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A Logística Inversa de Medicamentos em Portugal

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Academic year: 2021

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A Logística Inversa de Medicamentos em Portugal

Beatriz Vasconcelos Magalhães

Dissertação

Mestrado em Gestão de Serviços

Orientado por

Professor Doutor Rui Alberto Ferreira dos Santos Alves

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Agradecimentos

Com a consciência de que nada se conquista sozinho, apesar de este ser um projeto que considero bastante solitário, correndo o risco de injustamente não mencionar todos aqueles que de alguma forma iluminaram este meu percurso, quero aqui deixar os meus agradecimentos:

Ao meu orientador, Professor Doutor Rui Alves, por todo o apoio, conselhos e principalmente pela paciência.

À Faculdade de Economia da Universidade do Porto, pela disponibilidade de todos os recursos e meios que tornaram possível a realização deste mestrado.

A todos os professores que fizeram parte destes dois anos, por todos os ensinamentos e ferramentas disponibilizadas para o meu futuro.

A toda a minha família, em especial, aos meus pais que estiveram sempre presentes e foram incansáveis neste processo, sempre com uma palavra de força e de carinho.

À Beatriz Nogueira e à Beatriz Noronha, pela fantástica amizade, preocupação e disponibilidade.

À Carolina Campos, Leonor Bahamonde e Francisca Castro, pela maravilhosa companhia, os melhores conselhos e motivação.

Por último, mas não menos importante, à Joana Freitas, por ter sido a companheira de todas as etapas deste mestrado, sempre com uma palavra de apoio e com um espírito incrível de entreajuda.

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Resumo

A população tem vindo a aumentar consideravelmente, bem como a esperança média de vida, sendo necessário reunir esforços para tentar responder a todas as doenças.

A ciência na área da saúde tem contado com avanços consideráveis, a par com inúmeras pesquisas de novos tratamentos, originou um aumento significativo da quantidade fabricada de medicamentos e uma maior facilidade ao acesso de medicamentos pela população. Indiscutivelmente, estes avanços contribuíram em larga medida para a melhoria da qualidade de vida, no entanto, aliada a esta vantagem surge um grande problema: o descarte incorreto de medicamentos, que põe em risco o meio ambiente e a saúde pública.

Sendo este um problema que se tem vindo a acentuar e cuja resolução é urgente, o presente estudo tem como objetivo perceber os comportamentos e atitudes dos consumidores de medicamentos e formular sugestões para minorar os desperdícios de medicamentos não usados e/ou fora de prazo.

Assim, através da pesquisa bibliográfica e da pesquisa de levantamento de dados, propõe-se analisar comportamentos e atitudes do consumidor associados ao descarte de medicamentos não usados e/ou fora de validade.

Posto isto, após uma revisão de literatura, sobre temas de logística inversa de medicamentos, resíduos de medicamentos e de embalagens em Portugal, o impacto ambiental do descarte incorreto de medicamentos, atitudes e comportamentos do consumidor de medicamentos acerca deste tema, explorando a consciencialização dos mesmos e algumas estratégias de sensibilização do consumidor, bem como estratégias e práticas de devolução de medicamentos, recorreu-se a uma investigação quantitativa com a aplicação de um questionário online, direcionado a consumidores de medicamentos, onde foram recolhidas 101 respostas, que visa avaliar o conhecimento, comportamento e atitudes dos consumidores de medicamentos, acerca do seu correto descarte e do impacto ambiental adjacente ao descarte inadequado de medicamentos não usados e/ou fora de prazo.

Palavras-chave: logística inversa; resíduos medicamentos; impactos ambientais; perceção dos consumidores.

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Abstract

World population has been increasing considerably, as well as the average life expectancy, and it is necessary to join efforts to try to respond to all diseases.

Science, particularly in the health area, has counted on considerable advances, along with numerous researches on new treatments, which has led to a significant increase in the amount of medicines manufactured and bettered the population’s general access to them. Undoubtedly, these advances have largely contributed to the improvement of the quality of life. However, allied to this advantage, a major problem arose: the incorrect disposal of drugs, which puts the environment and public health at risk.

Considering the accentuation of this problem and it’s urgent resolution, this study relying on the use of bibliographic research and a data survey, proposes to analyze the behaviors and attitudes of drug consumers and formulate suggestions to reduce the waste of unused and/or outdated drugs.

That said, after a literature review, on issues of reverse logistics of drugs, drug residues and packaging in Portugal, the environmental impact of the incorrect disposal of drugs, attitudes and behaviors of the consumer of drugs on this topic, exploring the awareness of them and some strategies to raise consumer awareness, as well as strategies and practices of drug return, A quantitative investigation was used with the application of an online questionnaire, directed to drug consumers, where 101 answers were collected, which aims to evaluate the knowledge, behavior and attitudes of drug consumers, about their correct disposal and the environmental impact adjacent to the improper disposal of unused and/or expired drugs.

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iv

Índice

1. Introdução ... 1

2. Revisão de Literatura ... 4

2.1. Logística inversa ... 4

2.2. Logística inversa na indústria farmacêutica ... 5

2.3. Resíduos de medicamentos e embalagens em Portugal ... 7

2.4. Impacto ambiental do descarte incorreto de medicamentos ... 10

2.5. Atitudes e comportamentos do consumidor sobre o descarte de medicamentos ... 12

2.6. Estratégias de sensibilização do consumidor ... 15

2.6.1. Orientação por parte dos profissionais de saúde ... 16

2.6.2. Orientação por parte das farmácias ... 16

2.6.3. Orientação através da informação nas embalagens e bulas de medicamentos ... 17

2.6.4. Orientação através de campanhas publicitarias ... 17

2.7. Estratégias e práticas de devolução de medicamentos... 18

3. Estudo Empírico ... 20

3.1. Questões de Investigação ... 20

3.2. Metodologia de Investigação ... 21

3.2.1. Recolha e Análise de dados... 21

3.2.2. Estrutura do Questionário ... 21

3.2.3. Amostra ... 23

3.3. Análise Descritiva dos Resultados ... 24

4. Discussão de resultados ... 36

5. Conclusão ... 43

Referências Bibliográficas ... 46

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Índice de Figuras

Figura 1 - Género dos inquiridos...24

Figura 2 - Faixa etária dos inquiridos ...24

Figura 3 - Habilitações literárias dos inquiridos ...25

Figura 4 - Resposta à pergunta "Utiliza medicamentos diariamente?" ...25

Figura 5 - Resposta à pergunta "Onde costuma adquirir os medicamentos utilizados?" ...26

Figura 6 - Resposta à pergunta "Tem medicamentos, em casa, não usados ou fora de prazo?" ...26

Figura 7 - Resposta à pergunta "Razões para não ter utilizado toda a medicação"...27

Figura 8 - Resposta à pergunta "Tem por hábito comprar medicamentos anunciados em campanhas publicitárias?" ...27

Figura 9 - Resposta à pergunta "Se sim, através de que meios de comunicação?" ...28

Figura 10 - Resposta à pergunta "Que destino dá (ou deu) aos medicamentos, fora de prazo?"...28

Figura 11 - Resposta à pergunta "Indique as razões pelas quais guarda os medicamentos em casa" ...29

Figura 12 - Resposta à pergunta "Tem por hábito consultar as informações fornecidas nas bulas e nas embalagens de medicamentos?" ...29

Figura 13 - Resposta à pergunta "Onde costuma depositar as embalagens que acondicionam os medicamentos e os folhetos informativos (bulas)?" ...30

Figura 14 - Resposta à pergunta "Que atitude considera mais correta, por parte do consumidor, para se desfazer dos medicamentos e embalagens? ...30

Figura 15 - Resposta à pergunta "Na sua opinião, indique a razão pela qual as pessoas não dão o destino, que indicou o mais correto, aos medicamentos não usados e/ou fora de prazo" ...31

Figura 16 - Resposta à pergunta "Na sua opinião, o que leva as pessoas a entregar os medicamentos e embalagens nas farmácias ou em locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica?" ...32

Figura 17 - Resposta à pergunta "Sabe indicar o destino das embalagens e medicamentos após a sua entrega na farmácia?" ...32

Figura 18 - Resposta à pergunta "Na sua opinião, os medicamentos descartados:" ...33

Figura 19 - Resposta à pergunta "Indique o nível de preocupação que tem em relação ao impacto de resíduos de medicamentos no ambiente" ...33

Figura 20 - Resposta à pergunta "Na sua opinião, quem considera ser responsável pelo descarte seguro de medicamentos?" ...34

Figura 21 - Resposta à pergunta "Alguma vez recebeu orientação sobre o descarte correto de medicamentos?" ...34

Figura 22 - Resposta à pergunta "Se sim, quem o orientou?"...35

Figura 23 - Resposta à pergunta "A quem costuma recorrer para obter informações sobre medicamentos?" ...35

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1. Introdução

A Federação Europeia de Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA) afirma que a indústria farmacêutica é um dos setores industriais mais prósperos do mundo (EFPIA, 2016). Na Europa, são utilizadas cerca de 4000 variedades de substâncias medicinais ativas e uma grande quantidade desses medicamentos está disponível sem prescrição médica (Arnold, Brown, Ankley, & Sumpter, 2014).

