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Construindo pontes conceituais entre atributos da qualidade em alimentos

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Academic year: 2020

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(1)RBGN – REVISTA BRASILEIRA DE GESTÃO DE NEGÓCIOS. ISSN 1806-4892. © FECAP. ÁREA TEMÁTICA: MARKETING. Construindo Pontes Conceituais entre Atributos da Qualidade em Alimentos Building Conceptual Links Between Quality Attributes in Food Construcción de Puentes Conceptuales entre los atributos de la calidad en Alimentos. Jeovan de Carvalho Figueiredo João Mario Csillag. 1 2. Recebido em 29 de julho de 2008 / Aprovado em 09 de dezembro de 2009 Editor Responsável: Evandir Megliorini, Dr. Processo de Avaliação: Double Blind Review. RESUMO. grada e simultânea dos diferentes atributos da quali-. O  presente  estudo  tem  como  objetivo  discutir. dade de um mesmo alimento.. uma abordagem integrada de atributos da quali-. Palavras-chave: . dade para as pesquisas que abordam o comportamento do consumidor de alimentos. A partir da. Comportamento do consumidor.. Categorias analíticas. Carne bovina.. revisão  da  literatura,  foi  possível  identificar  três conjuntos  distintos  de  atributos  da  qualidade. O primeiro deles consiste no caráter funcional ou. ABSTRACT. hedônico  atribuído  ao  consumo  do  alimento.. The present study has as objective to develop an. O  segundo  conjunto  é  formado  pelos  atributos. integrated  approach  of  quality  attributes  to  the. intrínsecos e extrínsecos. O terceiro grupo é for-. researches that study the food consumer behavior.. mado pelos atributos que tornam um produto um. From  the  review  of  literature,  it  was  possible  to. bem de busca, procura ou experiência. Os resul-. identify  three  distinct  sets  of  quality  attributes.. tados deste ensaio teórico, aplicados para a carne. The  first  of  them  consists  of  the  functional  or. bovina, mostram que, isoladamente, estes conjun-. hedonic character attributed to the consumption. tos de atributos têm menor potencial de servirem. of the food. The second one is composed by the. como subsídio útil na tomada de decisão empresa-. intrinsic and extrinsic attributes. The third group. rial. Mas quando utilizados em conjunto, podem. is formed by the attributes that make a product. gerar preciosos . or goods, search or experience, or credence good.. insights, derivados da análise inte-. 1. Doutor e Professor em Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV/EAESP e Professor do Centro Universitário FECAP [[email protected]] 2. Doutor e Professor em Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV/EAESP [[email protected]] Endereço dos autores: Av. 9 de Julho, 2029 – Bela Vista, São Paulo – SP Cep. 01313-902 – Brasil 100. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010.

(2) Construindo Pontes Conceituais entre Atributos da Qualidade em Alimentos The results of this essay show that, separately, these. interesse,  de  estudiosos  e  executivos,  em  merca-. sets of attributes have minor potential to help the. dos na base da pirâmide (HART; PRAHALAD,. enterprise decision, but when used altogether, they. 2002; PRAHALAD, 2006), principalmente nos. can generate precious insights, as consequence of. países que revelaram, na última década, crescimen-. integrated  and  simultaneous  analysis  of  quality. to considerável em suas economias: Brasil, Rússia,. of one same food.. Índia e China (BRIC). Em paralelo, as mudanças. Key words: . competitivas decorrem do fenômeno da globalizaConsumer  behavior.  Framework.. Beef.. ção,  que  torna  possível  às  organizações  globais expandir  suas  cadeias  de  suprimentos  a  diversos mercados  ao  redor  do  mundo  (ROBERTSON;. RESUMEN. GIBSON; FLANAGAN, 2002; SIEMS, 2005).. Este estudio tiene como finalidad deliberar sobre. do consumidor, como sugerem Issanchou (1996). un  enfoque  integrado  de  los  atributos  de  la. e Verbeke e Viaene (1999). Neste sentido, pesqui-. calidad  en  las  investigaciones  que  analizan  el. sadores  e  organizações  têm  procurado  conhecer. comportamiento  del  consumidor  de  alimentos.. os gostos, preferências, hábitos e atitudes dos indi-. Una revisión de la literatura, permitió identificar. víduos,  visando  determinar  possíveis  tendências. tres conjuntos distintos de atributos de la calidad.. e perspectivas em relação ao comportamento dos. El primero de ellos consiste en el carácter funcional. consumidores.. Estas mudanças alteram o comportamento. o hedonista, atribuido al consumo del alimento.. As principais questões debatidas nos estu-. El segundo conjunto está formado por los atributos. dos  analisados  para  a  elaboração  desta  pesquisa,. intrínsecos  y  extrínsecos.  El  tercer  grupo,  está. também decorrem das mudanças no ambiente de. formado por los atributos que hacen del producto. negócios das empresas. De fato, um grande núme-. un  bien  que  se  busca,  pretende  o  experimenta.. ro  de  pesquisas  na  Europa  e  América  do  Norte. Los resultados de este ensayo teórico aplicados a. tem buscado entender o comportamento do con-. la carne bovina muestran que, individualmente,. sumidor após situações de crise ou risco, como o. estos conjuntos de atributos tienen menor potencial. problema  da  encefalopatia  espogiforme  bovina. para servir como base útil en la toma de decisión. (doença  da  vaca-louca)  registrado  em  países. empresarial. Pero cuando se utilizan en conjunto,. europeus  durante  a  década  de  90  (BURTON;. pueden  generar  valiosos  insights,  derivados  del. YOUNG, 1996; SMITH; YOUNG; GIBSON,. análisis integrado y simultáneo de los diferentes. 1999),  ou  o  recente  episódio  da  gripe  aviária,. atributos  de  la  calidad  de  un  mismo  alimento.. que alterou significativamente as percepções dos. Palabras clave:. consumidores  nos  países  atingidos  (SUDER;  Comportamiento del consumidor.. Categorías analíticas. Carne bovina.. INTHAVONG, 2008). Estas questões demonstram  a  preocupação  atual  com  a  segurança  do alimento, ou . 1. INTRODUÇÃO. food safety, manifestada, principal-. mente, nos países desenvolvidos.. food safety nos mercados inter-. A busca pela . nacionais pode ser compreendida em um contexto Profundas  mudanças  ocorrem  nas  socie-. no qual as empresas utilizam mecanismos, como. dades modernas. Tais mudanças são caracterizadas. selos e certificações, para garantir ao consumidor. como tecnológicas, sócio-culturais e demográficas. que  os  alimentos  por  ele  adquiridos  não  trazem. e, ainda, competitivas. As primeiras caracterizam-. em  sua  composição  elementos  potencialmente. se pelos ganhos de qualidade e maior conveniência. danosos ao organismo humano.. para o consumidor (AHLGREN; GUSTAFSSON;. O tema “qualidade de alimentos” demons-. HALL, 2005; SHEELY, 2008). As mudanças sócio-. tra, assim, ter significativa importância. A adequa-. culturais e demográficas são refletidas no crescente. ção dos alimentos ao consumo humano, no con-. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010. 101.

