GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO Conselho Estadual de Educação Criado em 1842
I. RELATÓRIO
1. A digna Presidente do Conselho Estadual de Educação submeteu à apreciação e pronunciamento desta Câmara de Educação Superior, considerando o disposto no Art. 59, inciso V, do Regimento Interno, o constante do Oficio CONFEF Nº 062/2011, de 25.01.2011, confirmado pelo de Nº 412/2011, especialmente quanto ao item 2.3 do Parecer CEE-BA Nº 198/2004, aprovado pela Câmara em 05/07/2004 e pelo Colendo Conselho Pleno em 06/07/2004, do qual foi Relatora a então eminente Conselheira Nadja Maria Valverde Viana e Presidente deste Conselho, para efeito de Reconhecimento do Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS. Aliás, importa lembrar que não se tratou de Autorização de Curso, pois, pelos Arts. 53, parágrafo único, e 54 da mesma LDB, sendo UNIVERSIDADE, no caso integrante do Sistema Estadual de Educação da Bahia, nos termos constitucionais e dos Arts. 10 e 17 da Lei 9.394, de 1996, ela prescinde de Autorização de Curso.
2. Ensejou a consulta daquele nobre Colegiado Profissional o entendimento de que, pelo item 2.3 - Concepção do Curso e Perfil do Egresso do referido Parecer, os atuais Licenciados em Educação Física estariam aptos a atuar nos estabelecimentos da Educação Básica, em clubes, academias, etc, voltados para o desenvolvimento de ações integrativas da cultura corporal e esportiva, e que um novo Projeto Curricular foi aprovado pelo CONSEPE da Universidade em 1º de Julho pela Resolução 26/2004, pautando-se em
Parecer Número 207/2011
Interessado: Conselho Federal de Educação Física - CONFEF Município:
Rio de Janeiro - RJ Assunto: Consulta sobre o Parecer 198/2004, referente ao Reconhecimento e Autorização do Curso de Educação Física – UEFS
Relator: Conselheiro Pedro Sancho da Silva Aprovado no Conselho Pleno
Em, 25/07/2011
Câmara de Educação Superior
Processo
conteúdos que levem os Profissionais a atuação em segmentos, espaços e campos mais amplos do que aqueles concebidos para a Unidade Escolar, segundo as peculiaridades do processo educativo, na Educação Básica.
3. Para maior objetividade na consulta, transcreve o Consulente o excerto daquele Parecer, que reproduz o texto do então do Projeto do Curso, litteris:
“Atualmente, após a realização de uma alteração curricular um novo Projeto Curricular foi aprovado pelo CONSEP da Universidade em 1º de julho p.p, Resolução CONSEPE 26/2004, pautando-se em conteúdos que levem os profissionais a:
“1. intervir na organização dos diversos campos de trabalho, como: escolas, clubes, academias, condomínios, acompanhamentos individualizados, hotéis, comunidades, ONGs, etc, com competência técnica, autonomia intelectual e compromisso político.
Atentando para o fato de que, legalmente, a Licenciatura Plena em Educação Física tem perfil de egresso diverso daquele concebido para o Bacharel, com os devidos limites fronteiriços estabelecidos respectivamente pelas Resoluções CNE/CES 01/2002 e 07/2004, e com o objetivo de instruir os Conselhos Regionais de Educação Física ante o fato de estarem Registrando os egressos dos cursos de Licenciatura na área de Intervenção do Profissional de Educação Física (sic) conforme Of. 062/2011, a dúvida é suscitada quanto ao acerto ou não desse procedimento, até para evitar “demandas judiciais entre os concluintes do Curso e o Conselho Regional de Educação Física” (sic).
4. Ademais, a preocupação revelado pelo Consulente advém do seu conhecimento de que o Conselho Regional de Educação Física – CREF 13/BA-SE enviou ao Excelentíssimo Senhor Secretário de Educação do Estado da Bahia e à SUDEB/SEC-BA, em 07.02.2011, o Oficio CREF 13 Nº 037/2011, ali recebido em 17.02/2011, reportando-se a entendimento do seu colento Conselho Federal – CONFEF e avocando para si a função normativa sobre o exercício do Docente em Educação Física, como Componente
Curricular do Ensino Fundamental e Médio, inclusive impondo as condições e requisitos para a inscrição do docente em Concurso e para tomar posse como ato de provimento ou investidura em cargo público no Sistema de Ensino.
