Tavira
Território
e
Poder
2co3
,,-Índice
PREFÁCIOS ... . . ... . . . ... 7
TEXTO INTRODUTÓRIO Arqueologia de Tavira - Carlos Fabião ...
11
O ALGARVE ORIENTAL NO 4.° E 3.° MILÉNIOS O Alto Algarve Oriental no 4.
°
e 3.°
Milénios - Victor S. Gonçalves ... ~3A IDADE DO BRONZE FINAL O Bronze Final Pré- Fenício no Concelho de Tavira - Maria Garcia Pereira Maia ... 39
A IDADE DO FERRO Tavira: afirmação do poder e estratégias de ocupação do território durante a 1. a Idade do Ferro - Ana Margarida Arruda ...
51
Fenícios em Tavira - Maria Garcia Pereira Maia ... 57
As Cerãmicas Áticas de Tavira - Pedro Barros ... 73
O Serro do Cavaco (Tavira) - Carlos Fabião ... 77
ÉPOCA ROMANA A cidade de Balsa - Vasco Gil Mantas ... 85
Quão importantes eram as gentes!. .. - José d'Encarnação ... 95
O Território de Balsa na Antiguidade Tardia - M. Justino Maciel ... 105
ÉPOCA ISLÂMICA Tavira islâmica. Novos dados sobre a sua história - Abdallah Khawli ... 131
Tavira islâmica. Una entidad urbana de Uksunuba en Garb al-Andalus - Ahmed Tahiri .. 147
Muralhas islâmicas de Tavira - Manuel Maia ...
155
Tavira islâmica. Uma aproximaçâo à vida quotidiana - Jaquelina Covaneiro e Sandra Cavaco. 163 ÉPOCA MEDIEVAL E MODERNA PORTUGUESA Los cristianos en Tavira. EI dominio Santiaguista - Manuel López Fenández ... 171 Tavira nos séculos XII ao XV-a ocupação cristã - Paula Maria de Carvalho Pinto Costa .. 183
(Des)contextos da arte Gótica em Tavira - Carla Varela Fernandes ... ~o5 Tavira no Algarve do século XVl-Joaquim Romero Magalhães ... ~13
O contexto artístico de Tavira quinhentista - Vítor Serrão ... ~~1
FICHAS DE CATÁLOGO O Alto Algarve Oriental no 4.° e 3.° Milénios ... ' ... ~37
A Idade do Bronze Final ... ~39
Época Romana ... ~61
Época Islâmica ... ~99
Época Medieval e Moderna Portuguesa ... .' ... 313
ApÊNDICE Roteiro Numismático ... 337
Tavira na época árabe ... 341
Arqueologia
de
Tavira
Carlos Fabião Faculdade de Letras Universidade de Lisboa ALAR dos vestígios antigos e de investigação arqueológica num qualquer concelho do ortuguês implica alguns esclarecimentos prévios ..... """""""' ... _ais simples de abordagem, absolutamente básico, consiste nas chamadas cartas arqueológicas, onde se regista"m os diversos sítios arqueológicos identificados e a sua caracterização mínima, o que pressupõe, naturalmente, um significativo trabalho prévio. É por norma um processo cumulativo e praticamente infindável, tão diversificados são os vestígios das antigas actividades humanas que se conservam. Este domínio da pesquisa, de interesse fundamental para uma boa gestão do território e para garantir a salvaguarda dos vestígios materiais do passado, na realidade, pouco nos diz sobre as sociedades que habitaram os antigos espaços. Um segundo nível consiste no estudo de sítios, normalmente, por escavação arqueológica, procurando integrar cada realidade investigada nos seus mais amplos enquadramentos, geográficos, ambientais, culturais, etc. Só então começamos a poder entender, de facto, as dinâmicas de ocupação dos espaços, nas distintas épocas, e as vivências das antigas sociedades humanas.
Contudo, não devemos perder de vista que a realidade do concelho, enquanto circunscrição política e administrativa, é moderna, não correspondendo pois a nenhuma entidade política ou étnica do passado. Assim, todas as leituras das realidades pretéritas implicam necessariamente quadros geográficos de referência mais amplos. No caso concreto de Tavira, o Algarve, enquanto "região natural", constitui um primeiro patamar de enquadramento. Num âmbito mais vasto, todo aquele espaço, hoje português, constitui aquilo a que poderemos chamar uma parte da orla setentrional desse mais extenso complexo geográfico a que Orlando Ribeiro chamou o "pré-mediterrâneo" e que abrange o território meridional da Península Ibérica a oeste de Gibraltar e o seu simétrico norte-africano. Esta mais extensa área constitui, por sua vez, uma peculiar zona de encontro e confluência entre o Mediterrâneo e o Atlântico, com as respectivas consequências naturais e culturais. Estes
Tavira. Território e Poder
enquadramentos geográficos e culturais são mais ou menos vastos e mais ou menos significativos consoante as épocas a que nos reportamos.