Medicamentos fora de prazo ou não utilizados aumentam a quantidade de resíduos urbanos. O descarte deste tipo de medicamentos é feito atualmente pela grande maioria das pessoas no lixo comum ou na rede pública de esgotos. Deste modo, a acumulação de medicamentos não utilizados nos domicílios aumenta o risco do descarte incorreto (VAZ, 2011).

Face a este problema, é importante a viabilização de uma estrutura para o descarte adequado dos medicamentos, a implementação de normas e a divulgação de campanhas de consciencialização da população acerca do descarte de medicamentos e o envio para tratamento e destino final adequado a nível ambiental (Bueno CS, 2009).

Desde 1995, que são estudadas questões estratégicas na gestão da recuperação de produtos que indicam que os consumidores e as autoridades exigem que os fabricantes reduzam os resíduos gerados pelos seus produtos. Uma abordagem possível para satisfazer esse pedido é a instalação de uma rede de logística inversa (Thierry, Salomon, Van Nunen, & Van Wassenhove, 1995).

O processo de logística inversa tem sido objeto de vários estudos ao longo dos anos, mas a logística inversa para farmácias e medicamentos hospitalares em Portugal, ainda está num estado muito inicial. A logística inversa, geralmente aborda a perspetiva das organizações que se tornam ativas em produtos em fim de uso aceitando, descartando e recuperando-os por razões económicas, legais e sociais (Maria Varadinov, 2018).

Os desafios à proteção ambiental, a exigência cada vez maior de reciclagem de recursos, o design e a otimização da rede de logística direta e inversa atraíram especial atenção da indústria e da academia (Mula, Peidro, Díaz-Madroñero, & Vicens, 2010). A relevância do presente estudo, prende-se com o facto da indústria farmacêutica estar na corrente principal do setor da saúde (Urias, 2017), sendo este um dos setores mais importantes da

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2 sociedade. Também o facto da abrangência dos riscos ambientais e à saúde pública que resultam do descarte inadequado de medicamentos conferem relevância a este estudo. É igualmente importante destacar como ponto de relevância desta pesquisa a mais-valia de um sistema de logística inversa de medicamentos para reduzir os riscos anteriormente referidos.

Com este estudo, pretende-se analisar o conceito de logística inversa de medicamentos e o seu panorama atual em Portugal, bem como os padrões de atuação dos agentes que a efetuam. É, portanto, o objetivo último perceber os comportamentos e atitudes dos consumidores de medicamentos e formular sugestões para minorar os desperdícios de medicamentos não usados e/ou fora de prazo.

As questões de investigação propostas são: Q1: Porque se acumulam medicamentos em casa?

Q2: Qual o destino dado aos medicamentos não usados e/ ou fora de prazo, por parte dos consumidores de medicamentos?

Q3: Qual o destino dado às embalagens e bulas de medicamentos, por parte dos consumidores de medicamentos?

Q4: Que atitudes são consideradas as mais corretas, por parte de consumidores de medicamentos, para descartar os medicamentos não usados e/ou fora de prazo?

Q5: Que razões levam ao descarte incorreto de medicamentos não usados e/ou fora de prazo, por parte dos consumidores de medicamentos?

Q6: Qual o nível de informação dos consumidores de medicamentos acerca do descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo?

Q7: Qual o nível de informação sobre o tratamento dos medicamentos não usados e/ou fora de prazo, após a sua entrega no local correto para o descarte?

Q8: Qual o nível de preocupação relativamente ao impacto que o descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo podem ter no ambiente e na saúde pública? Q9: Quais as motivações para a prática da logística inversa de medicamentos?

Q10: Quem são os agentes responsáveis pelo correto descarte de medicamentos? Q11: Como reduzir e prevenir o desperdício de medicamentos?

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3 Q12: Como incentivar o consumidor a aplicar o conceito de logística inversa?

Para responder às questões de investigação e cumprir o objetivo de investigação acima descrito, propõe-se a aplicação de uma metodologia quantitativa através da recolha de dados, recorrendo a inquéritos por questionário, a consumidores de medicamentos, onde serão solicitadas perguntas acerca dos seus comportamentos e atitudes relativamente ao descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo. Para a recolha de dados foi utilizado o Google Forms, e com recurso ao Microsoft Office Excel foi possível transferir, organizar e contabilizar, esses mesmos dados.

Após a recolha e tratamento de dados é esperado que se consiga uma noção clara do conceito de logística inversa na indústria farmacêutica e se obtenha resultados que permitam elaborar recomendações para otimizar esta logística, para que se torne possível a redução do impacto ambiental negativo que gera a falta da aplicação deste conceito.

A presente dissertação está dividida essencialmente em 4 partes. Na primeira parte, de carater teórico, é realizada uma revisão de literatura, tendo por base artigos científicos, dissertações e livros, sobre temas com interesse para o estudo. Numa segunda parte, numa secção destinada ao estudo empírico, é elaborada uma análise de dados, descrita a metodologia utilizada para os recolher, bem como a análise de resultados. A terceira parte, tem como objetivo apresentar a discussão de resultados. Por último, são descritas as principais conclusões de investigação, limitações e sugestões futuras.

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2. Revisão de Literatura

Neste capítulo, será apresentada a revisão de literatura que irá abordar conceitos fundamentais para o entendimento e elaboração do presente estudo.

Esta secção figura quatro temáticas centrais: No ponto número um é definido o conceito de logística inversa na indústria farmacêutica. Neste ponto, são ainda abordados os temas de logística inversa, indústria farmacêutica, cadeia de abastecimento farmacêutica e logística inversa no setor;

O segundo ponto refere-se à legislação e estrutura de mercado farmacêutico em Portugal. Já o terceiro ponto, diz respeito ao impacto ambiental do descarte inadequado de medicamentos.

Por último, são abordados modos de minimizar o desperdício de medicamentos, explorando a consciencialização do consumidor e alguns modelos e práticas de devolução de medicamentos.

2.1. Logística inversa

Ao longo do tempo a logística ficou considerado como fator primordial e imprescindível na manobra militar, tal se poderá afirmar relativamente às operações empresariais, que apresentam muitas parecenças às das guerras (Dias, 2005).

Isto porque, após a Segunda Guerra Mundial, fruto da necessidade de desenvolver modelos de gestão mais eficientes, ao longo desta guerra, surgiu a evolução da logística (Stocher, Lopes, Cappellari, & Cassanego Jr, 2019).

Segundo (Ballou, 2006), a logística pode ser definida como um método de planeamento, implementação e controlo de fluxos eficientes e eficazes de mercadoria, serviços e informações desde a origem até ao consumo, com o objetivo de ir de encontro aos requisitos dos clientes.

Posto isto, é notório que a logística passa a ser uma parte importante para a estratégia empresarial, englobando três campos operacionais: a logística da cadeia de abastecimento, logística de apoio à produção e logística de distribuição.

Na década de 80, surge um quarto campo operacional, a logística inversa que tem como objetivo o retorno dos produtos de pós-venda e pós-consumo e o seu destino (Leite, 2003). No início, compreendida um único fluxo em direção oposta ao fluxo da logística, mas ao

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5 longos dos anos foi ganhando maior relevância, chegando mesmo a ser vista como uma vantagem competitiva, abrangendo questões ambientais, de imagem organizacional e de redução de custos (Neto & Carmo, 2013).