5. A preocupação do Consulente (CONFEF) procede dos dois fatos apontados, sendo o segundo certamente revelador de evidente equívoco, com excesso de poder e desvio de competência do CREF-13/BA-SE, ao conferir à sua interpretação, em nome do CONFEF, natureza de norma pública, a que se submeteriam os próprios Sistemas de Ensino de base Constitucional Federal (art. 211), Estadual e Municipal, como se pudessem aquele Colegiado Regional ou outro qualquer similar sobrepor-se às Constituições e às Leis da Educação Brasileira impondo à Administração Pública, por seus respectivos Sistemas de Ensino, restrições, limites, obrigações e condições para o exercício do magistério pelos cidadãos regularmente habilitados que a Lei não estabeleceu, sendo defeso fazê-lo por via regulamentar dos Conselhos Fiscalizadores de Profissão Regulamentada, inclusive por lhes falecer competência.
6. Como do conhecimento do Consulente, tal situação vem ocorrendo, realmente com
sérios riscos de medidas judiciais, como se vê, por exemplo, no Oficio CREF 13 Nº 037/2011, do qual se extrai pelo menos um excerto, contendo visível postura
“mandatória e de alerta” aos dirigentes de escolas e ao próprio Secretário de Estado de Educação, como expressa condição prévia, nos seguintes termos:
7.“Busca este Conselho na presente Comunicação, ALERTAR para a necessidade de se observar as atribuições do Profissional de Educação Física, não sendo possível a posse de individuo (sic!) que, a despeito de ser aprovado no Concurso previsto no Edital 01/2010 (SEC.Salvador), não atenda às qualificações legais”.
Assim, é necessário que, no momento de posse do Professores de Educação Física, sejam admitidos apenas os Profissionais de Educação Física devidamente registrados no Conselho Regional de Educação Física – CREF – 13/BA-SE”.
8. Apontados assim os elementos básicos para nossa análise e pronunciamento, os expedientes devidos, instruindo a consulta, vieram a este Relator, conforme encaminhamento da Câmara de Educação Superior, recebido por Registro Portal em 19.05.2011.
9. É o relatório.
II. FUNDAMENTAÇÃO
10. Verifica-se de logo a saudável preocupação revelada pelo ilustre Presidente do CONFEF, Senhor Jorge Steinhilber, no sentido de que, nacionalmente e na área de competência dos Conselhos Regionais, se estabeleça uma mesma linguagem, um mesmo referencial, que assegure tratamento legal, uniforme, ao Profissional egresso de cada Curso Superior de Graduação, nos termos dos Arts. 9ª, inciso VII, 43, inciso II, 44, inciso II, e 48 da LDB, Lei 9.394 de 1996, observado o disposto na Lei N° 9.131, de 1995, e Art. 9º, inciso VII, da primeira mencionada.
11. O Nobre Presidente distinguiu claramente as funções, os desempenhos, as habilidades, os objetivos e domínios esperados da Graduação Plena, respectivamente nos Cursos Superiores direcionados para a Formação Docente, na Modalidade LICENCIATURA, e para Formação Técnico-Profissional das Profissões Regulamentadas, na Modalidade Bacharelado, tudo de acordo com a Lei Especial de PROFISSÃO REGULAMENTADA e com o Direito Educacional Brasileiro, com ênfase na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nas Diretrizes Curriculares Nacionais baixadas pelo Conselho Nacional da Educação, nos termos do art.9º, inciso VII, § 1º do referido artigo, e nas Normas dos Sistemas de Ensino, com as competências conferidas pela Lei.
12. Importa, então, até didaticamente, estabelecer o cotejo entre o que definem a LDB 9.394, de 1996, para a Formação Profissional Docente para a Educação Básica, e a Lei 9.696, de 1998, sobre a Formação do Profissional de Educação Física, de que trata também a sua Resolução Nº 46/2002, baixada pelo Colendo Conselho Federal de Educação Física, na condição de instância competente para os profissionais exercites de Profissão Regulamentada, oriundos do Bacharelado.
MODALIDADE LICENCIATURA
13. Essa modalidade de Graduação tem por finalidade FORMAR PROFESSORES – EDUCADORES para atuação no magistério da Educação Básica, integrando a respectiva CARREIRA DO MAGISTERIO ou os PLANOS DE CARGOS DOCENTES, sob a supervisão, em cada Sistema de Ensino, por seus órgãos próprios, com a denominação
legal e prevista como “PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO BÁSICA”, constante dos arts. 9º, inciso VII e §10, 61 a 63,65 e 67 da LDB 9.394, de 1996, com a redação decorrente da Lei 12.014, de 2009, litteris:
“Art. 9º - A União incumbir-se-á de: (...)
