Embriologia / Wbio
Fecundação ou fertilização: é a fusão de um par de gametas, com formação do zigoto. Na fecundação ocorre no
terço inicial da tuba uterina. Aproximadamente 300 milhões de espermatozóides são eliminados na ejaculação, apenas alguns poucos atingem a tuba uterina, e só um irá fecundar o ovócito II. Quando liberado do ovário, o ovócito II encontra-se envolto na zona pelúcida, formada por uma rede de filamentos glicoprotéicos (polissacarídeo: ácido hialurônico). Externamente a zona pelúcida há a corona radiata, formadas por células foliculares (células derivadas do ovário) ajudam na nutrição do ovócito II.
Etapas da fecundação:
1. Os gametas femininos exercem forte atração química sobre os espermatozóides;
2. Os sptz conseguem atravessar as células foliculares que formam a corona radiata e atingem a zona pelúcida, camada de glicoproteína, uma delas a ZP3, une-se ao espermatozoide e induz seu acrossomo a liberar o conteúdo enzimático (enzima hialuronidase) que abre um canal na zona pelúcida por onde os espermatozóides penetram e atingem a membrana plasmática do óvulo.
3. A membrana do espermatozoide apresenta uma proteína denominada fertilizinas que se une a proteínas receptoras presentes na membrana ovular. Após associação das duas proteína, a fusão promove uma alteração na permeabilidade da membrana ovular com a entrada de íons Na+ e a saída de íons K+ gerando uma onda de despolarização que atinge toda a superfície do óvulo. Assim, quando o primeiro sptz entrar irá desencadear uma alteração elétrica na superfície da membrana ovular que irá impedir a entrada de outros sptz.
4. As vesículas corticais contém enzimas proteolíticas que serão liberadas durante o processo de despolarização da membrana ovular, ocorre uma fusão da membrana da vesícula com a membrana ovular que irá liberar seu conteúdo na região da zona pelúcida alterando os receptores ZP3, que perdem a capacidade de se ligar aos sptz.
5. Quando ocorre a fusão da membrana do sptz com membrana ovular o conteúdo dos sptz (pró-núcleo, centríolos) entram no ovócito, o pró-núcleo feminino irá unir com o pró-núcleo masculina (processo denominado de cariogamia ou anfimixia) formando uma célula diplóide. Os centríolos participaram da
formação do primeiro fuso mitótico no zigoto. Obs.: o núcleo feminino antes da fecundação encontra-se na fase de metáfase II. A meiose só irá finalizar caso ocorra a fecundação.
Obs.: As mitocôndrias dos espermatozóides desintegram-se no citoplasma do óvulo. Assim, todas as mitocôndrias do corpo do novo indivíduo são de origem materna.
Hoje se sabe que há muitas doenças causadas por mutações no DNA mitocondrial e que elas são transmitidas diretamente das mães para seus descendentes. Além disso, a análise do DNA mitocondrial tem sido usada em testes de maternidade para verificar quem é a mãe de uma criança.
O núcleo haplóide do óvulo e o núcleo do espermatozóide recebem, respectivamente, os nomes pró-núcleo feminino e pró-núcleo masculino. Com a união desses núcleos (anfimixia), temos a formação da célula-ovo ou zigoto e o início do desenvolvimento embrionário.
Algumas doenças humanas que podem ser causadas por mutações no DNA mitocondrial. Algumas delas são causadas também por mutações no DNA dos cromossomos.
Alzheimer: perda progressiva da capacidade cognitiva
Oftalmoplegia crônica progressiva: Paralisia dos músculos dos olhos.
Diabetes melito: Altos níveis de glicose no sangue, levando a complicações como cegueira, disfunção renal e gangrena dos membros inferiores.
Distonia: Movimentos anormais envolvendo rigidez muscular
Síndrome de Leigh: Perda progressiva da habilidade motora e verbal é potencialmente letal na infância
Atrofia óptica de Leber :Perda temporária ou permanente da visão em decorrência de danos ao nervo óptico Zigoto: O ovo ou zigoto corresponde a primeira célula do organismo que armazena substâncias nutritivas ou de reserva conhecida como vitelo. Quanto maior o acumulo de vitelo no interior de um ovo maior ele será. A quantidade e a distribuição de vitelo no interior de um óvulo que vai ser fecundado, determina o tipo de segmentação e como o embrião vai se desenvolver.
