* * Vistos, relatados e discutidos estes autos de. APELAÇÃO CÍVEL COM REVISÃO n 57' /7-00, da Comarca de

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TRIBUNAL DE J U S T I Ç A DE SÃO PAULO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRÁTICA A C Ó R D Ã O REGISTRADO(A) SOB N°

*02022313*

Vistos, relatados e discutidos estes autos de APELAÇÃO CÍVEL COM REVISÃO n° 57'-. 375-4/7-00, da Comarca de NOVA ODESSA/AMERICANA, em que é apelante ZORZETTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA. sendo apelada MASSA FALIDA DE TINTURARIA E ESTAMPARIA SANTA CLARA LTDA. ME.:

ACORDAM, em Câmara Especial de Falências e

Recuperações Judiciais de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, proferir a seguinte decisão: ^NÃO CONHECERAM DO RECURSO. V.U.", de conformidade com. o voto do Relator, que íntegra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Desembargadores PEREIRA CALÇAS (Presidente, sem voto), BORIS KAUFFMANN e ELLIOT* AKEL.

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PODER JUDICIÁRIO

Tribunal de Justiça cio Estado de Sào Paulo Seçào de Direito Privado

Apelação Cível c o m R e v i s ã o n° 5 7 4 . 3 7 5 . 4 / 7 - 0 0

Apelante: ZORZETTO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA.

Apelada: TINTURARIA E ESTAMPARIA SANTA CLARA LTDA. (MASSA FALIDA)

Comarca: NOVA ODESSA - AMERICANA - Ia VARA CÍVEL

VOTO N.° 10.564

EMENTA - Falência - Habilitação intempestiva - No

Estado de Sào Paulo, o § 8" do att 4" da Lei Estadual 11 608'2003 (Lei de Custas do Estado) prevê ser devida a taxa judiciaria em caso de habilitação retai dataria de credito em processo de concordata, agoia substituída pela recupei ação judicial - Ademais, o ^ 3" do att 10 da Lei n "

11 101/05 também prc\ è o pagamento de custas para aquele que se habilita retardatanamente — Assim, há previsão legal de pagamento de custas em caso de habilitação intempestiva de crédito em falência - Precedente desta Câmara Especial - Apelação - Falta de pieparo - Deserção - Apelação não conhecida

RELATÓRIO.

Trata-se de apelação interposta por ZORZETTO Indústria e Comércio de Embalagens Ltda (fls. 74/83) contra a r. sentença de fls. 65/66, cujo relatório adoto, que julgou extinto, sem resolução do mérito, com fundamento no artigo 267. inciso VI, do CPC, o

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seu pedido de habilitação intempestiva de crédito, na falência de Tinturana e Estamparia Santa Clara Ltda. - ME, isso porque "como bem salientado pelo

administrador judiciai o crédito alegado pela habilitante já consta da lista inicial da falência Logo, não se vislumbra interesse de agir da habihtante no presente feito". Sem custas por se tratar de incidente processual, condenada a

habilitante ao pagamento de honorários advocatícios, fixados em 15% sobre o valor atribuído à causa, devidamente atualizado.

A apelante alega que, em razão da natureza incidental da presente, a Lei não autoriza a cobrança de custas na declaração de crédito; diz que a habilitação de crédito não está sujeita ao recolhimento de preparo, de modo autônomo, requer, sucessivamente, a admissão deste recurso com diferimento do recolhimento do preparo para o ato de pagamento de seu crédito.

No mérito, sustenta que não houve resistência à habilitação, uma vez que não houve impugnação do crédito apontado, por parte do administrador judicial, a não ser em relação ao cheque, que se esclareceu posteriormente ser referente a juros; logo, não houve contraditório

(o administrador e o falido limitaram-se a prestar informações)', em suma,

não há sucumbência que justifique a condenação em honorários advocatícios.

Alternativamente, pleiteia a redução do percentual da verba honorária, posto que o procedimento de habilitação de crédito não mostra complexidade e, ainda, admitida a condenação nos honorários de sucumbência, requer seja autorizado que tal pagamento seja realizado quando do recebimento de seu crédito, analogicamente à

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compensação civil.

