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Desenvolvimento de forma semissólida contendo blenda de polímeros com cafeína e extrato de semente de uva aplicando planejamento fatorial / Development of a semissolid form containing blend of polymers with caffeine and grape seed extract applying factor

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761

Desenvolvimento de forma semissólida contendo blenda de polímeros com

cafeína e extrato de semente de uva aplicando planejamento fatorial

Development of a semissolid form containing blend of polymers with caffeine

and grape seed extract applying factor planning

DOI:10.34117/bjdv6n7-426

Recebimento dos originais: 03/06/2020 Aceitação para publicação: 17/07/2020

Flávia Rafaela Bezerra Monteiro

Farmacêutica pelo Centro Universitário do Vale do Ipojuca - UNIFAVIP|WYDEN Instituição: Farmácia Roval de Manipulação

Endereço: Rua Silvino Macedo, 198, AP 102-Bairro Maurício de Nassau, Caruaru – PE, Brasil E-mail: [email protected]

Raul Cesar de Melo Tavares

Farmacêutico pelo Centro Universitário do Vale do Ipojuca - UNIFAVIP|WYDEN Instituição: FUNDAÇÃO PROF. MARTINIANO FERNANDES (IMIP) Endereço: Rua Francisco Branco, 1153 -Bairro Brasília, Garanhuns – PE, Brasil

E-mail: [email protected]

Tibério Cesar Lima de Vasconcelos

Mestre em Química pela Universidade Federal Rural de Pernambuco Instituição: Centro Universitário do Vale do Ipojuca - UNIFAVIP|WYDEN Endereço: Av. Adjar da Silva Casé, 800 - Indianópolis, Caruaru - PE, 55024-740

E-mail: [email protected]

RESUMO

Polímeros são utilizados na indústria farmacêutica para obtenção de diversas formas farmacêuticas

e/ou cosméticas, tornando necessário desenvolvimento de novos compostos poliméricos que resultem em produtos com melhores características, surgindo blendas poliméricas que é uma mistura de dois polímeros com características diferentes. Considerando a cafeína uma das matérias primas mais utilizadas em produtos cosmético e/ou farmacêuticos, a semente de uva atuando como antioxidante, o gel como um dos produtos veiculados por polímeros e a fim de atender a atual tendência do mercado de busca por produtos naturais, o presente trabalho teve como objetivo o desenvolvimento de forma semissólida a partir de blenda polimérica contento extrato de semente de uva e cafeína. Utilizando planejamento fatorial foram manipuladas dez amostras com três variáveis que foram submetidas a testes organolépticos e físico químicos com intuito de identificar a estabilidade das formulações e interferências das variáveis. Embora a blenda polimérica tenha se comportado de forma estável durante todos os testes, algumas variáveis interferiram em características como pH, densidade, viscosidade e espalhabilidade, tornando necessários maiores estudos para elucidar tais influencias.

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761

ABSTRACT

Polymers are used in the pharmaceutical industry to obtain various pharmaceutical and / or cosmetic forms, necessitating the development of new polymeric compounds which result in products with better characteristics, resulting in polymer blends being a blend of two polymers with different characteristics. Considering caffeine one of the most used raw materials in cosmetic and / or pharmaceutical products, grape seed acting as an antioxidant, gel as one of the products conveyed by polymers and in order to meet the current trend of the market for natural products, the present work had as objective the development of semisolid form from polymeric blende content grape seed extract and caffeine. Using factorial planning ten samples with three variables were manipulated and submitted to organoleptic and physical chemical tests in order to identify the stability of the formulations and interferences of the variables Although polymeric beads have behaved steadily during all tests, some variables have interfered in characteristics such as pH, density, viscosity and scatterability, requiring further studies to elucidate such influences.

Keywords: polymeric blend, polymers, factorial planning.