TIPOS DE ÓVULOS:
a)ÓVULOS OLIGOLÉCITOS OU ISOLÉCITOS (OLIGO=POUCO; ISO=IGUAL; A=SEM). Exemplo: Equinodermos, Cnidários, Poríferos e Anfioxo, Moluscos, Nematódeos, Platelmintos. ÓVULOS ALÉCITOS. Mamíferos Euthérios (Placentários).
b)ÓVULOS TELOLÉCITOS INCOMPLETOS, HETEROLÉCITOS OU MEDIOLÉCITOS (TELO=EXTREMIDADE;
HETERO=DIFERENTE). Exemplo: Anfíbios.
c)ÓVULOS TELOLÉCITOS COMPLETOS, MACROLÉCITOS E MEGALÉCITOS (MACRO, MEGA=GRANDE). Exemplo: Alguns peixes, Aves e Répteis e Moluscos cefalópodes (Polvo e Lula).
d)ÓVULOS CENTROLÉCITOS. Exemplo: Artrópodes.
SEGMENTAÇÃO: Constitui a primeira etapa do desenvolvimento embrionário. A segmentação ou clivagem inicia-se com a formação do ovo ou zigoto após a fecundação e se estende até a formação da blástula. Essa etapa se caracteriza por sucessivas divisões mitóticas. Dentro da etapa de segmentação podemos citar 3 fases do desenvolvimento embrionário: ovo ou zigoto, mórula e blástula.
A mórula corresponde a uma fase do desenvolvimento embrionário caracterizada pela formação de uma maciço de células com aproximadamente 32 células. A fase de mórula possui muita semelhança com uma amora e por isso recebeu essa denominação. Cada célula embrionária que surge por mitoses sucessivas se denomina blastômeros.
A blástula corresponde a terceira fase da segmentação. Nessa fase os blastômeros migram para a periferia formando uma cavidade no interior da mórula recebendo o nome de blastocele preenchida totalmente por líquidos produzidos pelas próprias células.
No mamíferos placentários a blástula pode recebe o nome de baltocisto. O blastocisto é revestido por uma camada única de células, denominadas de trofoblasto, que por sua vez dará origem a parte fetal dá placenta. Dentro do blastocisto encontramos um aglomerado de células, conhecidas como embrioblastos que dará origem ao embrião.
OBS!! O TIPO DE SEGMETAÇÃO DEPENDE DA QUANTIDADE E DÁ DISTRIBUIÇÃO DE VITÉLO. O VITÉLO RETARDA A DIVISÃO CELULAR NAS REGIÕES EM QUE ESTÁ EM MAIOR CONCENTRAÇÃO.
Vitelo= proteínas + lipídeos
Segmentação Holoblástica ou Total (holos = total). O ovo divide-se totalmente. Pode ser: 1. Holoblástica igual – blastômeros do mesmo tamanho. Ex. óvulos oligolécito e alécitos.
2. Holoblástica desigual – blastômeros muito diferentes. Ex. heterolécitos.
Segmentação Meroblástica ou Parcial – (meros = parcial). O ovo divide-se parcialmente. Pode ser:
1. Meroblástica discoidal – divisão ocorre somente no polo animal a nível de cicatrícula. O polo vegetativo com vitelo não se divide. Ex. telolécitos
2. Meroblástica superficial – Ocorre na região periférica do ovo. Ex. centrolécitos
GASTRULAÇÃO: Consiste na formação da gástrula. É nessa fase que se forma o intestino primitivo chamado de arquêntero. A região do polo vegetativo da blástula sofre invaginação formando os dois primeiro folhetos embrionários (ectoderma e mesentoderma) e a futura cavidade digestiva conhecida como “intestino primitivo” ou arquêntero.
NEURULAÇÃO: Nessa fase inicia-se a formação do sistema nervoso, além de outras estruturas. Nessa etapa forma-se a notocorda (estrutura relacionada com a sustentação inicial do embrião. Essa estrutura é característica dos cordados. Nessa fase se formam os três folhetos embrionários (ectoderma, mesoderma e endoderma).
