CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL
E
INTERDISCIPLINAR
RELIGIÕES
AFRICANAS
E
AFRODIASPÓRICAS
GLOBAIS
INTERNATIONAL,
INTERDISCIPLINARY
CONFERENCE
GLOBAL
AFRICAN
INDIGENOUS
AND
DERIVED
RELIGIONS
22-25
de
outubro,
2018
October
22th-25th,
2018
Universidade
Federal
de
Juiz
de
Fora
:
ICH
CADERNO DE RESUMOS
Editora Spargere
DIRETOR DA SPARGERE
Julio Eduardo dos Santos R. R. Simões
Conselho Editorial
Sônia Correa Lages - Diretora
Raimundo Barreto
Volney Berkenbrok
Afe Adogame
© 2018 by Sônia Corrêa Lages
Direitos desta edição reservados à
EDITORA SPARGERE
A reprodução não autorizada desta publicação, por qualquer meio,
seja total ou parcial, constitui violação da Lei nº 9.610/98.
Depósito legal na Biblioteca Nacional,
conforme Lei nº 10.994, de 14 de dezembro de 2004.
PROJETO
GRÁFICO,
CAPA
E
DIAGRAMAÇÃO
Julio Eduardo dos Santos Ribeiro Reis Simões
REVISÃO
Sônia Corrêa Lages
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) --- S174c Lages, Sonia Corrêa(org) ; Simões, Julio Eduardo dos Santos Ribeiro Reis; Rabelo, Kelly ; Marinho, Ana Carolina(trad) ; Turetti, Raquel Scotton. Conferencia Internacional e Interdisciplinar Religiões Africanas e Afrodiaspóricas Globais – caderno de resumos / Sônia Correa Lages at alli– Juiz de Fora, MG : Editora Spargere, 2018. 53 p. Inclui referências.
ISBN EM PROCESSAMENTO
1. Religião. 2. Ciência da Religião. I. Título. CDD 210 EDITORA SPARGERE
Rua Eduardo Sathler, 2z15 – 36035-720 – Juiz de Fora, MG, Brasil
Conferência Internacional e Interdisciplinar
Religiões Africanas e afrodiaspóricas Globais
International Interdisciplinary Conference
African and African Derived Global Religions
-
Caderno de Resumos -Sônia Correa Lages (org)
Kelly Rabello
Raquel Scotton Turetti
Julio Eduardo dos Santos Ribeiro Reis Simões
Ana Carolina Marinho
Editora Spagere
Juiz de Fora
Primavera de 2018
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Sumário
Apresentação / Welcome...2
Organização do evento...7
Segunda-feira dia 22 / Monday the 22th...9
Terça-feira dia 23 / Tuesday the 23th...23
Quarta-feira dia 24 / Wednesday the 24th...40
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Apresentação
O encontro histórico do continente africano com o comércio de escravos, histórias e
influências coloniais/imperiais árabes e transatlânticos foi marcado principalmente por
exploração e expropriação, desumanização e violações de direitos humanos, mas
também destruição das religiões africanas autóctones, padrões culturais, bem como
locais e objetos sagrados. As marcas culturais europeias e árabes também são vistas
no crescimento e propagação do cristianismo e islamismo. Esse encontro de outras
formas religiosas e culturais, por um lado, acarretou a depreciação das religiões
africanas, resultando na proibição e rejeição de suas cosmovisões e abandono de
aspectos de suas cosmologias, simbolismos e práticas rituais. Por outro lado, as
religiões africanas responderam às mudanças sociais que ocasionaram influência
mútua e revitalização de aspectos das culturas religiosas autóctones. O encontro
transformou o pensamento e a prática religiosos autóctones, mas não os suplantou; as
religiões africanas autóctones preservaram algumas de suas crenças e práticas rituais,
mas também ajustadas ao novo ambiente sociocultural. O cristianismo e o islamismo
também foram transformados uma vez que se domesticaram. Essa interação revela
um quadro de compreensão das religiões africanas como parte integrante e inerente
aos processos de globalização.
O significado histórico e cultural das tradições e espiritualidades religiosas africanas
autóctones se manifesta parcialmente em sua pluralidade tanto na África como na
diáspora africana. As religiões africanas autóctones influenciam os processos de
globalização e respondem aos desafios e oportunidades decorrentes. A dimensão
global das religiões autóctones na África transcende o continente para a diáspora
africana. A migração, o turismo e a apropriação de novas tecnologias de mídia
facilitaram a inserção das religiões autóctones em novos contextos. A diáspora
africana, resultante do comércio transatlântico de escravos, influenciou profundamente
as culturas do Brasil, Cuba, Haiti e o resto do Novo Mundo, o que em parte produziu o
desenvolvimento de religiões derivadas da África, tais como o candomblé nagô e a
umbanda no Brasil, a santeria (lukumi, macumba) em Cuba, o vodun, as tradições
iorubá-orixá e outras tradições enraizadas na África Ocidental e Central presentes nas
Américas. Essas formas religiosas se proliferam no contexto da diáspora, com o
alcance de adeptos e clientela ampliado de maneira multiétnica e multirracial. No
Brasil, que possui a maior população negra fora da África, e em outros contextos da
diáspora africana, as religiões afrodiaspóricas sobreviveram às várias décadas de
criminalização de suas crenças e práticas religiosas. Em geral, as religiões de origem
africana como o candomblé e a umbanda no Brasil ainda enfrentam o racismo
institucional e a demonização pública, do mesmo modo que a maioria dos
afro-brasileiros é afligida por injustiça racial e marginalização sociopolítica.
Apesar dessas ameaças de sobrevivência e extinção, os africanos e afrodescendentes
lutam para preservar sua herança cultural e identidade religiosa. As religiões africanas
e afrodiaspóricas continuaram a impactar outras religiões do mundo, assim como
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foram influenciadas por elas. Por exemplo, o português brasileiro foi influenciado
ricamente por pessoas de ascendência africana e suas respectivas línguas, enquanto
um novo vocabulário afro-brasileiro eclodiu. Os rituais do candomblé foram
incorporados ao tecido da identidade nacional brasileira, desde as oferendas ao mar
no Ano Novo durante o Réveillon à capoeira, rodas de samba e preferências culinárias
como o acarajé. Na umbanda, há uma associação livre de santos católicos romanos
com divindades africanas e indígenas. As religiões africanas e afrodiaspóricas também
moldaram a arte mundial, a escultura, a pintura e outros artefatos culturais que
povoam os famosos museus, galerias, bibliotecas e exposições de arte do mundo. A
mercantilização da arte e dos objetos religiosos africanos é crescente. Embora
geralmente deslocada do seu contexto “religioso”, o conhecimento hortícola, culinário
e medicinal obtém contribuições significativas dos povos africanos autóctones e de
sua epistemologia. O caráter das religiões africanas e afrodiaspóricas em condições
de globalidade continuará a ser determinado e moldado por como e em que medida
elas negociam continuidade, identidade e mudança.
A resiliência das tradições religiosas autóctones na África e das religiões de origem
africana na diáspora demanda atenção acadêmica para explorar como e em que
medida elas são fundamentais para a vida cotidiana de africanos e afrodescendentes.