De uma óptica distinta, poderemos também identificar na área do actual concelho de Tavira um conjunto de elementos de diversidade micro-regional que lhe conferem matizes vigorosos. Tavira é a sua orla litoral, mas é também a zona serrana interior, cada uma com especificidades e singularidades próprias. No entanto, estas micro-diversidades geram relações de complementaridade que não podem (nem devem) ser esquecidas, quando historicamente encaradas, até porque cada sítio não é uma ilha, mas antes uma realidade dinâmica, que dialoga com a envolvente imediata e se articula" em rede" com outros sítios. Esta dupla perspectiva (macro e micro regional) determina, de algum modo, as formas como gerações de estudiosos e investigadores têm lidado com as realidades arqueológicas do concelho, sempre encaradas na citada perspectiva de mais amplos enquadramentos e não como uma unidade de estudo, em si; condiciona também a leitura que hoje podemos fazer dos vestígios materiais disponíveis.
Nas páginas que seguem, procurar-se-á apresentar um breve historial destes múltiplos processos de pesquisa, das vicissitudes que conheceram e ensaiar o respectivo balanço.
1.
Nos
primórdios: a cidade de Balsa
Podemos dizer que nos primórdios das investigações sobre o passado da região, ainda numa óptica de antiquário, que não de arqueólogo no moderno sentido do termo, a referência à cidade de Balsa constituía o único tópico. Os humanistas europeus, desde o século XVI e seguindo o exemplo italiano, afadigaram -se na busca da localização topográfica das antigas cidades mencionadas pelos autores clássicos. Balsa, conhecida por diversos textos geográficos greco-latinos, desde Pompónio Mela e Plínio-o-Velho a Ptolomeu, não foi excepção. De entre os diversos textos que a referiram e invariavelmente localizavam na área meridional da Península Ibérica, tinha especial importância o chamado itinerário de Antonino Pio, documento que menciona o que chamaríamos hoje os itinerários principais do sistema viário do Império Romano, por permitir uma estimativa muito aproximada da
sua localização. Com base nesta informação, a antiga cidade foi pacificamente tida como a antecessora
directa da cidade de Tavira. Assim o supôs André de Resende e com ele os restantes autores que se detiveram sobre a Antiguidade do Algarve. Escreveu o eborense no seu tratado sobre as Antiguidades da Lusitânia:
"Conjecturamos que a outrora chamada Balsa é aquela a que no nosso tempo se dá o nome de Tavira e que é a maior cidade do Algarve " (RESENDE, A., [1593]1996, IV: 180, na tradução de Rosado Fernandes)
O equívoco é compreensível por várias razões, desde logo, por ser Tavira o principal aglomerado da região onde se localizaria a antiga urbe (e esse aspecto é explicitamente sublinhado pelo Autor), mas também por parecer aceitável a identificação, tendo em conta as distâncias miliárias fornecidas pelo referido itinerário (e, por irrelevante para a questão em apreço, não vemao caso comentar os múltiplos equívocos geográficos então existentes); finalmente, não haveria notícias de outro local onde se encontrassem vestígios de antiguidades, que permitissem alimentar a hipótese de outras localizações alternativas.
A errónea localização persistiu, reforçada pelo prestígio da autoridade erudita de Resende e, curiosamente, não parece ter merecido particular crédito a informação fornecida pelo pároco de Luz de Tavira, nas respostas ao chamado inquérito paroquial de 1758, promovido à escala nacional, com diversos objectivos, entre os quais substituir a informação de um inquérito anterior, iniciativa da
joanina Real Academia da Historia Portugueza, mas também com o fito de avaliar os estragos causados
pelo grande terramoto de 1755. Escreveu então o sacerdote:
"Tenho noticia de que do sitio do Arroio até ao Porto da Pedra [Pedras d'EI Reillimites destafreguezia, que confinam com o dito rio [a Ria Formosa], havia uma cidade chamada Antas que vulgarmente hoje lhe
chamam as Antas ou as Andas que foi tomada aos mouros no tempo de D. Paio Peres da qual ainda há hoje vestígios de pedrarias lavradas, que se tem descoberto na cultura das fazendas de que se acham povoados os ditos limites" (citado por VIANA, Abel, 195~: ~77)
Provavelmente a referência à conquista cristã do local, associada a denominação deAntas, impediu um
relacionamento directo com a cidade romana. A ausência de um tratamento sistemático das respostas
ao inquérito paroquial e a sua escassa (ou mesmo nula) divulgação também contribuem para explicar o
esquecimento a que foi remetido este interessante depoimento.
2.
Os primórdios da investigação arqueológica: de novo a cidade de Balsa
Mas o tema da localização de Balsa marcou ainda o nascimento da investigação propriamente
arqueológica na região. Foi justamente um tavirense, Sebastião Philipes Martins Estácio da Veiga,
pioneiro da investigação arqueológica algarvia (e portuguesa, em geraI) que se ocupou do tema, pode
dizer-se, com um carácter definitivo.