Formação e destino dos folhetos embrionários
O processo embrionário varia de acordo com o tipo de ovo e com o grupo do animal. Usaremos como exemplo o anfioxo, cujo estudo dá ideia da formação das principais estruturas embrionárias dos vertebrados em geral. Sua segmentação é holoblástica e igual. A mórula transforma-se em um embrião oco blástula a cavidade é a blastocele), que sofre uma invaginação (embolia) e origina a gástrula (o processo denomina-se gastrulação), com duas camadas de células, os folhetos embrionários ou germinativos (ectoderme e endoderme)
Esse embrião possui uma cavidade (arquêntero; arque = primitivo; entero = intestino), que originará o tubo digestório e que se comunica com o exterior por um orifício (blastóporo). Nos protostômios (maioria dos invertebrados), o blastóporo origina a boca do futuro animal. Nos equinodermos e cordados (deuterostômios), a boca abre-se do lado oposto ao blastóporo, que origina o ânus.
Em seguida, surge um terceiro folheto (mesoderme), proveniente de uma região do folheto interno. Ao mesmo tempo, formam-se o celoma (cavidade geral, onde se localizam os órgãos), a noto-corda ou corda dorsal e o intestino primitivo. Es sãs modificações do folheto interno são acompanhadas pela formação do tubo neural a partir da ectoderme. Essa fase é chamada nêurula e é o início da formação dos órgãos.
O tubo neural e a notocorda formam-se apenas nos cordados. A notocorda é um eixo de sustentação do em-brião, que permanece na fase adulta do anfioxo, mas nos vertebrados é gradativamente substituído pela coluna ver-tebral. O tubo neural origina o sistema nervoso.
Os cnidários permanecem com dois folhetos (ectoderme e endoderme) e são chamados diblásticos. Os outros animais desenvolvem a mesoderme e denominam-se triblásticos. Nem todos apresentam celoma: os platelmintos são acelomados; os nematódeos são pseudocelomados (possuem um falso celoma, entre a mesoderme e a endoderme); os demais triblásticos (anelídeos, artrópodes, moluscos, equinodermos e cordados) são celomados (possuem um verdadeiro celoma, no interior da mesoderme).
Folhetos embrionários; Ectoderma:
1 - Encéfalo e sistema nervoso
2 - Epiderme e estruturas associadas (pelos e unhas)
Mesoderma:
1 - Derme (camada interna da pele)
2 - Sistema muscular (músculos lisos e esquelético)
3 - Sistema circulatório (coração, vasos sanguíneos e sangue) 4 - Esqueleto (crânio, coluna vertebral e ossos dos membros)
5 - Sistema urogenital (rins e seus ductos, bexiga, uretra, gônadas e ductos genitais)
Endoderma:
1 - Epitélio e glândulas do tubo digestivo
2 - Epitélio do sistema respiratório (brânquias ou pulmões) 3 - Epitélio de revestimento interno da bexiga urinária.
ANEXOS EMBRIONÁRIOS:
São estruturas temporárias que auxiliam o embrião na sua sobrevivência e desenvolvimento. 1. Saco Vitelínico – funções:
Armazena vitelo
Função hematopoiética 2. Âmnion – funções:
Proteção contra choques mecânicos
Evita variações bruscas de temperatura.
Proteção contra desidratação 3. Alantoide – funções:
Armazena excretas
Participa da respiração
Participa na absorção de cálcio da casca para a formação dos ossos. 4. Córion – funções:
Proteção
Respiração 5. Placenta – funções:
Promover trocas gasosas entre o feto e a mãe.
Eliminar resíduos do metabolismo celular fetal
Nutrir o embrião
Participa da defesa imunológica
Hormonal
Desenvolvimento embrionário humano
A fecundação na espécie humana ocorre na tuba uterina. Ã medida que desce por ela em direção ao útero (levado pelo batimento dos cílios e pelas contrações musculares da tuba), o embrião sofre segmentação. Três a quatro dias depois da fecundação, ele chega ao útero na fase de mórula, sendo formado por doze a dezesseis blastômeros. Passados mais três dias, já é uma blástula (também chamado blastócito ou blastocisto) e está implantado no útero. Nessa fase, pode-se observar uma camada mais externa de células (trofoblasto), que origina o Córion, e uma massa celular interna, que formará o embrião e os anexos embrionários.
