USO DO TEXTO JORNALISTICO EM GEOGRAFIA
Waldir Roque Maffei1
Introdução: Desde muitos tempos remotos o homem já sentia uma necessidade de se
comunicar. Com evolução humana e as novas descobertas, surgiram novas formas de expressões humanas e novas linguagens. A utilização dessas novas ferramentas passa a ser uma importante estratégia para o professor. Essa nova forma de escrita, a junção de texto, imagem e áudio faz com que o papel do professor comece a ser repensado e exija uma mudança constante na sua prática pedagógica. Na atualidade as telas dos computadores são teias de possibilidade de utilização de escrita. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, "não se formam bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos, justamente no momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita.
Objetivo geral: Utilizar os textos de reportagens de variadas fontes, disponíveis pela
forma digital e que podem ser impressos para trabalho de sala de aula. Trata-se de tornar um material autêntico em didático, direcionando questionamentos, para ampliação do conteúdo desenvolvido em sala de aula.
Metodologia: O professor dispõe exclusivamente do livro didático como recurso de
ensino a ser utilizado em sala de aula. Nesse sentido, torna-se pertinente o pensamento de Andaló (2000, p. 38): "O aluno antes de entrar em contato com o mundo da escola, já teve oportunidade de manusear vários textos presentes em seu ambiente. Sendo assim, nada mais natural que a escola dê continuidade ao que a criança já aprendeu antes de chegar a ela”
Pensando nisso, a proposta segue algumas etapas: Parte 01:
1) Leitura do texto on line; ou seja, no site do jornal ou revista na sala digital, na razão de dois alunos por computador;
2) Projeção do texto no telão, com a leitura fragmentada; 3) Estudo do vocabulário, com uso do dicionário on line; 4) Concentração em alguns trechos para maior evidência;
5) Criação de um bloco de anotações para vocabulário e explicações, sendo esse manuscrito;
Parte 02:
1 Especialização em Mídias na Educação-UFRGS. Professor da EMEF Angelo Chiele e EEEF José Fanton –
6) Organização da reportagem em editor de texto, fazendo as adaptações necessárias; 7) Inserção de imagens para ilustração
8) Elaboração pelo professor, de alguns questionamentos para serem solucionados pelo aluno, em forma escrita;
9) Impressão do material para disponibilizar ao aluno;
10) Tempo da sala de aula para solucionar os questionamentos; 11) Aferição das respostas;
12) Devolução com os resultados.
Avaliação: A avaliação é de todo o processo de estudo: da participação dos alunos nas
etapas, as contribuições escritas e orais, a forma cooperativa de trabalho, na sala digital (parte 01). Posteriormente, a solução dos questionamentos e sua aferição. Mesmo que a leitura tenha sido eletrônica, na primeira etapa, o aluno pôde ter presente, na etapa seguinte, o impresso.
Considerações finais: Os resultados obtidos com essa prática contribuíram para que
os professores e alunos pudessem refletir sobre o processo de ensino-aprendizagem, que tem muito a ganhar com o uso de textos, tendo em vista a função jornalística e informativa que os mesmos exercem perante a sociedade. Permitiu o desenvolvimento de um trabalho significativo em torno de materiais de mídias, a oralidade e escrita no cotidiano escolar.
Referências:
ANDALÓ, Adriane. Didática de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamenta: alfabetização, letramento, produção de texto. Em busca da palavra-mundo. São Paulo: FTD, 2000.
BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais: 3º e 4º ciclos do Ensino Fundamental: Língua Portuguesa. Brasília/DF: MEC/SEF, 1998
GERALDI , JOÃO WANDERLY e outros. O Texto na sala de aula. São Paulo, Editora Ática, 2011
KOCH, Ingedore Villaça e ELIAS, Vanda Maria. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2009.
MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção do sentido. 2 ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.
ANEXO A – Texto Aplicado ao 8º Ano
O que torna uma cidade sustentável? – Sonya Angelica Diehn 25/06/2015 - A cidade de Essen, no oeste da Alemanha, foi escolhida a "capital verde" da Europa para o ano de 2017 – um prêmio dado anualmente pela Comissão Europeia para exemplos de ações ambientalmente importantes, incluindo esforços locais para melhorar o meio ambiente no perímetro urbano e promover o crescimento sustentável. Desde
2010, o título é concedido a cidades europeias com população superior a 100 mil habitantes. A premiação é dada sempre dois anos antes do período proposto. Para 2016, a vencedora foi Liubliana, na Eslovênia. A inglesa Bristol ganhou o título para 2015, e a capital dinamarquesa Copenhague, no ano passado. Antigo centro de mineração de carvão, no coração do Vale do Ruhr, Essen foi reconhecida por superar o desafio da sua história industrial e reinventar-se de maneira ambientalmente sustentável. Depois, tornou-se exemplo para outras cidades.
