir atrair para o seu lado pessoas de várias estâncias do poder estatal, os jovens estudantes, trabalhadores: homens e mulheres de quase toda a Alemanha, anunciou em público que a partir de então, só existia um partido alemão que era o Nazismo, e quem ousar-se ser contra as decisões da facção, seria totalmente exterminado.

A partir do momento que Hitler conseguiu atingir o seu alto grau de poder em 1933, “impôs um decreto de emergência suspendendo todas as garantias de liberdade, dissolvendo todos os sindicatos e partidos políticos, com exceção do partido Nazista, e atribuído a si próprio amplos poderes ditatoriais [...]” (D’ALESSIO e CAPELATO, 2004, p. 28). Além do contexto mencionado pelas historiadoras, vale ressaltar, que o ditador não aceitando perder parte do território alemão para os países vencedores e querendo a queda do governo de Weimar para elevar o nazismo, rompeu com o Tratado de Versalhes que havia sido assinado pelas potências europeias em 1919, alegando o fim da Primeira Guerra Mundial e promovendo a paz para todos e, resolveu reacender o exército, a marinha, a indústria armamentista, e fez com quer o serviço militar passassem a ser obrigatório em seu governo, vindo a adquirir um grande número de pessoas armadas na lutar a favor do movimento.

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É importante destacar que Weimar é uma cidade alemã independente localizada na Turíngia e, reconhecida atualmente pela UNESCO, como sendo um patrimônio cultural da humanidade, em virtude das numerosas construções arquitetônicas existentes no local. Conforme o senso de 2012, a cidade consta de cerca de 65.542 mil habitantes, e a sua formação histórica se deu desde o final do século XVIII até o início do século XIX, séculos marcados pelo período clássico onde a região era vista como sendo a cidade dos intelectuais alemães e europeus a exemplo de Nietzsche e outros que foram destaques na poesia, na literatura, na filosofia e nas artes. Mas quem levou todo requinte de poder, riqueza, luxúria, poetas e pensadores para a pequena cidade, foi a Duquesa alemã Anna Amália Library4.

Com o fim da Primeira Guerra, Weimar deixou de ser uma cidade imperial e passou a ser uma República de 1919 até 1933, início do regime nazista. A cidade também é lembrada atualmente não só pelo contexto histórico da formação política do império e da república, mas também porque bem pertinho de Weimar, existiu um campo de concentração com o nome de Buchenwald, onde segundo os informes presentes no Portal da Alemanha, 50.000 mil pessoas foram exterminadas no governo de Adolfo

Hitler no século XX. Antes do governo Weimar em termo de avanços, a

4 Ver mais a respeito desse assunto no Portal Germânico da Alemanha, ou no site,

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Alemanha era bem mais crescente do que a França e a Inglaterra. Embora os Estados Unidos superassem a Alemanha no século XIX com suas tecnologias, ainda assim se beneficiava bastante de suas matérias-primas e da exportação de seus capitais.

O crescimento da Alemanha deixava os franceses ainda mais irritados pelo fato de terem perdido a guerra franco prussiana no ano de 1871. Como afirma Almeida (1999, p. 8), “a derrota alemã em 1918, a partir da qual surgiu a república de Weimar e o Tratado de Versalhes, que estabeleceu os termos de paz”, deu a França o desejo de vingar-se dos alemães assinando um documento no mesmo local onde perderam a guerra prussiana, sem que houvesse a participação dos vencidos nas tomadas de decisões. Nesse aporte, pode-se dizer que não houve a construção de um Tratado em Versalhes, e sim, a organização e assinaturas de um dito, pelo simples fato de ter sido a Alemanha o país derrotado, e praticamente obrigado a pagar indenizações aos países vencedores, mas não foram convidados à participar do tal acordo de promulgação de paz. Sendo assim, Weimar passou a ser o grande palco de disputas de poder entre as lideranças dos partidos: Social Democrata (SPD – com Friedrich Ebert que governou a cidade de 1919/1925) e, do Partido Populista com o marechal Paul Von Hindenburg que administrou

