REVISÃO DA AULA PASSADA: REVISÃO DA AULA PASSADA:
Estamos analisando a teoria geral do crime, já vimos os três substratos do crime (fato Estamos analisando a teoria geral do crime, já vimos os três substratos do crime (fato típico, ilicitude e culpabilidade). Estamos destrinchando o fato típico (conduta, resultado, nexo e típico, ilicitude e culpabilidade). Estamos destrinchando o fato típico (conduta, resultado, nexo e tipicidade). Estou concentrando a aula em conduta. E o que já vimos? Conceito de conduta (que tipicidade). Estou concentrando a aula em conduta. E o que já vimos? Conceito de conduta (que varia conforme a teoria adotada), causas de exclusão da conduta (são quatro) e começamos a varia conforme a teoria adotada), causas de exclusão da conduta (são quatro) e começamos a analisar espécies de conduta. Começamos a ver conduta dolosa e culposa. Vamos ver hoje erro analisar espécies de conduta. Começamos a ver conduta dolosa e culposa. Vamos ver hoje erro de tipo e na próxima aula, terminamos com ação e omissão.
de tipo e na próxima aula, terminamos com ação e omissão.
Quando eu falei de crime culposo, falei da previsão legal (art. 18, II, do Código Penal). Quando eu falei de crime culposo, falei da previsão legal (art. 18, II, do Código Penal). Depo
Depois, eu is, eu dei um dei um concconceito extenseito extenso, mas o, mas dei uma dica, Código Penal Militar (art. 33, dei uma dica, Código Penal Militar (art. 33, II II – traz– traz conceito doutrinário aprofundado).
conceito doutrinário aprofundado). Falei dos elementos da culpa: Falei dos elementos da culpa:
1º elemento:1º elemento: condutaconduta
2º elemento:2º elemento: violação de um dever de cuidado objetivoviolação de um dever de cuidado objetivo. Há três formas de violar . Há três formas de violar
um dever de cuidado objetivo: imprudência, negligência ou imperícia, as chamadas um dever de cuidado objetivo: imprudência, negligência ou imperícia, as chamadas modalidades
modalidades da culpada culpa. . Parei aqui.Parei aqui.
O terceiro elemento da conduta culposa, do
O terceiro elemento da conduta culposa, do crime culposo é:crime culposo é:
33.. RReessuullttaaddoo – Não há crime culposo sem resultado naturalístico. Que conclusão vcs– Não há crime culposo sem resultado naturalístico. Que conclusão vcs podem extrair
podem extrair quando eu quando eu digo que digo que não há não há crime crime culposo sem culposo sem resultado naturalístico? resultado naturalístico? Que Que todotodo crime culposo é crime:
crime culposo é crime: material, formal ou de material, formal ou de mera conduta? Vamos fazer essa lembrança:mera conduta? Vamos fazer essa lembrança:
Crime material Crime material – Aqui, o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. O – Aqui, o tipo penal descreve conduta + resultado naturalístico. O
resultado naturalístico é
resultado naturalístico é indispensáveindispensável para l para a consumação.a consumação.
Crime formal Crime formal – – Aqui, Aqui, o o tipo tipo penal descreve penal descreve conduta + conduta + resultado naturalístico. resultado naturalístico. AA
diferença é que no formal,
diferença é que no formal, o resultado naturalístico é dispensável, ocorrendo meroo resultado naturalístico é dispensável, ocorrendo mero exaurimento. Por quê? Porque esse crime se consuma no momento da conduta, exaurimento. Por quê? Porque esse crime se consuma no momento da conduta, com a simples prática da conduta. Por isso é chamado de crime de consumação com a simples prática da conduta. Por isso é chamado de crime de consumação antecipada. Ele tem resultado naturalístico? Tem. Mas é dispensável. Ele já está antecipada. Ele tem resultado naturalístico? Tem. Mas é dispensável. Ele já está consumado com a simples conduta. Por exemplo? Extorsão, extorsão mediante consumado com a simples conduta. Por exemplo? Extorsão, extorsão mediante sequestro, concussão, crimes contra a
sequestro, concussão, crimes contra a honra.honra.
Crime de mera condutaCrime de mera conduta – Aqui, – Aqui, o tipo o tipo penal descreve uma mera penal descreve uma mera conduta.conduta.
Não
Não tem tem resultado naturalístico. resultado naturalístico. Por Por exemplo, violação exemplo, violação de de domicílio, omissão domicílio, omissão dede socorro, etc.
socorro, etc.
Se vocês compreenderam isso, presta atenção: eu comentei que o crime culposo tem Se vocês compreenderam isso, presta atenção: eu comentei que o crime culposo tem como elemento o resultado naturalístico. Não existe crime culposo sem isso. Se é indispensável como elemento o resultado naturalístico. Não existe crime culposo sem isso. Se é indispensável para o
para o crime culposo o crime culposo o resultado naturalístico, qual resultado naturalístico, qual é o é o crime em crime em que o que o resultado naturalístico éresultado naturalístico é in
indidispspenensásávevel? l? O O crcrimime e mmatatereriaial. l. EnEntãtão o vovocêcês s vãvão o vever r ququee totodo do crcrimime e cuculplpososo o é,é, necessaria
necessariamente, mente, material.material. Exceção
Exceção: Tem mais de uma, mas vou falar só de uma. Eu quero um crime culposo que: Tem mais de uma, mas vou falar só de uma. Eu quero um crime culposo que não seja material e que dispense o resultado naturalístico. Ele se consuma com a mera conduta. não seja material e que dispense o resultado naturalístico. Ele se consuma com a mera conduta. Alguém sabe? Art. 38, da Lei de Drogas (Lei 11.343/06).
“Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, “Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem
sem que delas que delas necessite necessite o paciente, o paciente, ou fazê-lo ou fazê-lo em em doses doses excessivasexcessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena -detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) dias-multa.”
(cinqüenta) a 200 (duzentos) dias-multa.”
O médico receita uma droga em dose excessiva. O crime se consuma na hora da O médico receita uma droga em dose excessiva. O crime se consuma na hora da prescrição.
prescrição. Dispensa Dispensa resultado resultado naturalístico. naturalístico. O O médico médico receitou receitou a a dose dose errada errada ou ou de de formaforma excessiva? O crime já está consumado na hora que o paciente segura a receita. Dispensa o excessiva? O crime já está consumado na hora que o paciente segura a receita. Dispensa o paciente faze
paciente fazer uso da droga. Esr uso da droga. Esta observação sta observação só vocês vão teó vocês vão ter:r: “O
“O arart. t. 3838, , da da LeLei i 1111.3.34343/0/06 6 é é umuma a exexceceçãção, o, pupuninindndo o a a cuculplpa a sesem m reresusultltadadoo naturalístico.”
naturalístico.”