“VII – baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação;
(...)
“§1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de Educação, com funções Normativas e de supervisão e atividade permanente, criado por lei.
(...)
“Art. 61 – Consideram-se profissionais da Educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sedo formado em cursos reconhecidos, são:
“I – Professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; “II – trabalhadores em educação portadores de diplomas de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrados ou doutorados nas mesma áreas;
“III – trabalhadores em educação, portadores de diplomas de curso técnicos ou superior em área pedagógica ou afim.
“Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos:
“I – a presença de solida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho;
“II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço; (docente).
“III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de ensino e em outras atividades.
“Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far - se –á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio na modalidade normal.
(...)
“Art. 63. os institutos superiores de educação manterão:
“I – Cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive curso normal superior, destinado à formação de docentes para a formação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental;
“II- programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar á educação básica; “III – programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis .
(...)
“Art. 65. a formação docente, exceto para a educação superior, incluirá prática de ensino de no mínimo 300 ( trezentas) horas.
(...)
“Art. 67. os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e nos planos de carreira do magistério público:
“I – ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; “II – a aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim;
“IV – progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho;
“V – período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga horária de trabalho;
“VI – condições adequadas de trabalho.
“§ 1º. A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistema de ensino.
“§ 2º. Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e no § 8º do art. 201 da Constituição Federal, são consideradas funções de magisdtério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico.” (§ 2º. Acrescentado pela lei 11.301, de 2006).
MODALIDADE BACHARELADO
14. Por seu turno, após a absoluta clareza na caracterização do profissional do magistério, contemplado e diferenciado por todas as suas peculiaridades fixadas em lei, definindo-se, com prerrogativa até de denominação como profissional docente no exercício docente, a modalidade ora destacada se destina à atuação técnico-profissional em segmentos e instituições da sociedade, com exercício de PROFISSÃO REGULAMENTADA NA FORMA DE LEI ESPECIAL, ex vi do art. 5º, inciso XIII, da Carta Magna, fiscalizada e controlada pelos respectivos Conselhos Profissionais, como é o caso do CONFEF - Conselho Federal de Educação Física, por si e por seus Colegiados Regionais, que inclusive detém a “prerrogativa” de denominação própria (PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO FISICA e não DO MAGISTÉRIO”!), nos termos do art. 1º da Lei 9.696, de 01.09. 1998, e da Resolução CONFEF nº 46, de 2002, litteris:
“Art. 1º O exercício das atividades de Educação Física e a designação do PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA são prerrogativas dos profissionais regularmente registrados, nos Conselhos Regionais de Educação Física”
15. Como se observa, é precisa e exata essa distinção: a) o profissional, bacharelado, em Educação Física, exerce profissão regulamentada, nos termos do Art. 5º, inciso XIII, da CF/88 e dos dispositivos legais aplicáveis a esse profissional, sob o registro e acompanhamento do seu respectivo Conselho Regional, no dimensionamento geográfico, territorial, que lhe couber por Lei; b) já o Profissional Docente da Educação Escolar Básica, professor licenciado pleno tem outra missão, de acordo com o respectivo sistema de Ensino, não se constituindo “Profissão Regulamentada” na forma concebida no citado Art. 5º, XIII, da Carta Magna. Esta comete aos docentes outro mister, por isso que Art. 22, inciso XXIV, da Constituição Federal, conferiu competência privativa á União para editar a Lei Nacional da Educação Brasileira, que já define o que se requer para o exercício da docência, desde a Educação Infantil até o Nível Superior.
16. Os comentários aduzidos decorrentes do pretendido cotejo entre os dispositivos legais transcritos deixam, de forma clara e inequívoca, que um é o PROFISSIONAL DOCENTE, DA EDUCAÇÃO ESCOLAR, conforme designação e denominação profissionais conferidas por LEI NACIONAL DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA, com atuação no âmbito das instituições que integram os Sistemas de Ensino, inclusive competentes, por lei, para editar normas próprias, e outro é o PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA, com a prerrogativa de assim se denominarem aqueles que, de formação técnico-profissional própria, no bacharelado, têm seu exercício condicionado ao prévio registro no respectivo Conselho Profissional Regional, como PROFISSÃO REGULAMENTADA, na forma da LEI FEDERAL (diferente de LEI NACIONAL) e das suas Resoluções que não se aplicam aos docentes, ante a distinção e hierarquia dos próprios diplomas legais.