A religião é crucial para a compreensão dos povos africanos bem como das suas
comunidades diaspóricas em um contexto global. As religiões africanas abrangem
fenômenos que são definidos primordialmente no que diz respeito à sua oralidade,
orientação cosmológica e ritual em direção a paisagens geoculturais específicas. Uma
compreensão adequada de suas complexas cosmologias religiosas, tradições e
culturas aprofunda a compreensão dos povos africanos e afrodescendentes em
condições de globalidade. A religião é um motor para a formação da diáspora e para a
construção e manutenção de identidade cultural e sistemas de valores.
Em que medida as cosmovisões e religiões africanas autóctones permanecem
relevantes para os africanos no continente e seus descendentes na diáspora,
especialmente em uma era globalizante? Como sintetizar os sistemas de crenças,
cosmologias, rituais e práticas das tradições religiosas africanas em uma referência
coerente e um guia sagrado para adeptos e não adeptos? O que faz as religiões
africanas sinalizarem contra o cenário de xenofobia e privação socioeconômica em
contextos de secularização acelerada? O que explica a resiliência das tradições
religiosas africanas apesar de uma percepção pública negativa? Como e em que
medida as religiões africanas e as religiões derivadas da África moldaram os contextos
locais, as culturas e as sociedades dentro dos quais elas são praticadas? Até que
ponto as religiões africanas autóctones e as religiões afrodiaspóricas são influenciadas
por outras tradições religiosas no âmbito global? Como e em que medida as religiões
africanas autóctones e as religiões derivadas da África respondem a questões globais
de pobreza, corrupção, conflitos, paz, liberdade religiosa e mudanças climáticas?
Essas pertinentes questões e problemas motivaram a organização do primeiro
Colóquio das Religiões Africanas Autóctones Globais na Universidade Obafemi
Awolowo, em Ile-Ife, Nigéria, em agosto de 2016, um evento histórico com a
participação de cerca de 100 participantes (estudiosos, pesquisadores, religiosos e
atores políticos), oriundos de três continentes: África, Europa e Américas.
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A 2ª Conferência Global de Religiões Africanas e Afrodiaspóricas eclode no encalço
desse bem-sucedido evento, programado para ocorrer na Universidade Federal de
Juiz de Fora, Brasil, em outubro de 2018. A escolha do Brasil como próxima sede é
estratégica. Em primeiro lugar, a diáspora africana é basilar para a compreensão da
globalização das religiões africanas. Em segundo lugar, a diáspora africana foi
declarada pela União Africana (UA) como a 6ª região da África. Em terceiro lugar, o
Brasil é o lar da maior população negra (diáspora africana) no mundo, depois da
Nigéria. Dados demográficos recentes do Brasil mostram os afro-brasileiros como
maioria pela primeira vez, com os resultados do censo de 2010 revelando que mais de
50,7% da população agora se identificam como pretos ou pardos, em comparação
com 47,7% que se definem como brancos (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística-IBGE). Por fim, o Brasil é a terra do candomblé, uma das maiores religiões
de origem africana do mundo. A 2ª Conferência Global de Religiões Africanas e
Afrodiaspóricas proporcionará outra plataforma significativa para que estudiosos,
praticantes de religiões africanas e afrodiaspóricas, atores políticos, grupos
comunitários da diáspora africana, ONGs, organizações religiosas e públicos
interessados possam avaliar criticamente o status, a natureza e o papel das religiões
africanas e afodiaspóricas globais em paisagens religiosas locais e globais. Como
temas e subtemas do encontro inaugural, a conferência explorará abordagens
variadas para o estudo das religiões oriundas da África com ênfase no foco regional e
diaspórico. Discutirá também os desafios específicos enfrentados por estudantes e
acadêmicos no estudo de religiões africanas e afrodiaspóricas em todo o mundo. A
conferência também busca encorajar pesquisas acadêmicas e explorar vias de
documentação e preservação das religiões de origem africana.
Welcome
The historical encounter of the African continent with the Arab and transatlantic
slave trade, colonial/imperial histories and influences, was mostly characterized
by exploitation and expropriation, dehumanization and human rights violations,
but also the destruction of their indigenous religions, cultural patterns, sacred
sites and objects. European and Arab cultural imprints are also seen in the
growth and spread of Christianity and Islam. This encounter of other
religio-cultural forms led, on the one hand, to the denigration of indigenous religions,
resulting in the banning and rejection of worldviews and abandonment of
aspects of their cosmologies, ritual symbolism and practices. On the other
hand, indigenous religions responded to social change leading to mutual
influence, and revitalization of aspects of the indigenous religious cultures. The
encounter transformed indigenous religious thought and practice but did not
supplant it; indigenous religions preserved some of their beliefs and ritual
practices but also adjusted to the new socio-cultural milieu. Christianity and
Islam were also transformed in that they became domesticated. This interaction
demonstrates one framework of understanding indigenous religions as an
integral part of, and within processes of globalization.
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The historical and cultural significance of indigenous African religious traditions
and spirituality is partly demonstrated in their plurality both in Africa and the
African diaspora. Indigenous African religions both influence globalization
processes and respond to the challenges and opportunities which it presents.
The global dimension of indigenous religions in Africa transcends the continent
into the African diaspora. Migration, tourism and the appropriation of new media
technologies has facilitated the introduction of indigenous religions into new
contexts. The African Diaspora resulting from the trans-Atlantic slave trade
profoundly influenced cultures of Brazil, Cuba, Haiti and the rest of the New
World, partly leading to the development of African-derived religions such as the
Candomble Nago and Umbanda in Brazil, the Santeria (Lukumi, Macumba) in
Cuba, Vodun, Yoruba-Orisha traditions and other West and Central African
rooted traditions across the Americas. These religious forms are proliferating in
the diasporic context, with the scope of practitioners and clientele widened
multi-ethnically and multi-racially. In Brazil, which has the largest black
population outside the continent, and other African diaspora contexts,
African-derived religions have survived several decades of criminalization of religious
beliefs and practices. Generally, African-derived religions, such as Candomble
and Umbanda in Brazil, have continued to face institutional racism and public
demonization, just as majority of Afro-Brazilians suffer racial injustice and
socio-political marginalization.
Despite such threats of survival and extinction, Africans are striving to preserve
their cultural heritage and religious identity. African and African-derived religions
have continued to impact other world religions, just as they have been
influenced by them. For instance, Brazilian Portuguese was richly influenced by
people of African descent and their languages, even as a new Afro-Brazilian
vocabulary emerged. Candomblé rituals have been incorporated into the fabric
of Brazilian national identity from New Year's Eve offerings to the ocean
(during Revellion), Capoeira dance, Samba circles (rodas) and culinary
preferences such as Acarajé fritters. In Umbanda, there is a loose affinity of
Roman Catholic saints with African and indigenous deities. Indigenous religions
and African-derived religions have also shaped world art, sculpture, painting
and other cultural artifacts, which populate the world’s famous museums,
galleries, libraries, and art exhibitions. The commodification of indigenous art
and religious objects is on the increase. Although usually dislocated from its
‘religious’ context, horticultural, culinary and medical knowledge has significant
input from the indigenous African peoples and their epistemology. The
character of indigenous religions and African-derived religions in conditions of
globality will continue to be determined and shaped by how and to what extent
they negotiate continuity, identity, and change.
The resilience of indigenous religious traditions in Africa and African-derived
religions in the diaspora needs scholarly attention in exploring how and to what
extent they are central to everyday lives of Africans and its descendants.