A culpa, além da conduta, da violação de um dever de cuidado objetivo e resultado, a A culpa, além da conduta, da violação de um dever de cuidado objetivo e resultado, a culpa tem um quarto
culpa tem um quarto elemento:elemento:
44.. NNeexxo co caauussaal el ennttrre a e a ccoonndduuta ta e o e o rreessuullttaaddoo – A sua conduta negligente tem que– A sua conduta negligente tem que ser a causa do r
ser a causa do resultado.esultado. Além de disso: Além de disso:
55.. PPrreevviissiibbiilliiddaaddee– O resultado deve estar abrangido pela previsibilidade do – O resultado deve estar abrangido pela previsibilidade do agente,agente, is
isto to é, é, pepela la popossssibibililididadade e de de coconhnhececer er o o peperirigogo. . NãNão o se se coconfnfununde de cocom m prprevevisisãoão. . IsIsso so éé importante! Previsibilidade é potencialidade, possibilidade de conhecimento do perigo. Já a importante! Previsibilidade é potencialidade, possibilidade de conhecimento do perigo. Já a previsão, vc co
previsão, vc conhece o perigo.nhece o perigo. Pergunta de concurso:
Pergunta de concurso: “Qual é a espécie de crime culposo que não tem esse elemento?”“Qual é a espécie de crime culposo que não tem esse elemento?” tem uma espécie de crime culposo que tem conduta, violação de um dever de cuidado objetivo, tem uma espécie de crime culposo que tem conduta, violação de um dever de cuidado objetivo, resultado, nexo, mas não tem a previsibilidade. A culpa consciente não tem previsibilidade. A resultado, nexo, mas não tem a previsibilidade. A culpa consciente não tem previsibilidade. A culpa consciente tem previsão. A culpa consciente, mais do que previsibilidade, tem previsão, culpa consciente tem previsão. A culpa consciente, mais do que previsibilidade, tem previsão, mais do que a
mais do que a mera possibilidade de conhecer o perigo ele mera possibilidade de conhecer o perigo ele efetivamente conhece o perigo.efetivamente conhece o perigo. 66.. TTiippiicciiddaaddee – É o último elemento do crime culposo. Art. – É o último elemento do crime culposo. Art. 18, § único, do CP:18, § único, do CP:
“Pará
“Parágrafo grafo únicoúnico - - SaSalvlvo o os os cacasosos s exexprpresessosos s em em lelei,i, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.”
quando o pratica dolosamente.”
Isto é, no silêncio, o crime é punido a título de dolo. Quando o legislador quer punir a Isto é, no silêncio, o crime é punido a título de dolo. Quando o legislador quer punir a forma culposa, ele o faz
forma culposa, ele o faz expressamenteexpressamente..
Se te perguntassem: crime culposo ofende o princípio da legalidade (prova oral TRF 3ª Se te perguntassem: crime culposo ofende o princípio da legalidade (prova oral TRF 3ª Região)? Na segunda aula, eu falei de tipo completo e tipo incompleto. E como subespécies do Região)? Na segunda aula, eu falei de tipo completo e tipo incompleto. E como subespécies do tipo incompleto, eu comentei: normas penais em branco e os tipos abertos. A norma penal em tipo incompleto, eu comentei: normas penais em branco e os tipos abertos. A norma penal em branco
branco depende depende de de um um complemento complemento normativo, normativo, já já os os tipos tipos abertos abertos dependem dependem de de umum complemento valorativo, que é dado pelo juiz. O exemplo está aqui: o crime culposo é um complemento valorativo, que é dado pelo juiz. O exemplo está aqui: o crime culposo é um exemplo de tipo aberto. Quem vai valorar e completar o tipo penal é o juiz analisando o caso exemplo de tipo aberto. Quem vai valorar e completar o tipo penal é o juiz analisando o caso
concreto. Quem vai analisar que houve negligência é o juiz analisando o caso concreto. O tipo concreto. Quem vai analisar que houve negligência é o juiz analisando o caso concreto. O tipo não diz o que é imprudência, negligência ou imperícia. É o juiz que vai dizer. Então é preciso o não diz o que é imprudência, negligência ou imperícia. É o juiz que vai dizer. Então é preciso o comp
complemenlemento to valovalorativrativo. Perguntoo. Pergunto: : fere o fere o princprincípio da legalidaípio da legalidade? de? O princípio da legalidaO princípio da legalidadede exige anterioridade (lei anterior), exige lei escrita, exige lei certa e, mais, necessária. Estão exige anterioridade (lei anterior), exige lei escrita, exige lei certa e, mais, necessária. Estão lembrados disso? Vou refazer a pergunta: quando eu digo que o crime culposo é um tipo aberto, lembrados disso? Vou refazer a pergunta: quando eu digo que o crime culposo é um tipo aberto, depende de complemento valorativo dado pelo juiz, isso ofende algum desses subprincípios do depende de complemento valorativo dado pelo juiz, isso ofende algum desses subprincípios do princípio
princípio da da legalidade? legalidade? Será Será não não que que ofende ofende o o mandado mandado de de certeza certeza ou ou o o princípio princípio dada taxatividade? Vcs estão percebendo onde eu quero chegar? Eu afirmei que o
taxatividade? Vcs estão percebendo onde eu quero chegar? Eu afirmei que o crime culposo é umcrime culposo é um exemplo de tipo aberto, em que o complemento não é dado pelo examinador, mas pelo juiz, exemplo de tipo aberto, em que o complemento não é dado pelo examinador, mas pelo juiz, analisando o caso concreto. Anotem a resposta:
analisando o caso concreto. Anotem a resposta: “O crime culposo, apesar de aberto (ação não“O crime culposo, apesar de aberto (ação não det
determierminadnada a leglegalmalmentente), e), não não fere fere o o priprincíncípio pio da da leglegalialidaddade, e, poipois s concontém tém um um mínmínimo imo dede determinação legal.”
determinação legal.”
ESPÉCIES de crime culposoESPÉCIES de crime culposo
Eu vou começar pelas
Eu vou começar pelas duas espécies famosas:duas espécies famosas: 1.
1. Culpa CONSCIENTE ou culpa COM PREVISÃOCulpa CONSCIENTE ou culpa COM PREVISÃO – O agente prevê – O agente prevê o resultadoo resultado decidindo prosseguir com sua conduta, acreditando não ocorrer ou que pode evitá-lo com sua decidindo prosseguir com sua conduta, acreditando não ocorrer ou que pode evitá-lo com sua habilidade.
habilidade. 2.
2. Culpa INCONSCIENTE ou culpa SEM PREVISÃOCulpa INCONSCIENTE ou culpa SEM PREVISÃO – – O O agente agente não não prevê prevê oo resultado que, entretanto, lhe era inteiramente previsível. Mas existia a previsibilidade, ou seja, resultado que, entretanto, lhe era inteiramente previsível. Mas existia a previsibilidade, ou seja, a possibilidade de prever.
a possibilidade de prever. 3.
3. Culpa PRÓPRIA ou PROPRIAMENTE DITACulpa PRÓPRIA ou PROPRIAMENTE DITA – – Gênero do Gênero do qual qual são espécies são espécies aa culpa consciente e a culpa consciente e a culpa inconsciente. O agente, com sua conduta, não culpa consciente e a culpa consciente e a culpa inconsciente. O agente, com sua conduta, não quer, e nem assume o risco de produzir o resultado.
quer, e nem assume o risco de produzir o resultado. 4.
4. Culpa IMPRÓPRIA ou POR EXTENSÃO ou POR EQUIPARAÇÃO ou PORCulpa IMPRÓPRIA ou POR EXTENSÃO ou POR EQUIPARAÇÃO ou POR ASSIMILAÇÃO
ASSIMILAÇÃO – Exemplo: estou – Exemplo: estou na rua, atravessa a na rua, atravessa a rua o marginal rua o marginal vem na minha vem na minha direção, edireção, e coloca a mão no bolso. Eu penso que vai me matar. Tiro a minha arma primeiro e dou um tiro. coloca a mão no bolso. Eu penso que vai me matar. Tiro a minha arma primeiro e dou um tiro. Eu atirei para matar? A minha vontade era que ele morresse ou não? Sim. Ele cai e morre. Eu atirei para matar? A minha vontade era que ele morresse ou não? Sim. Ele cai e morre. Nesse
Nesse caso, caso, o o art. art. 20, 20, § § 1º, 1º, diz diz o o seguinte: seguinte: neste neste caso, caso, eu eu que que imaginava imaginava estar estar agindo agindo emem legítima defesa, mas errei, foi uma legitima defesa fantasiada, putativa, neste caso, o 1º diz o legítima defesa, mas errei, foi uma legitima defesa fantasiada, putativa, neste caso, o 1º diz o seguinte:
seguinte:
“§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente “§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado
justificado pelas pelas circunstâncias, circunstâncias, supõe supõe situação situação de de fato fato que, que, sese existisse, tornaria a
existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena ação legítima. Não há isenção de pena quandoquando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.” o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo.” Eu dei o tiro para matar. A minha vontade era matar. Mas vou ser punido a título de Eu dei o tiro para matar. A minha vontade era matar. Mas vou ser punido a título de culpa. Na verdade é uma culpa punindo um
culpa. Na verdade é uma culpa punindo um crime doloso. Por isso é chamada de crime doloso. Por isso é chamada de culpa imprópriaculpa imprópria porque é uma c
porque é uma culpa apenas pulpa apenas por razões de políticor razões de política criminal.a criminal.
