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Mídia e suicídio: prevenção e posvenção na era digital

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Academic year: 2021

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Mídia e suicídio: prevenção e

posvenção na era

digital

Luana Izabel da Silva Nunes Diego Saimon de Souza Abrantes

Resumo: Na comunidade científica pesquisas a respeito da

temática do suicídio são bem amplas, contudo no que tange ao viés do suicídio e mídia existem poucas pesquisas no Brasil, gerando assim uma lacuna na compreensão deste fator. Em decorrência disto, e com o objetivo de analisar como a mídia colabora na abordagem social do suicídio na cidade de Macapá (AP), e as possíveis políticas públicas que embasem tais ações, este estudo, através de uma análise bibliográfica e documental, e fazendo uso do um instrumento de pesquisa elaborado pela pesquisadora com base nos manuais disponíveis da Associação Brasileira de Psiquiatria (2016) e Organização Mundial de Saúde (2000) que tratam sobre orientações de mídia e suicídio, buscou responder a problemática proposta. Foram utilizados como universo da pesquisa os sites jornalísticos da cidade de Macapá (AP). Através dos resultados obtidos pelo instrumento de pesquisa, observou-se a maneira inadequada de noticiar suicídio, além do comportamento midiático preventivo e pró-suicida. Além disso, percebeu-se a falta de políticas públicas específicas para a temática do suicídio, e da relação deste com a mídia.

Palavras-chaves: mídia; suicídio; políticas publicas; prevenção; Abstract: In the scientific community researches about the

suicide subject are very broad, however, with regard to the suicide and media bias, there is a few material for research in Brazil, thus generating a gap in the understanding of this factor. As a result of this, with the objective of analyzing how the media collaborates in the social approach to suicide in the city of Macapá (AP), and the possible public policies that support such actions, this study, through a bibliographical and documentary analysis, and making use of a research instrument elaborated by the researcher based on the available manuals of the Brazilian Association of Psychiatry (2016) and World Health Organization (2000) dealing with media and suicidal orientations, sought to respond to the problematic proposed. The journalistic sites of the city of Macapá (AP) were used as research universe. Through the results obtained by the research instrument, it was observed the inadequate way to report suicide, besides the preventive and pro-suicidal media behavior. In addition, it was noticed the lack of specific public policies for the subject of suicide, and its relation with the media.

Keywords: media; suicide; public policies; prevention;

Revista

Tempo

Amazônico

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INTRODUÇÃO

Visando compreender como a mídia poderia contribuir na prevenção e posvenção do suicídio, fez-se um estudo no qual foi utilizado os manuais de orientações para os profissionais da mídia no que tange o noticiar situações relacionadas ao suicídio, e posteriormente, buscou-se verificar buscou-se haviam Políticas Públicas que norteasbuscou-sem o trabalho de tal categoria na cidade de Macapá (AP). Ratifica-se a importância deste estudo, visto que não existem pesquisas semelhantes no país, logo este poderá servir de base para organizar possíveis intervenções nas áreas temáticas envolvidas, tornando esta leitura convidativa para curiosos, entusiastas e obrigatórias para pesquisadores do suicídio.

O SUICÍDIO

O suicídio é um ato executado pelo próprio indivíduo, cuja intenção é a morte, de forma consciente e intencional, usando artefatos que este acredita que contribuirá para o processo de morrer (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA – ABP, 2016). Compreende-se como um “ato deliberado, iniciado e levado a cabo por uma pessoa com pleno conhecimento ou expectativa de um resultado fatal”; somam-se ao comportamento suicida os pensamentos, os planos e a tentativa de suicídio (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE – OMS, 2000).

Botega (2004) aponta para o fato de o suicídio ser mais evidente entre pessoas da faixa etária de 15 a 44 anos. ABP (2016) elenca que o suicídio é um comportamento com determinantes multifatoriais e consequência da interação de diversos fatores; a tentativa prévia de suicídio e a presença de transtornos mentais são os principais fatores de risco.

De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) (2017) os dados epidemiológicos de óbitos por suicídio no período de 2011 a 2015 registraram 55.649 casos no Brasil, com uma taxa geral de 5,5/100 mil habitantes. O risco de suicídio no sexo masculino foi de 8,7/100 mil hab., sendo aproximadamente quatro vezes maior que o feminino (2,4/100 mil hab.).

Independentemente do sexo, as maiores taxas de suicídio foram observadas na faixa etária acima de 70 anos (8,9/100 mil hab.), porém ao fazer um comparativo com os índices apresentados por Botega (2015), ratificam-se as informações em que indivíduos entre 15 a 44 anos apresentam os maiores índices de suicídio. O SINAN (2017) apresenta no seu quadro, as faixas etárias de cinco até 49 anos, e neste período percebe-se um comportamento suicida mais elevado no Brasil.

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No estado ao Amapá a partir dos dados fornecidos pelo Sistema de Informação de Mortalidade/Superintendência de Vigilância em Saúde (SIM/SVS, 2018), percebe-se entre os anos de 2011 a 2018, 316 óbitos por suicídio. A faixa etária com maior índice pertence a categoria de 20 a 29 anos, concentrando 112 casos. Ao equiparar com o padrão proposto por Botega (2015) de indivíduos entre 15 e 44 anos, o Amapá apresenta 264 casos.