O trofoblasto secreta enzimas que abrem espaços entre as células do endométrio e retira nutrientes para o embrião, promovendo sua implantação no útero. Por volta do décimo quarto dia, o endométrio já cresceu em volta do embrião, isolando-o da cavidade uterina. Depois, formam-se as vilosidades do Córion, que ficarão mergulhadas no endométrio, em cavidades cheias de sangue, originando a placenta.
No final da terceira semana depois da fecundação, começam a se formar os principais órgãos dos sistemas nervoso, digestório e circulatório, e o coração começa a bater. Essa formação está completa no final da oitava semana depois da fecundação, e o embrião passa a ser chamado feto: já tem aparência tipicamente humana, mede
cerca de 2,5 cm de comprimento e pesa 15 g. Ele continua a crescer e a se desenvolver. No final do terceiro mês, pesa cerca de 30 g, mede 8 cm de comprimento e começa a mover braços e pernas. No quinto mês os movimentos são mais fortes, e a mãe começa a percebê-los.
Após cerca de quarenta semanas (nove meses, 280 dias) depois do primeiro dia da última menstruação, ocorre o parto. As contrações da musculatura do útero indicam que o momento do parto se aproxima. A bolsa de água se rompe, e a criança é empurrada para fora do corpo da mãe através da vagina. A placenta é eliminada, e o cordão umbilical é cortado. O umbigo é a cicatriz que fica no lugar do cordão umbilical. A criança pesa de 3 kg a 3,5 kg, em média, tem de 48 cm a 52 cm de comprimento e passa a respirar pelo seu sistema respiratório.
Problemas na gravidez
Se nascer antes das quarenta semanas (bebê prematuro), o bebê deverá permanecer algum tempo em uma incubadora, aparelho que mantém uma temperatura constante e oferece proteção contra infecções.
Fumo, álcool, drogas psicotrópicas, certos medicamentos e algumas doenças provocadas por vírus, como a rubéola, podem prejudicar o embrião. Algumas infecções podem danificar parte da tuba uterina e impedir que o zigoto atinja o Útero.
Em alguns casos, o embrião pode se implantar na tuba uterina (gravidez ectópica). Como esse órgão não está adaptado para sustentar uma gravidez, o embrião acaba provocando o seu rompimento ou dos tecidos ã sua volta. É necessária uma cirurgia, pois há sangramento, dor e risco de morte.
Em algumas situações, por exemplo, quando o feto não está na posição adequada para o nascimento (com a cabeça voltada para baixo), o parto normal é perigoso para a mãe ou para o feto. O médico pode optar por uma cesariana, operação que con-siste em fazer um corte no abdome, pelo qual o bebê é retirado.
Com alguns exames é possível descobrir certos problemas genéticos na criança antes do nascimento. Um desses exames é a amniocentese, que pode ser feita a partir da décima quarta ou décima sexta semana de gestação. O médico retira com uma agulha um pouco do líquido amniótico, com células do feto, que são examinadas para verificar se há anormalidade nos cromossomos, como a que ocorre na síndrome de Down, ou outros problemas. Exames desse tipo são indicados em casos de gravidez em mulheres com mais de 35 anos, que já tiveram filhos com síndrome de Down ou com problemas genéticos na família.
Formação de gêmeos
Os gêmeos monozigóticos (univitelinos, idênticos ou verdadeiros) formam-se de um único óvulo fecundado por um único espermatozoide, mas, em vez de originar apenas um embrião, o zigoto origina dois ou mais. Isso porque as células formadas nas fases iniciais do desenvolvimento (até oito dias depois da fecundação) separam-se em dois ou mais grupos independentes, e cada grupo origina um embrião completo. Se a separação ocorrer cedo (dois a três dias depois da fecundação), formam-se gêmeos com dois âmnios, dois córions e duas placentas (se a implantação no útero for próxima, o Córion e a placenta podem fundir-se; O mais comum, porém, é a separação ocorrer depois, formando-se duas massas celulares internas, que compartilham o mesmo trofoblasto. Nesse caso, ambos os gêmeos vão compartilhar o mesmo Córion e a mesma placenta, mas cada um estará em uma cavidade amniótica.