Mas o que, afinal, faz uma cidade ser considerada "verde"? Para o concurso, um grupo independente de
especialistas analisou as cidades com base em fatores como qualidade do ar, transporte, áreas verdes urbanas e medidas para lidar com as mudanças climáticas. George Ferguson, prefeito de Bristol, na Inglaterra, descreve as mudanças climáticas como "o maior desafio" que as cidades europeias precisam encarar. Segundo ele, enfrentar isso depende de inovação – e muitas vezes com bom humor. Exemplo disso é o que ficou popularmente conhecido como "poo bus", ônibus movido a fezes. "É o ônibus número dois, e funciona
por meio de dejetos humanos. Mas não cheira mal", brinca Ferguson. O "poo bus" faz parte da campanha de Bristol para reduzir a emissão de carbono em 40% até 2020. [...]
Antecessora de Bristol como "capital verde" da Europa, Copenhague tem ambições ainda maiores quando o assunto é mudança climática. A mais ousada é extinguir a emissão de carbono até 2025. Na última década, a cidade já
conseguiu reduzir o índice em 40%.
Há ainda mais esforços dos dinamarqueses para aumentar as estruturas construídas com energia
renovável e fomentar o uso adequado das bicicletas, com programas como o "bike-butler" ("mordomo de bicicleta"). Quando as pessoas estacionam as bicicletas em locais inconvenientes, os "mordomos" as removem. Mas quando os ciclistas chegam para pegá-las de volta, eles não são punidos com multa, mas sim
cumprimentados de forma amigável. Pode soar quase inacreditável, mas, além disso, a bicicleta ainda recebe um banho de óleo nas correias e tem os pneus cheios. Aparentemente, funciona. Hoje, em Copenhague, 45% de todos os deslocamentos para o trabalho e para a escola são feitos de bicicleta.
Além de reduzir a emissão de carbono, uma "cidade verde" deve ser também literalmente verde. Isso, porém, não significa apenas ter parques. A expressão da moda em termos de planejamento urbano é "infraestrutura verde", definida como áreas naturais projetadas para desempenhar uma série de funções. Ronan Uhel, chefe da agência europeia de meio ambiente, conceitua a infraestrutura verde como "uma solução de base natural" que também pode contribuir para a preservação da biodiversidade. [...]
Martin Powell, chefe de desenvolvimento urbano da empresa alemã Siemens no Reino Unido, salienta o quão isso é importante: "Uma cidade verde é absolutamente essencial para atrair o capital humano que você quer ver trabalhando e vivendo no local", diz.
Powell afirma que os municípios e a iniciativa privada podem "pegar carona" e colocar a infraestrutura verde para investimentos. Ele sugere que, quando grandes edifícios passam por uma renovação energética, podem incluir algumas características. "Por que não integrar com um telhado verde um lugar permeável, no lado de fora, para ajudar no escoamento da água vinda da superfície, uma drenagem sustentável e outras infraestruturas verdes?", sugere Powell. Ferguson, prefeito de Bristol, finaliza dizendo que as cidades são, ao mesmo tempo, fontes de muitos problemas, mas também de muitas soluções. "Se as cidades podem se tornar um laboratório de mudanças, os benefícios podem ser espalhados por toda a Europa. Uma cidade, sozinha, não vai mudar o mundo. Mas se compartilharmos ideias, e também os problemas, vamos compartilhar as respostas, e aí poderemos mudar o mundo", conclui.
Disponível em: <http://www.dw.com/pt/o-que-torna-uma-cidade-sustent%C3%A1vel/a-18526863>
ANEXO B – Questões relacionadas ao texto aplicado para o 8º ano
Questão 01: Quem concede o prêmio para a cidade “capital verde”? Questão 02: O que é o perímetro urbano?
Questão 03: Aponte a cidade/país para o ano da premiação: 2014, 2015, 2016, 2017 Questão 04: Por que Essen tornou-se conhecida?
Questão 05: Quais elementos foram usados indicadores para o concurso?
Questão 06: Qual é o maior desafio para as cidades europeias, segundo o prefeito inglês?
Questão 07: Em que cidade e país o “poo bus” é exemplo da campanha ambiental? Questão 08: Em cidade e país estão os “bike butler”? E o que fazem?
Questão 09: Para Martin Powell, da empresa Siemens no Reino Unido, por que é importante uma cidade verde?