O panorama apresentado demonstra a preocupação com o suicídio do ponto de vista da saúde pública. Constata-se que muitas variáveis do comportamento suicida são desconhecidas pela ciência. A fim de se discutir outra possibilidade que influencie esse comportamento arriscado à própria vida, é preciso compreender o papel da mídia digital, ênfase nos sites jornalísticos, dentro desse universo. Sendo assim, conceitua-se a mídia que foi utilizada nesta pesquisa.

MÍDIA DIGITAL

Pierre Lèvy (2000) apud Guimarães (2015) postula que as mídias digitais são um conjunto de meios de comunicação baseados em tecnologia digital, permitindo a distribuição de informação na forma escrita, sonora ou visual. Elas caracterizam-se por uma possibilidade de expressão pública, de interconexão sem fronteiras e de acesso à informação sem precedentes na história humana. São contextualizadas como exemplos de mídias digitais: a internet, o celular, TV e vídeo digital.

No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2015), vinculada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016), 57,8% da população tem acesso à internet. Outro fator importante de destacar é a predominância da faixa etária de 15 a 24 anos no uso da internet, visto que são as idades que correspondem aos maiores percentuais de uso, 82,9%, (IBGE, 2016).

Destaca-se que a maior porcentagem de uso desses meios destina-se a busca de informações, fator importante para esta pesquisa em que um dos objetivos delineia-se em apresentar o padrão que é utilizado para divulgação das notícias sobre suicídio, considerando as mídias digitais selecionadas (SECOM, 2014). Para este estudo, a mídia digital selecionada foram os sites jornalísticos.

A internet tem propiciado a criação de novos espaços virtuais e sociais na vida das pessoas. Entretanto, pouco se tem estudado sobre sua influência na vida das pessoas. A mídia está entre os fatores de risco para o comportamento suicida. Neste aspecto, verificam-se os efeitos da internet no comportamento suicida, principalmente entre os jovens devido a maior vulnerabilidade e acesso à comunicação (PEREIRA; BOTTI, 2017 apud THOMPSOM, 1999).

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Alerta-se para a importância de se estudar o impacto das mídias no comportamento suicida e apresentar as diretrizes que foram repassadas aos profissionais do setor para o manejo da temática; percebeu-se a carência de pesquisas brasileiras que abordassem sobre este referido contexto, Pereira e Botti (2017), ao realizarem uma revisão integrativa, apresentaram 17 publicações no contexto mundial, que envolviam a temática mídia e suicídio, dentre estas nenhuma é de domínio brasileiro; tais autores dividiram os artigos encontrados em três categorias de análise: comunicação online, comunicação online preventiva e comunicação online pró-suicida. Sendo assim, percebe-se que a internet, canal utilizado para esta pesquisa, pode ser utilizada tanto no viés da prevenção ou como desencadeador para o suicídio.

Pontua-se ainda que a internet possa ser importante forma de contágio entre os que acessam ativamente websites e chats sobre suicídio. Tal consideração é relevante, visto que vários adolescentes que morreram por suicídio tiveram acesso a esse tipo de conteúdo (HWANG, 2018 apud ROBERTSON et. al., 2012). Com isto, os primeiros estudos que buscavam compreender a relação da mídia, suicídio e sua possibilidade de contágio, foram inspirados a partir da literatura de Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832), autor da obra: Os sofrimentos do jovem Werther (GOETHE, 1974/2012). Na referida obra, o protagonista, Werther, escreve cartas ao seu amigo a quem descreve os sentimentos que o atormenta em virtude da impossibilidade de estar ao lado da mulher que ama. Em decorrência disto e por não conseguir esquece-la o protagonista acaba tirando a própria vida ao atirar com uma pistola contra a própria cabeça.

O sociólogo David Phillips (1974) consolidou a expressão Efeito Werther, que passou a ser utilizada quando um suicídio, principalmente realizado por pessoas famosas, pode influenciar o suicídio de outras pessoas, isto de acordo com a OMS (2000). Contatou-se o contágio quando muitos jovens cometeram suicídio com tiros de pistola e foram encontrados exemplares do livro ao lado dos corpos, além de estarem utilizando vestimentas com características do personagem.

Outro interessante fato a destacar a respeito da internet e suicídio é sobre a legislação. No Brasil, o Código do Direito Penal (1940), no artigo 122, prevê que induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça, configura infração penal grave. Observa-se que a legislação brasileira não menciona nada relacionado em especifico à internet e a lei nº 12.965 de 23 de Abril de 2014, também conhecida como do Marco Civil da Internet no Brasil, nada menciona sobre questões relacionadas ao suicídio (BRASIL, 2014).

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Hwang (2018) ressalta que independente do meio utilizado para a divulgação da notícia, deve-se avaliar as questões éticas no jornalismo. O código de ética dos jornalistas não prevê situações especificas como o suicídio, cita-se: o “art.11: O jornalista não pode divulgar informações: II de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes” (FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS, 2007, grifo nosso).