Estácio da Veiga nasceu em Tavira, em 18~8. Ao longo da sua vida interessou-se por diversos temas,
desde o romanceiro popular à botânica, mas é sobretudo pela sua profícua actividade arqueológica que
hoje é lembrado e conhecido. O interesse pelos temas da Antiguidade parece ter nascido do contacto
pessoal com Aemilius Hübner que, por incumbência da Real Academia de Berlim, compilou as
inscrições latinas da Península Ibérica. De facto, não se conhecem especiais inclinações pelos temas arqueológicos no investigador algarvio anteriores a 1861, data da primeira visita do alemão a Portugal.
Estácio da Veiga terá começado a realizar prospecções de terreno no litoral da região de Tavira em 1865,
zona que bem conhecia, por ali se localizarem propriedades de familiares seus; e, no ano seguinte, deu à estampa o opúsculo Povos Balsenses. Sua situação geographico-physica indicada por dous monumentos romanos recentemente descobertos na Quinta de Torre d'Ares distante seis kilómetros da cidade de Tavira.
Lisboa: Imprensa Nacional 1866. Aí escreveu:
"entre o povoado de Santa Luzia, que fica aproximadamente a meia legoa de Tavira e a Freguesia da Senhora
da Luz, que dista desta cidade seis kilómetros, nota-se numa zona de terra quase paralela à costa de SE, onde a todo o passo se estão manifestando grandes e numerosos vestigios de edificações antigas, e muitos objectos,
que assás denunciam ter naquelle ou em parte daquelle campo vivido uma população numerosa" (VEI GA, S.
P. E. dá, 1866: 1~).
Com base nos dados da sua observação e em novos documentos epigráficos encontrados considera
definitivamente resolvida a questão da localização da antiga cidade de Balsa, que situa na área
abrangida pelas quintas de Torre de Aíres e Antas. Sublinhe-se que tais conclusões resultaram de uma
observação directa do sítio e de realidades materiais ali encontradas, designadamente na, Quinta de
Torre de Aíres, pertença de um seu primo, Sebastião Fernandes Estácio da Veiga, e da quinta das Antas,
propriedade do Sr. João Luiz de Mendonça e Mello. A ambos cavalheiros agradece as facilidades
concedidas para o seu estudo. Isto é, também o ilustre pioneiro parece não ter conhecido a informação
oitocentista do prior de Luz de Tavira, que só viria a ser recuperada e valorizada muitos anos mais tarde
por Abel Viana.
Por esta mesma época, embora anos depois, Teixeira de Aragão realizou pesquisas no que supõs ser
uma das necrópoles da antiga cidade de Balsa e desses trabalhos deixou breve notícia, igualmente
veiculada pelo cónego Pereira Boto, o fundador do Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique,
em Faro. Para além das sepulturas, é possível que o insigne numismata tenha reunido uma pequena
colecção de objectos arqueológicos da zona, entre os quais figuraria o fragmento de ânfora com marca
impressa FIG.GEM/ELLIANI, hoje guardado no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa. Mas estas
acções são meramente pontuais, nada que se compare com o mais extenso labor de Estácio da Veiga.
Tavira. Território e Poder
levantamento da Carta Arqueológica do Algarve de que Estácio da Veiga se ocupou até à sua morte em
1891. Começou, nas suas próprias palavras, porum amplo reconhecimento de terreno, que se estendeu
de Outubro de 1865 a Abril do ano seguinte, "(. . .) desde os campos balsenses a leste de Tavira até áFoyade Monchique" (VEIGA, S. P. E .. da, I, 1886-189°: 5). Conheceu momentos altos em 1878 quando se
apresentou o primeiro esboço da carta archeologica, em 1880 quando a mesma carta e o respectivo
museu archeologico do Algarve foram apresentados em Lisboa, no âmbito da IX sessâo do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas, ou ainda em 188~ -83 quando realizou a revisão da carta, sobretudo nos aspectos relacionados com a sinalética adoptada, por sugestão de vários
investigadores de outros países, que contactara em Lisboa em 1880. Infelizmente, a publicação de
Antiguidades Monumentaes do Algarve, o culminar de todo este projecto, foi abruptamente interrompido pela morte do seu Autor, em 1891, quando somente se achavam publicados os quatro primeiros
volumes e iniciado o esboço de um quinto, parcialmente divulgado, a título póstumo, nas páginas da
revista O Archélogo Português.
Existe, portanto, um apreciável desfasamento entre o projecto inicial de Estácio da Veiga,
determinante dos múltiplos trabalhos de campo que realizou, que consistia na publicação de um amplo
estudo sobre a ocupação humana do Algarve, e aquilo que, na realidade põde concretizar. Note-se,
porém, como encontramos aqui, pela primeira vez delineado, todo o vasto programa que acima se referiu e pauta ainda hoje a moderna investigação arqueológica: um processo de identificação de sítios
e seu registo cartográfico, com caracterização sumária, escavações realizadas em muitos deles, com o
intuito de esclarecer a sua natureza e fases de ocupação, e o trabalho de interpretação e relacionamento da informação, visando um real conhecimento das sociedades do passado. A publicação constituía,
pois, o objectivo final, o natural corolário deste conjunto de acções.