Religion is crucial to understanding African peoples as well as their diasporic
communities within a global context. Indigenous religions encompass
phenomena that are primarily defined in terms of their orality, cosmological and
ritual orientation towards specific geo-cultural landscapes. A proper grasp of
their complex religious cosmologies, traditions and cultures improves our grasp
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of African peoples and its descendants in conditions of globality. Religion is a
motor for diaspora formation, and for the construction and maintenance of
cultural identity and value systems.
To what extent does indigenous worldviews and religions remain relevant for
both Africans on the continent and their descendants in diaspora especially in a
globalizing era? How can we synthesize the belief systems, cosmologies,
rituals, practices of indigenous religious traditions into a coherent reference and
sacred source book for adherents and non-adherents alike? What makes
African religions tick against the backdrop of xenophobia, socioeconomic
deprivation in fast secularizing contexts? What explains the resilience of African
religious traditions in the face of negative public perception? How and to what
extent has African religions and African-derived religions shaped the local
contexts, cultures and societies within which they are practiced? How far has
the indigenous religions and African-derived religions being influenced by other
religious traditions globally? How and to what extent does indigenous religions
and African-derived religions respond to global issues of poverty, corruption,
conflict, peace, religious freedom and climate change? These pertinent
questions and issues motivated the organization of the maiden Global African
Indigenous Religions Colloquium at Obafemi Awolowo University, Ile-Ife,
Nigeria in August 2016, a historic event attended by about 100 participants
(scholars, researchers, practitioners, policy makers) drawn from three
continents of Africa, Europe and the Americas.
The 2nd Global African Indigenous and Derived Religions Conference comes
on the heels of the successful maiden event, scheduled to take place at
Universidade Federal de Juiz de Fora, Brazil in October 2018. The choice of
Brazil as the next host is strategic. First, the African diaspora is pivotal to
understanding the globalization of African religions. Second, The African
Diaspora has been declared by the African Union (AU) as Africa’s 6th region.
Third, Brazil is home to the largest Black population (African diaspora) in the
world, besides Nigeria. Brazil’s recent demographics show African-Brazilians in
the majority for the first time, with 2010 census results showing over 50.7% of
the population, now define themselves as black or mixed race, compared to
47.7% who label themselves white (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística-IBGE). Lastly, Brazil is home to Candomble, one of the largest
African-derived religions in the world. The 2nd Global African Indigenous and
Derived Religions Conference will provide another significant platform for
scholars, practitioners of African Indigenous Religions and African-derived
religions, policy makers, diaspora community groups, NGOs and FBOs and
interested publics to critically appraise the status, nature and role of global
African Indigenous and Derived Religions within local-global religious
landscapes. Like themes and subthemes of the inaugural meeting, the
Conference will explore varied approaches to the study of Africa’s Indigenous
Religions with emphasis on regional and diasporic focus. It will discuss the
inherent challenges faced by students and scholars in studying indigenous and
African-derived religions globally. The conference also seeks to encourage
scholarly research and explore avenues for the documentation and preservation
of African indigenous and derived religions.
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Organização Do Evento
PROMOÇÃO DO EVENTO
Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião - UFJF – Universidade Federal
de Juiz de Fora
Universidade de Princenton
PANAFSTRAG – Grupo Panafricano de Pesquisa sobre Estratégias Políticas
COMISSÃO ORGANIZADORA
Comitê Nacional
Jimmy Sudario Cabral
–Universidade Federal de Juiz de Fora
Volney Berkenbrock
–Universidade Federal de Juiz de Fora
Sônia Corrêa
–Universidade Federal de Juiz de Fora
Robert Daibert
–Universidade Federal de Juiz de Fora
Barbara Daibert
–Universidade Federal de Juiz de Fora
Felipe Fanuel Rodrigues
–Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Ivanir dos Santos
–Centro de Articulação de População Marginalizada / UFRJ
Comitê Internacional
Afe Adogame – Princeton Theological Seminary
Raimundo Barreto – Princeton Theological Seminary
Ishola Williams – Pan African Strategic and Policy Research Group (PANAFSTRAG)
Paulo Ayres Mattos – Koinonia Presença Ecumenica
Jimmy Sudario Cabral – Universidade Federal de Juiz de Fora
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Ullrich R. Kleinhempel – Bavaria College, Schweinfurt, Germany
David Ogungbile – Obafemi Awolowo University
Nokuzola Mdende – Icamagu Heritage Institute
EQUIPE DE REALIZAÇÃO DO EVENTO
Profa. Dra. Sônia Regina Corrêa lages – Coordenação
Profa. Dra. Bárbara Inês R. Simões Daibert
Prof. Dr. Edson Fernando de Almeida
Diego Dhermani – mestrando em Geografia
Fabiana
Prof. Dr. Júlio Simões
Kelly Araújo Rabelo – Doutoranda em Ciência da Religião, UFJF
Prof. Dr. Leonardo de Oliveira Carneiro
Maria Luíza Igino Evaristo
Raquel Turetti - Doutoranda em Ciência da Religião, UFJF
EQUIPE DE TRADUTORES
Doutorandos(as) do Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião, UFJF
Ana Beatriz Vilhena, Caio Augusto A. Affonso, Danilo Mendes, Diego, Fernanda
Winter, Karen Aquino, Maiara Rubia Miguel.
Equipe de Tradutores da Diretoria de Relações Internacionais – DRI
Paula, Máira, Tatiana e Carolina.
AGRADECIMENTOS
Para realização desse evento foi imprescindível o apoio do Programa de
Pós-graduação em Ciência da Religião da UFJF - Universidade Federal de Juiz de fora; da
Pró-reitoria de Pós-graduação da UFJF; da Diretoria de Relações Internacionais; da
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FADEPE- Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão e
da Editora Vozes.
Segunda-feira dia 22 / Monday the 22th
9h às 12h – Credenciamento / Clearance
14:00h às 14:30h – Mesa de Abertura / Inauguration Ceremony 14:30h às16:30h – Grupos de Trabalho (GT) / Work Groups (WG)
§ GT1: Políticas raciais, direitos humanos e justiça social / WG1: Racial Politics,
Human Rights and Social Justice
Diogo Pereira Matos (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais - IF SUDESTE MG).
Controle territorial e trabalho escravo: aspectos históricos de exploração e resistência da Comunidade de Quilombo dos Paulas / Territorial Control and slavery: historical aspects on enslavement and resistency of Quilombo dos Paulas Community.
O presente trabalho tem como proposta apresentar parte dos resultados de uma pesquisa de Mestrado em Educação desenvolvida junto a atores de uma comunidade remanescente de quilombo, a comunidade do Curralinho dos Paulas. O objetivo da empiria foi identificar como se dão as dinâmicas socioculturais e educativas, escolares e não escolares, que contribuem para construção da identidade quilombola de jovens em idade escolar. Por meio da etnografia, o mesmo consistiu em observar, descrever e analisar o contexto escolar e o da comunidade. Dentre os diversos resultados alcançados na pesquisa, o objetivo aqui proposto é apresentar os referentes aos processos de exploração e exclusão social sofridos pelos quilombolas desta comunidade, bem como os movimentos de resistência e luta, principalmente pela adoção de estratégias de sobrevivência. A partir das observações, entrevistas e conversas, formais e informais, realizadas percebe-se que muitos problemas sociais, vividos pela comunidade hoje, têm sua origem desde o período escravocrata, marcados por um processo de dominação territorial dos chamados “nós de roda”. Em contrapartida, é possível perceber que, apesar de todo esse processo baseado em ideias e princípios colonizadores, os atores da comunidade ‘dos Paulas’ conseguiram desenvolver práticas de resistência a este regime, baseadas na solidariedade, no compadrio e principalmente nos laços sanguíneos. A compreensão dos diferentes processos de exploração, ao mesmo tempo de resistência, que marcaram a história quilombola no Brasil é mais uma possibilidade para o fortalecimento da luta por políticas públicas sociais e raciais, bem como pelo direito à terra e à cidadania dos povos quilombolas.