Uma definição de logística inversa usada regularmente está orientada para as opções de recuperação:

“O papel da logística em devoluções de produtos, redução de fontes, reciclagem, substituição de materiais, reutilização de materiais, descarte de resíduos e reabastecimento, reparo e fabricação” (Stock, 1988).

Por outras palavras, a logística inversa refere-se à recuperação do valor das mercadorias dado que são considerados inúteis pelo consumidor, ou perdem características funcionais que dificultam o seu uso apropriado ou seguro (Agrawal, Singh, & Murtaza, 2015). Ou seja, é um processo complementar à logística tradicional que finaliza o ciclo de vida do produto, que passa pelo processo de reciclagem, conferindo-lhes valor económico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa e outros até ser descartado (Brito & Leite, 2005).

Revela-se também importante destacar que, a conexão entre os atores da cadeia produtiva é um aspeto fundamental para a operacionalização da logística inversa. O produto, o avanço da legislação, os elementos da cadeia, a interação entre eles e o maior comprometimento do consumidor afetam qualitativamente e quantitativamente os produtos introduzidos em programas de logística inversa (Demajorovic, Huertas, Boueres, Silva, & Sotano, 2012). De notar que, a logística inversa contribui para a redução dos impactos ambientais provocados pela acumulação de resíduos e a responsabilidade dos resíduos produzidos pelas empresas não é apenas do governo. Começam a surgir legislações ambientais dirigindo essa responsabilidade para as empresas e as suas cadeias industriais (Leite, 2003). No estudo desta temática, importa também ter em conta o que estimula o consumo, analisar o ciclo de vida dos produtos, a educação ambiental e a publicidade ecologicamente adequada. Para isto, é necessário a elaboração de novas infraestruturas comerciais e novas relações entre produtores, consumidores e governos (Cortez, 2009).

2.2. Logística inversa na indústria farmacêutica

São vários os resíduos que devem ser geridos no âmbito da logística inversa. Entre eles, os resíduos de medicamentos necessitam de especial atenção. No sector dos serviços de saúde,

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6 os resíduos de medicamentos, perante a legislação, têm regras definidas para a sua gestão e o seu destino, o mesmo não se observa relativamente aos resíduos de medicamentos que estão na posse da população (C. Aurélio & Ueno, 2016).

Devido à falta de legislação, no que respeita aos resíduos que estão na posse da população, os medicamentos fora de prazo ou que já não são usados ampliam a quantidade de resíduos urbanos. Posto isto, é importante haver estruturas para o descarte correto dos resíduos de medicamentos, a implementação de normas e a promoção de campanhas de consciencialização da população, acerca deste assunto (Bueno CS, 2009).

Relativamente ao descarte de medicamentos, a logística inversa é muito importante, uma vez que a maior parte das pessoas descarta os medicamentos fora de prazo ou que já não usam no lixo ou nos esgotos, o que origina graves problemas no meio ambiente e na saúde das pessoas (Melo, 2009).

A indústria farmacêutica testemunhou mudanças importantes nos últimos tempos. Foram impostos, pelo governo, novos regulamentos para combater a recuperação de medicamentos não usados e/ou fora de prazo em diferentes zonas (Kumar, 2009).

Uma organização de saúde ou farmácia hospitalar que considere a implementação de um sistema de logística inversa ou qualquer outro programa de recuperação deve estar preparada para superar todas as dificuldades legais ou técnicas. No entanto, os investimentos em recuperação representam um risco elevado, o que pode desencorajar a adoção de processos de logística inversa (Maria Varadinov, 2018).

O processo de recuperação de medicamentos é complexo devido ao facto das informações sobre as quantidades disponíveis de sobras de medicamentos, a disposição dos clientes para devolver os mesmos, e o custo associado aos processos de recolha e descarte, nem sempre são conhecidos pelo produtor (Sbihi & Eglese, 2007). A escassez de tais informações poderia ser de facto o resultado da falta de confiança e coordenação entre produtores, clientes e empresas logísticas. Além disso, os efeitos diretos da não partilha de informação desencorajam as empresas a colaborar (Li, 2002). Portanto, um processo eficiente de tomada de decisão nessas cadeias de abastecimento inversa está sujeito ao fracasso, a menos que um mecanismo de coordenação coerente seja usado (Lin & Ho, 2014).

Notoriamente, existem vários obstáculos em relação à logística inversa de medicamentos: a normatização, a fiscalização, a qualificação de pessoal, as estruturas necessárias para a

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7 recolha deste tipo de resíduos e os elevados custos dos processos, o que reflete as atuais deficiências na recolha de resíduos de medicamentos (E. K. Falqueto, D. C; Assumpção, R. F., 2010).

Posto isto, a implementação de um sistema de logística inversa pressupõe a participação de produtores, distribuidores, consumidores e poder público neste processo, podendo assim, gerar influências positivas nas atitudes das empresas na execução de sistemas de logística inversa (Ye, 2013).

2.3. Resíduos de medicamentos e embalagens em Portugal

Na Europa, a economia é caracterizada por consumir um elevado número de recursos. Estima-se que perto de um terço dos recursos utilizados são transformados em resíduos. Este elevado consumo explica-se pelo crescimento económico, pelos desenvolvimentos tecnológicos e pela alteração de padrões de produção e consumo.

Por ano, são produzidas à volta de quatro toneladas de resíduos por pessoa nos países membros da Associação Europeia do Ambiente e em média, por cada cidadão da Europa são produzido 520 kg de resíduos domésticos, anualmente. Prevê-se ainda que este número aumente ao longo dos anos (APA, 2016).

Em Portugal continental, no total foram produzidos à volta de 4,94 milhões de toneladas de Resíduos Urbanos, mais 4,2% em comparação com o ano anterior. Isto representa 1,38 kg de Resíduos urbanos produzidos, por habitante (REA, 2019).

Percebe-se, assim, a razão de atualmente a gestão de resíduos sólidos urbanos (RSU) e a gestão de resíduos de embalagens, ser uma das principais questões da política ambiental, uma vez que este tema é transversal a qualquer atividade humana. Tendo como objetivo principal evitar e reduzir a produção de resíduos e o seu caráter nocivo, impedindo ou pelo menos reduzindo, os riscos para a saúde humana e para o ambiente (APA, 2008).

Posto isto, para melhor compreensão desta temática, importa definir os conceitos de resíduo e resíduo urbano.

De acordo com o Decreto-Lei n.º 73/2011, de 17 de junho (Lei-Quadro dos Resíduos), podemos definir “resíduo” como: “Qualquer substância ou objeto de que o detentor se desfaz ou tem a intenção ou a obrigação de se desfazer…” e “resíduo urbano” como: “resíduo proveniente de habitações bem como outro resíduo que, pela sua natureza ou

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8 composição, seja semelhante ao resíduo proveniente de habitações” (DRE, 2020)

Devido às características que diferenciam os resíduos urbanos dos restantes resíduos, tais como a origem, o volume de produção, a composição e os modelos de gestão e o facto de serem produzidos por um grande e variado número de produtores, torna a gestão destes resíduos uma tarefa bastante desafiante.

A definição de “Gestão de Resíduos” compreende, por seu turno, “as atividades de recolha, transporte, armazenagem, triagem, tratamento, valorização e eliminação de resíduos, bem como às operações de descontaminação de solos, incluindo a supervisão dessas operações e o acompanhamento dos locais de eliminação após encerramento” (Diretiva n.º 2006/12/CE; Decreto-Lei n.º 178/2006).

É imperativo que tais atividades se efetuem de forma ambientalmente corretas e por agentes autorizados para o efeito (APA, 2008).

Embora o produtor seja o agente com maior impacto em todo o ciclo de vida do produto, e por isso lhe seja atribuída maior responsabilidade na gestão de resíduos, há uma consciência cada vez mais nítida de que esta responsabilidade deve ser partilhada por todos os agentes envolvidos, desde o produtor até ao consumidor (Neves, 2007).