(3) Jeovan de Carvalho Figueiredo / João Mario Csillag texto do bem-estar da sociedade, pode incentivar. a) valor de custo: o total de recursos medi-. medidas regulatórias e de fiscalização dos gover-. dos em dinheiro, necessário para pro-. nos nacionais nos mercados. Assim, os governos. duzir/obter um item;. nacionais interferem no controle da qualidade dos. b) valor de uso: a medida monetária das. produtos alimentícios destinados à exportação e. propriedades ou qualidades que possi-. ao consumo interno, estabelecendo regras para a. bilitam  o  desempenho  de  uso,  traba-. produção e comercialização destes produtos.. lho ou serviço;. É evidente a diminuição da assimetria de. c) valor de estima: a medida das proprie-. informação quando o governo atua na fiscalização. dades,  características  ou  atratividades. e  vigilância  das  normas  e  padrões  de  qualidade,. que tornam desejável sua posse ou con-. dando o seu aval (ou de terceiros, por delegação) de. sumo e;. que o produto adquirido pelo consumidor possui. d) valor de troca: a medida monetária das. os atributos da qualidade prometidos. Isto ocor-. propriedades ou qualidades de um item. re,  pois  nem  sempre  os  níveis  de  qualidade  dos. que  possibilitam  sua  troca  por  outra. produtos oferecidos pelas empresas correspondem. coisa ou serviço.. ao que é efetivamente percebido pela população (AKERLOF, 1970). Há, portanto uma dificulda-. Ainda que os esforços de marketing tenham. de na mensuração dos atributos do produto, que. sido  predominantemente  dirigidos  à  identifica-. pode ser contornada pela certificação.. ção  de  como  valor  pode  ser  criado  por  meio  de. Frente a estas questões, o presente estudo. bens e serviços, o campo de pesquisas sobre o com-. tem como objetivo discutir uma abordagem inte-. portamento  do  consumidor  recebeu  outras. grada, que contemple diferentes atributos da quali-. contribuições  relevantes,  de  diferentes  áreas  do. dade utilizados nas pesquisas que abordam o com-. conhecimento.. portamento do consumidor de alimentos.. As possibilidades decorrentes da incorporação de arcabouços teóricos da economia, socio-. 2. MULTIDISCIPLINARIDADE  NOS ESTUDOS SOBRE O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR. logia e psicologia, entre outros, expandem o campo de análise, permitindo assim ampliar a miríade de questões que podem ser tratadas sob a rubrica do “comportamento do consumidor”. O quadro 1, neste contexto, é bastante elucidativo.. Os estudos que buscam entender o consu-. As diferentes áreas do conhecimento mos-. midor, por meio de suas experiências de compra. tradas no quadro 1 sugerem interpretações alter-. e  uso  de  bens  e  serviços  têm,  tradicionalmente,. nativas  para  como  os  consumidores  avaliam. sido  vinculados  ao  marketing.  De  fato,  ainda. determinadas  características  dos  alimentos. Tais. na década de 1930, a indústria norte-americana. características, ou atributos, influenciam no com-. empreendia  pesquisas  empíricas  para  identificar. portamento  do  indivíduo,  e  conseqüentemente,. como os efeitos da promoção e propaganda influen-. no  processo  de  compra,  sendo,  portanto,  úteis. ciavam os consumidores (ARNDT, 1986).. no  entendimento  dos  motivos  que  conduzem  à. Mas como o consumo pode ser definido? Warde (1997) propõe o consumo como um pro-. 102. aquisição de determinados produtos alimentícios, em detrimento de outros.. cesso pelo qual valor é obtido por meio de bens e. As teorias provenientes da economia incor-. serviços. Por valor, entende-se um tipo de experi-. poram esta premissa. Inicialmente tratado na micro-. ência que ocorre para os indivíduos quando um. economia  neoclássica,  o  comportamento  do  con-. objetivo  é  atingido,  uma  necessidade  é  suprida,. sumidor  é  abordado  adotando-se  o  pressuposto. ou um desejo é satisfeito (HOLBROOK, 1987).. da  racionalidade  exclusivamente  econômica  dos. De acordo com Csillag (1995), é possível classifi-. indivíduos. Assim, diante das respectivas rendas,. car o valor em:. os indivíduos procuram apropriar-se de um con-. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010.