Este é o único trecho do código que poderia embasar questões relacionadas ao suicídio, já que por vezes a divulgação de notícias relacionada ao mesmo ocorre de forma sensacionalista, o que pode contribuir para o que foi apresentado como efeito contágio ou comunicação pró-suicida. Observando esta lacuna no código de ética dos jornalistas, a OMS, em 2000, e a ABP (2016) lançaram os manuais: “Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da mídia” e “Comportamento suicida: conhecer para prevenir”, respectivamente. Ambos são dirigidos para profissionais da imprensa. Eles discorrem acerca da relação entre mídia e suicídio, e orienta possíveis formas de abordagem do tema pelos jornalistas.

AS POLÍTICAS PÚBLICAS

Rodrigues (2013) define PPs como um conjunto de ações desencadeadas pelo Estado brasileiro, em escala federal, estadual, municipal com o objetivo de atender a determinados setores da sociedade civil. Ademais, tais ações podem ser desenvolvidas em parcerias ou com a autonomia de organizações não governamentais e/ou com a iniciativa privada.

No que se refere as PPs de Saúde, a Constituição Federal de 1988 foi um marco pois definiu a saúde como "direito de todos e dever do Estado" (BRASIL, 1988) instaurando o Sistema Único de Saúde (SUS). Este é um complexo sistema, formado por órgãos da União, Estados e Municípios, além de órgãos da iniciativa privada tendo como gestor central o Ministério da Saúde. Preconizam-se o direito à saúde de modo universal, igual e integral (PAIM, 2008). A partir do SUS, foi possível estabelecer as diretrizes para Saúde Mental no Brasil, isto a partir da mobilização social que resultou na Reforma Psiquiátrica (BRASIL, 2011). A partir de tal reforma foi estabelecido outras leis, portarias e decretos que garantem uma assistência integral ao indivíduo portador de algum transtorno.

Em 2006 foi instituída a Portaria nº 1.876 de Agosto de 2006 em que o autor trata sobre as Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio (BRASIL, 2006). Ela serve para nortear os principais objetivos que estariam em uma política nacional maior de prevenção do suicídio, ou seja, um Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, além de servir como base para a composição de planos estaduais e municipais.

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Outro aspecto importante de ressaltar é que as Redes de Atendimento Psicossociais (RAPS) e a lei que institui a Reforma Psiquiátrica, em nenhum momento fazem menção ao termo “suicídio”, porém como a maior parcela dos casos são acometidos por pessoas portadoras de transtorno mental ou em decorrência do uso abusivo de substâncias psicotrópicas (BOTEGA, 2014), os encaminhamentos e fluxo da rede se adequam para pessoas que busquem o serviço em decorrência de tal demanda.

Ressalta-se ainda que as RAPS (BRASIL, 2011) preconizam a prática de ações de promoção e prevenção em todos os níveis de saúde, porém, por vezes, enfrentam o problema da desinformação e do preconceito, até mesmo por profissionais da saúde. Brandão (2015), em seus estudos sobre a prática de psicólogos na assistência em saúde mental em Macapá (AP), aponta que não há informações precisas nos órgãos de saúde pública na capital amapaense sobre o encaminhamento que é dado para as pessoas envolvidas na temática do suicídio.

METÓDO

De caráter exploratório, fez-se um estudo descritivo, tendo sido possível descrever objetivamente as características do padrão de divulgação de notícias inerente ao suicídio. O método que foi utilizado para a interpretação foi à leitura interpretativa. Tal método permitiu analisar toda a conjuntura do problema proposto, analisa-lo e a partir disto emitir uma interpretação com dados científicos (GIL, 2002).

Em relação ao delineamento, caracterizou-se como documental e bibliográfica. A pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material bibliográfico existente. A pesquisa documental tem similaridade com a bibliográfica, porém diferencia-se na fonte, a pesquisa bibliográfica trabalha com materiais que já foram analisados analiticamente e a Documental com materiais que ainda não receberam um tratamento analítico (GIL, 2002).

O universo foi composto pelos dois únicos manuais relacionados à mídia e suicídio publicados no Brasil (ABP, 2016; OMS, 2000), além das notícias publicadas em sites jornalísticos cujo domínio pertence à cidade de Macapá, capital do Amapá. A escolha do universo da pesquisa, em relação à análise das notícias, se deu a partir do mecanismo de busca do Google. No referido site, realizou-se a busca com as seguintes palavras-chaves “Sites + Jornalismo + Macapá” e a partir dos resultados apresentados foi composto o universo da pesquisa. A opção por escolher Macapá (AP) nas buscas realizadas decorre da necessidade de se compreender o cenário local em relação à divulgação de notícias relacionadas ao suicídio. O universo da pesquisa totalizou 14 sites. Porém, só foi possível realizar a coleta de dados em

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oito, pois os outros, em decorrência de problemas técnicos deles mesmos, não forneceram acesso aos dados.

Os critérios de inclusão correspondem a reportagens publicadas a partir de 2000, visto que foi neste ano que foi lançado o Manual da OMS (2000); políticas públicas encontradas nos sites da Prefeitura Municipal de Macapá (PMM) e Governo do Estado do Amapá (GEA), através das palavras-chaves: suicídio; mídia; Políticas Públicas. Nos sites jornalísticos, a palavra-chave utilizada foi “suicídio” e notícias publicadas até novembro de 2018, visto que tal artigo origina-se de um Trabalho de Conclusão de Curso e o referido mês era a data limite de entrega. Os critérios de exclusão foram reportagens e publicações cujo domínio do site não eram da cidade de Macapá (AP); reportagens audiovisuais; sites jornalísticos que não atendam ao estabelecido previamente como critério de inclusão.