Ivan Costa Lima (UNILAB) & Gisela Macambira Villacorta
As religiões de matriz africana em Marabá/Pará: lutas por políticas de igualdade racial / Afro-diasporic religions on Marabá/Pará State: the struggle for racial equality politics.
A região do sul e sudeste do Pará congrega diferentes representações de religiões de matriz africana, no entanto se constata a marginalização dos saberes e práticas instituídas pela ancestralidade como importante patrimônio nacional. Neste sentido, o texto discute as formas organizativas destas religiões na cidade de Marabá e sua articulação com o Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Relações Étnico-Raciais, Movimentos Sociais e Educação (N’UMBUNTU) ligado à Faculdade de Educação da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). A partir da articulação com o povo de santo se problematiza a importância
13 da ocupação das religiões na ocupação de espaços públicos, na busca de políticas de igualdade racial e se confrontando com a violência material e simbólica nesta região. Também discutir processos educativos que contribuam com a lei 10639/03 nos currículos dos sistemas de ensino sobre o universo civilizatório de matriz africana. A partir da história oral e da pesquisa participante registra-se o posicionamento de pais e mães de santo na cidade de Marabá, em torno de temas como a aproximação com a religião, desafios, preconceitos e os espaços associativos, que levam a dar visibilidade num patamar de reconstrução de suas memórias, valores e representação de mundo
Ruth Vida Amwe (Princeton Theological Seminary, Masters Student)
Pantera Negra: Resiliência de Sistemas africanos de Governo e o papel das mulheres / Black Panther: Resilience of African Indigenous Systems of Governance and the Role of Women. In pre-colonial Africa, indigenous communities exercised various systems of governance that were either matriarchal or patriarchal. However, like many other aspects of African indigenous cosmologies, worldviews and spiritualities, these systems of governance formed subjects of criticism by the western world. It has been observed that the social roles of women in Africa have been affected by such devaluation. While the reason for this is often credited to tradition by many, colonialism and Christian missions are not without fault. Nonetheless, with the release of the highly anticipated first black super hero Marvel comic in February 2018, the Black Panther, a new perspective has emerged in this line of discourse. While portraying a fictional yet visional Africa, the movie which was written, directed and acted by mainly African Americans and Africans, presents an obvious resilience of African systems of governance. Hence, this paper will juxtapose the pre-colonial African system of governance with its portrayal in the movie as depicted in the roles of the Queen Mother, the King and religious specialists. Consequently, the paper will focus on the various implications therein with a special emphasis to the gender dynamics within. This paper will conclude that the political and ritual power of women have been significantly affected by Africa’s contact with the western world. It will consequently propose a reimagining of governance in Africa devoid of hegemonic masculinity.
Jalber Luiz da Silva (Doutorando em Humanidades pelo PPGHCA\UNIGRANRIO)
Racismo Epistêmico nas narrativas contra-hegemônicas dos praticantes de Umbanda e Candomblé na perspectiva da Etnofilosofia Africana / Epistemic Racism on counter-hegemonic narratives among Umbanda and Candomblé adepts on African Ethic-Philosophical perspective. É possível encontrar os elementos da cosmovisão africana, guardada na atual conceituação da “personalidade africana”, nos discursos e nas práticas afrorreligiosas brasileiras? Essa inquietação motiva uma relevante investigação a partir da oitiva dos adeptos de Umbanda e Candomblé, afim de que se revelem os traços que norteiam suas visões de mundo “desde dentro”, projetados para a realidade imediata, onde fazem uso de comunicações com suas ancestralidades guardadas nos cultos às entidades sagradas; de que maneira poderiam influenciar aqueles aspectos culturais defendidos pelas atuais correntes filosóficas que propugnam por uma cosmovisão transdisciplinar, em que se admite a comunicação com os espíritos, o transe e a possessão, em contradição ao pensamento eurocêntrico hegemônico, que recusa essas possibilidades?
Ruth Ruth s M. Athyal (Acquiring Editor, Ecumenical Theology and South Asian Theology, Augsburg Fortress Press)
Preconceito Racial na Índia: o legado do sistema de castas / Racial Prejudice in India: Legacy of the Caste system.
14 Africa and the Indian subcontinent have a shared history that dates back to the trade relations in the 4th century CE. In contemporary times, Africans from different parts of the continent continue to come to India, for employment and higher education. Assimilation to the Indian society, however, is not easy and the African diaspora often face prejudice and racial discrimination. This paper will argue that the discrimination the African Diaspora face in India is rooted in India’s identity as a society built on the Hindu system of caste hierarchy. But the paper will also recognize the liberative potential of Hinduism and identify renascent religion and interreligious dialogue as an anti-dote to the discrimination the African diaspora face in India. In this context, the paper will have three parts: 1. A historical sketch of the African presence in India, and a social analysis of the lack of assimilation and integration with the mainstream Indian society. 2. The roots of the discrimination the African diaspora face in India understood as a legacy of the caste system in Hinduism and the concept of purity and pollution, deeply embedded in the Indian social psyche, and playing a crucial role in maintaining the required distance between different castes. 3. The liberative potential of Hinduism and interreligious dialogue, as an antidote to racial discrimination. With the presence of the African diaspora in India, race and caste, two exploitative social systems, converged in the process raising crucial questions about the oppressive characteristics of religion, racial politics, human rights and social justice. If, however, religion is a part of the problem, religion can also be a part of the solution, and this paper will look at both the oppressive characteristics of religion and its liberative potential.
Ronald Belinassi (Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora)
A Defesa das Religiões de Matriz Africana: os desafios da luta contra a intolerância
religiosa.
O objeto desta comunicação é verificar a atuação de pessoas ligadas às religiões de matriz africana e quais as suas atitudes diante dos ataques intolerantes no contexto da “guerra religiosa” travada contra o “povo de santo”.
Danielle Renee Taylor (Mestrado em Política Internacional da Universidade da Georgia)
The paper engages the quest for health and healing across faith-borders of traditional African shrines, Christian prayerhouses and modern hospitals in Africa. It describes the ecumenical and integrative synergies in the conceptual and practical triangulations of health and healing across these faith borders. In recent times, the faith boundaries of most Africans in the quest for health and wellness have less--rigid ideological demarcations. The geography of most health-seekers in Africa easily transverses the faith worlds of other religious traditions, thus building inevitably a lively-network of ecumenical continuum that creates an interpenetrating dialogue between African traditional shrines, Christian prayerhouses and western hospitals. The present study underscores the dynamism, interactions, and subversion of the dogmatic rhetoric of these faith traditions in the quest of health and wholeness in modern Africa. This ecumenical triangulation of the faith-borders projects a new religious landscape where the hostile rhetoric of faith traditions are clearly suspended, and a new appreciation of faiths in definition of health and wellness is greatly entrenched. The existential blurring of dogmatic and traditional faith-borders raises new questions—and interesting perspectives in the modern study of religions, health and ecumenism in Africa.