(4) Construindo Pontes Conceituais entre Atributos da Qualidade em Alimentos. ÈUHDGR&RQKHFLPHQWR. $TXLVLomRGHEHQVHVHUYLoRV. 8VRGHEHQVHVHUYLoRV. 0DFURHFRQRPLD. Despesa agregada. -. Compras de produtos. -. (FRQRPLDLQGXVWULDO. Escolha e compra de produtos. -. 3VLFRORJLD. Escolha da marca. -. 6RFLRORJLD. -. Simbolismo no consumo. 0LFURHFRQRPLD  . Quadro 1.  – Contribuições distintas ao estudo do comportamento do consumidor.. Fonte: Adaptado de Holbrook (1987).. junto de bens que lhes propicie a máxima utilidade. mesmo após o consumo, sendo, portanto, incor-. (FERGUSON, 1976).. porados  ao  conjunto  de  crenças  do  consumidor. Dada  a  questão  da  escassez,  os  produtos. credence). Estas três categorias são baseadas, res-. (. são classificados como bens normais ou inferiores.. pectivamente,  na  distinção  fundamental  entre. Esta classificação é baseada no grau em que a quan-. escolha em situações de certeza, risco e incerteza. tidade  demandada  do  produto  responde  a  uma. (BECKER, 2000).. variação percentual dos preços, ou seja, os bens infe-. Avançando ainda mais no entendimento. riores  possuem  um  caráter  de  inelasticidade  em. do  comportamento  do  consumidor,  a  literatura. relação  a  modificações  no  preço,  e  os  bens  nor-. específica  tem  buscado  incorporar  uma  classifi-. mais apresentam mudanças significativas na deman-. cação dos atributos do alimento, que seja basea-. da  a  partir  das  variações  no  preço  do  produto. da no grau de confiança do consumidor em ele-. (LIEBERMAN; HALL, 2003).. mentos que possam ser identificados, com maior. Apesar de fornecer uma valiosa explicação. ou  menor  dificuldade,  no  produto.  Nesta  dire-. sobre  o  comportamento  da  demanda  em  fun-. ção,  autores  como  Lee  e  Yung-Chien  (1996)  e. ção do preço, a abordagem microeconômica não. Richardson,  Dick  e  Jain  (1994),  têm  demons-. explora em maior profundidade as características. trado  a  importância  de  dois  tipos  de  atributos:. subjacentes  dos  bens,  negligenciando,  assim,  as. intrínsecos e extrínsecos.. escolhas  feitas  por  meio  de  outros  fatores  além. Os atributos intrínsecos são aqueles facil-. das restrições de renda e preço do produto. As con-. mente percebidos pelo consumidor, por serem res-. tribuições  da  economia  industrial,  por  sua  vez,. ponsáveis pela diferenciação física do produto, em. avançam nesta questão.. relação a produtos da mesma categoria e de outras. A  teoria  sobre  os  atributos  da  qualidade. categorias.  Como  exemplo,  pode-se  citar  a  apa-. do produto, proveniente de trabalhos como os de. rência, cor, e formato. Os atributos extrínsecos, por. Darby e Karni (1973) e Nelson (1970), e faz uma. sua vez, representam esforços organizacionais para. distinção principal entre as características que tor-. ampliar a percepção de valor entregue ao consu-. nam o produto (a) um bem procurado pelos seus. midor. Estes atributos somente serão percebidos. atributos (. pelos consumidores por meio de elementos incor-. search), (b) um bem no qual os atribu-. tos da qualidade são determinados somente após. porados ao produto processado, tais como etique-. o consumo do alimento (. tas  de  preços,  rótulos  e/ou  embalagens  com  o. experience), e (c) um bem. no qual os atributos da qualidade não podem ser. nome da marca, selos de qualidade, balcões refri-. objetivamente  avaliados  pelos  consumidores,. gerados no ponto de venda, entre outros.. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010. 103.

(5) Jeovan de Carvalho Figueiredo / João Mario Csillag Neste  ponto,  já  é  possível  vislumbrar  as. bens de busca, dado que sua qualidade poderá ser. priori, sem a necessidade de confiança. contribuições da psicologia. Ao atentar às aquisi-. conhecida a . ções  realizadas  por  meio  da  escolha  da  marca,. ou consumo prévio do produto.. a  psicologia  trata  de  aspectos  menos  objetivos. Portanto, a comunicação, na psicologia, e. da  aquisição,  uso  e  descarte  de  alimentos.  Tais. a informação, na economia, podem se tornar pon-. aspectos revelam-se nos produtos por meio de seus. tes  conceituais  entre  os  dois  corpos  teóricos  na. atributos extrínsecos, que são caracterizados por. análise  de  alimentos.  Becker  (2000)  já  demons-. serem percebidos pelos consumidores a partir de. trou a possibilidade de avanços nesta direção, tra-. instrumentos, como rótulos e embalagens.. tando um mesmo produto (carne bovina) como. Alguns autores vinculados a esta corrente. bem  de  busca,  experiência  e  crença,  a  partir  de. defendem que a comunicação é o principal com-. seus  atributos  intrínsecos  e  extrínsecos.  Isto  é. ponente  no  processo  de  compra  (BRUNSÆ;. indicado no quadro 2.. FJORD; GRUNERT, 2002). Isto porque os con-. A partir destas considerações, uma ponte. sumidores  têm  desejos  vagos,  complexos  e  até. conceitual é formada com a abordagem socioló-. mesmo contraditórios, em relação aos alimentos.. gica. Sendo o consumo principalmente – e acima. Como exemplo, pode-se citar a ausência de gor-. de tudo – uma atividade simbólica, consumimos. dura na carne bovina como indicador de qualida-. essencialmente  valores  simbólicos,  mesmo  ao. de. Apesar de ser vista por alguns consumidores. adquirir um produto tangível. De fato, o valor de. como um bom indicador na aquisição do produ-. troca, e o valor de custo dos produtos são relega-. to,  a  ausência  de  gordura  pode  ser  o  oposto  do. dos a um papel secundário na explicação do con-. que os consumidores supõem. Um certo grau de. sumo, pois eles são tratados, sob esta perspectiva,. marmoreio  contribui  para  a  maciez,  o  gosto  e  a. como valores que não podem escapar da atribui-. suculência  da  carne,  enquanto  os  consumidores. ção de significado simbólico.. parecem  pensar  que  a  gordura  diminui  estes. Como Lodziak (2002) aponta, é necessá-. aspectos. Assim, a formação de expectativas sobre. rio compreender o consumo essencialmente como. gosto, maciez e suculência, baseada, principalmen-. trocas simbólicas, nas quais os significados origi-. te, na presença de gordura, parece ser disfuncional.. nalmente  produzidos  por  meio  da  propaganda,. A comunicação pode mesmo mudar a classi-. (e  disseminados  através  dos  meios  de  comuni-. displays em shopping centers,. ficação do produto. Em um movimento de con-. cação de massa, dos . gruência das abordagens da economia industrial. dos . e da psicologia, pode-se afirmar que se os atribu-. se proliferam, mas podem se desvincular dos obje-. tos  extrínsecos  tornam-se  fontes  seguras  ampla-. tos.  Isto  faz  com  que  existam  mais  imagens  em. mente difundidas em uma categoria de produtos. circulação do que objetos para consumo.. outdoors nas ruas, entre outros) não somente. anteriormente classificados como bens de crença,. Outra contribuição da sociologia ao enten-. tais  produtos  passarão  a  ser  classificados  como. dimento  do  comportamento  do  consumidor  se. $WULEXWRVLQWUtQVHFRV %XVFD. Cor, ausência de gordura, marmoreio. ([SHULrQFLD. Textura, maciez, odor, sabor, suculência. &UHQoD. Frescor. Quadro 2. $WULEXWRVH[WUtQVHFRV Marca, selo de qualidade, local de compra, preço, origem do produto. Origem, processo de produção, alimentação do animal, uso de hormônios, gordura/colesterol, antibióticos.  – Atributos e meios de confirmação para o produto carne bovina.. Fonte: Adaptado de Becker (2000). 104. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010.