Infelizmente, como referi, não passou dos primeiros volumes, ou seja, o processo de cartografia foi
concluído, as escavações foram realizadas, mas nem tudo foi objecto de tratamento sistemático e
publicação. Os volumes dados à estampa ocupavam -se da Paleoethnologia, "a sciencia que estuda as origens e desenvolvimento da humanidade até ao começo dos tempos historicos" (VEIGA, S. P. E. da, I, 1886
--1890: 6), conceito que escassa popularidade conheceu, depois de ter sido proposto em 1865, no
Congresso de Spezzia, em Itália, como substituto da mais conhecida noção de "arqueologia
pré--histórica". Os estudos sobre realidades dos chamados tempos historicos ficaram inéditos, no essencial.
Compreensivelmente, este estudo que se ocupava de todo o território algarvio não conferia especial
atenção à área de Tavira, em particular. Justamente a intenção de considerar os mais amplos
enquadramentos histórico-culturais, fazia diluir, no conjunto do Algarve, a região em apreço. A
própria actividade de escavação atendeu de um modo selectivo aos diferentes monumentos identificados, o que se compreende. Mas como o autor se interessou mais por realidades de outras
áreas, a informação sobre a pré-história tavirense ficou resumida a breves apontamentos e à
apresentação de poucos artefactos isolados. Por outro lado, o facto de ter ficado por concluir e publicar
o estudo sobre os tempos historicos remeteu para um longo esquecimento todo o labor desenvolvido na
área da antiga cidade de Balsa, ao que tudo indica, a realidade arqueológica local que o autor privilegiou ..
Deste modo, o efectivo balanço que se pode fazer do contributo de Estácio da Veiga para a arqueologia
tavirense consiste, em primeiro lugar, na definitiva identificação do local de implantação da antiga
cidade de Balsa - dos trabalhos que ali realizou só muito mais tarde se põde fazer uma efectiva
valorização, pelas razões enunciadas -; e na identificação de alguns sítios e artefactos isolados.
Deixou-nos, ainda, alguns interessantes apontamentos, que só futuras investigações poderão confirmar e precisar. Nas páginas do seu estudo paleoethnologico relacionou o topónimo antas, da quinta do mesmo nome, com a eventual presença de antigos monumentos megalíticos:
"Não é sómente afamosa Balsa, de origem prerromana, que ficou representada n'aquelles terrenos [quintas da Torre de Ares, das Antas e outras parcelas menores]; outros povos mais antigos precederam os balsenses. O nome tradicional Antas, ali vinculado desde tempos immemoriaes e os instrumentos de pedra
tantas vezes achados nas quintas das Antas e na de Torre de Ares, bem mostram ter aqueUa plaga sobranceira ao rio ( . .) sido habitada no periodo neolithico" (VEIGA, S. P. E. da, II, 1886-189°: 383)
Em novo volume, o último que concluiu, reafirmou as mesmas ideias:
"[nas Antas] cujos monolithos fôssem aproveitados nas grandiosas construções de Balsa, de que restam ainda á vista a pouca profundidade da supeificie dos terrenos d 'aquella quinta e das que lhe são contiguas,
denominadas Torre de Ares e Pedras d 'El Rei, numerosos paredões de famosos edifícios arrazados, assentes n 'um plano pouco mais abaixo, em que têem apparecido muitos machados, percutores e outros instrumentos de pedra, como significando a séde de uma população neolithica, que continuou a viver na primeira idade dos metaes" (VEIGA, S. P. E. da, IV, 1886-189°: '07)
e acrescentou:
"Ha ja muitos annos mandou o Sr. João Luiz Mendonça e Mello fazer fundas escavações na sua quinta das Antas, e tendo descido a um nivel inferior ao dos pavimentos das construções balsenses [entenda -se, das construções romanas], achou alguns machados e outros instrumentos de pedra ( . .) A região balsense, cuja população os romanos acharam constituida desde longa data, foi portanto primitivamente, ou muito anteriormente ocupada por um povo que fazia uso de instrumentos de pedra e de armas de cobre" (VEIGA, S. P. E. da, IV, 1886-189°: 108).
Há, portanto, uma explícita referência ao que poderá ser uma antiga ocupação pré- histórica na área da cidade de Balsa, que importará futuramente investigar. Sublinhe-se, vestígios de uma pré-existência remota, que não os vestígios de um suposto aglomerado pré-romano, que o carácter não-latino do topónimo evoca. Quanto aos trabalhos que realizou na urbe romana, propriamente dita, limitou -se a escrever:
"Não pertence a este livro a enumeração dos trabalhos que os distinctos proprietarios d'aqueUas quintas mui francamente me permitiram, nem a descripção das grandezas monumentaes que d 'alli já anteriormente conhecia e ainda consegui descobrir ( . .)" (VEIGA, S. P. E. da, II, 1886-189°: 39~).