“Culpa imprópria é aquela em que o agente, por erro, fantasia situação de
“Culpa imprópria é aquela em que o agente, por erro, fantasia situação de fato, supondofato, supondo estar acobertado por causa excludente da ilicitude (caso de descriminante putativa) e, em razão estar acobertado por causa excludente da ilicitude (caso de descriminante putativa) e, em razão
disso, provoca intencionalmente o resultado ilícito, evitável. Apesar de a ação ser dolosa, o disso, provoca intencionalmente o resultado ilícito, evitável. Apesar de a ação ser dolosa, o agente responde por culpa por razões de política criminal.”
agente responde por culpa por razões de política criminal.” Em apertada síntese, é o art. 20, § 1º, 2ª
Em apertada síntese, é o art. 20, § 1º, 2ª parte.parte.
Qual é a diferença de culpa consciente e dolo eventual? Vamos analisar essas quatro Qual é a diferença de culpa consciente e dolo eventual? Vamos analisar essas quatro modalidades sob o aspecto da consciência e da vontade.
modalidades sob o aspecto da consciência e da vontade.
No caso do dolo d No caso do dolo direto, ele prevê o resultaireto, ele prevê o resultado e quer realizá-lo. Prevê e do e quer realizá-lo. Prevê e quer. Isso équer. Isso é
dolo direto. dolo direto.
No No caso caso do do dolo dolo eventual. Se eventual. Se é é dolo, dolo, ele ele prevê, mas prevê, mas se diferencia se diferencia do do dolo diretodolo direto
porque
porque ele ele não não quer. quer. Ele Ele assume assume o o risco. risco. Só Só nas nas duas duas primeiras primeiras hipóteses hipóteses você você jájá consegue diferenciar dolo direto e dolo eventual. Os dois têm consciência. Mas com consegue diferenciar dolo direto e dolo eventual. Os dois têm consciência. Mas com intensidades diferentes.
intensidades diferentes.
E a culpa consciente, também chamada de culpa com previsão? Ele prevê. Aqui,E a culpa consciente, também chamada de culpa com previsão? Ele prevê. Aqui,
diferente do dolo direto e do dolo eventual, ele não quer e nem
diferente do dolo direto e do dolo eventual, ele não quer e nem aceita produzir.aceita produzir.
E a culpa inconsciente? É também chamada de culpa sem previsão, porém éE a culpa inconsciente? É também chamada de culpa sem previsão, porém é
previsível. Qual
previsível. Qual é é a a diferença entre diferença entre dolo dolo eventual eventual e e culpa culpa inconsciente? A inconsciente? A diferençadiferença não está no campo da consciência, mas da vontade. É exatamente essa diferença que a não está no campo da consciência, mas da vontade. É exatamente essa diferença que a doutrina diz que é nebulosa e que promotor e advogado ficam se digladiando e o juiz doutrina diz que é nebulosa e que promotor e advogado ficam se digladiando e o juiz vai ter que decidir.
vai ter que decidir.
Vamos discutir alguns casos que a mídia
Vamos discutir alguns casos que a mídia divulgou:divulgou:
Alexandre Pires – Tomou todas. Atropelou e matou um traficante. Dirigindo
Alexandre Pires – Tomou todas. Atropelou e matou um traficante. Dirigindo embriagado,embriagado, ele agiu com dolo ou culpa? O MP/MG denunciou o Alexandre Pires por dolo e homicídio ele agiu com dolo ou culpa? O MP/MG denunciou o Alexandre Pires por dolo e homicídio qualificado. O promotor entendeu que ele, dirigindo
qualificado. O promotor entendeu que ele, dirigindo embriagado, ele previu o resultado e, apesar embriagado, ele previu o resultado e, apesar de não querer, assumiu o risco. Dolo eventual. O juiz desclassificou para culpa. E é culpa de não querer, assumiu o risco. Dolo eventual. O juiz desclassificou para culpa. E é culpa mesmo! Dolo é exagero.
mesmo! Dolo é exagero.
Racha – Competição não autorizada de competição entre veículos automotores em via Racha – Competição não autorizada de competição entre veículos automotores em via pública. Uma morte oriunda de um racha, é homicídio doloso ou culposo? Edinho, filho do Pelé, pública. Uma morte oriunda de um racha, é homicídio doloso ou culposo? Edinho, filho do Pelé, fazia isso. Matou uma pessoa em razão dessa disputa. Foi denunciado por homicídio doloso. O fazia isso. Matou uma pessoa em razão dessa disputa. Foi denunciado por homicídio doloso. O juiz
juiz mandou à mandou à júri. júri. É É posição doposição do STJ: Racha, dolo eventualSTJ: Racha, dolo eventual. E de várias procuradorias-gerais. E de várias procuradorias-gerais de Justiça. Vc que participa de
de Justiça. Vc que participa de racha, assume o risco de matar racha, assume o risco de matar alguém.alguém. O dolo eventual é o
O dolo eventual é o “foda-se!”, a culpa consciente é o “foda-se!”, a culpa consciente é o “fodeu!”“fodeu!”
Existe no direito penal compensação de culpa? O agente foi negligente e a vítima Existe no direito penal compensação de culpa? O agente foi negligente e a vítima também. Nesse caso, cabe compensação de culpa, como acontece no direito civil? No direito também. Nesse caso, cabe compensação de culpa, como acontece no direito civil? No direito penal,
penal, não. não. A A culpa culpa concorrente concorrente da da vítima vítima não não exclui exclui a a responsabilidadresponsabilidade e do do agente, agente, não não sese compensa culpa no direito penal, mas
compensa culpa no direito penal, mas a culpa concorrente pode atenuar a responsabilidadea culpa concorrente pode atenuar a responsabilidade penal do agente
penal do agente (art. 59, do Código Penal):(art. 59, do Código Penal):
“Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à “Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à co
condndututa a sosocicialal, , à à pepersorsonanalilidadade de do do agagenente, te, aoaos s momotitivovos, s, àsàs ci
co
compmporortatamementnto o da da vívítitimama , , estabelecerá, estabelecerá, conforme conforme sejaseja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:” necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:” Então, vejam que comportamento da vítima pode influenciar
Então, vejam que comportamento da vítima pode influenciar na fixação da pena-base.na fixação da pena-base. Vimos o crime doloso, o
Vimos o crime doloso, o crime culposo, agora vamos ao preterdoloso.crime culposo, agora vamos ao preterdoloso.
cc ) ) Crime PRETERDOLOSOCrime PRETERDOLOSO
•
• PREVISÃO LEGALPREVISÃO LEGAL
Art. 19, do CP: Art. 19, do CP:
““ Agravação p Agravação pelo resultadoelo resultado Art.
Art. 1919 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena,- Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só
só responde responde o o agente agente que que o o houver houver causado causado ao ao menosmenos culposamente.”
culposamente.”