1 INTRODUÇÃO

Compostos farmacêuticos e cosméticos podem ser utilizados de forma não invasiva, gerando produtos de uso tópico que consistem em pomadas, géis ou sprays (CUBAYACHI, 2014). Os géis são compostos semissólidos que compõe em dispersões em variadas moléculas em meio líquido que ganha consistência correlacionadas com as geleias pela introdução de um agente gelificante (ANSEL et al., 2007). Géis hidrofílicos dispõe de uma boa característica de boa absorção de ativos e baixa oleosidade (CASTELI et al., 2008). Vale salientar que as diferentes consistências e formulações de géis apresentam diferentes cinéticas de evaporação, revelando assim a sensibilidade de evaporação de géis a tratamentos térmicos (SILVA et al., 2007).

Polímeros são macromoléculas de aplicação cosmética e/ou farmacêutica, trata-se de compostos resultantes de arranjos de moléculas menores, do grego ‘polys” significa muitos e “meros” significa partes. Podem ser classificados de acordo com sua natureza iônica ou não iônica, na qual os de característica iônica possuem estabilidade em ampla faixa de pH, e os de natureza aniônica são estáveis a pH próximo a neutralidade (CORREA, 2005).

Uma opção economicamente viável é a obtenção de materiais através da mistura de polímeros, onde há características químicas, físicas e físico-químicas superior aos polímeros puros, devido à seleção que é realizada nos componentes da blenda, conservando assim as principais vantagens de cada polímero. As blendas são bastantes utilizas no meio académico, industrial e até mesmo comercial, devido ao baixo investimento para a síntese de novos polímeros, como também na facilidade de obtenção dos materiais. Portanto, as blendas se tornam uma alternativa para a obtenção de materiais poliméricos com as mais diversas particularizações e a um custo relativamente reduzido (SILVA, 2011)

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761 A hidroxietilcelulose, comercialmente conhecido como Natrosol®250 ou Cellosize, é um produto da reação entre celulose e óxido de etileno sendo um derivado de caráter não iônico, embora ocorram mudanças na viscosidade, tolera pH extremos. Polímero solúvel em água fria ou quente, mas não forma gel sob aquecimento (QUEIROZ, 2008). Os géis formados por esse polímero são transparentes, viscosos e tolerem altas concentrações de eletrólitos, adição de ácidos, sais ionizáveis e formulações em que o gel com carbômeros não é compatível (EMBRAFARMA,2015)

Os carbômeros, comercialmente mais conhecido é o Carbopol®, são derivados do ácido acrílico com alto peso molecular, é um dos principais polímeros utilizados para produção de formas farmacêuticas e/ou cosmética. Essa escolha ocorre pelas diversas vantagens que o gel preparado com Carbopol® apresenta, entre elas são: necessidade de baixa concentração para atingir uma alta viscosidade; estabilidade térmica; boa aceitação do público devido as características sensoriais e possibilidade de incorporação de muitos princípios ativos. Formam hidrogéis de caráter aniônico com capacidade tamponante, a transparência é atingida com pH 7,0 (QUEIROZ, 2008). Quando ocorre dispersão do polímero em água este pode aumentar em até 1000 vezes seu volume original, por isso em baixas concentrações 0,5 a 2% é possível atingir uma alta viscosidade, embora que para isso é necessário adicionar uma base orgânica ou inorgânica, como, trietanolamina ou hidróxido de sódio (MIURA, 2012).

Os géis são um ótimo meio para incorporação de extrato de plantas e substâncias isoladas, com os avanços científicos aliados a atual tendência pelo consumo de produtos naturais, tornou o tema mais atrativo para indústrias (PIRES, GRISOTTO, GRISOTTO, 2017). Neste sentido a uva é uma fruta com potencial de utilização bastante conhecido na indústria cosmética e farmacêutica devido a seus antioxidantes característicos na sua composição, flavonoides e proantocianidinas que auxiliam como capturadores de radicais livres, sendo responsável pela vasodilatação e inibem enzimas como fosfolipase, cicloxigenase e lipoxigenase, fazendo também com que ocorra a baixa da peroxidação lipídica (MARTIN et al., 2007). Já a cafeína é um alcaloide de origem das metilxantinas, que é utilizado como otimizador da lipólise nos adipócitos, impulsiona a degradação dos triglicerídeos, provocando a diminuição das gorduras (BELONI,2010).