17. Nesse passo, não se pode esquecer dos princípios que informam o ensino brasileiro, constantes do Art. 206, reforçados no art. 209, de tal modo que, sob a garantia do Padrão de Qualidade “verificado e acompanhado no Projeto Pedagógico de cada Escola”, haja a efetiva coexistência” harmônica sob as mesmas normas educacionais, entre instituições escolares públicas ou privadas, garantindo-se aos integrantes do magistério, em cada Sistema de Ensino, Plano de Carreira, de Avaliação, de Aprimoramento e de Promoção, segundo as normas que aprovam esses Planos ou por seus Estatutos, conforme diga, em cada caso, o Ordenamento Jurídico Vigente.
18. Temos certeza de que o Nobre Presidente do CONFEF atentou, em suas ponderações, muito bem para as sobejamente conhecidas decisões, sólidas e inolvidáveis,
do Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade - ADIN de 07.11.2002, quando esgrimou, por completo, com irretorquível zelo, sobre a natureza mesma dos “Conselhos de Fiscalização das Profissões Regulamentadas”, dentre as quais exclui expressamente o Profissional da Educação egresso dos cursos de graduação na modalidade Licenciatura Plena; conforme Arts. 43,II; 44,II e III, 61 a 65, ou da Pós-graduação stricto sensu ou lato sensu, conforme Art. 66, todos pressupondo o disposto no Art.9º, inciso VII, e §1º do art. 67, com seus incisos e parágrafos, da mesma Lei, exatamente sobre a matéria.
19. A alentada precisa e preciosa ADIN supra remetida afastou definitivamente a possibilidade de que o PORTADOR de LICENCIATURA PLENA, qualquer delas, portanto, em Educação Física, também, tenha seu exercício docente, na rede pública ou privada, condicionado ao registro e subordinação de qualquer Conselho de Fiscalização Profissional. Assim, todas as atividades curriculares, escolares, extra-escolares, acadêmicas, de estágios curriculares, interescolares, transversais e integradas e outras quaisquer concebidas nos Projetos de qualquer curso regular, formal, e, portanto, necessárias à plena e legal integralização curricular incumbem ao Professor, habilitado em nível médio, na graduação pela Licenciatura Plena, ou na Pós-graduação, e ainda, também sem exigência do registro, os bacharéis que, de acordo com o Art. 63, Inciso II, da LDB, e na forma disciplinada pelo CNE/CES, se submetam ao “programa de formação pedagógica para portadores de diploma de educação superior que queiram se dedicar a educação básica, mediante cursos especiais” que conferem equivalência de direitos decorrentes da Licenciatura Plena para todos os fins de Direito Educacional. Neste caso, enquanto bacharéis e em sua atuação exigir-se-á o Registro no respectivo Conselho Regional, Profissional, mas, enquanto DOCENTES, no exercício de “Profissão não Regulamentada”, não estão sujeitos ao referido registro e controle, muito menos, para efeito de inscrição em concurso para cargo de Magistério ou para sua investidura posse e exercício.
20. Muitas são as decisões normativas dos Conselhos de Educação em cada Sistema de Ensino, todos abrigados na DIRETRIZ NACIONAL emanada do CNE/CP ou CNE/CES, a exemplo do Parecer 400/2005- CNE/CES, aprovado em 24.11.2005, exarado como Parecer Normativo e de caráter geral, como se vê em seu VOTO, no Processo nº 23001.000136/2005-28, cuja leitura se recomenda, pela sua especificidade à docência em Educação Física, a não sobrepairar duvidas na espécie, que, aliás, já não remanescem
desde a ADIN 1.717-6/DF – Relator Min. Sydney Sanches, no Plenário de 07.11.2002, sob a Presidência do Senhor Ministro Marco Aurélio.
21. Impende registrar que, como corolário do que se conseguiu resumir até então, não deve, porque não pode, por exorbitância à Lei e ao ordenamento jurídico pátrio, ser exigida no Edital de qualquer Concurso para admissão de Professor, para provimento de cargo docente, ou pela via celetista, incluindo-se ai o Portador de Graduação, Licenciatura Plena, para Educação Física nos estabelecimentos escolares dos Sistemas de Ensino, a inserção de item ou cláusula que condicione a inscrição no concurso e a posse para o
provimento no cargo, ou por contratação, A PRÉVIO REGISTRO EM QUALQUER
CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. Assim, uma situação, por exemplo, é a do Profissional bacharel, portanto, Graduado em Engenharia, Administração, Economia, Educação Física, Engenharia Florestal ou Ambiental, no exercício de suas respectivas profissões, bacharelados ou titulados, e outra é a do professor dos conteúdos e atividades curriculares da Educação Básica ou Superior, que atendam expressamente às condições contidas na Lei, nas Resoluções e nos Regulamentos, especificamente para SER e ATUAR como PROFESSOR, habilitado para essa função, na forma disciplinada na LDB, nas Resoluções do CNE, dos CEE’s, dos Sistemas de Ensino e dos Regimentos Escolares, sem prejuízo dos atos próprios da Administração Pública ou Privada, que sempre se subordinam a Lei.