(6) Construindo Pontes Conceituais entre Atributos da Qualidade em Alimentos refere ao caráter hedônico da aquisição e uso dos. tização  nas  indústrias,  houve  uma  mudança  na. alimentos. Isto indica um conjunto de consumi-. trajetória tecnológica, com o processo produtivo. dores  que  será  composto  por  indivíduos  que. assumindo importante papel como fonte de lucros.. escolherão alimentos pautados exclusivamente no. No período entre os anos de 1980 e 1990, uma. prazer  derivado  da  refeição,  uma  característica. grande ênfase foi atribuída à abordagem do con-. bastante  presente  em  países  europeus  e  latinos. trole  da  qualidade.  Atualmente,  com  o  advento. (POULAIN, 2002).. da globalização e a consolidação nas empresas das. Ainda  assim,  e  devido  aos  esforços  de. práticas  de  gestão  da  qualidade  total  (SHIBA;. marketing da indústria de alimentos e do gover-. GRAHAM; WALDEN, 1997), maior importân-. no, muitos consumidores possuem, atualmente,. cia tem sido atribuída ao consumidor.. informações adequadas para a escolha de alimen-. Se na metade do século passado, no perío-. tos  que  não  propiciam  o  desenvolvimento  de. do pós-guerra, as organizações podiam estabele-. doenças em seu organismo (p. ex. alto colesterol. cer padrões próprios de qualidade, dada a menor. ou  diabetes).  A  partir  desta  avaliação,  pode-se. competição  nos  mercados  consumidores,  hoje. considerar a existência de um outro conjunto de. emerge um ambiente de negócios mais complexo. consumidores – notadamente anglo-saxões – que. e que ultrapassa o controle das empresas fornece-. adquirem alimentos, com maior freqüência, por. doras,  gerando  assim  um  desafio  maior  para  as. suas  características  de  prevenir  e  tratar  doenças. organizações,  e  cuja  solução  tem  sido  os  inves-. (CHILDS;  PORYZEES,  1997;  HARRISON;. timentos  em  melhores  práticas  relacionadas  à. BROWN, 2003). Este segundo grupo, em con-. gestão da qualidade.. traste com aquele que procura o consumo hedô-. A qualidade pode ser vista como a consis-. nico de alimentos, é caracterizado por sua ênfase. tente conformidade com as expectativas dos con-. nos  alimentos  que  demonstram  um  papel  fun-. sumidores,  ou  na  definição  de  Juran  (1979),  a. cional, pois atuam na manutenção da saúde dos. adequação  ao  uso.  Esta  definição  aponta  o  foco. consumidores.. atual das organizações responsáveis pela manufa-. Até  este  momento,  buscou-se  identificar. tura  de  produtos  alimentares.  Como  as  demais. as  contribuições  de  diferentes  áreas  do  conheci-. organizações  industriais,  elas  incorporaram  aos. mento  que  analisam  as  dimensões  associadas  ao. seus  objetivos  estratégicos  elementos  subjetivos,. consumo de bens e serviços. Um esforço analíti-. como a noção de expectativas, para caracterizar o. co será feito na direção oposta: como as empresas. esforço  de  redução  da  massificação  e  ampliação. respondem, por meio da qualidade, às mudanças. da  entrega  de  produtos  mais  personalizados. no  comportamento  de  seus  consumidores.  Isso. (GARVIN, 1992).. é mostrado na seção seguinte.. As expectativas são geradas a partir de visões de mundo próprias de cada indivíduo, construí-. 3. MUDANÇAS NOS PADRÕES DE QUALIDADE: A RECENTE VALORIZAÇÃO DA IDIOSSINCRASIA. das por meio de experiências passadas, indicações pessoais,  e  necessidades  (PARASURAMAN; BERRY;  ZAITHALM,  1988).  Mais  do  que  os benefícios da abordagem de valor ao consumidor, a incorporação do atendimento – e superação –. Se o foco das atenções no mundo indus-. das expectativas como meta das organizações con-. trial pudesse ser apresentado em uma linha tem-. temporâneas  traz  os  perigos  das  promessas  não-. poral,  o  consumidor  provavelmente  apareceria. cumpridas.. apenas no final desta suposta reta. Assim, desde a. gap entre. O que se pretende afirmar é que o . Revolução  Industrial  até  os  anos  da  prevalência. o discurso e a prática pode conduzir à insatisfação. da lógica Taylorista/Fordista, a ênfase era atribuí-. nos mercados consumidores, produzindo assim o. da unicamente ao produto. Entre os anos 1950 e. oposto  do  resultado  pretendido  pelas  empresas.. 1970, com o avanço da automatização e informa-. Nas indústrias de alimentos, isto se torna mais evi-. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010. 105.