•
• CONCEITO de crime preterdolosoCONCEITO de crime preterdoloso
O crime preterdoloso é espécie de crime agravado pelo resultado. Temos que lembrar O crime preterdoloso é espécie de crime agravado pelo resultado. Temos que lembrar disso. O crime pode
disso. O crime pode ser agravado pelo resultado de quatro maneiras, segundo a doutrina:ser agravado pelo resultado de quatro maneiras, segundo a doutrina: 11.. CCririmme de doolloosso ao aggrraavvaaddo do doolloossaammeennttee
22.. CCririmme ce cuullppoosso o aaggrraavvaaddo o ppeella a ccuullppaa 33.. CCririmme e ccuullppoosso o aaggrraavvaaddo o ppeello o ddoolloo
44.. CCrriime me ddoolloosso ao aggrraavvaaddo co cuullppoossaamemennttee Eu falei que o preterdoloso é uma espécie. Eu ainda não disse qual. Eu falei que o preterdoloso é uma espécie. Eu ainda não disse qual.
Quem me dá exemplo de um crime doloso agravado dolosamente? Latrocínio. Você que Quem me dá exemplo de um crime doloso agravado dolosamente? Latrocínio. Você que acha que latrocínio é só
acha que latrocínio é só preterdoloso, não.preterdoloso, não.
Quem me dá um exemplo de crime culposamente agravado culposamente? Incêndio Quem me dá um exemplo de crime culposamente agravado culposamente? Incêndio culposo. Ele é agravado se ocorre morte
culposo. Ele é agravado se ocorre morte culposa de alguém.culposa de alguém. Cri
Crime me culculposposo o agragravaavado do doldolosaosamementente: : HomHomicíicídio dio cuculpolposo so no no CódCódigo igo de de TrâTrânsinsitoto Brasileiro, agravado dolosamente pela omissão de
Brasileiro, agravado dolosamente pela omissão de socorro.socorro.
E quem me dá um crime doloso agravado culposamente? Lesão corporal seguida de E quem me dá um crime doloso agravado culposamente? Lesão corporal seguida de morte, latrocínio também pode ser um exemplo. Somente esta quarta espécie, de crime agravado morte, latrocínio também pode ser um exemplo. Somente esta quarta espécie, de crime agravado pelo resultado
pelo resultado é que é que é chamado é chamado de preterdolo de preterdolo ou preterdoloso. ou preterdoloso. Por quê? Por quê? É um É um misto de misto de dolo nadolo na conduta e culpa no resultado.
conduta e culpa no resultado. Preterdolo = d
Depois que eu dei a previsão legal de
Depois que eu dei a previsão legal de dolo e o conceito de dolo, eu, dolo e o conceito de dolo, eu, em seguida expliqueiem seguida expliquei o quê? Os elementos do dolo. Depois que eu dei a
o quê? Os elementos do dolo. Depois que eu dei a previsão da culpa e o conceito da culpa, eu deiprevisão da culpa e o conceito da culpa, eu dei o quê? A doutrina dá a previsão e o conceito de preterdolo, mas omite os elementos. Só o seu o quê? A doutrina dá a previsão e o conceito de preterdolo, mas omite os elementos. Só o seu caderno vai ter isso.
caderno vai ter isso.
•
• ELEMENTOS de crime preterdolosoELEMENTOS de crime preterdoloso
Quais são os elementos do preterdolo? São tr Quais são os elementos do preterdolo? São três:ês:
11.. CoCondndututa da dololoosa visa visasandndo do deetetermrmininadado reo ressulultataddoo 2.
2. PrProvovococaçação ão de de reresusultltadado co cululpoposo so mamais is grgravave de do qo que ue o do desesejejadadoo 33.. NeNexo xo ccauausasal l eenntrtre e ccononduduta ta e e reressulultataddoo
Não tem como errar.
Não tem como errar. Exemplo clássico: lesão corporal seguida de morte. Exemplo clássico: lesão corporal seguida de morte. Conduta dolosaConduta dolosa visando determinado resultado: lesão corporal. Provocação de resultado mais grave do que o visando determinado resultado: lesão corporal. Provocação de resultado mais grave do que o desejado: morte. Tem nexo causal? Sim.
desejado: morte. Tem nexo causal? Sim.
Vejam bem: o resultado mais grave do que o desejado tem que ser a título de culpa. Não Vejam bem: o resultado mais grave do que o desejado tem que ser a título de culpa. Não pode ser fruto de c
pode ser fruto de caso fortuito ou força maso fortuito ou força maior.aior.
Eu estou numa boate. Eu vou brigar com alguém. Dou um soco. A pessoa bate com a Eu estou numa boate. Eu vou brigar com alguém. Dou um soco. A pessoa bate com a cabeça na quina e morre. Eu respondo pelo quê? Eu dei um soco querendo a lesão. Ocorreu a cabeça na quina e morre. Eu respondo pelo quê? Eu dei um soco querendo a lesão. Ocorreu a morte, resultado mais grave do que eu queria. Esse resultado pode ser imputado a
morte, resultado mais grave do que eu queria. Esse resultado pode ser imputado a mim a título demim a título de culpa? Era possível prever o perigo daquela conduta? Sim (a boate estava cheia de gente e cheia culpa? Era possível prever o perigo daquela conduta? Sim (a boate estava cheia de gente e cheia de mesas). Se era previsível, existe culpa e eu vou responder por lesão corporal seguida de de mesas). Se era previsível, existe culpa e eu vou responder por lesão corporal seguida de morte.
morte.
Obs.: A aluna questionou esse exemplo, dizendo que não dá para concluir com tanta Obs.: A aluna questionou esse exemplo, dizendo que não dá para concluir com tanta segurança que era previsível, já que ninguém pode imaginar que de um soco, o cara vai bater a segurança que era previsível, já que ninguém pode imaginar que de um soco, o cara vai bater a cabeça na quina da mesa. Resposta do professor: você não pode confundir previsibilidade com cabeça na quina da mesa. Resposta do professor: você não pode confundir previsibilidade com previsão. Previsão
previsão. Previsão é pensar é pensar que o que o outro outro vai bater vai bater a cabeça a cabeça e e morrer. Previsibilidade morrer. Previsibilidade é: quem é: quem dádá um soco numa boate, lotada de mesas em volta, pode não ter previsto, mas era possível prever um soco numa boate, lotada de mesas em volta, pode não ter previsto, mas era possível prever que isso fosse acontecer.
que isso fosse acontecer.
Luta marcial. O sujeito leva um chute e morre porque em decorrência do chute, bateu Luta marcial. O sujeito leva um chute e morre porque em decorrência do chute, bateu com a cabeça em um prego que havia no tatame. Era previsível que num tatame houvesse um com a cabeça em um prego que havia no tatame. Era previsível que num tatame houvesse um prego?
prego? Não. Não. Então Então o o que que bateu bateu vai vai responder responder somente somente pela pela lesão. lesão. Essa Essa morte morte não não pode pode ser ser imputada a ele a título de culpa. Se foi culposa, lesão seguida de morte. Se não, responde só por imputada a ele a título de culpa. Se foi culposa, lesão seguida de morte. Se não, responde só por lesão.
lesão.
Eu discuto com alguém e dou um empurrão nessa pessoa. Ela se desequilibra, cai, bate a Eu discuto com alguém e dou um empurrão nessa pessoa. Ela se desequilibra, cai, bate a cabeça e morre. A conduta foi dolosa? Sim. O resultado era previsível ou não? Era. Conduta cabeça e morre. A conduta foi dolosa? Sim. O resultado era previsível ou não? Era. Conduta dolosa, resultado previsível (conduta preterdolosa) por qual crime eu respondo? Lesão corporal dolosa, resultado previsível (conduta preterdolosa) por qual crime eu respondo? Lesão corporal seguida de morte? Não. Empurrão não é lesão corporal, é “vias de fato”. E no exemplo, trata-se seguida de morte? Não. Empurrão não é lesão corporal, é “vias de fato”. E no exemplo, trata-se de vias de fato seguida de morte que não tem previsão legal. O exemplo é de homicídio culposo. de vias de fato seguida de morte que não tem previsão legal. O exemplo é de homicídio culposo.