O instrumento de pesquisa utilizado correspondeu a um quadro criado a partir da compilação dos critérios propostos pelos manuais da ABP (2016) e OMS (2000) em relação à divulgação de situações que envolvam o suicídio, bem como da análise de critérios que não deveriam ser informados nas referentes notícias.

O Instrumento de pesquisa agrupa as notícias em três categorias, sendo elas:

• Categoria Prevenção (P): analisou notícias que falavam sobre ações relacionadas à prevenção ou posvenção ao suicídio, representada por “P” no quadro;

• A segunda categoria se deteve acerca das notícias de casos de suicídio no estado, representado pela letra “S”;

• A terceira categoria foi composta pelas notícias que não se encaixaram em nenhum dos grupos anteriores, denominadas “outros”, representada pela letra “O”. Esta categoria pode ser exemplificada a partir de notícias que na época da publicação ainda não havia a confirmação se a morte foi oriunda de suicídio ou homicídio.

• Em relação à PPs de suicídio, realizou-se a coleta de dados bibliográficos e documental no site do GEA, Assembleia Legislativa do estado do Amapá (ALAP), PMM e Câmara Municipal de Macapá, utilizando-se o mesmo padrão de palavras-chave citado nos critérios de inclusão (suicídio; mídia; políticas públicas;).

O instrumento de pesquisa é composto pelos sites de notícias da cidade de Macapá (AP) que foram previamente selecionados, conforme explicado no universo da pesquisa, após isto cada um recebeu uma identificação que consiste em um número e uma letra, para assim

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resguardar a identidade do veículo de comunicação. Em cada site de notícias buscou-se pelo termo “suicídio” em sua barra de pesquisa e a partir disto foi realizado a leitura crítica de cada publicação, para assim analisar se ela pertencia ao grupo de “P”, “S” ou “O”. Além disso, verificou-se em qual critério proposto pela ABP (2016) e OMS (2000) à informação daquela notícia atendia. No que se refere aos manuais da ABP (2016), OMS (2000) e PPs, foram realizados o fichamento dos assuntos lidos, utilizando-se do subtipo comentário ou analítica, buscando a compreensão e compilação dos dados obtidos (GIL, 2002). A partir das fichas, foi feito um quadro que buscou sistematizar as informações noticiadas. Colocaram-se o número de notícias encontradas e as quais critérios propostos pela OMS (2000) e ABP (2016) elas atendiam. Estes foram compilados e correspondem a 10 itens. Após a quantificação, foi realizada a análise dos dados.

Os critérios foram estabelecidos a partir da leitura dos manuais da ABP (2016) e OMS (2000). Para tanto, se realizou o fichamento destes, destacando quais informações eram apresentadas nos dois manuais, as recomendações similares foram acopladas e numeradas em um critério e as informações que apareciam em somente um dos manuais, também se tornaram parte do instrumento. No que se refere ao material de PPs e suicídio, o instrumento utilizado foi o fichamento analítico, conforme proposto por Gil (2002). Para assim, verificar como as PPs ou a ausência delas influenciaram os resultados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir dos oito sites com dados efetivamente disponíveis, foi possível analisar um total de 433 notícias. Destas, 37,4% fazem parte da categoria de prevenção, 23,3% tratavam sobre casos de suicídios e 39,3% na categoria outros, conforme apresentado no gráfico um. As notícias encontradas equivalem ao período de 2011 a outubro de 2018. Ressalta-se que todas as notícias a partir do ano 2000 seriam incluídas, mas os achados foram somente a partir de 2011. Podendo ser visualizado na figura 1.

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Figura 1: Noticias sobre suicídio no período de 2011 – Out/2018. Fonte: dados dos autores da

pesquisa (2018).

Das 37,4% de notícias que compreendem o quesito prevenção ao suicídio, 54,9% correspondem ao período do Setembro Amarelo. Assim, têm-se indicativos que a concentração de divulgação de meios sobre a prevenção está relacionada ao período da campanha. 10,5% correspondem à segunda quinzena de Agosto e são notícias referentes a programações do Setembro Amarelo. Os outros 34,6% estão distribuídos durante o restante do ano, conforme pode ser percebido na figura 2.

Figura 2: Demonstrativo do período de divulgação de noticias relacionado a prevenção 2011

– nov/2018. Fonte: dados da pesquisa (2018).

A partir dos dados a respeito do período de divulgação de notícias sobre prevenção ao suicídio, questiona-se sobre a maneira inadequada de noticiar tal ato e a pouca efetividade da prevenção realizada, inclusive na prevenção a partir dos meios midiáticos. Sendo assim, os dados da pesquisa apresentam correlação entre o período em que mais se fala de suicídio, com o mês em que mais ocorrem mortes em decorrência deste.

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ALGUNS PRIMEIROS DADOS DO AMAPÁ

No estado do Amapá, o período com maior índice de suicídio, é o mês de Setembro, segundo dados da SIM/SVS (2018), sendo este o mês com maior divulgação de notícias relacionadas ao suicídio. Portanto, questiona-se como estão sendo apresentadas à população estratégias de prevenção ao suicídio e sua efetividade. Os dados epidemiológicos referem-se à soma dos suicídios ocorridos em cada mês desde 2011, e assim, percebe-se uma sequência bimestral, conforme aponta o gráfico três, nos altos índices de suicídio no estado do Amapá: Março, Junho e Setembro.