O recurso foi recebido (tis. 85), é tempestivo e foi respondido (fls. 86/90), opinando a douta Procuradoria Geral de Justiça. em parecer da lavra da eminente Promotora de Justiça designada, Dra Mana da Glória Villaça Borin Gavião de Almeida, pelo não conhecimento ante a deserção, em face da ausência de preparo, nos termos do artigo 10, s*caput"

c/c art. 6o, § 3o, da Lei 11.101/05, isso porque "a habilitação intempestiva

não está isenta do pagamento de custas", ou pelo não provimento (cf. fls.

95/97).

FUNDAMENTOS.

Como acentuou, com precisão, o parecer ministerial nesta Instância:

"Nos moldes do artigo 10 da Lei 11.101/2005, as habilitações oportunas estão isentas do pagamento de custas, mas nas retardatárias, os credores perdem o direito aos rateios já realizados e, ainda, '[ficarão sujeitos ao pagamento de

custas3' por força do determinado no parágrafo 3o. Não lhe socorre o

argumento de que por tratar-se de lide incidental não estaria obrigada a fazê-lo. A hipótese é da incidência da regra traçada na norma supra referida.

Consoante se infere das certidões de fls. 36, a habilitação foi proposta fora do prazo legal e, por isso, está sujeita ao recolhimento das custas. A ausência do preparo, por seu

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4 turno, implica deserção e esta deve ser declarada por este Egrégio Tribunal.

Não se admite, mais, na espécie, o pretendido diferimento do recolhimento das custas''.

Nessa questão, vale lembrar que a Lei Estadual n.° 11.608/2003, que dispõe sobre a Taxa Judiciária incidente sobre os serviços forenses, não prevê o pagamento de qualquer taxa quando da habilitação de crédito, exceto quando se tratar de habilitação retardatária de crédito em concordata (agora, recuperação judicial).

MANOEL JUSTINO BEZERRA FILHO ensina:

"4. A habilitação é um mero incidente processual não configurando tecnicamente um "processo", não sendo por isso devidas quaisquer custas, seja para a distribuição, seja para a interposição de recursos, o que mais se reforça ante o fato de que o próprio administrador judicial será o responsável por seu recebimento. No entanto, especificamente no Estado de São Paulo, o § 8o do art. 4o da Lei Estadual 11.608/2003 (Lei de Custas

do Estado) prevê ser devida a taxa judiciária em caso de habilitação retardatária de crédito em processo de concordata, agora substituída pela recuperação judicial. O § 3o do art. 10 da presente Lei também

prevê o pagamento de custas para aquele que se habilita retardatanamente" (cf. 'kLei de Recuperação de Empresas e

Falências", 4a edição, São Paulo, Editora Revista dos Tribunais.

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2007, pp. 72-73)

Acerca do tema, esta Câmara Especializada já tem precedente sobre a matéria, ou seja. o Agravo de Instrumento n. 431.416.4/1-00, relatado pelo eminente Desembargador PEREIRA CALÇAS e assim ementado:

"Falência Apelação. Sentença de encerramento da falência. Pedido de diferimento do recolhimento do preparo recursal, em face de impossibilidade momentânea. Lei paulista n° 11.608/2003, que regulamenta a taxa judiciária e prevê, no artigo 5o, as causas em que se admite o diferimento. A ação de

falência não está no rol das ações em que se admite o diferimento, elencadas "numerus clausus". A falta do tempestivo preparo acarreta a deserção da apelação, que não pode ser conhecida, a teor do artigo 51 1 do CPC. Apelo não conhecido"

Em síntese, obrigatório o preparo e ausente o seu recolhimento, a apelação está deserta e dela não se conhece.

Este voto já estava redigido quando veio a julgamento, na mesma sessão, o Agravo de Instrumento n.° 564.613 4/6, da

Comarca de São Paulo, no qual o eminente Relator Sorteado, o Des.LlNO MACHADO, encaminhava solução diferente, ou seja, "não se estende à habilitação retardatária de crédito em falência a incidência da taxa judiciária autônoma prevista para habilitação de crédito em concordata''.