Quando a separação ocorre mais tarde, depois do nono dia, os embriões dificilmente sobrevivem ou, se a separação não for completa, podem surgir gêmeos verdadeiros presos por uma parte comum do corpo e compartilhando órgãos: são os irmãos siameses ou xifópagos Em certos casos, dependendo dos órgãos que tenham em comum, é possível separá-los cirurgicamente.
Na população humana, ocorrem cerca de quatro gêmeos univitelinos em cada mil nascimentos. A maioria dos casos de gêmeos (sete em cada mil nascimentos) ocorre de outra forma: a mulher lança na tuba uterina dois ou mais óvulos no mesmo ciclo, e cada um é fecundado por um espermatozoide. Como esses gêmeos se desenvolvem de células-ovo distintas, que vieram da união de gametas com genes diferentes, eles não são tão parecidos quanto os idênticos. Podem ter ou não o mesmo sexo, por exemplo. De fato, podem ser tão diferentes quanto dois irmãos não gêmeos. Por isso, são chamados gêmeos fraternos, falsos ou, como vieram de zigotos diferentes, dizigóticos (ou plurizigóticos] ou bivitelinos (ou plurivitelinos). Há sempre dois âmnios e dois córions, com duas placentas (se eles se implantarem em regiões próximas, pode haver fusão dos córions e das placentas).
A formação de trigêmeos, quadrigêmeos, etc. é bem mais rara e pode resultar da separação de vários conjuntos de blastômeros, de uma ovulação múltipla ou de ambos os fatores.
Parece não haver tendência hereditária para a formação de gêmeos idênticos; ao que tudo indica, ela ocorre ao acaso. Mas algumas mulheres são mais propensas a lançarem simultaneamente mais de um óvulo na tuba, originando gêmeos falsos.
A identificação do tipo de gêmeo pode ser feita por meio de um exame de DNA: somente os gêmeos verdadeiros terão exatamente o mesmo material genético.
Em alguns animais, como o tatu, é usual nascerem de quatro a oito gêmeos verdadeiros em uma ninhada, fenômeno chamado poliembrionia.
Causas do desenvolvimento embrionário
Todas as células do embrião originam-se por mitoses da célula-ovo; portanto, têm os mesmos genes. No entanto, nem todos os genes de uma célula estão ativados. Ao longo do desenvolvimento embrionário, certos genes serão ativados e outros permanecerão inativos. Por esse processo - diferenciação celular -, as células embrionárias, inicialmente idênticas entre si, originarão os diversos tipos de células especializadas que formam o organismo.
A potencialidade de uma célula para originar todas as outras perdura, no máximo, até a fase de gástrula, quando certos "caminhos" começam a ficar definidos. A camada externa da gástrula (ectoderme), por exemplo, origina o tecido nervoso, a epiderme e o revestimento da boca e do ânus. Portanto, a potencialidade das células começa a ficar cada vez mais limitada.
Certos grupos de células podem influenciar no desenvolvimento de outras, por exemplo, pela produção de substâncias químicas capazes de ativar ou inativar os genes de outras células. Dentre essas substâncias estão algumas proteínas, RNA-m e o ácido retinóico.
Um trabalho pioneiro nesse campo foi realizado pelo biólogo alemão Hans Spemann (1 869-1941), na década de 1920. Ele cortou um pedaço do lábio dorsal (região do blastóporo) de um embrião de salamandra e transplantou-o para a regiãtransplantou-o ventral de transplantou-outrtransplantou-o embriãtransplantou-o. Esse pedaçtransplantou-o induziu as células da regiãtransplantou-o ventral a prtransplantou-oduzir uma ntransplantou-ottransplantou-octransplantou-orda e um tubo neural, que induziram a formação de outros tecidos, e, aos poucos, formou-se outro embrião unido ao original (figura 32.1 7).
Essa experiência demonstrou que certas regiões do embrião podem induzir ou orientar a especialização de outras regiões. O fenômeno foi chamado indução embrionária. Ao longo do desenvolvimento embrionário ocorre uma espécie de reação em cadeia: uma região dá a partida, comandando a especialização de outra, que, ao se es-pecializar, orienta a especialização de uma terceira.
Esta comandará a especialização de outra, e assim por diante.