As metilxantinas, como a cafeína, por terem características β-agonistas, integram a importante classe de composto químico com efeitos registrado no tratamento da Lipodistrofia ginoide. (BELONI, 2010). A cafeína, como princípio ativo dermatológico, exerce ação no tecido adiposo subcutâneo, por meio da inibição da fosfodiesterase, apresentando um efeito lipídico. Ela também ocasiona uma redução da espessura da hipoderme devido ao achatamento nos lóbulos do tecido adiposo (TASSINARY et al., 2011).

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761 hidroxietilcelulose e carbopol, juntamente com extrato de semente de uva e a cafeína, utilizando o planejamento fatorial afim de analisar as características físico-químicas do produto desenvolvido.

2 METODOLOGIA

2.1 TIPO DE ESTUDO

O presente estudo é exploratório e descritivo quantitativo, onde foi desenvolvido formulações contendo concentrações variadas de polímeros, cafeína e extrato de semente de uva (Vitis vinifera L.).

2.2 LOCAL DE ESTUDO

O estudo foi realizado na UNIFAVIP- Wyden para elaboração das formulações e execução dos testes utilizamos o laboratório interdisciplinar.

2.3 DESENVOLVIMENTO DAS FORMULAÇÕES

Os ensaios formulados têm concentrações diferentes da blenda de polímeros, da cafeína e do extrato de semente de uva. Foram manipulados individualmente em cinco etapas: formação do gel com polímero carbopol, formação do gel com polímero hidroxietilcelulose, diluição em água destilada do extrato de semente de uva, diluição da cafeína em agua destilada, e a mistura dessas quatro fases com adição dos componentes não variáveis.

Tivemos como variáveis a concentração de cafeína, concentração do extrato de semente de uva e os polímeros carbopol/hidroxietilcelulose combinados, alternando as concentrações nos ensaios. Nos componentes fixos da formulação; trietanolamina, Metilparabeno, Propilparabeno e água destilada (q.s.p. para 200g), tabela 1 e 2.

TABELA 1. Componentes e concentração não variáveis das formulações.

Componentes Concentrações (%) Trietanolamina q.s.p. pH 6,0 EDTA 0,05 Metilparabeno 0,1 Propilparabeno 0,1 Água destilada q.s.p. 200 Fonte: Do autor (2019) 2.4 PLANEJAMENTO FATORIAL

Seguindo o método de planejamento fatorial (MONTGOMERY,1997), foram escolhidas três variáveis, para cada variável controlada obtivemos 2 níveis, portanto; 2⁴ 1 2⁄ Fatorial = 8 ensaios diferentes, com duplicata de ponto central. O ponto máximo (+1) para o extrato de semente de uva 2% e o mínimo 1) 0,5%, para cafeína definimos o ponto máximo (+1) 2% e como ponto mínimo

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1) 1%, para os polímeros teremos hidroxietilcelulose+carbopol, respectivamente,0,6% + 0,4% como ponto máximo (+1) e como ponto mínimo (-1) hidroxietilcelulose+carbopol, respectivamente,0,4% + 0,6%. Somando os valores do ponto máximo e do ponto mínimo, e depois dividindo pela quantidade de fatores teremos o ponto central (0), com os valores dos pontos centrais manipulamos mais um ensaio com repetição para cálculo de erro (Ver tabela 2)