Como existe uma enorme diversidade de resíduos, surge a necessidade de os classificar. Em Portugal, os resíduos são classificados segundo a origem, por exemplo, se são resíduos provenientes de habitações (resíduos urbanos), se são de origem hospitalar (resíduos hospitalares), entre muitos outros (APA, 2020).

Com o objetivo de facilitar esta classificação, surge a Lista Europeia de Resíduos (LER). Esta lista foi publicada pela decisão 2014/955/UE, da Comissão, de 18 de dezembro, que altera a decisão 2000/532/CE, da Comissão, de 3 de maio, referida no artigo 7.º da diretiva 2008/98/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de novembro, (DQR) diz respeito a uma lista harmonizada de resíduos que tem em consideração a origem e composição dos resíduos. Esta decisão é obrigatória e diretamente aplicável pelos Estados membros. Facilitando assim o conhecimento do regime jurídico por todos os agentes económicos a ele sujeito (APA, 2020).

Os resíduos que estamos a estudar, resíduos de medicamentos, encontram-se na Lista Europeia de Resíduos, com a categoria 20 01 32 – “Resíduos urbanos e equiparados (resíduos domésticos, do comércio, indústria e serviços), incluindo as frações recolhidas

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9 seletivamente: Medicamentos não abrangidos em 20 01 31”. Esta categoria 20 01 31, corresponde a “Resíduos urbanos e equiparados (resíduos domésticos, do comércio, indústria e serviços), incluindo as frações recolhidas seletivamente: Medicamentos citotóxicos e citos táticos “. Estes medicamentos, apesar de serem considerados resíduos urbanos, são tidos como perigosos e por isso apresentam-se noutra categoria (LER, 2008). Revela-se também importante, referir que os princípios e normas aplicáveis à gestão de embalagens e resíduos de embalagens em Portugal, estão estabelecidos no Decreto-Lei n.º 152-D/2017, de 11 de dezembro, que transpõe para ordem jurídica nacional as diretivas n.º 94/62/CE e 2004/12/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, relativas a embalagens e resíduos de embalagens.

Importa ainda definir o conceito de embalagem neste contexto: “todos e quaisquer produtos feitos de materiais de qualquer natureza utilizados para conter, proteger, movimentar, manusear, entregar e apresentar mercadorias, tanto matérias-primas como produtos transformados, desde o produtor ao utilizador ou consumidor, incluindo todos os artigos "descartáveis" utilizados para os mesmos fins” (APA, 2020).

De acordo com o Decreto-Lei n.º 366-A/97, de 20 de dezembro, a gestão de embalagens e resíduos de embalagens é da responsabilidade compartilhada de todos os operadores económicos.

Estes operadores podem optar por submeter a gestão de embalagens e resíduos de embalagens, a um sistema de consignação, onde o consumidor da embalagem paga um certo valor de depósito no ato da compra, que lhe é devolvido assim que entregar a embalagem utilizada ou a um sistema integrado, neste caso, através da marcação existente na embalagem, o consumidor é informado do sitio correto onde descartar a embalagem utilizada (DRE, 2020).

Em 1997, a entidade gestora Sociedade Ponto Verde licenciou-se, para a gestão de um sistema integrado de embalagens e resíduos de embalagens (SIGRE). Esta entidade e este sistema, surgiram para fazer face às medidas e ações recomendadas na legislação portuguesa que regula a gestão do fluxo das embalagens e resíduos de embalagens.

No caso dos resíduos de embalagens e medicamentos, em conjunto com a Sociedade Ponto Verde, há uma entidade gestora licenciada em Portugal para a gestão do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens e Medicamentos (SIGREM). Esta entidade

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chama-10 se VALORMED (APA, 2020).

Esta entidade rege-se pelos princípios e objetivos definidos no Decreto-Lei n.º 152-D/2017, de 11 de dezembro, “nomeadamente a estruturação de uma rede de recolha seletiva, financiamento dos custos de triagem, armazenagem, transporte, tratamento e valorização dos resíduos de embalagens depositados nas redes de recolha seletiva, e o cumprimento de metas de recolha e objetivos mínimos de valorização”.

A VALORMED é uma sociedade sem fins lucrativos criada pelo sector farmacêutico (indústria, distribuidores e farmácias) desde 1999.

A Agência Nacional do Ambiente (APA) regulamenta os desperdícios de resíduos de medicamentos, estabelecendo metas à VALORMED. A última refere-se a 2020, onde 20% de todas as embalagens descartadas de resíduos farmacêuticos são direcionadas para coleta seletiva.

A VALORMED providência contentores próprios localizados em farmácias comunitárias e LVMNSRM (Locais de Venda de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica), onde as pessoas devem depositar os medicamentos não usados e/ou fora de prazo de validade que têm nas suas casas, incluindo todas as embalagens e bulas em anexo.

Posteriormente, os distribuidores de medicamentos recolhem os contentores selados e levam-nos para as suas instalações. De seguida, estes contentores são levados para um Centro de Triagem por um operador competente.

Nesse centro, os resíduos são divididos e classificados para posteriormente serem entregues a gestores de resíduos autorizados responsáveis pelo seu tratamento: reciclagem (papel, cartão, plástico e vidro) e incineração segura com valorização energética dos demais resíduos (VALORMED, 2020).

Na prática, a peculiaridade dos resíduos de medicamentos, requer a existência de processos de recolha seguros, o que justifica a criação desta entidade, em termos de saúde pública e ambiental. A VALORMED contribui também para o uso racional de medicamentos prevenindo que estes percam o controlo médico e sanitário.

2.4. Impacto ambiental do descarte incorreto de medicamentos

A existência de resíduos farmacêuticos no meio ambiente tem sido uma matéria alarmante desde que foi mencionada pela primeira vez na década de 1970 (C. G. Daughton, 2016). Os

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11 medicamentos são produzidos e utilizados em grandes quantidades, e a sua produção e consumo devem aumentar a par do aumento da esperança de vida (Lacorte et al., 2018). Este aumento deve-se também ao envelhecimento da população e ao volume considerável de doenças crónicas, o que leva à toma de medicamentos por temporadas duradouras por uma grande percentagem de pessoas (Moynihan et al., 2013).

Existem centenas de ingredientes com diferentes princípios ativos descartados no meio ambiente devido ao incorreto descarte de resíduos farmacêuticos em águas residuais ou resíduos sólidos urbanos. Estima-se que, esta seja a segunda maior via de ingredientes farmacêuticos ativos no meio ambiente em escala mundial (HCWH, 2013).

Ainda que a finalidade de um medicamento seja o seu consumo, observa-se que por vezes não acontece, ou algumas vezes os medicamentos não são consumidos na sua totalidade, o que leva as pessoas a acumularem medicamentos em casa.

A acumulação de medicamentos nos domicílios acontece pelos seguintes motivos: consumo de medicamentos apenas até desaparecer os sintomas das doenças, sem concluir o tratamento, ou pela aquisição de doses que excedem o prescrito ou necessário ao tratamento, como também para a automedicação (Bueno, Débora, & Oliveira, 2009). O desperdício de medicamentos pode ser também resultado de outros fatores, tais como: terapias que são interrompidas ou alteradas devido à ineficácia e / ou efeitos colaterais indesejados; morte de pacientes e fatores relacionados a processos repetidos de prescrição e a oferta de amostras grátis (health, 2011).

Assim, surge o problema do destino dado a estes medicamentos acumulados em casa das pessoas. (Gasparini, Gasparini, & Frigieri, 2011) refere que “o descarte inadequado é feito pela maioria das pessoas por falta de informação e divulgação sobre os danos causados pelos medicamentos ao meio ambiente e por falta de postos de coleta”.

Devido a esta falta de informação, as pessoas tendem a descartar os medicamentos no lixo comum, sanitas ou lavatório (Kotchen, Kallaos, Wheeler, Wong, & Zahller, 2009), o que contribui para a contaminação do ambiente (Kumar, 2009).

Os medicamentos não usados e/ou fora de prazo de validade são classificados como resíduos, que representam riscos à saúde humana e ao meio ambiente, tais como: contaminação do solo, contaminação da água, contaminação dos alimentos, contaminação e intoxicação de animais, contaminação e intoxicação de pessoas (ANVISA, 2011).