Lesão seguida de morte é crime preterdoloso previsto no art. 129, §3º. Vias de fato – Lesão seguida de morte é crime preterdoloso previsto no art. 129, §3º. Vias de fato – contravenção penal prevista no art. 21 – seguida de morte, não tem previsão legal específica. contravenção penal prevista no art. 21 – seguida de morte, não tem previsão legal específica. Então o crime do
Então o crime do exemplo é o do art. exemplo é o do art. 121, § 3º, ficando a 121, § 3º, ficando a contravençãcontravenção absorvida. Aqui não cabeo absorvida. Aqui não cabe analogia porque seria em
ERRO DE TIPO ERRO DE TIPO
Eu fui fazer uma pesquisa por curiosidade: Delegado, magistratura e MP, 97% das Eu fui fazer uma pesquisa por curiosidade: Delegado, magistratura e MP, 97% das provas, desde
provas, desde 1990, pergunta1990, perguntam sobre erro de tipo om sobre erro de tipo ou erro de proibiçãou erro de proibição.. Eu vou fazer uma análise
Eu vou fazer uma análise geral do tema e, geral do tema e, depois, aprofundo.depois, aprofundo. 1.
1. PREVISÃO LEGAL – Art. 20, CPPREVISÃO LEGAL – Art. 20, CP
“Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de “Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.”
previsto em lei.” 2.
2. CONCEITO DOUTRINÁRIOCONCEITO DOUTRINÁRIO
“Erro de tipo é a falsa percepção da realidade. Entende-se por erro de tipo aquele que “Erro de tipo é a falsa percepção da realidade. Entende-se por erro de tipo aquele que recai sobre as elementares (gerando atipicidade absoluta ou relativa), circunstâncias (podendo recai sobre as elementares (gerando atipicidade absoluta ou relativa), circunstâncias (podendo int
interferferierir r na na penpena a ou ou prepresunsunçõeções s leglegaisais) ) jusjustiftificaicantentes s ou ou quaqualqulquer er dadado do que que se se agragreguegue e aa determinada figura típica.”
determinada figura típica.”
Erro de tipo não se confunde com erro de proibição Erro de tipo não se confunde com erro de proibição No erro
No erro de tipo, de tipo, nós temos nós temos a a falsa falsa percepção da percepção da realidade. Detalhe: realidade. Detalhe: o o agente não agente não sabe osabe o que faz. Já no erro de proibição, o agente percebe a realidade. O agente sabe o que faz, mas que faz. Já no erro de proibição, o agente percebe a realidade. O agente sabe o que faz, mas desconhece ser um delito. Então, aqui, o
desconhece ser um delito. Então, aqui, o agente sabe o que faz, mas agente sabe o que faz, mas desconhecdesconhece que é e que é proibido.proibido. Na sua
Na sua prova, se prova, se o agente o agente não sabe o não sabe o que está que está fazendo, vc já fazendo, vc já sabe que está sabe que está no campo no campo dodo erro de tipo. Se ele sabe o que está fazendo, mas desconhece ser um delito, vc sabe que está no erro de tipo. Se ele sabe o que está fazendo, mas desconhece ser um delito, vc sabe que está no campo do erro de
campo do erro de proibição.proibição. Dois exemplos ridículos: Dois exemplos ridículos:
Eu saio de uma festa, pego um guarda-chuva, chego em casa e vejo que não era meu. Eu Eu saio de uma festa, pego um guarda-chuva, chego em casa e vejo que não era meu. Eu subtraí coisa alheia móvel ou não? Erro de tipo ou erro de proibição. Eu sabia que estava subtraí coisa alheia móvel ou não? Erro de tipo ou erro de proibição. Eu sabia que estava subtraindo coisa alheia móvel? Se a resposta é não, trata-se de erro de tipo.
subtraindo coisa alheia móvel? Se a resposta é não, trata-se de erro de tipo.
Marido chega em casa. A esposa não fez o jantar. Ele bate nela. Erro de tipo ou de Marido chega em casa. A esposa não fez o jantar. Ele bate nela. Erro de tipo ou de proibição? Que crime
proibição? Que crime ele praticou? Lesão corporal ele praticou? Lesão corporal no ambiente doméstico. Ele no ambiente doméstico. Ele sabia que estavasabia que estava ofendendo a integridade física da esposa? Sabia o que estava fazendo? Sim. Ele percebeu a ofendendo a integridade física da esposa? Sabia o que estava fazendo? Sim. Ele percebeu a realidade? Sim. Mas ele acreditou que estava autorizado. Ele acreditou que, como marido, podia realidade? Sim. Mas ele acreditou que estava autorizado. Ele acreditou que, como marido, podia fazer isso. Desconhece que é delito. Isso
fazer isso. Desconhece que é delito. Isso é erro de é erro de proibição.proibição.
(Fim da 1ª parte da (Fim da 1ª parte da aula)aula) Vc já sabe que o erro de tipo é a falsa percepção da realidade (o agente não sabe o que Vc já sabe que o erro de tipo é a falsa percepção da realidade (o agente não sabe o que faz). Erro de proibição, o agente sabe o que faz, tem uma falsa percepção da realidade, apenas faz). Erro de proibição, o agente sabe o que faz, tem uma falsa percepção da realidade, apenas não sabe que é proibido.
3.
3. ESPÉCIES DE ERRO DE TIPOESPÉCIES DE ERRO DE TIPO
O erro de tipo se divide em: erro de tipo essencial e erro de tipo acidental. Seja um erro O erro de tipo se divide em: erro de tipo essencial e erro de tipo acidental. Seja um erro de tipo essencial, seja acidental, o
de tipo essencial, seja acidental, o agente não sabe o que faz.agente não sabe o que faz. Erro
Erro de de tipo tipo essencial essencial – Aqui, o erro recai sobre dados principais do tipo. No erro– Aqui, o erro recai sobre dados principais do tipo. No erro essencial, se avisado do erro, o agente evitaria a conduta criminosa. Você vai saber se o erro de essencial, se avisado do erro, o agente evitaria a conduta criminosa. Você vai saber se o erro de tipo é essencial ou acidental, colocando alguém hipoteticamente no problema. Se ele fosse parar tipo é essencial ou acidental, colocando alguém hipoteticamente no problema. Se ele fosse parar com tudo, é erro de tipo essencial. O erro de
com tudo, é erro de tipo essencial. O erro de tipo essencial se divide em dois tipos, podendo ser:tipo essencial se divide em dois tipos, podendo ser: a)
a) Erro de tipo Erro de tipo essencial inevitável – É escusável pois imprevisível,essencial inevitável – É escusável pois imprevisível, b)
b) Erro de tipo Erro de tipo essencial evitável – é inescusável pois previsível.essencial evitável – é inescusável pois previsível. Erro de tipo
Erro de tipo acidental acidental – Aqui o erro recai sobre dados periféricos do tipo. No acidental,– Aqui o erro recai sobre dados periféricos do tipo. No acidental, se avisado do erro, o agente corrige, persistindo na conduta criminosa. No acidental, se você se avisado do erro, o agente corrige, persistindo na conduta criminosa. No acidental, se você avisa que ele está errando, ele corrige e continua praticando o crime. O erro de tipo acidental se avisa que ele está errando, ele corrige e continua praticando o crime. O erro de tipo acidental se divide em cinco
divide em cinco espécies:espécies: a)
a) Erro de tipo acidental sobre o objetoErro de tipo acidental sobre o objeto b)
b) Erro de tipo acidental sobre a pessoaErro de tipo acidental sobre a pessoa c)
c) Erro de tipo Erro de tipo acidental na execuçãoacidental na execução d)
d) Erro de tipo Erro de tipo acidental no resultado (diverso do pretendido)acidental no resultado (diverso do pretendido) e)
e) Erro de tipo Erro de tipo acidental sobe o nexo causalacidental sobe o nexo causal Depois dessa visão panorâmica, vamos analisar
Depois dessa visão panorâmica, vamos analisar cada um deles, cada um deles, especificamespecificamente.ente.