Outro exemplo de indução é a formação dos olhos. Duas expansões do cérebro (vesículas ópticas) induzem a ectoderme a se espessar e formar placas de células que serão os futuros cristalinos (figura 32.18). Essas células induzem as vesículas ópticas a formar os cálices ópticos, e estes secretam substâncias que terminam a transformação das células da ectoderme em cristalino.
Observação: Em alguns animais, como na maioria dos peixes, apesar de as fêmeas produzirem grande número de
óvulos, poucos embriões sobrevivem e completam o desenvolvimento, uma vez que eles não recebem muita proteção dos pais. Em outros, como nos mamíferos, a produção de óvulos é pequena, mas a proteção e a taxa de sobrevivência são maiores. Essas e outras características dependem, dentre outros fatores, do local onde ocorre o desenvolvimento embrionário. De acordo com ele, os animais podem ser divididos em:
ovulíparos - as fêmeas lançam os óvulos na água e ocorre fecundação externa; caso de muitos invertebrados
aquáticos e de alguns peixes e anfíbios;
ovíparos - a fecundação é interna e a fêmea elimina o ovo (este termo pode ser usado como sinônimo de célula-ovo
ou de todo o conjunto formado pela célula, pela casca e pelos anexos embrionários), que se desenvolve no exterior as custa de suas reservas nutritivas; caso dos répteis em geral, das aves e de vários invertebrados; a fecundação interna fornece maior proteção aos gametas e, como a presença de um ovo com casca e com anexos embrionários, é uma adaptação ã vida terrestre;
ovovivíparos - o embrião desenvolve-se no interior da fêmea (o ovo é retido no oviduto), à custa de suas reservas;
isso protege mais o embrião e o filhote sai formado de dentro da mãe; caso de certos invertebrados, alguns peixes e determina dos répteis;
vivíparos - o embrião absorve diretamente do sangue materno o alimento e o oxigênio necessários e elimina seus
excretas através da placenta, que se forma no útero da mãe; são representados tipicamente (mas não exclusivamente) pelos mamíferos.
Desenvolvimento direto e indireto
Do ovo dos répteis e das aves forma-se um pequeno animal semelhante ao adulto; para sua formação é necessária uma quantidade muito grande de vitelo. Nos ovos de mamíferos também é formado um filhote semelhante ao adulto, mas não há necessidade de grande quantidade de vitelo, pois o embrião começa desde cedo a receber alimento diretamente da mãe. Dizemos que nos répteis, nas aves e nos mamíferos o desenvolvimento é direto.
Os ovos com quantidade de vitelo inferior ã existente nos ovos de répteis e aves e cujo embrião não recebe alimento diretamente da mãe (não são vivíparos) costumam formar filhotes com estrutura mais simples, as larvas (para formá-las não ê necessária uma quantidade de vitelo tão grande quanto para formar um filhote semelhante ao adulto). A larva é capaz de se locomover, capturar e armazenar quantidade suficiente de alimento para se transformar em um animal adulto. Essa transformação é chamada metamorfose e ocorre com os girinos (larvas dos anfíbios) e com muitos invertebrados. Esse tipo de desenvolvimento é chamado indireto.
Nos insetos, a metamorfose é bem característica. Nas borboletas, por exemplo, o ovo produz uma lagarta, que se alimenta de folhas de vegetais. Após algumas semanas, ela tece um casulo e permanece imóvel dentro dele (fase de pupa), utilizando o alimento obtido para se transformar em imago
Exercícios de aprendizado
01)Sabemos que a fecundação ocorre quando um espermatozoide entra no interior de um ovócito secundário. Após a entrada do gameta masculino, ocorrem modificações no ovócito que impedem a entrada de outros espermatozoides. Analise as alternativas a seguir e marque aquela que explica corretamente esse processo.
a) Ao chegar aos ovócitos, os espermatozoides liberam enzimas que matam os outros espermatozoides e alteram a superfície do gameta feminino.
b) Assim que o espermatozoide entra no interior do ovócito, os grânulos corticais liberam seu conteúdo e formam a membrana de fecundação que impede a penetração de outro espermatozoide.
c) Quando um espermatozoide penetra no ovócito secundário, ocorre a multiplicação de células da zona pelúcida, impedindo a entrada de outros espermatozoides.
d) Assim que o espermatozoide entra no ovócito, ocorre a destruição da parede dessa última célula, evitando que outros espermatozoides penetrem no gameta feminino.
e) A entrada do espermatozoide no ovócito desencadeia a fragmentação da corona radiada, o que impede a passagem de outros espermatozoides.