(7) Jeovan de Carvalho Figueiredo / João Mario Csillag. Qualidade orientada ao produto Qualidade orientada ao consumidor Qualidade orientada ao processo. Controle de qualidade. Outros fatores*. Qualidade objetiva Qualidade subjetiva * Situação de compra, tipo de loja de varejo, etc.. Figura 1.  – Tipos de qualidade.. Fonte: Adaptado de Brunsø, Fjord, Grunert (2002).. 106. dente. Diferenças culturais, mudanças de hábitos. O controle da qualidade é definido como. e gostos, modificações na pirâmide demográfica,. a  adequação  de  um  produto  a  padrões  pré-esta-. entre outros fatores, tornam bastante difícil a tarefa. belecidos, visando ser aprovado em uma classe de. de entregar a um único indivíduo um produto que. qualidade específica. Um exemplo disto é a carne. satisfaça integralmente todas as suas expectativas.. brasileira de novilho precoce, produzida de forma. Frente a isto, as organizações industriais,. que suas características respeitem limites superio-. principalmente as fabricantes de alimentos, deve-. res e inferiores pré-definidos, que devem ser obser-. riam focar suas atenções não somente nas expecta-. vados pelos pecuaristas e frigoríficos que fornecem. tivas dos consumidores, mas também no produ-. o produto aos grupos varejistas responsáveis por. to e processo. A qualidade, compreendida em um. sua distribuição no varejo.. contexto global, é assim apresentada por Brunsø,. A qualidade orientada ao consumidor, por. Fjord e Grunert (2002). Estes autores atribuem gran-. sua vez, pode ser compreendida como qualidade. de ênfase à qualidade subjetiva e objetiva, como. subjetiva, já que ela pode ser mensurada somente. forma de diferenciar as percepções de qualidade. pelo consumidor final, e pode diferir, para o mes-. pelo consumidor de alimentos.. mo produto, entre os diversos consumidores. Como. A qualidade orientada ao produto, a quali-. foi  visto  anteriormente  nesta  seção,  a  qualidade. dade orientada ao processo, e também o controle. orientada ao consumidor possui o componente das. de qualidade, podem ser compreendidos no con-. expectativas, além de receber influências das mais. texto da qualidade objetiva, dado que permitem. diversas, exógenas à firma (figura 1).. mensuração pelo consumidor e são atestadas por. Enquanto  a  qualidade  objetiva  pode  ser. aspectos documentados do produto e do processo. obtida por meio de amplos programas documen-. de produção.. tados  internos  à  firma,  a  qualidade  subjetiva. Por qualidade orientada ao produto, enten-. somente  pode  ser  atingida  pela  combinação  de. dem-se  todos  os  aspectos  do  produto  físico  que. diversos  atributos  de  um  produto.  Sendo  a  per-. fornecem uma descrição precisa do alimento após. cepção  de  qualidade  multidimensional,  ou  seja,. o processo de manufatura. A qualidade orientada. formada a partir de vários atributos do produto,. ao processo, por sua vez, cobre os modos pelos quais. que podem ser positivos ou negativos  para  cada. o  produto  alimentício  é  produzido,  e  as  descri-. consumidor, propõem-se a seguir uma abordagem. ções do processo informam aos consumidores os. para  análise  conjunta  de  todos  os  atributos  de. procedimentos  utilizados  na  fabricação  do  pro-. um  alimento.  O  método  como  esta  análise  será. duto final.. desenvolvida é mostrado a seguir.. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010.