3.1.
3.1. Erro de tipo ESSENCIALErro de tipo ESSENCIAL No erro de
No erro de tipo essencial, há a tipo essencial, há a falsa percepção da realidade. O agente falsa percepção da realidade. O agente não sabe o que não sabe o que fazfaz e o erro recai sobre dados principais do tipo. Quais são as consequências do erro de tipo e o erro recai sobre dados principais do tipo. Quais são as consequências do erro de tipo essencial? Aqui você vai ter que diferenciar se o erro é inevitável ou evitável.
essencial? Aqui você vai ter que diferenciar se o erro é inevitável ou evitável. Todo erro de tipo essencial, não importa
Todo erro de tipo essencial, não importa qual, exclui do dolo!qual, exclui do dolo! a)
a) Erro Erro de de tipo tipo essencial essencial INEVITÁVELINEVITÁVEL
Eu falei que o erro inevitável é o imprevisível e o evitável é o
Eu falei que o erro inevitável é o imprevisível e o evitável é o previsível. Se erro éprevisível. Se erro é inevitável e é imprevisível, você já pode afirmar que não há o dolo. Não há consciência. Se eu inevitável e é imprevisível, você já pode afirmar que não há o dolo. Não há consciência. Se eu não tinha consciência, desaparec
não tinha consciência, desapareceu o primeiro eu o primeiro elemento do dolo. Se o elemento do dolo. Se o erro é imprevisível, não háerro é imprevisível, não há sequer, previsibilidade, exclui-se também a culpa. Por que? Porque
sequer, previsibilidade, exclui-se também a culpa. Por que? Porque não há previsibilidade.não há previsibilidade. b)
Agora, se o erro de tipo é evitável, isto é, previsível. O evitável também exclui o Agora, se o erro de tipo é evitável, isto é, previsível. O evitável também exclui o dolo porque continua inexistindo consciência. O erra era previsível e se era assim, permanece a dolo porque continua inexistindo consciência. O erra era previsível e se era assim, permanece a culpa. Pune-se, pois a modalidade culposa, se prevista em lei. O homicídio tem previsão culposa culpa. Pune-se, pois a modalidade culposa, se prevista em lei. O homicídio tem previsão culposa em lei; o furto, não.
em lei; o furto, não.
Exemplo: Vou caçar veados. Me posiciono para atirar no veado. Para que a caça seja Exemplo: Vou caçar veados. Me posiciono para atirar no veado. Para que a caça seja honesta, eu tenho que manter uma certa distância da presa. Vejo um movimento atrás da moita. honesta, eu tenho que manter uma certa distância da presa. Vejo um movimento atrás da moita. Achando que fosse um veado, atirei e matei alguém. Eu não sabia que estava matando alguém. Achando que fosse um veado, atirei e matei alguém. Eu não sabia que estava matando alguém. Se eu não sabia o que estava fazendo, então é erro de tipo, já
Se eu não sabia o que estava fazendo, então é erro de tipo, já exclui o erro de proibição. Agora, éexclui o erro de proibição. Agora, é erro de tipo essencial ou acidental? Se eu soubesse que era alguém ia continuar atirando? Claro erro de tipo essencial ou acidental? Se eu soubesse que era alguém ia continuar atirando? Claro que não! Se eu evitaria o comportamento, estou diante de um erro de tipo essencial: Há falsa que não! Se eu evitaria o comportamento, estou diante de um erro de tipo essencial: Há falsa percepção
percepção da da realidade, realidade, eu eu não não sabia sabia o o que que estava estava fazendo fazendo e e recaiu recaiu sobre sobre dados dados principais principais dodo tipo, ou seja, a vida. Vou responder por alguma coisa? Era imprevisível que lá tivesse um tipo, ou seja, a vida. Vou responder por alguma coisa? Era imprevisível que lá tivesse um homem ou era previsível? Se imprevisível, exclui o dolo e a culpa. Se previsível, exclui o dolo, homem ou era previsível? Se imprevisível, exclui o dolo e a culpa. Se previsível, exclui o dolo, mas aí vou r
mas aí vou responder por homicídio doloso.esponder por homicídio doloso. A grande pergunta: Como é que
A grande pergunta: Como é que eu vou saber se algo eu vou saber se algo é previsível ou imprevisível? Comoé previsível ou imprevisível? Como aferir a previsibilidade? Elementar da culpa,
aferir a previsibilidade? Elementar da culpa, como aferir?como aferir? Como aferir a previsibilidade (elementar da culpa)? Como aferir a previsibilidade (elementar da culpa)?
•
• 1ª Corrente1ª Corrente – A primeira corrente vai aferir a pre – A primeira corrente vai aferir a previsibilidade da culpavisibilidade da culpa, analisando, analisando
o comportamento do
o comportamento do homem médiohomem médio, sob o ângulo do homem médio. Ela pergunta: o, sob o ângulo do homem médio. Ela pergunta: o homem médio evitaria? Então é evitável. O homem médio não evitaria? Então é homem médio evitaria? Então é evitável. O homem médio não evitaria? Então é inevitável. Ela trabalha com o tal do homem médio. Essa primeira corrente usa como inevitável. Ela trabalha com o tal do homem médio. Essa primeira corrente usa como ponto
ponto de de partida, partida, para para saber saber se se era era evitável evitável ou ou inevitável, inevitável, ela ela traz traz para para o o caso, caso, oo homem médio. No exemplo: o homem médio ia atirar? Sim, então é inevitável. Essa homem médio. No exemplo: o homem médio ia atirar? Sim, então é inevitável. Essa primeira corrente predo
primeira corrente predomina entre os doutrinmina entre os doutrinadores clássicosadores clássicos..
•
• 2ª Corrente2ª Corrente – – A A doutrina doutrina moderna moderna espanca espanca o o homem homem médio. médio. Primeiro, Primeiro, porqueporque
ninguém sabe quem é. Quem descreve o homem médio? Quantos anos têm? Tem ninguém sabe quem é. Quem descreve o homem médio? Quantos anos têm? Tem gente que ainda escreve que tem 33
gente que ainda escreve que tem 33 anos (a idade de Cristo). anos (a idade de Cristo). Homem médio do pontoHomem médio do ponto de vista da cultura, da inteligência, da esperteza. O homem médio é descrito como de vista da cultura, da inteligência, da esperteza. O homem médio é descrito como aquele de cultura e inteligência medianas. O conceito de homem médio é impreciso, aquele de cultura e inteligência medianas. O conceito de homem médio é impreciso, vag
vago, o, porporosooso. . PoPor r ississo, o, a a doudoutrintrina a modmodernerna a não não vavai i anaanalislisar ar o o ageagente nte naqnaqueluelee momento. Ela vai analisar o agente naquele momento. Ela não vai perquirir o que o momento. Ela vai analisar o agente naquele momento. Ela não vai perquirir o que o homem médio faria, mas o que aquele agente poderia ter feito, o que era possível a homem médio faria, mas o que aquele agente poderia ter feito, o que era possível a ele evitar. A segunda corrente trabalha com o caso concreto, analisando o que o ele evitar. A segunda corrente trabalha com o caso concreto, analisando o que o agente
agentefaria.faria.
3.2.
3.2. Erro de tipo ACIDENTALErro de tipo ACIDENTAL
É o que mais cai em concurso. Se eu estou falando de erro de tipo acidental é porque É o que mais cai em concurso. Se eu estou falando de erro de tipo acidental é porque também existe falsa perc
também existe falsa percepção da realidadeepção da realidade. . Se estou falando de erro de tipSe estou falando de erro de tipo acidental, o agenteo acidental, o agente não sabe o que faz. A diferença para o essencial é que aqui o erro
não sabe o que faz. A diferença para o essencial é que aqui o erro recai sobre dados periféricos.recai sobre dados periféricos. São espécies de erro de tipo
a)
a) Erro Erro de de tipo tipo acidental acidental SOBRE SOBRE O O OBJETOOBJETO Previsão legal: Não tem previsão legal!