15 § GT2: Construção e negociação de identidade / WG2: Identities' Construction and
negotiation
Danielle Campos (Universidade Federal de Juiz de Fora) & Siloeh Siqueira (Universidade Federal de Juiz de Fora)
Ela é POMBAGIRA e é melhor arredar o pé, homem, pois aí vem mulher / She is POMBAGIRA and you should step back, man, because here comes a woman.
Em todas as religiões historicamente firmadas, podemos observar a imagem feminina como figura fundamental. Na Umbanda, essa figura é representada pela Pomba Gira, cujo arquétipo é diretamente ligado à ideia de sensualidade e de sexualidade. No entanto, a importância delas vai bem além pois se conecta com a criatividade, a capacidade de acolher, de enfeitar, de proteger, de lutar pelo bem amado, de ser criativa, forte e decidida. Além disso, a figura feminina ainda estimula nos seres humanos o lado espiritual e a busca pelo encontro do sentido religioso, fato constatado quando percebemos a quantidade de mulheres nas instituições religiosas. Por isso e mais, elas são tão importantes para nós e para a própria estrutura da Umbanda. Além disso, não podemos deixar de refletir sobre o contexto de liberdade. O tema se justifica na medida em que é interessante perceber como Pombagira mexe com aquilo que Exu não consegue mexer e transforma aquilo que o vigor masculino de Exu não modifica. Propomos metodologicamente, o aprofundamento da compreensão do papel desta personagem na Umbanda.
Diogo Coutinho (Universidade Federal Fluminense)
O povo de santo e seus modos de vestir: identidades, usos sociais e performances / "Saint People" [t.n.:african and derived religions practicioners] and the way of wearing: identityes, social uses and performance.
Ojá, pano da costa, saia rodada, bata e camisu, a indumentária tradicional do candomblé é constitutiva de seus ritos e revela aspectos culturais, políticos e sociais de uma comunidade-terreiro. Os aviamentos, as metragens e tipos de tecido ideais aliados às diferentes formas de uso fazem parte da sabedoria do povo de santo e também funcionam como marcadores diacríticos de determinados segmentos conhecidos como famílias de santo, construindo-as. O ato de vestir em um terreiro nagô-yorubá descendente do Ilê Axé Opô Afonjá é marcado por regras de vestuário rigorosas que permitem pouca penetração de influências externas e têm nesta característica um reforço de sua identidade. A comunicação apresenta o andamento de uma pesquisa etnográfica no terreiro Ilê Axé Aganju Ixolá, cidade de Niterói, Rio de Janeiro. Pretendo analisar a agência da indumentária enquanto performance, investigando como se relaciona com os adeptos do candomblé, construindo e afirmando identidades enquanto conta e se constrói como história de uma família de santo.
Fábia de Castro Lemos (Unigranrio)
Tecidos de identidades na favela da barreira e o templo de oxum: narrativas e memória locais nas tramas do cotidiano / Fabrics of identity on Favela da Barreira and Oshum Temple: narratives and local memory on daily life warp and weft.
O presente estudo, realizado na favela da Barreira no bairro de Rocha Miranda, zona norte do Estado do Rio de Janeiro, contou com entrevistas coletadas no período de 2015-2017, utilizando a história oral de vida dos moradores da favela como mecanismo hábil à compreensão do cotidiano local. A descoberta da construção do primeiro e único centro espírita de umbanda da favela, em funcionamento até os dias atuais, nos forneceu elementos os quais apontaram para o mosaico entre a atuação do centro espírita, com a ocupação da favela e sua organização, moldando de certa forma o contexto social e cultural vivenciado pelos moradores locais, que tem no terreiro um ponto de união entre os extremos da favela, ponto que reúne
16 pessoas de todas as partes da favela e do subúrbio carioca, desvelando-se como célula matter, ponto norteador da diversidade e múltiplas culturalidades produzidas no espaço da favela e fora dela, mediando, negociando e produzindo identidades, viabilizando a apropriação do espaço com o exercício da cidadania e interculturalidades. Palavras-Chave: Narrativas; Favela; Oxum.
Gilmara Santos Mariosa (UFMG)
Yalorisha - house queens / Ialorixás – rainhas do terreiro.
Este trabalho trata de um recorte de uma pesquisa de doutorado em Psicologia Social em andamento na Universidade Federal de Minas Gerais que trata do Candomblé como um espaço de poder de mulheres negras. Da maioria das religiões praticadas no Brasil, as religiões de origem africana estão entre as poucas nas quais as mulheres negras ocupam espaços de poder e não são limitadas em suas ações no sacerdócio em relação aos homens. As mulheres africanas que chegaram ao Brasil escravizadas eram muito diferentes em seus costumes e formas de vida. Em África, as mulheres já possuíam liberdade e comandavam em seus reinos, eram mestres nas artes militares, assim como líderes na política, na economia, no comércio e na religião. Percebe-se nestas mulheres não apenas uma responsabilidade religiosa com o cumprimento de seu dever, mas também um orgulho de serem quem são, demonstrando estar conscientes da importância que tem e de seu legado. As mulheres negras, vivem em situação de subalternidade, são inferiorizadas pelo racismo, sofrem com a opressão do patriarcado, vivem sob a égide de uma imposição cultural, política e econômica eurocêntrica colonizadora, e herdam os resquícios de um passado escravista. Entretanto, perante esses desafios e prosseguem fazendo história, abrindo caminhos para a luta e a afirmação, desenvolvendo estratégias de enfrentamento ao racismo e ao machismo. Descendendo de africanas guerreiras, levantam bandeiras pleiteando direitos, preservando suas tradições, passando os legados culturais aos e as descendentes, perpetuando as memórias do povo negro e registrando a sua existência de enfrentamento e luta.
Mônica Cristina Cardim de Cerqueira (Pós-graduação Interunidades em Estética e História da Arte - Doutoranda)
Juca Rosa e Alberto Henschel: religiosidade, fotografia e poder nas identidades afrodiaspóricas / Juca Rosa and Alberto Henschel: religiosity, photograph and power on African-diaspora identities.
A presente proposta aborda as relações entre religiosidade, fotografia e poder nas identidades afrodiaspóricas. Trata-se da análise dos retratos do líder espiritual de ascendência africana Juca Rosa e alguns de seus filiados tomados pelo fotógrafo de origem alemã Alberto Henschel, no final do Império Brasileiro. A abordagem considera a trajetória transnacional das imagens, que atualmente fazem parte da Coleção do pesquisador alemão Alphons Stübel, em Leipzig. Adquirida por Stübel em viagem exploratória pelas Américas, de 1868 a 1876, esta compilação apresenta uma identificação padronizada, em que pessoas não brancas têm suas imagens associadas a tipificações com referência à raça, país de origem, ocupação e ou condição com relação à escravidão, e não às suas identidades sociais. O grupo de mulheres e homens liderado por Rosa, porém, configura-se como uma exceção à regra. Alguns de seus nomes, embora não apareçam nos registros da coleção, foram documentados na história da fotografia em seções dedicadas à representação de negros em retratos como uma das consequências de um processo criminal movido contra o sacerdote. A análise dos documentos do processo de Juca Rosa, bem como dos artigos publicados nos jornais da época, evidencia que sua grande transgressão está relacionada à notoriedade alcançada como líder de prática religiosa afro-brasileira. Depoimentos revelam ainda a relevância dos retratos na relação do sacerdote com seus filiados. Assim, a investigação focaliza os aspectos plásticos e sociais da concepção de retrato, como recurso de dominação e tipificação de indivíduos, e como de construção de identidades afrodiaspóricas no Brasil oitocentista.