Figura 3: Quantitativo de óbitos por suicídio no estado do Amapá 2011 - Out/2018. Fonte:

SIM/SVS (2018)

Uma das possibilidades desta característica poderia ser compreendida pela realização de práticas preventivas momentâneas e não contínuas no estado, ou seja, fala-se muito da prevenção ao suicídio e depois se “esquece”, principalmente dentro da RAPS que não apresenta estruturas contínuas de prevenção. Salienta-se que o mês de Outubro também tem uma taxa elevada, o que poderia novamente inferir sobre o falar muito do assunto e depois deixarem as pessoas desassistidas.

Outro fator de importante destaque é a faixa etária com maior índice de indivíduos que morrem por suicídio no estado do Amapá. De acordo com o SIM/SVS (2018), os casos concentram-se na faixa etária de 20 a 29 anos, totalizando 35,4% dos casos. Ao equiparar com o padrão proposto por Botega (2014) de indivíduos entre 15 e 44 anos, o Amapá apresenta 82,77% dos casos concentrados nesta faixa etária. Entre os anos de 2011 a 2018, 255 homens e 61 mulheres cometeram suicídio.

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Destaca-se que os jovens entre 15 a 25 anos são os que mais fazem uso da internet IBGE (2016), posto isso, é válido pontuar que é nesta faixa etária que se concentra um índice alto de suicídios, conforme aponta Botega (2014), SINAN (2017), SIM/SVS (2018). Portanto, tal correlação entre os dados ratifica a necessidade de compreensão da influência da mídia como fator de risco para o comportamento suicida, sobretudo entre a faixa etária de 15 a 30 anos, esta que faz parte do grupo de fatores de risco (ABP, 2016). Tais dados corroboram com as pesquisas de Pereira e Botti (2017) apud Thompsom (1999) que evidenciam os efeitos da internet no comportamento suicida principalmente entre os jovens, isto devido a maior vulnerabilidade e acesso à comunicação.

CATEGORIA PREVENÇÃO

A prevenção ao suicídio é caracterizada por ações que buscam identificar nos indivíduos os possíveis fatores de risco que podem ocasionar a tentativa dele. Sendo assim, seria possível oferecer ajuda aos indivíduos que precisarem. Logo, a comunicação preventiva auxilia na identificação dos fatores de risco, bem como a divulgação dos locais onde se pode obter ajuda (ABP, 2006; OMS, 2000).

A partir dos resultados da categoria prevenção, nota-se que uma parte dos profissionais da mídia teve acesso aos manuais disponibilizados pela ABP (2016) e OMS (2000), pois cinco dos oito sites pesquisados noticiaram uma capacitação ofertada pelo GEA, que visava informar como prevenir corretamente o suicídio, além de um dos sites que informou sobre a participação no Simpósio da Micro Rede de Atenção a Crise Suicida (2018), cujo um dos vieses abordados foi a temática mídia e suicídio.

Assim, explanam-se sobre os resultados dos critérios um, quatro, seis, nove e dez, que podem ser observados na tabela 1, estes que são caracterizados por compreenderem comportamento midiático preventivo, conforme explicado por Pereira e Botti (2017) e ABP (2016).

Tabela 1: Resultados critérios prevenção

Critério Aspecto da prevenção Resultado

1 Informou sobre a correlação da tentativa do suicídio com algum tipo de transtorno.

46,9% 4 Informaram locais em que os leitores poderiam ter ajuda. 54,9% 6 Informou sobre possíveis consequências para o indivíduo que tentou

suicídio.

4,9% 9 Possibilitou entrevistas com profissionais de saúde. 52,5% 10 Apresentou lista com sinais e alertas. 9,9%

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O critério quatro apresentou os locais mais citados no que se refere à prevenção ao suicídio, sendo estes: CVV (36%), Federação Espírita do Amapá (FEAP) (23,6%), Ministério Público do Amapá (MP-AP) (18%), RAPS (14,6%) e o aplicativo lançado no segundo semestre de 2018, S.O.S VIDA (7,9%). Neste item, é importante destacar que os principais locais citados como órgãos de referência de prevenção ao suicídio no estado são de iniciativas não governamentais.

A RAPS, apesar de ter o maior quantitativo de órgãos e ser o local indicado através das PPs de saúde para o atendimento a crise suicida (BRASIL, 2011), é o lugar que aparece com um dos menores índices de indicação no quesito prevenção. É importante frisar que no critério nove, que corresponde à possibilidade da participação de profissionais em entrevistas com a temática do suicídio, 85 das notícias da categoria prevenção divulgadas pelos sites oportunizaram a fala a profissionais da área, tal quantitativo é similar às notícias que informaram locais e onde pedir ajuda (89). Sendo assim, ratifica-se o apresentado nas pesquisas de Brandão (2015), sobre a assistência em Saúde Mental em Macapá (AP), em que os resultados indicam que os profissionais de saúde pouco conhecem as políticas de assistência relacionadas ao suicídio, apesar de acreditarem que o mesmo pode ser prevenido. Os dados demonstram o problema estrutural e de funcionamento das RAPS, justificando os resultados deste estudo que as apresenta como um dos últimos locais citados na busca de assistência da crise suicida.