E assim era, uma vez que o volume se ocupava exclusivamente de paleothnologia ...
Só muito mais tarde, nos inícios da década de 70 do século XX, Maria Luísa Estácio da Veiga Affonso dos Santos, uma descendente do insigne arqueólogo tavirense, recuperaria a maior parte da informação levantada no ãmbito da carta archeologica doAlgarve, no contexto do estudo que consagrou à ocupação romana deste território e que constituiu a sua dissertação de Licenciatura. Mais de vinte anos volvidos, por iniciativa de
J
eannette N olen, foram estudados os materiais resultantes das escavações de Estácio da Veiga e que, tendo pertencido ao seu malogrado museu archeologico doAlgarve, estão hoje depositados no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa.3. Depois de Estácio da Veiga, um período de abrandamento
A obra de Estácio da Veiga, pelo seu volume e importância, logrou transformar o Algarve em área de particular interesse para a nascente arqueologia portuguesa. No entanto, não voltou a existir um arqueólogo residente e particularmente interessado no património arqueológico tavirense.
António dos Santos Rocha, um ilustre investigador da Figueira da Foz e particular admirador do trabalho de Veiga, realizou várias expedições científicas ao Algarve, com o duplo objectivo de aprofundar os conhecimentos da carta archeologica, mas também para encontrar paralelos para as realidades que estudava, sobretudo na Beira Litoral. Na primeira viagem que realizou ao extremo sul de Portugal, em 1894-5, começou justamente pela zona de Tavira, onde se interessou por algumas realidades pré-históricas ali identificadas, mas cedo a sua atenção se orientou para o Barlavento e as suas viagens posteriores, nos inícios do século XX, já não atingiram aquela região. Também Leite de
Tavira. Território e Poder
Vasconcellos, nas suas constantes deambulações, de terra em terra (para usar a expressão que o próprio elegeu para designar a compilação de muitas das suas observações), passou por Tavira, anotou novos dados, colheu esparsos apontamentos, coligiu materiais para o seu Museu de Belém, mas não se pode dizer que tenha contribuído de um modo significativo para aumentar os conhecimentos sobre o passado da região.
Tavira passou a ser um local por onde se passava, onde eventualmente se recolhia alguma nova
informação, mas não um território particularmente estimado ou apetecido pela investigação arqueológica. Aqui passaram H. Breuil e G. Zbyszewski, em busca de indícios paleolíticos, pelos anos 40 do século XX, no âmbito do longo trabalho de levantamento que realizaram nas costas portuguesas, tendo assinalado o terraço com materiais do Pinheiro, em Luz de Tavira; por aqui andou também Abel Viana, que se ocupou de diferentes realidades, desde o Paleolítico, em colaboração com os autores citados, aos vestígios romanos da área da antiga Balsa, e terá escavado algumas sepulturas de uma necrópole em Pedras d'EI Rei, mas pouco mais haverá a assinalar. Aumentava pontualmente a lista de locais da carta arqueológica, mas não se pode falar de um incremento substantivo dos conhecimentos sobre as antigas ocupações humanas.
Alguma informação nova se ficou devendo também a investigadores locais, como Mário Lyster Franco, Pinheiro Rosa ou José Fernandes Mascarenhas, todos eles mais interessados em outras áreas do Algarve e só marginalmente atentos ao concelho de Tavira. Uma vez mais, novos apontamentos, novos elementos, mas sem o concomitante avanço dos conhecimentos.
4. Um novo fôlego, nos últimos trinta anos
Somente nos últimos trinta anos se registaram transformações de monta. Tentando seguir uma ordem cronológica de publicação, haverá a assinalar, em primeiro lugar, a já mencionada síntese de Maria Luísa Estácio da VeigaMfonso dos Santos Arqueologia romana do Algarve , dada à estampa nos inícios da década de 70. Neste trabalho, a Autora não só compilou e publicou pela primeira vez muita da informação colhida por Estácio da Veiga, que permanecera inédita, designadamente plantas de construções, desenhos de materiais arqueológicos, nomeadamente mosaicos, e outros dados, como percorreu o território, tentando avaliar o estado em que se encontravam muitos destes sítios arqueológicos. Trata-se de um trabalho de grande fôlego, ainda que com algumas imprecisões. Por exemplo, no que diz respeito ao concelho de Tavira, a autora não considerou o importante Serro do Cavaco, já registado por Estácio da Veiga, e classifica como romana (invocando a autoridade de Fernando de Almeida) a ponte sobre o Gilão na área urbana de Tavira que, na realidade, será uma obra de construção mais recente, ainda que se admita ter substituído uma outra mais antiga que poderia remontar a esse período.