Weimar de 1925 até 1933, quando de fato perdeu seu cargo para Hitler

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2.2. A educação no período nazista

No governo de Hitler, muitas regras impostas pelo Tratado foram desfeitas, porém, o sistema e as formas de ensino continuaram sendo as mesmas que eram desenvolvidas no século XIX, onde os professores se apresentavam como sendo os donos do conhecimento, e os alunos apenas receptores dos diversos saberes que os docentes lhes transmitiam. Para não serem punidos com regras e castigos violentos, os estudantes tinham que obedecer em tudo. “Os jovens liam histórias sobre os guerreiros espartanos e combatentes nórdicos, nas quais aprendiam que o sentido da existência era servir a pátria. Nessa literatura estavam acentuados valores como retidão, honra, fidelidade, culto ao líder, heroísmo [...]” (D’ALESSIO e CAPELATO, op. cit., p. 34). Perante o contexto histórico apresentado pelas autoras, mostra que a juventude era realmente educada para ser violenta e agressiva.

Outro ponto que vale a pena ser mencionado, era que os livros didáticos produzidos no período nazista, também traziam escrito que para se ter uma vitória era necessário desenvolver um sacrifício. Esse sacrifício que era ensinado nas escolas, tratava-se da destruição em massa da população judia. Pois as crianças alemãs, eram educadas no interior da sala de aula para odiarem os judeus, porque os nazistas as viam como sendo um mal.

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No nazismo, as pessoas que o partido não considerava como sendo de raça pura, não podia exercer suas vontades, ao contrário, tinham que obedecer e realizar os desejos do chefe da facção no caso Hitler que se considerava um Deus, pronto para salvar o seu mundo e a raça ariana. Como o ensino executado nas escolas seguiam os mesmos padrões do sistema tradicional do século XIX, os professores do nazismo continuaram levando para a escola, “vareta e bastão” para agredir os alunos quando viesse a errar as disciplinas, ou até mesmos ousar desobedecer, ou ir contra as questões de ordem do nazismo.

Com a ascensão do partido nazista, os judeus além de serem afastados das escolas, os “candidatos a professores eram enviados para campos especiais onde eram observados durante seis semanas; só se concedia licença para os adeptos da doutrina nazista [...]” (D’ALESSIO e CAPELATO, 2004, p. 38-39). Na realidade o corpo docente era obrigado a cooperar intensamente com o regime. A expansão do nazismo, trouxe muitos investimentos para a educação, mas esses investimentos não eram para ampliar precisamente a qualidade de ensino das pessoas, pelo contrário, as mudanças no ensino eram um meio de trazer a população de crianças, jovens e adultos para o lado do nazismo. “Quando

Hitler assumiu o poder, novecentos professores universitários fizeram

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ordem no país e a hierarquia na sociedade” (D’ALESSIO e CAPELATO, 2004, p. 42).

Do grande número dos docentes que apoiavam o governo nazi na época, apenas “25% veio a ser afastado da sala de aula, e os 20% dos professores que não aceitaram a forma de política do nazismo”, foram alvo de grave repressão. Quem conseguisse fugir escapava da morte, e quem fosse capturado pelos nazistas era exterminado. D’ALESSIO e CAPELATO, também nos informa na (p. 42), que “os estudantes de esquerda eram isolados, e os professores de origem judaica, desrespeitados e agredidos”. Diante do que foi visto até aqui pode-se dizer, que o crescimento do movimento ideológico só se deu de fato nas escolas, em virtude do papel propagandista obrigatório que os professores e os alunos desenvolviam nos ambientes educativos a favor de Hitler.