O critério 6 ilustra a ineficácia da mídia ao não informar sobre as possíveis consequências da tentativa de suicídio. O objetivo seria propiciar reflexão sobre o ato, após a leitura de notícias a respeito da temática, conforme a estratégia proposta pelos manuais da ABP (2016) e OMS (2000).

O critério 10 foi um dos que apresentou um dos menores resultados, do total de 162 notícias sobre prevenção, apenas 9,9% apresentavam sinais e sintomas do comportamento suicida. Nas duas outras categorias, tal critério não apareceu em nenhuma, sendo que somente 16 (de 433) atentaram-se para este fator. Isto equivale ao que foi apresentado no critério seis, em que apenas 4,9% mostravam possíveis consequências do suicídio.

Uma melhor explanação dos critérios um, quatro, seis, nove e dez nas notícias relacionadas à prevenção podem gerar maior conscientização da sociedade a questões inerentes ao suicídio. Para isto, seria necessário que os canais midiáticos continuem propiciando aos profissionais de saúde a oportunidade da fala, não somente nas chamadas de divulgações de eventos ou durante a realização dos mesmos, mas também ao noticiar suicídio. Outro fator importante é o profissional de saúde ter conhecimento dos pontos de atendimentos locais para

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demandas de ideação suicida, seja eles governamentais ou não, e assim falar adequadamente dos locais de apoio.

Tais achados mostram que a maneira utilizada para noticiar questões inerentes ao suicídio não condizem em sua grande maioria com o que é proposto na teoria, ou seja, tem-se um distanciamento do que é proposto nos manuais e ao que é noticiado. Logo, a ausência de PPs que relacionem mídia e suicídio proporcionam aos meios de informação liberdade para publicar a respeito, por vezes colaborando para um possível efeito contagio.

Comportamento midiático pró-suicídio

O restante dos resultados da análise dos critérios que dão indícios de comportamento midiático pró-suicídio referem-se aos itens dois, três, cinco, sete e oito, conforme tabela 2. Tabela 2: Categoria prevenção análise dos critérios midiáticos pró-suicídio

Critério Aspecto pro suicídio Resultado

2 Utilizou o termo epidemia de suicídio 0% 3 Atribuiu causas ou culpados 4,3% 5 Informou o método utilizado e deu ênfase a noticia 5,6%

7 Forneceu fotos 2,5%

8 Informou o local da tentativa 3,1%

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

O critério dois da tabela acima, não estava presente em nenhuma das notícias analisadas, constatando-se expressões que podem causar similitude ao que são propostos neste quesito: sinistro social e extremo ato.

No que concerne ao critério três e cinco, apresentaram-se semelhanças do quantitativo encontrado das notícias que se encaixam neste critério. Ressalta-se que tais notícias não enfatizavam um caso específico de suicídio, mas falava de situações ocorridas no estado que envolvia a temática, como o alto índice, sexo predominante, faixa etária e os principais métodos utilizados. Também davam exemplos de comportamentos que possivelmente poderiam reforçar um indivíduo a cometer suicídio, tais como: traição, não frequentar uma religião ou término de relacionamentos. Outro padrão observado era a sequência lógica de abordagem: possíveis causas ou culpados, métodos utilizados e em seguida locais onde poderia obter ajuda.

Referente ao critério sete, apresentado na tabela dois, observou-se dois padrões ao utilizar fotos nas notícias, um relacionado ao fato da pessoa que morreu por suicídio ser alguém conhecida na sociedade e que atuou por anos em algum órgão público, e por decorrência disso foi lembrada para exemplificar possibilidade de prevenção. E a outra equivale à explicação dos itens três e cinco, em que utilizam o padrão de mostrar possíveis causas ou culpados,

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posteriormente os métodos utilizados, e aqui mostram as fotos, e em seguida locais onde poderiam obter ajuda.

O critério oito apresentou baixo quantitativo de notícias que informavam sobre locais que ocorreram suicídios e tais locais eram situados a partir da localização da cidade e posteriormente do bairro onde as pessoas moravam. Nestas situações não se tratava de casos específicos, mas de balanços mensais ou semestrais, que vinham seguidos de locais onde procurar ajuda.

Tais panoramas demostram que apesar de serem notícias enquadradas no âmbito da prevenção, elas estão estruturadas de maneira inadequada, corroborando novamente para a explicação do objetivo específico dois, a respeito de não condizer às propostas dos manuais para divulgação de notícias inerente ao suicídio com a prática de noticiar na cidade de Macapá (AP).

CATEGORIA SUICÍDIO

Foram noticiados nos sites, 101 (23,3%) casos de suicídio. Na tabela 3 constam os resultados da categoria “suicídio”.