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12 Os medicamentos, considerados micro poluentes emergentes, podem chegar ao ambiente de três formas: através da excreção (depois do consumo de medicamentos e posteriormente bio transformados), quando a medicação tópica é removida durante o banho ou higiene pessoal e devido ao descarte incorreto de medicamentos não usados e/ou fora de prazo de validade (depósito de medicamentos na sanita, lavatório, lixo comum, água ou solo (Oliveira, Lacerda, Kligerman, & Oliveira, 2019).

Os medicamentos são constituídos por uma grande variedade de moléculas. Isto torna difícil detetar e controlar os mesmos. Outras dificuldades que surgem são a gestão ambiental e a contabilidade dos medicamentos, isto porque, os resíduos não dizem respeito apenas a medicamentos prescritos por médicos, mas também aos que são utilizados na medicina veterinária e a drogas ilícitas, estes últimos, sem qualquer controlo (Nunes, 2007). 2.5. Atitudes e comportamentos do consumidor sobre o descarte de medicamentos No presente estudo revela-se também importante, refletir sobre o que incentiva o consumo, a educação ambiental e a publicidade ecologicamente correta. Isso requer a construção de novas infraestruturas comerciais e novas relações entre produtores, consumidores e governos (Cortez, 2009).

Devem ser tomadas ações imediatas para minimizar o uso de medicamentos, educando os consumidores sobre seu consumo correto e racional e descarte apropriado de medicamentos não utilizados e / ou fora de prazo. O êxito destas ações depende principalmente da consciencialização da sociedade. Portanto, a primeira etapa das ações preventivas deve ser a identificação do nível de consciencialização pública. O comportamento adequado dos consumidores é influenciado principalmente pela consciencialização dos efeitos ambientais e na saúde dos efeitos do descarte inadequado dos medicamentos não utilizados / fora prazo (Rogowska, Zimmermann, Muszyńska, Ratajczyk, & Wolska, 2019).

No entanto, os consumidores ainda carecem do conhecimento sobre o descarte adequado dos seus medicamentos não utilizados e de como métodos inadequados de descarte podem afetar o meio ambiente (Tong, Peake, & Braund, 2011).

No tópico anterior, foi já referido que uma das formas de entrada de medicamentos no ambiente é através do descarte incorreto de medicamentos não usados e/ou fora de prazo. O que traz vários riscos à saúde humana e ao ambiente, como foi também mencionado.

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13 Existe uma enorme tendência por parte das pessoas para acumular medicamentos não usados e/ou fora de prazo, em quase todas as habitações, locais de trabalho, entre outros (Ruhoy & Daughton, 2008). Assim, é importante perceber o porquê desta acumulação. Para reduzir os impactos derivados do descarte incorreto de medicamentos, é importante perceber quais as causas que levam as pessoas a não consumirem os medicamentos na sua totalidade. Esta perceção vai permitir à gestão não se centrar apenas no modo como os consumidores descartam os medicamentos, mas também mobilizar esforços para prevenir que se gerem estes resíduos (Musson, Townsend, Seaburg, & Mousa, 2007).

Neste seguimento, vários estudos foram elaborados com o objetivo de perceber, as razões pelas quais se geram resíduos de medicamentos, perceber também o comportamento dos consumidores relativamente ao descarte dos medicamentos e os motivos pelos quais se comportam de determinada forma.

Em 2008, num estudo realizado na Nova Zelândia, 62% das 452 pessoas que participaram neste estudo, tinham medicamentos não usados, em casa

(Braund, Peake, & Shieffelbien, 2009). Em Utah, foi também realizado um estudo, onde se descobriu que, mais de metade da população inquirida, tinha também medicamentos acumulados em casa que já não estão a ser utilizados, ou seja, aproximadamente 67% dos 586 inquiridos (Bates, Laciak, Southwick, & Bishoff, 2011).

São várias as causas que levam à acumulação de medicamentos pelos consumidores nas suas casas, tais como, o fim de prazo de validade, a não adesão do paciente, a prescrição em excesso, a compra em excesso (C. Daughton, 2008). Os consumidores, entre várias outras razões, interrompem a medicação devido aos efeitos secundários, inconveniência de horários, mudança do tratamento prescrito inicialmente, esquecimento (Pound et al., 2005). No estudo realizado na Nova Zelândia, em 2008, das 452 pessoas inquiridas, 307 apontaram como causa para ter medicamentos não usados em casa, “condição médica melhorada ou resolvida”, 170 indicaram “alteração de tratamento”, 168 “quantidade fornecida em excesso”, 155 “data de validade expirada”, 152 “efeitos colaterais da medicação”, 26 “não sei por que a medicação foi prescrita, 22 “ dificuldade em seguir as instruções, 22 “rótulos dos medicamentos tinham instruções pouco claras”, 22 “paciente falecido” (Braund et al., 2009).

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14 importa saber que destino dão aos medicamentos que já não utilizam.

O meio mais usual de descarte de medicamentos por parte dos consumidores é o lixo comum. Segundo vários estudos, é de longe o meio predominante em vários países: Kuwait (Abahussain & Ball, 2007), Reino Unido (Bound Jonathan & Voulvoulis, 2005) e Lituânia (Krupiene & Dvarionienė, 2007).

Ainda assim, em alguns países o mesmo pode não se verificar, como é o caso da Suécia. Num estudo, neste país, em 2007, os meios de descarte que prevalecem são o retorno dos medicamentos às farmácias e o armazenamento em casa (Persson, Sabelström, & Gunnarsson, 2009).

Apesar, de na maioria dos estudos o método de descarte mais utilizado ser o lixo comum, a resposta de 85% das pessoas, quando questionadas sobre qual o destino que consideram ser o mais correto para descartar os medicamentos não usados, foi “devolução às farmácias”, segundo um estudo realizado na Suécia, em 2007 (Persson, Sabelström, & Gunnarsson, 2008).

Neste mesmo estudo, conclui-se que, muitas vezes, as pessoas apesar de saberem qual o meio de descarte mais correto a adotar, continuam a descartar os medicamentos em casa (lixo comum, sanita ou outro) por conveniência e/ou preguiça (Persson et al., 2008).

Vários dos estudos atrás mencionados demonstraram que as pessoas descartam os medicamentos de forma incorreta, prejudicando o meio ambiente. Estes mesmos estudos referem também, que se os consumidores estiverem conscientes do impacto nocivos dos medicamentos no ambiente, é mais provável que escolham os meios corretos para os descartar (Braund et al., 2009; Persson et al., 2008; Tong et al., 2011).

Em 2007, no estudo realizado na Suécia, a principal razão para as pessoas escolherem o método mais correto de descarte (entregar nas farmácias), foi para poupar o meio ambiente (Persson et al., 2008). Neste mesmo estudo, 42% das pessoas inquiridas mostraram-se preocupadas com os efeitos adversos dos medicamentos no meio ambiente.

No entanto, um estudo norte-americano, refere que mesmo os participantes ambientalmente conscientes, ainda descartam incorretamente os seus medicamentos (38,7% no lixo e 23,2% na sanita ou lavatório), o que indica que a consciencialização sobre as questões ambientais relacionadas com o descarte de medicamentos é responsável apenas em parte pelos hábitos de descarte de medicamentos pelos consumidores (Tong et al.,

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15 2011).

Posto isto, a informação é considerada a chave para o descarte adequado de medicamentos não utilizados, em todo o mundo (Tong et al., 2011).

Em Utah, num estudo realizado, em 2009, os pacientes quando questionados se alguma vez tinham recebido orientação sobre o que fazer com as sobras de medicamentos 213 de 231 (92,2%) dos pacientes afirmaram não ter recebido qualquer informação (Bates et al., 2011). Um outro estudo, nos Estados Unidos, revelou que os pacientes que foram previamente informados para devolver os medicamentos nas farmácias ou a prestadores de saúde, tinham maior probabilidade de os descartar corretamente (Tong et al., 2011).

2.6. Estratégias de sensibilização do consumidor

A maior parte dos consumidores nunca procuraram um meio de orientação para o descarte de medicamentos (Tong et al., 2011) e entre aqueles que o fazem a grande maioria utiliza como meio de descarte o lixo, sanita ou lavatório e sabe-se ainda que uma pequena minoria da população diz ter conhecimento das consequências do descarte ao meio ambiente (NAIDE, 2013).