2.3. Escravidão e extermínio nos campos de concentração

Outro fator arrepiante e desumano do nazismo foi a escravidão de milhares de crianças e adultos que após servirem ao movimento foram exterminados em guetos e campos de concentração de forma brutal como se fossem animais prontos para o abate. O trabalho escravo acontecia dentro dos próprios campos a exemplo de Buchenwald que além de ser um campo de concentração, era uma fábrica de armas na qual judeus,

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poloneses, prisioneiros políticos da Europa e da união Soviética, bem como os deficientes físicos e mentais, trabalhavam forçadamente para o nazismo sem receber nem um centavo pelo serviço prestado. De acordo com os estudos da historiadora e especialista na história alemão e judaica atualmente Kim Wünschmann (2016, p. 58).

O campo de tendas de Buchenwald ficou rapidamente Sobrelotado, tendo as suas péssimas condições desencadeado mortes em massa; em finais de outubro eclodiu um surto de desinteira. Os soldados da SS selaram o campo especial e deixaram os presos entregue à fome. Até ao fim de 1939 morreram 800 homens.

Conforme o contexto apresentado, enuncia-se que os judeus e as demais pessoas que eram detidas nos campos de concentração, além de ficarem presas por tempo indeterminado, sofriam maus tratos físicos pelos soldados da Sociedade Secreta (SS), que os deixavam dias sem comida, sem banho, sem higiene ambiental e corporal e, sem falar das experiências médicas ilegais que os nazis praticavam com eles. Penso que foram todos esses requisitos de desprezos e maus tratos que provocaram a morte e as vária doenças no grande número de presos inocentes que viveram nos centros de concentrações por vários anos, sem terem cometido crime algum. Nos campos de extermínio, o povo judaico também era obrigado a recitar poemas para os soldados, como alega Kim (2016, p. 38) “os judeus foram obrigados a declamar versos antissemitas humilhantes”.

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Embora o “antissemitismo” seja uma palavra antiga que existe desde a história do povo hebreu, esse termo ainda é pouco estudado e discutido em ambientes educativos. Vejo o antissemitismo como sendo um tipo de preconceito hostil utilizado na modernidade por membros do poder político ou até mesmo social, para discriminar grupos étnicos e diferentes culturas e religiões que eles não consideram como sendo parte da sociedade. A exemplo dos africanos e dos índios que foram hostilizados na época do Brasil colônia, e vez por outra, em plena contemporaneidade, ainda se vê senas de descriminação sobre essas culturas. Na Alemanha nazista, esse tipo de preconceito foi direcionado aos judeus, no momento que Hitler assumiu o poder, e passou a dar preferência a raça ariana, rejeitando assim os demais grupos humanos que residiam no país. Para o escritor sociólogo francês Michel Wieviorka (2014) no seu texto “Antissemitismo explicado aos jovens” nos diz que:

O antissemitismo moderno se organiza ideologicamente sob o signo da raça. Os antissemitas, como o jornalista Édouard Drumont, descrevem os judeus como naturalmente malévolos, dotados de atributos intelectuais e morais negativos – eles seriam, por exemplo, ávidos por dinheiro -, mas também com características físicas que os diferenciariam dos outros povos (WIEVIORKA, 2014, p. 24 -25).

Não pretendo me estender na discussão do conceito de raça nesse texto, porque este é um assunto que requer outras leituras. Mas, se parássemos para estudar a fundo a história do judaísmo, iriamos perceber

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que a população judaica desde os séculos (a. C), foram os povos que mais imigraram para outros lugares e regiões diferentes da Judéia, em busca de melhores condições de vida. No século XX na Alemanha, quando aconteceu a Primeira Guerra Mundial, muitos judeus que já habitavam esse território desde a época do império romano, lutaram a favor da Alemanha. Porque consideravam aquela região como sendo a sua pátria. Para o historiador Gilbert (2006, p. 27), “os judeus eram também patriotas alemães. Doze mil tinha morrido em ação lutando pela Alemanha na Primeira Guerra Mundial”. Isso é uma prova que eles carregavam consigo o sentido de pertença ao país.