Nos meados dos anos 70 duas importantes iniciativas envolveram o concelho de Tavira. Em primeiro
lugar o projecto CAALG, dirigido por Víctor S. Gonçalves, que se ocupava da investigação integrada do
Alto Algarve Oriental, mobilizando uma notável equipa. Na prática, esse investigador, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ocupava-se das realidades neo-calcolíticas, Ana Margarida Arruda dos vestígios proto -históricos e romanos e Helena Catarino das realidades de época medieval, com particular atenção aos vestígios islâmicos. Como o nome indica, o projecto não se ocupava de uma circunscrição administrativa em concreto, mas de uma vasta região, com alguma homogeneidade, a zona da serra. Vários novos sítios foram identificados e alguns sistematicamente investigados, como alguns monumentos megalíticos do Cachopo e da Mealha. O desenvolvimento do Projecto acabaria por orientar a equipa de investigação para sítios e monumentos de outros concelhos, ficando deste modo Tavira em posição algo marginal. No entanto, o conjunto da informação construída, constitui uma referência incontornável para o estudo do passado da região. Pode dizer-se que, com base na informação publicada, a investigação que futuramente se venha a centrar no concelho em apreço disporá de importantes dados de enquadramento regional. Teve ainda o projecto CAALG o
mérito maior de chamar a atenção do povoamento antigo da área serrana, uma zona tradicionalmente preterida, uma vez que as atenções se orientaram sempre mais para a plataforma litoral.
Também por este interior serrano andou Caetano de Mello Beirão e seus colaboradores em busca de vestígios das épocas iniciais da Idade do Ferro, sobretudo epigráficos, no contexto dos grandes programas de prospecção que desenvolveu em extensas áreas do Baixo Alentejo e Algarve.
Mas não só da serra se ocuparam os investigadores nesta nova etapa da arqueologia tavirense. Também na área litoral, designadamente na zona da antiga cidade de Balsa, Manuel e Maria Maia realizaram novas investigações, infelizmente prematuramente interrompidas e nunca publicadas.
Pode acrescentar-se, já na década de 90, a publicação dos volumes da Carta Arqueológica de Portugal, de iniciativa do então Departamento de Arqueologia (DA) do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, coordenada por Teresa Marques, com um volume dedicado aos concelhos de Olhão, Tavira, Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim. No entanto, este trabalho consistiu fundamentalmente na compilação da informação já disponível, pouco acrescentando ao já conhecido. No que concerne a Tavira, este trabalho anota sete novos sítios, entre locais identificados em prospecções do DA e informações fornecidas por outrém. Regista, todavia,
algumas falhas relativamente ao já conhecido, nomeadamente o Serro do Cavaco, remetido para uma lista de locais (incompreensivelmente) ausentes da cartografia publicada.
Ainda no domínio dos trabalhos de cartografia arqueológica, deve assinalar-se a recentíssima publicação de uma carta arqueológica da freguesia de Cachopo, da autoria de Manuel e Maria Maia que constitui eloquente exemplo de como esta tarefa de localizar, identificar e caracterizar sítios onde se conservam vestígios de antigas ocupações humanas constitui tarefa sempre inacabada.
Embora em registo substancialmente diferente, devem assinalar-se alguns trabalhos importantes dedicados a Balsa. Não partiram de novas escavações, mas contribuíram de um modo notório para o entendimento do papel deste aglomerado, no contexto regional. Em primeiro lugar, José d'Encarnação, que se ocupou detidamente da cidade e sua envolvente na sua tese de Doutoramento dedicada às Inscrições Romanas do Conventus Pacencis (1984), baseando-se na leitura e interpretação do já notório acervo epigráfico ali recolhido. Por outro lado, Jorge de Alarcão debateu, em diversas sínteses, o tema do território da civitas balsensis, seus limites e organização, partindo dos dados literários e epigráficos, sem esquecer a abundante informação de cartografia arqueológica. Vasco Mantas ocupou -se, por mais de uma vez, da informação disponível e, perscrutando fotografias aéreas,
realizou importantes observações, como por exemplo, a da possível localização do hipódromo e a provável existência de um cadastro rural: ou, se preferirmos, dos modos como a cidade planeou e enquadrou a sua área de exploração imediata. Os vestígios deste cadastro poderão constituir um importante auxiliar de pesquisa para novas prospecções arqueológicas, destinadas a caracterizar o mundo rural romano. Finalmente, o estudo promovido por Jeannette Nolen,sobre os materiais recolhidos por Estácio da Veiga nos seus trabalhos oitocentistas permitiu um conjunto de novas e importantes observações sobre a dinâmica da cidade romana.
Em qualquer dos casos citados, fica demonstrado o que é possível fazer para incrementar os conhecimentos sobre a ocupação antiga do local, sem recurso a novas escavações. Tratou-se de trabalhos essenciais, que valorizaram todo o acervo da informação disponível. Aquilo a que poderíamos chamar um "ponto da situação", ainda que, saudavelmente, realizado a várias vozes e com distintas perspectivas. Evidente se torna também a necessidade de realizar no local novas investigações, seguindo métodos e abordagens actuais, sob pena de não se conseguir progredir positivamente no estudo desta importante cidade romana.