(8) Construindo Pontes Conceituais entre Atributos da Qualidade em Alimentos. 4. MÉTODO. idéias, desafiando assim os raciocínios fundamentais que suportam as teorias aceitas.. Este estudo constitui-se em um ensaio teó-. A estruturação lógica deste estudo é basea-. rico, entendido como aquele trabalho onde a argu-. da na proposta de leitura científica formulada por. mentação rigorosa é construída a partir de um alto. Cervo e Bervian (2002). Os autores sugerem que. nível  de  interpretação  pessoal  do  pesquisador. um estudo qualitativo, baseado na revisão da litera-. (SEVERINO, 2002). O rigor na argumentação é. tura pertinente, segue usualmente uma estrutura. necessário para o exercício de classificação que é. seqüencial de processo, baseada em três grandes. sugerido neste estudo, esforço este que é suporta-. etapas. A primeira delas é chamada visão sincré-. do por Hacking (2001), ao afirmar que a coexis-. tica,  etapa  esta  que  aproxima  o  pesquisador  de. tência de teorias rivais é a regra, mais que a exceção,. seu objeto de estudo e o permite mapear o campo. no campo científico, e que a avaliação de teorias é. do conhecimento estudado. A segunda etapa é a. principalmente um assunto comparativo. Assim,. visão analítica, na qual recortes conceituais são defi-. a construção de explicações teóricas mais robus-. nidos, e conseqüentemente, a literatura adequa-. tas para os fenômenos observáveis pelo pesquisa-. da para o estudo é selecionada. Por fim, a última. dor  passa  por  uma  avaliação  crítica  das  teorias. etapa é chamada visão sintética, e consiste no acolhi-. disponíveis, após a sua necessária revisão.. mento  e  articulação  dos  conceitos  teóricos  defi-. A  contribuição  à  ciência  deste  ensaio  é. nidos na etapa anterior.. suportada pelos argumentos de Whetten (2003).. O desenho deste estudo contempla as três. Segundo  o  autor,  uma  teoria  deve  descrever  e. etapas  da  leitura  científica,  como  mostra  o. explicar,  por  meio  dos  seguintes  componentes:. quadro 3.. a) fatores (como variáveis, conceitos, e construtos). Na  primeira  etapa  desta  pesquisa  (visão. que  devem  ser  considerados  na  explicação  pro-. sincrética), foi possível identificar três conjuntos. posta;  b)  identificação  das  relações  entre  estes. distintos  de  atributos  da  qualidade.  O  primeiro. fatores; c) demonstração da relevância da contri-. deles  consiste  do  caráter  atribuído  ao  alimento,. buição teórica na prática da pesquisa, principal-. funcional ou hedônico. O segundo conjunto é for-. mente para as validações empíricas que poderão a. mado  pelos  atributos  intrínsecos  (responsáveis. vir ocorrer e; d) os fatores temporais e contextuais. pela diferenciação física do produto) e atributos. que  delimitam  o  alcance  e  a  extensão  da  teoria.. extrínsecos (elementos que ampliam a percepção. De forma mais pragmática, Whetten (2003). de valor entregue ao consumidor). O terceiro gru-. afirmará que a legítima contribuição para o avanço. po é formado pelos atributos que são conhecidos. da teoria poderá ser identificada por gerar . previamente (e tornam o produto um bem pro-. a partir da demonstração de como a adição de uma. curado), pelos atributos que somente podem ser. nova variável pode alterar significativamente o enten-. conhecidos durante o consumo (e tornam o pro-. dimento de um fenômeno, por meio da reorga-. duto um bem de experiência), e ainda neste ter-. nização de nossos mapas causais. Mais ainda, tais. ceiro  grupo,  pelos  atributos  que  o  consumidor. contribuições  podem  emprestar  a  perspectiva. acredita estarem efetivamente associados ao pro-. de outros campos, de forma a alterar metáforas e. duto,  pois  são  difíceis  –  senão  impossíveis  –  de. insights. Apresentação dos resultados. Quadro 3. Visão Sincrética ⇒. Visão Analítica ⇒. Seções 1, 2 e 3. Seção 4. Visão Sintética Seção 5.  – Adequação do método à estrutura do trabalho.. Fonte: Adaptado de Cervo e Bervian (2002). R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010. 107.

(9) Jeovan de Carvalho Figueiredo / João Mario Csillag. $WULEXWR. 'HILQLomR. Ausência de gordura. Ausência de partes visíveis de gordura (capa) no corte da carne.. Baixo Preço. Menor expressão monetária do valor de uma dada quantidade de carne.. Bem-estar animal. Garantia de que o processo produtivo, antes do abate, não engloba procedimentos que causam restrições das condições naturais de desenvolvimento do animal e dor excessiva.. Conveniência. Disponibilidade do produto em cortes caracterizados pela praticidade de preparação, aliado à capacidade de ser rapidamente consumido após o preparo doméstico realizado pelo consumidor.. Cor. Impressão que as diferentes variedades de luz, após contato com a carne, irão produzir nos órgãos visuais.. Maciez. Suavidade do alimento durante a mastigação.. Marmoreio. Gordura entremeada nos músculos, evidenciada no corte do produto.. Odor. Sensação produzida no sentido do olfato pela carne.. País de origem. Identificação do país onde ocorreu a primeira etapa da manufatura do alimento.. Preocupação ambiental. O processo produtivo necessário para a produção da carne não apresenta riscos ao meio-ambiente, e nem às gerações futuras.. Rótulagem. Toda inscrição, legenda e imagem ou, toda matéria descritiva ou gráfica que esteja escrita, impressa, estampada, gravada ou colada sobre a embalagem do alimento, contendo informações nutricionais e outras informações complementares.. Sabor. Sensação produzida pela carne nas papilas gustativas.. Saúde. Ausência de elementos que podem ser inadequados ao organismo humano, quando consumidos em grandes quantidades e frequentemente, tais como gordura e ácidos graxos saturados.. Segurança. Ausência de elementos que podem ser tóxicos ao organismo humano, mesmo em pequenas quantidades, tais como zoonoses e antibióticos.. Suculência. Abundância líquida e de proteínas, que garantem a suculência e palatabilidade da carne.. Quadro 4.  – Definição de atributos da qualidade para carne bovina.. Fonte: Adaptado de Davidson, Schröder, e Bower (2003), Peloso (1999) e Valsechi (2001).. serem identificados sem o auxílio de mecanismos. O conjunto de atributos da qualidade valorizados. como rótulos e etiquetas.. pelos consumidores deste produto é mostrado no. Na segunda etapa desta pesquisa, a carne. 108. quadro 4.. bovina foi adotada como produto alimentício de. Definidos os atributos, torna-se necessário. referência,  para  a  discussão  da  abordagem  pro-. agora  agrupá-los.  O  exercício  de  agrupamento. posta. Este recorte, baseado em um produto ali-. e  a  análise  dos  resultados,  baseado  na  visão  sin-. mentício,  é  adequado  aos  pressupostos  da  visão. tética  da  literatura  pesquisada,  é  apresentado na. analítica,  sugerida  por  Cervo  e  Bervian  (2002).. próxima seção.. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010.