02) Imagine que você é um cientista! Ao chegar a um laboratório de embriologia, verificou que havia um material a ser identificado no microscópio. O material tratava-se de um zigoto (ou ovo) e, com o passar dos dias, você foi observando as seguintes características:
- pouco vitelo distribuído uniformemente nos polos vegetativo e animal; - clivagens do tipo holoblásticas iguais.
De acordo com tais características, conclui-se que o ovo pode ser classificado como: a)Centrolécito.
b)Telolécito. c)Mesolécito. d)Megalécito. e)Oligolécito.
03)Observe o esquema representativo do desenvolvimento dos anexos embrionários em aves e em seguida, analise as proposições apresentadas, colocando (V), para as Verdadeiras ou (F), para as Falsas.
( )Em 1 está representada a cavidade amniótica, que funciona como um reservatório de alimentos para o embrião. ( )Em 2 está representado o âmnio, que é uma membrana formada pelo crescimento conjunto do ectoderma e as somatopleura ao redor do embrião, constituindo a bolsa amniótica.
( )Em 3 está representado o alantoide, cuja principal função é armazenar as substâncias excretadas pelos rins do embrião.
( )Em 4 está representado o alantocório, que é formado pela associação entre o cório e o alantoide, sendo ricamente vascularizado, o que permite a troca de gases entre os tecidos embrionários e o ar ao redor da casca.
( )Em 5 está representado o saco vitelínico, bolsa de material nutritivo, cuja função é nutrir o embrião durante a etapa inicial de desenvolvimento.
A alternativa que apresenta a sequência correta é: a)F – V – F – V – V.
b)V – V – V – F – V. c)V – F – F – V – F. d)F – V – V – F – F. e)F – V – V – V – V.
04)O esquema abaixo representa o processo de neuruIação em anfioxo. Identifique as estruturas indicadas por setas e assinale a alternativa cujas informações estão corretas.
a)1 - tubo digestório; 2 - canal neural; 3 - notocorda;4 - somitos; 5 - hipômero. b)1 - tubo digestório; 2- tubo neural; 3 - canal neural;4 - notocorda; 5 - celoma. c)1 - celoma; 2 - notocorda; 3 - tubo neural; 4 - hipômero;5 - somito.
d)1 - tubo digestório; 2 - notocorda; 3 - canal neural;4 – somitos; 5 – celoma. e)1 - endoderma; 2 - tubo neural; 3 - notocorda; 4 - celoma;5 - somito.
05) Os gêmeos sempre exerceram um fascínio para a maioria das pessoas, principalmente os monozigóticos ou idênticos. Parte desse interesse está relacionada ao fato de que esses indivíduos representam a manifestação natural que mais se aproxima da clonagem na espécie humana.
O mecanismo que está associado com a formação dos indivíduos citados é a a)divisão do feto em gestação em dois indivíduos separados.
b)divisão do embrião em dois grupos celulares independentes. c)fecundação de um óvulo por dois espermatozoides diferentes. d)ocorrência de duas fecundações simultâneas no útero materno. e)fertilização sucessiva de dois óvulos por apenas um espermatozoide.
Caso não ocorra o fenômeno indicado pela seta, o destino do ovócito II é ser a)degenerado na tuba uterina.
b)eliminado juntamente com a menstruação. c)mantido na tuba, aguardando outra ejaculação.
d)retornado ao ovário para ser eliminado na outra ovulação. e)aderido ao endométrio para ser posteriormente fecundado.
07)O desenvolvimento embrionário é diversificado entre os diferentes grupos animais, e ocorre, de maneira geral, em três fases consecutivas. Assinale a alternativa correta quanto ao desenvolvimento embrionário dos anfioxos. a)A organogênese é a fase em que o arquêntero, ou intestino primitivo, é formado a partir da blastocele.
b)A gastrulação é o processo de formação dos órgãos, sendo possível visualizar o tubo neural e o intestino, ao final dessa fase.
c)A organogênese é o processo de transformação da blástula em gástrula.
d)A segmentação é um processo em que o zigoto sofre clivagens (divisões), originando os blastômeros.
e)A neurulação é o início da formação dos folhetos embrionários denominados ectoderme e endoderme, a partir da gástrula.