Na logística inversa, o consumidor tem um papel de destaque, uma vez que é ele o ponto de partida do fluxo inverso. Para um programa de logística inversa ter um resultado positivo, tem de haver mudanças no comportamento do consumidor, viabilizando o processo de retorno dos produtos (Demajorovic et al., 2012).

A informação pode motivar os consumidores a participarem em ações de logística inversa de medicamentos. Estudos realizados verificaram que a educação do paciente sobre o descarte adequado de medicamentos eleva a probabilidade de o mesmo adotar práticas corretas de descarte de medicamentos (Maughan et al., 2016; Seehusen & Edwards, 2006). Uma das mais importantes partes de formular e comunicar uma mensagem aos consumidores é identificar um mecanismo claramente definido para o descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo e os agentes responsáveis por aceitar esses mesmos medicamentos (Vellinga et al., 2014).

Para determinar estratégias de sensibilização dos consumidores de medicamentos sobre o descarte adequado dos mesmos e estratégias que viabilizem esse descarte é necessário a propagação de informações pertinentes e suficientes para motivar a mudança de

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16 comportamento em relação ao uso consciente de medicamentos. Estas informações devem ser contidas desde prescrições e recomendações por parte de profissionais de saúde e dos envolvidos no comércio de medicamentos, às embalagens que acondicionam os medicamentos, às bulas que os acompanham, até às campanhas publicitárias (C. J. Aurélio, 2016).

2.6.1. Orientação por parte dos profissionais de saúde

Os profissionais de saúde têm um peso importante no alcance dos usuários de medicamentos. Ao longo dos anos, os profissionais de saúde são os mais procurados pelos pacientes com pedidos diretos de medicamentos com ou sem prescrição dos médicos (Lee, 2009). Os consumidores confiam mais nas informações sobre medicamentos fornecidas pelos médicos do que em propagandas desses produtos (Cox & Cox, 2010).

Os hospitais e clínicas podem fornecer informação, quer a pacientes como a funcionários, sobre o descarte correto de medicamentos. Um estudo, em Espanha, verificou que a educação e treino dos profissionais de saúde hospitalar, sobre o descarte adequado de medicamentos não usados e/ou fora de prazo, pode resultar numa redução visível dos resíduos de medicamentos (Mosquera, Andrés-Prado, Rodríguez-Caravaca, Latasa, & Mosquera, 2014).

2.6.2. Orientação por parte das farmácias

Existe disposição por parte das farmácias em aderir a programas de logística inversa de medicamentos, a maioria dos farmacêuticos atuantes em farmácias tem consciência sobre as consequências prejudiciais dos medicamentos no meio ambiente, reconhece a sua responsabilidade em protegê-lo, e concorda em ter pontos de recolha para programas de recolhimento destes medicamentos (Abahussain, Waheedi, & Koshy, 2012).

O controlo da distribuição dos medicamentos em estabelecimentos públicos e privados é muito importante: o profissional farmacêutico deve informar o usuário sobre os riscos da automedicação e também sobre o potencial poluidor dos medicamentos (Silva, 2011). Os farmacêuticos, podem educar o consumidor sobre o descarte seguro de medicamentos não usados e/ou fora de prazo. Para potencializar a eficiência, os farmacêuticos podem optar por informar os pacientes que são mais predispostos a ter medicamentos não usados e/ou fora de prazo, como idosos, estudantes universitários e pacientes a quem foram

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17 prescritos opiáceos (Maeng, Tom, & Wright, 2017; Maughan et al., 2016; Vatovec, Van Wagoner, & Evans, 2017).

2.6.3. Orientação através da informação nas embalagens e bulas de medicamentos Desde 1993, os Estados membros da Comunidade Europeia, comprometeram-se a adicionar, às ações de vigilância de produtos farmacêuticos, a avaliação e monotorização do risco ambiental dos medicamentos(Directiva2010/84/UE, 2010).

Segundo o Decreto-Lei n.o 176/2006 de 30 de agosto, para obter autorização para introduzir qualquer medicamento no mercado, é obrigatório apesentar fundamentos justificativos de medidas preventivas e de segurança, relativamente ao armazenamento e administração do medicamento, mas também sobre o descarte do mesmo.

Assim, se um medicamento for capaz de gerar algum risco ambiental, as embalagens e a bula dos medicamentos devem conter informação para os consumidores não descartarem o medicamento no lixo comum, e que devem consultar um profissional de saúde para serem orientado sobre o descarte seguro do medicamento (Directiva2010/84/UE, 2010).

2.6.4. Orientação através de campanhas publicitarias

A indústria farmacêutica recorre a publicidade para promover os seus produtos, com o objetivo de influenciar o consumidor a adquirir e utilizar medicamentos. A publicidade é uma estratégia de marketing bastante utilizada em todos os meios de comunicação. O marketing, identifica, avalia e seleciona oportunidades de mercado, como também formula estratégias para capturar essas oportunidades (Armstrong, 2008).

Também a logística inversa pode fazer valer-se da publicidade, através de campanhas de televisão, rádio, outdoors, entre outros. Estes programas, evidenciam resultados positivos relativamente ao retorno de medicamentos, o que prova que adotar campanhas publicitárias como estratégia de logística inversa de medicamentos, é efetivo (C. J. Aurélio, 2016). Embora o papel principal da publicidade de medicamentos seja auxiliar a industria farmacêutica a vender os seus produtos, acaba também por despoletar outros efeitos, como o reconhecimento de doenças e o aumento da consciência dos riscos que podem ter os medicamentos o que promove conversas entre médicos e pacientes sobre riscos, condições e alternativas de tratamento (Cox & Cox, 2010). Estudos provam que informações

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18 fornecidas em publicidades de medicamentos incentivam os consumidores a consultar médicos (Hosken & Wendling, 2013; Jayawardhana, 2013).

No entanto, há estudos que indicam que as campanhas publicitárias, podem não ser uma boa estratégia relativamente ao retorno seguro dos medicamentos. Isto pode justificar-se pelo facto de as campanhas não disponibilizarem informação detalhada e também pelo facto, de por vezes, poderem ser mal interpretadas (Grenard, Uy, Pagán, & Frosch, 2011). 2.7. Estratégias e práticas de devolução de medicamentos

Na Europa, é a Agência Europeia de Avaliação de Produtos Médicos (EMA), a responsável pelo destino dos medicamentos já não usados. Esta é a agência que divulga instruções e recomendações para que estes medicamentos não usados e/ou fora de prazo, sejam devolvidos às farmácias. Os países como Itália, França e Espanha demonstram programas bem estruturados, e outros seis países europeus, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Itália e Reino Unido e a Suíça possuem programas que são geridos em conjunto pelas farmácias, empresas públicas e privadas de transporte de resíduos (Bellan, Pinto, Kaneko, Junior, & Moretto, 2012).

Em Portugal, em 1997, foi fundada a Valormed, que é uma associação entre indústrias farmacêuticas distribuidoras e farmácias, com o objetivo de organizar a logística operacional da recolha e orientação da população em relação ao descarte de medicamentos (E. Falqueto, 2013).

O programa é uma iniciativa dos stakeholders da indústria farmacêutica, com recursos provenientes dos membros das associações farmacêuticas, tais como, farmácias, indústrias, distribuidores e importadores farmacêuticos e químicos.

Neste programa, as empresas farmacêuticas pagam uma taxa ecológica de 0,00504 euros por embalagem introduzida no mercado e o lixo farmacêutico é incinerado (Cibely Delabeneta, 2017).

Os programas de recolha de medicamentos, são serviços oferecidos por farmácias comerciais, ou farmácias das unidades básicas de saúde e farmácias ambulatórias de hospitais da rede pública, que disponibilizam um sistema de gestão de resíduos através do qual a população pode descartar os seus medicamentos não usados e/ou fora de prazo gratuitamente e de forma segura, evitando que estes sejam descartados no lixo comum e na rede de esgotos, ou fiquem acumulados nos domicílios.