TABELA 2 “CONCENTRAÇÕES de variáveis DA FORMULAÇÃO SEMISSÓLIDA APLICANDO

PLANEJAMENTO FATORIAL” COMPONENTES (%) A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 A9 A10 Extrato de semente de uva 0,5 (-1) 2 (+1) 0,5 (-1) 2 (+1) 1,25 (0) 1,25 (0) 0,5 (-1) 2 (+1) 2 (+1) 0,5 (-1) Cafeína 1 (-1) 2 (+1) 2 (+1) 2 (+1) 1,5 (0) 1,5 (0) 1 (-1) 1 (-1) 1 (-1) 2 (+1) Hidroxietilcelulose 0,4 (-1) 0,6 (+1) 0,4 (-1) 0,4 (-1) 0,5 (0) 0,5 (0) 0,6 (+1) 0,4 (-1) 0,6 (+1) 0,6 (+1) Carbopol 0,6 (+1) 0,4 (-1) 0,6 (+1) 0,6 (+1) 0,5 (0) 0,5 (0) 0,4 (+1) 0,6 (-1) 0,4 (+1) 0,4 (+1) Fonte: Do autor (2019) 2.5 VARIÁVEIS RESPOSTA 2.5.1 Determinação de pH

A determinação do pH foi realizada com pHmetro digital (Phox, do modelo P1000), previamente calibrado (ANVISA, 2007)

2.6 DENSIDADE

De acordo com o Guia de Controle de Qualidade de Produtos Cosméticos (ANVISA, 2007), é possível calcular a densidade de um semissólido utilizando o picnômetro de metal e balança analítica (previamente calibrados). Seguindo o método descrito, pesamos o picnômetro higienizado e completamente seco, obtendo o valor de 𝑀0, pesamos o picnômetro com água destilada, obtendo o valor de 𝑀1 e por fim, pesamos o picnômetro com a amostra obtendo o valor de 𝑀2, então aplicamos a fórmula; d = densidade;

𝑑 =𝑀2− 𝑀0 𝑀1− 𝑀0

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761 2.7 CARACTERIZAÇÃO DE ASPECTOS FÍSICO-QUÍMICOS DAS FORMULAÇÕES

2.7.1 Viscosidade

Foi identificada a viscosidade da fórmula utilizando o viscosímetro BROOKFIELD, da marca Marte, modelo MVD-20, spindle L2. Cada amostra foi submetida por um minuto as rotações de 30, 60 e 90 rpm, a fim de precisar tal característica (ANVISA, 2007)

2.8 ESPALHABILIDADE

Conseguimos determinar a espalhabilidade de acordo com a metodologia proposta por Knorst e Borghetti (1991) onde, uma placa-molde feita de vidro, em forma de círculo com um orifício central (1,2cm), é posicionada sobre uma placa-suporte de vidro. Sob estas placas foi colocado uma folha de papel milimétrico e através do orifício central a amostra foi inserida. A placa-molde foi substituída por uma placa de vidro de peso pré-determinado. Calculando o diâmetro de duas posições opostas é possível determinar a superfície atingida. Procedimento repetido aumentando o peso das placas, com intervalo de 1 minuto.

Para determinar a espalhabilidade utilizamos a seguinte equação:

𝐸𝐼 = 𝑑 2 × 𝜋

4 Onde:

Ei= espalhabilidade da amostra para peso i (mm²); d= diâmetro médio (mm)

Para que não ocorresse alteração na realização do teste entre todas as amostras as quatro placas colocadas sobre a amostra durante o teste foram enumeradas em ordem crescente de acordo com o peso; P¹= 195,7g, P²= 198,9g, P³= 203,3g, P= 204,2g.

2.9 CENTRIFUGAÇÃO

Amostras de 10g de cada formulação foram levadas a centrífuga Scientific, modelo LGT-DLC-802B, e submetidas a ciclos de 3500 rpm por 30 minutos. Desse modo produzindo estresse a amostra, antecipando possíveis instabilidades (ANVISA, 2004)

2.10 CICLO GELA DESGELA

Neste teste as amostras foram armazenadas em diferentes temperaturas, em intervalos regulares de tempo (ANVISA,2004). Tivemos três ciclos cada um de 24 horas:

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761 2º ciclo: 24 horas a 0ºC (±2ºC);

3º ciclo: 24 horas a -5ºC (±2ºC).