Porém, a partir do momento que Adolfo Hitler conseguiu tomar posse do poder político na Alemanha, as perseguições a população judia foram tão fortes que acredito que muitos judeus de olhos claros e cabelos loiros, para não morrerem nos guetos e nas câmaras de gás, chegaram a negar a sua identidade. Uma vez que o ditador, não aceitava nenhuma pessoa com ancestralidade judaica como sendo um cidadão germânico.

Quanto as características físicas de um judeu, acho muito difícil uma pessoa saber diferenciar um judeu de um alemão. Pois existe muitos judeus de olhos azuis e cabelos louros com nariz bem afilado. O que tornava um judeu diferente de um alemão no período nazi, acredito que era a sua fé religiosa, que os levavam a não desistirem em meio aos obstáculo e desafios no seu dia a dia. Os judeus eram pessoas bem

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equilibradas financeiramente, e possuíam muitos bens. Conforme relata

Martin Gilbert no seu livro “A noite de Cristal”, o primeiro ministro Neville Chamberlain escreveu uma carta privada sobre o Kristallnacht

onde ele dizia: “acredito que a perseguição nasceu de dois motivos: o desejo de roubar aos judeus o seu dinheiro e a inveja de sua inteligência superior” (GILBERT, 2006, p. 231). Isso quer dizer, que bem antes da expansão do nazismo, o poder comercial e econômico dos judeus já se fazia crescente no mercado alemão, e a população judia, sentia-se como sendo pessoas normais entre os arianos.

Mas para entender melhor a respeito do termo antissemitismo dentro do nazismo, Hannah Arendt (2012) explica que:

Os nazistas não eram meros nacionalistas. Sua propaganda nacionalista era dirigida aos simpatizantes e não aos membros convictos do partido. Ao contrário, este jamais se permitiu perder de vista o alvo político supranacional. O “nacionalismo” nazista assemelhava-se à propaganda nacionalista da União Soviética, que também é usada apenas como repasto aos preconceitos das massas (ARENDT 2012, p. 25-26).

Todavia, é importante mencionar, que o contexto histórico apresentado até aqui, não revela tudo sobre o nazismo e as guerras. Mesmo porque, existem muitas coisas que ainda não foram totalmente esclarecidas no presente sobre estes dois assuntos. Hitler por exemplo agia como sendo um ser supremo, escolhido não sei por quem para fazer tudo o que fez com a humanidade na sua época. Como nos diz Ribeiro

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(1991, p. 74), “muita coisa no nazismo ainda não foi devidamente esclarecida, principalmente o seu inquietante esoterismo, que escapa à crítica histórica habitual”.

Enfim, os acontecimentos das guerras que de certa forma marcaram e marcam até o presente a história da humanidade, requer um longo estudo. Principalmente em torno das questões do pós-guerra, que vez por outra surgem fatos e acontecimentos com poucas explicações. A violência global que hoje tem tomado conta de vários meios de poder como, por exemplo: a falta de respeito aos cidadãos, os corruptos que estão no domínio da política, as mortes provocadas por armas de fogo sem nenhum esclarecimento. Tudo isso são mecanismos que necessitam de um estudo mais aprofundado na atualidade. Mesmo porque, este é um problema que envolve muito as questões políticas, econômicas e sociais de um modo geral, e sem dúvida, as guerras que aconteceram, e as que estão sendo reescritas ou reeditadas no tempo presente, tem os mesmos ideais expansionistas do passado.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Ângela Mendes de. A República de Weimar e a ascensão do nazismo / Ângela Mendes de Almeida. – São Paulo: Brasiliense, 1999. – (Coleção tudo é história; 58).

ARBEX, Daniela. Holocausto brasileiro / Daniela Arbex. – 1. ed. – São Paulo: Geração Editorial, 2013.

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Revista Diálogos – N.° 18 – Set. / Out. – 2017 403

ARENDT, Hannah, 1906-1975. Origens do totalitarismo: Hannah Arendt; tradução Roberto Raposo. — São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

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Referências

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