Mas, sem dúvida alguma, a maior novidade da arqueologia tavirense acabaria porvir da própria cidade. A identificação da real localização da cidade romana de Balsa tinha remetido a cidade de Tavira,
propriamente dita, que os humanistas supunham a remota sede da urbe latina, como houve oportunidade de comentar, para um papel secundário no contexto do concelho. Naturalmente,
conhecia-se a sua importãncia em época islâmica (para não falar em outros períodos mais recentes),
mas, quer a escassa valorização que até há bem pouco tempo se fazia do legado islâmico, quer a
Tavira. Território e Poder
convicção de que seria preferível estudar a dinãmica histórica da cidade recorrendo a outras fontes que
não as arqueológicas, tinham, por assim dizer, retirado a sede do concelho da cartografia arqueológica
local. Na melhor das hipóteses, valorizava -se a pretensa ponte romana e, bem entendido, os vestígios
monumentais medievais, como por exemplo, as muralhas.
Recentes investigações, dirigidas uma vez mais por Manuel e Maria Maia, vieram alterar
substancialmente a situação. Tratou-se de trabalhos promovidos no ãmbito da renovação do tecido
urbano actual, que sempre implica revolvimentos de subsolo. Lograram identificar um notável espólio
islâmico, como aliás seria de prever, mas sobretudo revelaram uma muito antiga ocupaçâo do sítio
onde se ergue hoje Tavira, que remontará, pelo menos, aos inícios do I Milénio a.C .. Aparentemente,
aqui existiria um aglomerado indígena que precocemente contactou com influxos orientalizantes e se
manteve como importante aglomerado até aos séculos V-IV a.C., recebendo artigos importados de
origem mediterrânea e participando na extensa rede de relações que este mar permitiu forjar.
Acrescentou-se, pois, mais um ponto à já notável cartografia de grandes aglomerados do litoral da
Idade do Ferro algarvia. Tais descobertas vieram conferir à sede do concelho uma inesperada
centralidade de natureza arqueológica. Não se trata somente do lugar central histórico, mas
provavelmente, de um pólo vertebrador do território de longuíssima tradição. Permitirá,
inclusivamente, reabrir inesperadamente a discussâo em torno da primitiva localização de Balsa.
Este antigo topónimo não é latino. A cidade romana usou na sua designação uma voz mais remota que
alguns crêem ser peninsular, isto é, remeter para as (ainda) indecifradas línguas que se falariam nestas
paragens antes da conquista romana, ou, em alternativa, tratar-se de um nome púnico. Este facto
denuncia uma pré-existência urbana, aproveitada e enquadrada pelos romanos, como tantas vezes
sucedeu. Como se viu, não existem hoje quaisquer dúvidas quanto à localização da cidade romana que
usou esse nome. Contudo, de entre os materiais até hoje recolhidos em Torre de Aires, Antas e outros
locais próximos, é notória a ausência de artefactos que se possam datar de épocas anteriores à
conquista romana - as observações de Estácio da Veiga, acima mencionadas, são irrelevantes para o
caso, uma vez que remetem para possíveis ocupações muito mais antigas, não para uma pré-existência
indígena. Assim, poder-se-á alvitrar, pelo menos até que novas investigações o venham precisar, que
a primitiva Balsa pré-romana se poderia localizar em outro sítio, distinto do que veio a ser adoptado
em época romana, do mesmo modo que, mais tarde, a antiga cidade foi abandonada e substituída a sua relevância local por Tavira.
Sublinho que se trata de mera conjectura, que só futuros estudos poderâo esclarecer, mas a hipótese
não é destituída de sentido, uma vez que outros casos há em que as cidades romanas conservam
vetustas referências toponímicas, remetendo para épocas mais remotas, mas se instalam de raiz em
novos locais. Seja ou nâo o sítio da primitiva implantação de Balsa, o espaço da actual cidade de Tavira
constitui um importantíssimo local de interesse arqueológico, não só por essas antigas ocupações, mas
também, bem entendido, pelos notáveis vestígios islâmicos.
5. Emjeito
de balanço: uma apreciação de conjunto
Em jeito de balanço, podemos dizer que o conhecimento das realidades antigas da área do actual
concelho de Tavira nâo difere substancialmente do existente para outras regiões do Algarve.
De facto, verifica-se que, após um primeiro momento de notável incremento da informaçâo, por
inteiro devido à notável obra de Estácio da Veiga, que procurou articular a cartografia de sítios
arqueológicos com a investigação directa dos que supõs mais significativos, sem esquecer o ensaio de
síntese sobre o seu significado cultural, se entrou numa fase em que esta região, como tantas outras do
nosso país, se transformou em área de referência, espaço visitado, mas não sistematicamente
estudado.
Paradoxalmente, pode dizer-se que os grandes nomes da arqueologia portuguesa por aqui passaram
Orientações
de leitura
Mais do que uma bibliografia extensa, no sentido formal do
termo, aqui se apresentam algumas orientações para o
leitor interessado em aprofundar os seus conhecimentos.