2.11 PROCESSAMENTO E ANÁLISE DE DADOS

Todos os resultados foram analisados no programa Minitab 17.

3 RESULTADOS E DISCUSSOES

3.1 ANÁLISE DA VARIÁVEIS RESPOSTA

3.1.1 Determinação de pH

Como as concentrações dos ativos variaram o pH final da fórmula também variou. Na figura 1 temos uma gráfico de Pareto, trata-se de um gráfico de barras laterais que mostra em ordem decrescente a frequência das ocorrências facilitando a identificação dos eventos mais importantes (TRIVELLATO, 2010) observa-se que a cafeína (pH da solução 2,5) o extrato de semente de uva ( pH da solução 4,5) tiveram interferência nos valores de pH de forma individual e associadas, já hidroxietilcelulose embora de forma individual tenha apresentado pouca interferência ao pH da formula, associada ao extrato de semente de uva teve tanta interferência quanto o extrato de semente de uva e a cafeína.

O pH das amostras em ordem decrescente: A8 - 4,9 > A7 e A6 – 4,7 > A10, A9 e A5 -4,6 > A1 e A4 – 4,5 > A3 e A2 – 4,2. Podemos observar que os pH das amostras ficaram bem próximos, onde a amostra mais ácida teve pH 4,2 e a mais neutra pH 4,9 sendo uma diferença de apenas 0,7 entre elas, todas apresentaram pH próximo de 5,0 que de acordo com GALEMBECK F, CSORDAS Y (2006) é o pH ideal para produtos cosméticos destinados a pele.

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FIGURA 1: EFEITO DAS VARIAVEIS SOBRE PH

Fonte: Do autor (2019)

3.2 DENSIDADE

Ao verificar a densidade dos ensaios conseguimos identificar que a cafeína e a hidroxietilcelulose afetam sua densidade, representado na Figura 2 pelo gráfico de Pareto em um estudo realizado por HERNÁNDEZ-MARÍN et al (2016), onde foi estudado emulsões múltiplas carregadas com cafeína, mostram que essas emulsões embora exibissem estabilidade durante os testes, tiveram alterações nas suas propriedades reológicas e na sua taxa de liberação. Outro estudo realizado por COUGHLAN e CORRIGAN (2006), mostrou a interação entre drogas e polímeros na formação de sistema de liberação. Foi observado que o efeito plastificante do benzoato analisado aumenta com o aumento da concentração. Desta forma, é necessário realizar estudos mais aprofundados que permitam entender as interações entre os polímeros estudados e a cafeína para elucidar o efeito que foi observado no presente estudo.

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FIGURA 2: EFEITOS DAS VARIÁVEIS NA DENSIDADE

Fonte: Do autor (2019)

O gráfico de efeito individual (Figura 3) mostra o comportamento das duas substâncias de forma individual, assim podemos perceber a influência da cafeína e hidroxietilcelulose na densidade, aumentando a densidade com o aumento da concentração.

FIGURA 3 EFEITO DA CAFEÍNA E HIDROXIETILFECULOSE SOBRE A DENSIDADE

FONTE: Autor (2019)

A equação de regressão expressa o comportamento preditivo da análise realizada. Densidade = 0,7433 + 0,0702 Cafeína + 0,254 hidroxietilcelulose