Questão 10: O que Powel quis dizer com “pegar carona”? Questões 11 e 12: Verifique se cada frase é Verdadeira ou Falsa: a. As cidades pode se tornar laboratório de mudança
b. Uma cidade deve reduzir a emissão de carbono.
c. As cidades que participam do prêmio são de todos os continentes.
d. A futura cidade escolhida como cidade sustentável é Essen, na Dinamarca. e. Copenhague quer extinguir a emissão de carbono até 2025.
Questões 13 e 14: Para cada frase temos dois erros de contexto. Após identificá-los, sublinhe-os e indique as corretas.
A) Antigo centro de mineração de carvão, no coração do Vale do Silício, Essen foi reconhecida por superar o desafio da sua história medieval e reinventar-se de maneira ambientalmente sustentável.
B) A expressão da moda em termos de planejamento rural é "infraestrutura verde", definida como áreas urbanas projetadas para desempenhar uma série de funções.
[...]
ANEXO D – Texto aplicado para o 7º ano
Os jovens rurais e o desenvolvimento sustentável no campo - por Wagner Gomes, 30/07/2015 - Nos últimos 20 anos, as distâncias físicas e conceituais entre campo e cidade no Brasil diminuíram. Com a expansão das cidades, as regiões metropolitanas acabaram "engolindo" as cidades menores. As fronteiras estão menos polarizadas. Somam-se a este movimento as inovações tecnológicas, às redes sociais acessadas tanto por jovens urbanos quanto pelos novos rurais, e o empoderamento comunitário, que promove
articulações em prol do desenvolvimento sustentável do campo, em especial da agricultura familiar.
No Brasil existem 4,3 milhões de estabelecimentos da agricultura familiar, representando 84% do total de unidades. A agricultura familiar produz a maior parte dos alimentos consumidos pelos brasileiros: 70% do feijão, 83% da mandioca, 69% das hortaliças, 58% do leite e 51% das aves. E ainda responde por 74% da mão de obra no campo.
De acordo com anúncio feito no final do mês passado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, a agricultura familiar contará com R$ 28,9 bilhões de crédito para operações de custeio e investimento no ano safra
2015/2016, um aumento de 20% sobre o valor destinado ao setor no último ano safra. Além do maior volume de recursos destinado à agricultura familiar nos 20 anos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Plano Safra prevê a criação de
dois programas e uma série de medidas para regulamentar a agroindústria familiar e de pequeno porte, expandir os mercados de compras públicas e ampliar a assistência técnica com foco na produção sustentável e especial atenção à região semiárida.
O Nordeste era muito agrário até os anos 1990, quando a região avançou significativamente em tecnologia e equipamentos, ampliando também a visão dos jovens em relação às oportunidades no campo. No semiárido do Ceará, por exemplo, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) já atendeu cerca de 600 jovens e
800 agricultores familiares, desde 2007. O que observamos hoje é um espaço rural que vai além da produção agrícola, com a presença de produtos e serviços que antes só eram possíveis na cidade. [...] A Adel atua em quatro frentes: formação, microcrédito, acesso à tecnologia da informação e redes cooperativas. E assim como outras entidades, incluindo o Instituto
Souza Cruz, de quem somos parceiros no projeto Novos Rurais, somos verdadeiros agentes de reconfiguração do espaço rural.
Um dos nossos focos de atuação é incentivar os jovens a empreender no campo. São filhos de agricultores que podem ou não seguir os passos dos pais. E, se decidirem permanecer na zona rural, podem trilhar caminhos próprios, diversificando a produção na propriedade dos pais, com projetos agrícolas ou não. Já incentivamos projetos bem sucedidos de criação de ovelhas e aves para corte, confecção de roupas, lan house, oficina mecânica e até salão de beleza.
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/07/1662094-os-jovens-rurais-e-o-desenvolvimento-sustentavel-no-campo.shtml>
ANEXO E – Questões relacionadas ao texto aplicado ao 7º ano
Questão 01: Qual a palavra do texto que significa “dar às pessoas o poder, a liberdade e a informação para tomar decisões”.
Questão 02: O que é a “expansão das cidades” (resp. pessoal)?
Questão 03: “As fronteiras estão menos polarizadas” significa que as áreas de limite entre as cidades estão chamando menos a atenção.
>> Quais os fatores?
Questão 04: Quais são os principais alimentos produzidos com a agricultura familiar? Questão 05: Para que o Ministério do Desenvolvimento agrário vai destinar quase 29 bilhões de reais?
Questão 06: Qual a mudança apresentada pelo Nordeste pós 1990?
Questão 07: Qual são as frentes da Adel? Questão 08: Quais as atividades bem sucedidas que foram orientadas pela Adel?