Previsão legal: Não tem previsão legal! Ou seja, é criação doutrinária.Ou seja, é criação doutrinária. Conceito:
Conceito: “Rep“Representaresentação ção equivequivocada do ocada do objetobjeto o matermaterial ial ( ( coisacoisa ) ) visado visado pelopelo agente. Exemplo: Fulano quer subtrair um relógio de ouro, mas por erro de representação agente. Exemplo: Fulano quer subtrair um relógio de ouro, mas por erro de representação acaba subtraindo um relógio de latão”.
acaba subtraindo um relógio de latão”.
Ele não sabia o que estava fazendo, ele não sabia que estava subtraindo um Ele não sabia o que estava fazendo, ele não sabia que estava subtraindo um relógio de latão. Ele teve uma falsa percepção da realidade. Erro de tipo. O problema é que o relógio de latão. Ele teve uma falsa percepção da realidade. Erro de tipo. O problema é que o fatofato de ser latão ou não é um dado periférico porque avisado do erro, ele iria corrigir e ia continuar de ser latão ou não é um dado periférico porque avisado do erro, ele iria corrigir e ia continuar subtraindo o relógio de ouro do mesmo jeito. É o erro de tipo acidental, que recai sobre o objeto subtraindo o relógio de ouro do mesmo jeito. É o erro de tipo acidental, que recai sobre o objeto material ou coisa.
material ou coisa.
Consequênc
Consequências: Não exclui dolo ias: Não exclui dolo nem culpa. Não isenta o nem culpa. Não isenta o agente de pena.agente de pena.
Ele vai responder pelo crime. A pergunta é: qual crime? O furto do relógio de Ele vai responder pelo crime. A pergunta é: qual crime? O furto do relógio de outro que era o
outro que era o que ele queria ou que ele queria ou o furto o furto do relógio de do relógio de latãlatão, aquele que efetivamo, aquele que efetivamente subtraiente subtraiuu apesar de não querer?
apesar de não querer? Prevalece
Prevalece que que o o agente agente responde responde pelo pelo crime crime considerando considerando o o objeto objeto real,real, efetivamente lesado, e não o visado,
efetivamente lesado, e não o visado, o virtualmente lesado.o virtualmente lesado. No
No exemplo, exemplo, ele ele vai vai responder responder pelo pelo furto furto do do relógio relógio de de latão latão e, e, apesar apesar de de eleele querer o relógio de outro, incidirá o princípio da
querer o relógio de outro, incidirá o princípio da insignificância.insignificância.
Zaffaroni entende que a dúvida deve ser resolvida pelo princípio do
Zaffaroni entende que a dúvida deve ser resolvida pelo princípio do in dubio proin dubio pro reo
reo. Na dúvida entre o objeto visado e o objeto lesado, aplica o que é melhor para ele. Se o. Na dúvida entre o objeto visado e o objeto lesado, aplica o que é melhor para ele. Se o objeto visado é de menor valor e dá ensejo ao princípio da insignificância, considera o objeto objeto visado é de menor valor e dá ensejo ao princípio da insignificância, considera o objeto visado. Se o objeto furtado é de menor valor, considera esse. Prevalece que ele responde pelo visado. Se o objeto furtado é de menor valor, considera esse. Prevalece que ele responde pelo crime considerando o objeto real!
crime considerando o objeto real! b)
b) Erro Erro de de tipo tipo acidental acidental SOBRE SOBRE A A PESSOAPESSOA Previsão legal: Art. 20, § 3º, do CP:
Previsão legal: Art. 20, § 3º, do CP:
“§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é “§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado
praticado não não isenta isenta de de pena. pena. Não Não se se consideram, consideram, neste neste caso, caso, asas condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.”
quem o agente queria praticar o crime.” Conceito:
Conceito: “Repr“Representaesentação ção equivequivocada do ocada do objetobjeto o matermaterial ial ( ( pessoa pessoa ) ) visado visado pelopelo agente. Exemplo: Fulano quer matar seu pai, mas representando equivocadamente aquele que agente. Exemplo: Fulano quer matar seu pai, mas representando equivocadamente aquele que entra em casa, mata seu tio (o agente não erra a execução. Ele representou mal o alvo)”.
entra em casa, mata seu tio (o agente não erra a execução. Ele representou mal o alvo)”.
É o mesmo conceito de erro sobre o objeto, só mudando para pessoa o objeto É o mesmo conceito de erro sobre o objeto, só mudando para pessoa o objeto material. Vimos que objeto material é a pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta delituosa. material. Vimos que objeto material é a pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta delituosa. O erro sobre objeto é uma espécie de objeto material. O erro sobre a pessoa é outra espécie de O erro sobre objeto é uma espécie de objeto material. O erro sobre a pessoa é outra espécie de objeto material. Você responde por parricídio (homicídio do pai, com agravante do art. 61), objeto material. Você responde por parricídio (homicídio do pai, com agravante do art. 61), mesmo estando seu pai vivo.
Consequências: Não exclui dolo nem culpa. Não isenta o agente de pena. Mas Consequências: Não exclui dolo nem culpa. Não isenta o agente de pena. Mas aqui ele responde pelo crime considerando-se a qualidade da vítima pretendida e não
aqui ele responde pelo crime considerando-se a qualidade da vítima pretendida e não a vítimaa vítima lesada.
lesada.
c)
c) Erro Erro de de tipo tipo acidental acidental NA NA EXECUÇÃO EXECUÇÃO – – Aberratio Ictus Aberratio Ictus Previsão legal: Art. 73, do Código Penal.
Previsão legal: Art. 73, do Código Penal. ““ Erro na execução Erro na execução””
“Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios “Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao
de execução, o agente, ao invés de atingir a invés de atingir a pessoa que pretendpessoa que pretendiaia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o ag
agenente te prpretetenendidia a ofofenendeder, r, apaplilicaca-se -se a a regregra ra do do arart. t. 70 70 dedesteste Código.”
Código.” Conceito:
Conceito: “O agente, por acidente ou erro “O agente, por acidente ou erro no uso dos no uso dos meios de execução atingemeios de execução atinge pessoa diver
pessoa diversa sa da pretendida, da pretendida, porém porém corretamente corretamente representada representada (ele (ele executa executa mal um mal um alvo bemalvo bem representado)”.
representado)”.
O que dá para perceber? A clara diferença entre o art.
O que dá para perceber? A clara diferença entre o art. 20, § 3º e o 20, § 3º e o art. 73. Qual é aart. 73. Qual é a diferença? No art. 20, § 3º, ele representa mal e executa bem. No art. 73, ele representa bem, diferença? No art. 20, § 3º, ele representa mal e executa bem. No art. 73, ele representa bem, porém, execu
porém, executa mal.ta mal.
Olha o detalhe que eu vou falar: Você só aplica o art. 73 quando o erro envolver Olha o detalhe que eu vou falar: Você só aplica o art. 73 quando o erro envolver pessoa! Ou seja, errou
pessoa! Ou seja, errou uma pessoa e uma pessoa e acertou outra. Pessoa! Se acertou outra. Pessoa! Se o erro o erro envolve coisa-coisa, é erroenvolve coisa-coisa, é erro sobre o objeto. Se o erro envolve coisa-pessoa, vamos ver daqui a pouco (é o art. 74). sobre o objeto. Se o erro envolve coisa-pessoa, vamos ver daqui a pouco (é o art. 74). Pessoa-coisa, nós já vamos ver.
coisa, nós já vamos ver. E pessoa-pessoa? É o art. 73, E pessoa-pessoa? É o art. 73, que exige pessoa-pessoa.que exige pessoa-pessoa.