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761 3.3 CARACTERIZAÇÃO DE ASPECTOS FÍSICO-QUÍMICOS DAS FORMULAÇÕES

As amostras foram expostas a testes organolépticos e físico químicos de acordo com o Guia de Controle de Qualidade de Produtos Cosméticos (ANVISA, 2007) e o Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos (ANVISA, 2004). O primeiro teste realizado depois da formulação pronta foi a análise das características organolépticas sendo possível observar que todas as amostras conseguiram atingir um padrão, em nenhuma delas houve incompatibilidade na formulação ou separação de fases. Em estudo realizado por TANO (2003) foram estudados géis desenvolvidos a partir de carbômeros ou hidroxietilcelulose acrescidos da cafeína e Cafeisilane® C e verificou-se que as formulações mantiveram suas características cor, odor e aspecto estáveis durante as 24 horas. Afim de verificar qualquer alteração, vinte e quatro horas após o preparo das formulações foram observadas novamente as características organolépticas, na Tabela 3 podemos observar que não houve nenhuma alteração, indicando estabilidade da blenda polimérica.

TABELA 3: “características organolÉpticas DAS AMOSTRAS ”

AMOSTRAS COR ODOR ASPECTO

T0 T1 T0 T1 T0 T1 A1 P P P P P P A2 P P P P P P A3 P P P P P P A4 P P P P P P A5 P P P P P P A6 P P P P P P A7 P P P P P P A8 P P P P P P A9 P P P P P P A10 P P P P P P P = padrão; M = modificado FONTE: Autor (2019) 3.4 VISCOSIDADE

Na Tabela 4 podemos observar que todas as amostras tiveram Pa.s próximos para cada RPM utilizado, outro fator perceptível é a diminuição Pa.s conforme o RPM aumentava, caracterizando o gel como um pseudoplástico, trata-se de uma classificação para fluidos não newtonianos. Fluidos não newtonianos, são aqueles que a viscosidade do fluido varia conforme o aumento da taxa ou tensão de cisilhamento. Pseudoplásticos é uma classificação de fluidos não newtonianos, trata-se de fluidos que tem sua viscosidade aparente diminuída conforme aumenta a tensão de cisalhamento (LIBÓRIO, 2016).

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761 3.5 ESPALHABILIDADE

Na Tabela 4 podemos observar que a amostra 8 foi a que apresentou menor espalhabilidade, portanto será necessária maior força de atrito na aplicação, já a amostra 2 apresentou melhor espalhabilidade, sendo a mais fluida. Em estudo realizado por TANIGUCHI (2017) amostras de emulsões com hidroxietilcelulose foram expostas a diferentes temperaturas e percebeu-se que as amostras submetidas as maiores temperaturas apresentaram maior espalhabilidade devido ao aumento da fluidez causado pela temperatura, assim, relacionando diretamente a viscosidade com a espalhabilidade, quanto mais viscosa a amostra menos será sua espalhabilidade.

TABELA 4: VISCOSIDADE E ESPALHABILIDADE DAS AMOSTRAS

AMOSTRAS Viscosidade (MPAS) Espalhabilidade (mm²)

30 RPM 60 RPM 90 RPM P1 P2 P3 P4 A1 1044,4 522,0 347,9 1452,20 1963,49 2375,83 3019,07 A2 1043,0 521,7 374,6 2099,28 3147,00 4037,64 5026,54 A3 1038,0 520,2 347,1 1963,49 2231,23 3663,79 4417,86 A4 1043,2 521,8 347,6 1590,43 2375,83 2827,43 3494,15 A5 1037,0 511,0 348,1 1712,87 2524,97 2989,92 3663,79 A6 1043,9 521,8 348,0 1590,43 2231,23 2989,92 3494,15 A7 1043,0 521,8 347,8 1472,53 2375,83 2989,92 3663,79 A8 1044,8 522,0 348,0 1057,84 1365,72 1832,25 2231,23 A9 1043,1 521,8 347,8 1832,25 2827,43 3848,45 4620,41 A10 1043,2 521,7 347,9 1832,25 2375,83 3147,00 3663,79 FONTE: Autor (2019) 3.6 CENTRIFUGAÇÃO

As amostras foram submetidas ao teste da centrífuga, onde o estresse físico causado pela simulação de aumento da força de gravidade acelera o processo de aparecimento de corpo de fundo, separação de fases, mostrando instabilidade na amostra. Nenhuma das amostras apresentou alteração em suas características organolépticas após o teste o que é um indicativo que obtivemos uma blenda polimérica miscível (LUNA et al., 2015), ou seja, os polímeros estão intimamente ligados formando uma única fase.