08)Durante o desenvolvimento embrionário de répteis, aves e mamíferos, formam-se estruturas associadas ao corpo do embrião denominadas anexos embrionários.
I. Âmnio ( A ) Bolsa ligada ao sistema digestório do embrião, que fornece componentes nutritivos para os vasos sanguíneos desse.
II. Saco vitelínico ( B ) Possibilita trocas de gases respiratórios entre o sangue embrionário e o ar atmosférico.
III. Alantoide ( C ) Bolsa cheia de líquido que envolve e protege o embrião da dessecação e de choques mecânicos.
IV. Córion ( D ) Bolsa que armazena as excreções produzidas pelo embrião durante seu desenvolvimento.
Assinale a alternativa correta. a)I-D - II-A - III-B - IV-C. b)I-A - II-C - III-D - IV-B. c)I-C - II-A - III-D - IV-B. d)I-B - II-A - III-C - IV-D.
09)A figura a seguir mostra o desenvolvimento embrionário de um ser humano e apresenta, numerados, os anexos embrionários que o feto necessita para o seu desenvolvimento.
Analise as afirmativas.
I - A vesícula vitelina, representada pelo número 1, não é necessária nos mamíferos, ela se atrofia gradativamente e desaparece. No parto, aparece junto com alantoide reduzida a vestígios no cordão umbilical.
II - Os números 5 e 6 representam a cavidade amniótica e o córion. A cavidade amniótica protege o feto contra choques mecânicos e o córion envolve a cavidade amniótica.
III - O número 3 indica a placenta, que é o principal contato do feto com a mãe, facilitando a entrada do oxigênio e dos nutrientes e eliminando as excretas do embrião na circulação materna.
IV - O alantoide, representado pelo número 2, é bem reduzido, se une ao córion e à mucosa uterina para formar a placenta.
V - O âmnio, representado pelo número 4, protege todo o feto e os anexos embrionários. Estão corretas apenas as afirmativas
a) I, II e V. b) III e IV. c) II e V. d) I, III e IV.
10)Durante o desenvolvimento dos animais, um processo morfogênico chamado de gastrulação origina os tecidos embrionários, coletivamente chamados de folhetos embrionários: a ectoderme, a endoderme e a mesoderme. Com base nessa afirmativa, relacione os folhetos embrionários com alguns de seus derivados em vertebrados adultos.
( 1 ) ectoderme ( ) sistemas esquelético e motor
( 2 ) endoderme ( ) fígado
( 3 ) mesoderme ( ) sistema nervoso e glândula hipófise ( ) pâncreas e glândula tireoide O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, a)1 – 2 – 3 – 1.
b)1 – 3 – 2 – 3. c)2 – 1 – 3 – 3. d)2 – 3 – 1 – 2. e)3 – 2 – 1 – 2.
11)Observe a figura e julgue os itens:
O desenho acima mostra um ovo terrestre de um réptil.
As setas I, II, III e IV correspondem, respectivamente, aos seguintes anexos embrionários: a)alantoide, cório, saco vitelínico e âmnio.
b)alantoide, âmnio, saco vitelínico e cório. c)cório, alantoide, âmnio e saco vitelínico. d)saco vitelínico, alantoide, cório e âmnio. e)âmnio, alantoide, cório e saco vitelínico.
12)A respeito do ovo amniótico, produzido por répteis (incluindo as aves) e mamíferos, considere as afirmativas a seguir.
I - Permitiu aos amniotas ocupar um número maior de ambientes do que aqueles ocupados pelos anfíbios. II - Difere do ovo dos anfíbios e peixes apenas pela presença de uma casca calcária.
III - É nomeado em função da presença do âmnio, membrana que circunda o embrião e o envolve em uma cavidade preenchida por fluido.
É correto o que se afirma em: a)Somente I, III e IV.
b)Somente II, III e IV. c)Somente III. d)Somente I, II e IV. e)I, II, III e IV.