Tabela 3:

Critério Categoria suicídio Resultado

1 Informou sobre a correlação de suicídios com transtornos. 17,8% 2 Utilizou a expressão “epidemia de suicídio” 0% 3 Atribuiu causas ou culpados 16,8% 4 Informavam onde pedir ajuda 2% 5 Informou o método utilizado e deu ênfase a notícia 92,1% 6 Mostrou possíveis consequências da tentativa 2%

7 Forneceu fotos 38,6%

8 Informou locais da tentativa 94,1% 9 Possibilitou entrevistas com profissionais de saúde 0% 10 Apresentou lista com sinais e alertas 0%

Fonte: Dados dos autores da pesquisa (2018).

A OMS (2000), ABP (2016), CFP (2013) e Botega (2015), demonstram em seus estudos a importância de compreender e identificar os fatores de risco. Percebe-se a pouca atenção que é dada a este fator. A maior parte das notícias (82,2%), não informou sobre esta relação, fator este que implica em comportamento midiático pró-suicida.

O resultado do critério três apresenta similitude quando comparado ao critério um, no que se refere à questão quantitativa. Um aspecto importante de ser observado é que das 18 notícias que informaram sobre os possíveis fatores de riscos, 11 delas atribuíram causas ou culpados, evidenciando uma ambiguidade entre o comportamento de prevenir o suicídio e o comportamento midiático pró-suicídio, conforme explicitado por Pereira e Botti (2017).

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Os critérios quatro, seis, nove e dez são caracterizados por gerarem informações midiáticas preventivas ao suicídio na internet, como os estabelecidos por Aderet (2009). Entretanto, todos eles apresentaram baixos índices (apresentados na tabela 2). Referente a isso, se questiona a responsabilidade social da mídia na função de tratar adequadamente as demandas relacionadas ao suicídio.

Os critérios cinco e oito (tabela 3) apresentam semelhança em seus resultados: conforme a classificação proposta por Pereira e Botti (2017), estes critérios compreendem uma comunicação midiática pró-suicídio, haja vista que a maneira como foram divulgadas podem corroborar com o risco do contágio de suicídio entre pessoas jovens. Como consequência da escrita inadequada nos sites, apresentação do método utilizado e os locais de tentativa de suicídio, pode-se influenciar no desenvolvimento de um possível comportamento de contágio, conforme ocorreu no suicídio de Marilyn Monroe; tal estudo postula ainda que o acesso a informações sobre métodos e locais de suicídio em websites e chats pode desenvolver efeito contágio. Pontua-se que vários adolescentes que morreram por suicídio tiveram acesso a esse tipo de conteúdo na internet (STACK, 2000 apud HWANG, 2018).

Debates sobre suicídio

Nesta categoria cabe a discussão da responsabilidade da mídia em relação à abordagem do suicídio enquanto tema social. Já foi constatado o distanciamento entre a teoria e a prática, bem como a ausência de PPs e diretrizes para mídia e suicídio. Ao se analisar o panorama de notícias sobre suicídio na cidade de Macapá (AP), percebe-se a ausência destas em alguns sites, o que possivelmente pode ser justificado a partir do mito de que falar sobre suicídio fará com que as pessoas cometam o mesmo.

Outro fator apontado acerca da responsabilidade social é o quantitativo de notícias na categoria prevenção, 162, total que não representa nem metade da amostra da pesquisa, ressaltando-se a estruturação inadequada destas veiculações. Quando se refere ao noticiamento de casos de suicídio fica mais evidente a ausência da responsabilidade social com o tema, ratificado pelos dados já apresentados.

Os estudos de Mishara e Weisstub (2007) questionam sobre o papel da ética em relação ao controle da internet, pontuando exemplos de países que apresentam leis específicas de acesso restrito ou bloqueio de determinados conteúdos, dentre eles o suicídio. O marco civil da internet no Brasil (2014) e a Constituição Federal (1988) garantem a liberdade de expressão à comunidade brasileira, mas não garante adequado padrão de divulgação de casos de suicídio.

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CATEGORIA OUTROS

Tal categoria não apresentou dados relevantes para esta pesquisa, visto que as informações contidas nestas notícias não se relacionavam a questões inerentes ao suicídio, seja do ato ou prevenção.

AS POLÍTICAS PÚBLICAS E O SUICÍDIO

O estado do Amapá e a capital Macapá não possuem diretrizes locais para ações estratégicas para a prevenção e posvenção do suicídio. Tal achado é oriundo das buscas realizadas no site do GEA, ALAP, PMM e na Câmara Municipal de Macapá, utilizando-se as palavras “Diretrizes Estaduais sobre suicídio” e “Diretrizes Municipais sobre o suicídio”.

Ao pesquisar somente “suicídio” no site da câmara dos vereadores e da ALAP, encontraram-se notícias que se inclinam a ações realizadas no estado, concentrando-se na capital. No município, percebe-se que todas as ações foram situações pontuais, sem propostas de continuidade de intervenções (ver tabela 4). A falta disso pode ser um das variáveis que justifique o desconhecimento e desqualificação por parte dos profissionais a respeito dos locais que realizam atendimento a esta demanda na RAPS (BRANDÃO, 2015).

Tabela 4: Informações encontradas ao pesquisador o termo “suicídio” no site da ALAP e Câmara dos Vereadores

Sites Informações encontradas

Câmara dos Vereadores da prefeitura de Macapá

• Audiência pública Depressão e suicídio.

• Vereador organiza roda de conversa para debater suicídio. • Projeto de lei visa a implantação de medidas de prevenção

ao suicídio nas escolas públicas. • Defesa dos direitos das mulheres.