Consequências: Não exclui dolo nem culpa. Não isenta o agente de pena. Mas Consequências: Não exclui dolo nem culpa. Não isenta o agente de pena. Mas aqui ele responde pelo crime considerando-se a qualidade da vítima pretendida e não
aqui ele responde pelo crime considerando-se a qualidade da vítima pretendida e não a vítimaa vítima lesada. As mesmas do erro sobre a pessoa, com uma observação: se também for atingida a lesada. As mesmas do erro sobre a pessoa, com uma observação: se também for atingida a vítima pretendida, eu aplico concurso formal de delitos.
vítima pretendida, eu aplico concurso formal de delitos.
Espécies: A doutrina moderna diferencia duas espécies de
Espécies: A doutrina moderna diferencia duas espécies de aberratio ictusaberratio ictus::
i.i. Erro na execução em sentid Erro na execução em sentido estritoo estrito – Aqui, a pessoa visada está no local– Aqui, a pessoa visada está no local da execução. Exemplo: aqui está o meu pai, aqui está o vizinho, eu quero da execução. Exemplo: aqui está o meu pai, aqui está o vizinho, eu quero matar o meu pai e mato o vizinho. O meu pai estava lá. Foi erro de matar o meu pai e mato o vizinho. O meu pai estava lá. Foi erro de execução puro. Falta de
execução puro. Falta de pontaria.pontaria.
iiii.. ‘‘ Aberratio ictus’ Aberratio ictus’ por acidentepor acidente – Aqui, a pessoa visada pode não estar no– Aqui, a pessoa visada pode não estar no local da execução. Exemplo: eu coloco uma bomba no carro do desafeto. local da execução. Exemplo: eu coloco uma bomba no carro do desafeto. Quem liga o carro e liga é
Quem liga o carro e liga é o motorista. O motorista morre.o motorista. O motorista morre.
Caiu isso em concurso: uma mulher, querendo matar o marido, colocou Caiu isso em concurso: uma mulher, querendo matar o marido, colocou veneno na marmita dele. Naquele dia, ele não levou a marmita. E quem veneno na marmita dele. Naquele dia, ele não levou a marmita. E quem comeu a marmita foi o filho dela. O concurso perguntou: que espécie de comeu a marmita foi o filho dela. O concurso perguntou: que espécie de aberratio ictus
d)
d) Erro Erro de de tipo tipo acidental acidental NO NO RESULTADO RESULTADO – – Aberratio Cri Aberratio Criminisminis Previsão legal: art. 74, CP.
Previsão legal: art. 74, CP.
“Resultado diverso do pretendido” “Resultado diverso do pretendido”
“Art. 74 -
“Art. 74 - Fora dos casos do Fora dos casos do artigartigo anterior, quandoo anterior, quando, por , por ac
acididenente te ou ou ererro ro na na exeexecucuçãção o do do crcrimime, e, sobsobrevrevém ém resresulultatadodo diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto
previsto como como crime crime culposo; culposo; se se ocorre ocorre também também o o resultadoresultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Códig
pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.”o.” Conceito:
Conceito: “O agente, por acidente ou erro na execução do crime, provoca lesão“O agente, por acidente ou erro na execução do crime, provoca lesão em bem jurídico diverso do pretendido. Exemplo: Buscando danificar o veículo do meu desafeto, em bem jurídico diverso do pretendido. Exemplo: Buscando danificar o veículo do meu desafeto, arremesso uma pedra que acaba por atingir o motorista, causando-lhe a morte”.
arremesso uma pedra que acaba por atingir o motorista, causando-lhe a morte”.
O que eu queria aqui? Danificar um bem, uma coisa. Por erro na execução, eu O que eu queria aqui? Danificar um bem, uma coisa. Por erro na execução, eu acabei matando pessoa. Reparem que o resultado é diverso do pretendido. É diverso do art. 73. acabei matando pessoa. Reparem que o resultado é diverso do pretendido. É diverso do art. 73. no artigo 73, você provocou o
no artigo 73, você provocou o resultado.resultado.
Semelhança entre o art. 73 e o art. 74: ambos são erros na
Semelhança entre o art. 73 e o art. 74: ambos são erros na execuçãoexecução.. Diferenças do art. 73 para o art. 74:
Diferenças do art. 73 para o art. 74:
11.. NNaa aberratio ictusaberratio ictus, o agente atinge o mesmo bem jurídico. Isto é, produz o, o agente atinge o mesmo bem jurídico. Isto é, produz o mesmo resultado pretendido. Na
mesmo resultado pretendido. Na aberratio criminisaberratio criminis, o agente atinge bem, o agente atinge bem jurídico
jurídico diverso. Ele diverso. Ele queria coisa, queria coisa, atingiu pessoa. atingiu pessoa. Então, ele Então, ele produz resultadoproduz resultado diverso do pretendido.
diverso do pretendido. 2.
2. Diz respDiz respeito às coeito às conseqnsequêncuências: as do aias: as do art. 74 são ort. 74 são outrasutras: o agente re: o agente responspondede por
por culpa se culpa se o o fato fato é é previsto como previsto como crime culposocrime culposo . “O agente responde pelo. “O agente responde pelo resultado diverso do pretendido a título de culpa. Ele vai responder pelo que resultado diverso do pretendido a título de culpa. Ele vai responder pelo que ele provocou a título de culpa”.
ele provocou a título de culpa”. Então, no exemplo pedra para danificar oEntão, no exemplo pedra para danificar o carro e mata o motorista, ele responde pelo quê? Homicídio a titulo de
carro e mata o motorista, ele responde pelo quê? Homicídio a titulo de culpa.culpa. Como pode o examinador complicar a vida aqui? Eu quero, minha vontade é Como pode o examinador complicar a vida aqui? Eu quero, minha vontade é danificar o carro. Porém, por erro na execução, acabei matando o motorista. Vou ser processado danificar o carro. Porém, por erro na execução, acabei matando o motorista. Vou ser processado pelo resultado proc
pelo resultado processado a título de essado a título de culpa. Agora eu culpa. Agora eu vou inverter. Eu quevou inverter. Eu quero matar o motorista. Aro matar o motorista. A minha vontade é atingir a pessoa. Por erro, acabei danificando coisa (carro). Eu vou responder minha vontade é atingir a pessoa. Por erro, acabei danificando coisa (carro). Eu vou responder pelo quê? Se vocês aplicarem a
pelo quê? Se vocês aplicarem a letra fria letra fria do art. 74, do art. 74, ele vai responder pelo resultado pretendido?ele vai responder pelo resultado pretendido? Não. Ele vai responde
Não. Ele vai responder pelo resultado diverso do preter pelo resultado diverso do pretendido e a título de culpa. Eu pergundido e a título de culpa. Eu pergunto: temnto: tem dano culposo? Mesmo que tivesse. Eu só posso aplicar o art. 74 se o resultado diverso do dano culposo? Mesmo que tivesse. Eu só posso aplicar o art. 74 se o resultado diverso do pretendido proteger bem jurídico mais valioso. Se proteger
pretendido proteger bem jurídico mais valioso. Se proteger bem jurídico menos valioso, não tembem jurídico menos valioso, não tem utilidade. Quem veio ao Brasil
utilidade. Quem veio ao Brasil explicar isso? Zaffaroni. O Código Penal explicar isso? Zaffaroni. O Código Penal não diferencia.não diferencia. Observação:
Observação: “Para Zaffaroni, não sem razão, não se aplica o art. 74, do Código“Para Zaffaroni, não sem razão, não se aplica o art. 74, do Código Penal,
Penal, se se o o resultado resultado produzido produzido protege protege bem bem jurídico jurídico menos menos valioso valioso que que o o pretendido. pretendido. NesteNeste caso, o agente deve responder pelo resultado pretendido a título de tentativa.”
caso, o agente deve responder pelo resultado pretendido a título de tentativa.” A lei não faz essa observação. A doutrina é que faz.