(10) Construindo Pontes Conceituais entre Atributos da Qualidade em Alimentos. 5. UMA ABORDAGEM INTEGRADA PARA A ANÁLISE DE ATRIBUTOS DA QUALIDADE EM ALIMENTOS. pelo consumidor, que será portanto definido  pelos  atributos  conveniência  (do preparo), maciez, sabor e suculência ou; c) um bem no qual nenhuma das carac-. A proposta que segue toma o conjunto de. terísticas  anteriores  pode  ser  objetiva-. alimentos funcionais e hedônicos como o ponto de. mente avaliada sem a ajuda de outros. partida para a análise dos atributos da qualidade. elementos,  sendo  assim  incorporadas. valorizados pelos consumidores. Tomando estes dois. unicamente ao conjunto de crenças do. conjuntos como passo inicial para a identificação. consumidor. Este é o caso do baixo preço. de  atributos,  pode-se  avançar  no  entendimento. (que irá variar na percepção dos vários. do consumo de um único tipo de alimento a par-. grupos  de  consumidores),  do  bem-. tir de sua característica funcional, e, simultanea-. estar animal, do país de origem, da pre-. mente,  pela  possibilidade  de  prazer  proveniente. ocupação ambiental, da rotulagem, da. de seu consumo.. saúde, e da segurança.. Os atributos relacionados ao caráter hedônico  do  consumo  são  os  seguintes:  a)  bem-estar. A figura 2 apresenta a síntese deste exercício,. animal (o consumidor se vê como um estimulador. mostrando  ainda  a  natureza  intrínseca  (caracte-. da adoção de processos menos dolorosos e limitan-. rísticas físicas do produto) e extrínseca (esforços. tes do animal vivo na produção da carne); b) con-. organizacionais para diferenciação) dos atributos. veniência; c) cor; d) maciez; e) marmoreio (os consu-. da carne bovina. Esta proposta unifica as diferen-. midores assíduos de carne bovina sabem que este. tes  abordagens  identificadas  atualmente  na  lite-. item é responsável por dar sabor à carne bovina,. ratura para dar conta das questões da qualidade. juntamente com o sal e demais temperos); f ) odor;. de alimentos, neste caso, aplicada à carne bovina.. g) preocupação ambiental e; h) suculência. Por sua vez, os atributos relacionados ao cará-. Ficou  evidenciado  que  o  produto  carne bovina pode ser considerado, a partir de seus atri-. cia de gordura (atributo valorizado principalmente. butos funcionais, como um bem de crença ( credence good). Por outro lado, ao inserir o hedonismo na. pelos consumidores voltados à manutenção de sua. análise, os atributos intrínsecos adquirem maior. saúde, e que por isto procuram evitar o aumento do. vulto, o que permite classificar o produto como. colesterol); b) país de origem (devido às vantagens. um bem de busca (. comparativas de cada país, existem diferenças signi-. (. ter funcional do consumo são os seguintes: a) ausên-. experience good).. search good) ou de experiência. ficativas em processos produtivos, e conseqüente-. Este quadro mais amplo de análise mostra. mente, nos produtos finais); c) rotulagem (na qual. aspectos que poderiam ser deixados de lado, caso. encontram-se impressas as informações nutricionais. os  conjuntos  de  atributos  da  qualidade  fossem. do corte adquirido); d) saúde e; e) segurança.. utilizados separadamente. No caso específico da. A partir destes dois grandes grupos, outras. carne  bovina,  que  pode  ser  generalizado  para. classificações podem ser feitas, levando em conside-. outros produtos alimentícios, fica evidente o papel. ração as características que tornam a carne bovina:. dos  atributos  extrínsecos  na  formação  e  reforço do conjunto de crenças dos consumidores.. a) um bem procurado por sua qualidade,. Adicionalmente, podem-se identificar quais. que  pode  ser  mensurada  pela  simples. atributos devem estar presentes no alimento para. observação, e sem a ajuda de qualquer. que  seu  consumo  ocorra,  e  quais  atributos  não. outro instrumento. Tal é o caso, em rela-. devem estar presentes para estimular o consumo.. ção aos atributos ausência de gordura,. De fato, a gordura na carne bovina pode ser consi-. cor, marmoreio, e odor;. derada  o  atributo  mais  promissor  na  formulação. b) um bem no qual a qualidade é determi-. de estratégias para segmentos de consumidores que. nada após o alimento ser experimentado. buscam os atributos hedônicos do produto. Uma. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010. 109.

(11) Jeovan de Carvalho Figueiredo / João Mario Csillag. $WULEXWRVIXQFLRQDLV. %XVFD. $WULEXWRVKHG{QLFRV. Ausência de gordura. Cor; marmoreio; odor Conveniência; maciez; sabor; suculência. ([SHULrQFLD. País de origem; rotulagem; saúde; segurança. &UHQoD $WULEXWRV LQWUtQVHFRV. Figura 2. Bem-estar animal; preocupação ambiental $WULEXWRV LQWUtQVHFRV. $WULEXWRV H[WUtQVHFRV. $WULEXWRV H[WUtQVHFRV.  – Abordagem proposta para avaliação de atributos da qualidade em alimentos.. cobertura de gordura visível na carne (marmoreio). fato, as mudanças no ambiente têm influenciado. pode ser o fator determinante no processo de com-. sobremaneira o comportamento dos consumido-. pra dos indivíduos movidos pela busca destes atri-. res, o que torna maior o já difícil desafio das empre-. butos, ao mesmo tempo em que se torna o fator que. sas: obter níveis elevados da qualidade, não ape-. determina a não aquisição do produto pelos indiví-. nas  em  produtos  e  processos,  mas  também  –  e. duos movidos pelo caráter funcional do alimento.. principalmente – em termos das percepções junto ao mercado consumidor.. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS. priori, toda a população mundial é con-. A . sumidora de algum tipo de alimento, que passou, em maior ou menor grau, por algum processo de. 110. Neste trabalho, foram avaliadas as diferen-. adequação ao consumo. É absolutamente dispen-. tes possibilidades de classificação de alimentos, no. sável afirmar que não haverá homogeneidade na. que tange aos seus atributos da qualidade. De fato,. avaliação dos consumidores quanto à entrega de. a análise apresentada neste estudo mostra que um. combinações favoráveis de atributos de um único. mesmo produto pode ter atributos da qualidade. alimento. Ainda assim, uma análise integrada de. funcionais e hedônicos, intrínsecos e extrínsecos,. atributos da qualidade pode gerar subsídios mais. e ser ainda um bem de busca, experiência e crença.. úteis  na  formulação  de  estratégias  empresariais.. Isoladamente,  estes  conjuntos  de  atributos  têm. A contribuição acadêmica deste estudo resi-. menor potencial de servirem como subsídio útil. de na construção de pontes conceituais entre dife-. na  tomada  de  decisão  empresarial.  Mas  quando. rentes áreas do conhecimento. Este esforço é, para. utilizados em conjunto, podem mostrar que um. Whetten (2003), uma legítima contribuição teó-. produto não é adquirido unicamente pelo prazer. rica, dado que empresta a perspectiva de diferentes. do consumo, ou apenas por seus benefícios à saúde.. campos do conhecimento, de forma a alterar metá-. O mesmo alimento pode ser adquirido pelo con-. foras e idéias, e explorar os limites dos raciocínios. sumidor tanto pelo seu caráter funcional, quanto. fundamentais que suportam as teorias amplamente. pelo  prazer  associado  ao  consumo  do  alimento.. aceitas. Novos estudos poderão aprofundar a pro-. As  implicações  deste  argumento  não  são. posta aqui apresentada, em um verdadeiro esforço. triviais, principalmente se o ambiente de negócios. de convergência teórica para um melhor entendi-. contemporâneo for levado em consideração. De. mento dos atributos de qualidade nos alimentos.. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010.