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19 O processo inicia-se no consumidor de medicamentos, que realiza o descarte dos mesmos nos locais de recebimento. Nestes locais, os medicamentos são recebidos pelos funcionários da farmácia ou depositados em recipientes apropriados. Após a recolha, os resíduos de medicamentos são armazenados até que sejam recolhidos por empresa especializada, que fará chegar os resíduos ao destino final apropriado, seja por incineração ou em aterros de resíduos perigosos (Pinto, 2011).

A incineração constitui um processo associado à proteção do meio ambiente, adequado, como uma solução ambientalmente segura para problemas de descarte final de resíduos (E. Falqueto, 2013).

Os programas de recolha de medicamentos reduzem a quantidade de medicamentos que chegam ao meio ambiente como poluentes e propiciam o uso racional de medicamentos. A acumulação de medicamentos não necessários nos domicílios contribui para o uso inadequado de medicamentos, aumentando o risco de acidentes, intoxicação com medicamentos fora de prazo ou indevidamente indicados, inclusive em crianças (Bueno et al., 2009).

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20

3. Estudo Empírico

3.1. Questões de Investigação

Neste ponto explicar-se-á o tipo de metodologia a que se irá recorrer para dar resposta às questões de investigação e ir de encontro ao objetivo de investigação proposto no início do presente documento.

O objetivo da investigação passa por analisar o conceito de logística inversa e o seu panorama atual em Portugal, bem como os padrões de atuação dos agentes que a efetuam. É, portanto, o objetivo deste estudo perceber os comportamentos e atitudes dos consumidores de medicamentos e formular sugestões para minorar os desperdícios de medicamentos não usados e/ou fora de prazo.

As questões de investigação propostas são: Q1: Porque se acumulam medicamentos em casa?

Q2: Qual o destino dado aos medicamentos não usados e/ ou fora de prazo, por parte dos consumidores de medicamentos?

Q3: Qual o destino dado às embalagens e bulas de medicamentos, por parte dos consumidores de medicamentos?

Q4: Que atitudes são consideradas as mais corretas, por parte de consumidores de medicamentos, para descartar os medicamentos não usados e/ou fora de prazo?

Q5: Que razões levam ao descarte incorreto de medicamentos não usados e/ou fora de prazo, por parte dos consumidores de medicamentos?

Q6: Qual o nível de informação dos consumidores de medicamentos acerca do descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo?

Q7: Qual o nível de informação sobre o tratamento dos medicamentos não usados e/ou fora de prazo, após a sua entrega no local correto para o descarte?

Q8: Qual o nível de preocupação relativamente ao impacto que o descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo podem ter no ambiente e na saúde pública? Q9: Quais as motivações para a prática da logística inversa de medicamentos?

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21 Q11: Como reduzir e prevenir o desperdício de medicamentos?

Q12: Como incentivar o consumidor a aplicar o conceito de logística inversa? 3.2. Metodologia de Investigação

Posto isto, e de forma a dar resposta às questões de investigação e ir de encontro ao objetivo de investigação propõe-se a recolha de dados, recorrendo a uma metodologia quantitativa através de inquéritos por questionário e a posterior análise dos mesmos. 3.2.1. Recolha e Análise de dados

Os questionários foram disponibilizados online para atingir o maior número de respostas possíveis, mas também foram entregues alguns pessoalmente para cobrir a faixa etária com uma idade mais avançada, que à partida não terão acesso à internet. Isto para tentar alcançar uma análise o mais abrangente possível no que diz respeito à faixa etária.

O questionário era dirigido aos consumidores de medicamentos, de modo a perceber de que forma esta população efetua o descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo; se conhecem o conceito de logística inversa de medicamentos; se sabem o impacto que tem o descarte inadequado de medicamentos e de que forma se poderia incentivar o consumidor a aderir a esta prática.

Neste questionário procura-se obter uma amostra o mais representativa possível no Norte do país.

Para a recolha de dados foi utilizado o Google Forms, para elaborar os inquéritos e posteriormente, para a análise de dados foi utilizado o Excel.

Após o tratamento e análise dos dados recolhidos a meta é responder às questões de investigação de modo a alcançar o objetivo de investigação e de que forma esses dados vão, ou não, de encontro à revisão de literatura.

3.2.2. Estrutura do Questionário

O questionário começa com uma breve introdução, apresentando o âmbito do projeto e explicando quais os objetivos. Mencionou-se também a confidencialidade do questionário e a duração aproximada para a resposta ao mesmo.

Posteriormente, o questionário desdobrou-se em 23 perguntas, divididas em 5 secções. A primeira secção diz respeito ao uso de medicamentos, para perceber se os inquiridos

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22 utilizam medicamentos diariamente, onde os costumam adquirir, se têm em casa medicamentos não usados e/ou fora de prazo e quais as razões desta sobra. A segunda secção, tem questões relativas ao destino dado aos medicamentos não usados e/ou fora de prazo, a terceira secção incide em perguntas sobre as embalagens e as bulas de medicamentos e a quarta secção diz respeito ao recebimento e postos de entrega de medicamentos não usados e/ou fora de prazo. Nestas últimas três, as perguntas tiveram como objetivo perceber as atitudes, comportamentos e conhecimentos dos consumidores relativamente ao descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo. A quinta e última secção, tem como objetivo recolher informação sobre género, idade e habilitações literárias, de cada inquirido, para efeitos de caracterização da amostra.

Todas as questões foram validadas pela literatura deste estudo e apresentam-se na Tabela 1.

Tabela 1 – Estrutura do Questionário

Questões Aspetos

Relevantes Autores

 Utiliza medicamentos diariamente?

 Onde costuma adquirir esses medicamentos?

 Tem medicamentos, em casa, não usados e/ou fora de prazo?

 Quais as razões para não ter consumido toda a medicação?

 Tem por hábito comprar medicamentos anunciados em campanhas publicitárias?

 Se sim, através de que meios de comunicação?

 Que destino dá ou deu aos medicamentos não usados e/ou fora de prazo?

 Indique as razões pelas quais guarda os medicamentos em casa.

 Tem por hábito consultar informações fornecidas nas bulas ou embalagens de medicamentos?

 Tem por hábito fazer reciclagem? (papel, plástico, vidro) Responsabilidade pelo descarte correto de medicamentos e comportamento do consumidor

(Teodósio & Costa, 2011) (Demajorovic et al., 2012) (Gouveia, 2012)

(Mazzarino, 2013) (Mucelin & Bellini, 2008) (Ogassavara, 2011)

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23

 Que atitude considera mais correta, por parte do consumidor, para se desfazer dos medicamentos e embalagens?

 Na sua opinião, indique a razão pela qual as pessoas não dão o destino, que indicou como o mais correto, aos medicamentos e embalagens fora de uso?

 Na sua opinião, o que leva as pessoas a entregarem os medicamentos e embalagens nas farmácias?

 Sabe indicar o destino das embalagens e medicamentos após a sua entrega na farmácia?

 Na sua opinião, quem considera ser responsável pelo descarte seguro de medicamentos?

Estrutura e postos de entrega

(Alvarez, Larrucea, Santandreu, & de Fuentes, 2009)

(Aras & Aksen, 2008) (Bringhenti & Günther, 2011) (Marchi, 2011)

(Ribeiro & Besen, 2011)

(Karina Nascimento Vieria, 2009)

 Alguma vez recebeu orientação sobre o descarte correto de medicamentos?

 Se sim, quem o orientou? (sobre o descarte de medicamentos)

 A quem costuma recorrer para obter informação sobre medicamentos?

 Na sua opinião, que impactos tem o descarte incorreto de medicamentos?

Disponibilização de informação e orientação

(Bringhenti & Günther, 2011) (Cortez, 2009)

(Mazzarino, 2013) (Ogassavara, 2011) (Ribeiro & Besen, 2011)

(Sorrentino, Trajber, Mendonça, & Ferraro Junior, 2005)

(Karina Nascimento Vieria, 2009)

No Anexo I, encontra-se o formato final do questionário que foi enviado aos inquiridos. Antes da divulgação pública do questionário, o mesmo foi enviado a uma pequena amostra de inquiridos (10 pessoas), com o objetivo de perceber a viabilidade e dificuldades do questionário. Após o teste, retificou-se alguns pontos, mas no geral foi bem percebido. 3.2.3. Amostra

Recorreu-se a uma amostra com o objetivo de analisar vários perfis de utilizadores. A amostragem escolhida foi a não probabilística, que embora não assegure uma amostra representativa, é o meio que consome menos recursos e menos tempo (Malhotra, 2007). Foi então, utilizada a técnica por conveniência, ou seja, os elementos da amostra são selecionados pela sua conveniência, onde os inquiridos partilham o inquérito com pessoas próximas de si de modo a fazê-lo chegar ao maior número de pessoas possível, aumentando a dimensão da amostra. A amostra utilizada foi conseguida através da divulgação do inquérito pelas redes sociais e via email entre os dias 30 de maio e 3 de julho de 2020.