22. Aliás, lendo atentamente o Parecer 198/2004 – CEE/BA, verificam-se, no item 2.12, as “recomendações”, considerados “pertinentes’ e “necessárias”, portanto
indispensáveis para cumprimento pela Universidade, dentre elas se destacam, como
condições para Reconhecimento do Curso daquela Licenciatura Plena e emissão do Diploma (Art. 48 da LDB), “implementações” e “ADEQUAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO CURRICULAR AS NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES DO CURSO”.
23. Dir-se-á então que a simples transcrição de tópicos iniciais do anterior Projeto Curricular da UEFS não significou aprovação deste Conselho para que o Licenciado em Educação Física tivesse desvio da função para outras atividades não integrantes, formalmente, da estrutura curricular de Licenciatura de Educação Física, com atuação na Educação Básica Brasileira, conforme Regramento Nacional, recomendando-se então, dentre todos os precedentes das venerandas Cortes, a reflexão, por exemplo, sobre o ACORDÃO proferido pelo TRF 3ª Região, por sua 4ª Turma, julgando o AG nº 265181 em
MS nº 2006.03.00.026544-5, publicado no DJU seção II, de 05.05.2006, que se aplica como luva ao presente estudo, como pronunciamento formal perante a Câmara de Educação Superior do CEE/ Bahia, enriquecido das valiosas ponderações colhidas nas discussões havidas no Conselho Pleno, na sessão de 14/07/2011.
III. CONCLUSÃO E VOTO
Após seguir a mesma metodologia e entendimentos adotados pela CNE/CES no Parecer 400, de 24.11.2005-DF, voto no sentido de que o Conselho Estadual de Educação da Bahia aprove, como normativo de caráter geral no âmbito do Sistema Estadual de Ensino da Bahia o presente Parecer, decidindo nos seguintes termos:
1. O Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, reconhecido por ato do Excelentíssimo Senhor Governador do Estado da Bahia em face da decisão do Conselho Pleno pelo Parecer n°. 198/2004, não contempla qualquer exigência de que os seus egressos, portadores de Diploma de Licenciatura registrados nos termos do art. 48, § 1°, da Lei Nacional 9.394, de 1996, precisem de registro em qualquer Conselho Regional de Educação Física para efeito de inscrição em concurso ou de posse em Cargo do Professor de Educação Física nas Instituições de Ensino públicas ou privadas, onde têm assegurado o seu pleno exercício docente.
2. Não tem amparo, no ordenamento jurídico vigente, a determinação constante do OF CRF 13-BA/SE Nº 037/2011 no sentido de que “no momento da posse dos professores de Educação Física, sejam admitidos apenas os profissionais de Educação Física devidamente registrados no Conselho Regional de Educação Física, por exorbitância regulamentar e de competência.
3. Seja o presente Parecer, com a decisão deste Conselho de Educação, por seu Colegiado Pleno, encaminhado ao Senhor Presidente do Conselho Federal de Educação Física, ao Presidente do Conselho Regional de Educação Física – CREF-13/BA-SE, ao Excelentíssimo Senhor Secretário
de Educação do Estado da Bahia, ao Superintendente da SUDEB/SEC, aos dirigentes das demais Superintendências da estrutura da Secretaria da Educação, ao Titular do Sistema Municipal de Ensino de Salvador, Capital do Estado da Bahia, bem como aos Representantes legais da UNDIME e UNCME, fixando-se a uniformidade de diretrizes na espécie.
Salvador, Sala das Sessões do Conselho Pleno do CEE/BA, 25 de julho de 2011.
Pedro Sancho da Silva
Conselheiro Relator
VOTO DO CONSELHO PLENO
O Conselho Estadual de Educação, em Sessão de 25 de julho de 2011, resolveu acolher o Parecer da Câmara de Educação Superior.
Aylana Alves dos Santos Gazar Barbalho
Presidente – CEE/BA