(12) Construindo Pontes Conceituais entre Atributos da Qualidade em Alimentos. REFERÊNCIAS. DAVIDSON,  A.;  SCHRÖDER,  M.  J.  A.; BOWER, J. A. The importance of origin as a quality. AKERLOF, G. A. The market for lemons: quality. attribute for beef: results from a Scottish consumer. uncertainty  and  the  market  mechanism. . sur vey. . Quarterly Journal of Economics. The. , Cambridge, v.. Studies,. International Journal of Consumer.  n. 27, v. 2, p. 91-98, Mar. 2003.. 84, n. 3, p. 488-500, Aug. 1970. FERGUSON,  C.  E.  AHLGREN, M. K.; GUSTAFSSON, I.; HALL,. Journal of Consumer Studies. International. , New York, v. 29,. Gerenciando a qualidade. GARVIN, D. A. . Qualitymark, 1992.. ARNDT,  J.  Paradigms  in  consumer  research:  a. HACKING,  I. . review of perspectives and approaches. . Paidós, 2001.. European. : a ver-. são  estratégica  e  competitiva.  Rio  de  Janeiro:. n. 6, p. 485–492, Nov. 2005.. Journal of Marketing. .  Rio  de. Janeiro: Forense, 1976.. G.  The  impact  of  the  meal  situation  on  the consumption  of  ready  meals. . Microeconomia. Representar e intervir. .  México:. ,  Bradford,  v.  20,  n.  8,  p.. 23-40, 1986.. HARRISON,  C.;  BROWN,  I.  A  comparative investigation  between  functional  foods  and. BECKER, T. Consumer perception of fresh meat quality:  a  framework  for  analysis. . Journal. British Food. , Bradford, v. 102, n. 3, p. 158-176, 2000.. their alternatives with respect to medical claims. International Journal of Consumer Studies. .. ,  v.. 27, n. 3, p.220-221, 2003.. BRUNSÆ;  K.;  FJORD, T.  A.;  GRUNERT,  K.. HART, S. L.; PRAHALAD, C. K. The fortune at. G. Consumers’food choice and quality perception.. the bottom of pyramid. . Aarhus, 2002. (. p. 1-14, 2002.. MAPP. : working paper, 77). Dis-. Strategy+Business. , n. 26,. ponível em: <http://130.203.239/pub/mapp/wp/ wp77.pdf>. Acesso em: 04 out. 2002.. HOLBROOK, M. B. What is consumer research?.. Journal of Consumer Research,.  v. 14, n.1, p. 128-. BURTON, M.; YOUNG, T. The impact of BSE. 132, June 1987.. on the demand for beef and other meats in Great Britain. . Applied Economics. ,  London,  v.  28,  n.. 6, p.687-693, 1996.. perceptions  of  meat  and  meat  products  quality.. CERVO,  A.  L.;  BERVIAN,  P.  A. . científica. ISSANCHOU,  S.  Consumer  expectations  and. Metodologia. Meat Science, . New York, v. 43, p. S5-S19, Ago.. 1996.. . 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. JURAN,  J.  M. . CHILDS, N. M.; PORYZEES, G. H. Foods that. Quality control handbook..   3rd. ed. McGraw-Hill: New York, 1979.. help prevent disease: consumer attitudes and public policy  implications.. Marketing.  The Journal of Consumer. , Bradford, v. 14, n. 6, p. 419-447, 1997.. CSILLAG,  J.  M. . Análise do valor. LEE, M.; YUNG-CHIEN, L. Consumer reliance on  intrinsic  and  extrinsic  cues  in  product evaluations:  a  conjoint  approach. . .  São  Paulo:. Atlas, 1995.. Applied Business Research. Journal of. , Laramie, v. 12, n. 1,. p. 21-29, 1996.. Microeconomia. DARBY, M. R.; KARNI, E. Free competition and. LIEBERMAN, M.; HALL, R. E. . the optimal amount of fraud. . princípios e aplicações. Rio de Janeiro: Cengage,. Economics. Journal of Law and. , Chicago, v. 16, n. 1, p. 67-88, 1973.. R. bras. Gest. Neg., São Paulo, v. 12, n. 34, p. 100-112, jan./mar. 2010. :. 2003.. 111.

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Figura 1 – Tipos de qualidade.

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