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24 3.3. Análise Descritiva dos Resultados

Caracterização Demográfica

O perfil sociodemográfico deste estudo foi traçado mediante dados relativos a género, idade e habilitações literárias.

Em relação ao género, conclui-se que a larga maioria dos inquiridos pertence ao género feminino (62%), sendo que apenas 38% da amostra pertence ao género masculino, como mostra a Figura 1.

Figura 1 - Género dos inquiridos

Em relação à idade, através da Figura 2, podemos observar que a maioria dos inquiridos (44%) tem entre 21 e 30 anos, seguindo-se a faixa etária entre os 41 e os 60 anos, com 24% e logo de seguida 23%, as idades compreendidas entre os 31 e os 40 anos. Temos ainda 8% dos inquiridos com idade superior a 60 anos e apenas 1% dos inquiridos com idade inferior a 20 anos.

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25 Quanto às habilitações literárias dos inquiridos, verifica-se que a maioria dos inquiridos tem o ensino superior (78%), seguidos de 18% com o ensino secundário e apenas 4% com o ensino básico, como podemos observar na Figura 3.

Figura 3 - Habilitações literárias dos inquiridos Comportamentos e Atitudes do consumidor

Das 100 pessoas inquiridas, 73% das pessoas utilizam medicamentos diariamente e apenas 27% dos participantes não o faz, como demonstra a Figura 4.

Figura 4 - Resposta à pergunta "Utiliza medicamentos diariamente?"

Quanto ao local onde os inquiridos costumam adquirir os medicamentos que utilizam, quase a totalidade da amostra (94%) afirmou recorrer a farmácias para adquirir medicamentos e apenas 6% diz dirigir-se a serviços de saúde para este efeito, tal como se pode ver na Figura 5. De notar que, “Internet” foi uma terceira opção de reposta para esta questão, visto que é possível comprar medicamentos por este meio, no entanto nenhum inquirido a selecionou.

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26 Figura 5 - Resposta à pergunta "Onde costuma adquirir os medicamentos utilizados?"

Relativamente à questão que tem como objetivo perceber a quantidade de inquiridos que tem em suas casas medicamentos não usados e/ou fora de prazo, conclui-se que a maioria das pessoas (80%) tem sobras de medicamentos, em contraste com apenas 20% que não as tem, como demonstra a Figura 6.

Figura 6 - Resposta à pergunta "Tem medicamentos, em casa, não usados ou fora de prazo?"

Como já era esperado o número de respostas positivas à questão anterior, elaborou-se uma outra, para perceber as razões pelas quais as pessoas não consumiram toda a medicação que tinham em sua posse. Como resultado, tal como se vê na Figura 7, exatamente metade dos inquiridos justificou-se pela “Melhoria dos sintomas que o levaram a tomar a medicação”, sendo que da outra metade dos inquiridos, 22% afirmou não ter tomado toda a medicação porque as “Embalagens contêm medicamentos a mais”, 14% diz ser devido à “Alteração da medicação inicialmente prescrita”, 9% diz ter “Dificuldade em cumprir a prescrição” e apenas 5% selecionou “Excesso de medicação prescrita pelos médicos”.

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27 Figura 7 - Resposta à pergunta "Razões para não ter utilizado toda a medicação"

Posteriormente, questionou-se se os inquiridos têm por hábito comprar medicamentos anunciados em campanhas publicitárias. Mais de metade (70%) respondeu não aderir a esta prática e apenas 30% afirmaram comprar medicamentos que viram anunciados em campanhas publicitárias, como demonstra a Figura 8.

Figura 8 - Resposta à pergunta "Tem por hábito comprar medicamentos anunciados em campanhas publicitárias?"

No seguimento da questão anterior, perguntou-se aos inquiridos que responderam à mesma, de forma positiva, através de que meio de comunicação viu anunciado os medicamentos que tem por hábito comprar. A maior parte dos inquiridos (64,5%), selecionou a “Televisão”, como meio de comunicação onde vê as campanhas publicitárias, 29% selecionou a “Internet”, 3,2% identificou ambos e outros 3,2% diz ter visto as campanhas em “Placares de rua”, como demostrado na Figura 9.

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28 Figura 9 - Resposta à pergunta "Se sim, através de que meios de comunicação?"

De seguida, questionou-se também acerca do destino dado aos medicamentos que o consumidor já não usa e/ou que estão fora de validade. Do total de inquiridos, 47,5% afirmou deitar os medicamentos no lixo comum, sanita ou lavatório, 29,7% diz entregar na farmácia, 20,8% indica que guarda em casa e apenas 2% entrega numa unidade de saúde, como demonstrado na Figura 10.

Figura 10 - Resposta à pergunta "Que destino dá (ou deu) aos medicamentos, fora de prazo?"

No seguimento da questão anterior, procurou saber-se o motivo pelos quais as pessoas que indicaram guardar os medicamentos não usados e/ou fora de prazo em casa o fazem. Verificou-se que a grande maioria dos inquiridos (69%) guarda-os porque podem voltar a precisar deles, 22% não sabe onde os entregar, 7% por esquecimento e apenas 1% por falta de tempo, como se pode observar na Figura 11.

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29 Figura 11 - Resposta à pergunta "Indique as razões pelas quais guarda os medicamentos em casa"

Como podemos observar na Figura 12, em relação à pergunta que se colocou aos inquiridos para perceber se têm o hábito de consultar as informações fornecidas nas bulas e embalagens de medicamentos, verificou-se que praticamente todos os inquiridos têm este hábito (95%), sendo que apenas 5% respondeu que não lê as informações das embalagens e das bulas de medicamentos.

Figura 12 - Resposta à pergunta "Tem por hábito consultar as informações fornecidas nas bulas e nas embalagens de medicamentos?"

No seguimento da pergunta anterior, questionou-se os inquiridos quanto ao destino que os mesmos dão, às embalagens que acondicionam os medicamentos e aos folhetos informativos (bulas). Verificou-se que mais de metade da amostra (61%) selecionou como destino o lixo comum, 24% deita em ecopontos para reciclar e apenas 15% entrega nas farmácias, como mostra a Figura 13.

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30 Figura 13 - Resposta à pergunta "Onde costuma depositar as embalagens que acondicionam os

medicamentos e os folhetos informativos (bulas)?" Conhecimento acerca da estrutura e postos de entrega

Após a elaboração de questões com o objetivo de perceber os comportamentos e atitudes dos inquiridos, revelou-se importante averiguar também os seus conhecimentos no que diz respeito à estrutura e postos de entrega para o descarte de medicamentos não usados e/ou fora de prazo.

Como se pode observar na Figura 14, os inquiridos quando questionados sobre qual a atitude que consideram mais correta, por parte do consumidor, para descartar os medicamentos e as embalagens não usadas ou fora de prazo, as respostas foram quase unanimes. A resposta “Entregar na farmácia” foi a mais escolhida com 93% do total da amostra, de seguida com 3% foi selecionada a opção “Entregar numa unidade de saúde” e com apenas 2 % temos as duas outras opções: “Oferecer a outras pessoas” e “Depositar no lixo comum”.

Figura 14 - Resposta à pergunta "Que atitude considera mais correta, por parte do consumidor, para se desfazer dos medicamentos e embalagens?

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Tabela 1 – Estrutura do Questionário
Figura 2 - Faixa etária dos inquiridos
Figura 4 - Resposta à pergunta "Utiliza medicamentos diariamente?"
Figura 6 - Resposta à pergunta "Tem medicamentos, em casa, não usados ou fora de prazo?"
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Referências

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