3.7 CICLO GELA DESGELA

TANIGUCHI (2017) estudou emulsões formadas por hidroxietilcelulose para veiculação de ácido cafeico ou óleo de café verde ou extrato de folhas de Morus nigra observou-se que ocorreram alterações de cor e odor em amostras com caféico quando submetidas a estresse térmico. Em outro estudo realizado por CASALE e VALENTINI (2017) diferentes extratos vegetais foram veiculados a

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Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 7, p.47777-47790 jul. 2020. ISSN 2525-8761 géis formados por hidroxietilcelulose e carbopol verificou-se que todas as amostras quando submetidas a diferentes temperaturas apresentaram alteração em suas características organolépticas. Em nossas amostras não houveram alterações, mostrando uma boa estabilidade mesmo sobre estresse térmico e físico, o que é um indicativo de superioridade da blenda polimérica comparado ao uso individual de cada polímero.

TABELA 3: “características organolÉpticas CICLO GELA-DESGELA”

AMOSTRAS COR ODOR ASPECTO

1º Ciclo 2º Ciclo 3º Ciclo 1º Ciclo 2º Ciclo 3º Ciclo 1º Ciclo 2º Ciclo 3º Ciclo

A1 P P P P P P P P P A2 P P P P P P P P P A3 P P P P P P P P P A4 P P P P P P P P P A5 P P P P P P P P P A6 P P P P P P P P P A7 P P P P P P P P P A8 P P P P P P P P P A9 P P P P P P P P P A10 P P P P P P P P P P = padrão; M = modificado FONTE: Autor (2019) 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise fatorial apresentou dados que permitem a compreensão dos efeitos da concentração de substâncias como a cafeína, extrato de uva e da concentração de hidroxietilcelulose no comportamento de uma preparação semissólida. Desta forma pode ser observado que a densidade sofreu influência proporcional as concentrações de cafeína e hidroxietilcelulose, já o pH foi influenciado pela cafeína de forma individual ou associada as demais variáveis.

Quando analisado os fatores físico-químicos pertinentes a estabilidade, em todas as amostras a blenda polimérica se mostrou estável, mesmo submetida a estresse térmico e físico não houveram alterações nas formulas. Os testes de viscosidade e espalhabilidade apresentaram alterações significativas ocasionadas pelas variáveis, resultando em amostras mais fluidas ou viscosas interferindo diretamente na espalhabilidade do produto

Contundo são necessários estudos complementares afim de estabelecer informações mais detalhadas sobre as variáveis expostas, estabilidade da blenda polimérica e vida útil da formulação.

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REFERÊNCIAS

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CASALE, Flávia Mendonça; VALENTINI, Sergio Alexandre. CONTROLE DE QUALIDADE DE

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TABELA 1. Componentes e concentração não variáveis das formulações.
TABELA  2  “CONCENTRAÇÕES  de  variáveis  DA  FORMULAÇÃO  SEMISSÓLIDA  APLICANDO  PLANEJAMENTO FATORIAL”  COMPONENTES  (%)  A1  A2  A3  A4  A5  A6  A7  A8  A9  A10  Extrato de semente  de uva  0,5  (-1)  2  (+1)  0,5  (-1)  2  (+1)  1,25 (0)  1,25 (0)  0,5
FIGURA 3 EFEITO DA CAFEÍNA E HIDROXIETILFECULOSE SOBRE A DENSIDADE
TABELA 3: “características organolÉpticas DAS AMOSTRAS ”
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Referências

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