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Com a devida vênia, não é esse o meu entendimento, que se apoia na lei, com dispositivo expresso (art. 10, § 3o. da

Lei n.° 11.101 /2005), e na doutrina unânime sobre a matéria.

De fato, esta Câmara Especializada já decidiu que não cabe o recolhimento de taxa judiciária na habilitação tempestiva de crédito em concordata preventiva (Agravo de Instrumento n.° 491.882.4/6-00. da Comarca de Nova Odessa/Americana, Rei. Des. PEREIRA CALÇAS, j 31/01/07), como também não cabe na impugnação tempestiva em recuperação judicial (Agravo de Instrumento n.° 468 219 4/8-00, da Comarca de São

Paulo, Rei. Des. PEREIRA CALÇAS, j . 28/02/2007).

Em ambos precedentes, constou dos v. acórdãos:

"Cumpre observar que, sob a égide da Lei paulista n° 4 952/85, que regula as custas judiciais, pacífico era o entendimento de que nos incidentes instaurados em processo de falência ou concordata, não era prevista a incidência de taxa judiciária.

O Desembargador Bruno Afonso de André, que foi Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor do Projeto que deu origem à anterior Lei de custas de São Paulo, comenta a questão*

"A falência também merece destaque, pela multiplicidade de objetivos e problemas

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incidentes.

A ela de \ 'em aflu ir os credores com habilitações de crédito (sejam normais ou retardatárias), os bens da massa falida, o sindico e o próprio falido: nela deve ser operada a administração

(alimentar, para a realização de ativos e o pagamento de passivos, nela se investigam os atos do falido, para variados fins: nela devem ser atendidos direitos fiscais, direitos dos empregados da empresa falida, ou gerados pela continuação do negócio: nela se realiza o inquérito judicial: e assim por diante.

Os problemas decorrentes são os mais diversos, não faltando querelas sobre nomeação e destituição de síndicos, sobre tomadas de contas, rateios, pagamentos preferenciais, levantamentos, alvarás, liquidações de valores contábeis e outras medidas.

Enfim, a multiplicidade de atos e interesses que a falência condiciona está vinculada à incidência inicial da taxa judiciária, assecuratória da abertura da quebra e da prática de todos os atos de primeira instância, em autos básicos ou não E não muda o raciocínio, mas ao contrário, serve para confirmá-lo, o fato de ser forçoso o andamento do juízo universal da falência independentemente de prévios pagamentos de

custas, conforme o artigo 208 da lei de quebras (O Novo Sistema de Custas Judiciais, Ed. Saraiva, São Paulo,

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1987).

A Lei n° 11.608/2003, que atualmente regula as custas judiciais, prevê apenas o recolhimento da taxa judiciária nos casos de habilitação retardatária de créditos de concordata (atualmente: Recuperação Judicial), mercê do que, mesmo sob o novo diploma legal, não há fundamento para a exigência contida na decisão hostilizada"

De fato, a Lei Paulista n.° 11.608/2003 só prevê o recolhimento de taxa judiciária no caso de habilitação retardatária de crédito em processo de concordata (art. 4o, § 8o).

Ocorre que a Lei Federal n° 11.101/2005 dispõe expressamente, no art. 10, § 3o, que. "na falência, os créditos

retardatános perderão o direito a rateios eventualmente realizados e ficarão sujeitos ao pagamento de custas, não se computando os acessórios compreendidos entre o término do prazo e a data do pedido de habilitação".

Comentando esse dispositivo legal, ensina RONALDO VASCONCELOS:

"Muito embora a Lei de Recuperação e Falências não faça qualquer menção à necessidade de recolhimento de custas processuais para o processamento da ação incidental de habilitação de crédito, tem-se que, diante da sua natureza de processo incidental, não há qualquer razão para que o credor seja dispensado dessa obrigação legal No Estado de São

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Paulo, a Lei n.° 11.608, de 29 de dezembro de 2003. regula a questão da incidência da taxa judiciária sobre os serviços públicos de natureza forense. Em regra geral, são devidos os valores por ocasião da distribuição da petição inicial, seja nas ações de conhecimento, execução, medidas cautelares, procedimentos de jurisdição voluntária e recursos. Em seu art. 4o, § 8o, determina-se

ainda que, "no caso de habilitação retardatária de crédito em

processo de concordata, a credora recolherá a taxa judiciária na forma prevista nos incisos I e II do art. 4°, calculada sobre o valor

atualizado do crédito, obsenjados os limites estabelecidos no § lc*\ Referida determinação conduz ao seguinte raciocínio:

(I) o procedimento de verificação e de habilitação de créditos instituído no Capítulo II, Seção II. da Lei de Recuperação e Falências disciplina a questão tanto para o processo fahmentar como para o processo de recuperação judicial;

(II) não ha justificativa, portanto, para eventual tratamento diferenciado das habilitações no processo de recuperação judicial (que substituiu a figura da concordata) em detrimento do processo de falência;

(III) ademais, de acordo com o art. 10, caput. da Lei de Recuperações e Falências, todas as habilitações de crédito que não observaram o prazo de 15 dias estipulado no art 7o, § 1°, para a entrega das suas pretensões diretamente ao

administrador judicial são consideradas retardatánas.

Portanto, o recolhimento da taxa judiciária se faz obrigatório também para os processos incidentais

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de habilitação de crédito apresentados no processo falimentar, uma vez que igualmente se caracterizam como retardatários. Como se isso não bastasse, o § 3o do art. 10 da Lei de Recuperação e

Falências é claro ao dispor que os retardatários pagam custas judiciais. Ademais, se a intenção do legislador foi a de justamente privilegiar o processamento administrativo das habilitações e impugnações de crédito, verifica-se ser essa uma medida de estímulo (baseada na punição pecuniária) ao efetivo acompanhamento do processo e tempestiva apresentação da pretensão pelos credores"' (Direito Processual Falimentar, São Paulo, Editora Quartier Latin, 2008, n.° 42. pp. 264-265).

No tocante à necessidade de recolhimento da taxa judiciária na habilitação retardatária em falência e recuperação judicial confiram-se: (1) Paulo Fernando Campos Salles de Toledo, Comentários à

Lei de Recuperação de Empresas e Falência, coordenadores Paulo F. C.

Salles de Toledo e Carlos Henrique Abrão, 2a edição, São Paulo, Saraiva,

2007, n.° 37, p. 34; (2) José da Silva Pacheco, Processo de Recuperação

Judicial, Extrajudicial e Falência, Rio de Janeiro, Forense, 2006, n.° 44, p.

54; (3) Celso Marcelo de Oliveira, Comentários à Nova Lei de Falências, São Paulo, IOB Thomson, 2005, n.° 53.1, p. 172; (4) Sérgio Campinho, Falência e

Recuperação de Empresa, 2a edição, Rio de Janeiro. Renovar. 2006, n.° 70, p.

114; (5) Paulo Marcondes Brincas, Comentários à Nova Lei de Recuperação

de Empresas e de Falências, coordenação Newton de Lucca e Adalberto

Simão Filho, São Paulo. Quartier Latin, 2005, p. 141; (6) Manoel Justino Bezerra Filho, Lei de Recuperação de Empresas e Falências Comentada. 5a

edição, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2008, p. 84; (7) Júlio Kahan

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Mandei, Nova Lei de Falências e Recuperação de Empresas Anotada, São Paulo, Saraiva, 2005, p. 35; (8) Ecio Perin Júnior, Curso de Direito

Fahmentar e Recuperação de Empresas, 3a edição, São Paulo, Editora

Método, 2006, n.° 35 1.5.3, p. 168; (9) Fábio Ulhoa Coelho, Comentários à

Nova Lei de Falências e de Recuperação de Empresas, 5a edição, São Paulo,

Saraiva, 2008, n.° 30, p. 48; (10) Giuliano Colombo & Patrícia Barbi Costa,

Direito Falimentar e a Nova Lei de Falências e Recuperação de Empresas,

coordenação Luiz Fernando Valente de Paiva, São Paulo, Quartier Latin, 2005, n.° 3.10, p. 159.

D e s t a r t e , p e l o meu v o t o , n ã o

c o n h e ç o do r e c u r s o .

C R Q M E U lUCOTERO

Relator

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