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Webert Soares Veras (UNIGRANRIO) & Maura Cruz
O pensamento de Frantz Fanon / Frantz Fanon thought.
A partir de várias leituras, ente elas, “Condenados da Terra”, o conhecimento de sua história e a relevância de sua obra “Pele Negra, Máscara Branca” propusemos neste artigo refletir sobre as ideias de Frantz Fanon acerca da alienação do negro e do branco no sistema colonial e as contribuições de seu pensamento na atualidade para se pensar as relações entre racismo, colonialismo, lutas de classes e os reflexos no Brasil. O objetivo é destacar em suas principais obras as suas ideias mais importantes incluindo sua teoria da alienação. Em suas obras Fanon apresenta a alienação como uma etapa que antecede o colonialismo, etapa esta necessária para a manter a exploração econômica. O autor também analisa as condutas identitárias dos brancos, negros, colonizadores e colonizados, razão e emoção. A “vergonha de si” como resultado da dominação colonial e os efeitos destrutivos que dela advém mostrando como os mecanismos de alienação determinam as relações entre negros e brancos e estabelecem hierarquias que fundamentam e regem essas relações. Conhecer o pensamento de Fanon e reconhecer a relevância e atualidade de suas contribuições, conforme a proposta da disciplina é fundamental para podermos transpor o pensamento para a luta contra todas as formas de violência e dominação nos dias de hoje, em que ainda se evidenciam as lutas de classe e o racismo que até hoje se faz presente em nossa sociedade.
Gilciana Paulo Franco (UFJF- Universidade Federal de Juiz de Fora)
A inversão da tradição: a emancipação da mulher umbandista no espaço da folia / Tradition inversion: umbanda female emancipation on folia space.
Em Leopoldina, município localizado na Zona da Mata mineira, a Folia de Reis é uma manifestação bastante expressiva. De cunho popular e devocional, a folia era uma festa exclusivamente masculina. Porém, a mulher de certa forma, sempre esteve inserida, nas funções invisibilizadas, como cozinheiras, costureiras, nos cuidados com os uniformes, bandeira e objetos da folia, além de figurarem como devotas. Atualmente, a mulher busca sua inserção também no cortejo e no ritual, e surgem as folionas e donas de folias que acompanham o cortejo e possuem suas funções rituais específicas. Talvez não por coincidência, dentre os grupos pesquisados, aqueles em que as mulheres apresentam liderança e possuem visibilidade, são as folias formadas por integrantes umbandistas. O objetivo deste trabalho é compreender a relação desta maior autonomia e visibilidade da mulher na folia com a sua pertença religiosa. E por outro lado, discutir a relação inversa existente entre o aumento gradativo de relevância feminina no universo androcêntrico da Folia de Reis e a paulatina perda dessa relevância no cenário atual da umbanda, que historicamente contou com a participação feminina efetiva.
Lily-Rose Nomfundo Mlisa (Research Fellow: Faculty of Social Sciences and Humanities, South África)
Eu sou um/a igqirha: a jornada espiritual experiencial em favor da cura da construção identitária / I am an igqirha: experiential spiritual journey towards healing identity construction.
Traditional healers are acknowledged within their communities as possessing special insight, intuition knowledge and skills to connect and converse with the universe better than most people who are not healers. In African religions there are a wide variety of traditional healers and healing practices, using diverse healing practices, symbolisms and interpretations used in their various cultural divination systems. Rooted in the diversified rich ecological heritage of African indigenous religions are unique personal spiritual journeys that depict individual phenomenological and existential ways of constructing meanings leading to special spiritual healing identities. Various meanings are created and manifested in different physical and
18 spiritual abundant spaces travelled by an initiate. The presentation gives a personal narrative on the spiritual life journey of the presenter in her thirst for a holistically construed identity. The narrative gives various stages of such a development with a focus to critical themes such as umbilini (intuition), relevance of sacred spaces, cultural symbolism, utterances and interpretations of such in relation to umbilini knowledge as a therapeutic skill in ukunyanga tradition. The presentation concludes by confirming the philosophical understanding that African religions symbols and understanding resonate with other cultural groups as well as western theoretical frame works on the role and value of spiritual existence and revival. The practice of umbilini adds support to current notions that a different kind of knowledge do exist and is different from rational analytic knowledge. The difference does not imply an inferiority of intuitive knowledge but rather claim its recognition as valuable as analytic rational knowledge.
§ GT3: Filosofia africana, cosmovisões, sistemas de crença, rituais, festivais e
cerimônias / WG3: African Philosophy, cosmovisions, belief systems, rituals, festivals and ceremonies
Ernani Francisco dos Santos Neto (Faculdade Machado Sobrinho - Psicologia)
Reflexões acerca do transe religioso e sua relação nas religiões afro-brasileiras / Reflections on religious trance and its relation on African-Brazilian religions.
O transe religioso como objeto de pesquisa científica adquiriu com um passar dos tempos vários olhares, desde a visão de práticas selvagens primitivas, à demonização pela instituição religiosa bem como a sua patologização pelo campo das ciências psiquiátricas e psicológicas. Sendo o objeto de uma variada literatura que se estende por mais de um século o transe passou a ser visto, no contexto brasileiro, como traço central das religiosidades Afro-brasileiras e por ser um fenômeno tão complexo tem fascinado os antropólogos e estudiosos da religião em todo mundo. O presente artigo tem por finalidade refletir sobre transe religioso e sua relação com as religiões afro-brasileiras. Trata-se de uma reflexão acerca do transe religioso tendo como referenciais artigos científicos e textos clássicos que versam sobre o tema. Também foram anexados dois relatos de filhos-de-santo com o intuito de maximizar o estudo. Esta pesquisa nos leva a afirmar que o transe é visto como uma prática comum em muitas sociedades e percebido um elemento fundante para as cosmovisões afro-brasileiras. O estudo aponta algumas perspectivas dominantes de análise entre elas às perspectivas biológica, social e fenomenológica
Volney José Berkenbrock (Universidade Federal de Juiz de Fora - Professor)
O conceito de pessoa no Candomblé – Elementos de antropologia religiosa / The person as a Concept in Candomble - elements for an religious anthropology.
Aos sistemas religiosos subjaz também uma antropologia, isto é, um conceito de pessoa ou de ser humano. A religião do Candomblé que se estruturou no Brasil a partir da tradição religiosa nagô-iorubana trouxe consigo uma antropologia religiosa que lhe é inerente. Mesmo com todas as transformações ocorridas nesta passagem da África para o Brasil, é possível perceber nesta religião os elementos desta antropologia religiosa. O objetivo desta comunicação é refletir sobre o conceito de pessoa presente nesta forma de pensamento.
Luisa Magaly Santana Oliveira Reis (Mestranda no PPGAV/UFBA e Docente IF Baiano)
Artes visuais e rituais umbandistas: Uma experiência poética com os objetos cerâmicos utilizados no pejí de Mãe Isabel / Visual Arts and Umbanda rituals: a poetic experience with clay ritual objects used at Mother Isabel Pejí.