MARGÃO, J. ('988) - O Domínio Romano em Portugal, Mem Martins, Europa-América. Tratamento do tema
do território da civitas de Balsa. Pode complementar
-se com a leitura de,
MARGÃO, J. (1990) - "Identificação das Cidades da
Lusitânia Portuguesa e dos Seus Territórios", in, Les Villes de la Lusitanie Romaine. Hiérarchies et Territoires (Table ronde Internationale du CNRS, Talence, '988), Paris, CNRS (Collection de la Maison des Pays Ibériques, 4~), pp. ~1-34·
ARRUDA, A. M.; GONÇALVES, L. J. (,993) -"Sobre a
Romanização do Algarve", in, Actas do II Congresso Peninsular de HistóriaAntiga (Coimbra, '99')' Coimbra,
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, pp. 455-465.
BARATA, M. F. (Ed.) (1997) -Noventa Séculos entre a Serra
e o Mar, Lisboa, MC / IPPAR (obra colectiva que
apresenta boas sínteses sobre a arqueologia algarvia) .
BEIRÃO, C. M. (1990) -"AIdade do Ferro no Algarve", in, Encontro de arqueologia do Algarve (Fevereiro de '990). Boletim Informativo, Faro, D.R.S. da S.E.C., pp. 37-n
ENCARNAÇÃO, J. d' (1984) - Inscrições Romanas do Conventus Pacensis, ~ vaIs., Coimbra, Faculdade de
Letras da Universidade de Coimbra - Instituto de
Arqueologia.
FARIA,A. M. (1995)-"Moedas da época romana cunbadas em território actualmente português", in, GARCÍA
-continuidade, por razões incompreensíveis, tendo em atenção que por aqui se localiza, por exemplo,
uma cidade romana, que não foi sobreposta por nenhuma área urbana mais recente e que, por isso
mesmo, se prestaria a uma acção de monta de investigação e valorização, contribuíram para um relativo
esquecimento do potencial arqueológico do concelho.
Somente nas últimas décadas se tem assistido a uma inversão desta tendência, mas, ainda assim, não
se pode dizer que os progressos alcançados sejam notáveis. Verificou-se, de facto, um contínuo
crescimento na informação sobre sítios arqueológicos, numa óptica estritamente cartográfica, mas
não se verificaram importantes desenvolvimentos no efectivo conhecimento dos modos como as
sociedades humanas usaram o território no passado. Em suma, pode dizer-se, que o concelho de Tavira
se apresenta como um espaço que aguarda ainda o necessário esforço de investigação que permita compreender a dinâmica histórica da sua ocupação. Como, aliás, tantas outras zonas do nosso país. Tratando-se do Algarve, zona onde a indústria turística tem particular pujança, diria que, para além de
elemento fundamental da construção de uma identidade local e nacional, o património arqueológico
pode Ce deve) ser encarado como um importante recurso económico, frágil e finito, que urge preservar
e valorizar.
-BELLIDO, M.P.; CENTENO, R.M.S., eds. - La Moneda Hispánica. Ciudad y territorio, Madrid, CSIC (Anejos de Archivo Espanol deArqueología, XIV) , pp. '43-'53. Breve síntese sobre os conhecimentos das cecas do ocidente peninsular, que inclui a referência
às emissões de Balsa.
GOMES, M.; GOMES, R. V. (,988) - Levantamento arqueológico-bibliográfico do Algarve, Faro, SEClDelegação Regional do Sul. Levantamento exaustivo (até à data da sua publicação) da bibliografia arqueológica relativa ao Algarve.
GONÇALVES, V. S. ('979) - "A carta arqueológica do
Algarve. Estratégias e perspectivas", in, Clio, Lisboa, 1, pp. 99-14°.
GONÇALVES, V. S. (,98,) - "A arqueologia do Algarve,
sinopse rectrospectiva e perspectivas de mudança", Clio, Lisboa, 3, pp. '77-,81.
GONÇALVES, V. S. (1989) -Megalitisnw e metalurgia no AltoAlgarve Oriental, ~ vols, Lisboa, UNIARQ- INIC.
MAlA, M. (1978) - "Ânforas neopúnicas do sul de Portugal", in, Actas das III Jornadas Arqueológicas (Lisboa, '977), Lisboa, A.A.P., vol. I, pp. '99-~07· MANTAS, V. G. (1990) - "As cidades marítimas da
Lusitânia", in, Les Villes de la Lusitanie romaine. Hiérarchies et térritoires (Talence, '988), Paris, CNRS, pp. '49-~05. Inclui o estudo sobre Balsa. •
MARQUES, T. (dir.) (1995) - Carta arqueológica de
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António - Castro Marim - Alcoutim, Lisboa,
SEC/lPPAR.
NOLEN, J. U. S. (1994) -Cerãmicas e vidros de Torre deAres
'9
-Balsa, Lisboa, SEC/lPM. Publicação da colecção de Estácio da Veiga.
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