• Vereadores jovens se reúnem para debater sobre os problemas da cidade

Assembleia Legislativa do Amapá

• Audiências públicas, algumas que resultaram em práticas efetivas.

• Criação do plantão Psicológicos 24h no Hospital de Emergências.

• Aplicativo SOS Vida.

• Instituição da Semana pela Vida.

• Projeto de adesão do estado do Amapá a Campanha Setembro Amarelo.

Fonte: site da ALAP e Câmara dos Vereadores de Macapá (AP) (2018)

O estado não apresenta nenhuma PP que relacione a temática mídia e suicídio, e também não apresenta estratégias de intervenção com profissionais da mídia. O que se encontrou foram situações isoladas, uma formação no mês de Março de 2018 e uma mesa redonda no mês de Setembro de 2018. Outro ponto questionável é a ausência de uma

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comunicação efetiva e eficiente na prevenção, inclusive nos canais de comunicação governamentais. Nestes também não constam notícias contínuas que tratem a respeito disso, inclusive informando local onde é possível ser atendido. Portanto, questiona-se a negligência para com esse viés, mídia e suicídio, sendo que as diretrizes nacionais apontam como importante papel o dos meios de comunicação para apoiar à prevenção e o tratamento humanizado dos casos de tentativas de suicídio.

Evidenciando-se o comportamento midiático pró-suicida, atenta-se ao perigo disso frente ao disposto no código penal brasileiro que pondera a instigação ao ato como crime (BRASIL, 1940).Uma diretriz local seria eficiente em decorrência de atender as especificidades da realidade da sociedade daqui, além de estabelecer diretrizes midiáticas que visem focar nas potencialidades apresentadas e modelar o comportamento midiático pró-suicida visando um comportamento preventivo, isto tudo a partir de estratégias de longo prazo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao tratar do suicídio, fez-se um levantamento quantitativo dos dados a nível nacional, estadual e municipal de Macapá (AP) para compreensão da realidade de onde se fala. Enfatizaram-se os principais fatores de risco do suicídio citados na literatura, e assim foi possível traçar o perfil deste local, naquilo que foi possível, sobre a realidade dos óbitos por suicídio, incluindo registros oficiais dos órgãos de saúde.

Logo, perceberam-se três categorias para classificar a mídia em relação ao suicídio, sendo elas: comunicação online; comunicação online preventiva; e comunicação online pró-suicida. Sendo assim, notou-se uma ambiguidade entre no comportamento midiático preventivo e pró-suicida. Tal fato é justificado a partir de um distanciamento entre o que é proposto pelos manuais de orientações aos profissionais de mídia com aquilo que é colocado em prática ao se redigir uma notícia. A falta de PPs que envolvam tal temática, seja no estado ou no município possibilita aos sites jornalísticos liberdade para publicar o que quiserem, sem haver medidas específicas que possam coibir tal ato.

Destaca-se que além do Município e do Estado não apresentarem um plano ou estratégias de intervenção com profissionais de mídias em longo prazo, os seus canais de comunicação, sites da prefeitura e governo, não informam possíveis pontos de atendimento pela RAPS, negligenciando informações em relação a locais que oferecem ajuda na prevenção do suicídio. O governo não oferece formação e processos interventivos com os profissionais de

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mídia em longo prazo, contudo percebe-se que uma parcela, a qual o estudo não permitiu delimitar quantidade, dos profissionais tem conhecimento dos manuais disponíveis: OMS (2000) e ABP (2016), não fazendo uso deles.

Esta pesquisa é importante para traçar possíveis pontos estratégicos de intervenção com os profissionais da mídia, já que agora se tem o padrão utilizado por eles, sendo possível reforçar aquilo que for bom e adaptar os comportamentos midiáticos inadequados para comportamentos adequados e reforçadores para os indivíduos em fatores de risco buscar ajuda isto através dos locais fornecidos pelos meios informacionais.

É possível considerar que meios mais efetivos e adequados de prevenção seriam possíveis relações protetoras para indivíduos que se encontram em sofrimento psíquico. A facilidade do acesso à informação de locais onde se pode ter auxílio profissional, o seu endereço detalhado e o telefone de contato são meios que quando divulgados poderiam ajudar a gerar um comportamento midiático preventivo. Esses indicadores podem facilitar o acesso a informações necessárias apresentando-se no corpo da notícia. Os critérios que se encaixam como preventivos, e então a assistência ao suicídio não seriam mais compreendidas como unilateral, partindo somente dos órgãos que tem profissionais de saúde, mas sim pluricêntrica, ou seja, compreendida como responsabilidade de todos.

Salienta-se a ausência do impacto da comunicação online pró-suicida nos familiares de pessoas vítimas de suicídio, ademais outro fator importante para ampliar o conhecimento da realidade local é saber por quais meios às pessoas tem acesso a informação dos atendimentos profissionais a esta demanda e se os locais de atendimentos divulgam seus serviços.

Portanto, em uma sociedade que a cada dia é mais midiática, sendo mais digital, faz-se necessário compreender a influência deste processo no comportamento suicida, e assim criar possíveis estratégias de prevenção, junto às diversas categorias profissionais, inclusive os profissionais da mídia.

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REFERÊNCIAS

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