19 A partir de entrevista feita com Mãe Isabel ─ zeladora de inquice na cidade de Juazeiro (BA) ─, de observações feitas em seu quarto de santo, em sessões e rituais umbandistas, traço o elo entre a religião Umbanda e os processos de criação em arte. Arte e religião se encontram aqui por meio da materialidade, do ritual e dos elementos fundamentais (terra, água, ar e fogo), guiados pela fenomenologia poética de Gastón Bachelard. Com objetivo de encontrar fundamentos poéticos para a realização de trabalhos artísticos em cerâmica, vi nos objetos utilizados nos rituais de Umbanda, encontrados no Pejí de Mãe Isabel, pessoa essencial para esta pesquisa, uma espécie de costura rendada, que aproximou Umbanda, artes visuais e Natureza. A apropriação dos recipientes (objetos cerâmicos) sacralizados pela Umbanda dá origem a novas configurações dos objetos e os atribuem significados estéticos, gerando instalações artísticas por meio de uma poética das contenções e dos transbordamentos. O resultado desta pesquisa gerou a exposição “Cerâmica Encantada: Objetos de Contenções” (2014), onde a presença da materialidade me permitiu o contato com o imaterial. Além dos vasos, potes, aribés, moringas, pratos e panelas contentoras, estão presentes elementos como o mel, o azeite, a seiva de alfazema e o dendê, que em conjunto e diante das crenças umbanditas tentam conter os espíritos que em sua fluidez são incontíveis. A continuidade da pesquisa, diante de outras perspectivas e experiências artísticas, metodológicas e espiritualistas se dá no programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFBA.
Daniela Calvo (Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - Universidade Estadual do Rio de Janeiro)
Concepção da pessoa e cuidado da saúde no candomblé / The conception of "Person" and health care on Candomblé.
A manutenção do bem-estar do ser humano é uma componente fundamental no candomblé e abrange diferentes aspectos: saúde, vida longa, prosperidade, família, boas relações sociais, um bom caminho de vida e equilíbrio espiritual. A pessoa na sua complexidade de ser bio-psico-social e espiritual é envolvida neste processo. O candomblé oferece um diagnóstico pela consulta ao oráculo de Ifá; meios preventivos pela prescrição de proibições e de uma conduta apropriada; possibilidades de cura e cuidado por meio de oferendas aos oriṣas e aos antepassados; proteção de ataques espirituais e a manutenção do orí - a cabeça, a parte mais importante e mais sagrada da pessoa e sede do oriṣa pessoal. Na base das formas de cuidado no candomblé está uma concepção de pessoa múltipla, folheada, constituída por uma série de elementos, alguns físicos, outros espirituais, e outros compostos por partes espirituais e materiais, e uma cosmovisão que classifica os seres da natureza na base do oriṣa a que pertencem, dos elementos básicos da natureza e de sua força vital específica. Esta pode se ativada e acrescentada à pessoa por meio de rituais e de objetos, quais o bori (oferenda à cabeça), banhos, gberis (incisões), amuletos. Meu objetivo è aprofundar a concepção de pessoa no candomblé ketu, através de um estudo etnografico, e das formas em que a força vital dos elementos da natureza pode ser utilizada para manter e acrescentar o aṣe da pessoa, proporcionando-lhe saúde, bem-estar e um bom caminho de vida.
Lucineide Costa Santos (Universidade Federal de Juiz de Fora)
A Ética no Candomblé: Revisando um debate e propondo uma abordagem / Ethics on Candomblé: Revising a debate and proposing an approach.
20 A questão da ética no candomblé é pouco estudada na literatura e não possui grande consenso. Alguns autores consideram-no como possuidor de uma ética, outros como aético. Bastide assinala que ele é marcado pela reciprocidade, sendo um sistema baseado na dádiva. Prandi sustenta que ele seria uma religião aética por não apresentar normas para o cotidiano e por ser uma forma de ascensão pelo atendimento a uma clientela sem ligação com a religiosidade. Beloti considera que o trânsito religioso dos praticantes leva a uma influência mútua de umbanda e candomblé. Lins assevera que o Xangô de Pernambuco apresenta características mágicas ou sacrificiais e aéticas. Cossard entende que os laços construídos no barco de iaôs transformam-se em solidariedade mútua, cooperação e assistência moral. Carneiro, Jorge e Rivas trataram da ética pelo consumo de bens religiosos e pelo pertencimento religioso de pesquisadores. Rabelo argumenta que haveria uma conduta baseada no cuidado, e posteriormente, como sendo um problema vinculado às práticas em contextos concretos, com a construção de uma sensibilidade para agir eticamente no cotidiano do terreiro. Dias descreve o caráter renovável e a-ético do axé. Berkenbrock concebe uma ética relacional a partir de uma cosmovisão baseado na ideia de dois níveis de existência, o Orum e o Aiyê, e também pela relação de filiação dos indivíduos com os seus Orixás. Reconstruirei o debate e proporei uma outra abordagem da eticidade no candomblé, buscando-a buscando-além dos muros dos terreiros, como sendo umbuscando-a éticbuscando-a relbuscando-acionbuscando-al e incorporbuscando-adbuscando-a.
Irit Back (Head of African Studies, Tel Aviv University)
Sufis da África Ocidental e rotas do hajj: Dinâmica de Trocas Religiosas / Sufis from West Africa in the hajj routes: Dynamic of Religious Exchanges.
Pilgrimage routes from West Africa to Mecca provided channels for cultural and spiritual exchange between West African and Middle Eastern Muslims and facilitated religious exchange in both the sending and the receiving societies. While some of these religious exchanges were orthodox in nature, others were more popular, involving a variety of beliefs, practices, and organizations. The proposed paper will examine the ways that Sufi leaders and disciples spread their beliefs and practices and established new communities through "tāriqa networks" along the hajj routes and destinations from West Africa to the Middle East and back during the colonial period. Though the hajj pilgrimage was not new in the history of West African Muslims, the colonial era transformed its patterns, scope, and intensity, as well as it’s impact upon the mobilization of people and ideas. Improvements in infrastructures, the availability of cheap mechanical mass transport, and governmental planning of the hajj provided new opportunities created new and shifting spheres of influences. The Sufi tāriqa (Sufi order or brotherhood, tūrūq in its plural form) acted as cross-community networks, provided the basis for creating new communities of West Africans along these routes, and enabled pilgrims to establish contacts with other Muslim communities and spread their messages further. The proposed paper will analyze the changing dynamics between the hajj and the tariqa during the colonial period in three destinations created along the hajj routes – Kano, Mecca and Medina (considered here a single destination), and Jerusalem, and will examine the ways that indigenous and global religious influences were interacting during these spaces.
§ GT4: Religiões africanas, afrodiaspóricas e impacto social / WG4: African and
African Diaspora Religions and social impact
Cristina Silva; José Geraldo da Rocha. Patrícia Luisa Nogueira Rangel (Doutoranda – UNIGRANRIO, Professor Adjunto Doutor do Programa de Pós (Graduação em Humanidades, Culturas e Artes – UNIGRANRIO, Doutoranda do PPGHCA – UNIGRANRIO)
Festa do Divino Espírito Santo: marco histórico religioso na cidade carioca / The Holy Ghost Feast: a historical milestone on Rio de Janeiro City.
21 O presente artigo busca tratar da Festa do Divino Espírito Santo na cidade do Rio de Janeiro, que chega ao Brasil com a colonização portuguesa, e evidenciar a importância desta festa católica. Nesse contexto, as irmandades religiosas em parceria com grupos populares se debruçam na organização da celebração. Esses seguiam às ruas da cidade, com cantigas do Divino e a bandeira, objetivando angariarem donativos para sistematizarem a celebração em homenagem ao Divino Espirito Santo. Embora a festa fosse de iniciativa das irmandades das igrejas do centro da cidade em parceria com populares, o sucesso da mesma se expandia para as mais diversas classes sociais e regiões da cidade. A conservação da festa alterou muito ao longo do século XIX, em virtude do grande período de licença, que às vezes eram de dois meses. A Festa do Divino da cidade do Rio de Janeiro, não só apresentava o sentido de celebração católica, mas também era uma catalizadora de entretenimento, em que negros, brancos, ricos e pobres faziam parte do festejo, seja na organização, no comércio e nas representações artísticas. No conjunto artístico eram oferecidos teatros de bonecos e apresentações de circos; no comércio eram vendidas as mais variadas iguarias para o deleite dos frequentadores; também ocorria o famoso espetáculo de fogos esperado por todos. Todavia, o progresso que veio com a chegada da família real e a construção da Estrade Ferro, além de insatisfações por parte de determinados grupos da elite carioca, aos poucos foram cercando os espaços e impondo regras, de forma que a festa foi perdendo sua identidade espacial, até que o fim do sucesso da mesma fosse inevitável.
Gicelia Cruz (Cuxi Diáspora Africana / coordenação)
Religiões Afrodiaspóricas: negros batistas e pentencostais em Salvador (1882-1930) / African-Diaspora Religions: baptists and Pentecostal Blacks on Salvador (1882-1930).
No passado como nos dias atuais, o surgimento de religiões afro-diaspóricas nas Américas, possuem concretude e esta deve ser entendida e apreendida pelos diversos segmentos sociais. Assim sendo, é importante no que diz respeito nesse universo, que tais práticas religiosas e espirituais sejam analisadas, posto que as especificidades configuram diferentes identidades, processos e trajetórias históricas. Voltar o olhar para a capital baiana no período entre 1880 a 1930, sendo esta conhecida por ter uma população majoritariamente negra, que sempre apresentou contexto histórico-cultural e religioso com identidade própria, onde se percebia a presença da ancestralidade africana no seu cotidiano também através da prática religiosa, seja nas religiões de matriz africana, bem como no catolicismo. Em 1882, com a chegada do Protestantismo de Missão trazida pelos missionários batistas norte-americanos, os negros passaram à pratica da nova religião, sendo seu primeiro convertido um latoeiro, cuja profissão era exercida por pretos e pardos desta cidade. Em 1925, chegava à Salvador, a Igreja Pentencostal Assembléia de Deus, onde seu primeiro convertido foi o neto de um africano. Vale salientar que, o segmento pentencostal é o que concentra o maior número de negros praticantes. Nesse sentido, entender como se deu a conversão dos primeiros negros às igrejas batistas e pentencostais em Salvador, é delinear nosso trabalho nas observações que dialogam com a fronteira entre os estudos sobre a trajetória de negros evangélicos, pressupõe que entendemos a religiosidade das referidas populações afro-diaspóricas na sua formulação mais ampla que engloba entre outros: identidade, representação, mentalidades, crenças, conhecimentos, significados.
Ijeoma Onyeator (PhD Student, Pan-Atlantic University, Ibeju-Lekki, Lagos Nigeria)
Radicalismo Religioso e a Construção de Identidade Social nas Comunidades do Nordeste nigeriano / Religious Radicalism and the Construction of Social Identity in Communities of North-Eastern Nigeria.
For years, media and communication scholars have studied the role of the media as an agent of socialization, describing it as a double edged sword, an arbiter of social behaviour and a potent agent of socialization which permeates all other primary social agents. Rarely do such scholars conceptualize religion and its institutions along the same lines. This paper addresses this
22 seeming oversight and presents religion as a veritable platform for socialization and social control in post-colonial Nigeria. As an integrative force, it can foster social cohesion while at the same time inspire behavioural patterns that are considered to be antisocial. It is the purpose of this paper to address this debate by arguing that religion is a multifaceted construct which can stimulate positive patterns of social behaviour like civic volunteerism, while also having the capacity to fuel negative communicative acts such as institutionalized extremism. Using the communities located in three states in north-eastern Nigeria as a context, the study reveals that the communication and propagation of acquired religious doctrines and belief systems is at the heart of much of the conflict, division and social disorder in Nigeria. It further argues that social identity is constructed from the interactions and conflicts around religious extremism which raises concerns of stigmatization and social exclusion that could endanger national unity and also affect the image of the country abroad. Key words: Religion, radicalism, religious institutions, social identity, social stigmatization, North-east Nigeria
Ivan Costa Lima & Nico Augusto Có (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB)
Religiões de matriz africana no Ceará: atuação e ocupação de espaços públicos / African derived religions on Ceará state: political spaces occupation and proceedings.
O estudo trata de uma investigação desenvolvida na Universidade Internacional da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), dentro do Instituto de Humanidades e Letras, na cidade de Redenção, estado do Ceará-Brasil. Objetiva-se discutir como se expressam as dinâmicas culturais, sociais e políticas das religiões de matriz africana no Ceará, em face não apenas de sua relação com o sagrado, mas como guardiães do patrimônio civilizatório dos descendentes de africanos no Brasil. A pesquisa problematiza o imaginário construído sobre a população negra no estado, questionando sua invisibilidade e a falta de uma reflexão crítica sobre a cultura afro cearense. Reconstitui-se os elementos que configuram as suas formas organizativas como parte dos valores civilizatórios produzidos pela população negra, para que o conhecimento desta cultura possa subsidiar, em especial a educação diminuindo a discriminação enfrentada. Neste sentido, aponta-se que a participação dos adeptos destas religiões em espaços de controle social pode contribuir com este enfrentamento. Bem como, a utilização dos espaços públicos para dar visibilidade e conhecimentos as suas práticas culturais. Para tanto, para alcançar este conhecimento metodologicamente utilizaremos da pesquisa participante e da história oral para captar as dinâmicas utilizadas por estes sujeitos, através da utilização do registro audiovisual de suas participações dentro e fora das comunidades de terreiros, evidenciando sua base social na introdução de conteúdos sobre história e cultura africana e afro-brasileira nos sistemas de ensino no Brasil. Espera-se contribuir na construção de conhecimentos, que deem maior importância à população negra neste estado, subsidiando a universidade e a sociedade abrangente com suas histórias, memórias, formas de agir e pensar sobre as relações raciais dentro da Educação brasileira
Marcella de Guimarães Carvalho (Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Graduanda em finalização de TCC)
Arquitetura de Terreiro / Temple Architecture.
Dos negros, subtraídos de suas terras, exportados sob a forma de escravos, surge no Brasil uma religião contendo as características litúrgicas da cultura africana. O candomblé, de culto, identidade e simbolismo próprios, expande-se pelo território nacional como forma de religação à ancestralidade e aos seres divinos, os Orixás. Sendo uma religião disseminada em maioria das cidades brasileiras, hoje, tem nos terreiros suas sedes autônomas, que possuem características e simbologias muitas vezes incompreensíveis aos olhos alheios. Apesar das singularidades de cada ilê (casa), mantém alguns elementos à vista como forma de identificação, demarcação, funcionamento e até proteção de sua espacialidade. Dentre esses elementos é possível identificar remanescentes da arquitetura africana, vindas através do